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Por Daniel Santini

A venda de armas leves no Brasil cresceu significativamente no final da última década. O número de unidades vendidas passou de 469.097 em 2005, para 831.616 em 2010, incluindo um pico de 1.001.549 em 2009. Isso só no mercado interno, onde, em todo o período, foram comercializadas 4.339.846 unidades. Se consideradas as 4.482.874 peças exportadas, a quantidade total de armas leves vendidas pela indústria nacional nesses cinco anos chega a 8.822.720. Armas leves são aquelas que podem ser carregadas por uma pessoa, como revólveres, pistolas, rifles e fuzis.

Até serem divulgados na série de reportagens que produzi recentemente para a Agência Pública, da qual participaram também as repórteres Natalia Viana e Jessica Mota, os números sobre a produção nacional eram inéditos. Os dados sobre a produção e demais informações apresentadas no material foram obtidos por meio de entrevistas, leituras e contatos feitos como parte de uma pesquisa de dois anos no curso de pós-graduação com especialização em jornalismo internacional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Tentar entender e acompanhar o setor é um desafio. Na busca por informações que deveriam ser públicas, sobram negativas, desinformação e falta de transparência.

É do governo federal a responsabilidade de fiscalizar, controlar e divulgar dados sobre a fabricação de armas, feita no Brasil por indústrias estatais e, principalmente, privadas. Questionados sobre a dimensão da produção das indústrias nacionais e sobre incentivos governamentais que têm sido decisivos para a expansão das linhas de montagem, os representantes do Ministério da Defesa responderam em nota que a pasta “não dispõe de elementos para responder a todas as questões” e sugeriram que a reportagem encaminhasse “as perguntas referentes à movimentação, produção, volume de vendas e receita da indústria de defesa às empresas do setor”, sugerindo que para “dados sistematizados sobre a indústria de defesa”, o melhor caminho seria procurar “a Fiesp [Federação das Indústrias de São Paulo], no Comdefesa [Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria de Defesa], que costuma consolidar dados desse mercado”.

As empresas

Entrevistado por mais de uma hora, Jairo Cândido, o presidente do Comdefesa, não deu pista alguma sobre o tamanho da produção – apesar de insistir na necessidade urgente de ampliação do financiamento público para as empresas, de isenções fiscais e de investimentos na compra da produção, tudo para garantir a “segurança nacional”. Frente à insistência em relação a dados mais sólidos para o embasamento da pesquisa acadêmica sobre o assunto, Cândido indicou o diretor-técnico da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), Armando Lemos. Este, por sua vez, afirmou não existir um levantamento sobre a quantidade de armas fabricadas no país: “Ninguém sabe qual a dimensão da produção nacional. Buscamos incentivos fiscais para beneficiar os fabricantes, mas, sem números precisos, não dá nem para conversar com o Ministério da Fazenda. Não sabemos quanto é produzido, quantas pessoas trabalham no setor, quanto dinheiro é movimentado. Eu não sei, o [então] ministro [da Defesa Nelson] Jobim não sabe, ninguém sabe. As empresas relutam em repassar estes dados”

Os representantes das empresas também não se entusiasmaram em falar sobre a produção. A assessoria de imprensa da Taurus, maior fabricante e exportadora do país, informou, também por nota, que “nenhuma fabricante de armas divulga o seu volume de produção por questões de segurança. Por mais que essas companhias invistam em segurança, é difícil prever como uma informação dessas pode ser usada por pessoas com más intenções (tentativa de invasão às suas sedes, por exemplo)”. A empresa também não quis comentar as consequências da exportação de armas que as indústrias brasileiras fazem para alguns dos países mais pobres e instáveis do planeta. “Quanto às outras questões levantadas, por terem implicações políticas que não dizem respeito à Taurus, a Companhia não se pronuncia sob hipótese alguma [sic]”.

Nenhum dos empresários que controlam o setor quis dar entrevistas.

Desinformação

Não que seja fácil determinar quem manda na produção nacional de armas. Nem os principais estudiosos do assunto no Brasil sabem, por exemplo, quem são os donos da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), empresa que detém o monopólio da venda de munição no Brasil. No estudo “Armas Leves no Brasil: produção, comércio e proprietários”, os pesquisadores Pablo Dreyfuss, Benjamin Lessig e Julio Cesar Purcena conseguiram mapear que 70% das ações da CBC pertencem à DFV Participações, uma unidade da Cemisa, empresa controlada pela Charles Ltd., sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Outros 28% são da PCDI Participações, ligada à Brookmon Trading Corp., também com sede nas Ilhas Virgens. Não se sabe quem controla as duas empresas sediadas naquele paraíso fiscal.

De maneira nem sempre clara e direta, as indústrias mantêm uma rede bem articulada de representantes em diversas esferas legislativas, bem como na sociedade civil. O Movimento Viva Brasil (MVB), por exemplo, associação que costuma estar à frente de campanhas contra o desarmamento e pelo fim das restrições ao comércio de armas, tem ligações diretas com a CBC. Desde sua fundação, o MVB funcionou dentro do escritório de Marco Antonio Moura de Castro, um dos integrantes mais antigos do conselho de administração da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), líder nacional em venda de munição. Apesar do vínculo, o MVB é regularmente considerado pela imprensa como uma associação independente que representa proprietários e simpatizantes de armas, e não uma associação que defende interesses das indústrias.

Presidente do MVB, Benedito Barbosa, o “professor Benê”, nega que seja esse o caso e insiste na legitimidade e na independência do trabalho realizado pela entidade. Sobre a coincidência no endereço, ele afirmou, por e-mail, que desconhecia o fato de que Moura de Castro faz parte do conselho da CBC. “Conheci o Mike na época que ele era presidente do Safari Club do Brasil, nem sei se ele já era ou se ainda é conselheiro da CBC. Ele sempre foi atirador e colecionador de armas e esse mundo é bastante pequeno. Dificilmente alguém não conhece alguém. Quando decidi fundar o MVB ele me ofereceu um sala em seu escritório. Sai de lá devendo mais de 10 mil reais em alugueis, que ele, por amizade, jamais cobrou”.

Ouvido regularmente como fonte isenta, Benedito Barbosa tem se destacado por posições extremas na defesa do direito à posse de armas. Em 2008, em um fórum sobre o assunto na internet, ele deu a seguinte resposta a atiradores que ridicularizavam a cor rosa de uma pistola da CBC: “Tudo é uma questão de nicho de mercado. A pistola com certeza se destina ao público infanto-juvenil, aliás são estes que serão os atiradores de amanhã. Então, é realmente necessário que esse tipo de arma esteja disponível no mercado ou você daria uma x-ultra-multi-veloz e cara arma para o seu filho de oito anos atirar livremente? Aliás, até que enfim, a indústria nacional lembrou que existe mercado para novos atiradores”.

