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A indústria de defesa indiana entregou na semana passada os dez primeiros tanques T-90 Bhishma de produção local.

O exército indiano já havia sido o primeiro cliente externo do tanque russo T-90, que está em serviço nas forças armadas russas desde meados dos anos 90. A Índia havia encomendado 310 unidades do T-90 em 2001, após atrasos no desenvolvimento de seu próprio projeto, o Arjun e depois do rival Paquistão ter adquirido um lote de tanques do modelo T-80 ucraniano.

Igualmente, havia sido assinado um acordo de fabricação local, autorizada, de um lote maior, de mil unidades do T-90. Mas por causa da relutância russa na transferência de tecnologia, a Índia se viu forçada a comprar outros 300 tanques da Rússia no ano passado. A produção dos T-90 sob licença já havia sido interrompida devido a divergências diversas na transferência de tecnologias críticas à Índia, fato este que foi resolvido no final de 2008.

A fábrica indiana de veículos pesados, localizada perto de Chennai, planeja produzir cerca de 100 tanques por ano. O modelo T-90 indiano possui sofisticados conjuntos de defesa contra armas químicas, biológicas e nucleares.  É equipado com um canhão de 125 mm com carregador automático, o que aumenta a frequencia de disparos, possui ainda uma metralhadora anti-aérea de 12,7 mm e uma co-axial de 7,6 mm compatível com sistemas de observação de alta precisão. Também pode receber proteções blindadas ativas e reativas.

FONTE: defense.professional

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Reunião para debater acordo militar EUA-Colômbia é marcada por insultos e poucos avanços na segurança regional

A reunião de cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul) realizada ontem, em Bariloche, acentuou a divisão da região em torno do acordo EUA-Colômbia, que prevê a presença de forças militares americanas em sete bases colombianas por dez anos.

O encontro durou 7 horas e foi marcado pelas trocas de insultos e acusações. Ao final, os países conseguiram chegar a um acordo que trata com termos vagos os temas mais sensíveis relacionados à segurança regional e tenta traçar uma estratégia para recuperar a confiança mútua.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, não apresentou aos outros líderes da região a esperada garantia jurídica de que as ações militares dos EUA não se estenderão aos territórios dos países vizinhos. Tampouco apresentou com clareza os termos do acordo.

Uribe tornou-se alvo de ataques da Venezuela, do Equador e da Bolívia, que rechaçam o acordo com os EUA, mas conseguiu incluir no documento final do encontro um repúdio à ação de grupos armados na região e o “compromisso de fortalecer a luta e a cooperação contra o terrorismo, a delinquência transnacional organizada e delitos conexos: o narcotráfico e o tráfico de armas”(mais informações na página 23).

Durante os debates, o Peru manteve seu alinhamento com a Colômbia – embora tenha feito algumas ressalvas. O Brasil, a Argentina, o Chile, o Paraguai e o Uruguai tentaram amenizar os atritos, numa tentativa de preservar o processo de integração da Unasul.

Chamados ao resgate da confiança nesse processo fizeram parte de quase todos os discursos dos líderes da região. Mas o que se verificou foi justamente o “rompimento da confiança entre alguns membros da Unasul”, como resumiu a presidente argentina, Cristina Kirchner.

Antes mesmo do encontro terminar, o presidente peruano, Alan García, e o uruguaio, Tabaré Vázquez, voltaram para casa, alegando ter compromissos em seus países.

Depois das sete horas de discussão, os presidentes que ainda estavam na reunião, apressados, começaram a improvisada leitura do documento final da cúpula da Unasul. Muitos quiseram corrigir o texto enquanto ele era lido pelo presidente equatoriano, Rafael Correa.

DOCUMENTO VAGO

O texto do acordo é suficientemente amplo para agregar as diferenças manifestadas por Uribe, de um lado, Chávez, Correa e o boliviano Evo Morales, de outro.

A única passagem que faz referência ao acordo militar entre os Estados Unidos e a Colômbia é a que diz que “a presença das forças militares estrangeiras não pode ameaçar a soberania e a integridade de qualquer nação sul-americana e, em consequência, a paz e a segurança na região”.

