relogio-intro

O GNSS (Global Navigation Satellite Systems) mais difundido no mundo, em especial no Ocidente, é o sistema norte-americano NAVSTAR-GPS (Global Positioning System). Os norte-americanos permitem o uso do seu sistema de satélite e não cobram dos usuários dos receptores por isso. Mas por serem os “donos” de todo o sistema, eles podem bloquear o sinal quando assim for necessário e conveniente.

Além desse problema, existem outras questões como a baixa qualidade de recepção em locais onde a mata é fechada ou possui copa das árvores bastante densa. Por essas e por outras que técnicas paralelas de navegação devem ser empregadas. O texto a seguir, exclusivo para assinantes, aborda uma dessas técnicas.

Técnicas de sobrevivência em ambiente hostil

selva

Esta é mais uma série exclusiva (acessível para assinantes) da trilogia blogs de defesa. Ela abordará aspectos relacionados às técnicas de sobrevivência em ambiente hostil, como selva, montanha e regiões áridas, sendo subdividida em tópicos específicos como navegação e orientação, alimentação, abrigo, obtenção de fogo, etc.

A série é meramente ilustrativa, apenas dando ao leitor uma idéia de como é possível o homem se adaptar ao meio, seja para empreender uma ação de combate ou para aguardar o seu resgate. Mas mesmo assim a série apresenta curiosidades e segredos sobre um tema que, por mais teoria que possa existir, a prática e a experiência falam mais alto.

O primeiro texto sobre o tema aborda a questão da orientação em ambiente hostil, dando ênfase a um método bastante simples que pode ser empregado por qualquer pessoa.

O emprego de equipamentos tipo GPS em mata densa com a acima é fortemente degradado pela copa das árvores. Outras técnicas são necessárias.

selva

Nos dias atuais o emprego de equipamentos portáteis, que funcionam como receptores de sinais enviados por satélites, permitem uma localização e uma navegação bastante precisa. Estes sistemas, conhecidos como GNSS (Global Navigation Satellite Systems), encontram-se bastante difundidos por todo o planeta e sua aquisição é possível até por civis.

No entanto, por mais que o acesso à aquisição dos receptores seja fácil (podem ser encontrados em diversas lojas), é importante notar alguns pontos negativos do uso destes sistemas.

Em primeiro lugar o GNSS mais difundido no mundo, em especial no Ocidente, é o sistema norte-americano NAVSTAR-GPS (Global Positioning System). Os norte-americanos permitem o uso do seu sistema de satélite e não cobram dos usuários dos receptores por isso. Mas por serem os “donos” de todo o sistema, eles podem bloquear o sinal quando assim for necessário e conveniente.

Satélites também são vulneráveis a ataques espaciais e colisões com objetos em órbita. A interrupção do funcionamento de um ou mais satélites degrada a qualidade do dado de localização, podendo até inviabilizar o seu emprego.

Por último, e talvez o mais importante para o tema desta série, o emprego de receptores de equipamentos GNSS possuem baixa qualidade de recepção em locais onde a mata é fechada ou possui copa das árvores bastante densa. Não é difícil de comprovar isto. Basta apenas pegar um equipamento receptor e levá-lo para um bosque ou uma praça onde há densa cobertura vegetal.

Pelas razões levantadas acima, e por outras que não cabem aqui, a localização e a navegação em ambiente de selva necessita de outros instrumentos e outras técnicas. O aprendizado e o emprego destas técnicas é um capítulo de grande relevância nos cursos de sobrevivência na selva como o CIGS (Centro de Instrução e Guerra na Selva) do Exército Brasileiro.

O site das Forças Terrestres abordará algumas técnicas genéricas e de simples aplicação que podem ser utilizadas e praticadas por qualquer pessoa. No entanto, isto não significa que um determinado indivíduo estará apto a realizar embrenhadas na mata. O texto é meramente informativo e permite ao leitor ter uma ideia de como são estas técnicas.

Orienteção com o emprego de um relógio de ponteiros

Quando a palavra orientação é mencionada, uma das primeiras palavras que surgem à nossa cabeça é “bússola”. Porém, nem sempre temos uma bússola disponível, a mesma pode quebrar ou o indivíduo pode não deter os conhecimentos necessários para operá-la corretamente (veremos em outra oportunidade o emprego correto da bússola).

Por diversas razões na nossa vida cotidiana é sempre importante utilizar um relógio de pulso. Para aqueles que vão atuar em ambiente de selva, este acessório é mais do que necessário. Veremos a seguir como utilizar um relógio para orientação.

Um bom relógio para ser utilizado na selva deve ser resistente a choques e quedas e a prova de água. Existe uma discussão quanto ao emprego de relógios com pulseira metálica. Ele pode ser útil ou agir contra o seu usuário, dependendo do objetivo da missão. Uma pulseira metálica pode ser válida no caso de sobreviventes de um acidente aeronáutico por exemplo. A pulseira pode refletir os raios do sol e facilitar a identificarão dos sobreviventes. Por outro lado, em uma missão de infiltração, a pulseira metálica poderá delatar a localização do combatente.

No entanto, a característica mais importante de um relógio de pulso na questão da orientação é que o mesmo precisa ser do tipo com ponteiros e não digital. Em relação à divisão interna não haverá diferença se a graduação é a cada hora ou a cada três horas.

orientacao-relogio

Para o emprego desta técnica de orientação, além do relógio, é importante que o Sol esteja visível (outras técnicas sem o emprego do Sol serão abordadas posteriormente). Com o Sol visível, basta segurar o relógio horizontalmente, apontado o número 12 para o mesmo (veja o desenho acima). Mantenha o relógio nesta posição e agora veja onde está o ponteiro das horas (ponteiro menor). A metade do menor ângulo (em outras palavras, a bissetriz interna) entre o 12 e o ponteiro das horas apontará para o Norte verdadeiro ou norte geográfico.

No entanto, o exemplo acima é válido somente para o Hemisfério Sul, onde está inserida a grande maioria do território brasileiro. Para o Hemisfério Norte, onde se encontra parte dos estados do Amapá, Roraima, Pará e Amazonas, vale outra regra. A metade do menor ângulo entre o 12 e o ponteiro das horas marcará a direção Sul.

Fica evidente que este método também é mais fácil de ser empregado quanto mais nos afastamos do Sol de meio-dia, quando o mesmo formará uma linha vertical (ou próximo dela) com a Terra dependendo da Latitude e da estação do ano.

Nos próximos textos abordaremos outros métodos de orientação, bem como diversas técnicas de sobrevivência na selva.