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Bolívia nega fornecimento de urânio ao Irã

O governo da Bolívia negou, nesta segunda-feira, que o país produza urânio, desmentindo as suspeitas do Ministério das Relações Exteriores de Israel de que, junto com a Venezuela, o país forneceria o produto para o programa nuclear do Irã.

“A informação é falsa. A Bolívia não produz urânio. Produz lítio, cobre, ferro, estanho, zinco, mas urânio ou qualquer outro item radioativo não”, afirmou à BBC Brasil a assessoria de imprensa do Ministério de Minério e Metalurgia, com sede em La Paz.

As suspeitas foram levantadas após serem divulgadas informações, nesta segunda-feira, de que o governo de Israel teria indícios de que Bolívia e Venezuela estariam fornecendo urânio para o Irã.

Até o momento, não foi divulgada nenhuma reação oficial do governo da Venezuela.

Exploração

Também nesta segunda-feira, no entanto, o governo do Departamento (Estado) de Potosí, no sudoeste do país, informou que tem planos de iniciar ainda este ano a exploração de urânio no município de Antonio Quijarro.

O secretário de Minério e Metalurgia de Potosí, Carlos Colque, afirmou à rádio “Fides” que a existência do elemento na região ainda precisa ser confirmada. “Existe a possibilidade de confirmarmos reservas de urânio (na região). O governo de Potosí assumiu esse projeto (de exploração) que tem um custo de 2 bilhões de bolivianos (cerca de R$ 570 milhões)”, afirmou. Segundo ele, se for confirmada a existência do elemento, ele poderia começar a ser produzido em 2010.

Relações com o Irã

Em entrevista à BBC Brasil, o analista político e econômico Carlos Alberto López, ex-vice-ministro de Energia da Bolívia, afirmou que o país tem mantido “relações inéditas” com o governo iraniano nos últimos anos.

“Esta relação foi impulsionada pela aproximação do governo da Venezuela com o governo do Irã”, disse. Segundo López, ocorreram várias visitas de autoridades iranianas nos últimos três anos à Bolívia.
“Essas visitas geraram muitas especulações. Mas, oficialmente, além da simpatia mútua e de declarações de apoio, que se saiba, não ocorreu nada concreto”, afirmou.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, visitou a Bolívia em setembro de 2007 e também esteve na Venezuela, Nicarágua e Equador.

O presidente boliviano, Evo Morales, fez sua primeira visita oficial ao Irã em setembro do ano passado.

Israel

O governo boliviano anunciou, no último mês de janeiro, o rompimento das relações diplomáticas com Israel, em protesto contra a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

FONTE: UOL

 

CS condena teste nuclear da Coreia do Norte

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou nesta segunda-feira (25) a violação de suas resoluções com o teste nuclear realizado pela Coreia do Norte, informou o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Tchourkine, que preside o organismo.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a comunidade internacional deve empreender ações contra a Coreia do Norte, no dia em que o regime norte-coreano anunciou seu segundo teste nuclear em quatro anos.

Obama, em pronunciamento lido na Casa Branca, disse que a atitude do regime de Pyongyang foi “irresponsável” e uma “violação do direito internacional”.

O anúncio da Coreia do Norte sobre o teste gerou uma onda de protestos pelo mundo. Até mesmo a China, tradicional aliada norte-coreano, expressou sua “firme oposição” ao teste nuclear subterrâneo. Pequim pediu à Coreia do Norte que “não envenene” a situação regional.

Pyongyang confirmou ter realizado “com sucesso” seu segundo teste nuclear, segundo a agência estatal norte-coreana “KCNA”. O país comunista também informou que a explosão foi ainda mais forte – em poder e tecnologia – que a realizada em 2006.

O governo norte-coreano afirmou que o teste foi “seguro”, sem vazamento de material radioativo.

“Como tinham solicitado nossos cientistas e técnicos, nossa república levou a cabo com sucesso outro teste nuclear subterrâneo neste 25 de maio, como parte das medidas para fortalecer o poder nuclear em defesa própria”, disse a KCNA, sem fornecer detalhes sobre a região afetada pela prova.

Baek Seung Joo, especialista do Instituto de Análise de Defesa Coreano de Seul, afirmou à France Presse que a potência desta explosão é comparável a das bombas que caíram sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945.

O ensaio ocorreu a menos de 2 quilômetros do local do primeiro teste norte-coreano, em outubro de 2006, segundo a Comissão Preparatória da Organização para a Proibição de Testes Nucleares.

Naquela ocasião, um teste semelhante desencadeou uma série de sanções internacionais ao país.

A Coreia do Sul também confirmou que o país vizinho disparou mísseis de curto alcance (131 km), informação não confimada pelo governo norte-coreano. Em março, o país já havia provocado temor ao testar mísseis de longo alcance .

O premiê japonês, Taro Aso, disse que o teste “viola claramente” as resoluções do Conselho de Segurança (CS) da ONU, entre elas a aprovada após o primeiro teste atômico de 2006. Aso disse que Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos buscarão dar uma resposta coordenada ao ato.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se declarou na Dinamarca “profundamente preocupado” com o anúncio e afirmou que acompanha a situação de perto.

Terremoto

Logo após o teste nuclear norte-coreano, sismógrafos de Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Rússia registraram ao menos um grande tremor de terra, que não causou vítimas nem provocou danos.

A Agência Meteorológica do Japão detectou ondas sísmicas procedentes da Coreia do Norte, pouco depois do teste, segundo um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores.

A Agência sísmica da Coreia do Sul registrou um tremor de 4,5 graus de magnitude na escala Richter, poucos antes das 10h (22h de Brasília de domingo, 24). O porta-voz da Casa Presidencial sul-coreana, Lee Dong-Kwan, disse que às 9h54 seu governo detectou um “terremoto artificial” perto de Poongkye-Ri, na província Norte de Hamkyong.

