Cerca de 30 soldados da Polícia Militar do Rio de Janeiro participaram hoje (30/9) de um treinamento especial, promovido pelo BOPE (Batalhão de Operações Especiais), para o resgate de reféns.
O exercício foi realizado a bordo de uma barca da concessionária Barcas S/A, próximo à estação de Charitas, na Baía de Guanabara. O treinamento contou com um helicóptero, botes e uma lancha cedidade pela Polícia Federal.
O treinamento faz parte de um programa de aperfeiçoamento dos “caveiras” para enfrentar situações de extremo risco, como seqüestros e ocupação de meios de transporte por criminosos.
A operação de hoje será seguida de outras, que deverão ocorrer em vagões do metrô, ônibus e pontos turísticos como o Corcovado e o Pão de Açúcar.

FONTE: O Globo/Fotos: Domingo Peixoto

 

MBT Tamoyo: outro sonho interrompido

O MBT (Medium battle tank) Tamoyo era o verdadeiro blindado de origem nacional para o Exército Brasileiro (ao passo que o Osório era um veículo de exportação). Seu projeto foi desenvolvido pela Bernardini S.A. Indústria e Comércio com o apoio do Centro Tecnológico do Exército (CTEx). Os estudos começaram em 1979 na mesma época que a empresa desenvolvia o processo de repontencialização dos M-41 do EB. O primeiro protótipo ficou pronto em tempo recorde e foi apresentado em 7 de maio de 1984. Melhorias foram acrescentadas e erros corrigidos. Assim nasceu os Tamoyo II (que aparece no vídeo acima) e o Tamoyo III. Mas o final da história todos conhecem. O EB acabou não adquirindo o veículo e a Bernardini fechou as portas em 2001.

 

Será lançada a pedra fundamental da nova sede do 3º BAvEx

Exército terá batalhão de aviação na fronteira

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o comandante do Exército, Enzo Martins Peri, estarão amanhã em Campo Grande (MS) lançando a pedra fundamental da nova sede do 3º Batalhão de Aviação do Exército, que tinha sede em Taubaté, no interior paulista. O batalhão será a base operacional de helicópteros do Exército, devido ao seu posicionamento estratégico – ele está próximo das fronteiras com Bolívia e Paraguai. A informação é da assessoria do Comando Militar do Oeste (CMO).

Fonte: nota de 29 de setembro de 2008 do Jornal O Estado de São Paulo

Foto: Cougar do EB fotografado em São José dos Campos por Nunão. Quando as instalações estiverem prontas, será que os primeiros “Super Cougar” já estarão disponíveis para equipar o 3º BAvEx?

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‘Nunca é tarde para contar uma boa história’

Aos 87 anos, veterano narra em livro suas experiências na Segunda Guerra Mundial

Nunca é tarde para contar uma boa história. Foi pensando assim que o veterano da Segunda Guerra Mundial Vicente Pedroso da Cruz, 87, lançou, no sábado, “Os Caminhos de um Pracinha”.

O livro fala sobre suas memórias na FEB (Força Expedicionária Brasileira) durante a campanha italiana, entre 1944 e 1945. Desde que voltou da guerra, esse mineiro de Guaxupé narrava suas experiências para familiares, amigos e revistas ligadas a associações de veteranos. Após muitos anos, instigado pelas filhas Lúcia e Lucila, ele resolveu registrar a história completa em livro.

“Eu escrevi sobre o que eu vi”, diz o veterano. O lançamento da publicação, em um restaurante em São Paulo, reuniu familiares e amigos de Pedroso. Entre eles, o colega veterano Samuel Silva, 87, que foi comandante de uma seção de metralhadoras e compartilhou o “batismo de fogo” de Pedroso, então soldado da 8ª Companhia, do 3º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria.

Mais de 60 anos depois do conflito, os veteranos brasileiros da Segunda Guerra ainda se reúnem regularmente -algo que dificilmente acontece com colegas de faculdade, ou de uma empresa. “Na infantaria, existe a maior cumplicidade entre os homens que servem e que vivem juntos”, fala Pedroso. “Um depende do outro, existe muito companheirismo”.

