Página 4 de 512345

Projeto enviado por Bachelet ao Congresso nesta semana conta com apoio da oposição

Claudia Antunes

Herança da era Pinochet, lei que governo deseja revogar permitiu ao Chile ser o país que mais gastou com armas na região entre 2000 e 2008

A presidente chilena, Michelle Bachelet, enviou ao Congresso nesta semana projeto para revogar a Lei do Cobre, que destina às Forças Armadas 10% do dinheiro das vendas do metal, principal produto de exportação chileno. O dinheiro era usado exclusivamente para a compra de armas.

A revogação da lei vinha sendo negociada por Bachelet havia dois anos. Ela deve ser aprovada até as eleições presidenciais de 11 dezembro, já que há apoio da maioria das forças políticas, incluindo a direita.

O fim da Lei do Cobre e a sua substituição por normas que submetem todo o orçamento da área ao controle civil deverão provocar a redução dos gastos militares do país. Em relação ao PIB (3,4%, em 2007) e à população (US$ 281,06 per capita), eles são hoje os maiores da América do Sul.

Com 17 milhões de habitantes -menos do que a Grande São Paulo-, o Chile foi o país da região que mais gastou com armamentos entre 2000 e 2008, segundo o Sipri (Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo), que mantém banco de dados sobre o tema.

As contas do Sipri não incluem ainda as compras da França recém-anunciadas pelo Brasil, mas levam em conta boa parte dos gastos da Venezuela entre 2006 e 2008 com armas compradas da Rússia.

Bachelet é a quarta presidente eleita desde 1989 pela Concertação, coalizão do Partido Socialista com a Democracia Cristã. Internamente, sua medida significa o último passo importante na abolição de leis herdadas da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1989). Ontem foi o 36º aniversário do golpe militar.

A Lei do Cobre original, de 1958, destinava 15% dos lucros das mineradoras a um fundo para equipar as Forças Armadas. Mas ela foi reformulada na ditadura para estabelecer o percentual sobre as vendas e um piso mínimo, equivalente a US$ 240 milhões.

“O projeto [do governo] normaliza o Chile nesse aspecto, o transforma num país democrático normal”, disse à Folha o analista chileno Raúl Söhr, especialista em temas militares.

Externamente, a lei deverá ter reflexos, segundo Söhr, na relação com o Peru, com quem o Chile tem uma antiga disputa sobre limites marítimos, em exame pela Corte Internacional de Justiça, em Haia (Holanda). Sem chegar ao nível chileno de gastos, o Peru vinha aumentando suas compras bélicas desde 2006.

“Os temores peruanos são compreensíveis. As compras de armas foram excessivas em relação às necessidades de segurança do Chile”, disse Söhr.
Ao firmar o projeto enviado ao Congresso, numa cerimônia da qual participaram os chefes militares, Bachelet ressaltou que o fim da Lei do Cobre aumentará a competitividade da Codelco, única estatal importante que não foi privatizada durante a ditadura.

Como a “taxa” para a compra de armas era sobre as vendas, a empresa entregava aos militares cerca da metade do valor que destinava ao Fisco. Com a alta do cobre nos últimos anos, isso rendeu em média US$ 1 bilhão, pouco menos de um quarto do orçamento militar chileno no ano passado.

O esperado fim da Lei do Cobre deve ser o último ato importante do governo Bachelet. Mesmo o candidato da direita a sua sucessão, Sebastián Piñera, que hoje lidera as pesquisas, apoia o projeto.

Financiamento futuro

O esperado fim da Lei do Cobre não significa que os militares chilenos vão ficar a pão e água. A proposta de legislação substituta encaminhada pelo governo ao Congresso prevê que o Ministério da Defesa coordenará o planejamento para o “desenvolvimento das capacidades estratégicas da defesa” (isto é, novos armamentos), levando em conta períodos de 12 anos e orçamento para cada quatro anos.

Esse orçamento será aprovado pelo presidente, e, a cada ano, a parte correspondente será liberada junto com o Orçamento geral do Estado.

O projeto também prevê a criação de um fundo de contingência para gastos excepcionais, administrado pelo Ministério da Fazenda.

Em termos institucionais, a maior novidade é que as despesas serão submetidas ao crivo de autoridades eleitas, enquanto os fundos da Lei do Cobre eram controlados pelos militares. Mas os dados sobre “investimentos em defesa” manejados pelo governo e o Congresso terão caráter “reservado”.