O Instituto Geológico dos EUA confirmou que um terremoto de magnitude 4,7 sacudiu a Coreia do Norte, a 375 km a nordeste de Pyongyang, às 9h54 (21h54 de Brasília), a 10 km sob a superfície terrestre.

A estação sismológica Yuzhno-Sajalinsk, no extremo oriental da Rússia, registrou um terremoto de 4,7 graus às 11h54, a uma profundidade de 10 km, no território norte-coreano, devido “aparentemente” a uma explosão.

Ameaça

O regime comunista norte-coreano tinha ameaçado, no dia 29 de abril, levar a cabo um teste nuclear depois que o Conselho de Segurança da ONU condenou seu lançamento de um foguete de longo alcance no dia 5 de abril.

Estados Unidos, China, Japão, Rússia e Coreia do Sul iniciaram em 2003 negociações com a Coreia do Norte para tentar persuadir o regime comunista de Pyongyang a abandonar o programa nuclear, em troca de uma ajuda no setor energético.

Em 2007 as partes assinaram um acordo, segundo o qual Pyongyang desmantelaria as instalações nucleares, mas o mesmo nunca foi concretizado.

Atualmente as conversações estão bloqueadas, suspensas por Pyongyang.

FONTE: G1

 

No dia 20 de maio de 2009, o CC (FN) André Freitas e o CT (FN) Simioni se apresentaram na Embaixada Brasileira e no Quartel-General das Nações Unidas no Sudão, com o propósito de integrarem a Missão das Nações Unidas no Sudão (UNMIS), como Observadores Militares. Os oficiais foram recebidos pelo 3º Secretário Pedro Henrique Yacubian, maior autoridade presente do Ministério das Relações Exteriores do Brasil atualmente naquele país.

 

Recrutamento no Século XXI

tio samO clássico cartaz do Tio Sam com uma estrelada cartola azul e branca convocando rapazes americanos para integrar o Exército dos EUA nunca pareceu tão ultrapassado. Para superar a falta de prestígio que tomou conta das instituições militares americanas após a guerra no Iraque e conseguir uma aproximação maior de seu público-alvo, o Pentágono está investindo em plataformas populares da internet para recrutar jovens.

Agora, é possível encontrar páginas do Exército, da Marinha, da Forças Aérea e de muitos outros departamentos militares em sites como o sistema de microblog Twitter, o canal de vídeos YouTube e as redes de relacionamento Facebook e MySpace.

“O Departamento de Defesa dos EUA está usando as mesmas ferramentas online utilizadas pelas pessoas que eles querem recrutar”, disse ao Estado, por telefone, Andrew Rasiej, fundador do Personal Democracy Forum, que discute o uso das novas tecnologias na política. “Não fazer uso dessas plataformas seria tão ridículo quanto não ter usado o telefone ou o correio há 25 anos”, afirma.

No começo do ano, o Exército americano criou uma divisão dentro de seu Departamento de Relações Públicas para cuidar de assuntos online e sociais.

O diretor da unidade, o coronel Kevin Arata, afirmou que a busca por novas plataformas na rede é contínua e o objetivo não é apelar apenas para os soldados, mas também para suas famílias. “Nós sabemos onde eles estão e precisamos ir até eles”, afirmou Arata à agência de notícias Associated Press.

“O nível de eficiência desse método é extremamente alto porque permite ao Pentágono identificar os interesses específicos de cada possível recruta”, explicou Rasiej. “A aproximação com o público também é muito maior porque os agentes que cuidam do recrutamento não precisam mais ficar limitados a palestras em faculdades ou encontros ocasionais com os interessados. Na internet, o contato pode ser feito todo o tempo, a qualquer hora.”

Além de ter lançado sua própria página no Facebook, o Exército americano também adicionou à sua página na internet jogos, uma ferramenta para facilitar o recrutamento online e uma seção que responde às perguntas mais comuns.

Entre as dúvidas dos candidatos estão questões curiosas, como se é permitido ter animais de estimação depois de alistado ou se o soldado pode se casar enquanto estiver servindo ao país.

“Essa rede online que está sendo montada pode ser muito útil para o Departamento de Defesa no futuro”, afirmou Julie Barko Germany, diretora do Instituto para Política, Democracia e Internet da Universidade George Washington. “O Pentágono pode fazer uso dessa plataforma para estabelecer um canal mais direto com o povo americano e com o mundo ao divulgar suas ações de maneira mais transparente.”

A crise econômica mundial que atingiu os principais mercados globais também pode ser um fator extra no aumento de recrutas militares. Desde a invasão americana no Iraque, em março de 2003, o Exército foi alvo de muitas críticas por causa da alta impopularidade das operações militares.

“Desde então, o Pentágono vem tendo muita dificuldade para recrutar novos soldados”, afirmou Rasiej. Contudo, de acordo com ele, o cenário atual da economia do país pode reverter o quadro negativo.

“Sempre quando a economia vai mal e faltam empregos, é natural que o número de pessoas interessadas em trabalhar em setores militares aumente“, afirmou.

FONTE: O Estado de São Paulo

 

Solução da Decisão Tática (1)

A solução selecionada, entre varias, pela publicação profissional que propôs o desafio foi a que segue abaixo, de autoria de um Comandante de Subunidade.

