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EUA temiam invasão nazista no Brasil

Para o pesquisador americano Frank McCann, a contribuição feita pelo Brasil ao esforço aliado durante a 2ª Guerra Mundial foi maior do que se imagina. As bases americanas instaladas em território brasileiro, afirma, foram fundamentais para os aliados na África, na ex-União Soviética e até na China durante o conflito, que poderia ter tido outra história se elas não existissem.

McCann lembra ainda que os Estados Unidos chegaram a temer que, assegurado o norte africano, os alemães atravessassem o Atlântico para invadir o Brasil, com apoio de revoltas das comunidades germânicas e italianas do Sul do país.

O pesquisador também relata que ocorreu, na 2ª Guerra, um choque de culturas, no qual os norte-americanos tiveram uma visão negativa dos brasileiros por causa da falta de condições de saúde dos soldados do Brasil.

Segundo ele, após o fim da Guerra Fria, e desde que foi superada a tensão que precedeu o rompimento, em 1977, do acordo militar de 1952, há mais respeito mútuo entre os dois países. “Havia alguma suspeita entre oficiais brasileiros de que os americanos estavam interessados demais na Amazônia”, disse McCann. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida por ele ao Estado:

O senhor diz que o Brasil na 2ª Guerra foi um dos primeiros exemplos do uso de civis em projetos militares. Como isso ocorreu?

Eu estava me referindo à construção das bases aéreas. Os militares americanos não poderiam fazê-lo, então foram à Pan American Airways, cuja subsidiária Pan Air do Brasil foi encarregada de obter as terras, os trabalhadores, e organizar as construção. O contrato da Pan Am com o Exército dos EUA estabelecia que construiria bases de Miami a Natal e então, através da África, de Dacar à Somália. Quando a Europa estava sob domínio alemão, e os japoneses dominavam o Pacífico, essa rede abasteceu os britânicos no Norte da África, a União Soviética e até o crucial teatro da China, Burma e Índia. Sem as bases brasileiras, a Segunda Guerra Mundial teria tido uma história diferente.

Qual foi o peso que teve, para a entrada do Brasil na guerra, a Operação Pote de Ouro, invasão planejada do Nordeste por 100 mil americanos para garantir a área para as operações dos EUA?

Não acredito que tenha tido alguma influência na tomada de decisão. Franklin Delano Roosevelt e o Exército americano não desejavam combater brasileiros. Em vez disso, temiam que a Alemanha, após assegurar o norte da África, lançasse um ataque no Nordeste brasileiro e que as comunidades alemãs e italianas no Sul se revoltassem em apoio ao esforço alemão. A vitória alemã contra a França e o ataque aéreo à Grã-Bretanha assustaram todo mundo.

Houve um choque de culturas entre brasileiros e americanos na 2ª Guerra?

O Brasil deu aos americanos uma visão negativa do País. Grandes recursos, maravilhosa hospitalidade, mas uma população doente. Embora o intenso treinamento tenha irritado alguns oficiais brasileiros, não era diferente daquele aos quais os soldados americanos eram submetidos. A regra era simples, soldados subtreinados poderiam logo ser mortos. Minha impressão é que oficiais como Castello Branco logo entenderam que o contínuo treinamento era necessário.

Por que a FEB teve apenas 25 mil homens? O que faltou? Dinheiro?

Não, foi simplesmente uma questão de não ter homens jovens saudáveis em número suficiente. Um dos problemas foi que o processo decisório no Brasil era muito lento. As decisões certas foram tomadas muito tarde para tirar vantagens das oportunidades que passavam rapidamente. Se o Brasil tivesse estado pronto para enviar suas forças em 1943 como parte da campanha no Norte da África, mesmo que tivesse tido somente um par de divisões, seu status teria sido diferente.

Como ficou a relação Brasil-EUA na área militar após o fim da Guerra Fria?

Acho que há mais respeito mútuo. Havia alguma suspeita entre oficiais brasileiros de que os americanos estavam interessados demais na Amazônia. O Brasil negou permissão para pouso aos EUA em alguns campos em Roraima no fim dos anos 80, mesmo em missões humanitárias. E, com pelo menos um treinamento envolvendo paraquedistas brasileiros em Roraima, os EUA foram advertidos para que mantivessem distância. Recentemente, o Brasil lançou um extenso programa de compras militares. Comprou equipamentos da Rússia e da França.

Os americanos continuarão distantes ou Obama poderia mudar esse quadro?

Ouvi que o presidente Obama estava impressionado com o presidente Lula. Mas ficaria surpreso se ele tivesse uma ideia clara sobre o que o Brasil é hoje. Espero que ele venha logo e consiga ver muito do País. Como regra, os americanos têm poucas ideias concretas sobre o Brasil. Quanto mais Obama ver, melhor será.

FONTE: Estadão

 

Os preparativos e dissimulações dos Aliados na organização do maior ataque anfíbio da história: o início da Operação Overlord

A invasão aliada da Normandia, partindo da Inglaterra, a 6 de junho de 1944, foi a maior operação anfíbia de todos os tempos. O comandante naval da operação, Almirante Sir Bertram Ramsay, que tinha uma aversão britânica à linguagem exagerada, disse a alguns dos seus comandantes, a 3 de junho, que lamentava os superlativos, mas daquela vez eram todos cabíveis.