No documento, os integrantes da Unasul instruem o Conselho de Defesa da entidade a desenhar medidas para fomentar a confiança, a segurança e as garantias em uma reunião entre chanceleres e ministros da Defesa que ocorrerá na segunda quinzena de setembro.

Ele também ressalta o “fortalecimento da América do Sul como zona de paz” e sustenta a decisão dos países de absterem-se de “recorrer às ameaças ou ao uso da força contra a integridade territorial de outro Estado da Unasul”.
Segundo García, o texto não tem “nem pé nem cabeça e não será entendido em nenhum lugar do mundo”.

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Caxias do Sul (RS), 27 de agosto de 2009 – A Agrale, única fabricante de veículos de capital 100% nacional, fez a entrega, no final de agosto, de um novo lote de 12 unidades do Agrale Marruá para o Exército do Equador. Os veículos, do modelo AM20, serão utilizados pelas forças armadas daquele país. Esta é a segunda aquisição de utilitários da marca que o exército equatoriano realiza em menos de seis meses.

Desenvolvido no Brasil para atender às Forças Armadas nacionais, o Agrale Marruá tem sido vendido para exércitos de outros países, devido à sua versatilidade, robustez e baixo custo operacional. No início deste ano, a Agrale entregou outras 18 unidades do Marruá para o Exército do Equador, do modelo AM10-Rec.

Os Agrale Marruá AM20, vendidos para o Equador, são veículos de transporte de carga ou tropa. Equipados com banco auxiliares que permitem transportar até 8 passageiros na carroceria e 2 ocupantes na cabina. Possuem motorização diesel de 132 cv (Euro II), e PBT de 3.500 kg, com capacidade de carga de 750 kg, mais reboque militar de 750 kg, em qualquer terreno. Os modelos apresentam elevada robustez, velocidade máxima de 128 km/h (com velocidade mínima controlada de 4 km/h), fácil manutenção e autonomia de combustível de 900 km.

Produzido pela montadora na cidade de Caxias do Sul (RS), de acordo com as especificações das Forças Armadas, o Agrale Marruá conta com 100% de componentes nacionais. A Agrale também comercializa os Marruá desenvolvidos para uso civil em serviços severos como na mineração, manutenção de redes elétrica, serviços públicos e reflorestamento, entre outros.

FOTO: Mauro Martins

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Ministros da Defesa anunciaram acordo mais amplo para aumentar luta contra o narcotráfico em breve

O ministro da Defesa Nelson Jobim anunciou na terça-feira, 25, que Brasil e Colômbia deram início ao processo de aprofundamento de cooperação militar para tornar mais eficaz a luta contra o tráfico de drogas.

Jobim se reuniu com o ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva, em Bogotá para falar sobre questões de segurança num momento em que líderes sul-americanos criticam um pacto dos Estados Unidos com o governo colombiano. Os dois países compartilham uma fronteira de 1.645 quilômetros na floresta amazônica, onde se registrou a presença de guerrilheiros e de traficantes de drogas.

“Iniciamos um processo que deve levar muito em breve a termos um acordo mais amplo que nos permita fazer operações conjuntas maiores, trocar mais informação na fronteira, receber informações do sistema de radares e satélites do Brasil”, disse o ministro colombiano.

Silva acrescentou que a Colômbia também vai disponibilizar informação e capacitação aproveitando sua experiência na luta contra o narcotráfico. O ministro disse que ele e Jobim analisaram o tema da Unasul como mecanismo e instrumento para tratar os temas que afetam a segurança e defesa da região.

“Falamos da necessidade de continuar com o plano de trabalho que já foi estabelecido na Unasul, gerando, por exemplo, grupos técnicos para observar todos os temas, armamentismo, tráfico de armas, narcotráfico, acordos bilaterais com terceiros países”, disse. “Não temos que ter medo dos temas, tem que se estar disposto a tratar todos os temas”, acrescentou Silva.

O encontro dos ministros aconteceu num momento em que presidentes de países sul-americanos liderados pelo venezuelano Hugo Chávez têm criticado um acordo de cooperação militar entre os Estados Unidos e a Colômbia.

