Mais informações sobre o PND

A minuta da Estratégia Nacional de Defesa, que deverá ser apresentada oficialmente em dezembro, propõe uma ampla reorganização das Forças Armadas, a revalorização da carreira militar e a reativação da indústria de defesa, a partir de um regime tributário específico. O documento, obtido pela Folha, não traz cifras sobre compras de equipamentos nem detalhes orçamentários. Mas defende, em termos gerais, a necessidade de aquisição e desenvolvimento próprio de armamentos e meios que ampliem a capacidade de ação militar das Forças Armadas. Até março de 2009, as forças deverão apresentar planos específicos de equipamentos.

Por enquanto, foi feita uma lista genérica com itens, como aviões de ataque, submarinos de propulsão nuclear, mísseis, veículos aéreos não-tripulados, radares e equipamento individual interativo de última geração. Sonhos de consumo de qualquer militar, mas que custam caro. Os valores para se atingir os objetivos dessa estratégia são o item de maior divergência dentro do governo.

Em reunião com parlamentares na última terça-feira, o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) fez uma exposição das diretrizes do documento, mas não entrou em detalhes. A idéia original de que o orçamento da Defesa seja um percentual fixo do PIB (cerca de 2,5%) tem resistência.
Segundo o deputado Marcondes Gadelha (PSB-PB), que participou do encontro, o ministro defendeu que o sistema de defesa nacional reflita a estatura econômica do país. Mangabeira defendeu a auto-suficiência tecnológica nas áreas espacial, cibernética e nuclear, além da integração da cadeia produtiva bélica, especialmente com Argentina e Chile.

Ações

Segundo a minuta da Estratégia Nacional, a capacitação tecnológica busca atender a um horizonte de ação difuso e que não se restringe às fronteiras do país. Os militares devem priorizar “em situações de normalidade” as estratégias de dissuasão, presença e projeção de poder. Significa não apenas ter capacidade militar para infligir temor a eventuais inimigos mas demonstrar esse poder na prática em ações “fora do território nacional e das águas jurisdicionais”. “Podem incluir o bombardeio naval, operações anfíbias e os ataques com mísseis”, no caso da Marinha, por exemplo. Em crises, seria adotada a estratégia “ofensiva”.

Na lista de objetivos de defesa, estão a “salvaguarda das pessoas e do patrimônio brasileiro no exterior ou sob jurisdição brasileira fora do território nacional” e o “incremento de atividades destinadas à manutenção da estabilidade regional”. Essa definição reproduz o esboçado na Política Nacional de Defesa e se alinha ao texto do decreto 6.592 -promulgado em outubro- que define como “agressão estrangeira”, dentre outros, “os atos lesivos à soberania nacional” “ainda que isso não signifique invasão ao nosso território”. A minuta sugere maior participação do Brasil em missões de paz, a prevenção de atos terroristas e a cobertura de infra-estruturas críticas como energia, água e transportes. A Amazônia segue como principal alvo de defesa, mas há atenção especial sobre gerenciamento de crises, como desastres naturais e pandemias. Uma proposta complementar deve alterar a atual legislação para resguardar juridicamente os militares em ações de polícia (Garantia da Lei e da Ordem). O serviço militar continuará obrigatório, e haverá um serviço civil voluntário.

Fonte: Folha de São Paulo

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COMENTÁRIOS VIA FACEBOOK

8 Comentários to “Mais informações sobre o PND”

  1. Baschera disse:

    Blá, blá, blá, blá…….
    Vamos ao que interessa : Defender o percentual mínimo de 2,5% do PIB para o MD. Todo o resto pode-se planejar depois.
    Sem dinheiro….. ficamos só nas palavras e discusões inúteis como muitas e repetidas vezes vemos aqui mesmo. Não adianta nada discutir o passado… ou você aprendeu com ele ou vai ter que aprender no futuro com o presente.
    Acredito que esta discussão toda, inédita no país desde que me entendo por gente, é a última oportunidade para que se começe à levar a sério o assunto defesa e FFAAs no Brasil.
    Se perdermos esta oportunidade….. não nos levantaremos mais, pois enquanto outros países sobem pelo elevador, nós vamos pela escada e ainda algumas vezes descemos, em vez de subir, alguns degraus.
    Perdi esta oportunidade, para minha geração não valerá à pena discutir e sonhar mais sobre o assunto, visto que as vezes, na maioria delas, decissões tomadas hoje levam cinco, dez e até mesmo 30 anos para se tornarem realidade.
    Perdida esta oportunidade, quiçá uníca desde que o Brasil foi descoberto, para mim será o fim. Não mais vou querer saber do assunto. Vou discutir sobre batatas ou alcachofras. Será mais produtivo e menos ácido para meu estomago.
    Sds.

  2. Baschera disse:

    Correção : “Perdida” e não “Perdi esta oportini….”
    Sds.

  3. Vassily Zaitsev disse:

    Parece que dessa vez sai. Pelo menos as promessas………………..

    Ações mesmo são outra conversa. Mas tomara que pelo menos a metade do que se discute no PND saia do papel, e chegue ao dia-a-dia dos militares brasileiros.