De acordo com a imprensa chilena, duas reivindicações dos comandantes militares não foram atendidas: a de que houvesse um piso mínimo para os orçamentos e a de que a parcela anual fosse reajustada por um indicador fixo, como a variação do PIB.

FONTE: Folha de São Paulo

 

Aperto financeiro no Exército

Estoques estratégicos praticamente se esgotaram

Depois das promessas de a Marinha receber novos submarinos e a Força aérea Brasileira (FAB) caças supersônicos, o Exército entrou na fila do reaparelhamento com um plano de gastos orçado em R$ 20 bilhões em dez anos. O Exército, de acordo com militares, enfrenta problemas de falta de munição e até diminuiu o expediente como forma de economizar recursos.

O pacote de reaparelhamento, que prevê gastos de pelo menos R$ 2 bilhões por ano será encomendado a empresas brasileiras. Mas, para vingar, o plano não poderá ser atingido pela tesoura do Ministério do Planejamento, responsável pelo contingenciamento do Orçamento da União.

A modernização do Exército passa pela troca dos 150 mil fuzis FAL, que estão com mais de 40 anos de uso, uma nova família de 400 blindados, modernização e repotencialização dos cerca de 1,5 mil carros de combate, compra de radares de baixo e de longo alcance, construção de 28 novos pelotões de fronteira – dentro do projeto Amazônia Protegida – e aquisição do sistema integrado de vigilância e monitoramento de fronteiras. O sistema integrado está incluído no acordo militar com a França e custará cerca de US$ 2,7 bilhões.

A situação orçamentária do Exército é considerada grave pelos militares. Do orçamento aprovado para este ano, de R$ 2,4 bilhões, R$ 580 milhões estão contingenciados trazendo complicações para as operações rotineiras.

HAITI

A tropa que substituirá os 1,3 mil militares que estão no Haiti, em fevereiro do próximo ano, poderá não estar suficientemente adestrada. De acordo com o Exército, são necessários R$ 90 milhões para treinar esse contingente, mas só R$ 58 milhões chegaram à Força até agora.

Uma das consequências disso é que os militares que embarcarão para o país caribenho, como integrantes da Força de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), deveriam haver disparado em exercícios militares pelo menos 200 tiros reais, mas só conseguiram efetuar até agora 50 disparos. O motivo é a falta munição.

Diante do constante aperto que o Exército vem enfrentando nos últimos anos, os estoques estratégicos foram sendo usados para treinamento e praticamente se esgotaram, o que é considerado uma temeridade pelos próprios militares. A Força está com problemas também em seu estoque de munição pesada.

Para segurar as despesas, o Exército já suspendeu o expediente nas manhãs de segunda-feira e tardes de sexta, e novas medidas ainda poderão ser anunciadas.

FONTE: Jornal de Penambuco, via Notimp

 

Presidente venezuelano diz que ‘foguetinhos’ têm alcance de 300 Km e serão usados para defesa.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta sexta-feira (11) que o país vai receber em breve mísseis de fabricação russa com alcance de 300 km. “Em breve alguns foguetinhos estarão chegando. E eles não falham”, disse Chávez na capital venezuelana, Caracas, após voltar de uma viagem de dez dias por países da África, Ásia e Europa, entre eles a Rússia.

Chávez disse que os mísseis são apenas para uso defensivo. “Não vamos atacar ninguém. Estes são apenas instrumentos de defesa, porque nós vamos defender nosso país de qualquer ameaça, venha de onde vier”, afirmou.

FONTE: G1/BBC

 

Augusto Heleno diz que poder militar brasileiro, a ser construído com investimento em tecnologia, corresponde à crescente importância estratégica do país no mundo

Dois dias depois do anúncio, pelo governo brasileiro, da compra de quatro submarinos e do início das negociações para a aquisição de 36 caças franceses Rafale, o chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, general Augusto Heleno, negou que o país esteja envolvido em uma suposta corrida armamentista na América do Sul.

– Não participamos de nenhuma corrida armamentista. O que se busca é uma expressão de poder militar compatível com a expressão estratégica do país – disse Heleno ontem na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT).