O acordo permite que militares norte-americanos utilizem sete bases na Colômbia para combater o narcotráfico e as guerrilhas. Mas Chávez, um duro crítico dos EUA, afirma que o plano pode provocar uma guerra na região porque Washington quer atacar seu país desde a Colômbia, o que ele não permitirá. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, o aliado mais importante dos Estados Unidos na América Latina, negou que o acordo seja para atacar outros países.

Os líderes da região vão se reunir na sexta-feira, 28, na Argentina em uma cúpula para analisar o tema das bases militares que serão utilizadas pelos EUA na Colômbia.

FONTE: Estadão/Reuters

 

(Jorge Castro – Clarin, 22/08)

  1. As empresas brasileiras representam o terceiro grupo em Wall Street, depois do Canadá e da China. A principal fonte de crescimento da economia brasileira nos últimos cinco anos é a mesma da recuperação atual: a produção e exportação de commodities (soja, minério de ferro, petróleo), voltado para o mercado sino-asiático. As exportações de produtos manufaturados representaram 61% do total em 1993, e agora são 38% – 40%.
  2. A linha estratégica central é a transnacionalização do sistema de produção, através de um duplo e sincronizado movimento de implantação de companhias brasileiras no exterior e atração de investimentos multinacionais. Este é o componente estrutural para a conversão do Brasil em personagem mundial. Brasil mudou sua política externa. Passou da reclamação (“Não a ALCA”) para liderança (“Sim à liberdade de comércio. Não ao protecionismo”).
  3. Isto significa que, na América do Sul, o Brasil não compete pela liderança regional: tem a intenção de ser o mediador entre a região e o sistema de poder mundial (EUA…). E mesmo quando experimenta uma severa derrota político-diplomática (Bolívia e Paraguai), prefere encerrar o conflito e absorver as perdas, na medida em que a questão, o país e a região perdem importância relativa para ele.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

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Para o general, falta vontade política para tirar as Forças Armadas da obsolescência

Leandro Prazeres
Da equipe de A CRÍTICA

Ninguém fala mais alto que o general Luis Cláudio Mattos, 62, na sede do Comando Militar da Amazônia (CMA). Responsável por 26,3 mil homens espalhados pelo maior comando regional da América Latina, Mattos não impressiona pelo tom de sua voz, mas pelas palavras.

Em entrevista concedida à A CRÍTICA, ele se desarma. Diz que o combate ao narcotráfico não é “missão” do Exército, que falta vontade política do governo para reaparelhar as Forças Armadas e que, se pudesse, conduziria a política externa brasileira com mais firmeza.

Sobre as bases colombianas utilizadas pelos EUA e o aumento do poder bélico venezuelano Mattos se mostra tranquilo, mas revela que os serviços de inteligência brasileiros estão atentos a esses movimentos.

A CRÍTICA: O que muda para o Brasil a partir da utilização de bases colombianas pelos Estados Unidos?
General Luis Cláudio Matto: Não muda absolutamente nada. Isso é um problema interno de soberania da Colômbia. Não fizemos nenhuma modificação da nossa estratégia em razão desse fato específico.

A CRÍTICA: Essa declaração contrasta com as reclamações do Itamaraty sobre o assunto. Esse desconforto diplomático ainda não chegou aos militares?
General Luis Cláudio Matto: Na minha avaliação não há motivo para preocupação, mas eu entendo que a preocupação do Itamaraty é uma coisa perfeitamente aceitável. O que é bom frisar é que esse problema das bases não caracteriza nenhuma ameaça militar para nós. Se nossa inteligência tivesse dado conta disso, aí sim, adotaríamos uma outra atitude.

A CRÍTICA: Os serviços de Inteligência estão apurando os reais interesses por trás desse acordo?
General Luis Cláudio Matto: Não só a inteligência militar, mas a inteligência brasileira. Por isso que eu digo que não tenho preocupação. Esse trabalho nos abastece.

A CRÍTICA: Até que ponto o aumento do poderio bélico colombiano e venezuelano têm mudado a estratégia de Defesa brasileira na Amazônia?
General Luis Cláudio Matto: Nós vivemos numa conjuntura em que temos um relacionamento excelente com todos os nossos vizinhos. Evidentemente que nós não acompanhamos esse aumento do poder militar da Venezuela, da Colômbia e do Chile. Mas isso é problema interno de cada País. Se os países julgam que, em vez de resolver alguns problemas, é melhor aumentar o poder militar… é decisão soberana do País. Nós militares (brasileiros), particularmente, temos muitas carências que se fossem solucionadas talvez, os vizinhos encarassem como aumento do nosso poderio bélico, mas são carências que temos há muitos anos.