“Overlord” o nome em código da invasão, tinha que ser diferente, tanto em proporções como em características, de qualquer ataque anfíbio anterior. Os alemães tinham então 59 divisões na França. Muitas, é verdade, estavam abaixo de sua força ou eram de um valor militar duvidoso. Por outro lado, a rapidez com que os Aliados podiam desembarcar tropas era limitada.

O plano original, elaborado pelo General Sir Frederick Morgan, previa um desembarque no primeiro dia de três divisões. Posteriormente o General Eisenhower, comandante supremo, e o General Montgomery, comandante de campo, decidiram que uma frente de apenas três divisões seria muito pouco. Os planos teriam que ser modificados a fim de que cinco divisões pudessem ser desembarcadas no primeiro dia. Isso exigia a concentração de um número maior de barcaças de desembarque, o que provocou o adiamento de um mês dos desembarques na Normandia e tornou impossível o plano original de um desembarque simultâneo no sul da França.

Eisenhower e Montgomery queriam que mais homens fossem desembarcados no primeiro dia porque, teoricamente, os alemães poderiam enviar reforços à área atacada, rapidamente, mantendo ali tropas que, pelo menos inicialmente, seriam superiores às dos Aliados. Assim, por melhor que as tropas aliadas conquistassem e consolidassem a sua cabeça-de-ponte, poderiam ser contidas antes de avançarem o suficiente para dar espaço ao desembarque dos seus próprios reforços.

Para impedir tal possibilidade, os estrategistas aliados primeiro organizaram e desfecharam intensos e prolongados ataques aéreos ao sistema francês de comunicações. Providenciaram também a construção de portos móveis que pudessem ser levados até as praias da Normandia, a fim de garantir que os suprimentos não fossem prejudicados pelo mau tempo. Imaginaram até um meio de instalar oleodutos sob o Canal da Mancha, a fim de acelerarem o fornecimento de combustível.

Os preparativos foram amplos e meticulosos. Embora algumas coisas falhassem – um dos portos artificiais, por exemplo, ficou completamente avariado -, o esquema de um modo geral funcionou perfeitamente. No momento decisivo, os Aliados puderam reforçar as suas tropas na Normandia muito mais depressa pelo mar do que os alemães conseguiram reforçar as suas por terra. E essa era a primeira das condições essenciais ao sucesso da invasão dos Aliados.

A segunda era manter o inimigo na incerteza. Os alemães estavam defendendo toda a costa da França. Mas era fundamental que eles não vissem qualquer razão para concentrar mais tropas na Normandia do que em outro setor qualquer. Em parte por causa das medidas de segurança rigorosas, em parte graças a subterfúgios, em parte, porque tiveram muita sorte, os Aliados mantiveram os alemães em dúvida até o fim.

Era impossível, é claro, esconder dos alemães que a invasão seria desfechada em algum momento do ano de 1944, na costa francesa. A invasão já fora, de certa forma, revelada publicamente e não se podia esconder que havia um grande exército concentrado no sul da Inglaterra. Mas, recorrendo à censura mais rigorosa, estendendo-a inclusive aos telegramas diplomáticos, os Aliados conseguiram ocultar completamente o verdadeiro destino dessas tropas.

A esta altura da guerra, a superioridade aérea aliada tornara impossível que a Luftwaffe realizasse qualquer reconhecimento aéreo sistemático sobre a Inglaterra. A oeste do Kent então, não havia absolutamente qualquer reconhecimento aéreo. As previsões alemãs de que os desembarques ocorreriam num ponto ou em outro eram baseadas quase que exclusivamente em meros pressentimentos. Von Rundstedt, o comandante supremo alemão na frente ocidental e a esta altura já promovido a marechal-de-campo, achava que os Aliados iriam efetuar a invasão através do estreito de Dover, porque ali a distância a ser percorrida era a menor que havia. Por conseguinte, ele fortificou o Passo de Calais mais do que qualquer outro setor. Se fosse por ele apenas, nenhum outro setor seria fortificado.

Mas só que ele não estava sozinho. Em janeiro de 1944, Hitler designara Rommel, agora também marechal-de-campo, para assumir o comando do Grupo de Exércitos B, responsável pela defesa da costa norte da França, com ordens expressas para repelir a invasão. Rommel previu, corretamente, que os alemães não poderiam reforçar o setor invadido da costa, qualquer que fosse, com a rapidez e a facilidade necessárias. Ele compreendia, ao contrário provavelmente de Von Rundstedt, que a superioridade aérea aliada sobre a França privara o Exército alemão de sua mobilidade. As ferrovias estavam sendo bombardeadas. As rodovias só podiam ser transitadas durante a noite. Rommel concluiu que Von Rundstedt estava vivendo no passado e começou então a fortificar aceleradamente todas as praias. Rommel achava que o período em que os alemães teriam mais probabilidades de derrotar uma invasão era o das 48 horas seguintes ao primeiro desembarque. Mas ele ainda não sabia onde seria o primeiro desembarque.