O Brasil tem se tornado cada vez mais relevante no cenário internacional, disse o general, tanto que apenas quatro países – Rússia, Estados Unidos, China e o próprio Brasil – contam, ao mesmo tempo, com área superior a 4 milhões de quilômetros quadrados, população que ultrapassa 100 milhões de habitantes e PIB maior que US$ 400 bilhões. Já a expressão do poder militar de um país está ligada ao poder tecnológico, área na qual o Exército brasileiro ainda conta com recursos modestos. Neste ano, lembrou, serão liberados para o setor cerca de R$ 80,2 milhões.

A prioridade do Exército tem sido para a chamada guerra cibernética, afirmou.
– Ninguém é capaz de se tornar invulnerável, mas temos que criar uma estratégia de proteção contra a guerra cibernética – disse, citando como possíveis alvos a serem protegidos bancos, usinas elétricas e empresas de telefonia.Entre as pesquisas que poderão beneficiar a aplicação militar e o uso civil, Augusto Heleno salientou as destinadas à produção de biodiesel na Amazônia e de fibra de carbono, necessária inclusive à exploração de petróleo.

FONTE: Jornal do Senado

Tagged with:
 

Antonio Jorge Ramalho

“O Brasil não é para principiantes”, dizia Tom Jobim aos estrangeiros que lhe pediam para explicar certas coisas de nosso país. E sorria. É um país difícil de entender.

Desde a semana passada, parece que Defesa Nacional virou assunto importante. O Senado Federal autorizou o empréstimo necessário a adquirir 4 submarinos convencionais e 50 helicópteros, além de concluir o projeto do submarino movido a propulsão nuclear. Ato contínuo, fala-se da compra dos caças destinados a reaparelhar a Força Aérea. Outra parte do dinheiro estava no orçamento da União, entregue ao Congresso na mesma semana.

Embora se tenha considerado a menção aos caças indício de preferência pela proposta francesa, o Governo diz não ter tomado a decisão sobre o Programa FX-2. Suécia e EUA ainda estão no páreo. Tudo depende de possíveis novas concessões e de como elas se enquadrariam na Estratégia Nacional de Defesa.

Sim, porque o país agora possui um documento público em que expressa, sem rodeios, seus objetivos para essa área nos próximos 30 anos. Não é um livro branco de Defesa, mas é “pra valer”. Aliás, o documento fala de várias parcerias, sinalizando o pragmatismo dos novos tempos. Fala também dessas compras.

Pena que a imprensa não lhe tenha dedicado atenção. Se o fizesse, não teria se surpreendido com os anúncios da semana. Desavisados, jornalistas referiram-se aos Ministérios da Marinha e da Aeronáutica, extintos com a criação do Ministério da Defesa, há mais de 10 anos. E muito tardiamente, cabe notar: mundo afora, isso se fez há mais de uma geração. Os grandes começaram a unificar suas Forças no calor da Segunda Guerra Mundial, quando restou evidente que a desarticulação de esforços em água, terra e ar se pagaria com vidas humanas. Felizmente, não tivemos esse problema. Mas isso explica, em parte, a burocratização da atividade militar no Brasil e seu histórico envolvimento em assuntos que não lhe cabem. Como toda agência burocrática, na falta de um claro sentido de direção, cada Força cuidou de si.

Faltava visão de conjunto. A tal ponto que o Brasil, em pleno Regime Militar, reduziu os gastos com armamentos. Um caso único, ainda mal explicado. O país não é para principiantes. O Regime queria legitimar-se, dizia-se. Mas ali começou o longo processo de sucateamento das Forças Armadas. Na transição para a democracia, nenhuma liderança tratou do assunto. Os militares calaram-se, como se só houvessem cometido erros. Os civis fugiram à responsabilidade de interpretar os desejos da sociedade no que concerne à sua segurança. Não definiram o que o Brasil queria de suas Forças Armadas e não se arriscaram a pautar as missões militares. Talvez não soubessem o que fazer com os militares. Havia outras prioridades. Trataram-se assuntos de Estado como se fossem opções de governos. Faltou visão de longo prazo para a área de defesa.

Certas coisas progridem lentamente no Brasil. Mas progridem. Agora, a visão existe. Enquadra gastos e prioriza programas, o que implicará ampliar as responsabilidades e o orçamento do Ministério da Defesa. É ver como esses assuntos surgirão na próxima campanha eleitoral. Que projeto de Força queremos? De quantos generais precisaremos daqui a 30 anos? E de quantos soldados? Para que missões específicas? O que queremos quando participamos de missões de paz?

