Página 6 de 6« Primeira...23456

vinheta-clipping-forteASSUNÇÃO – Os novos comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha assumiram hoje seus cargos no Paraguai. Ontem, o presidente Fernando Lugo afastou os chefes militares no cargo, mesmo após rechaçar vigorosamente qualquer risco de golpe de Estado promovido pelos militares.

O governo deixou claro que Lugo procedeu de acordo com suas atribuições constitucionais ao realizar as mudanças. Um ex-comandante das Forças Armadas, porém, afirmou que Lugo faltou ao respeito com os chefes afastados. A mudança dos integrantes da cúpula militar ocorreu um dia depois de Lugo assegurar que, como comandante e chefe das Forças Armadas, “não existe nenhum perigo de golpe de Estado promovido pelos militares”.

Paralelamente, uma maioria de parlamentares da situação e da oposição ameaçou abrir um processo político contra Lugo, argumentando sua suposta “inépcia para governar”. Um aliado do líder, o dirigente de esquerda Hugo Richert, do grupo Convergência Socialista, reconheceu que “Lugo não é um estadista, mas toda a sociedade não tem experiência para administrar assuntos públicos, porque nos últimos 60 anos, um só partido, o Colorado, teve em suas mãos o poder”.

Apesar disso, a atitude de Lugo foi criticada pelo general reformado Mario Soto, ex-comandante das Forças Armadas no governo de Nicanor Duarte (2003 a 2008). Segundo ele, Lugo fez as mudanças logo depois de dizer que “existiriam militares expostos à manipulação política”. “Esses chefes destituídos ficaram como golpistas frente à opinião pública”, disse Soto.

FONTE: Agência Estado

Tagged with:
 

por Gustavo Chacra

vinheta-clipping-forteIsrael capturou um navio carregado com centenas de toneladas de armamentos. De acordo com militares israelenses, o arsenal seria iraniano e o destino final era o Hezbollah, com escala no território sírio. A tripulação da embarcação foi abordada por autoridades de Israel e não sabia do carregamento. A Síria e o Irã, chamando os israelenses de piratas, disseram que o navio levava bens dos iranianos para os sírios, e não armamentos. As imagens, porém, são de um arsenal militar. Dificilmente poderia ser feita uma montagem tão rápida (assista ao vídeo aqui).

Se as armas tivessem como destino o Hezbollah, seria uma violação da resolução 1701, das Nações Unidas, que encerrou o conflito entre o grupo libanês e Israel em 2006. A mais grave, até agora, já que os dois lados desrespeitaram diversas vezes a determinação da ONU.

Os israelenses dizem possuir uma prova de que o Irã não está interessado na paz na região e busca armar grupos hostis a Israel e, no caso do Hezbollah, considerado terrorista pelos EUA – a organização, além do braço militar, possui, no Líbano, um partido político, uma rede de TV, creches e hospitais. A ajuda do Irã ao grupo está longe de ser novidade, com Teerã sempre dizendo que, se os EUA podem ter acordos militares com Israel, os iranianos também têm o direito de manter relaçõs com seus aliados.

O problema, para Teerã, é que não interessa o que eles pensam. Afinal, sempre acharão que Israel está errado e vice-versa. O que importa, no Oriente Médio, é a visão da comunidade internacional. Agora, com a interceptação de Israel, existe a imagem simbólica de um navio com mísseis que poderiam ser usados em ataques contra o norte israelense.

O carregamento interceptado ontem era grande e certamente estas armas farão falta para o Hezbollah, caso realmente fossem destinadas ao grupo. Ainda assim, segundo analistas militares, a carga confiscada representa apenas 10% do que o grupo libanês possui em estoque.

Do episódio, fica a pergunta sobre o por que de o Irã decidir enviar o carregamento por mar. Seria mais seguro, ainda que caro e com logística mais complicada, mandar as armas por via aérea pela Síria e, de lá, cruzar sem problemas para o Líbano, como feito muitas vezes. Talvez, como mostrou o Haaretz, o regime de Teerã e o de Damasco tenham obtido sucesso pela via marítima no passado, mas, agora, Israel intensificou suas operações no Mediterrâneo.

