Iraque: Obama anuncia saída para 2011

Pelo menos 91 mil iraquianos e 4.500 soldados norte-americanos mortos, US$ 656 bilhões gastos e quase seis anos depois de os EUA invadirem o Iraque sob falso pretexto, no dia 20 de março de 2003, o país fixa um prazo para a retirada da maior parte de suas tropas. Será até o dia 31 de agosto de 2010, anunciou ontem o presidente Barack Obama. O restante sairá no final de 2011, prometeu.
O democrata cumpre assim, parcialmente, sua promessa de campanha, de que retiraria em 16 meses a maior parte dos soldados do Iraque. Serão 19 meses, e entre 35 mil e 50 mil militares devem continuar naquele país -não em missão de combate, segundo Obama, mas de “apoio”. Na hipótese maior, é ligeiramente mais do que um terço dos atuais 142 mil homens e mulheres de farda hoje, o que foge da definição de “força residual” com a qual o então candidato acenava dos palanques, no ano passado.
Ainda assim, é um avanço, a primeira vez que uma data oficial de retirada é anunciada por um ocupante da Casa Branca desde a invasão. “Deixe-me dizer tão diretamente quanto possível: em 31 de agosto de 2010, nossa missão de combate no Iraque terminará”, afirmou Obama, sob aplausos, em cerimônia no campo Lejeune, de fuzileiros navais, na Carolina do Norte. No início do discurso, ele havia avisado: “Hoje, eu venho aqui falar a vocês como a guerra no Iraque terminará”.
Mas Obama evitou dizer que a guerra acabou. Ele se lembra do custo político do anúncio de George W. Bush, feito em 1º de maio de 2003 no porta-aviões Abraham Lincoln, tendo como pano de fundo uma faixa que dizia “Missão Cumprida”: “As principais operações de combate no Iraque terminaram”.
Nos próximos anos, o país sairia de controle, e a organização terrorista Al Qaeda, até então ausente do Iraque, se instalaria ali. Hoje, Obama se aproveita da relativa calma e do relativo sucesso proporcionado tanto pela escalada de tropas ordenada por Bush em 2007 como pela série de acordos entre líderes sunitas para coibir a violência, iniciados em 2005.

FONTE: Folha de São Paulo

 

Fantasma do Vietnã ainda ronda Iraque

Virou senso comum dizer que o Afeganistão corre o risco de ser a Guerra do Vietnã de Barack Obama, no sentido de que, como o republicano Richard Nixon em 1969, ele vai tomar para si o comando de um conflito que não iniciou e que não tem muita chance de vencer.
Ontem, ao anunciar aos marines do campo Lejeune, na Carolina do Norte, que vinha falar “como a guerra no Iraque terminará”, o presidente democrata tocou cinco vezes no tema Afeganistão. É que em poucas semanas 8.000 soldados daquela base serão enviados para o conflito, já parte da escalada ordenada por Obama.
“Há muitas lições a serem aprendidas com o que vivemos” no Iraque, disse Obama aos soldados. “Aprendemos que os EUA devem ir à guerra com metas claramente definidas, razão pela qual eu ordenei uma revisão de nossa política no Afeganistão.” É preciso ser honesto sobre o custo da guerra, disse.
Outra lição é não deixar o serviço pela metade, algo que Obama não mencionou ontem, mas que pode vir morder seu calcanhar nos próximos meses.
Com exceção da queda de Saddam Hussein, bem-vinda e aplaudida pela maioria da opinião pública mundial, nenhum dos objetivos declarados pelos EUA para invadir o Iraque foi cumprido.
Sim, o país está mais estável, seguro e funcional do que após a invasão -mas esses são problemas que foram criados pela própria invasão. As metas mais amplas e que teriam justificado historicamente o custo humano e financeiro do conflito nunca saíram do papel.
A democracia não chegou ao Oriente Médio -há dúvidas mesmo de que tenha chegado ao Iraque-, e essa região não está mais estável porque o regime iraquiano é simpático a Washington, como haviam prometido Bush, Cheney e companhia.
Uma opção para o atual presidente seria a retirada imediata das tropas, o que o desvincularia de um conflito com o qual não tem nada a ver e do qual foi crítico de primeira hora, já em 2002. Ao sair, mas não sair muito, como anunciou ontem, Obama pode ver o Iraque, e não o Afeganistão, virar sua Guerra do Vietnã. (SD)

FONTE: Folha de São Paulo

 

Decolagem do Cougar da AvEx