No livro, Pedroso narra não apenas os momentos de combate. Conta também dos períodos de descanso e treinamento que entremeiam a vida de um soldado. Mostra, ainda, a compaixão pelos civis italianos. Em uma das passagens, descreve a reação de um grupo de mulheres e crianças ao ver os soldados brasileiros recebendo a ração de pão branco -raríssima, para os civis.

“”Pane bianco! Pane bianco!!” Tais palavras, pronunciadas por bocas famintas, impressionaram-nos tanto, que nenhum de nós teve coragem para engolir um só bocado daquele pão”, escreve [.] O livro tem introdução do historiador Cesar Campiani Maximiano, que fez doutorado sobre a FEB na Universidade de São Paulo. “Vicente pôde desfrutar de apenas oito dias de descanso durante um total de 240 dias de linha de frente”, observa Maximiliano.

A publicação não possui editora. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail cipedroso@yahoo.com.br.

Fonte: Folha de São Paulo – reportagem de Ricardo Bonalume Neto

Foto: pracinhas e italianos – banco de imagens do Exército Brasileiro sobre a FEB

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MRUVs RG-31 para o Exército Espanhol

A General Dynamics Santa Bárbara Sistemas fechou contrato de 64,6 milhões de euros (US$102 milhões) com o Governo espanhol, para fornecer veículos MRUV (Mine-Resistant Utility Vehicle) RG-31 Mk5E ao Exército da Espanha. A General Dynamics Santa Bárbara Sistemas é uma das quatro empresas que compõem a General Dynamics European Land Systems.

O contrato preconiza a entrega de 100 veículos – 85 Armored Personnel Carriers (APCs), 10 ambulâncias e 5 variantes de posto de comando – com a integração de torretas Remote Controlled Weapon Station (RCWS) e apoio logístico integrado (ILS). Os trabalhos no âmbito do contrato estão previstos para serem concluídos até 2009.

O contrato inclui uma opção de uma segunda fase para 80 veículos suplementares, que incluirá algumas modificações na Espanha.
A General Dynamics Santa Bárbara Sistemas, como principal contratante, proporcionará a gestão do programa, engenharia e suporte logístico. A BAE Systems Land Systems MAC, da África do Sul, fornecerá os veículos como subcontratada da General Dynamics.

NOTA DO BLOG: Abaixo, duas fotos de veículos RG-31 atingidos por IEDs (improvised explosive devices).

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O governo do Rio anunciou nesta quarta-feira a aquisição de um helicóptero Huey 2, da empresa Bell Helicopter, por R$ 8 milhões. O equipamento tem capacidade para seis atiradores, é blindado e pode transportar um total de 15 pessoas.
Apelidado de “caveirão do ar” por policiais, o aparelho ficará à disposição da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil) e será utilizado em operações planejadas pela Secretaria de Segurança, segundo o governo.
Em novembro do ano passado, o policial civil Eduardo Mattos estava a bordo de um helicóptero da Polícia Civil e participava de uma operação na região do morro do Adeus quando baleado na cabeça e morreu.
O governo do Rio informou que a compra ocorreu como uma espécie de resposta às tentativas dos criminosos em atingir os helicópteros em operação pela polícia.

Águia de aço
A Segurança Pública informou que o Huey 2 é totalmente à prova de tiros, inclusive nas pás da hélice. O aparelho sairá dos Estados Unidos voando até chegar ao Brasil. Dois pilotos da Core já testaram o aparelho.
Segundo a fabricante, o Huey 2 é específico para situações de conflito. Dependendo da adaptação do aparelho, ele também pode ser utilizado para transporte de tropas e é indicado em condições de resgate no deserto. A empresa já vendeu mais de 150 unidades para dez diferentes países do mundo.

Fonte: Folha OnLine

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Mais Javelin para o US Army

No início deste mês a Lockheed Martin fechou um contrato de US$ 111,6 milhões com o US Army, para a produção adicional de mísseis Javelin e unidades de comando, dentro do esforço de Guerra Global ao Terror.
O Javelin é o primeiro sistema de mísseis anti-carro portátil do tipo “fire-and-forget”, de médio alcance.
Ele é compacto, leve e permite a operação por só um soldado, em todos os ambientes. A Lockheed espera entregar os mísseis até a primavera de 2011.
O Javelin amplia a capacidade de fogo direto contra blidados, prédios e fortificações. O míssil está atualmente em serviço no US Army, USMC e em Forças de 10 países.