“Abordando os conceitos de Guerra de Manobra, a situação apresentada nos demonstra que o Centro de Gravidade inimigo reside na capacidade de engajamento a certa distância (através de seus Morteiros 81mm e armas antiaéreas) e no fato de que suas forças, segundo informes, estarão concentradas próximo aos PCot 307, 425 e a sudoeste da localidade de SATURNO. Suas Vulnerabilidades Críticas podem ser definidas como a necessidade de domínio das elevações ao redor da localidade (para usar com eficácia seus Morteiros, armas antiaéreas e impedir o pouso e decolagem dos helicópteros do governo) e a presença indiscriminada de minas na região, o que de certa forma canaliza os movimentos para as estradas.

Devido aos informes de não haver, por enquanto, movimento inimigo na região e de acordo com as definições contidas no Manual para a Instrução de Operações de Paz de Fuzileiros Navais, onde uma tropa que realiza uma Operação de Manutenção de Paz deve ser facilmente identificável, possuir clareza de propósitos e contar com variáveis do tipo alto consentimento, baixa força e alta imparcialidade, a manobra ocorreria da seguinte forma:

1) Seriam posicionados na encosta sudoeste do PCot 425 um PelFuz(-) e uma Seção MAG, para ocupar e manter a elevação e prover a vigilância no setor oeste e sudoeste, incluindo a ESTRADA JÚPITER caso a tenha em seu visual. Um GC deste PelFuz seria destacado para realizar patrulhas na localidade e divulgar o propósito da operação.

2) Seriam posicionados nas encostas sul e oeste do PCot 307 um PelFuz(-) e uma Seção MAG para ocupar e manter a elevação e prover a vigilância do setor oeste ao setor sul, incluindo a ESTRADA JÚPITER caso a tenha em seu visual. Na encosta nordeste deste PCot ficaria a Seção Mrt60mm em apoio direto e um GC deste PelFuz estabeleceria um PTran na ESTRADA JÚPITER.

3) O PCot 580 seria ocupado e mantido com um GC, que faria a vigilância da porção mais ao norte do RIO AZUL e do CAMINHO DA DÚVIDA. O PCot 290 seria ocupado e mantido com um GC mais uma Seção MAG, que fariam a vigilância da porção mais ao sul do RIO AZUL e da porção leste da ESTRADA JÚPITER. O GC restante estabeleceria um PTran junto ao entroncamento CAMINHO DA DÚVIDA/ESTRADA JÚPITER.

4) Solicitaria ao Escalão Superior que coordenasse junto com o governo do país, um eixo de aproximação das aeronaves na direção geral leste-oeste e afastamento na direção geral oeste-leste para aumentar o grau de segurança para os He.
Desta forma, os Centros de Gravidade INI estariam neutralizados e por conseqüência o seu Ciclo OODA paralisado, pelo menos durante o período de realização das eleições.”

Comentário final e a opinião pessoal do nosso leitor Marine:

Primeiramente gostaria de explicar aos não militares como o planejamento de uma operação dessas toma forma e vou usar o método em inglês para que nada seja perdido na tradução. Gostaria de dizer também que as FAs brasileiras utilizam de modos semelhantes e adaptados da doutrina americana.

As FAs utilizam da metodologia conhecida como METT-TSL para planejar essa operação:

1-Mission

2-Enemy
a)Size, Activity, Location, Unit, Time, Equipment SALUTE

3-Terrain & Weather
a)Key terrain
b)Observation and fields of fire
c)Cover and concealment
d)Obstacles
e)Avenues of approach

4-Troops and Fire support available

5- Time available

6- Space

7- Logistics

Apos essa analise completa, decida o “Point of Main Effort”.

Agora vem a parte que é impossível de se realizar por uma mapa em um Jogo de Decisão Tática pois não ha como fazermos o reconhecimento a olho, não temos idéia da vegetação, inclinação e esse tipo de coisa então em um jogo temos que supor e assumir.

O próximo passo seria completar o plano e dar a ordem seguindo outro modelo OSMEAC:

Orientation
Situation (Geral, forcas inimigas e amigas incluindo quem esta próximo e te apoiando)
Mission (Who, what, when, where, why)
Execution (mais uma vez Point of Main Effort)
Administration and Logistics
Command and Signal

Agora apesar disso tudo ha um ponto que se aplica em especial a situações assimétricas/guerrilha/manutenção da paz, enfim operações não convencionais de guerra clássica. O ponto mais importante que não esta incluída em toda essa metodologia e o chamado “Terreno Cultural”.

A resposta e a ação dependera completamente desse terreno cultural, não temos como adivinhá-lo pois o jogo menciona um pais “amarelo” e não um Haiti, Iraque, Afeganistão, Somália ou o que seja, então por definição ao tentarmos o jogo desconhecemos completamente da moral da população e do inimigo, não temos a menor idéia de sua historia e tradição de luta entre a miríade de pontos que fazem tal cultura única.

Eu imagino que a decisão “oficial” e os que criaram o jogo tinham em mente um terreno cultural como um Haiti. O plano “oficial” na minha opinião só funcionaria com um inimigo que seja intimidado com a mera presença da CiaFuz já que tal plano ocupa o terreno e assume que isso seja suficiente para o cumprimento da missão.

Tenho em mente que os organizadores originais do Jogo imaginaram forcas de oposição quase que criminosas, narco-guerrilhas ou simplesmente como disse antes intimidados com a presença de uma FA profissional. Se e essa a oposição o plano funcionaria mediante a missão.

Caso tal inimigo for um grupo de fanáticos religiosos como no Afeganistão ou alguns grupos no Iraque na minha opinião profissional o plano seria completamente diferente. Agora que temos a resposta oficial com o tipo de inimigo citado acima vou expor uma segunda opinião sobre como daríamos com um inimigo de diferente terreno cultural.

