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Pasta da Defesa será reestruturada

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, deve apresentar amanhã (21), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro pacote de propostas da Estratégia Nacional de Defesa, lançada em dezembro do ano passado pelo governo federal. Segundo Jobim, serão apresentadas quatro propostas: a reformulação do emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem, a alteração da estrutura militar de guerra do país, mudanças na estrutura do Ministério da Defesa e a articulação conjunta das forças.

Segundo a assessoria do Ministério da Defesa, no entanto, ainda não é possível adiantar detalhes destas propostas, já que elas ainda não foram apresentadas ao presidente. Em discurso na Escola Superior de Guerra hoje (20), Jobim afirmou que a implantação da Estratégia, lançada há oito meses, está caminhando “na velocidade do bom senso, no trânsito normal de uma sociedade democrática, que tem a característica de saber administrar o dissenso.”

“O Brasil finalmente terá as Forças Armadas que almeja e que necessita. Forças Armadas motivadas, equipadas, instruídas e bem treinadas, para, de forma conjunta, manter a dissuasão como um instrumento eficaz de nossa estratégia de defesa territorial”, disse.

Outro plano previsto é a mudança do comando da Escola Superior de Guerra (ESG) para Brasília. Segundo o ministro, a mudança é necessária para que haja uma integração maior com o Ministério da Defesa.

De acordo com Jobim, a escola continuará ocupando seu prédio histórico no Rio de Janeiro e, portanto, passará a funcionar com dois campi: um no Rio e outro em Brasília. O ministro afirmou que, além de sediar o comando da ESG, a unidade de Brasília também oferecerá cursos para formar pessoal civil para uma carreira de Defesa, assim como o Instituto Rio Branco já faz com a carreira diplomática.

FONTE: Agência Brasil /FOTO: Ministério da Defesa

 

De origem militar, sistema ‘caça-tiros’ desembarca no país

No mês passado, numa tarde de domingo, o menino William Moreira da Silva, de 11 anos, empinava pipa em uma fábrica em Barros Filho, na zona norte do Rio de Janeiro, quando foi atingido por uma bala perdida. Algumas testemunhas disseram que o tiro partiu de policiais militares que costumam fazer ronda na região. A PM negou as acusações e informou que não tinha feito nenhuma operação por ali. Suspeita-se também que seguranças da fábrica possam ter trocado tiros com traficantes de drogas. William chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O caso segue sob investigação.

Episódios de violência como esse, em que a identificação do culpado pelo homicídio é uma tarefa difícil, já levou a polícia de diversas cidades dos Estados Unidos a adotar uma tecnologia de uso militar para encontrar os culpados e, em muitas ocasiões, salvar vidas.

O chamado “sistema de detecção de disparos de armas de fogo” é uma invenção da americana ShotSpotter, empresa do Vale do Silício, na Califórnia. A companhia, que até agora só atuava nos EUA, acaba de montar um escritório no Rio. O plano é inaugurar mais duas instalações em breve, em São Paulo e Belo Horizonte.

A tecnologia da ShotSpotter funciona como um “caça-tiros”. A empresa instala sensores de áudio no topo de prédios de grandes áreas urbanas. Esses sensores se comunicam por meio de um sistema acústico desenvolvido pela empresa e fazem a varredura da região. Tudo está integrado a um sistema de mapeamento via GPS. Se o disparo de uma arma de fogo ocorre no perímetro coberto pela tecnologia – cada sensor alcança um raio de dois quilômetros, em média – o sistema acústico detecta automaticamente o som e, em no máximo nove segundos, exibe um mapa com a indicação precisa do local onde aquele tiro foi dado. O alerta pode ser configurado para chegar a centrais da polícia, redes de emergência ou uma viatura que esteja mais próxima do local.

Fundada há 15 anos por três cientistas, a ShotSpotter já instalou seus sensores em 45 cidades dos EUA, entre elas Los Angeles, Washington, Chicago, Boston e San Francisco. A precisão da informação e a agilidade no tempo de resposta, diz James Beldock, presidente e executivo-chefe da ShotSpotter, se tornaram ferramentas cruciais nas mãos dos policiais. Beldock, que esteve em São Paulo nesta semana, falou com exclusividade ao Valor.

“Nos EUA, quando um tiro é disparado, apenas 20% dos casos são informados ao [serviço de emergência] 911″, comenta. “Isso significa que, em 80% dos casos, ninguém é informado em tempo hábil de fazer alguma coisa.”

Nos últimos quatro anos, diz Beldock, as cidades americanas que adotaram o sistema conseguiram salvar a vida de 220 pessoas que foram baleadas porque a polícia e o serviço médico chegaram rapidamente aos locais do crime.

