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Fronteira norte será mapeada em 5 anos

Projeto pretende mapear 1,8 milhão de km2 da Amazônia

Fotos: Armando Favaro/AE

Mergulhado até os ombros nas águas escuras do Rio Papuri, o capitão Rogério Silva desfere golpes de martelo sobre uma barra de ferro apontada para o fundo. Alguns minutos depois, está montada uma pequena plataforma fluvial, sobre a qual soldados posicionam um grande triângulo de alumínio. A posição exata da peça é registrada com um aparelho GPS de alta precisão e, por fim, o capitão informa à base que a tropa está pronta.

“Base, aqui é Onça Uno; informo Papa Três em posição; solicito vôo;”, diz o capitão pelo rádio, ainda sem sair da água.

“Positivo Onça Uno; aeronave pronta; aguardando decolagem”, responde a base. Agora, é só esperar o avião passar.

A cena se passa nas entranhas da selva amazônica, a duas horas de lancha do 1º Pelotão Especial de Fronteira do Exército, em Iauaretê, bem na garganta da Cabeça do Cachorro (norte do Amazonas), onde o Brasil parece prestes a engolir um pedaço da Colômbia. A linha imaginária da fronteira está perdida em algum lugar no meio do rio. Mesmo em época de seca, não há praias. A floresta tropical se ergue como uma muralha sólida em ambas as margens, ocupando cada centímetro de terra.

A pirâmide de alumínio que os soldados instalam dentro do rio é um refletor que será usado para aferir a acurácia geográfica das imagens de radar feitas pelos aviões do projeto Cartografia da Amazônia, um grande esforço de mapeamento de áreas remotas da floresta, lançado neste ano pelo governo federal. De volta à base, o ponto de GPS marcado no solo será comparado às coordenadas obtidas do avião, usando os refletores como ponto de referência. Para que os mapas tenham a precisão desejada, as duas coordenadas devem ser iguais, com uma margem de erro de poucos centímetros.

Os refletores precisam estar em terreno aberto para que possam ser detectados com clareza pelo radar – coisa rara em áreas de floresta densa, como o norte do Amazonas. A plataforma fluvial foi desenvolvida pelas equipes de engenharia do Exército para situações como essa, em que não há clareiras ou praias para acomodar os equipamentos. Outras opções incluem armar os refletores em pedras no meio do rio ou em clareiras já abertas por ribeirinhos. A instrução é não derrubar nenhuma árvore.

A demonstração no Rio Papuri, acompanhada pelo Estado e uma comitiva de três generais, dá uma idéia da dificuldade de mapear a Amazônia. Os refletores não podem ser deixados no campo. Por isso o deslocamento das tropas no solo precisa ser sincronizado com o plano de vôo das aeronaves, em áreas super-remotas da floresta. A logística é dificílima, até para o Exército.

“É uma verdadeira operação de guerra”, diz o diretor Marcelo Lopes, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão federal que coordena o projeto.

A Cabeça do Cachorro foi escolhida como ponto de partida para o mapeamento, previsto para durar cinco anos. Para entender o apelido da região, basta olhar no mapa: a linha da fronteira entre o Brasil e a Colômbia navega por entre rios e paralelos da Bacia do Alto Rio Negro, formando uma figura que lembra o pescoço, as orelhas, o focinho e a boca de um cachorro. Por suas artérias fluem as águas do Rio Uaupés, do Rio Içana e do próprio Negro, conectados por um emaranhado de igarapés. Nos ombros, leva o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil, e sua pele é coberta por uma das florestas mais antigas e bem preservadas da Amazônia.

Por baixo desse manto verde e rugoso, porém, pouco se sabe sobre a anatomia interna da região. A Cabeça do Cachorro fica no chamado “vazio cartográfico”, uma área de 1,8 milhão de quilômetros quadrados de floresta que nunca foi devidamente mapeada, formando um “arco de desconhecimento” que se estende do extremo oeste do Acre até o extremo norte do Amapá.

Na prática, isso significa que 35% da Amazônia brasileira (uma área maior do que os sete Estados do Sul e do Sudeste) não possui informações básicas de cartografia, como altimetria de relevo, profundidade de rios e variações de cobertura vegetal – dados cruciais para o planejamento de defesa, desenvolvimento e pesquisa da região.