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Operação Guanabara: 2ª etapa

As Forças Armadas iniciaram no dia 14/9 a segunda etapa da Operação Guanabara, que tem o objetivo de impedir a interferência de traficantes e milicianos no processo eleitoral do Rio de Janeiro. Por volta das 9h, cerca de 2 mil militares chegaram às favelas Vila Aliança, em Bangu, Coréia, Sapo e Taquaral, em Senador Camará, na zona oeste. As comunidades permanecerão ocupadas até a manhã da próxima quarta-feira, segundo o comandante das tropas, tenente-coronel Walter.
Fogos de artifício marcaram a chegada dos militares à Vila Aliança. “Tivemos a percepção de fogos, que tradicionalmente servem para alertar o crime organizado sobre a chegada de uma tropa federal ou estadual. A nossa postura será a mesma, por enquanto, adotada na primeira parte da Operação Guanabara. Nossa atitude irá mudar dependendo da atitude do crime organizado”, afirmou o tenente-coronel Walter.
Esta segunda parte da Operação envolve tropas da Brigada de Infantaria Pára-quedista e da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada. Os militares montaram uma base em uma escola particular na comunidade. Cerca de 10 viaturas, entre elas ônibus, caminhões e jipes, foram estacionadas em frente ao colégio. Entre as 9h e as 10h, um helicóptero sobrevoou a região. Neste mesmo período, carros de som de candidatos a vereador circulavam pela comunidade.
Vários soldados, armados de fuzis, percorrem as ruas fazendo um reconhecimento da área. Apesar da presença militar, a movimentação de moradores é normal nas principais ruas da Vila Aliança. Algumas pessoas disputavam uma partida de futebol numa pequena quadra que foi cercada pelas tropas.
A primeira parte da Operação Guanabara terminou no sábado (13/9), quando os militares deixaram as sete favelas ocupadas desde quinta-feira. O patrulhamento foi feito na Cidade de Deus, em Rio das Pedras e Gardênia Azul, em Jacarepaguá, na zona oeste, assim como Vila do João, Vila dos Pinheiros, Conjunto Esperança e Nova Holanda, no Complexo da Maré, na zona norte.
A ocupação dos sete primeiros pontos mobilizou cerca de 3,5 mil homens do Exército. Integrantes da Marinha participaram apenas do primeiro dia de ocupação.

Fonte: Terra/Fotos: Ernani Alves

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Vitória-ES (22/09/2008) – A forma de elaboração do orçamento das Forças Armadas deverá ser modificada nos próximos anos, informou hoje o ministro da Defesa, Nelson Jobim, em visita à Operação Atlântico. Em entrevista coletiva, ele explicou que Marinha, Exército e Aeronáutica deverão calcular, a partir do orçamento de 2010, os valores orçamentários necessários para sua manutenção no Estado em que se encontram.
As melhorias e novos planos de investimento de cada Força deverão ser apresentados sob a forma de projetos a serem atendidos com recursos adicionais, de acordo com os planos de governo e com a estratégia nacional de defesa. “O que precisamos estabelecer são programas, essa é a mudança que vamos fazer em termos de orçamentos das Forças”, disse Jobim. Segundo o ministro, é necessário que se trabalhe em programas de curto, de médio e de longo prazos.
O ministro previu ainda que, no prazo de 30 a 60 dias, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deverá anunciar a estratégia nacional de defesa, que lhe foi entregue dia 4 de setembro último. O ministro disse que o presidente decidiu discutir mais profundamente a proposta com outros ministros. Acrescentou que, quando a discussão interna estiver concluída, a proposta será levada à apreciação do Conselho de Defesa Nacional.