O desenvolvimento da tecnologia, segundo o executivo, custou US$ 35 milhões aos investidores da ShotSpotter, um grupo de empresas de capital de risco. Um dos aperfeiçoamentos permite ao sistema distinguir o som de um tiro – ou vários – daquele emitido por rojões e outros fogos de artifício. “Também passamos oito meses trabalhando em uma assinatura acústica para fazer com que o sistema não confundisse o som de uma metralhadora com o de um helicóptero”, comenta Beldock. “Uma pessoa percebe a diferença facilmente, mas ensinar isso a um computador não é algo tão simples, o registro do som é muito parecido.”

Além de acelerar o socorro a vítimas e aumentar a possibilidade de prender o autor do disparo, o sistema tem ajudado a diminuir o número de homicídios nos EUA, diz o executivo. “Ao ter uma visão detalhada das ocorrências, é possível direcionar esforços com mais precisão. Isso é fundamental para a polícia gastar energia e tempo com o que realmente é crítico.”

A ShotSpotter ainda não tem contrato fechado no Brasil, mas as negociações estão adiantadas com o governo do Rio, afirma Roberto Motta, diretor da ShotSpotter no país. Uma comitiva do Estado esteve nos EUA para ver a tecnologia de perto e já existe um projeto desenhado que cobriria a região da Tijuca. A previsão é de que o primeiro contrato no Brasil seja assinado nas próximas semanas, diz Motta.

O plano, segundo Beldock, é investir entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões em ações de venda e marketing no país nos próximos três anos. A empresa também está escolhendo integradores de sistemas e um fabricante local para os equipamentos. A produção consumirá mais US$ 4 milhões. “Vamos produzir no Brasil e, a partir daqui, exportar para a América Latina.”

A meta é espalhar seus sensores em uma área total de 500 quilômetros quadrados em todo o país, nos próximos cinco anos, o que geraria uma receita de aproximadamente US$ 400 milhões.

Nos EUA, a ShotSpotter é concorrente direta da também americana BBN Technologies. No mês passado, a BBN fechou um contrato de US$ 74 milhões com o o exército americano para entregar 8,1 mil detectores portáteis. O equipamento, conhecido como “Boomerang”, deverá ser usado nos conflitos dos EUA com o Oriente Médio.

FONTE: Valor Econômico, via Notimp / IMAGEM: tela do console do sistema – Shotspotter

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Para começar a sexta feira com bom humor (ou mau humor, dependendo do ponto de vista em relação ao conhecimento dos parlamentares sobre a Defesa e outros assuntos).

Nesse vídeo de quase 8 minutos, originariamente trecho do programa CQC da TV Bandeirantes, a parte diretamente relacionada aos 10 anos do Ministério da Defesa começa aos 4 minutos e vai até os 5 minutos e meio, aproximadamente.

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Encontradas embarcações da Revolta dos Tenentes Paulistas

Um resgate raro, de embarcações que naufragaram longe do mar, no interior do país, revelou um capítulo da nossa história. A cidade parou para ver a história que veio à tona foi uma atração registrada por todos os ângulos.

Mergulhadores encontraram os barcos por acaso no Rio Paraná, a uns 30km de Porto Rico. A notícia correu e um empresário organizou o resgate. As embarcações estavam lado a lado, a 8 metros de profundidade. Dentro, talheres, cintos fivelas, ossadas e muita munição.

São carcaças diferentes com mais ou menos 17m de comprimento, 4m de largura, marcas de tiros e alguns mistérios. O veredicto foi dado por historiadores. As embarcações teriam naufragado em 1924, durante um combate na chamada Revolta dos Tenentes Paulistas.

Segundo historiadores, as embarcações desciam o Rio Paraná, lotadas de soldados revoltosos. A missão era conquistar a região de Guaíra, à época um ponto estratégico. Numa batalha sangrenta, tropas federais, teriam surpreendido e bombardeado os barcos. “Acredita-se que nesta batalha devem ter morrido uns 512 homens”, afirmou um pesquisador.

Agora, as peças vão pra um museu e os barcos, para a oficina. Se a restauração der certo, os dois barcos voltarão para o batente, mas com uma nova missão: levar turistas e um pedaço da história pelas águas do Rio Paraná.