Seguindo o modelo METT-TSL e OSMEAC minha opinião profissional contra um inimigo já ocupando o terreno e que não aceitaria a entrada da CiaFuz sem contestação seria:

Mission: Defesa de SATURNO e estradas/acesso ao vilarejo.
Enemy: 100-150 ocupando posição 307 e possivelmente 425 a SW do vilarejo, armas leves e morteiros 81mm, AAA desconhecidas.
Terrain & Weather: K- 307
O- Terreno montanhosos com vegetação.
C- Vegetação e possíveis rochas/pequenas cavernas.
O- Minas e vegetação.
A- JUPITER e trilha entre 425 e 307.
Troops & Fire support available: Point of Main Effort – PCot 307.
Time Available: 3 dias
Space: Vale cercado por montes e vegetação, ~ 5km E-W e ~5km N-S.
Logistics

O “Scheme of Maneuver” seria

Primeira fase: 1st Pelotão + Sec. MAG posicionaria-se ao sul de 307. 2nd Plt. a oeste de 307. 3rd Plt. + Sec. MAG a oeste de 425 e norte do 2nd pelotão. Seção de morteiros 60mm + Comando posicionaria-se a oeste de 307 entre JUPITER e 2nd Pelotão. Formando um “L”.

Segunda fase: Disparos de pouca duração de morteiros 60mm em 307 entre 0100 e 0200 hrs. OP/LP dos 1st e 2nd Pelotão atentos ao resultado desses “tiros de reconhecimento”, caso não escutem/vejam nada pelotões 1 e 2 iniciam movimentação em coluna tática ate o ultimo ponto com “concealment” antes de iniciar ataque a 307, caso ha resposta do inimigo aos disparos de reconhecimento dos 60mm, pelotões 1 e 2 iniciam movimentação de ataque (ditada pelo terreno) agora apoiados por bombardeio sustentável de 60mm a 307.

Apos PCot 307 tomada em caso de resistência inimiga ou ocupada em caso de abandono/rendição inimiga, pelotão 1 e 2 mais seção de comando, morteiros e MAG posicionam-se em 307 para defendê-la de contra-ataques, observar 425 e apoiar 3rd pelotão que ate agora encontrava-se em reserva ao N de JUPITER e O de 425.

Terceira fase: PCot 425 recebe fogo de reconhecimento de 60mm e fogo de área de MAG entre as 1900-2000 hrs. caso não ter sido observado movimentação inimiga. Mesma técnica utilizada na segunda fase agora utilizada pelo 3rd pelotão ocupando ou tomando PCot 425 com apoio de 60mm e MAG agora em 307. Uma vez 425 ocupada, 3rd pelotão prepara-se para defendê-la, observar o vilarejo de SATURNO e apoiar em reserva se necessário os próximos passos.

Quarta fase: Se possível ainda durante cobertura noturna 1st e 2nd Pelotão movimentam-se em coluna tática ou ditado pelo terreno a posições Sul de SATURNO e Sudeste de 307 realizando patrulhas de reconhecimento na área. Sec. de comando, morteiros e MAG continuam em 307 para possível apoio a 1st e 2nd Pel.

Quinta fase: 2nd Pelotão posiciona-se dentro do vilarejo de SATURNO para realizar operações de SASO (Security and Stability Operations) em preparação para eleições.

End State: PCot 425: Sec. de morteiros, 1 MAG e 2 GC do 3rd Pelotão.
PCot 560: 1 GC do 3rd Pel.
SATURNO: Sec. comando e 2nd Pelotão.
PCot 307: 1 MAG e 1st Pelotão realizando patrulhas de reconhecimento ao SW de SATURNO.

Bem, esse plano assume certas coisas 1 – Que o Batalhão controle o terreno fora da minha área de operação, 2 – O inimigo não possui capacidade noturna, 3 – O inimigo não se encontra a Leste de SATURNO devido a inteligência dada e o mais importante assume que o inimigo mais uma vez não ira ceder sua iniciativa incontestavelmente.

Gostaria de lembrar que essa e minha opinião profissional e que também certos detalhes omiti já que planos devem ser flexíveis para que os subordinados possam adaptá-los ao tempo e terreno. Alias por isso existe a “intenção do comandante” para que assim os subordinados apliquem a melhor forma de chegar a tal intenção.

Pronto, ai esta uma maneira e não A maneira de ser realizada.

Já minha opinião pessoal é que se forem realmente guerrilheiros com um terreno cultural como no Afeganistão, por exemplo, a missão não tem grandes chances de ser cumprida, o inimigo já possui a iniciativa e o terreno chave, esta na defensiva e com conhecimento do terreno com números tão grandes quanto o seu. Para ele basta iniciar o bombardeio da cidade agora e não ficara um civil para votar ou simplesmente combates pesados sendo travados aos arredores do vilarejo e também na haverá eleição.

Enfim, isso e missão para um batalhão inteiro e a liderança foi falha quando permitiu tal iniciativa na mão do inimigo, a operação deveria ter sido montada antes da ocupação da área pela forca de oposição.

Para aqueles que dizem que isso e “apenas uma op. de manutenção da paz” digo que tenham cuidado com tal mentalidade e que lembrem-se do conceito de guerra de “3 Block War” em que e fácil tal operação passar de manutenção de paz/distribuição de ajuda para “peace enforcement” e finalmente combate aberto.

Semper Fidelis!

 

special forces afganistan

O fato de um general que fez carreira em operações especiais secretas ter sido escolhido para comandar as forças dos EUA e seus aliados no Afeganistão consagra a chamada Doutrina Petraeus, que põe a contrainsurgência no cerne do pensamento militar dos EUA.

“Os altos oficiais especializados em conflitos não convencionais estão agora no leme”, afirma o coronel reformado do Exército americano Andrew Bacevich, professor de relações internacionais da Universidade de Boston, sobre a nomeação de Stanley McChrystal.

