Pyongyang dispara projéteis no Mar do Japão; Tóquio alertou para exercícios militares norte-coreanos em julho

A Coreia do Norte lançou nesta quinta-feira, 3, quatro mísseis aparentemente de curto alcance terra-mar da costa oriental do país, em direção ao Mar do Japão, informou o Ministério da Defesa sul-coreano, citado pela agência Yonhap.

O primeiro dos projéteis foi lançado às 17h20 locais (5h20 de Brasília), enquanto o segundo foi disparado às 18h locais (6h da capital brasileira). O terceiro foi lançado horas mais tarde, às 19h50 (7h50 no Brasil), e o quarto projétil às 21h20 (9h50 de Brasília). Os mísseis terra-mar lançados foram disparados de plataformas próximas da cidade norte-coreana de Wonsan, disse em Seul uma fonte no Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Coreia do Sul.

Citando uma autoridade militar sob anonimato, a agência Yonhap afirmou que os quatro mísseis percorreram uma distância de cerca de 100 quilômetros. Os projéteis foram identificados como mísseis KN-01, com alcance de cerca de 160 quilômetros.

Observadores de outros países aguardavam a realização de novos testes de mísseis pela Coreia do Norte desde o mês passado, quando o governo do país comunista advertiu a embarcações que evitassem diversas áreas do Mar do Japão onde poderiam ocorrer manobras militares até 10 de julho.

Os serviços da Inteligência da Coreia do Sul já tinham informado no mês passado que o regime comunista estava se preparando para o teste de vários mísseis, incluindo de longo alcance. Analistas militares e de inteligência em Seul e Washington têm buscado indícios de que Pyongyang venha a promover novamente um míssil de longo alcance, mas não acreditam que seja algo iminente.

O ministro porta-voz do governo japonês, Takeo Kawamura, disse nesta quinta em entrevista coletiva que o Japão não descartava a possibilidade de a Coreia do Norte lançar de forma iminente vários mísseis de curto e médio alcance perto do dia 4 de julho, por causa das comemorações da independência dos Estados Unidos.

A Coreia do Norte possui cerca de 600 mísseis de curto alcance, 300 projéteis de médio alcance e promove diversos testes todos os anos. Este ano, porém, os testes passaram a atrair mais atenção porque Pyongyang testou em abril um míssil de longo alcance pela terceira vez na história e, em maio, promoveu seu segundo teste nuclear. O regime também reduziu atividades diplomáticas com outros países, expulsou agentes humanitários estrangeiros e passou a reprimir atividades econômicas vistas como ameaça a sua autoridade.

Autoridades da Coreia do Sul dizem que as recentes ações militares da Coreia do Norte, que também incluem testes de mísseis e ameaças em atacar o Sul, visam provavelmente angariar apoio interno ao líder Kim Jong-il, de 67 anos, enquanto ele prepara o terreno para seu filho mais novo tomar a frente da única dinastia comunista da Ásia.

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Com tanques e helicópteros, cerca de 4.000 fuzileiros navais e marinheiros americanos e 650 soldados afegãos avançaram nas primeiras horas desta quinta-feira em vilas afegãs sob domínio do grupo fundamentalista Taleban, na primeira grande operação feita sob a nova estratégia do governo de Barack Obama para estabilizar o Afeganistão.

A ofensiva foi lançada pouco depois da 1h (horário local) na Província de Helmand, um reduto taleban no sul do país que é a maior área produtora de papoula –flor utilizada para a produção de ópio– do mundo.

O objetivo é tirar os insurgentes do vale do rio Helmand, antes da eleição presidencial, marcada para o próximo dia 20 de agosto.

Apelidada de Operação Khanjar (Golpe de Espada), a iniciativa militar foi descrita pelos oficiais como a maior e mais ágil da da nova fase da guerra. Forças britânicas executaram missões semelhantes na semana passada para combater insurgentes em Helmand e na Província vizinha de Kandahar.