FONTE: Jornal Nacional

 

General diz que Brasil está “vigilante na fronteira” por acordo Colômbia-EUA

Brasileiro, porém, reconhece que parceria com Forças Armadas americanas é de grande ajuda para Bogotá no combate à narcoguerrilha

O novo chefe do CMA (Comando Militar da Amazônia), general Luis Carlos Gomes Mattos, disse que “é motivo de preocupação” o acordo entre EUA e Colômbia para o aumento da presença militar americana em uma área estratégica de segurança na Amazônia, próxima da fronteira do Brasil.

O Exército brasileiro tem 26.300 homens na região. “Qualquer coisa que aconteça próxima às nossas fronteiras é motivo de preocupação, e a recíproca é verdadeira”, disse.

“Qualquer coisa que nós fazemos próxima das nossas fronteiras causa uma certa preocupação naquele país fronteiriço, mesmo que tenhamos excelente relacionamento.”

Segundo o acordo militar entre os EUA e a Colômbia, 1 das 3 bases aéreas que os aviões americanos poderão usar ficará na região colombiana de Apiay, a cerca de 50 km (em linha reta) da divisa com a chamada Cabeça de Cachorro, no noroeste do Amazonas. O governo brasileiro respeita o acordo, mas quer garantias de que a atuação militar americana se restrinja ao território colombiano.

Luis Carlos Gomes Mattos, 62, assumiu o comando do CMA em abril, no lugar do general Augusto Heleno. Foi chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia e vice-chefe do Estado-Maior do Exército.

Ele disse que há nas unidades militares na fronteira brasileira dispositivos que podem impedir um eventual transbordamento do conflito na Colômbia, caso a “soberania” brasileira seja afetada. “O que significaria afetar a nossa soberania? Adentrar o nosso território, ações no nosso território. Aí nós teríamos outra providência”, afirmou o general.

“Enquanto isso não acontecer, nós estamos vigilantes na fronteira. E esse é o motivo de estarmos aqui. E esse é o motivo pelo qual a estratégia nacional de defesa prevê a vinda de mais tropas para a Amazônia.”

Sobre a justificativa da Colômbia para o acordo com os EUA -combater o narcotráfico e a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)-, o general Mattos disse que nos últimos anos houve vitórias significativas do Exército colombiano. Ele atribui as vitórias ao apoio da tecnologia americana.

“Se esse grupo está encurralado hoje, ele pode crescer. O tipo de combate que esse grupo trava com as tropas do governo é um combate irregular, então isso pode evoluir rapidamente, a não ser que ela seja completamente eliminada, e ela não está completamente eliminada. Acredito que [esse aspecto justificaria a presença dos EUA] sim”, afirmou o general.

Encontro nos EUA

O Departamento de Estado americano anunciou ontem que a secretária Hillary Clinton receberá hoje o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, para discutir a questão das bases. Os dois países chegaram a um acordo na sexta, mas ele ainda passará por revisão técnica antes da assinatura.

FONTE: Agência Folha, Manaus – KÁTIA BRASIL / COLABOROU: Germano Grinfelder

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Os governos da Rússia e da Líbia assinaram um contrato para a modernização de, pelo menos, 145 carros de combate T-72 que se encontram em atividade no Exército Líbio informou a agência russa Ria Novosti.

As conversações começaram em 2006 e não foram muito fáceis. Desde que as sanções da ONU contra a Líbia foram suspensas em 2003, a Rússia tem enfrentado forte concorrência dos países ocidentias na venda de material ou serviços relacionados à área de defesa.

Durante anos a Líbia foi um grande parceiro da URSS, sendo um dos maiores compradores de armas soviéticas. Pelo menos 2.000 carros de combate e outros 2.000 blindados diversos foram adquiridos pelo páis de Kadafi desde a década de 1970.

Segundo um analista militar russo, os carros de combate líbios necessitam de uma revisão urgente. Este comentário não se refere somente aos T-72, mas também aos T-62, T-55 e T-54 ainda existentes no arsenal líbio.

 

Trechos do artigo de Diego R. Guelar, ex-embaixador e atual Secretário de Relaciones Internacionales do PRO (partido de Macri, prefeito de Buenos Aires).