(Des)Controle

Na resposta ao questionamento inicial, o Ministério da Defesa garantiu monitorar a produção nacional, apesar de não informar a quantidade de armas produzida. “O Ministério da Defesa tem controle da produção, mas não sabe, a priori, o tamanho das encomendas feitas. O Ministério acompanha as produções entregues por meio do Comando do Exército (Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados – DFPC)”, afirmaram os assessores em nota, com o cuidado de ressaltar que “a título de esclarecimento, o Ministério da Defesa incentiva fortalecer a Indústria Nacional de Defesa, e não ‘ampliar a produção nacional de armas’”.

A Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC) do Exército é um setor em que público e privado costumam se confundir e também não é famosa por ser transparente. O caso mais emblemático é o do general Antônio Roberto Nogueira Terra, que durante seis anos foi o responsável por fiscalizar as empresas e, após esse período, trocou o uniforme por um cargo de consultor especial da Sulbras Consultoria e Assessoria Ltda, escritório de representação da Taurus em Brasília que pertence a Renato Conill, vice-presidente da empresa – mudança de emprego destacada em reportagem na revista IstoÉ, em 2004.

Mesmo com a negativa do Ministério da Defesa, a reportagem entrou em contato com o Exército para tentar ouvir os responsáveis por monitorar o setor. Nenhuma entrevista foi concedida. Após insistência, os representantes do órgão enviaram um levantamento parcial sobre a produção. Nem todas as informações solicitadas foram disponibilizadas. Não foi informado, por exemplo, a quantidade de armas exportadas ano a ano e nem os países aos quais foram enviadas as remessas. A reportagem indicou o departamento que detém tais informações, mas, mesmo assim, nenhum dado foi enviado. Desde outubro de 2010, o Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados de Exportação de Produtos de Defesa (Sgeprode), organizado pela Divisão de Tecnologia da Informação (Divti) da Secretaria de Organização Institucional (Seori) do Ministério da Defesa, monitora as transferências. Após o anúncio oficial da criação do órgão, nenhuma outra informação sobre o sistema foi disponibilizada ao público.

Os dados apresentados ainda são poucos, mas ajudam a ter uma ideia sobre a dimensão e força política e estratégica da indústria de armas nacional. Não se trata de ser contra ou a favor de armas, de restrições ao comércio, da posse, uso ou desarmamento, mas de poder fazer um debate qualificado, com dados objetivos, que indiquem a posição e o papel que o Brasil tem exercido na produção e no comércio de armas – dentro das fronteiras e fora delas.

Os tempos mudaram no país e democracia implica a difusão de informações, debates e participação da sociedade até mesmo nas políticas que envolvem a segurança e a defesa do país.

***

[Daniel Santini é jornalista e editor da Agência de Notícias da ONG Repórter Brasil; mantém o Outras Vias, um blog sobre mobilidade urbana e bicicletas no portal de jornalismo ambiental ((o)) eco]

FONTE: www.observatoriodaimprensa.com.br

A Propósito de Liberdade

*José Celso de Macedo Soares
artigo de novembro 2003

Desde os primórdios da civilização, o ser humano sempre, lutou em favor de sua liberdade. O conceito de liberdade, na antigüidade, era muito restrito, pois todos os estados mantinham escravos: os derrotados, aprisionados, nas constantes pelejas que haviam entre os povos.

Mesmo os gregos, que foram o berço da civilização ocidental e os originários da democracia, mantinham escravos.Não eram, pois, uma democracia perfeita, pois a escravatura anulava todo conceito de liberdade. Muito menos os romanos pois os patrícios mantinham em suas casas e propriedades rurais, centenas de escravos,
Mas, o que é liberdade?

A questão da liberdade foi posta com clareza por Aristóteles, que depois de ter estabelecido, no seu Organon, a contingência de certos futuros , mostrou, na sua Ética a Nicômaco, que o mérito ou demérito podem ser atribuídos só a certos atos, que se é livre de executar ou não.
Mais tarde, Voltaire definia: A liberdade consiste em não se depender senão das leis.

Aqui entre nós, Rui Barbosa, em seu magnífico discurso sobre a liberdade, nos traz este belo e eloqüente trecho que tão bem se aplica aos dias de hoje: “Mas tu (liberdade) não és escada para o Poder: és, nas sociedades adiantadas, o elemento sagrado que o limita. Não te chamas dominação: chamas-te igualdade, tolerância, justiça. Não te entregas em monopólio a um predestinado, a uma religião, a uma parcialidade, a um sistema: existes uniformemente para todos, eliminadora do mal, fonte igual de luz, calor e prosperidade para o bem”.

Para nós, não existe melhor definição do que aquela contida na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789); “É o poder de fazer tudo o que não for nocivo a outrem; assim, o exercício dos direitos naturais de cada um não tem outros limites além de aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites só podem ser determinados pela lei”. E acrescenta: “A lei só tem direito de proibir as ações nocivas à sociedade. Tudo que não é proibido por lei não pode ser impedido, e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordena”.

Com base nestes conceitos, seria interessante fazer um cotejo entre as liberdades existentes em diversos países e as vigentes no Brasil. Comecemos pela Inglaterra. É a pátria dos grandes documentos constitucionais. Já em 1215 (mais de sete séculos atrás), o Rei João Sem Terra era obrigado a outorgar aos barões e à burguesia a Magna Charta, base das liberdades inglesas. É interessante mostrar aos nossos leitores algumas de suas provisões: nenhuma contribuição podia ser lançada sem o consentimento do Conselho do Reino; a liberdade do comércio era garantida e foram tomadas medidas para assentar a justiça em bases mais perfeitas, para proteger a vida, a liberdade e a propriedade de cada um contra espoliações arbitrárias. Foi a Magna Charta, praticamente, a criadora do Parlamento moderno, quando investiu 25 barões de grande autoridade para fazerem respeitar a Carta, que era lida, solenemente, duas vezes por ano, em cada catedral do Reino.

Nela se estabelecia, definitivamente, a idéia de relações determinadas e escritas entre senhores e vassalos, entre os reis e os súditos. Outro documento importante é a Petição de Direitos, de 1628, imposta pelas Comunas a Carlos I, obrigando-o a reconhecer as liberdades nacionais. Tão arraigado o sentimento de liberdade entre ingleses que este Rei foi decapitado por desrespeitá-la. Vem em seguida um dos mais importantes instrumentos das liberdades individuais: o habeas-corpus, pelo qual ninguém pode ser preso sem culpa formada, instrumento este regulado pelos Habeas Corpus Act, imposto a Carlos II, em 1679. Segue-se a Declaração de Direitos, que Guilherme III, de Orange, teve que assinar em 1689, e que estipulava, entre outras coisas ,a reunião periódica do Parlamento, a votação do imposto e das leis, o direito de petição e a instituição do júri. Finalmente, o Act of Settlement, de 1701, que exigia o consentimento prévio do Parlamento para declarar guerra e, mais importante, impedia a destituição dos magistrados pelo rei.