No caso de uma hidrelétrica, por exemplo, os engenheiros precisam conhecer em detalhes a topografia para saber como a água vai se espalhar pelo terreno. Da mesma forma, cientistas precisam das informações mais detalhadas possíveis sobre a paisagem para desenvolver modelos ecológicos, estudar a distribuição de espécies e identificar ecossistemas vulneráveis.

“Todo mundo fala em proteger e fazer o desenvolvimento sustentável na Amazônia, mas sem conhecimento não temos como fazer isso”, diz o tenente-coronel Clovis Gaboardi, chefe da 4ª Divisão de Levantamento do Exército, em Manaus.

Os mapas produzidos pelo projeto serão os mais detalhados já feitos para a Amazônia. As tecnologias de radar utilizadas nos aviões permitem “enxergar” através das nuvens e das copas das árvores até o chão da floresta – diferentemente das imagens óticas de satélite, que só enxergam superfícies expostas e são bloqueadas por nuvens, o que impede a visualização da floresta durante longos períodos.

“Muita gente olha do alto e acha que a Amazônia é uma planície coberta de floresta. Mas não é. Por baixo das árvores, o relevo varia muito”, diz o general Armindo Fernandes, consultor técnico da empresa OrbiSat e gerente-geral do projeto. “Quem anda por lá sabe disso.”

O cientista Mario Cohn-Raft que o diga. Um experiente ornitólogo, com muitos quilômetros de selva no currículo, ele utiliza rotineiramente mapas e imagens de satélite para planejar seus trabalhos de campo. Mas se fosse só pelos mapas, ele nunca teria chegado a lugares como a Serra do Aracá: uma formação de tabuleiros e montanhas na divisa com a Venezuela, onde encontrou várias espécies diferentes.

“No Google Earth dá para ver a serra, mas no mapa, ela não aparece. É como se não existisse”, conta Cohn-Raft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. “Se fizerem mesmo esse mapeamento, será uma ferramenta fantástica.”

Fonte: Herton Escobar/OESP

 

Soldados e voluntários furtam doações em Santa Catarina

Fonte: UOL Notícias

A Secretaria de Desenvolvimento Regional de Blumenau deve mudar os processos de triagem e distribuição de donativos, depois que a reportagem de uma emissora de TV local flagrou soldados e voluntários furtando roupas e mantimentos que deveriam atender às vítimas das enchentes e deslizamentos de terra no Vale do Itajaí. O flagrante ocorreu no Pavilhão 1 do Parque Vila Germânica, em Blumenau. A denúncia foi feita por outros voluntários.

O local funciona como um centro de triagem de doações de todo o Brasil e é coordenado pela secretaria, que faz parte da estrutura do governo do Estado. Nas imagens, gravadas com câmera escondida, duas mulheres escolhem roupas em uma pilha de donativos. A matéria foi exibida na noite deste domingo (14).

Uma das mulheres chega a comentar com o repórter cinematográfico que é preciso escolher bem. Com um par de tênis nas mãos, que levaria ao filho, ela apontou o descolamento da sola e desistiu de furtar o produto. Na gravação, outra voluntária chega e tenta demovê-las de levar as peças. Elas ignoram e vão para outro corredor escolher produtos.

O envolvimento de soldados também é mostrado. Nas imagens, um caminhão chega com mudas de roupas. Vestidos com uniforme do Exército, do veículo, eles arremessam as peças em uma pilha de produtos que devem passar por triagem, chegando a chutá-las. Em seguida, escolhem algumas roupas e colocam dentro de mochilas. Cerca de dez deles conduzem as bagagens até um caminhão do Exército, estacionado fora do parque.

Segundo o secretário Paulo França, uma empresa de logística que acompanhava parte da distribuição dos donativos deve ser incorporada a todo o processo para evitar falhas. “Já pedi para que esse grupo seja incorporado ao serviço para que a gente faça o fluxo e controle de forma profissional, e não de forma voluntária e amadora, como a gente vinha fazendo. Vamos implantar esse sistema de fluxo de entrada e saída de distribuições”, projeta.

Além da alteração no processo de triagem e distribuição, o local de recepção dos donativos será alterado. A definição sobre a nova área deve ser divulgada em dez dias. Um processo administrativo também vai apurar quem são os envolvidos e se há conivência de funcionários da secretaria.