A CRÍTICA: A nova Estratégia Nacional de Defesa (END) prevê o deslocamento de unidade para a Amazônia. Isso não é reflexo desse aumento de poder militar dos nossos vizinhos?
General Luis Cláudio Matto: Não. Reflete uma preocupação que se tem há muito tempo de nós aumentarmos o nosso poder militar na Amazônia pra garantir a soberania. Se isso fosse motivado pelo aumento do poder do vizinho, isso teria que ocorrer com muito mais rapidez. Qual é o grande ganho da END para as forças armadas? É a colocação da Defesa Nacional na agenda. Antes, só se via as forças armadas como autoritárias e repressoras.

A CRÍTICA: Venezuela e Colômbia saíram da condição de países amigos para a condição de pontos de instabilidade na América do Sul?
General Luis Cláudio Matto: Eu acho que não. As Farcs, realmente, são um desconforto muito grande. Imagina você ter um movimento contra o governo se arrastando durante tanto tempo. Mas isso é um problema interno deles que podem nos afetar se as guerrilhas entrarem no nosso território. Por isso estamos vigilantes. A mesma coisa na Venezuela. As decisões de lá podem agradar ou desagradar. Será que está bom pra eles? O dinheiro do petróleo poderia ser colocado para o país crescer, prosperar, mas se o presidente (Hugo) Chávez resolveu aumentar o seu poder militar, é decisão soberana e são os venezuelanos que tem que avaliar.

A CRÍTICA: Quais as principais preocupações militares na Amazônia? Nossos vizinhos, o narcotráfico…
General Luis Cláudio Matto: Tudo isso nos incomoda. Mas o que nos incomoda mesmo é a vigilância da nossa fronteira. São 11 mil km. Nós temos preocupação com isso, estamos vigilantes na nossa fronteira. Temos dispositivos colocados na nossa fronteira e não tenho a menor dúvida de que farão face a qualquer tipo de ameaça; a nossa estratégia é preparada para isso. Temos forças presentes e forças que podem ser deslocadas rapidamente em caso de invasão. É importante dizer que uma invasão não acontece do dia pra noite.

Falta de aperfeiçoamento tecnológico nas Forças Armadas

A CRÍTICA: Há previsão de descontingenciamento dos recursos do projeto Calha Norte?
General Luis Cláudio Matto: Há pedidos e solicitações, mas não sei dizer se há previsão. Nós somos, modéstia a parte, bons planejadores. Para nós, o principal problema não é a quantidade de recursos, mas a regularidade. O que acontece hoje é que se faz um planejamento e a lei orçamentária contempla o Exército com recursos. Aí começa o ano e aquilo tudo fica contingenciado. Não adianta ficar conversando ou discutindo. Temos que tentar obter aquele recurso. O Chile tem a lei do cobre que destina um porcentual de tributos às Forças Armadas.

A CRÍTICA: O senhor acredita que isso poderia ser aplicado no Brasil com o Pré-Sal, por exemplo?
General Luis Cláudio Matto: Com certeza. É capaz de ter alguma coisa do Pré-Sal voltada para a Marinha. Poderíamos ter um pra cada Força Armada. Nós sabemos que é uma coisa que não aparece. Soberania não aparece. Defesa é algo que não aparece. Isso já foi pensado e visto. Vira Projeto de Lei. Mas na hora que bate no Congresso você imagina a discussão.

A CRÍTICA: Então falta vontade política para destinar mais recursos para as Forças Armadas?
General Luis Cláudio Matto: Poderia dizer que sim. Agora, tanto o Executivo quanto o Legislativo, eles pensam na alocação dos recursos de acordo com a sua vontade. Realmente, se houvesse uma vontade política de aporte de recursos, com toda certeza, eles apareceriam.