Atentem os leitores para as datas de emissão destes documentos. O mais moderno tem mais de três séculos de existência. Estaria nesta época, a Inglaterra, livre de injustiças sociais? Teria sido eliminada a pobreza? Ao contrário, foi justamente o fortalecimento dos direitos dos cidadãos perante o arbítrio dos governantes que permitiu criar na Inglaterra uma sociedade próspera, democrática e, indubitavelmente, uma sociedade em que florescem, sem restrições, as liberdades essenciais ao ser humano.

Como conseqüência, os americanos, ao se tornarem independentes, em 1776, exigiram também, para si, os direitos tradicionais do povo inglês. São documentos mais que eloqüentes a Declaração de Direitos de Virgínia, de junho de 1776, a Declaração de Independência, de julho de 1776, e a Lei Federal de Direitos, de setembro 1789. Todos eles expressam de maneira clara e positiva as noções de liberdade legadas aos americanos pela gloriosa Albion. Cumpre notar também que, nesta época, os Estados Unidos eram, ainda, uma pequena e pobre nação.

Passemos agora à França. Apesar de latinos, não ficam os franceses atrás dos ingleses no seu amor tradicional à liberdade. Liberté, Egalité, Fraternité, foi o brado dos revolucionários de 1789. Aos constituintes franceses de 1789, devemos um dos mais belos documentos da humanidade, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, direitos estão qualificados “naturais, inalienáveis e sagrados”. Esta Declaração, que serviu de preâmbulo à Constituição de 1791, proclamava ao mundo o princípio de que os homens nascem e vivem iguais em direitos, não podendo as distinções sociais serem fundadas, senão sobre a utilidade comum e baseando os direitos do homem na liberdade, prosperidade, segurança e resistência à opressão. Todos os documentos e declarações franceses posteriores (1793 e 1843) sempre primaram pelo respeito às liberdades individuais, opondo-se aos Poderes absolutos.

Não se pode, pois, fazer uma análise das liberdades hoje vigentes nestes países, e mesmo em outras nações civilizadas do mundo ocidental, sem citar a origem e épocas em que elas foram adotadas. E, principalmente, para mostrar aos leitores que, ao contrário do que se diz, não é preciso primeiro erradicar a pobreza e as diferenças sociais para depois se chegar a um regime de liberdade, em outras palavras, à democracia. Ao contrário, repetimos, foi a adoção destes princípios que proporcionou e criou a base para que a justiça social se implantasse naqueles países e, mais do que isto, que o trabalho de todos fosse igualmente respeitado, para chegarem mais rapidamente ao progresso que hoje desfrutam.

É certo que não estamos mais na época de Montesquieu, mas seu O Espírito das Leis é tão atual hoje, quanto o foi na época de sua publicação, em 1748, se respeitarmos o sentido filosófico do seu pensamento.

Em resumo, encontramos na Inglaterra, na França, nos Estados Unidos e na maioria das nações ocidentais, em pleno funcionamento, aquilo que Roosevelt chamou de as quatro liberdades: “A liberdade da palavra e da expressão, a liberdade do credo, a liberdade de estar ao abrigo das necessidades e a liberdade de viver ao abrigo do medo”. E é preciso não esquecer que foi para apoiar estes princípios que combatemos na Segunda Guerra Mundial contra a tirania do nazismo. Em suma, não há nestes países:

  • quaisquer restrições ao funcionamento do Parlamento;
  • censura ao meios de comunicação, aos livros e periódicos;
  • impedimento ao funcionamento da Justiça e à atuação dos magistrados.

Está, também neles, em pleno funcionamento, o instituto do habeas-corpus, e as pretensas ofensas aos funcionários do Governo não são rotulados como ofensas à segurança do Estado, porque, lá, governantes não são o Governo. Na França de hoje, L’État c’est moi é coisa do passado.

E no Brasil? Como anda o conceito de liberdade? Com a redemocratização do pais podemos dizer que, teoricamente, estão em funcionamento, todos os documentos por nos citados, e que foram conquistas das nações civilizadas. Dizemos “teoricamente” porque em pais com tamanha desigualdade de rendas , as leis não se aplicam igualmente a todos os cidadãos. E, principalmente quando se trata do tratamento do Estado em relação ao homem comum. Já dizia Hélio Beltrão : “Não basta assegurar a liberdade no plano puramente político, protegendo-se o cidadão contra a opressão do Estado. É preciso estende-la ao dia-a-dia do homem comum, onde a abertura significa protege-lo dos abusos da burocracia”. Começamos a discussão deste pensamento com as palavras do mestre Tristão de Athayde : “Somos um pais formado às avessas, que teve Coroa antes de ter povo; parlamentarismo antes de eleições; escolas superiores antes de alfabetização; bancos antes de ter economia”. Assim, “não é de estranhar-se que no Brasil a burocracia se tenha superposto à sociedade. Foi uma decorrência da própria.

No caso brasileiro, a colonização constituiu um empreendimento do Estado, atribuído pelo governo português a pessoa de sua confiança, com o objetivo declarado de consolidar a conquista do território e propiciar benefícios econômicos à Coroa. Nenhuma semelhança, portanto com o que ocorreu em outras plagas, onde foi uma parcela do próprio povo que emigrou espontaneamente, com intenção de se fixar em outro lugar, onde criou suas próprias instituições. Nesse caso, foi a própria Sociedade que instituiu a Autoridade. Aqui, foi a Autoridade que fundou e moldou a Sociedade.”(Beltrão-1984:34)

No Brasil até hoje nada mudou, muito ao contrário, complicou-se. O tratamento dispensado ao contribuinte, diariamente, chega a ser ofensivo. Não adianta apenas fazer a reforma tributária – absolutamente necessária – mas temos que abolir a interferência do Estado no dia-a-dia dos negócios. O poder público não tendo capacidade para exercer a fiscalização normal, exige certidões e mais certidões para realização de simples negócios. Fazemos nosso o pensamento de Hélio Beltrão que, “a mórbida presunção da desconfiança, constitui a marca registrada das leis, regulamentos e normas que regem a Administração Pública.

A desconfiança no usuário, no contribuinte, no empresário é responsável pela alta tonelada de certificados, atestados certidões e outros tipos de comprovação sistemática e formal. Tudo isto é exigido porque na Administração Pública, ao contrário do que ocorre na nossa vida particular, é proibido acreditar nas declarações das pessoas, embora se saiba que tais declarações são, em sua maioria verdadeiras, e não obstante a declaração falsa constitua crime expressamente previsto no Código Penal.