“O que torna a operação Khanjar diferentes das que ocorreram antes é o enorme tamanho da força utilizada, a velocidade com a qual ela vai avançar”, disse o general-de-brigada do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Larry Nicholson, por meio de um comunicado. “Aonde nós chegarmos, nós ficaremos, e onde ficarmos, vamos manter [o controle], desenvolver e trabalhar para a transição de todas as responsabilidades de segurança para forças afegãs”.

O sul do Afeganistão é um reduto taleban, mas também uma região onde o presidente afegão, Hamid Karzai, que busca manter-se no cargo por mais um mandato, está buscando os votos de membros da etnia pashtun.

O Pentágono está mobilizando mais 21 mil homens no Afeganistão até as eleições e espera que o número total de soldados americanos no país chegue a 68 mil até o fim deste ano –o dobro do número que havia em 2008, mas metade do número de soldados americanos que ainda estão no Iraque.

O Taleban, que governou o Afeganistão entre 1996 e 2001 foi afastado do poder por uma coalizão internacional liderada pelos EUA que invadiu o país após os atentados de 11 de Setembro. Na época, dos ataques, atribuídos à rede terrorista Al Qaeda, o terrorista saudita e seu grupo eram “hóspedes” dos talebans. Nos dois últimos anos, o grupo conseguiu se fortalecer e contra-atacou, conseguindo o controle de grande parte do sul e do leste do país, e expandindo seus domínios para áreas tribais no Paquistão, o que obrigou os EUA a enviar mais tropas para o país.

No fim de março, Obama anunciou a nova estratégia para o Afeganistão e o Paquistão, colocando a luta contra a rede Al Qaeda e o grupo fundamentalista Taleban como prioridade da política de segurança nacional, reduzindo tropas e recursos para o Iraque.

O capitão Bill Pelletier, porta-voz do Corpo de Fuzileiros navais, disse que as tropas envolvidas na operação desta quinta-feira foram enviadas por ar e por terra durante a noite.

A operação busca pressionar os insurgentes “e mostrar o nosso compromisso com o povo afegão que [...] vamos ficar por tempo suficiente para que criem as suas próprias instituições”, disse o porta-voz militar.

Segundo ele, as tropas vão se reunir com líderes locais, ouvir quais são as suas necessidades e agir em relação e elas.

“Não queremos que as pessoas da Província de Helmand nos vejam como um inimigo, queremos protegê-las contra o inimigo”, disse Pelletier.

Reverter o impulso da insurgência é um dos elementos fundamentais da nova estratégia americana, e milhares de soldados adicionais permitem aos comandantes avançar para novas áreas ao mesmo tempo em que permanecem em locais nos quais as tropas afegãs e internacionais não tinha presença permanente antes.

Embora os fuzileiros navais formem a maior parte da força de combate na ofensiva de Helmand, recentemente chegaram à região helicópteros do Exército americano, que também participam da operação.

O governador da Província de Helmand previu a operação seria “muito eficaz”.

“As forças de segurança vão construir bases para fornecer segurança para a população local para que ela possa realizar todas as atividades com este cenário favorável, e tocar sua vida em frente em paz”, disse o governador Gulab Mangal, de acordo com um comunicado do Pentágono.

A estratégia de Obama visa a aumentar o tamanho do exército afegão dos atuais 80 mil para 134 mil soldados até 2011 e ampliar significativamente o treinamento fornecido pelos soldados americanos para que os militares afegãos possam derrotar os insurgentes taleban e assumir o controle da guerra.

A Casa Branca também está tentando definir objetivos claros para a guerra, como uma forma de conseguir apoio popular para um conflito que parecia sem foco, proporcionar mais recursos para os combates e angariar mais apoio internacional.

Não há prazo para a retirada das tropas americanas do Afeganistão, e a Casa Branca não divulgou estimativas de quantos bilhões de dólares o plano vai custar.