Ainda falta muito. A própria tecnologia que se quer absorver com essas compras depende de massa crítica nos centros de pesquisa, nas universidades, nas empresas. Não dá para ficar só nas universidades públicas e não basta combinar com a FIESP. Se a sociedade não se envolver profundamente, perderemos a oportunidade de absorver parte da tecnologia negociada com a França. A Estratégia vincula Defesa a desenvolvimento e centra o foco em produtos e serviços de uso dual. Mas as linhas de pesquisa na área de Defesa são escassas, os especialistas raros. É preciso financiar a produção de conhecimento na área, como se faz com petróleo e gás, como se faz com a Amazônia. É preciso abrir espaço aos empreendedores brasileiros, quiçá por meio do mercado mobiliário. Se cabe ao Governo induzir, caberá à sociedade responder a essa indução e tornar esses esforços sustentáveis.

E só agora o Congresso Nacional parece ter entendido que isso lhe diz respeito. Talvez porque os valores pareçam altos. Não são. Para se ter uma idéia, hoje o Brasil é o 12º país em gastos com defesa, respondendo por 1,6% dos gastos mundiais. Uma das razões da parceria com a França é que ela gasta o triplo disso (4,5%), atrás de China (5,8%) e dos EUA (41,5%). Só que isso inclui o pessoal. Também os inativos: no nosso caso, respondem por mais da metade da folha de pagamentos. Outro caso único no mundo. E continuamos a recrutar nas mesmas proporções, a despeito dos aperfeiçoamentos tecnológicos. Como se exércitos numerosos implicassem êxito militar. Na ausência de guerra – Deus queira! –, esse pessoal vai se aposentar. As próximas gerações pagarão esta conta.

Como proporção do PIB, o Brasil gasta 1,5%, comparado com a média mundial de 2,4%. Os gastos brasileiros per capita são quase a metade da média mundial: US$ 120,00 contra US$ 217,00. Só perdem para China e Índia. (Os números referem-se a 2008, trabalhados pelo SIPRI.)

Ademais, os gastos se farão nos próximos 30 anos. E, a exemplo do que ocorre em outros países, produzirão riqueza. Há externalidades positivas. Não são apenas gastos; são investimentos. Só que é preciso vigiar sua execução, no marco estabelecido pela Estratégia Nacional de Defesa. Daqui a pouco, a própria Estratégia deverá ser revista, sem prejuízo dos investimentos de longo prazo já contratados. Então poderemos gastar mais e melhor, se a sociedade e o Congresso Nacional se envolverem no processo, como parecem ter feito na semana passada. E é importante que o façam. Porque o assunto não ficou importante na semana passada. Sempre foi. E não é assunto para principiantes.

FONTE
: UnB Agência

Tagged with:
 

No dia 04 de setembro, foi realizada a formatura em comemoração ao 23° aniversário de recriação da Aviação do Exército.

A cerimônia ocorreu no hangar do 2° e 3° BAvEx e contou com a presença de diversas autoridades civis e militares como o Gen. Ex. Esper, Comandante do CMSE (Comando Militar do Sudeste), o Sr. Roberto Peixoto, Prefeito de Taubaté e diversos representantes do EB, MB e FAB.

Ocorreu também a inauguração do prédio da Diretoria de Material de Aviação do Exército (DMAvEx) nas dependências do CAvEx.

Após a cerimônia, aconteceu o desfile da tropa e dos pioneiros da AvEx, oficiais da ativa e da reserva que já passaram pela Aviação do Exército.

Infelizmente o mal tempo prejudicou o desfile aéreo, ficando o mesmo restrito a passagens de um HM-1 Pantera e dois HA-1 Fennec, todos do 2° BAvEx.

Nota do Blog: Encerramos as comemorações pelos 23 anos da Avex com este post, agradecendo a colaboração que tivemos dos TC Guilherme, Paulo Ricardo e William (Comtes. do 1°, 2° e 3° BAvEx respectivamente), TC Castro (Comandante do CIAvEx),  Majores Navarrete (Com. Social do CAvEx), Brilhante (RP 2° BAvEx) e Lotufo (SubComte. do 3° BAvEx), Capitães Müeller e Zielinski (1° e 2° BAvEx respectivamente) e Sgt. Fambre (2° BAvEx), pela colaboração para realização destas matérias.

 

Na semana passada, o 4º RCB (Regimento Dragões do Rio Grande) recebeu uma equipe do 4º Regimento de Carros de Combate, que veio a esta Unidade com o objetivo de ministrar um estágio, visando à capacitação do efetivo profissional da OM.