No Brasil em vez de se colocar o falsário na cadeia, obriga-se todas as pessoas a provar com documentos, que não são desonestas. Com isto, pune-se o honesto sem inibir o desonesto, que é especialista em falsificar documentos. Os atestados falsos são, em geral, os mais perfeitos. As prestações de contas fraudulentas também são, na aparência, as mais perfeitas. Não basta praticar a democracia e assegurar a liberdade política. A grande liberdade se constrói a partir de uma série de pequenas liberdades e da garantia de uma soma de pequenas coisas: O direito à credibilidade e à dignidade; o direito de não se ver empurrado de uma fila para outra, apenas para provar que não se está mentindo ou para receber um serviço ou um benefício legalmente devido; o direito de não ser oprimido pela burocracia.”( Beltrão -!980-1)

E vamos além. Sem uma justiça acessível ao homem comum, aplicada com razoável rapidez, não se pode falar em liberdade ou democracia. O pior julgamento é aquele que não acontece. Executivo, Legislativo, Judiciário. Esta divisão de poderes é a base de uma democracia moderna. Mas, o pilar fundamental, o ponto de equilíbrio para o bom funcionamento de todo sistema é, sem dúvida, o Judiciário. A quem deve o cidadão recorrer contra os abusos e violências do poder? A quem cabe interpretar as leis, dando-lhes direção correta, retirando-lhes as inconstitucionalidades? Esta enorme soma de responsabilidades cabe ao Poder Judiciário. O que é o Judiciário de uma nação democrata? Respondemos sem medo de errar: O Judiciário são os juizes. Talvez não exista ofício mais importante, com maiores responsabilidades, do que aquele de julgar. E quando o julgamento é sobre seres humanos, então a responsabilidade não tem limites. Assim, ousamos dizer que a qualidade, a independência, o respeito ao Judiciário pelos cidadãos de um país, mede-se pelas qualidades, pela independência e pelo acerto de seus juizes. Esta a pedra angular do bom funcionamento do Judiciário.

No momento em que os holofotes apontam para o Judiciário, nas discussões sobre sua reforma, é preciso que algumas considerações sejam feitas. É preciso notar que o juiz só pode e deve julgar de acordo com as leis, os códigos de processo, enfim, de acordo com o ordenamento que o legislador lhe ofereceu. Não cabe ao juiz elaborar leis. Cabe cumpri-las e interpretá-las. Os brasileiros, com razão, exasperam-se pela delonga dos processos, com o formalismo de nossa justiça. A respeito dessas formalidades, o ilustre Ministro Moreira Alves, do Supremo Tribunal Federal, comenta que “a forma de nossa escrituras públicas é, até hoje regida pelas Ordenações Filipinas. Inúmeros termos, compromissos e formalidades forenses constituem sobrevivência das Ordenações do Reino de Portugal. E a forma dos editais, precatórios e rogatórios, reflete a linguagem de D. João VI”.

O congestionamento do sistema judiciário é evidente. O Supremo Tribunal Federal – cúpula do sistema – recebe por ano cerca de 20 mil processos para exame e discussão. O advogado perde seu tempo com o cumprimento de meras exigências formais.

Além disto é difícil, afastar de certos juizes a empáfia e a arrogância, sua posição olímpica em relação à sociedade, cheios de si pelos “excelência”, “meritíssimo” e “máxima data vênia” que exigem no tratamento a eles dispensado. Também não conseguimos anular os laivos ideológicos que alguns trazem de sua formação, como vimos, recentemente, na pletora de liminares concernentes ao processo de privatização da economia. Causa, também, apreensão o jacobinismo de certos membros do Ministério Público. Estes jovens procuradores, em muitos casos lançam-se a um denuncismo vago, seguidos de sequiosa vontade de aparecer na mídia. Periga acabarem como Robespierre…
Grande exemplo nos vem do Estado do Pará, com a criação dos Juizados Especiais Itinerantes, em que o Juíz e sua equipe se deslocam até as longínquas localidades, para colocar a Justiça ao alcance dos cidadãos. É isto que o cidadão quer.

Que o Juíz não fique só discutindo com o processo. Que solucione os casos. O cidadão comum quer entrar na sala do Juíz, reclamar contra a injustiça sofrida e ver seu caso resolvido. Quer, como a lei manda, que o Juiz resida na comarca, e não que apareça lá de vez em quando… O que estamos vendo, e as recentes comissões de inquérito do Congresso mostram, é a necessidade de a sociedade ter algum controle sobre o Judiciário, mas que este controle jamais afete a independência dos juizes julgarem. Na Suécia, por exemplo, isto é facilmente resolvido, pois lá há o “Ombudsman”, ou Corregedor Geral, que embora não lhe caiba reformar sentenças judiciais, pode considerar faltoso um juíz e acioná-lo. Isto já aconteceu várias vezes.

Mas, acima de tudo, os juízes precisam também compreender que eles devem à sociedade prestação de contas de seus atos, de seu comportamento. Isto é o que se espera em uma nação em que o contribuinte é o poder mais alto.
Infelizmente, nas discussões que se estão travando, no Congresso, a respeito de mudanças no Judiciário, periga nada reformemos, tal o choque de interesses e corporativismo que estamos, tristemente, presenciando. Parece até que estamos ouvindo Lampedusa em seu O Leopardo: “Modificai, modificai, para que tudo fique como está”.

E, para terminar esta dissertação, a respeito das liberdades, da posição do indivíduo perante o Estado, gostaríamos de deixar à meditação de nossos leitores e dos que nos governam esta passagem magistral do grande Papa João XXIII em sua encíclica Pacem in Terris: “A pessoa humana como tal não só não pode ser considerada como mero objeto ou elemento passivo da vida social mas, muito pelo contrário, deve ser tida como sujeito, fundamento e fim da mesma”.

Bibliografia

BELTRÃO, Hélio, Burocracia e Desenvolvimento, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 jan. 1980. Caderno Especial
_______________, Descentralização e Liberdade. Ed. Record, 1984

José Celso Macedo de Soares foi almirante, empresário, escritor, faleceu no dia 29.2.2012.

Tropas e equipamentos franceses participam na operação “Bold Alligator”

 

Um desembarque, um assalto aéreo, 25 navios de guerra: os Estados Unidos e outros oito países realizam no litoral leste americano um grande exercício anfíbio, denominado ‘Bold Alligator’ e destinado a contra-atacar uma ameaça que recorda a do Irã.

Estas manobras, pela primeira vez abertas pelos americanos a outros países, constituem o exercício anfíbio mais importante dos últimos dez anos, segundo o almirante John Harvey, encarregado da gestão da frota americana.

Cerca de 20.000 americanos, entre eles uma brigada de marines, 650 soldados franceses, tropas da marinha canadense, holandesa e britânica, assim como oficiais de ligação italianos, espanhois, neozelandeses e australianos, tomam parte do exercício, que começou em 30 de janeiro frente ao litoral da Virgínia e Carolina do Norte e finalizarão em meados de fevereiro.

O chamado “dia J” ocorreu na manhã de segunda-feira, com os marines americanos desembarcando na praia da base de Camp Lejeune, na Carolina do Norte.

Oficialmente, o exercício tem como objetivo “revitalizar, refinar e reforçar as habilidades anfíbias americanas” depois de dez anos de guerra nas areias do Iraque e nas montanhas do Afeganistão, segundo os organizadores.
Indagado, o almirante Harvey reconheceu que este cenário seria aplicável a uma eventual crise no Estreito de Ormuz.