O comando Exército Brasileiro em Santa Catarina também instaurou uma sindicância para apurar o que aconteceu, conforme o general de brigada Manoel Narvaz Pafiadasche, comandante da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada. Ele classificou como lamentável a situação.

Segundo Pafiadasche, cinco mil soldados já participaram dos trabalhos no local. “Para sermos justos com os demais, temos que responsabilizar os envolvidos”, afirmou. O resultado da sindicância deve determinar novas formas de atuação do Exército nos pontos de triagem de donativos.

O Ministério Público anunciou nesta segunda-feira que deve participar do processo de fiscalização do destino de donativos.

Nota do Blog: Lamentável o fato. Atitudes de poucas pessoas podem comprometer a imagem de toda uma instituição.

 

“O Brasil é um gigante pacífico”

Por Marcelo Gonçalves – www.administradores.com.br

O Brasil possui riquezas naturais que exigem muita atenção e investimento governamental. No início de outubro de 2008 o Ministério da Defesa tornou público os recursos da Marinha, Exército e Aeronáutica, retidos no Tesouro Nacional e que já somam R$ 1,8 bilhão. As dificuldades da indústria bélica estão perto do fim. Agora, no final de novembro de 2008, o Governo Federal decidiu ajudar as empresas do setor liberando créditos através de participação acionária, por meio da edição de uma Medida Provisória (MP). O apoio a esse setor está cada vez mais perto.

Já começaram conversações entre Governo e o Congresso Nacional para transformar a MP em Lei. Será um grande impulso à indústria bélica que se integrará à política industrial brasileira. Isso é um bom sinal para os fabricantes de aviões, veículos blindados, helicópteros, aviões, armamentos, embarcações e outras tecnologias, como radares.

Além disso, existe também uma preocupação com a defesa de nossas fronteiras, a partir do “rugido anti-brasileiro, que vem de alguns vizinhos, liderado por nações que pregam a redistribuição de riquezas”, frase publicada em artigo na revista norte-americana Newsweek. O texto ainda dizia que o desenvolvimento do Brasil como potência desperta “agressividade” em vizinhos. Entre outras preocupações, está o nosso mar chamado de “Amazônia Azul”, que representa mais e 50% do território nacional e riquíssimo em petróleo e gás.

A nova MP deverá evitar o que ocorreu com a ENGESA, empresa fabricante de produtos bélicos, na década de 1990. A extinta indústria produzia carros blindados de combate para o exército brasileiro e também para exportação. A ENGESA começou a desenvolver projetos de carros de combate leves e blindados no final da década de 1960.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o Brasil recebeu dos Estados Unidos vários blindados, entre eles o Carro de Combate Leve M-8. Porém, já na década de 1960, estava completamente obsoleto. A ENGESA, a partir de adaptações neste carro de combate, desenvolveu o Cascavel, com um novo sistema de propulsão no eixo traseiro que foi patenteado como “ENGESA Boomerang”. O sistema permitia ao veículo absorver perfeitamente os impactos dos terrenos acidentados e ultrapassar obstáculos com bastante facilidade.

Outro veículo importante produzido pela empresa era o Urutu, um blindado de transporte de tropa anfíbio, totalmente brasileiro que, junto com o carro de combate Cascavel, tornou-se sucesso internacional, pelo alto desempenho técnico e operacional.

Em 1982, a ENGESA, projetou um veículo de combate para satisfazer as necessidades do Exército Brasileiro e que também pudesse ser exportado. Foi o EE-T1, batizado sob o nome de Osório, um tanque de guerra projetado para ser o principal carro de combate do Exército Brasileiro. Por causa deste veículo essa indústria de produtos bélicos foi à falência. Não que a produção deste tanque tenha sido a causa, mas a falta de empenho e interferência governamental em uma negociação com a Arábia Saudita, para a venda de 702 tanques em um contrato de US$ 7,2 bilhões.

A negociação seria fechada entre os dois governos em uma reunião em Riad entre o então presidente Fernando Collor de Mello e o príncipe Sultan Azsiz Abdulazis. O encontro, inicialmente marcado para o mês de agosto de 1990, foi cancelado por um problema de saúde do príncipe. A nova data havia sido marcada para novembro do mesmo ano. Nesse intervalo, a Arábia Saudita anunciou que compraria os tanques dos Estados Unidos e não mais do Brasil. Como a ENGESA havia apostado todas as fichas na fabricação do tanque Osório, acabou contraindo uma dívida de US$ 53 milhões e que não recebeu apoio para refinanciamento do Governo Federal, que poderia absorver os tanques para o Exército Brasileiro. A companhia quebrou e fechou seis mil postos de trabalho com graves conseqüências econômicas, sociais e também militares.