Novas VBC Leopard 1A5 foram adquiridas na Alemanha pelo Exército Brasileiro, e vem para substituir as VBV M-41C. A previsão é de que o 4º RCB receba esses novos meios de combate no final do ano.

O Leoprd 1A5 será o principal carro de combate do Exército nos próximos anos e representa um avanço para a força blindada brasileira. Esta VBC é a versão mais moderna da família Leopard 1. Está equipada com um sistema de controle de tiro EMES 18, com telêmetro laser e visão termal para o combate noturno e o sistema ótico da Zeiss, além de blindagem e suspensão reforçadas. O veículo é capaz de disparar munições mais potentes que a versão 1A1, incluindo do tipo APFSDS (Armoured Piercing Fin-Stabilised Discarding Sabot).

Com cerca de 42 toneladas e um motor de 830 cv, é capaz de atingir até 65 Km/h e tem autonomia máxima de 600 Km. Seu canhão é um 105mm L-7 da Royal Ordnance Factories, capaz de disparar até 10 vezes por minuto e alcance eficaz de até 4 Km.

FONTE: Rádio São Luiz (online) / COLABOROU: Hornet

 

Cada vez mais relevante no cenário internacional, o Brasil precisa melhorar de forma realista a sua capacidade de defesa

AS MOVIMENTAÇÕES do governo federal para a compra de equipamen­tos militares trazem uma questão subjacente, à qual é preciso responder de maneira clara: o Brasil deve reforçar sua capacidade de defesa? A resposta inequívoca é sim. O país, que ga­nha projeção e candidata-se a as­sumir mais responsabilidades, precisa reunir condições de en­frentar os desafios inerentes a este papel, num século que já nasceu sob o signo de novos con­flitos e riscos geopolíticos.

A palavra-chave a nortear as ações nesse setor é dissuasão. No mundo pós-Guerra Fria, sem su­perpotências a servir de guarda-chuvas, um país com as dimensões e o poten­cial econômico do Brasil deve deixar claro que tem capacidade de se defender de determina­dos tipos de ameaça.

É preciso, de forma planejada e serena, dotar as Forças Arma­das de recursos para o exercício de sua missão constitucional. Um país que possui 64% da Amazônia, ex­tensa faixa marí­tima e uma área equivalente à da Europa ociden­tal não pode prescindir de meios de proteção costeira, de rotas comer­ciais, fronteiras e campos petrolíferos – agora mais valiosos com as reservas do pré-sal. Não se trata de postular uma política de defesa extensiva, pe­sada e custosa, mas de fornecer às Forças Armadas acesso a equi­pamentos modernos, de modo que possam treinar efetivos e multiplicar sua capacidade de atuar com eficiência e agilidade quando requisitadas.

Não é tarefa fácil estimar os gastos militares mundiais. A interpretação dos diferentes orçamentos de cada país faz com que os números variem muito, mesmo entre os institutos mais respeitados que trabalham com o tema, como o sueco Sipri (Instituto Internacional de Pesquisa) e o britâni­co IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos). Há países, como a China e a Rússia, em que a falta de transparência torna difícil um cálculo preciso.

O Brasil tem gastos militares à altura de sua participação na economia mundial. Segundo o anuário do instituto sueco, ocu­pamos o 12° lugar, pouco atrás da Coréia do Sul e não muito à fren­te de países como Canadá, Espa­nha e Austrália.

O problema é que o país gasta mal. Os aviadores, soldados e marinheiros coreanos, canaden­ses, espanhóis e australianos contam com equipamentos em geral bem mais modernos do que seus colegas brasileiros. A título de exemplo, esses países pos­suem caças superiores aos da FAB, que desde o governo ante­rior tenta adquirir novas aerona­ves de combate. E os aviões de caça são a “ponta de lança” de qualquer aviação militar.

Da mesma forma, parece claro que a Marinha brasileira carece de uma verdadeira frota de sub­marinos e que o Exército precisa renovar seus veículos blindados. Os outros países do chamado grupo Bric —Rússia, índia e China, além do Brasil—, têm todos recursos mais podero­sos. A Rússia passou anos sucateada após o final da União Soviética, mas recupera forças. A China tor­nou-se a segun­da potência mi­litar do planeta. A Índia, receosa do vizinho Pa­quistão, deverá produzir seu próprio subma­rino à propul­são nuclear an­tes que o brasi­leiro saia da prancheta.