  1. Há apenas 10 anos a relação econômica Argentina-Brasil era de 1 a 4, o que era uma paridade efetiva já que o Brasil tem 8,5 mi-km2 e 200 mi de habitantes e a Argentina 2,7 mi-km2 e 39 mi de habitantes. Consumo energético, produção e exportações mantinham relações aproximadas que permitiam montar uma integração baseada numa igualdade relativa. O esquema fechava com a inclusão do Paraguai e do Uruguai e assim foram formulados os tratados de Assunção (1991) e Ouro Preto (1994).
  2. O projeto contemplava a consolidação de uma União Aduaneira e a extensão progressiva a seus vizinhos. O mercado único seria um objetivo a longo prazo. A crise brasileira de 1999, o default argentino de 2001 e a inclusão do regime chavista, desviaram o rumo e alteraram o cronograma previsto. Pese a que a relação 1 a 4 ainda seja válida nas exportações (2008: exportações argentinas US$ 69,6 bi e brasileiras US$ 197,9 bi), outros dados comparativos mostram que devemos repensar a integração a partir do acesso brasileiro ao pelotão das 10 economias mais importantes do mundo.
  3. As dez maiores empresas, pelo valor de seus ativos: as do Brasil somam 313 bilhões de dólares e as da Argentina 73 bilhões de dólares. Por vendas as brasileiras somam 221,6 bilhões de dólares e as argentinas 51,1 bilhões de dólares.
  4. A Argentina ainda tem tempo de subir no trem da história e recuperar sua posição relativa. A Argentina conserva seu lugar no Mercosul, é o principal aliado extra-Otan dos EUA, exerce a secretaria permanente do Tratado Antártico e é integrante do G-20. Reconstruindo nossas instituições políticas, implementando um programa de convergência macroeconômica com o Brasil num prazo de dez anos e consolidando a dimensão sul-americana da proposta integradora, seremos atores importantes no século 21.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

 

Uma nova arma no GC do USMC – M32

Irmão do autor da matéria usando o M32

Irmão do autor da matéria usando o M32

O Lançador de Granadas Múltiplas M32 possui capacidade para seis disparos 40mm semi-automáticos. Desenvolvido pela empresa Milkor da África do Sul, ele foi adotado pelo United States Marine Corps em 2006.

O sistema é capaz de usar munições HE, HEAT, GLO, pirotécnicos inclusive infravermelhos e irritantes. Tem um alcance máximo efetivo de 400m contra alvos e possui uma mira ótica. Seu emprego aumenta dramaticamente o poder de fogo de uma unidade.

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Segundo um analista militar russo, a Venezuela está planejando comprar da Rússia tanques do tipo T-72.

O presidente venezuelano Hugo Chávez disse numa conferência de imprensa, na quarta-feira, que o país pretende comprar vários batalhões de tanques russos em resposta a um possível aumento de militares dos E.U.A. na vizinha Colômbia.

“Os tanques em questão são provavelmentes o modelo T-72, os quais são os que mais se enquadram as necessidades do mercado latino-americano”, disse Konstantin Makiyenko, diretor adjunto do Centro de Análise Estratégica, com base Moscow.

Ele acrescentou que a Venezuela poderia comprar até mesmo novos tanques T-90, mas que, devido ao baixo preço do petróleo nos mercados atuais, seria mais lógico a compra do T-72.

O preço de um T-90 (MBT), fabricados pela empresa russa Uralvagonzavod sendo que o valor médio é de 5-7 milhões de dolares, enquanto o preço do modelo T-72 é de 1-2 milhões de dolares, disse o analista. Um batalhão de tanque russo é composto por 31 tanques.

No ano passado, Uralvagonzavod produziu um total de 165 tanques T-90. Mais da metade dos veículos foram exportados, e os restantes substiuíram alguns dos tanques T-72 usados nas Forças Armadas da Rússia. O analista disse que a Rússia pode ter tanques T-72 disponíveis para a atender a necessidade da Venezuela.

A Venezuela já gastou cerca de 4 bilhões de dolares desde 2005 em armas russas, incluindo helicópteros, caças e fuzis de assalto Kalashnikov.

FONTE: RIA Novosti

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A volta da Engesa

Acordo sigiloso com o grupo europeu EADS retoma marca histórica da indústria bélica

Claudio Dantas Sequeira

No dia 7 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu convidado, Nicolas Sarkozy, da França, terão um motivo a mais para comemorar. Além de assinarem o contrato de fornecimento dos 51 helicópteros de transporte militar EC-725, lançarão a pedra fundamental da “Engesaer”, holding que tomará a frente das iniciativas de transferência de tecnologia no âmbito da Estratégia de Defesa Nacional. A marca Engesa fez história no País entre as décadas de 70 e 80, quando figurou como importante indústria de material bélico, exportando caminhões militares e blindados leves para 18 países. Espera-se reeditar o sucesso da época e levar o Brasil de volta ao seleto grupo de fabricantes de armamentos. No comando da iniciativa está o coronel reformado Oswaldo Oliva Neto, irmão do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e ex-assessor do ex-ministro Luiz Gushiken, quando esteve à frente do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência, depois transformado em Ministério.