Seria uma repetição do que aconteceu nos anos 60, durante a Guerra do Vietnã, depois que o presidente John Kennedy (1961-1963) pediu aos militares “uma estratégia completamente nova”. A derrota acabou afastando os EUA de envolvimento direto em guerras de guerrilha. Nos anos 90, prevaleceu a Doutrina Powell (de Colin Powell, ex-chefe do Estado Maior americano), que preconizava ações breves e pouco frequentes, com “força total” dos armamentos convencionais, usados nos combates entre Exércitos.

A guerra irregular -aperfeiçoada pelo general David Petraeus, hoje chefe do Comando Central, quando servia no Iraque- já era o foco de documento político assinado pelo secretário da Defesa, Robert Gates, em agosto de 2008. Agora, foi incorporada ao Orçamento de 2010 proposto por ele.

O projeto ainda dedica o grosso dos gastos à preparação para conflitos entre Estados, mas Gates pediu mais verbas para aviões não tripulados, como os usados em bombardeios na fronteira afegã-paquistanesa e para lanchas rápidas de combate. Também quer aumentar as Forças Especiais.

Bacevich vê a perspectiva de “um, dois, muitos Iraques”. “Petraeus e McChrystal aceitam a premissa de que uma guerra sem fim [contra grupos terroristas e outros inimigos dos EUA] é inevitável”, diz.

O ex-marine Robert Haddick, colaborador do site de militares Small War Journal, se diz menos preocupado. Ele acha que o eleitorado americano cansou e “não vai apoiar mais aventuras militares desnecessárias”. Para Haddick, as capacidades de contrainsurgência serão usadas no incremento das missões chamadas no jargão militar de “defesa estrangeira interna”, em que os americanos treinam e assessoram soldados de países aliados.

David Rothkopf, da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, diz que o futuro da doutrina dependerá dos resultados no Afeganistão. “Se funcionar lá, pode ser usada em outros lugares.”

FONTE: Folha de São Paulo
COLABOROU: Camilo

 

Ordinário, marche!

Quando ocorrem os combates na vida militar, é adotada uma “ordem de batalha”, ou seja, a disposição tática das tropas em relação às linhas do inimigo. Dependendo da situação, essa ordem pode ser aberta, cerrada, profunda, estendida, inversa ou oblíqua.

Para a execução da opção adotada, os soldados se deslocam a pé, a cavalo, motorizados ou em veículos blindados. Quando a pé, esses deslocamentos obedecem a uma ordem unida – quer dizer, são realizados de modo uniforme, sob determinado comando e cadência específica.

A progressão ou marcha “a pé firme” é executada de duas formas: “em acelerado” (ao comando de “acelerado, marche!”) ou “ao passo ordinário”, o habitual, ao comando de “ordinário, marche!” Na verdade, seria mais correto dizer “em passo ordinário, marche!”

Tal comando ocorre nos deslocamentos das tropas a pé, sobretudo em desfiles, em demonstrações de ordem unida e em marchas. São adotados pelo Exército Brasileiro três tipos de cadência em “passo ordinário”: com 80, 116 ou 120 passos por minuto — que podem, inclusive, ser acompanhados por banda de música.

Essa, a explicação do coronel e historiador Manoel Soriano Neto, segundo o Dicionário Histórico-Militar de José Rodrigues. Em tempo: há quem pense que esse “ordinário, marche!” é ofensivo, algo como “marche, vagabundo!” Ledo e ivo engano. Trata-se, isto sim, de uma demonstração de rigorosa disciplina coletiva, tão cara aos militares. Aqui, como ali e acolá — até na rigidíssima Coréia do Norte …

FONTE: Correio Brasiliense
COLABOROU: Camilo

 

Lugo destitui cúpula militar no Paraguai

Em poucos dias, o presidente Fernando Lugo conseguiu ficar sob o fogo cruzado de aliados, oposição e mesmo das Forças Armadas – tudo ao mesmo tempo. A destituição dos comandantes do Exército, da Marinha e do Corpo de Engenharia está gerando mal-estar entre os militares paraguaios e críticas de partidos da coalizão de governo. Sob a condição do anonimato, militares acusam o presidente de ter deixado cair sobre seus comandados toda a responsabilidade pelo uso de um quartel para um congresso de esquerda, embora – segundo eles – Lugo estivesse a par do encontro.

Lugo destituiu na quarta-feira o general Alfredo Machuca Doldán, o contra-almirante Rubén Carmelo Valdez e o coronel Felipe Santiago Cañete, chefe do Comando de Engenharia do Exército. A decisão veio após a polêmica despertada pela realização do II Acampamento Latino-Americano para Mudanças, que reuniu 1.500 jovens de países da América do Sul, no início do mês, na sede do Comando de Engenharia. A Constituição do país impede as Forças Armadas de se envolverem em atividades políticas, e o evento gerou uma rajada de críticas contra o governo.

Era tudo o que não precisava o presidente, um ex-bispo católico acossado por denúncias de paternidade e por pressão dos paraguaios que querem ver implementadas mais rapidamente as mudanças prometidas em campanha.

A oposição criticou especialmente o uso de bandeiras de partidos políticos e fotos de Che Guevara, Fidel Castro, Hugo Chávez e Evo Morales no encontro, em Tacumbú. E ícones socialistas e comunistas foram colocados na frente do quartel.

Para militares ouvidos pelo “ABC”, o presidente e comandante em chefe lavou as mãos” e deixou a responsabilidade recair sobre subalternos.