De qualquer forma, o cenário Israel x Irã está assim, na posição israelense

1 – Atacar as instalações militares preventivamente
2 – Manter a Guerra Fria

Caso opte pela opção 1, Israel tende a sofrer as seguintes consequências

a) matará civis iranianos e, mais uma vez, a imagem israelense ficará deteriorada diante da opinião pública internacional
b) não há certeza de que conseguirá sucesso em eliminar o suposto programa nuclear iraniano
c) poderá sofrer uma dura resposta do Hezbollah, caso o grupo concorde em cooperar com Teerã na retaliação

Com a captura do navio ontem, Israel buscará mostrar para a comunidade internacional que o Irã provocou antes. Isto é, abrandará o efeito A descrito acima. Também pressiona o governo libanês, dizendo que um ataque a Israel do Hezbollah será visto como um ataque do Líbano. Assim, tenta conter o grupo pela via doméstica libanesa e reduz a consequência C. Já o efeito B está nas mãos da Força Aérea israelense, considerada uma das mais preparadas do mundo.

Como acredito que o atual governo israelense não considera a opção 2, da guerra fria, uma saída favorável, eu diria que existe uma possibilidade grande de caminharmos, em breve, para uma operação militar israelense contra o Irã.

Os iranianos, por serem o lado mais fraco na matriz, esperam para Israel mover a sua peça antes de agir. Caso seja a opção 1 de Israel, deve aplicar as seguintes retaliações

a) fechar o golfo pérsico, fazendo o preço do petróleo disparar
b) sabotará os EUA no Iraque e no Afeganistão
c) pode usar o Hezbollah contra Israel, desde que consiga exercer mais força sobre o grupo do que os aliados cristãos da organização em Beirute

As medidas A e B afetam diretamente os EUA. Assim, Teerã busca usar Washington, que apenas teria a perder com o conflito, para impedir Israel de agir, ganhando tempo para completar o seu programa nuclear

Logo,

1 – Israel, Irã e Hezbollah podem ou não ganhar com o conflito
2 – Os EUA certamente perderiam, assim como o Líbano
3 – A Síria, sabe-se lá como, sairia ilesa mais uma vez

É, literalmente, um cabo de guerra. De uma certa forma, o Irã e Israel puxam para o mesmo lado, com uma ajuda síria. Libaneses (o governo) e americanos, para o outro. Os palestinos? Esqueçam, por enquanto.

FONTE: Blog “De Beirute a Nova York”

Tagged with:
 

vinheta-clipping-forteO chefe da missão da ONU (Organização das Nações Unidas) no Afeganistão, Kan Eide, afirmou nesta quinta-feira em entrevista a jornalistas que a retirada temporária de 600 de seus cerca de 1.100 funcionários estrangeiros não afetará as operações da organização no país.

“Nós estamos fazendo tudo que podemos para minimizar a interrupção no nosso trabalho neste período”, disse Eide, chefe da Unama. “Nós estamos simplesmente fazendo o que temos que fazer após os trágicos eventos da semana passada para proteger nossos trabalhadores em um momento difícil enquanto garantimos que nossas operações no Afeganistão possam continuar”.

A decisão da ONU foi uma reação ao ataque dos militantes do grupo islâmico Taleban do último dia 28 de outubro, quando três homens armados atacaram a hospedaria em Cabul, matando cinco funcionários da organização e dois policiais afegãos. Os criminosos foram mortos pela polícia em uma troca de tiros.

Eide disse que alguns dos funcionários realocados vão para Dubai, onde a ONU mantém escritório.

O diplomata norueguês foi alvo de severas críticas pelo papel da ONU na eleição presidencial, marcada por muitas fraudes e que resultou na reeleição de Hamid Karzai, depois que o segundo turno foi anulado com a desistência do candidato de oposição Abdullah Abdullah. Há alguns dias, Eide deu a entender que a paciência da ONU com o governo afegão estava quase no limite.

Segundo o porta-voz da ONU Aleem Siddique, a equipe retornará para o Afeganistão três ou quatro semanas depois que as medida de segurança forem alteradas. “Será uma fusão da equipe. No momento, nós temos 93 hospedarias por Cabul e haverá a fusão destas hospedarias para que possamos garantir uma segurança melhor em menos áreas”, explicou.

A Unama tem 5.600 funcionários, a maioria deles afegãos. A retirada anunciada nesta quinta-feira envolve quase 12% dos efetivos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que visitou Cabul no início da semana, se reuniu com as autoridades de segurança para discutir o ataque à residência. Ele declarou que a ONU não permitiria que atos de violência desviassem a organização do trabalho que realiza no país.

FONTE: Folha Online

Tagged with:
 

Sagem Felin: vale quanto pesa?