Os Aliados esforçaram-se ao máximo para garantir que a sua ignorância continuasse. Durante a primavera de 1944, o serviço secreto inglês lançou diversas iscas para os alemães, iscas que foram mordidas por diversas vezes. O quartel-general de Montgomery era em Portsmouth, mas seu centro transmissor de rádio ficava a 150 quilômetros a leste, no coração do Kent. Este subterfúgio simples visava a confirmar a opinião errada de Von Rundstedt de que o desembarque aliado seria mesmo no Passo de Calais. Falsos planadores foram colocados em aeródromos no sudeste da Inglaterra, a única região do país que os aviões de reconhecimento da Luftwaffe ainda conseguiam fotografar. Falsas barcaças de desembarque foram ancoradas em portos do sudeste; insinuaram-se pistas, em lugares onde os alemães poderiam ouvi-las, de um “Grupo de Exércitos de Patton” que estaria prestes a atravessar o Estreito de Dover (ou Passo de Calais, como é chamado do lado francês).

Assim despistados, os comandantes alemães elaboraram uma série de teorias, todas elas erradas. Hitler acreditava que a invasão principal seria ao norte, no Passo de Calais, mas que haveria antes uma manobra diversionista na Normandia. Von Rundstedt apegava-se à sua teoria de que o ataque seria no Passo de Calais e tão-somente no Passo de Calais. Rommel concordava com Hitler quanto à manobra diversionista na Normandia, mas só que achava que seria também um ataque de grande envergadura. Em nenhum momento, contudo, os alemães deixaram de acreditar que o ataque principal seria no Passo de Calais ou em algum ponto ao norte do Somme. Até o final eles mantiveram todo o seu XV Exército no Passo de Calais, inativo, mas alerta, até muito depois de a invasão ter sido iniciada.

Enquanto o XV Exército se preparava para defender o Passo de Calais até a morte e enquanto a Luftwaffe conseguia, de vez em quando, fotografar os aeroportos de Kent, as verdadeiras forças de invasão estavam sendo concentradas no sudoeste da Inglaterra, ao sul de Gales, na área de Southampton-Portsmouth, onde a Luftwaffe não conseguia penetrar.

Enquanto Rommel fortificava as praias, com obstáculos destinados a deter as barcaças de desembarque, a explodir os tanques e a conter a infantaria, Montgomery e Eisenhower estavam alterando seus planos, a fim de superarem os novos riscos. Os obstáculos submarinos de Rommel tinham sido colocados entre as marcas da maré alta e da maré baixa. Se o desembarque fosse efetuado durante a maré alta, um grande número de barcaças poderia ser destruído. Se, por outro lado, os desembarques fossem efetuados durante a maré baixa, quando os sapadores teriam condições de abrir um caminho seguro por entre os obstáculos que estariam então visíveis, a infantaria teria que atravessar um trecho bem maior de praia a descoberto, quase certamente sob o fogo cerrado dos defensores. Para superar esse risco, Montgomery decidiu que a vanguarda do ataque seria formada por tanques. Mas para isso ele precisava de um novo tipo de tanque – um tanque que pudesse nadar.

O homem que tornou isso possível foi o Major-General Hobart, um dos mais inventivos soldados ingleses, cujo gênio e alegria era ensinar novos truques a velhas máquinas. O seu tanque DD podia mover-se tanto na água como em terra. Seu tanque de mangual carregava uma estrutura monstruosa à frente das lagartas, que detonava as minas antes que o próprio tanque passasse sobre elas. Hobart também inventou e produziu um tanque de lagarta mais larga, que podia andar perfeitamente sobre areia macia ou sobre barro. Eram máquinas novas e estranhas, que desmantelaram as defesas de Rommel no dia 6 de junho.

O local escolhido para o desembarque foi a baía do Sena. Se Rommel, Von Rundstedt e Hitler tivessem dirimido as suas diferenças e eliminado seus preconceitos, teriam compreendido que era aquele o único local da costa da França onde os Aliados poderiam desembarcar cinco divisões simultaneamente. A entrada da baía, do Cabo d’Antifer à Ponta de Barfleur, tem 58 milhas náuticas de largura. Não existem obstáculos naturais na baía, exceto as ilhas de Saint Marcouf, perto da praia ocidental. As marés não são violentas. Embora a praia ao leste, entre o Cabo d’Antifer e a embocadura do Sena, seja dominada por colinas, a maior parte da terra por trás das praias ao fundo da baía, onde os desembarques ocorreriam, é relativamente plana.