A CRÍTICA: Seu antecessor, General Heleno, disse que as Forças Armadas do Brasil estão obsoletas. O senhor concorda com ele? O que seria prioridade no reequipamento das Forças?
General Luis Cláudio Matto: Concordo totalmente com o Heleno. Por isso é que está acontecendo esse planejamento todo. Esse pensamento é para tirar as forças armadas da obsolescência. Temos planos pra cada área. Por exemplo, nós temos carência de blindados. Existe uma carência de artilharia antiaérea e são perfeitamente aplicáveis na Amazônia. Comunicações é outro exemplo. Nós conseguimos nos comunicar com todas as nossas tropas, mas existe uma necessidade muito grande de um aperfeiçoamento tecnológico nessa área.

A CRÍTICA: Como executar uma Estratégia Nacional de Defesa tão ousada com um orçamento tão minguado? O senhor teme que isso fique no papel?
General Luis Cláudio Matto: Esse é o grande problema. Vai depender de vontade política. Nós sabemos que nós não vamos poder colocar mais 28 pelotões de fronteira nesses 11 mil km da noite pro dia, mas nós já tínhamos alguns desses pelotões planejados, então se não tivermos dinheiro para os 28, vamos atender aqueles que já havíamos pensado.

A CRÍTICA: Fontes dos bastidores da Polícia Federal se queixam que, apesar de ter mais gente e mais equipamento, o Exército não cumpre seu papel de polícia na faixa de fronteira no combate ao narcotráfico…
General Luis Cláudio Matto: Se alguém falou isso é porque não conhece a nossa missão constitucional. Não é missão do exército o combate ao narcotráfico. Não é missão do Exército fazer missão humanitária, ajudar na seca e nem nas cheias, mas quando tem uma tragédia, veja lá se não tem um militar ajudando. O nosso dever é a defesa da Pátria. Foi criada uma lei nos dando poder de polícia para nos dar segurança quando, na fronteira, encontrássemos alguma ação suspeita, mas ninguém sai do quartel para combater o narcotráfico. Nem na fronteira. Não saímos do quartel pra fazer isso.

A CRÍTICA: Mas num cenário de relativa paz com nossos países vizinhos, o narcotráfico não é considerado uma questão de segurança nacional?
General Luis Cláudio Matto: Não vejo como uma ameaça à nossa soberania. É um mal que atinge o nosso País todo, mas não é segurança nacional, é segurança pública. Quando o narcotráfico atingir a nossa soberania, aí sim. Quando estiver incorporado a uma guerrilha que avança sobre o nosso território, aí sim. O narcotráfico não é um problema específico das forças armadas. Ele tem que ser combatido, mas temos que ter gente pra fazer isso. Mas não é por isso que vai pegar o Exército pra cumprir uma missão que não é nossa.

A CRÍTICA: Como o senhor avalia a política externa do governo brasileiro?
General Luis Cláudio Matto: Eu não posso te dar minha opinião como militar. Posso apenas dizer o que eu acho. Eu acho que a gente poderia ser menos flexível porque o Brasil é uma potência continental. Nós poderíamos, em determinados momentos, mostrar a nossa cara. Somos potência.

A CRÍTICA: O senhor acha que o Brasil poderia ter sido “menos flexível” na invasão de instalações da Petrobras pelo exército boliviano, por exemplo?
General Luis Cláudio Matto: Eu como brasileiro acho que poderíamos ter sido mais firmes. Eu não posso concordar ou discordar da política externa brasileira. Posso dar minha opinião e acho que poderíamos ter sido mais firmes, mostrado a cara da grandeza do Brasil. Muitos não têm noção da nossa grandeza. E não é grandeza militar, mas do País como um todo. Talvez, se o Brasil usasse a sua cara e o seu poder como grande País…enfim…eu conduziria diferente, mas isso é problema do governo.

FONTE: www.acritica.com.br / COLABOROU: Marcos Aurélio-am

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COLABOROU: Luciano Vieira Santos

 

Equipe será subordinada ao Conselho de Segurança Nacional ligado ao governo, sem relações com a CIA

O presidente Barack Obama aprovou a criação de uma equipe de elite para interrogar os principais suspeitos de terrorismo, parte do esforço para modificar a política americana sobre prisões e interrogatórios. A informação foi publicada no mesmo dia em que o diário The New York Times disse que o Departamento de Justiça sugeriu ao procurador-geral, Eric Holder, a reabertura dos casos de abusos de prisioneiros, o que poderia expor funcionários e contratados da Agência Central de Inteligência (CIA) pelo tratamento cruel de suspeitos de terrorismo.

