Mapeamento da ‘Cabeça do Cachorro’

Começa o processamento das primeiras imagens

O Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) divulgou hoje, 27, que já estão sendo processadas as primeiras imagens aéreas de radar na banda “P” (com capacidade de atravessar a cobertura florestal, coletando informações a partir do solo) da cartografia terrestre da Amazônia Legal, feitas na região conhecida como Cabeça do Cachorro, no Amazonas. A informação foi divulgada pelo diretor de Produtos do Sipam, Wougran Galvão, durante sua palestra no Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, promovido pelo Inpe, em Natal (RN). Segundo o diretor, são 70 mil quilômetros quadrados de área imageada que estão sendo processadas pelo Exército. A previsão é atingir 700 mil quilômetros quadrados de coleta de imagens de radar na banda “P”, até o final do ano. “Ao todo, são 1.100 mil quilômetros quadrados a serem coletados por sistema sensor de radar operando na banda “P”, ressaltou Wougran.

O Projeto da Cartografia da Amazônia, lançado em setembro do ano passado pelo Presidente Lula já destinou, desde o começo até hoje, R$ 74,6 milhões, e, para 2009, ainda estão previstos mais R$ 54,6 milhões. O investimento reservado para concluir a cartografia náutica, geológica e terrestre é de R$ 350 milhões. Wougran também destacou que até o final do primeiro trimestre de 2010 a Marinha terminará a construção de quatro barcos que serão responsáveis pela execução da cartografia náutica da Região. “Os mapas náuticos são da década de 60 e 70, estão muito desatualizados. Além disso, grande parte do escoamento da produção e do descolamento da população é realizada pelos rios”, argumentou.

Segundo Wougran, o mapeamento permitirá ao Brasil conhecer os 1,8 milhão de quilômetros quadrados da Amazônia Legal que não possuem informações cartográficas terrestres, náuticas e geológicas (Amazônia possui 5,2 milhões de quilômetros quadrados). O principal objetivo do Projeto é acabar com os vazios cartográficos e contribuir para o desenvolvimento e proteção da Amazônia. “É uma questão estratégica ao país produzir essas informações, pois a cartografia terrestre se concentra em áreas de fronteiras”, afirmou Wougran. De acordo com ele, as cartografias vão auxiliar no planejamento e execução dos projetos de infraestrutura como rodovias, ferrovias, gasodutos e hidrelétricas, além da demarcação de áreas de assentamentos, áreas de mineração, agronegócio, elaboração de zoneamento ecológico, econômico e ordenamento territorial, segurança territorial, escoamento da produção e desenvolvimento regional.

As informações ainda ajudarão no conhecimento da Amazônia brasileira e na geração de informações estratégicas para monitoramento de segurança e defesa nacional, em especial nas fronteiras. O trabalho é coordenado pelo Sipam, órgão ligado à Casa Civil da Presidência República, e os executores são o Exército, a Marinha, a Aeronáutica e o Ministério de Minas e Energia, através da CPRM (Serviço Geológico do Brasil).

FONTE: Rondoniadinamica.com.br

 

A evolução do conceito de poder

Num mundo em que a interdependência entre os Estados – particularmente no plano econômico – é cada vez maior, parece mais difícil a um país impor completamente a sua vontade aos outros. O poder parece exercer-se de maneira menos coercitiva e menos violenta. Assim, o uso da força para responder a ameaças não militares torna-se cada vez menos previsível.

O poder tende a tornar-se a matriz das interdependências, o que se traduz em processos menos diretivos de dominação. Já não basta afirmar e conquistar, é preciso negociar, convencer e tentar controlar as regras do jogo neste ou naquele domínio. Isso é particularmente verdadeiro nos âmbitos econômico, comercial e técnico, que ocupam um lugar considerável nas relações internacionais contemporâneas. Esta é a tese defendida pelo politólogo americano Joseph Nye em Bound to lead, the changing nature of the american power (1990). Ele também desenvolveu mais tarde, em 2004, o conceito de “Soft Power”, no livro Soft Power: The Means to Success in World Politics.

Observa-se igualmente que os Estados procuram  hoje menos  o poder como um meio de expansão do que como forma de proteção e de “santuarização”. Doravante, um país será poderoso se conseguir escapar às pressões que se pretenda fazer recair sobre ele. Daí uma situação paradoxal: os Estados ocidentais hesitam em comprometer-se na cena internacional quando seus interesses não estão diretamente em jogo. A sua relutância em disponibilizar tropas para operações  de manutenção da paz são disso uma ilustração.

Em próximo post, os elementos do poder.