Na primavera de 1944, a Marinha Real começou a preparar a baía para o desembarque: com uma atenção quase terna pelo terreno em que as tropas iriam lutar. Tripulantes de submarinos-de-bolso e comandos ali desembarcaram durante a noite, sem qualquer dificuldade, a fim de examinar as defesas e colher amostras da areia e do barro da região, para que o General Hobart pudesse preparar convenientemente os seus tanques. Durante a segunda metade do mês de maio, lanchas torpedeiras (MTB), partindo de Portsmouth, colocaram diversos campos de minas em torno do Cabo d’Antifer e da embocadura do Sena, de um lado, e ao redor da Ponta de Barfleur, do outro, a fim de evitar que a Marinha alemã pudesse atacar a frota de invasão, partindo do Havre, Cherbourg ou qualquer outro porto ao sul e ao norte do canal da Mancha. As minas foram ajustadas para entrarem em funcionamento a 5 de junho, data marcada para a invasão. Desde 1941 que as MTB estavam colocando minas nas águas dominadas pelo inimigo sem serem descobertas. E desta vez o inimigo nunca soube da existência, ali, das minas.

A tarefa final era abrir uma passagem no campo de minas alemão que se estendia pelo meio do Canal da Mancha, do sul da ilha de Wight até o meridiano de Calais. Quase todas as seções desse campo de minas já ali estavam há dois anos. Cada seção representava uma noite de trabalho das flotilhas de colocação de minas dos alemães. Havia intervalos entre as seções, porque os alemães não confiavam em sua própria navegação para retomarem o trabalho da noite anterior exatamente no ponto em que o haviam deixado. As flotilhas costeiras inglesas, que operavam no lado continental do Canal da Mancha, haviam descoberto essas brechas e usavam-nas desde 1942. Mas eram brechas não marcadas e que não tinham mais do que uma milha de largura, o que é o suficiente para uma flotilha de lanchas, mas não para uma frota de invasão de cinco mil navios. A Marinha teria que alargar tais passagens. Era uma operação de grande envergadura, que não poderia ser realizada sem o conhecimento do inimigo. Ou, pelo menos, sem o risco de o inimigo descobrir que se estava efetuando uma operação de remoção de minas e prontamente tirasse as conclusões certas. As minas ancoradas tinham que ser removidas à luz do dia, pois assim que os cabos eram cortados elas vinham à tona, tendo que ser imediatamente destruídas a tiros de rifle, para que não se transformassem numa ameaça à deriva ao invés de uma ameaça estacionária. Assim, os encarregados pela remoção das minas tiveram que começar a trabalhar na tarde do dia anterior ao fixado para a invasão. Abriram dez largos canais ao largo da ilha de Wight, chegando perto da costa da França antes do escurecer. Ninguém parece tê-los notado. Ou, se foram vistos, ninguém tirou as conclusões corretas. Esse foi o primeiro golpe de sorte dos Aliados.

Ramsay podia preparar o terreno para a invasão, mas não podia preparar devidamente o tempo. As condições principais para o desembarque eram que a maré chegasse ao ponto médio quarenta minutos depois do amanhecer, que as nuvens não fossem espessas demais a ponto do impedir os bombardeiros e que os ventos de superfície não excedessem a velocidade de 22-29 quilômetros por hora, a fim de que o mar estivesse relativamente calmo. As limitações eram de fato muito grandes. As condições da maré, por exemplo, só aconteciam durante três dias em cada mês lunar. O tempo, portanto, é que era a verdadeira incógnita.

Os preparativos de Ramsay ao longo do mês de maio foram favorecidos por pressão alta estável nos Açores, fazendo com que o tempo no Canal da Mancha se mantivesse firme. Eisenhower escolhera a segunda-feira, 5 de junho, como a data para a invasão, um dos três dias do mês em que as condições da maré seriam favoráveis. Mas, nos dias 2 e 3 de junho, a pressão alta nos Açores começou a desintegrar-se. O meteorologista de Eisenhower, Capitão Stagg, da RAF, aconselhou o adiamento.

O resultado de uma das mais formidáveis operações dos Aliados durante a guerra dependia do julgamento do Capitão Stagg.

Deve ter sido para ele um momento de tensão terrível, especialmente porque o tempo em Portsmouth continuava maravilhoso. As mudanças de tempo que ele estava prevendo ainda estavam ocorrendo a centenas de milhas de distância, quase no meio do Atlântico, Mas Stagg estava certo. Na tarde de domingo, 4 de junho, começou a ventar forte em Portsmouth. As forças de invasão, que já haviam zarpado de suas bases na Escócia, em Gales e no oeste da Inglaterra, tiveram que voltar, para se porem ao abrigo do vento oeste. Naquela mesma noite de domingo, a frente de tempestade já estava passando além de Portsmouth. Stagg informou então a Eisenhower que previa, na noite de segunda para terça-feira, nuvens não muito espessas e um vento amainado. Acrescentou que, em sua opinião, seria esse o melhor tempo que haveria no decorrer da semana. De qualquer modo, a maré da quarta-feira não seria absolutamente favorável. Eisenhower teria que escolher entre a terça-feira ou esperar mais três semanas para a invasão. Ele optou pela terça-feira. Durante a noite de 5 para 6 de junho, lançou uma primeira onda de ataque de 60 mil homens nas praias, duas divisões inteiras de pára-quedistas, numa das maiores operações aéreas da guerra. E fez também uma tentativa final e bem sucedida de enganar o inimigo, levando-o a esperar que as forças de invasão se estivessem dirigindo para o norte do Somme.