Segundo o jornal The Washington Post, Obama assinou a criação da equipe no fim da última semana. A unidade especial, chamada de Grupo de Interrogatório para Detentos de Alto-Valor (High-Value Detainee Interrogation Group) será formada por especialistas tanto do setor jurídico quanto da comunidade de inteligência e ficará instalada no FBI – a polícia federal americana. O time será administrado pelo Conselho de Segurança Nacional, o que significa que o grupo ficará fora da esfera da CIA e será totalmente controlado pelo governo americano, reportando-se diretamente à Casa Branca. Segundo o porta-voz da Casa Branca Bill Burton, a criação da nova unidade não significa que a CIA não atuará mais nos interrogatórios.

A nova unidade de interrogatórios terá como base para seus trabalhos o Manual de Instrução Militar (U.S. Army Field Manual), numa tentativa do governo de afastar-se das acusações de tortura. A prática da simulação de afogamento foi proibida, e o manual também elimina a técnica de obrigar presos a permanecerem num local com música em alto volume por longos períodos de tempo e proibi-los de dormir.

Assim que assumiu, o presidente Obama revogou os pareceres que legitimavam a tortura, ordenou o fim das prisões secretas e o fechamento de Guantánamo em um ano, além da indicação um grupo de trabalho que devia apresentar um relatório focado em como realizar os interrogatórios dos suspeitos de terrorismo. Porém, o presidente disse recentemente que não é a favor de processar funcionários do governo anterior por relação com as torturas de supostos prisioneiros.

Nesta segunda-feira, um oficial do governo confirmou a informação publicada pelo NYT de que os investigadores de ética do Departamento de Justiça recomendaram que Holder reabra os casos de suspeita de tortura e abuso de prisioneiros pelo funcionários e contratados pela CIA. A recomendação do Departamento de Justiça será uma mudança em comparação com a administração George W. Bush, que arquivou os casos. A iniciativa poderia resultar em processos criminais por supostos abusos contra suspeitos por terrorismo, nos anos posteriores ao 11 de Setembro. Holder ainda pode indicar um oficial ou um promotor criminal para trabalhar nos casos de abusos.

O porta-voz afirmou que Obama acredita que o procurador-geral deve ser totalmente independente da Casa Branca e que o presidente confia Holder para tomar a decisão de reabrir ou não os casos, com a possibilidade da criação de processos criminais.

O diretor da CIA, Leon Panetta, disse em um e-mail para os funcionários da agência de inteligência que permanecerá ao lado dos oficiais que fizeram o que foi pedido pelo país e seguiram as direções legais que foram dadas. “Essa é a posição do presidente também”, afirma a mensagem. Panneta disse que alguns funcionários da CIA foram disciplinados por irem além dos métodos de interrogatório aprovados pelo Departamento de Justiça na era Bush.

Ainda nesta segunda, um documento compilado em 2004 pelo então inspetor-geral da CIA será publicado e deve trazer detalhes de abusos contra prisioneiros. A divulgação do relatório foi requisitada pela União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês).

FONTE
: Estadão

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A Colômbia advertiu nesta segunda-feira que repelirá a política “intervencionista” e “expansionista” do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, depois de ele ter intensificado suas críticas a um acordo militar da Colômbia com os Estados Unidos que desatou uma crise diplomática entre os dois países vizinhos.

O embaixador da Colômbia na Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Alfonso Hoyos, disse que o governo do presidente Alvaro Uribe recorrerá a esse órgão para denunciar as constantes agressões de Chávez e sua intervenção em assuntos internos.

“O governo nacional repelirá todas as ações do projeto expansionista na Colômbia ratificado publicamente pelo presidente Hugo Chávez. De nenhuma maneira se pode tolerar que os colombianos de bem sejam insultados,” disse um comunicado lido por Hoyos.