O lançamento do Plano Estratégico de Defesa, que estava previsto para o dia 7 de setembro deste ano, está com quase dois meses de atraso. A MP, que refere-se aos incentivos financeiros à indústria de equipamentos bélicos, é uma parte do tripé que o governo pretende conceder ao setor. Entre as outras medidas estão: isenções tributárias, linhas especiais de crédito e mecanismos de garantia dos contratos de exportação. Essas medidas deverão aquecer o setor, evitar o que ocorreu com a ENGESA, e, quem sabe um estímulo para o fortalecimento das fronteiras cobiçadas de um gigante ainda pacífico.

Nota do Blog: Houve um equívoco do autor. O EE-T1 Osório nunca foi projeto visando o Exército Brasileiro, mas sim o mercado de exportação.

 

O Brasil vai adotar serviço militar obrigatório também para mulheres. Pelo menos essa é a intenção das autoridades militares. A proposta em estudo será discutida mais profundamente após o lançamento nacional da nova estratégia de Defesa do País, previsto para ocorrer quinta-feira. A idéia é que novas recrutas (R$ 514 de salário em 2009) atuem prioritariamente nos setores administrativos, disponibilizando homens para o treinamento militar final. Mulheres são consideradas ideais para ações nas áreas de Saúde e Intendência (suprimento de alimentos e outros insumos).

A presença obrigatória das mulheres das Forças Armadas já é realidade em alguns países, como Israel, cujo Exército é considerado um dos mais humanitários do mundo. Lá elas servem dos 18 aos 20 anos. Por aqui, o tempo de serviço em estudo é semelhante ao cobrado dos rapazes: até um ano, dos 18 aos 19 anos. No Brasil, os principais defensores do serviço militar obrigatório para moças são os ministros Mangabeira Unger, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, e Nelson Jobim, da Defesa. Os dois são os principais organizadores do plano com a nova Estratégia Nacional de Defesa.

Em estudo há um ano e esperado desde o 7 de Setembro, o também chamado PAC da Defesa passou por mudanças a pedido do presidente Lula e trará novidades já antecipadas pela coluna, como unificação do Comando e o aumento de vagas no serviço militar para mulheres.

SERVIÇO FACULTATIVO

A proposta de inclusão das mulheres no serviço militar obrigatório já tem aliados, antes mesmo da nova Estratégia de Defesa chegar ao Congresso Nacional. O senador Romeu Tuma (PTB-SP), por exemplo, apresentou em agosto a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 35/08), que pretende ampliar o serviço militar para o público feminino, porém de forma facultativa, não obrigatória, como estudam as três Forças.

“As Forças Armadas proporcionam aos seus efetivos educação e treinamento profissional diferenciado e a possibilidade de ascensão social”, diz Tuma. “E representam também uma oportunidade, muitas vezes única, de trabalho para classes sociais menos favorecidas, principalmente mulheres jovens da periferia”, completa. A PEC ainda está para ser votada na Comissão de Constituição, Justiça do Senado.

SERVIÇO VOLUNTÁRIO

Mês passado, a Câmara dos Deputados realizou a 5ª edição do Parlamento Jovem, que reuniu 78 estudantes do Ensino Médio, com idades entre 16 e 22 anos. Numa das sessões, foi apresentada pela aluna do Colégio Militar de Porto Alegre (RS), Marina Finger, 17, proposta para a criação do serviço militar feminino voluntário. A legislação em vigor prevê o ingresso das mulheres nos quartéis mediante concurso público. As vagas, em geral, são para as áreas técnicas e administrativas.

As mulheres passaram a ter ingresso às Forças Armadas em 1980. A Lei 6.807/80 previu a admissão delas no Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha. Para elas, no entanto, o serviço militar atual não prevê a obrigatoriedade. Experiências de alistamento voluntário, como a de agosto na Marinha do Rio, sempre foram bem recebidas pelas moças.