Machuca foi acusado de ter autorizado o evento, embora Valdez, que exercia o comando interino das Forças Armadas, tenha declarado que o congresso fora realizado “por ordem do presidente”. Lugo, no entanto, nega que soubesse do evento.

Três militares de alta patente consultados pelo jornal “ABC” acham difícil que o evento ocorresse sem o conhecimento do presidente. Até porque um dos organizadores seria o líder do P-Mas (partido da coalizão de governo) e ministro de Emergências, Camilo Soares, uma figura próxima a Lugo.

O comandante das Forças Militares, Cíbar Benítez, procurou distanciar Lugo do episódio e assegurou que foi a cúpula militar que autorizou o uso do prédio. Benítez, no entanto, admitiu que o presidente sabia do tema do encontro, e um boletim das Forças Armadas do dia 8 afirmava que Lugo havia dado ordens para a realização do evento.

Para a oposição, as destituições tiveram como objetivo preservar a imagem de Lugo. Já o ex-presidente da Corte Suprema Militar, Carlos Liseras, tentou minimizar a polêmica e lembrou que a ordem para uso do prédio fora assinada por Machuca e Valdez.

- Não se percebe mal-estar (nas Forças Armadas). O que pode haver é um certo desconforto sobre como o tema foi tratado – disse Liseras.

Se o evento gerou queixas da oposição, a destituição dos militares foi criticada por aliados de Lugo, um socialista que acabou com décadas de governo conservador.

Os partidos organizadores – P-Mas, Tekojoja e Partido Comunista Paraguaio – afirmam que não se tratou de um evento político partidário, mas de um encontro para debater a realidade nacional. Rocío Casco, do P-Mas, acusou a direita de tentar “criminalizar e estigmatizar setores críticos da juventude” e pediu que os jovens se mantivessem firmes. As legendas de esquerda se solidarizaram com os militares destituídos.

- Se esta foi a causa (da destituição), é um erro – criticou Sixto Pereira, vice-presidente do Senado e membro do Tekojoja, da coalizão de governo.

Najib Amado, do Partido Comunista, afirmou que o ministro Soares participou do encontro como convidado, assim como a ministra da Juventude, Karina Rodríguez – cujas cabeças estão sendo pedidas pela oposição.

- Parece-nos correto que as Forças Armadas abram suas portas – declarou Amado.

A controvérsia aumentou ainda mais com a notícia de que a Central Hidrelétrica de Yacyretá forneceu US$20 mil para a realização do congresso. Diante da polêmica, seu diretor, Carlos Cardozo, teria devolvido dinheiro do próprio bolso.

Essa foi a terceira mudança na cúpula militar desde que Lugo assumiu a Presidência, há nove meses. O general Juan Oscar Velázquez foi designado o novo comandante do Exército; o contra-almirante Claudelino Recalde Alfonso, da Marinha; e o coronel Roberto Miguel Bareiro, de Engenharia.

FONTE: O Globo, via Sinopse on-line

NOTA DO BLOG: Caso os comentários não sigam as regras da boa convivência, o texto ficará bloqueado para novas opiniões dos leitores. Atenham-se ao tema em questão.

 

1. INTRODUÇÃO

Desde que o Governo Brasileiro decidiu contribuir com a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), nossos soldados têm convivido com situações pouco convencionais. A complexidade do quadro psicossocial haitiano tem apresentado desafios constantes à nossa tropa, desde os níveis de comando até os escalões de execução.

O escopo deste artigo é o de repassar aos leitores a experiência de um comandante de subunidade blindada em operações de manutenção da paz no Haiti. Dessa forma, abordaremos o ambiente operacional, com suas principais ameaças contra a tropa. Discorreremos, ainda, sobre a organização da subunidade e as principais missões cumpridas por ela, descrevendo a forma de atuação das frações elementares.

2. AMBIENTE OPERACIONAL

A cidade de Porto Príncipe, capital do Haiti, caracteriza-se pela grande quantidade de favelas e bolsões de miséria, possuindo cerca de 2,5 milhões de habitantes.

Predomina, conseqüentemente, o ambiente urbano. As favelas apresentam construções de forma desordenada, com inúmeros becos, que por sua vez também ramificam-se irregularmente, sem qualquer padrão definido.

As duas principais favelas em que a tropa brasileira operava eram Bel Air e Cité Soleil. A primeira localiza-se próximo ao Palácio Presidencial, em uma área com predominância de morros, cujas construções são em sua maioria de alvenaria e dispondo de apenas alguns andares (de 5 a 7 metros de altura).

Na segunda o terreno apresenta-se plano, as construções são mais rudimentares, algumas de madeira e zinco. As ruas são mais permeáveis aos blindados, embora existam terrenos restritos devido à falta de consistência, criando verdadeiros atoleiros para as viaturas.

Em ambas, encontramos canais que dissociam e atrapalham o movimento das tropas, definindo compartimentos no terreno. Ainda como característica comum, citamos a imensa quantidade de lixo espalhada pela zona de ação, dificultando, sobremaneira, os deslocamentos de nossas frações, tanto embarcado quanto desembarcado.

Neste ambiente operacional, as principais ameaças sobre nossas frações eram o emprego de pequenos efetivos de forças adversas infiltrados nos becos e que, por vezes, executavam disparos de lajes no interior de vielas, pouco acessíveis, ou pela retaguarda das viaturas, evadindo-se depois pelos inúmeros becos da região. Tais disparos visavam, geralmente, a torre, o motorista e os pneus da VBTP.

Destaque-se, também, o emprego de pedras e coquetéis molotov contra nossas viaturas, causando efeito psicológico negativo na tropa, apesar de seu baixo índice de letalidade.