As tensões com o Irã e a ameaça de uma intervenção israelense contra seu polêmico programa nuclear aumentaram desde o início do ano e Teerã tem ameaçado com um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte mundial de petróleo.

FONTE: Yahoo Brasil / FOTOS: US Navy

Os Antibrasileiros

Aileda de Mattos Oliveira*

“Venezuela e Brasil avaliam postos militares conjuntos na fronteira”
(Jornal do Brasil online, 25/1/2012)

Pensar que as esquerdas brasileiras, no poder, tornar-se-iam um exemplário de virtudes, aplacando o instinto de vindita e tornando condescendente a sua ótica em relação às Forças Armadas, é ser demasiado romântico para não reconhecer a grande célula vermelha, em que se transformou Brasília.

Imutável, porque monolítico, permanece o propósito das esquerdas de manter a ignara sociedade brasileira como força motriz na concretização do plano obstinado de permanência, ad aeternum, no governo desta já enxovalhada república.
Ambos se completam, povo e governo; eleitores e eleitos; ambos predadores do país; ambos se deleitam na indisciplina, na deseducação, no jeito sem-vergonha de ser, em todos os momentos de suas míseras vidas.

Portanto, é ilusão pensar que o miniministro da defesa tenha algum planejamento para consolidar a soberania do país. Que esteja imbuído de interesse em proteger as fronteiras das duas Amazônias, a Verde e a Azul. Que venha a se manifestar em favor da proteção das riquezas minerais que se esvaem pelas ações piratas, por acordos lesivos, tudo admitido pelos dirigentes apátridas.

A indiferença com que são tratados os assuntos respeitantes ao Estado Brasileiro dá a justa medida da pobreza cultural, da negação de civismo, do impatriótico comportamento dos congressistas, dos governantes e do ignóbil povo que os elege. A afinidade moral entre votantes e votados responde pela permanência, no poder, quase uma vitaliciedade, de arqueológicas figuras políticas, eméritas na arte da troca de favores e especialistas no fatiamento do tesouro público.

O que impressiona na vida política nacional é a ausência total de notícias favoráveis ao país e às Forças Armadas e, quando falo nelas, refiro-me, particularmente, ao Exército, alvo contínuo da saraivada de estúpidas medidas com as quais o embaixador, arremedo de ministro, tenta encobrir a desfaçatez de não estar em marcha um real plano de defesa nacional. É notória a displicência, a lerdeza, a irresponsabilidade com que o MD trata a questão da proteção dos territórios continental e marítimo. A razão desse descaso ficou clara, agora.

A notícia vem de chofre e informa que, em março, será realizada uma “reunião dos Estados-Maiores conjuntos de ambos os países”, a fim de ‘discutirem’ a proteção das fronteiras, agregando militares brasileiros e venezuelanos.

Celso Amorim, ministro, age como Celso Amorim, embaixador. Não há, na notícia, alusão à presença, em Caracas, de algum militar brasileiro em sua companhia, para participar da discussão deste plano descabido de defesa, porém, há referência a “outros altos oficiais militares” que, deduz-se, sejam venezuelanos. Neste caso, pode-se admitir uma segunda dedução, a de que o acordo já esteja praticamente selado. As perguntas instigantes têm que ser feitas: se os postos serão conjuntos, por que não seguiram com o ministro “altos oficiais militares” brasileiros? Ou prevalecerão nos postos os bolivarianos? Por que o homem tem horror ao verde-oliva e admira o cáqui?

Essa armação castelhanada leva a crer que os militares brasileiros, designados pelo ministrículo[1] para irem a Caracas, em março, apenas, balançarão a cabeça em sinal de assentimento.

Não desiste a malta petista de tentar, a todo o custo, a integral contaminação dos militares brasileiros com a insidiosa doutrina bolivariana, como forma de levá-los à frouxidão disciplinar pela promiscuidade ideológica. Só com o aliciamento total dos militares do Exército, só com a submissão servil desta Força, é que as esquerdas, sinistras hordas de vândalos da moralidade, poderão submeter toda a nação aos seus mais sórdidos caprichos. Somente com a queda do Exército, o Brasil será inteiramente dominado. Eles sabem disso. Por isso, criam planos de infectar a Força com o que há de pior na América ibérica e mantêm um contínuo ataque por vias periféricas aos três postulados que a Força Terrestre tem de mais caros: a disciplina, a hierarquia, e o ensino militar de seus Colégios e de suas Academias.

Indisciplina, adoção de cacoetes e chavões vermelhos, estas são a verdadeira essência, das futuras ações conjuntas entre venezuelanos e brasileiros, com vistas à formação de unidades militares sem identidade, sem nacionalidade.
É uma nova maneira de eliminar as fronteiras brasileiras, criando mais uma terra contínua, não de falsos ianomâmis, porém, uma extensão da Venezuela no Brasil, quando se permitirá a entrada em território nacional de qualquer meliante travestido de militar venezuelano-cubano, perdendo o país mais uma parcela de sua soberania.

Outra ameaça paira sobre o ensino autóctone das sérias Escolas Militares brasileiras com a inclusão no pacote de más intenções do ministro, de um intercâmbio entre elas e as outras escolas militares do seu amigo Chávez e, incluso, como promoção de venda do país, o de aperfeiçoamento de oficiais. Aperfeiçoar oficiais brasileiros com ensinamentos bolivarianos?

Como veem este acordo o Comandante do Exército e o CMA? Vão permitir mais esta ação de lesa-pátria, disfarçada de ‘cooperação’ para que se concretizem as palavras do ministro venezuelano, Henry Rangel Silva, de que “vamos conseguir que as nossas Forças Armadas se complementem”? Ministro este, cuja vida pregressa levantada pelos americanos, não surpreende, por satisfazer as exigências do conceito de mérito das esquerdas: quanto pior, mais satisfaz a causa.

O Brasil não pode ser usado como patrimônio particular de governantes afinados com regimes opressores, mesmo sendo usuários da mesma carteirinha vermelha de identificação. O Brasil não pode ficar submetido a alianças com a indigência latino-americana. O Brasil paira acima das idiossincrasias, do egocentrismo de revoltados agentes de bastardas ideologias, as quais desejaram impor pelas armas e, agora, pelos acordos que, certamente, trarão mais prejuízos aos combalidos cofres da Nação.

E por falar em “cofres da Nação”, a Rousseff, em Cuba, reproduzindo a prodigalidade do seu mentor, já prometeu escancarar o erário brasileiro, como se fosse particular seu, para ajudar Fidel na reforma do porto de Mariel, nas imediações de Havana. Além dessa infâmia com o dinheiro do contribuinte, médicos cubanos virão ocupar postos nos hospitais públicos brasileiros, segundo notícia radiofônica, naturalmente pagos com o dinheiro da parte contribuinte da sociedade. Como se não bastasse, “o Brasil vai financiar fábricas de remédios em Cuba”, (Estadão online, 31/1/20120), enquanto a saúde pública no Brasil, por redução de verbas no setor, permanece ao rés do chão.