Agora que o momento chegara, que a invasão se achava a caminho: era impossível aos Aliados ocultar o fato de que cinco mil navios estavam no mar. Durante toda a noite uma força considerável de aviões deixou cair ao norte do Cabo d’Antifer, uma “cortina” (N.T. “Window”), pequenas tiras de papel prateado que eram captadas pelo radar do inimigo. A “cortina” tinha por objetivo fazer com que o inimigo pensasse que uma grande frota invasora estava seguindo, com cobertura aérea, para o leste do Cabo d’Antifer, onde seria efetuada a invasão, enquanto os aviões procuravam evitar que fosse localizada pelo radar. No mar, na mesma área sobrevoada pelos aviões, trinta pequenos navios de guerra rebocavam imensos balões, para simular os ecos de radar produzidos por grandes navios, transmitindo também um fluxo intenso e constante de sinais de rádio e até mesmo emitindo uma “operação militar sônica”, através de alto-falantes. Manobras semelhantes foram executadas mais ao norte, ao largo de Boulogne. E houve bombardeios intensos ao sistema de comunicações entre Dieppe e Calais.

Todas essas manobras ajudaram a manter o inimigo em dúvida, mas provavelmente o fator mais importante foi a previsão do tempo feita por Stagg. O seu equivalente alemão em Paris, Major Lettau, também verificara a mudança de pressão nos Açores. Previra também, corretamente, que o tempo seria péssimo na noite de domingo, 4 para 5 de junho. Confiando em sua informação, Rommel deixou o seu quartel-general em Paris para passar o fim-de-semana com a família, em sua casa nas proximidades de Ulm. Lettau não previu, contudo, ao contrário de Stagg, que o tempo estaria melhor na terça-feira. Na segunda-feira, muito embora a força invasora já se estivesse pondo a caminho, o estado-maior de Rommel não informou haver qualquer indício de uma invasão iminente, embora admitisse que não houvera reconhecimento aéreo sobre qualquer porto britânico, à exceção de Dover. As manobras de ilusão efetuadas ao norte do Cabo d’Antifer também deram resultados positivos. Os responsáveis pelos radares alemães acharam que seus aparelhos estavam com defeito. Ao final do dia 5 de junho, segunda-feira, quando os navios e aviões começaram as suas manobras diversionistas ao largo do Cabo d’Antifer, o estado-maior de Rommel determinou que o XV Exército ficasse de prontidão para repelir o invasor. Mas o XV Exército estava estacionado no norte da França, no Passo de Calais. Os invasores estavam realmente a caminho, mas se dirigiam a outro lugar. O alerta não foi transmitido ao VII Exército alemão, que iria defrontar-se com os invasores, quando desembarcassem nas praias da baía do Sena, pela manhã.

FONTE: Grandes Guerras / Mundo em Guerra – Mark Arnold-Foster – Record FOTOS: Wikipedia

 

Decolagem Tática na Reta

Esta sequência de fotos foi feita durante a Operação Pirapó II, realizada em Abril deste ano, pelo 1° BAvEx (Batalhão de Aviação do Exército) e mostra um HM-1 Pantera realizando uma decolagem tática na reta.

A Operação Pirapó II foi realizada na cidade mineira de Araguari, por esta possuir excelentes áreas para o treinamento de Pilotagem Tática (PTT) e por poder contar com o apoio do 11º Batalhão de Engenharia de Construção.

Durante dois dias, os pilotos dos HA-1 Fennec e HM-1 Pantera executaram todas as manobras de PTT I e II, proporcionando a manutenção de suas habilitações.

A pilotagem tática se caracteriza por voos a baixa altura (média de 20 pés), velocidades que variam de 60 a 100 nós e manobras arrojadas em curvas com grande inclinação, características do voo de combate.

Assim o Batalhão Falcão mantém os seus pilotos sempre operacionais.

“Batalhão Falcão – Os rotores da Força Terrestre”

Nota do Blog: Agradecemos ao Cap. Mueller (RP do 1° BAvEx) que gentilmente nos cedeu a foto e nos prestou todos os eclarecimentos a respeito desta manobra.

 

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FOTOS: Seção de Comunicação Social da Brigada de Operações Especiais

 

O Exército Brasileiro realizará em Goiânia-GO, no período de 17 a 25 de junho, uma competição militar internacional denominada “Força Comandos 2009”, envolvendo representantes das forças especiais dos países participantes.

O evento será organizado e conduzido pela Brigada de Operações Especiais e acontecerá nas suas instalações, localizadas na cidade de Goiânia – GO (Av. do Contorno, s/nº – Jardim Guanabara).
A competição foi criada em 2004, nos Estados Unidos, e tem como objetivos aumentar a cooperação regional e multinacional e ampliar a confiança mútua, bem como melhorar o adestramento das forças especiais do continente americano.

O “Força Comandos 2009” será composto por duas atividades principais. Uma competição constituída por provas de características militares, as quais exigirão a aplicação de técnicas e táticas de forças especiais e por um seminário estratégico, do qual participarão autoridades dos Ministérios de Defesa e Oficiais-Generais Comandantes de Operações Especiais de cada país participante (Programa de Visitante Distinguido).