FONTE: Ministério da Defesa

 

Brigada Pára-Quedista

Documentário acompanha a tropa de elite do Exército do ponto-de-vista da instituição

Com menos de um ano de diferença, o circuito recebe dois documentários brasileiros sobre a infantaria pára-quedista do Exército Brasileiro. Depois de PQD, de Guilherme Coelho, em dezembro passado, agora é a vez de Brigada Pára-Quedista, de Evaldo Mocarzel.
O mais interessante dessa história é que são olhares bem distintos sobre um mesmo objeto, quase opostos. Ao contrário de PQD, que basicamente acompanha os cadetes que lutam por um lugar na tropa de elite do Exército, Brigada Pára-Quedista fala da instituição. Parte do geral para só depois mencionar o particular.
E não há melhor jeito de introduzir a instituição do que mostrar sua solenidade pela manhã. É um filme sem diálogos em seus minutos iniciais. A câmera de Mocarzel passeia pelo vaivém dos blocos de cadetes durante o exercício matinal, raramente destaca um ou outro indivíduo que não seja alguém de comando. É uma posição de respeito quase fordiana – travellings passando por corredores e portas, do interior para fora, para acentuar a cerimônia.
A essa altura, em PQD, Guilherme Coelho já tinha virado chapa dos recrutas, entrevistando familiares, descobrindo que ter um grau pará-quedista era o melhor gabarito para o jovem que depois faria testes na Polícia Militar do Rio de Janeiro. Mocarzel evita individualizar sua pesquisa. É possível dizer que a busca do seu documentário não é pelo Exército dos dias de hoje, mas por um Exército simbólico, atemporal. Só não é mais descontextualizado porque Mocarzel faz a obrigatória pergunta sobre os tempos da Ditadura.
Dentro desse esforço de resgate da imagem do Exército, permeado por alguns depoimentos banais (como da tenente Raquel) e algumas imagens conscientemente “embelezadoras” (como a contraluz que encerra o filme), Mocarzel exibe mais espírito crítico em relação ao próprio cinema do que em relação ao objeto de seu estudo. É o momento, comum em seus documentários, em que ele exibe em VHS ou em DVD imagens para seus entrevistados comentarem.
Desta vez, são clássicos de guerra como A Grande Ilusão, Agonia e Glória, Platoon, Apocalypse Now e Nascido para Matar. Entrevistados dizem que a guerra só causa dor. A guerra, no cinema, é erroneamente vista como um espetáculo, como frisa um dos altos oficiais. Sempre metalinguístico, Mocarzel nos passa a idéia de que para reconstruir a imagem do Exército é preciso desmentir a imagem que dos exércitos faz o cinema.
O que não deixa de ser paradoxal. Brigada Pára-Quedista não é justamente o uso do cinema para firmar uma imagem do Exército?

FONTE: http://omelete.com.br

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Osório: o MBT brasileiro que bateu o M1 Abrams

O EE-T1 Osório foi um carro de combate pesado (MBT – Main Battle Tank), desenvolvido na década de 80 pela empresa brasileira Engesa, produtora dos famosos EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu, que estão em uso ainda em vários países. Projetado com financiamento próprio para fazer parte de uma concorrência para a Arábia Saudita, em Julho de 1987, um protótipo do Osório com canhão de 120mm competiu com o britânico Challenger, o americano M1 Abrams e o francês AMX-40, derrotando todos os oponentes. Em 1988, no Abu Dhabi, o Osório repetiu a façanha, desta vez derrotando também o MBT italiano C-1 Ariete. Quando os Sauditas estavam prestes a fechar negócio, os EUA entraram em campo, alegando que o Brasil não respeitava acordos internacionais e, principalmente, que negociava com nações consideradas inimigas pelos EUA. A Arábia Saudita acabou não fechando o acordo com a ENGESA e terminou por comprar o M1 Abrams mesmo.
O restante da história quase todo mundo já conhece: a Engesa acabou falindo, porque investiu sozinha no projeto do carro e o Exército Brasileiro não tinha dinheiro para comprá-lo (cada um custava cerca de US$ 1 milhão). Anos depois da falência da empresa, dois dos protótipos do Osório quase viraram sucata, mas hoje estão preservados, aos cuidados do EB.