Pelo caminhar da carruagem, não será surpresa se surgir a notícia de militares cubanos (já existem na Venezuela) nos postos de fronteira, juntos com seus congêneres venezuelanos, tomando posições-chave de comando em detrimento dos militares brasileiros que, isto acontecendo, terão de ficar de boca fechada, numa cativa obediência à Amorim, aos guerrilheiros Genoíno e Dilma, para não perderem as suas ‘grandes’ funções de comando.

Quem pensou que era piada a velha história sobre o imenso território brasileiro e a resposta de Deus: “Vocês vão ver o povinho que vou pôr lá”, já compreendeu a razão do mau humor divino. Irreverente, desrespeitoso, incivil, primário, este povo serve, pelo menos, como exemplo do que deu errado no momento em que do caos fez-se a luz.

*Prof.ª Dr.ª em Língua Portuguesa. Articulista do Jornal Inconfidência. Membro da Academia Brasileira de Defesa. A opinião expressa é particular da autora.

[1] Ministro incapaz, inepto, insignificante.

 

Chamem os PQDs e os fuzileiros navais

*Antonio Carlos Passos de Carvalho

Em 1981, a Polícia Militar da Bahia entrou em greve, a primeira de que se tem notícia. O governador era ACM – Antonio Carlos Magalhães. Em pleno regime militar, decisões rápidas: os comandantes regionais das Forças Armadas em Salvador reuniram-se, seguindo ordens dos respectivos ministros militares em Brasília (não existia ainda o Ministério da Defesa). De imediato, soldados do Exército e da FAB (Polícia da Aeronáutica) e os fuzileiros navais (FNs) da Marinha começaram a patrulhar a cidade, que foi dividida em áreas geográficas.

Coube aos FNs uma área complicada, que abrangia o bairro onde se situa a Escola de Formação de Oficiais da PM, o Colégio da Polícia Militar da Bahia e outros quartéis. Para realizar o patrulhamento de rua, usaram alguns carros da PM-BA, pois a maioria das viaturas dos FNs são de grande porte para uso urbano. Salvador era uma cidade bem mais tranquila do que a metrópole de hoje, e não houve maiores problemas. A PM-BA voltou logo ao serviço, e ACM saiu vitorioso.

Porém, houve enfrentamento sangrento quando um piquete de grevistas tentou retomar um fusquinha da PM das mãos dos fuzileiros navais, e vieram com armas em punho. Agiu-se em legítima defesa. Fuzileiros navais assim como paraquedistas do Exército são tropas de assalto, sabem defender-se, estão muito bem treinados para missões em áreas hostis, e são destemidos e disciplinados. Deve-se torcer muito para que não haja confrontos entre os grevistas de hoje da PM-BA e as Forças Armadas, assim como com a Polícia Federal. Isto pode deixar ranços por muitos anos.

A PF cresceu tanto nos últimos 30 anos que até avião próprio possui, capaz de transportar seu grupo de elite, treinado para prender ou liquidar bandidos perigosos. Mas o problema mesmo é de liderança política, de exemplo.

Em 1997, governava Minas Gerais o senhor Eduardo Azeredo. A PM-MG, a mais antiga do país, entrou em greve pela primeira vez, e houve grande manifestação em frente ao Palácio da Liberdade e ao prédio do Comando-Geral. Houve confusão, tiros e um morto, um soldado. Azeredo ficou tido como fraco e elitista; seu governo gastava em outras áreas enquanto estaria insensível aos PMs de seu estado. Acabou perdendo a reeleição no ano seguinte para Itamar Franco.

Por outro ângulo, nos quatro anos de Itamar e nos oito de mandato de Aécio Neves, não houve nenhum problema deste tipo. Com bom exemplo vindo de cima e sensibilidade às necessidades, a PM respeitou e cumpriu. Na maioria são jovens e pais de família honestos e dedicados à causa da segurança pública. Em 2001, a PM-BA entrou em greve de novo, daquela vez sob um governo dito de direita. Foi uma primeira versão do caos que agora, em 2012, se repete de forma muito mais acirrada.

É uma coisa abjeta observar a postura cínica de alguns políticos nestas situações: enquanto na oposição, logo apoiam ou apoiavam os grevistas; quando no poder, afirmam na televisão que foram surpreendidos pela greve. Ora, então não se sabia que a greve estaria para eclodir? Interessante… Do jeito que a coisa vai, as populações que rezem e os governadores, por favor, exerçam a boa liderança para a qual foram eleitos pelo povo e transmitam o bom exemplo às suas Polícias Militar e Civil (esta pode querer greve também).

Se continuar assim, tropas de elite como PQDs (paraquedistas) e FNs, existentes para atuar em missões de defesa externa, conflitos e outras situações de guerra ou em apoio a operações humanitárias como desastres naturais, terão de aumentar em efetivo e equipamentos para atender aos problemas de greves de PMs em mais estados da Federação. A FAB vai precisar de mais aviões para o transporte.

Se fosse na Califórnia o que acontece na Bahia hoje, a oposição provavelmente já estaria convocando uma recall election para desalojar do cargo o governador e eleger um outro. Os baianos terão de aguentar mais tempo. Mas estamos no Brasil: o Carnaval vem chegando, o cardeal-primaz vai mediar e com fé em Deus, ninguém mais sairá machucado. Com tristeza, ficará o saldo dos homicídios e arrastões, além das imagens na TV e pela internet de um país que se diz a sétima economia do mundo, mas que tem de botar suas Forças Armadas na rua, sob o comando de um general, para se proteger da própria PM e da falta do trabalho que esta deveria estar fazendo. Que absurdo! A greve deixou a população desprotegida e causou pânico e vítimas. Mas o abominável mesmo foi a falta de liderança que levou a isso tudo.

*Antonio Carlos Passos de Carvalho, comandante reformado da Marinha, foi presidente da Prodemge (Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais)

FONTE: Jornal do Brasil

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Raphael Di Cunto, Murillo Camarotto, Paola de Moura e Marcos de Moura e Souza - 

De São Paulo, Recife, Rio de Janeiro e Belo Horizonte

O motim da Polícia Militar da Bahia, que deixou o Estado refém de saques à lojas, assaltos e com sensação de insegurança – já foram registrados 93 homicídios na região metropolitana de Salvador desde terça-feira, quando começou a paralisação – pode chegar a outras regiões do país, alertou ontem a Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados (ACSPE).

Segundo a associação, há um movimento da corporação por melhores salários e condições de trabalho. “Os policiais e bombeiros militares de Pernambuco devem ficar atentos. A qualquer momento a ACS convocará uma assembleia geral para discutir assuntos de interesse da tropa, especialmente sobre as escalas de trabalho escravizantes, a falta de previsão de promoções e outras reivindicações que não foram atendidas, o que vem gerando grande insatisfação”, diz o comunicado.

O presidente da Associação dos Militares de Pernambuco, capitão Vlademir Assis, afirmou que uma mobilização nacional para pressionar pela aprovação no Congresso da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 300, que estabelece um piso nacional para a PM em mais de R$ 4 mil, servirá para atrair de novo a atenção do país para a causa dos policiais e bombeiros.