Chávez pediu no domingo que sua ministra da Informação, Blanca Eckhout, faça “tudo o que for necessário” para que suas reivindicações sejam difundidas na Colômbia.

O presidente venezuelano propôs recorrer a aliados na Colômbia, que disse serem muitos, para transmitir suas mensagens.

“A burguesia colombiana não quer que esta minha palavra chegue ao povo, tem medo de que a palavra de Chávez seja ouvida pelo povo da Colômbia,” afirmou Chávez, que admitiu ter simpatias pelo Polo Democrático Alternativo, um dos principais partidos de oposição a Uribe.

Chávez também ordenou a investigação nas empresas colombianas na Venezuela para detectar possíveis vínculos com o narcotráfico.

As relações entre Colômbia e Venezuela voltaram a ficar turbulentas depois da decisão de Uribe de firmar um acordo com os EUA que permite aos militares norte-americanos o uso de pelo menos sete bases colombianas no combate ao narcotráfico e ao terrorismo.

Chávez garante que as bases constituem uma ameaça para seu país e seu projeto político de implementação do socialismo, enquanto Uribe nega que essas instalações possam sr usadas para ataque a vizinhos ou desenvolvimento de projetos intervencionistas.

Chávez tem como aliado nessas rejeição o presidente da Bolívia, Evo Morales, que recentemente chamou Uribe de “traidor” por permitir a presença de militares norte-americanos em seu território e na América Latina.

A questão das bases será abordada pelos presidentes sul-americanos na sexta-feira, em uma cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Bariloche, na Argentina.

FONTE: Reuters

 

Projeto cria órgão para coordenar ações do Exército, Marinha e aeronáutica; comandanteseria escolhido pelo presidente Ministério da Defesa teria secretaria para centralizar compra de armas; proposta ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou ontem a reformulação da área de Defesa, inclusive com a criação de um Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, a ser comandado por um oficial de quatro estrelas (o mais alto da hierarquia militar), com a função de articular a doutrina, exercícios e as operações comuns a Exército, Marinha e Aeronáutica.

Trata-se, de certa forma, de uma reconstituição do antigo EMFA (Estado Maior das Forças Armadas), que existiu durante os governos militares e foi extinto pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, quando foi criado o Ministério da Defesa, que coordena as três Forças, e que irá coordenar também o novo órgão. A diferença é que o EMFA era essencialmente burocrático e o seu sucessor será operativo.

A tendência é que o primeiro comandante do novo órgão, responsável por sua implantação e transição, seja o almirante de esquadra João Afonso Prado Maia de Faria (quatro estrelas), que atualmente ocupa a chefia do Estado Maior da Defesa.

Não há norma sobre o processo de escolha do comandante do órgão, mas a tradição, desde o EMFA, é que haja rodízio entre almirantes, generais e brigadeiros, sempre de quatro estrelas, por escolha direta do presidente da República.

O projeto de reformulação está em gestação há pelo menos um ano e meio, mas precisou de intensas negociações dentro das Forças até ser acatado pelos respectivos comandantes. O novo chefe terá o mesmo status hierárquico que eles.

A questão foi levada ontem a Lula pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, cujo projeto prevê também mudanças no próprio ministério, com a criação de uma secretaria exclusiva, vinculada ao ministro, para centralizar os projetos de compras das Forças Armadas.

Hoje, a Marinha planeja e executa compras de submarinos. A Aeronáutica é responsável pela aquisição de aviões de caça, e o Exército, de tanques.

A secretaria segue um modelo aproximado ao da DGA (Delegação Geral de Armamento), da França, que Jobim visitou no início de 2008, e que tem um orçamento anual de cerca de 10 bilhões, para todas as compras militares do país.

Outro ponto considerado fundamental no projeto aprovado por Lula ontem é uma mudança operacional: a Aeronáutica e a Marinha vão passar a ter poder de polícia nas áreas de fronteira terrestre e marinha. Hoje, só o Exército tem.

Todas as mudanças dependem de votação no Congresso, porque alteram a lei complementar 97/117, de 1999, que criou o Ministério da Defesa.

FONTE: Folha

FOTO: (lançamento da Estratégia Nacional de Defesa em 2008) – Agência Brasil

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