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O jornal “O Estado de São Paulo”  publicou no dia 13 de setembro, essa boa notícia da AVIBRÁS, empresa brasileira que já foi destaque na indústria bélica mundial:

Após 13 meses de espera, empresa obteve as garantias do governo que viabilizam o negócio

A Avibrás Aeroespacial, maior grupo produtor de equipamentos militares do País e que atravessa um período sob recuperação judicial solicitada, obteve ontem às 14 horas as garantias do governo federal para concluir a exportação de R$ 500 milhões em foguetes, veículos lançadores e unidades de apoio para um cliente da Ásia. O negócio foi concluído há 13 meses, mas emperrou na burocracia do governo, que procurava a base legal adequada para a operação e assim, mantinha a venda paralisada. Enquanto aguardava a liberação da caução oficial, a Avibrás investiu na encomenda – e em julho chegou a um impasse: solicitar a recuperação – instituto jurídico que substituiu a concordata – ou sair do mercado.
“Como a segunda hipótese é inaceitável, decidimos seguir lutando”, afirma o presidente Sami Hassuani que, admite, passou quase dois meses “praticamente morando em Brasília”.
Ontem, a procuradoria do Ministério da Fazenda conciliou o processo. Hoje o Banco do Brasil entrega à organização financeira do país cliente o conjunto de garantias – incluindo as securitárias. “Por conta do fuso horário favorável, o comprador encontrará os documentos na instituição de crédito logo pela manhã”, diz Hassuani.
O lote é grande. Abrange um regimento completo do sistema Astros-II da última geração e os veículos de comando e de comunicações, além de enorme quantidade de foguetes – entre eles o novo SS-80 com alcance acima de 100 km e ogiva carregada de granadas que são dispersadas, como uma chuva de aço quente, sobre o alvo.
João Brasil Carvalho Leite, o controlador do grupo Avibrás, pretende que o primeiro embarque seja feito até dezembro. Outros três carregamentos serão feitos entre março de 2009 e janeiro de 2010.
Para Sami Hassuani, a execução do contrato “marca o início da retomada da curva positiva na empresa e reforça a presença da indústria brasileira de material de Defesa no aquecido mercado asiático”.
A retomada da linha de produção pode determinar o preenchimento de 350 vagas abertas com as demissões realizadas na primeira quinzena de agosto.
O valor estimado do processo de recuperação é também de R$ 500 milhões. As dívidas em renegociação têm como principais credores a União, o BB, a Previdência, o sistema tributário, a Finep, fornecedores diversos e uma trading.
A companhia mantém negociações estimadas em cerca de R$ 4,8 bilhões para abastecer forças Armadas de cinco países do Oriente Médio e da Ásia.
Os ministros da Defesa, Nelson Jobim, das Relações Exteriores, Celso Amorim, da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Miguel Jorge, atuaram intensamente para a solução do problema do atendimento das fianças à exportação para o cliente não revelado. Em janeiro, o fundador e presidente da empresa, João Verdi de Carvalho Leite, desapareceu, em companhia da mulher, Sonia Brasil, depois que o helicóptero que pilotava caiu entre Angra dos Reis e São José dos Campos. Em dezembro, Verdi revelara, em entrevista ao Estado, o seu projeto de consolidação da marca por meio de novos contratos e de pelo menos cinco produtos. Para ele, o Brasil poderia faturar 4 bilhões por ano com o setor industrial militar.
João Verdi usava o helicóptero como se fosse um carro: de casa para a fábrica, em Jacareí, e de volta, no fim da tarde. Um vôo de Angra dos Reis, onde mantinha uma confortável casa de praia, até São José dos Campos, onde vivia e trabalhava, era rotina na carta de pilotagem. Pequenas aventuras cotidianas do empresário que, nos anos 80, era recebido para jantar nos palácios de Saddam Hussein, quando o ditador iraquiano ainda era o bem-amado do Ocidente, na condição de inimigo dos radicais islâmicos de Teerã. “Lembro-me dele como um homem agradável”, costumava contar. Saddam comprou e usou largamente, na guerra contra o Irã, o lançador múltiplo de foguetes Astros-II, criação pessoal de Verdi e o principal produto do grupo.
Em 91, na Guerra do Golfo, o fogo mudou de lado: o Astros-II estava com a artilharia da Arábia Saudita. De novo por obra de Verdi, um raro brasileiro a quem os soberanos de Riad recebiam pessoalmente. Exércitos de 14 países usam produtos da Avibrás. Criada há 47 anos, a organização emprega cerca de 600 pessoas.

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