O entusiasmo dos policiais pernambucanos com a proliferação das paralisações está amparado no clima de insatisfação com o governador Eduardo Campos (PSB). Segundo Assis, o Executivo comportou-se de forma autoritária durante as últimas negociações salariais, encerradas em março do ano passado. A crise se acentuou depois que o governo cancelou o desconto automático da contribuição para a associação na folha de pagamento dos policiais.

Alagoas também está perto de ver um motim – nome dado à greve de militares, que são proibidos de descumprir a ordem de seus superiores e, portanto, realizar paralisações. A Associação dos Oficiais Militares de Alagoas fará assembleia geral na quinta-feira para reivindicar um posicionamento do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), que não teria cumprido o acordo de junho do ano passado.

Entidades que representam policiais militares e bombeiros do Espírito Santo, Acre e Rio de Janeiro farão assembleia até o fim da semana para decidir se param. No Rio Grande do Sul, depois de uma mobilização em 2011, a PM também vive um clima tenso com o governador Tarso Genro (PT).

O diretor de relações institucionais da Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais (Feneme), coronel Elias Miller, diz que a culpa das paralisações é do governo federal e dos estaduais, que não conversam com a categoria. “A PEC 300 acendeu o que estava latente. Os policiais militares, que sempre foram treinados para esperar o comando, resolveram sair às ruas para reivindicar seus direitos”, afirmou.

Miller não concorda com o motim, “por ser ilegal”, mas diz que o compreende. “Uma associação sem expressão na Bahia lançou a greve. As maiores entidades não apoiaram, mas a tropa aderiu porque está insatisfeita com um governo que não a ouve, que não trata os policiais como trabalhadores que querem um salário melhor para sustentar suas famílias”, criticou, referindo-se à postura do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), um ex-sindicalista.

Vice-presidente da Associação Nacional de Entidades Representativas de Praças Militares Estaduais (Anaspra), que é ligada à entidade que iniciou o motim baiano, o cabo Jeoás Santos nega que o movimento esteja tentando ganhar proporções nacionais. “Queremos organizar essa desordem porque todos os Estados planejam ações”, afirmou.
Ele afirma que a maior briga não é pela PEC 300, mas para que os governos estaduais cumpram os acordos e pela desmilitarização da categoria. “Atuamos dentro de uma legislação velha, com estatutos e código penal que não sofreram alteração desde a ditadura militar [1964 - 1985]“, afirma. “O policial tem de ser punido se cometer algum delito, e não por não ter prestado continência”, defende Santos, cuja entidade nasceu de um motim generalizado em 1998, quando a PM parou em nove Estados.

No Rio de Janeiro, o presidente da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do Estado (Aspra-RJ), Vanderlei Ribeiro, convocou assembleia de greve na Cinelândia para quinta-feira. “Não queremos ser escravos ou massa de manobra da cúpula do governo. Se for necessário, paramos no Carnaval”, afirmou.
Ao contrário do que fez em 2011, quando não negociou e enfrentou um motim de mais de um mês no Corpo de Bombeiros, o governador Sérgio Cabral (PMDB) anunciou novo aumento e fez elogios às corporações. “Eu confio nos profissionais da segurança. Eles são responsáveis. Quando entram nessa profissão, sabem que esse é um serviço essencial. Tanto os nossos policiais militares, quanto os nossos bombeiros militares, quanto os nossos policiais civis sabem a importância que isso tem para a população. Não tenho dúvida de que vamos garantir não só um Carnaval, mas um dia a dia de tranquilidade”, minimizou.

Cabral também antecipou parte do aumento parcelado em 48 meses, que foi concedido após a greve dos bombeiros do ano passado. “A partir do projeto de lei que enviamos à Assembleia Legislativa, o salário base será de R$ 1.669. Com as gratificações que pagamos aos nossos profissionais que estão nas ruas, o salário base de um PM e de um bombeiro será de R$ 2.019″, afirmou em nota.

Nas contas do governador, o aumento total desde 2007, quando assumiu, até 2013 será de 107%. Os números são rejeitados por Vanderlei, que diz que o salário-base continua em torno de R$ 900.

O aumento também será escalonado em São Paulo, Rio Grande do Norte, Pará e Minas Gerias. No Paraná, os policiais pressionam o governador Beto Richa (PSDB) pela regulamentação de uma emenda à Constituição estadual que prevê o pagamento de subsídio para a PM. A proposta é elevar o salário de soldado, que hoje recebe R$ 2,4 mil mais gratificação, para R$ 4,5 mil.

Os policiais mineiros ganharam a fama de conseguir bons acordos nos últimos anos com o governo do Estado sem grandes confrontos. O último ocorreu em 2004, quando os PMs cruzaram os braços durante quase uma semana, o número de alguns crimes subiu e o Exército foi para as ruas. A pressão deu resultado e desde então os policiais têm tido aumento todos os anos.

No ano passado, os policiais militares voltaram à carga com assembleias e mobilização. Houve um início de adesão a uma paralisação de policiais civis e o governo Antonio Anastasia (PSDB) aceitou, então, levar a questão para a mesa. Concedeu um aumento salarial escalonado de quase 100% – como queriam os PMs – até 2015. Hoje o salário inicial de um PM mineiro é de R$ 2.245,90; pelo novo acordo, será de R$ 4.098,41 em 2015. O aumento valerá para todos os postos. No topo da carreira, um coronel veterano com adicionais ao salário que hoje pode ganhar R$ 12,9 mil receberá R$ 23,6 mil em 2015.

“Aprovamos em julho uma lei escalonando o aumento. Com isso, acalmamos a pressão dos nossos militares pela aprovação da PEC 300″, diz a subsecretária de Gestão de Pessoas da Secretaria de Planejamento do Estado, Fernanda Neves.

Situação diferente da Bahia, onde salário inicial é de R$ 1.943 e o governo não sinalizou com novos aumentos. Os policiais que estão acampados com suas famílias na Assembleia Legislativa dizem que Wagner não cumpriu acordo feito em 2009, de aumentar a gratificação da PM, e que tem desprezado o movimento que o PT apoiou em 2001, quando o governador era César Borges (no então PFL).

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que a discussão do governo para incorporar a gratificação aos salários da PM baiana “acabou sendo atropelada por alguns policiais” que usam de violência e ações criminosas. O ministro petista também se disse contrário à aprovação da PEC 300, que traria gastos “insuportáveis” para os Estados.

Houve quatro confrontos ontem dos cerca de 500 grevistas com o Exército, Forças Armadas e a tropa da choque da PM em frente à Assembleia Legislativa. O local está cercado desde a madrugada de anteontem para, segundo o Exército, isolar os manifestantes, executar mandados de prisão e depois esvaziar o prédio.
As forças federais usaram bombas de efeito moral e gás de pimenta foi lançado contra a multidão. Balas de borracha forma disparadas e feriram cinco pessoas sem gravidade. Sitiados e armados, grevistas diziam que resistiriam a tentativas de invasão. Eles estão sem luz e água. O Exército dizia que não faria a desocupação à força.