ATO OFICIAL NA QUINTA

A nova estratégia de Defesa Nacional, que tem como ponto central a reestruturação das Forças Armadas, da indústria de Defesa e do serviço militar, vai ser lançada oficialmente quinta-feira pelo presidente Lula. “O Brasil vai ter um plano de Defesa de acordo com o seu tamanho e a sua necessidade”, disse Lula tão logo a proposta foi aprovada. A estratégia é descrita em pouco mais de 90 páginas, que detalham 23 atos legais e administrativos a serem apresentados ao longo de 2009. Dez desses 23 atos sairão até março. Entre as propostas, estão os projetos de lei que alterarão a legislação tributária e a Lei de Licitações para privilegiar a indústria nacional de defesa, conforme este coluna antecipou em setembro.

Fonte: O Dia online

 

Fonte: The New York Times

Um relatório federal ainda não publicado sobre a reconstrução do Iraque retrata um esforço já fracassado antes mesmo da invasão por conta do planejamento do Pentágono, feito por funcionários hostis à idéia de reconstruir um país estrangeiro, e depois transformado num equívoco de US$ 100 bilhões.

“Lições Difíceis: A Experiência da Reconstrução do Iraque” conclui que quando a reconstrução começou a atrasar, o Pentágono divulgou medidas exageradas de progresso para encobrir os fracassos. Em certo trecho, por exemplo, o ex-secretário de Estado Colin Powell é citado dizendo que nos meses posteriores à invasão de 2003, o Departamento de Defesa “seguia inventando o número de integrantes das forças de segurança do Iraque” – o número aumentava 20 mil por semana.

Entre as conclusões do relato está a de que cinco anos após ter embarcado no maior projeto de reconstrução estrangeira desde o Plano Marshall na Europa após a 2.ª Guerra, Washington não conseguiu aplicar as medidas necessárias para um programa destas dimensões. Os números relativos à produção industrial e aos serviços básicos revelam que, após todo o dinheiro gasto, o esforço de reconstrução nunca fez muito mais do que restaurar aquilo que foi destruído durante a invasão.

O relatório afirma que até meados de 2008 foram gastos US$ 117 bilhões na reconstrução. O texto traz uma lista de revelações que indicam a atmosfera caótica que permeou o esforço do trabalho. A história conclui que, após a invasão, o governo “jamais desenvolveu uma doutrina e nem uma estrutura legislativamente sancionadas para o planejamento, preparação e execução de operações de contingência nas quais figuram a diplomacia, o desenvolvimento e a ação militar”.

ESTIMATIVAS EQUIVOCADAS

Na véspera da invasão, quando alguns funcionários americanos começaram a se dar conta de que o preço da reconstrução seria muito superior ao que lhes havia sido comunicado, o grau do seu equívoco foi ilustrado por um encontro entre Donald Rumsfeld, então secretário da Defesa, e Jay Garner, general nomeado para chefiar o que seria uma autoridade civil para a reconstrução. O relatório indica que Garner apresentou a Rumsfeld diversos planos de reconstrução, entre eles um que custaria bilhões de dólares, e o secretário respondeu: “Meu caro, se acha que vamos gastar um bilhão de dólares por lá, está muito enganado.” Mas, antes do final daquele ano, os EUA já tinham alocado US$ 20 bilhões para a reconstrução.

Os efeitos secundários da invasão e de suas conseqüências estiveram entre os fatores mais importantes responsáveis pela mudança radical no panorama. Tabelas contidas no relatório mostram que a produção de eletricidade e petróleo, o acesso público à água potável e aos serviços de telefonia móvel e fixa foram reduzidos 70% nas semanas após a invasão.

Quando um governo iraquiano soberano assumiu o controle em junho de 2004, nenhum desses serviços – com a exceção da telefonia móvel – tinha retornado ao nível de atividade anterior à guerra.

Jamais poderemos saber se a iniciativa de reconstrução poderia ter sido bem sucedida num contexto menos violento. Em abril de 2004, aqueles milhares de membros das forças de segurança do Iraque cujo número o Pentágono havia superestimado foram sobrepujados, se amotinaram abruptamente ou simplesmente abandonaram seus postos quando teve início a insurgência, conduzindo o Iraque por uma trilha de violência da qual o país ainda não se recuperou completamente.