Estarão presentes delegações da Argentina, Barbados, Belize, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai, sendo que a Guiana e Trinidad y Tobago participarão como observadores.

Na competição, cada equipe vai participar com sete operadores, sendo um reserva, totalizando 140 competidores. A última edição da competição do Força Comandos foi realizada em 2008, na cidade de San Antônio – Texas – EUA e teve como vencedor a Colômbia, sendo seguida pelo Uruguai e Panamá.

FONTE: Seção de Comunicação Social da Brigada de Operações Especiais

 

EB em exercício no estado de SP

O Exército Brasileiro está na região do Vale do Paraíba e Litoral Norte de SP, para participar de um treinamento em área urbana.

O objetivo da simulação é que os militares estejam prontos para agir em uma situação real e parte dessa ação está sendo realizada em Caraguatatuba.

Na base operacional de Caraguatatuba, o primeiro dia foi para planejar as ações que serão realizadas ao longo de dez dias em área urbana. Cerca de 3.300 homens do Exército se instalaram em três pontos na cidade e trouxeram todo o equipamento necessário para simular atividades em que a intervenção militar é solicitada.

A proposta é praticar mais de seiscentos tipos de ocorrência. “Controle de bloqueios, controle de rodovias, controle de distúrbios em presídios, segurança de autoridades, e tudo o que envolve a garantia da lei e da ordem em uma operação deste tipo”, enumera o Major Heringer, chefe de Comunicação Social do Exército.

Esse treinamento acontece, simultaneamente, em mais dez cidades do estado de São Paulo. Na região do Vale do Paraíba, nove cidades devem receber as tropas para o exercício. O Major Heringer explica como se dá a ação: “A tropa vem fardada normalmente, como nós, e a Forop (Força Oponente) usa um gorro azul. A população, quando vê os militares com gorro azul, é para entender que se trata de uma simulação. E essa simulação é para treinar uma operação de garantia da lei e da ordem, que está prevista na missão constitucional das Forças Armadas”.

Fonte: VNews

 

GM venderá marca “Hummer”

A empresa automobilística General Motors (GM) informou hoje que chegou a um princípio de acordo para a venda de sua marca Hummer de veículos 4X4, um dia depois de pedir concordata.

A GM não identificou nem o preço nem o comprador potencial, mas acrescentou que a transação salvará cerca de 3.000 postos de trabalho nos Estados Unidos.

O Hummer é a versão comercial do veículo militar Humvee.

O acordo estipula que o comprador realizará um investimento significativo para financiar o futuro dos produtos Hummer, segundo a GM.

Além disso, a fábrica da GM em Shreveport, em Louisiana (EUA), continuará contratando a montagem dos modelos H3 e H3T, pelo menos durante 2010.

A General Motors declarou ontem a maior quebra industrial da história dos Estados Unidos, ao obter a permissão do Tribunal de Falências em Manhattan (Nova York) para vender seus ativos, após acumular uma dívida de US$ 172,8 bilhões.

O principal interessado nos ativos da GM é o Departamento do Tesouro dos EUA, que dará à empresa, fundada há 100 anos, bilhões de dólares para se transformar em seu principal acionista.

A General Motors passará por uma grande reestruturação e, em um prazo de 60 a 90 dias, emergirá nos Estados Unidos como uma nova companhia sustentada em suas marcas Cadillac, Chevrolet, Buick e GM.

FONTE: EFE / FOTO: netcarshow

 

Um contingente considerado insuficiente e “carências de toda a ordem” são alguns dos obstáculos enfrentados pelo principal comandante militar da Amazônia, “prioridade um” na estratégia de defesa do Brasil.

Responsável há pouco menos de dois meses pelo comando de uma área que abrange seis Estados – Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima – e pelo patrulhamento de cerca de 11.500 quilômetros de fronteira, o general Luis Carlos Gomes Mattos, chefe do Comando Militar da Amazônia (CMA), aposta no preparo das tropas e no conhecimento do terreno para que o país mantenha a soberania sobre a área.

“(Temos) carências de toda ordem”, disse o general à agência Reuters. “Temos 26 mil militares em toda a área do Comando Militar da Amazônia. Esses militares não estão sozinhos, estão com famílias. Nós não temos ainda moradia para todos, o que é uma grande carência”, afirmou.

A região, cobiçada pelas riquezas naturais que abriga, é de difícil patrulhamento, dada sua extensão, diferenças de terreno e porosidade das fronteiras. “Os Estados Unidos, que são o maior país do mundo, têm uma fronteira de dois mil e poucos quilômetros com outro país igualmente importante que é o México, e não conseguem controlar aquela fronteira”, comparou o general.

“Imagine o Brasil. Quinze mil quilômetros de fronteira, dos quais 11.500 na Amazônia, com todas as dificuldades que nós encontramos nessas áreas”, acrescentou.

Apesar dessas fragilidades, o general ressalta que não existem integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) atuando na Amazônia brasileira.