A crise provocada pela greve paralisou os Poderes do Estado. Servidores do governo, do Tribunal de Justiça e do Ministério Público foram retirados dos prédios onde trabalham, pois eles ficam ao lado do edifício da Assembleia. (Colaborou Marli Lima, de Curitiba, com agências noticiosas)

FONTE: Valor Econômico

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Federalismo: realidades

por José Celso de Macedo Soares*

Aqueles que se preocupam com a boa organização política do país, os adeptos de que no Brasil esteja em funcionamento legitima Federação, dentre os quais me incluo, vêem com tristeza o centralismo imperante no Brasil de hoje. Esta tendência vem de longe. Um pouco de história. Por ocasião da Constituinte de 1823, os Andradas, figuras dominantes no plenário, propuseram que as bases da organização do país fossem os municípios, numa evidente tentativa de estabelecer a Federação. Foi o suficiente para que o absolutista. Pedro I fechasse a Assembléia e mais tarde promulgasse a Constituição de 1824, totalmente centralizadora do poder. Basta dizer que cabia ao Imperador nomear os Presidentes das Províncias e, fazendo uso de seu Poder Moderador, destituir ministérios que não se “comportassem” bem perante à Majestade. Mais tarde, depois da abdicação de Pedro I, a Regência tentou concertar as coisas editando o Ato Adicional de 1834 que era eminentemente descentralizador, aumentando o poder decisório das Províncias. Durou pouco. Em 1840 os Regentes de então,sob a influencia do Partido Conservador, promulgaram a Lei de Interpretação do Ato Adicional, anulando os efeitos do Ato e voltando à centralização do Poder. E, assim chegamos ao fim do Império.

Proclamada a Republica anunciamos nossa adesão ao Federalismo. “ Estados Unidos do Brasil”foi o novo nome do país.Tentativa de copia da federação dos Estados Unidos. Mas, só no papel. O sistema tributário concentra os poderes nas mãos do Presidente da República. Chegamos à 1930. Revolução.Constituição de 1934. A mesma coisa. As pobres comunas municipais sem recursos. 1937. Estado Novo. Getulio Vargas queima as bandeiras dos Estados. Quer demonstração mais eloqüente de centralismo? Constituições de 1946 e 1988 a mesma coisa. Dos tributos arrecadados, a União fica com 70%, os Estados com 25% e os pobres Municípios, onde moram os cidadãos , com 5%. É a centralização, Estados e Municípios dependendo dos favores do Presidente da Republica, neste orçamento federal autorizativo e não impositivo. Passam-se os anos e o Presidente da Republica nada mais é que o substituto do rei de Portugal, tal as benesses que pode fazer aos pobres Estados e Municípios pois, detêm a chave da bolsa. Daí a corrupção resultante, os “mensalões”, verbas a ONGs ligadas a partidos amigos, ao MST,etc.,etc. Todo governo centralizado tem propensão ao autoendeusamento e a se considerar acima da lei e da moral,como estamos vendo com o governo Lula, “o melhor governo que o Brasil já teve desde Pedro Álvares Cabral.” Sem comentários…

Brasileiros, entretanto, que não concordam com esta situação têm procurado através de instituições, como por exemplo, o “Instituto Federalista”, lutar contra este estado de coisas, procurando estabelecer legitima Federação no Brasil.Não será fácil lutar contra os interesses já estabelecidos. Assim proponho começar por partes,iniciando com a infraestrutura de transportes:

a) Rodovias federais. A conservação dos trechos dentre cada Estado deveria ser tarefa do respectivo Estado. Para isto, a CIDE, imposto criado para tal, deveria ser automaticamente recolhido pelo mesmo. Isto estimularia a competição entre Estados mostrando quais os mais eficientes no assunto. Alem do mais a privatização destes trechos deve ser meta.
b) Portos. A administração dos portos deve caber aos municípios em que estão situados. É o que acontece nos grandes portos do mundo como Rotterdam, Hamburgo, New York, para só citar alguns. Sempre que possível sua administração deve caber à iniciativa privada em regime de concessão;
c) Aeroportos: A administração também deve caber aos municípios onde estão localizados e sempre que possível devem ser privatizados;
d) Terminais ferroviários e rodoviários. A administração deve passar para os municípios e sempre que possível privatizados.

Estas são algumas pinceladas , bom inicio para reforçar a Federação. Mas, mesmo o que aqui proponho nestas linhas, não será fácil. Embora os Estados sejam a favor, a União não quer abrir mão destes poderes. Dão emprego…

Autonomia tributária dos Estados e Municípios, descentralização do Judiciário, são outras medidas importantes e urgentes a tomar. Precisamos de estadistas na vida pública para fazer a Federação funcionar. E estes são escassos no nosso atual meio político. Termino com o que dizia James Clarke: “Um político pensa na próxima eleição: um estadista, na próxima geração”.

José Celso Macedo de Soares é almirante, empresário, escritor. e-mail – 2/2/2009

NOTA DO FORTE: Publicamos esse artigo em homenagem ao almirante José Celso Macedo de Soares, que faleceu no dia 29.2.2012.

Policiais, Bombeiros e agentes penitenciários do Rio de Janeiro prometem antecipar a paralisação das categorias, inicialmente prevista para o próximo dia 10, caso “qualquer covardia” seja cometida contra os agentes que participam do movimento grevista na Bahia. O Exército foi convocado pelo governo estadual para desocupar a Assembleia Legislativa, onde os grevistas acampam desde terça-feira. Helicópteros e blindados apoiam a ação.

“O movimento em prol da DIGNIDADE dos Bombeiros e Policiais do Estado do Rio de Janeiro vem informar que qualquer covardia cometida contra os militares da Bahia, e seus familiares, que estão ocupando a Assembléia Legislativa de lá, ocasionará a deflagração da GREVE GERAL no Rio de Janeiro antes do previsto.”, diz a nota publicada em um blog do movimento SOS PMERJ.

Neste domingo, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, emitiu um comunicado no qual tenta convencer os policiais de que a paralisação não é a melhor forma para reivindicar melhores condições de trabalho, Segundo ele, que disse acreditar que a maioria dos policiais irá trabalhar normalmente no dia 10, a greve dificilmente “irá trazer benefícios” para os agentes.

Beltrame também lembrou que há uma série de aumentos programados para a área de segurança pública nos próximos anos e que a melhoria nas condições de trabalho das categorias deve ser gradual e racional. Entre os agentes, o parcelamento dos aumentos salariais é conhecido como “aumento Casas Bahia”.

Caso a greve se confirme, a tendência é que o Batalhão de Choque e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) sejam acionados emergencialmente, já que a greve não é unânime entre eles. Isso acontece porque os dois são os batalhões que recebem as melhores gratificações da corporação.

FONTE: JB Online / IMAGEMSOS PMERJ

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