 

EUA treinam exércitos da África contra islâmicos

A milhares de quilômetros do Iraque e do Afeganistão, um outro lado da guerra dos EUA contra o terrorismo se desenrola neste canto remoto da África ocidental. Boinas verdes americanos treinam exércitos africanos a vigiar as fronteiras e patrulhar áreas desérticas contra a Al Qaeda, para que os EUA não precisem fazê-lo.

Um exercício conduzido recentemente por militares dos EUA em Kati, no Mali, fez parte de um plano amplo, traçado após o 11 de Setembro, para levar assistência e treinamento a países fora do Oriente Médio, como Filipinas e Indonésia. Na África, uma parceria de cinco anos e US$ 500 milhões entre os Departamentos de Estado e da Defesa abrange a Argélia, Chade, Mauritânia, Mali, Marrocos, Níger, Nigéria, Senegal e Tunísia -a Líbia está prestes a ingressar no grupo. Os esforços dos EUA para combater o terrorismo na região também abrangem programas não-militares, como formação de professores e treinamento profissional para jovens muçulmanos que poderiam ser alvos das campanhas de recrutamento de militantes.

Uma meta do programa é agir com presteza nesses países, antes que o terrorismo se entrincheire neles como já fez na Somália. E, diferentemente da Somália, o Mali se dispõe e tem capacidade para ter dezenas de treinadores militares europeus e americanos. Ex-colônia francesa, o país é uma democracia relativamente estável, embora ainda frágil, cujos líderes estão preocupados com os militantes que se refugiaram em sua desértica região norte após serem expulsos da fronteiriça Argélia.
Segundo autoridades americanas e malinesas, a maior ameaça vem de cerca de 200 combatentes da Al Qaeda no Magreb Islâmico. O Pentágono teme que um dos principais líderes do grupo, Mokhtar Belmokhtar, sofra pressão para lançar um grande ataque, possivelmente na Argélia ou na Mauritânia, para se firmar.

Capacitação

A Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) deve gastar neste ano US$ 9 milhões em programas antiterrorismo no Mali. Parte do dinheiro vai ampliar um programa já existente de formação profissional para criação de pequenos negócios; outra parte ajudará a formar professores em escolas muçulmanas a fim de conter o antiamericanismo nos locais. A agência também está construindo 12 estações de rádio FM no norte do país para interligar povoados distantes, e o financiamento do Pentágono vai produzir novelas radiofônicas com mensagens de paz.

“Os jovens do norte buscam empregos ou algo a fazer com suas vidas”, disse Alexander D. Newton, diretor da missão da Usaid no Mali. “Essas pessoas podem estar abertas a mensagens de segurança econômica.” Diplomatas americanos e africanos disseram que o Mali é um dos poucos países da região que tem boas relações com seus vizinhos, o que o torna um catalisador da cooperação mais ampla de segurança regional que os EUA procuram fomentar.

Embora sem uma frota de helicópteros efetiva, por exemplo, o país poderia usar seus soldados em conjunto com exércitos vizinhos mais bem equipados, como a Argélia. “Se não ajudarmos esses países a trabalharem em conjunto, o problema se tornará muito pior”, disse o tenente-coronel Jay Connors, oficial sênior das forças especiais americanas.

Contudo, autoridades americanas e malinesas admitem haver outros obstáculos. O Pentágono ainda precisa explicar melhor o papel de seu novo Comando África, criado em outubro para supervisionar as atividades militares no continente. As autoridades americanas dizem que sua estratégia é conter a ameaça da Al Qaeda e treinar exércitos africanos, um processo que vai levar anos.
“Este é um esforço de longo prazo”, disse o coronel Connors, especialista em África. “É um processo de engatinhar, caminhar e correr, e, por ora, ainda estamos engatinhando.”

Fonte: Folha de São Paulo

 

Plano para defesa ainda não tem verba

Na última quinta-feira, o ministro Nelson Jobim apresentou ao presidente Lula a Estratégia Nacional de Defesa. O documento, antecipado pela Folha, traça as diretrizes de ações para suprir as debilidades do sistema de defesa brasileiro, que necessita de recursos.

Uma das propostas era que o orçamento do Ministério da Defesa passasse a ser um percentual fixo do PIB (Produto Interno Bruto), o que não vingou.