“As Farc atuam apenas dentro do seu país. Evidentemente que nós nos preocupamos e para isso nós existimos na nossa fronteira, para que não nos utilizem, nem mesmo logisticamente.”

A situação poderia ser pior, pois, de acordo com o general Mattos, a Amazônia é a “prioridade um” na estratégia de defesa do Brasil e tem a preferência no recebimento de materiais bélicos. “Tudo vem primeiro para a Amazônia. Nós temos materiais de emprego militar aqui que não existem em outros locais.”

Atualmente o CMA tem efetivo de 26.300 homens, espalhados por 124 unidades militares em 56 localidades diferentes. A maioria delas está “muito perto” da fronteira que a região divide com outros sete países sul-americanos.

Esse efetivo, que na década de 1950 era de apenas 1.000 homens, pode ser reforçado pela implementação do plano Amazônia Protegida do Ministério da Defesa. De acordo com o general, ao menos três brigadas devem chegar à região sob o plano. “Eu raciocino cada brigada com efetivo de 4.000 a 4.500 homens”, calculou.

Enquanto esse reforço não vem, o chefe do CMA continua apostando no preparo para combate em selva realizado pelo Exército que, segundo ele, é referência mundial.

“Nós costumamos dizer, e o pessoal pode até nos achar um pouco soberbos, que temos o melhor combatente de selva do mundo”, afirmou, acrescentando que o CMA está acostumado com visitas de delegações estrangeiras que vêm ao país conhecer de perto esse preparo.

Ongs e índios

A presença de organizações não-governamentais na Amazônia brasileira tem gerado críticas dos que questionam as intenções dessas entidades.

Ao ser questionado sobre o assunto, o general faz ressalvas que, ele sublinha, tem caráter pessoal.

“No meu entendimento, elas deveriam ter recursos não-orçamentários e a gente sabe que isso muitas vezes não é verdade”, acrescentou. “Eu acho que elas deveriam poupar os recursos do governo para que fossem utilizados em outros lugares.”

Outro ponto polêmico é a demarcação de reservas indígenas em áreas de fronteira, que levou o antecessor de Mattos, o general Augusto Heleno, a classificar a política indígena do governo federal de “lamentável, para não dizer caótica”.

“O acesso (das Forças Armadas a reservas indígenas nas áreas de fronteira) ocorre sem problema nenhum, inclusive por decisão do STF. O Exército não tem problema nenhum para ir a qualquer área indígena, qualquer que seja, e existem muitas”, disse o general.

“Isso não é uma preocupação do Exército, isso deveria ser uma preocupação de todos os brasileiros”, afirmou. “Nossa grande preocupação — nossa dos brasileiros, não Exército — é deixar que gente de fora do Brasil, cobiçando as nossas riquezas e tudo que nós temos nessas áreas, convença a opinião pública mundial que nós não temos capacidade para cuidar das nossas riquezas, da nossa Amazônia, do nosso Brasil.”

FONTE: Reuters

 

Professor da PUC-Rio diz que participação do Brasil na Minustah não garante lugar do país no Conselho de Segurança

Estudioso de operações de paz, o professor alemão Kai Michael Kenkel, da PUC-RJ, avalia que a atuação do Brasil à frente da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) é um sucesso, mas que isso não significa nada para a aspiração brasileira de conseguir um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU. Kenkel afirma que, do ponto de vista da segurança, os objetivos da ação, que completa cinco anos amanhã, foram cumpridos com a retomada por tropas regulares de áreas antes dominadas por criminosos.

Ele destaca, porém, que a participação em iniciativas do gênero não é suficiente para dar aos países que as protagonizam perfil de membro do Conselho de Segurança, principal objetivo do Brasil quando aceitou a tarefa. Vivendo há dois anos no Brasil, Kenkel lembra que, no Haiti, pela primeira vez, o País integra, como líder e com o maior contingente, uma operação sob o Capítulo VII da Carta da ONU, que prevê a imposição da paz e não apenas sua manutenção.

Agora, acredita o professor, a tropa brasileira pode pensar em voltar para casa definitivamente, apesar dos problemas que ainda assolam o Haiti, entre eles o uso de seu território pelo tráfico colombiano como entreposto para enviar cocaína para os EUA – questão que está fora do mandato da missão. A seguir, os principais trechos da entrevista que Kenkel concedeu ao Estado.

Do ponto de vista do Brasil, qual é o balanço da operação no Haiti?

A atuação brasileira na Minustah colocou o Brasil no radar, como um país contribuinte, e também provocou uma grande mudança. Claro que foi uma situação muito complicada, muito quente, do início de 2004 até 2006. Agora a missão conseguiu pacificar o ambiente e a atuação dos brasileiros teve muito sucesso.

Podemos dizer que a situação melhorou?

Do ponto de vista da segurança, primeiro componente da resolução de base da Minustah, nitidamente melhorou.

Há paralelo entre essa e outras missões do Brasil pela ONU?