Íntimo do poder e dos militares que comandam a indústria de defesa nacional, Oliva Neto vem trabalhando há quase um ano nos bastidores para a concretização do projeto. Nos últimos meses, ele manteve encontros privados com os comandantes das Forças Armadas e representantes do Ministério de Desenvolvimento, da Defesa e do BNDES. Mas o tema é coberto de sigilo, e cláusulas de confidencialidade do acordo impedem que Oliva Neto e a EADS, o detalhem.

Professor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, o coronel reformado Geraldo Cavagnari avalia que a reedição da marca Engesa faz parte das ações para “revitalizar a indústria de defesa brasileira e ingressar em níveis tecnológicos mais elevados”. Cavagnari lembra que a Engesa construiu um mercado amplo e chegou a exportar para a África e o Oriente Médio, como os casos de Angola, Líbia e Iraque. Embora seus produtos mais conhecidos sejam os blindados Urutu e Cascavel, a Engesa se transformou num poderoso grupo que produziu desde tratores agrícolas até radares. Foi à falência em 1993, vitimada por problemas financeiros que tiveram origem na má gestão da companhia, segundo Reinaldo Bacchi, ex-gerente de marketing e produtos militares da Engesa. “Tem gente que inventa história de calote iraquiano, mas isso nunca existiu. Quem ficou devendo foi a Engesa.” Segundo o advogado Maicel Anésio Titto, que cuidou do espólio, há poucos anos o registro da marca caducou, permitindo sua apropriação por terceiros.

Segundo Oliva Neto, a ideia de criar a Engesaer surgiu tanto da demanda nacional pela reativação da indústria bélica como da necessidade do próprio grupo EADS de negociar a transferência de tecnologia do contrato dos helicópteros, estimado em US$ 6 bilhões. Havia desconforto dos europeus em lidar pontualmente com várias pequenas empresas, sem a garantia de que os parceiros teriam condições econômicas e tecnológicas que justificassem a desmobilização de fornecedores na Europa. Numa cadeia produtiva, com tamanho grau de integração, qualquer falha na produção pode ter consequências desastrosas. “Com a holding, as desconfianças são dissipadas, uma vez que os investidores europeus terão a oportunidade de acompanhar o dia a dia das companhias que receberão a nova tecnologia”, afirma Oliva Neto. “Além de profissionalizar o setor, o desenvolvimento de massa crítica e a instalação de capacidade produtiva, ampliam as possibilidades da Engesaer muito além do projeto dos helicópteros.” A EADS já está enviando especialistas da unidade de negócios e engenheiros para visitar as empresas brasileiras e avaliar a capacidade de produção de bens e serviços. O objetivo é estimar como o Brasil participará na escala mundial do grupo.

A Engesaer representa a criação no Brasil de uma plataforma segura para a nova estratégia de negócios do grupo europeu, que prevê levar para fora da zona do euro até 40% de toda sua produção, a fim de reduzir custos com a obtenção de isenções fiscais e mão de obra mais barata. Essa lógica já vem sendo adotada no contrato dos helicópteros, que prevê a nacionalização de 50% da produção. É possível que o EC-725 seja produzido integralmente na fábrica da Helibrás, com vistas à exportação. Pensando nisso, a EADS adquiriu recentemente, por meio do consórcio Eurocopter, 70% da companhia brasileira. No caso da Engesaer, a participação acionária do grupo europeu estará limitada a 20%, para evitar que o negócio seja visto como “invasão estrangeira”. O restante será aberto a investidores nacionais, como fundos de pensão. O governo federal, por sua vez, terá uma golden share, como ocorre com a Embraer, a fim de exercer o controle estratégico das operações.

Inicialmente, a Engesaer aproveitará a capacidade instalada de, ao menos, cinco empresas do setor de defesa: Imbra Aerospace e Mectron Engenharia, Akaer, Atmos e Gigacom, cujos presidentes coordenarão diferentes núcleos de negócios, como engenharia, aeroestrutura, sistema de armas e comunicação. Com esse modelo de produção, uma empresa torna-se fornecedora da outra, eliminando a verticalização do imposto.

Além de helicópteros, a holding também construirá satélites de controle de tráfego aéreo e sistemas para a área de segurança pública. Para o consultor em segurança nacional Salvador GhelfiRaza, do Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa, braço acadêmico do Pentágono, a estratégia da EADS segue a tendência internacional. “O modelo de negócio é correto, mas o Brasil não está preparado”, afirma Raza. Segundo ele, há barreiras tecnológicas, financeiras e de legislação que podem dificultar o sucesso do negócio.

FONTE: Isto É

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