O Brasil, feliz­mente, inscre­ve-se numa si­tuação regional bem mais tran­quila do que a enfrentada pé pe­las nações acima citadas-todas elas, aliás, detentoras de armas nucleares. As relações brasileiras com seus vizinhos podem passar por eventuais divergências, mas têm sido harmoniosas há pelo menos cem anos.

Reconhecer a necessidade de reforçar o poder defensivo do país não significa um convite a aventuras. O Brasil não precisa e não deve estimular corridas armamentistas regionais ou des­pertar inquietações quanto ao uso de sua energia nuclear.

O Estado brasileiro já tem uma sólida, louvável e reconhecida tradição diplomática voltada pa­ra o entendimento e a solução pacífica de conflitos. É justa­mente para preservar este patrimônio que a defesa nacional, submetida aos devidos controles políticos e constitucionais, ad­quire papel mais relevante.

OS 15 MAIORES GASTOS MILITARES EM 2008

País

Gastos em bilhões de dólares

Gasto per capita em US$

%

doPIB

EUA

607

1967

4,0

China

84,9

63

2,0

França

65,7

1061

2,3

Reino Unido

65,3

1070

2,4

Rússia

58,6

41,3

3,5

Alemanha

46,8

568

4,3

Japão

46,3

361

0,9

Itália

40,6

689

1,8

Arábia Saudita

38,2

1511

9,3

Índia

30,0

25

2,5

Coréia do Sul

24,2

501

2,7

Brasil

23,3

120

1,5

Canadá

19,3

581

1,2

Espanha

19,2

430

1,2

Austrália

18,4

876

1,9

FONTE: Folha de S. Paulo – 9/08/09 / COLABOROU: Paulo Cesar Gomes de Souza

Tagged with:
 

No penúltimo fim de semana, o Forte de Copacabana recebeu o 2º Encontro Nacional de Veículos Militares, um passeio pela história a céu aberto. Seguem algumas fotos do evento, feitas pelo nosso amigo e colaborador Marcelo Brandão.

 

Um LIXO e uma VERGONHA COMPLETA o desfile deste ano em Brasília!!!! HORRÍVEL! LAMENTÁVEL! Além de limitarem o acesso ao público, LIMITARAM TAMBÉM O NÚMERO DE TROPAS!!! Tirante o BGP e o RCG, acho que o Exército Brasileiro não desfilou com sequer UMA ÚNICA COMPANHIA COMPLETA! Só pequenos grupamentos esparsos de Defesa QBN, Caatinga, Selva e Montanha! NEM UM ÚNICO PARAQUEDISTA! NEM UM ÚNICO AEROMÓVEL! HORRÍVEL! Vê-se mesmo que o Exército é o primo pobre das FFAA até no desfile! Inacreditável.

Os poucos trechos mostrados do desfile no RJ e em SP demonstram que o de Brasília simplesmente NÃO TEVE TROPAS! Não teve nada! Fora que a TV queria mostrar os três desfiles ao mesmo tempo e acabou não mostrando nenhum!

Só posso achar que a segurança do francês é que impediu um desfile de verdade. Ou então foi a gripe suína. Lamentável. O tal de Sarkozy deve estar achando que não temos nada. Se essa foi a intenção conseguiram: quem viu o desfile de Brasília achou que o Brasil não tem tropas…

Outra lástima: o narrador da TV Brasil, única a transmitir o desfile, não entende absolutamente NADA DE NADA, estava mais perdido que cego em tiroteio. A TV quase perdeu a passagem dos aviões da FAB, e o narrador não sabia qual que era qual. Porque não teve um adido militar esse ano junto ao narrador, pra explicar o quê era o quê?

Os repórteres que entraram no Rio, em SP e em Brasília atravancaram o desfile e demonstraram ainda menos conhecimento que o narrador de Brasília. A repórter de Brasília com aquelas entrevistinhas bisonhas, cortando o desfile com suas perguntas imbecis. E a sonoplastia da TV Brasil tinha que ser demitida do Chefe ao Carregador de Cabos! Horrível, não passou uma única música inteira!

Não é por nada, mas já assisti aqui em minha cidade desfiles melhores que o de Brasília esse ano. Uma lástima, chamei minha esposa pra ver e passei vergonha.

Triste. Só isso que posso dizer.

AUTOR: Felipe CPS

 
Página 4 de 512345