É uma missão bem diferente. O Brasil tem um histórico de participação constante nas operações de paz, mas com contribuições pequenas. Além da Minustah, foram outras três missões mais importantes. Em Suez, de 1956 a 1967, uma participação em Angola e em Moçambique. O padrão de participação do Brasil sempre foi o de participar de missões que se enquadrassem no Capítulo VI da Carta da ONU, que tivessem o consentimento do país anfitrião e envolvesse uma situação em que houvesse um cessar-fogo em vigor. A Minustah tem regras de engajamento muito diferentes, ela se baseia no Capítulo VII.

Seria uma missão de imposição de paz, não de manutenção de paz?

Sim. Não existia, na época da chegada da Minustah, uma paz para manter. A missão teve de impor a paz. O Capítulo VII representa uma ruptura com a política brasileira anterior de participação em missões de paz. Então, a Minustah é uma missão bem diferente. É a primeira vez que o Brasil lidera uma missão desse tamanho.

O Brasil fez papel de polícia dos EUA no Haiti?

Essa pergunta tem dois componentes. O primeiro seria todo esse assunto de militar exercer o cargo ou tarefa policial. O outro seria o grau até onde a Minustah representa uma continuação daquele golpe apoiado pelos EUA em 2004. O primeiro é verdade: tem de ter uma separação muito nítida entre tarefa militar e policial. O problema é que o Exército haitiano foi abolido. O que tem de tarefa militar no Haiti se faz com a Polícia Nacional e com a Minustah, principalmente. A segunda parte da pergunta depende muito de com quem você fala. O entendimento geral é o de que a Minustah é bem diferente da força EUA-Canadá-França-Chile, a Multinational Interim Force (MIF). A Minustah é baseada em uma resolução do Conselho de Segurança e a ideia é que ela tenha esse limite. Estive no Haiti em fevereiro e março e falei com a porta-voz de (Jean-Bertrand) Aristide (presidente deposto em 2004) no Haiti. Ela me disse: ?Não, agora é ONU, uma coisa bem diferente.? Mas é claro que tem uma certa continuidade por ser também uma força estrangeira no país.

O Brasil vendeu a ideia de que só enfrentou criminosos lá. Isso é verdade?

No início, esses grupos armados tinham ligação com vários atores políticos. Mas, muito rapidamente, sobretudo por causa do efeito da presença da Minustah, é possível dizer que esses grupos menos organizados não têm mais ligação política. São de fato grupos que vivem do crime organizado, do controle de um bairro ou do tráfico de drogas. O Haiti é um Estado fraco, com pouca capacidade de fiscalização.

O tráfico se fortaleceu?

Sim, mas a droga não fica no Haiti.

Virou um entreposto?

Sim, 70% a 80% da população vive com até US$ 1 por dia. A droga vai da Colômbia para os EUA e passa pelo Haiti. O combate a isso, formalmente, não faz parte do mandato da Minustah.

Como foi a atuação das Forças Armadas brasileiras no Haiti?

Bom, o que houve de acusações contra as Forças Armadas brasileiras está documentado em vários lugares. Acho que as Forças Armadas fazem um grande esforço justamente para evitar isso. Cada soldado que vai para a missão de paz tem um treinamento. São seis meses treinando, seis meses no Haiti e seis meses de briefing, quando os militares contam o que viram para os outros que vão para lá. As regras de uso da força no Haiti são diferentes do que são tradicionalmente. Em missões do Capítulo VI é estritamente de autodefesa. Agora, no Haiti, é capturar esses espaços onde não tem presença estatal e facilitar a volta do Estado . Às vezes, tem de usar a força.

O Brasil tinha alguns objetivos ao assumir a missão. Foram atingidos?

Como sou estrangeiro, acho que não me cabe fazer certas avaliações dos fatores que motivam a política externa brasileira. Fala-se muito que um dos objetivos era ganhar pontos para a campanha por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Outro seria o Brasil ganhar um perfil de líder na América Latina. Acho que esse esforço de começar a aprender a trabalhar bem com os outros está indo bem. Mas, para o objetivo do Conselho de Segurança, a participação em missões de paz não é a melhor maneira de ganhar espaço. Quem contribui com tropas senta à mesa de negociações com mais seriedade quando se discute a missão em questão. Mas só isso. Não é um modo particularmente eficiente de ganhar um perfil para integrar o Conselho de Segurança. Por exemplo, 45% das tropas em missões da ONU hoje são do subcontinente indiano: Bangladesh, Paquistão, Índia e Nepal. Exceto a Índia, esses países não têm perfil para integrar o Conselho de Segurança.

O que falta para o Brasil sair do Haiti?

Acho que já chegou o momento de pensar em uma estratégia de retirada para os brasileiros. A ideia de toda operação de paz é ser pontual, limitada no tempo, pelo menos uma operação baseada no Capítulo VII. A ONU, em relatório recente, estabeleceu o que chamou de critérios anuais a serem cumpridos em cada setor da missão. E o planejamento deles acaba em 2011. Para o Brasil, chegou o momento de pensar em uma estratégia de saída. Sobretudo porque no Haiti já há uma muito forte presença da ONU fora da Minustah. Além disso, para a missão deixar um marco positivo, a transição para uma equipe de haitianos tem de ser preparada já.

FONTE: O Estado de São Paulo, via Notimp

 
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