  4. Ulisses disse:

    Eu acho que vai porque desta vez será um assunto de estado e nunca discutiram e planejaram tanto a defesa quanto agora.pensem:

    Se fosse para ser cancelado,já teriam cancelado há muito tempo

    Se fosse para ser cancelado,então porque não cancelar:FX2,novas escoltas da MB,EC725,Marlin,SubNuc,Parceria Estratégica com Itália e Rússia,França e há sinais de parceria com a China!

    Alguém ainda acha pouca coisa?O plano será concretizado com tudo a vapor!!!

  5. Hornet disse:

    Eu concordo com o Baschera em vários pontos:

    se vc quer saber se alguma política pública ou de Estado vai se efetivar ou não, é fácil: veja o orçamento alocado para ela (não sei se chegaremos aos 2,5% do PIB, mas acho que o governo já sinalizou que está disposto a pagar a conta da Defesa, e algum coelho tem que sair desta cartola, e acho que sairá…).

    outro ponto que eu concordo:

    Nunca se discutiu o assunto de defesa com tanta seriedade e tanto interesse por parte do governo e das partes envolvidas diretamente, como agora. De fato, é uma oportunidade e tanto essa que se apresenta neste momento (independente de gostarmos ou não do Jobim e do Mangabeira, acho difícil não concordar que desde que eles assumiram suas respectivas pastas, a coisa mudou muito, e para melhor). Se a perdermos, também vou voltar para a Universidade e cuidar somente do meu trabalho por lá…vou deixar o assunto de defesa para os mais novos, pois até eu que procuro sempre ver as coisas com um certo “otimismo-realista” não aceitaria esse “duro golpe” (de deixarmos passar mais esta oportunidade). Eu jogo a toalha se isso acontecer.

    Mas também concordo com os demais amigos: ao que tudo indica, dessa vez sai o PND e será, ao que tudo indica, um salto qualitativo enorme para a defesa do Brasil, coisa que poderá jogar o Brasil num outro patamar no cenário mundial dentro em breve. É o que todos torcemos.

    Se viermos mesmo a dominar as tecnologias nuclear, cibernética e aeroespacial, como tudo indica que faremos (por meio das parcerias que estão sendo costuradas politicamente)…olha! Segura nóis depois, hein?…hehehehe

    Mas por enquanto, cautela e caldo de galinha, ok? Ainda não temos nada de muito concreto…minha champagne está no freezer, mas vou deixá-la lá até saber de mais detalhes sobre o que exatamente vai acontecer com a Defesa do país no futuro…(não consigo tomar essa bendita champagne, faz anos que ela está lá, só gelando, gelando, gelando…rs.)…

    abraços a todos

  6. João-Curitiba disse:

    Caro Hornet

    Vou discordar veementemente, repudiar, dizer que você não entende nada do assunto. Onde já se viu champagne no freezer? Além de estourar a garrafa, ela tem de ser servida a no máximo 12 graus. No freezer a gente coloca vodka.
    Quanto aos demais itens, concordo.
    Desculpe a brincadeira, mas muitos colegas estão cansados do blá, blá, blá. Eu não acho que seja papo furado. O Mangabeira está fazendo o papel dele. Ele tem de pregar no deserto até que alguém o ouça. Acho que vai vencer pelo cansaço. Se são os deputados/senadores que votam, esta é a platéia dele. E ainda não é hora de quantificar. Só linhas gerais mesmo.
    Se os líderes partidários das duas casas, os principais ministros e mais alguns formadores de opinião comprarem a idéia, então poderemos acreditar que algo de concreto sairá. E isso só se consegue falando até encher o saco e eles aprovarem para se verem livres do Mangabeira.

  7. Baschera disse:

    Caro João-Curitiba,
    Se o Bananeira Unger tiver que pregar no deserto, ele tá fu…..o !!
    Há muito tempo atráz, um muito, mais muito mais poderoso do que ele, também teve que pregar no deserto…..mas no fim…. foi crucificado.

    Sds.

  8. Hornet disse:

    amigo João-Curitiba,

    hehehe…ordem dada, ordem cumprida. Já fui tirar a champagne do freezer, passei para a geladeira…kkkkkk

    Eu conheci pessoalmente o Mangabeira (esse nome dele pede zuação, não tem jeito…hehehe), quando ele veio dar uma palestra aqui na Unicamp neste ano, acho que foi em abril ou maio…já não me lembro direito.

    Ele me passou a impressão de ser um homem que não é do tipo de que desiste à toa. Ao contrário, deu toda impressão de ser um “tanque de guerra” em termos lutar por seus ideais. E além disso, ele também me passou a idéia de ser um cara muito antenado no que ocorre no mundo e muito convicto em suas ações. Alguém realmente disposto a contribuir com o Brasil, principalmente na questão de Defesa (pois a pasta dele atua em várias outras áreas, não apenas na Defesa). Em poucas palavras, o Mangabeira é um sujeito muitíssimo preparado para o cargo que ocupa, e sabe muito bem o que está fazendo e pra que público ele tem que direcionar sua fala e suas ações para conseguir o que ele pretende para o Brasil. De bobo ele não tem nada.

    Por isso essa sua última frase faz todo o sentido: os parlamentares acabarão aprovando o PND de um jeito ou de outro, nem que for só pra se livrar do Goiabeira…digo, Mangabeira…hehehe

    um forte abraço

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