3. PRINCIPAIS MISSÕES CUMPRIDAS PELA CIA

Antes de abordar as missões cumpridas pelo Esqd Fuz Mec no Haiti, é importante frisar que o escalão superior esperava que nossa fração se constituísse em uma força de ação rápida, devendo apresentar-se pronta para qualquer eventualidade, em um intervalo de 20 a 30 minutos depois de acionada, em qualquer lugar da capital do Haiti. Além disso, contava com o poder dissuasório dos blindados.

Dentre a gama de missões atribuídas ao esquadrão, podemos citar as seguintes: patrulhamento em áreas de risco, ocupação de pontos fortes, reconhecimentos, desaferramento de frações engajadas, ocupação de posições de bloqueio, vigilância de zonas de ação, monitoramento de manifestações, desobstrução de vias públicas , escoltas de comboios e autoridades , apoio às ações da Polícia Nacional do Haiti, dentre outras.

O efetivo total do Esqd Fuz Mec era o de 150 militares, sendo composto por 4 pelotões de Fuz Mec e uma seção de comando. Contávamos, ainda, com 16 VBTP Urutu, dois caminhões de 5 Ton, uma Vtr Land Rover 90 e outra 120, além de uma ambulância bem equipada. Como elementos de saúde, dispúnhamos de um médico, um sargento enfermeiro e quatro atendentes.

4. FORMA DE ATUAÇÃO

De uma maneira geral, a forma de atuação do EsqdFuz Mec, na missão de paz do Haiti, seguia o padrão descrito a seguir.

4.1 CONCEPÇÃO DA MISSÃO

No início, tínhamos que concentrar nossos esforços no reconhecimento da área de operações, além da obtenção de informes valiosos para a montagem de um banco de dados fidedigno acerca da zona de ação. Entre os elementos essenciais de informação destacamos: levantamento de lideranças locais, identificação de necessidades da população, áreas de homizio de elementos de forças adversas, locais de reunião, principais vias de acesso utilizadas para deslocamentos de gangues, bem como limites territoriais entre elas.

4.2 PLANEJAMENTO

Cada pelotão recebia um determinado setor de patrulhamento e um horário a ser seguido.

O Cmt Pel distribuía uma zona de ação para cada GC blindado, realizando rodízios periódicos entre as frações. No respectivo setor de responsabilidade de cada Pel, eram informados os locais onde estes deveriam mobiliar pontos fortes temporários e onde deveriam concentrar seus esforços, a fim de obter informações de acordo com os elementos essenciais de informação recebidos . Para tanto, os GC eram reunidos e, então, eram lançados no patrulhamento a pé com a finalidade de reconhecer os becos e vielas da área de operações, além de levar a presença da tropa em locais inacessíveis aos blindados. Tais patrulhas contavam, algumas das vezes, com intérpretes locais, fundamentais para a coleta de informes.

A ocupação de postos de observação era imprescindível para a segurança dos deslocamentos, uma vez que, desta forma, poderíamos obter comandamento sobre as lajes da área de operações.

Quanto ao tempo de duração das patrulhas, a prática mostrou que o melhor rendimento era obtido quando estas duravam de 2, 5 a 3 horas.

4.3 EXECUÇÃO – PATRULHAS MECANIZADAS

Quando embarcados, os fuzileiros recebiam um setor de observação, incluindo as lajes acima da viatura. Nas escotilhas procurávamos manter apenas um militar, para evitar que dois combatentes entalassem nos casos em que se fazia necessário entrar rapidamente para dentro da VBTP. Outra vantagem desse sistema, era o de proporcionar rodízio entre os homens, de forma que cada esquadra permanecia cerca de 30 minutos atenta ao patrulhamento e 30 minutos em situação um pouco mais aliviada dentro da viatura.

Uma das maiores dificuldades para o comandante de GC blindado era o de controlar o motorista, haja vista o fato do sistema de intercomunicação ou apresentar defeitos, ou, mesmo quando funcionava a contento, o capacete não ter qualquer proteção balística. Como solução, os Cmt GC posicionavam um soldado no banco próximo à porta lateral da viatura para retransmitir ao motorista as ordens emitidas.

Outro problema grave era quando o motorista precisava “escotilhar” e tinha que conduzir a VBTP dessa forma. A visibilidade proporcionada pelos blocos de visão do Urutu é muito pobre, tornando esta tarefa muito difícil.

No aspecto blindagem, em geral a viatura suportava bem os impactos até mesmo de 7,62mm, desde que estes não fossem disparados a distâncias muito próximas (cerca de 20 a 50 metros). Nestas ocasiões houve casos em que projetis perfuraram a blindagem, colocando em risco a guarnição embarcada.

O reparo da metralhadora MAG apresentava o inconveniente de obstruir o curso da alavanca de manejo desta, por ocasião dos disparos, ocasionando interrupções indesejáveis na cadência de tiro. A solução adotada foi a adaptação de uma pequena barra de aço soldada no reparo a fim de fazer com que a alavanca de manejo pudesse se posicionar em plano mais elevado ao do berço do reparo. Outro problema era a incapacidade de executar disparos com a metralhadora de dentro da viatura.

Os maiores obstáculos à movimentação dos blindados eram os fossos escavados nas ruas, com o propósito de restringir a mobilidade das forças de segurança. Além disso, as verdadeiras montanhas de lixo e as carcaças de veículos carbonizados, também ofereciam sérias restrições ao movimento, além de provocar constantes avarias nos pneus, tornando-se sério problema logístico para nossa tropa.

