Por um lado, não falta trabalho

Trechos de reportagem do Jornal do Brasil de hoje, 29 de novembro, sobre obras do PAC tocadas pelo Exército Brasileiro.

Por meio de uma série de acordos entre o governo federal e as Forças Armadas, diversas obras do PAC têm sido tocadas pela Diretoria de Obras de Cooperação (DOC) do Exército. Em todo o país, já são 80 os projetos, a grande maioria deles parte do PAC, executados pelos batalhões de engenharia.

Entre estas obras, estão o projeto de integração do Rio São Francisco, a restauração da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, e da BR-163, que liga Cuiabá a Santarém (PA), além da reconstrução do aeroporto de Natal e do porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. O Exército abocanha, hoje, o equivalente a 5% dos recursos para obras do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). Um repasse anual próximo dos R$ 200 milhões.

Dos 320 quilômetros da BR-101, que liga Natal ao Recife, em obras de restauração e duplicação, 140 quilômetros estão sob a responsabilidade da engenharia do Exército. A DOC assumiu três dos oito trechos da rodovia originalmente licitados para a iniciativa privada. Os lotes, como são chamados os trechos, foram entregues aos militares após seguidas impugnações dos processos de licitação.

A atuação dos militares na região não deve nada à de gigantes da construção civil presentes em outros lotes da BR-101, empresas do porte de Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht. Pelo contrário: a pavimentadora de concreto usada pelo Exército na obra, e que foi importada da Alemanha por R$ 4,5 milhões, é considerado equipamento de ponta em tecnologia de construção de rodovias, e o número de máquinas semelhantes nas mãos da iniciativa privada brasileira não passa de três.

A usina de asfalto em uso pelo Exército na BR-101 já foi sondada por empreiteiras para ser empregada em obras como a construção de novos setores do Rodoanel, em São Paulo. Engenheiros militares são constantemente assediados pelas construtoras e trocam o trabalho de farda pelo mercado privado, de olho em salários até quatro vezes maiores.

A execução, pelo Exército, das obras, costuma sair, de acordo com o diretor de Obras de Cooperação do Exército, general José Cláudio Fróes de Moraes, de 10% a 15% mais em conta do que quando a iniciativa privada entra em cena. Legalmente, são as leis complementares 97/1999 e 117/2004 que tratam da organização das funções das Forças Armadas. Elas abrem a possibilidade do emprego do Exército em obras ordinárias. 

Por outro, faltam recursos

Trecho de reportagem do jornal O DIA, também de hoje, sobre a necessidade de implementar meio expediente em organizações militares (OM) do Exército Brasileiro.

A partir da próxima segunda-feira, dia 1º, nove em cada 10 batalhões do Exército vão trabalhar em meio expediente. A tropa vai iniciar as atividades pela manhã e sair antes do almoço. Somente o efetivo para garantir a segurança das instalações é que vai ficar nas unidades.

A exceção à regra será nos batalhões que participam das operações de resgate às vítimas das enchentes em Santa Catarina. A orientação foi anunciada após o comandante da Força, general Enzo Martins Peri, ter emitido comunicado alertando que a retenção, no Tesouro Nacional, de R$ 518,8 milhões do seu orçamento, poderia provocar redução de expediente. Conforme antecipou a Coluna Força Militar, o sinal verde foi recebido com preocupação pelos oficiais. Muitos temem que a crise financeira venha atrapalhar os planos federais de investimento maciço no reaparelhamento dos quartéis.

Segundo o Comando do Exército, o meio expediente não será seguido de dispensa antecipada de recruta. Nota oficial justifica que a situação do período indica a possibilidade de ajustamento necessário do regime de trabalho de Organizações Militares. Nesse sentido, os Comandos Militares de Área tem a flexibilidade para regular suas atividades no período de transição, sem prejuízo do serviço e das condições de emprego de tropa, quando necessário.

Fontes: Jornal do Brasil e O Dia, via Notimp

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5 Comentários to “Por um lado, não falta trabalho”

  1. cop disse:

    Tenho um filho que é soldado EP, de uma unidade de Infantaria em minha cidade, aqui no RS. É vergonhosa esta notícia. Mas é mais uma lembrança do tratamento que os políticos dão as Forças Armadas brasileiras. Esquerda ordinária e míope.

  2. Vassily Zaitsev disse:

    Olha a história da “saída” antes do almoço aí de novo.

    Comeram os 518 milhões e, como saída “estratégica”, soltaram a tropa para sair amis cedo.

    É o fim da picada…………………….

  3. Vassily Zaitsev disse:

    Depois ainda falam em EC-725, Helis de ataque, Tor-M1, Buk-M2, Urutu-3,Leopard 1A-5, Osório, e o “escambau” à mais.

    Vai lá no 28º BIB, mais especificamente no almoxarifado, e observem quanta “fartura” de munição há por lá. munição 7,62mm quase não tem, .50 pol nem se fala. Procurem por munição 90mm para os Cascavéis, não vão encontrar uma sequer. E as granadas de fragmentação…………. foram fabricadas na década de 30, antes da IIGM. Estão todas embrulhadas por espessa camada de “fita adesiva”, tipo duréx, pois os pinos já enferrujaram.

  4. gaitero disse:

    Por isto precisamos de um Plano de Modernização das FA.
    Respire, não adianta reclamar, não adianta atrapalhar ainda mais, vamos dar uma chance a estes nobres ”companheiros”, que estão a executar este plano, e deixe de ser pessimista, reclamar, reclamar e reclamar, por favor, de nada adianta, a não ser desmotivar ainda mais os aficsionados por FA.

    Se esta modernização não se concretizar, ai sim, podemos nos organizar e fazer alguma coisa descente, como protestar ou algo assim, mas apenas reclamar de nada vai adiantar.

    Abraço.

    Eu confio neles…..

  5. fuzileiro disse:

    Realmente se alguém for ao almoxarifado de qualquer unidade militar não vai encontrar munição nenhuma. Pois almoxarifado não é lugar de guardar munição e sim o paiol, almoxarifado guarda material de intendência. Outra coisa paiol de munição não é aberto a qualquer um e muito menos a visitação pública, para entrar num lugar desses deve-se seguir todo um ritual de medidas de segurança.

    E Desde quando um BIB (batalhão de INFANTARIA blindado)tem munição de 90 mm do cascavél armazenada em seus paióis, já que o cascavél é orgânico da CAVALARIA e não da infantaria?

    Agora se o amigo entrou num almoxarifado, realmente munição “7,62mm quase não tem” nem era para ter, já tá errado. “.50 pol nem se fala” aqui estar corretíssimo, não era para ter mesmo. “Procurem por munição 90mm para os Cascavéis e não vão encontrar uma sequer” certíssimo não é para encontrar mesmo nem no paiol de munição, pois munição de 90 mm do cascavél é para está em um paiol de munição de um regimento de cavalaria e não de um BIB. A não ser que seja um paiol compartilhado entre um BIB e um Regimento de cavalaria.
    Quanto as granadas de fragmentação fabricadas na década de 30, pode até está mesmo no almoxarifado pois com certeza são inertes e é apenas souvenir guardada como relínquia histórica. Pois no período que estive na ativa (passei para reserva em 89) nunca vi uma sendo usada nem como exercício, só como enfeite de mesa mesmo.

    Sei que estamos todos revoltados com a situação de nossas FFAA, mas não vamos exagerar né.

    abraços.

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