Os militares se queixam de não haver alocação continuada de verba para aparelhar as Forças Armadas. Sem contar a forte demanda por recursos para a construção de um submarino nuclear e a reativação da indústria bélica, como prevê a Estratégia Nacional de Defesa.

Fonte: Folha de São Paulo

 

8 AAC substitui A 109 por Dauphin

O “8 Flight Army Air Corps”, unidade aérea do Exército Britânico, está recebendo quatro novos helicópteros Eurocopter AS 365N3 Dauphin. Estas aeronaves substituirão quatro Agusta A 109A atualmente em atividade. 8 AAC apóia e dá suporte às operações do SAS, também baseado em Hereford.

Dos quatro A 109 em atividade, dois foram capturados dos argentinos durante a Guerra das Falklands/Malvinas. Na foto acima aparece um dos dois exemplares do 8 AAC capturados em 1982. Todos eles apresentam pintura padrão civil e são facilmente identificados pelas quase imperceptíveis marcações externas. Além dos A 109, o 8 AAC também utiliza dois Gazelle.

Foto: Airliners.net

 

Brasília, 11/12/2008 – O Conselho de Defesa Nacional, órgão de consulta do Presidente da República nos assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do Estado democrático, aprovou nesta quinta-feira (11/12), por unanimidade, a proposta da Estratégia Nacional de Defesa, elaborada por um comitê interministerial criado em setembro de 2007. Foi a primeira reunião do Conselho desde 2003.

A proposta foi apresentada ao Conselho pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que presidiu o comitê, e teve uma explanação complementar feita pelo ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, coordenador do trabalho.

A proposta, que tem como eixos principais a reestruturação das Forças Armadas, o complexo industrial de Defesa e o serviço militar, deverá ser lançada oficialmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 18 de dezembro, em cerimônia no Palácio do Planalto. “O Brasil vai ter um plano de Defesa de acordo com o seu tamanho e a sua necessidade”, disse o presidente, ao encerrar a reunião de duas horas na qual a proposta foi discutida e aprovada.

O texto, com mais de 90 páginas, prevê que as diretrizes da Estratégia serão implementadas por meio de 23 atos legais e administrativos a serem apresentados até o fim do próximo ano. Dez deles deverão ser apresentados até março de 2009. Entre as propostas, estão os projetos de lei que alterarão a legislação tributária e a Lei de Licitações para privilegiar a indústria nacional de defesa, de modo a permitir a consolidação desse setor industrial estratégico para o país.

Segundo o ministro Jobim, essa interligação entre a Defesa e a atividade industrial e de tecnologia, é fundamental para o Brasil. “A defesa é o escudo do desenvolvimento, pois permite que o país tenha capacidade de dizer não e de defender os seus interesses. E além disso, o desenvolvimento e a defesa são inseparáveis, pois os avanços tecnológicos de um beneficiam o outro, e quem ganha é todo o país”, disse Jobim.

Participaram da reunião, além do presidente Lula, os demais integrantes do Conselho de Defesa Nacional conforme constam na Constituição, a saber: o vice-presidente da República, José Alencar; o Presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia; o Presidente do Senado Federal, Garibaldi Alves; o Ministro da Justiça, Tarso Genro; o ministro da Defesa, Nelson Jobim; o secretário-geral do ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães; o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo; o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Félix; os Comandantes da Marinha, Almirante de Esquadra Júlio de Moura Neto; do Exército, Genera de Exército Enzo Martins Peri; e da Aeronáutica, Tenente Brigadeiro do Ar Juniti Saito.

Também participaram, como convidados do presidente, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, e o secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Francisco Franco.

FONTE: Ministério da Defesa

 

Hand in Hand 2008

Índia e China estão conduzindo treinamento anti-terrorismo conjunto, na Operação denominada “Hand in Hand 2008″, no distrito de Belgaum, na Índia.
O treinamento, que começou no dia 6 de dezembro e vai até o dia 14, permitirá o aumento na troca de informações e cooperação no combate ao terrorismo.

NOTA DO BLOG: De muito bom gosto o novo uniforme chinês, com camuflagem digital. Na primeira foto aparecem também em destaque os novos fuzis QBZ-95, com calibre 5,8mm, ligeiramente diferente do 5,5mm usado no Ocidente. O QBZ-95 tem design Bullpup e o cartucho leva 30 projéteis. Ele pesa 3,77kg carregado.

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