4.4 EXECUÇÃO – PATRULHAMENTO A PÉ

Quando desembarcados, os fuzileiros realizavam o patrulhamento a pé, sempre apoiados pela sua respectiva VBTP dotada de metralhadora 7,62mm MAG. O itinerário destas patrulhas era curto e englobava, prioritariamente, os becos e vielas inacessíveis aos blindados. Ainda com o intuito de apoiar as frações que se deslocavam no interior da zona de ação, ocupávamos postos de observação ao longo de tais itinerários. Dessa forma, conseguíamos ampliar nosso campo de visão, bem como obter comandamento, evitando disparos vindos do alto das lajes adjacentes.

No interior da favela, a maior dificuldade era manter a comunicação visual entre as frações. Tal situação era agravada pelo fato da descentralização chegar, algumas vezes, ao escalão esquadra.

Isto se devia à escassez de espaço dentro da zona de ação, tornando ineficiente, e até perigoso, o emprego de efetivos maiores que o GC em uma mesma via de acesso.

O armamento também não se mostrava muito funcional, uma vez que apesar de estarmos armados de PÁRA-FAL, este, ainda assim, era longo demais, enroscando nas paredes e muros e exigindo o emprego de ambas as mãos para a execução do tiro. Ressalte-se que as distâncias de engajamento neste ambiente operacional variavam de 6 a 15 metros.

Embora houvesse dificuldades e riscos, o patrulhamento a pé se constituía em excelente
complemento ao patrulhamento mecanizado, pois projetava a tropa no interior da zona de ação, dificultando o homizio de forças adversas e restringindo-lhes o movimento.

Em suma, pode-se afirmar que os blindados transportavam a tropa com segurança e ampliava-lhe a capacidade de concentração e dispersão em curto espaço de tempo. Favoreciam o seu emprego no local e na hora em que fosse mais adequado ao cumprimento da missão; enquanto o deslocamento a pé aumentava a visibilidade de nossos soldados, contribuindo para o aumento da sensação de segurança na população haitiana.

5. ENGAJAMENTO COM FORÇAS ADVERSAS

Na esmagadora maioria das vezes, o engajamento com as forças adversas ocorria em situações inopinadas. Nestas ocasiões, era muito difícil precisar de onde os disparos partiam e levava-se algum tempo até conseguir definir esta suposta direção. Uma vez localizada a ameaça, adotávamos Técnicas de Ação Imediata (TAI) ofensivas. Definíamos uma área de vasculhamento e enquanto uma fração cercava os acessos a esta área, outra realizava o investimento. Os efetivos empregados variavam de acordo com a disponibilidade de tropa no local (tais situações passavam-se de forma muito rápida), com o tamanho da área e o efetivo aproximado das forças adversas. Como referência, geralmente, utilizávamos um ou dois pelotões no cerco, um pelotão no investimento e outro como reserva móvel, prosseguindo no patrulhamento e vigilância de outras áreas que poderiam ser utilizadas como azimute de fuga pelos meliantes.

A maior dificuldade do comandante de subunidade era a de filtrar as diversas informações enviadas pelos pelotões, entender a situação, montar um quadro mental do que estava o correndo, definir sua intenção e traduzí-la em um comando simples, objetivo e exeqüível. As ordens eram transmitidas pelo rádio, através de ordens fragmentárias, pelo modelo preconizado pelo Centro de Instrução de Blindados. A correta emissão destes comandos era de vital importância para o êxito da operação.

Outra séria dificuldade, era a de controlar o regime de fogos das frações. A tendência do soldado é a de atirar para se proteger, mesmo não tendo identificado alvos compensadores. Na tentativa de resolver este problema, os comandantes de pelotão e GC trabalhavam o psicológico de seus homens, tentando incutir-lhes confiança e a preocupação com a economia de munição, bem como a importância de se evitar efeitos colaterais indesejáveis para o êxito da missão de paz. Além disso, os Cmt GC designavam, através de comandos verbais, os elementos que deveriam engajar os alvos, utilizando- se da técnica prevista no manual de instrução individual básica: “observe meu tiro !”.

A instrução individual básica tem apresentado oportunidades de melhoria, principalmente no tocante à designação de alvos e objetivos, bem como no excesso de exposição de oficiais e sargentos durante os engajamentos.

Um aspecto de suma importância era a evacuação de feridos. A maior parte de nossos ferimentos foi oriunda de estilhaços de projetis dirigidos contra a torre dos Urutus, vindo a atingir nossos militares nos braços e região da face próxima dos olhos. Nestas oportunidades, os primeiros socorros eram prestados pelos companheiros ou atendentes dos pelotões. Em seguida, os feridos eram evacuados pelo médico, ou nas próprias VBTP, para o hospital de campanha da ONU (Argentino). Esta instalação de saúde possuía capacidade para operar apenas um militar por vez.

O ideal seria que os atendentes de pelotão tivessem conhecimentos de pára-médicos.

6. CONCLUSÃO

A missão de estabilização das Nações Unidas para o Haiti tem sido uma excelente oportunidade de ades tramento para nossas frações blindadas. Verdadeira escola de comando das pequenas frações, onde os tenentes e sargentos estão podendo exercitar sua liderança e conhecimento tático.

No Haiti, a tropa blindada vem mostrando seu valor e demonstrando a importância do judicioso emprego de blindados, mesmo em ambiente operacional urbano ou em missão de paz. Seria extremamente desejável que as preciosas lições colhidas em solo haitiano não se apaguem e possam servir para melhorar os padrões operacionais das pequenas frações blindadas e mecanizadas do Exército Brasileiro.

NOTA DO BLOG: Artigo publicado na Revista Ação de Choque do Centro de Instrução de Blindados General Walter Pires, com o título original de “O EMPREGO DO ESQUADRÃO DE FUZILEIROS MECANIZADO EM OPERAÇÕES DE MANUTENÇÃO DA PAZ NO HAITI”.

 
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