SAGEM FELIN1

O programa de modernização do soldado francês

vinheta-especial-forteO programa de modernização do soldado francês, conhecido como Felin (Fantassin a Equipaments et Liaisons Integres), acrônimo para “Infantaria integrada com equipamentos de data-link”, está pronto para a produção em massa. Pelo menos até 2013, quando o sistema terá de ser modificado, porque o Ministério da Defesa francês resolveu vender algumas bandas de rádio militares, incluindo a faixa de 802-862MHz, usada pelo Felin.

A mudança de frequência que terá de ser feita posteriormente elevará ainda mais os custos do programa, mas não se sabe quanto. (continua, somente para assinantes).

Tagged with:
 

Falso militar dava curso de selva em SP

Antes de ser preso, Rafael Fernandes dos Santos enganou mais de 20 pessoas e cobrou até R$ 5 mil de recrutas

NETO7176-pvinheta-clipping-forteSÃO PAULO – Rafael Fernandes dos Santos montou um curso de formação de militares. Dava aulas na selva, ensinava a marchar e cobrava até R$ 5 mil para garantir aos alunos uma vaga na tropa brasileira que participa da força de paz das Nações Unidas no Haiti. Exigia que policiais militares lhes prestassem continência, pois “era o primeiro-tenente Fernandes, do 2º Batalhão de Polícia do Exército (2º BPE)”. Enganou mais de 20 pessoas, que sonhavam com a carreira militar. Acabou denunciado por duas das vítimas e preso pela Polícia Civil de São Paulo.

Fernandes, de 24 anos, teve a ideia de montar a academia particular há dois anos. Sua formação militar se resumia a cinco meses de treinamento como recruta do 6º Batalhão de Infantaria Leve (6º BIL), em Caçapava (SP), de onde foi desligado por indisciplina. “Ele era go-go boy”, afirmou o delegado Oswaldo Nico Gonçalves, do Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), responsável pela prisão. O acusado se dizia amigo de um coronel do Exército. “Ele dizia tê-lo conhecido em uma sauna”, afirmou G.C.S., de 21 anos, um dos alunos que denunciaram o falso oficial.

O tal coronel seria quem iria garantir a presença dos alunos, após o curso, na força de paz no Haiti. “Era convincente. Tratava os alunos como se fosse o capitão Nascimento”, disse o delegado. De fato, Fernandes não dava mole para os recrutas. Durante a instrução de guerra na selva, ralava todo mundo. “Ele dava tapa na cara se alguém fazia coisa errada. Era um treinamento normal”, disse o ex-aluno G.C.S.. As aulas teóricas de ordem unida eram dadas na casa do acusado, na Vila Brasilândia, zona norte da capital.

Os acampamentos duravam até quatro dias e eram feitos em Paranapiacaba. “O cara é bom. Ele faz rappel de ponta-cabeça. Aprendi várias coisas. O ruim é que ele mentiu”, disse o aluno. Cada recruta pagava de R$ 1 mil a R$ 5 mil pelo curso. Além das instruções de ordem unida e sobrevivência na selva, o tenente Fernandes dava instrução de tiro. Usava pistolas semiautomáticas e uma carabina.

“Uma vez a Rota parou ele. E ele enquadrou a guarnição: ‘Ô seu bisonho, presta continência para o seu superior’. E o PM se enquadrou. Tinha um colega meu que foi detido uma vez pela PM e ele foi lá retirar o cara. Foi fardado e voltou com o rapaz”, afirmou G.C.S.. “Como é que a gente ia desconfiar?”

Mas o tempo passou e nada de os alunos serem apresentados ao tal coronel. G.C.S. e um colega resolveram procurar o quartel do 2º BPE. Ali souberam que não havia nenhum tenente Fernandes entre os oficiais do batalhão. Preocupado com a ação do acusado, o Exército resolveu agir. Pôs um dos homens da Companhia de Informações, do Comando Militar do Sudeste (CMSE), para averiguar a existência do curso. O agente secreto constatou a veracidade da denúncia e o Exército informou a polícia.

Eram 18h30 do dia 29 de outubro quando os homens do Garra bateram na porta da casa de Fernandes. Ele abriu a porta e os policiais revistaram o lugar, onde estavam 12 alunos – a maioria ficou sabendo ali que era vítima de um golpe. Em pouco tempo, os investigadores encontraram duas pistolas calibre 7,65 mm, fardas do Exército, coletes à prova de bala, espadas, braçadeiras da Polícia do Exército, 334 gramas de maconha, documentos de identidade militar falsificados, cheques e um Peugeot com sirene.

“Ele foi preso por porte ilegal de arma e tráfico de drogas”, disse o delegado Arly Antônio Reginaldo. Fernandes, segundo a polícia, disse que havia recebido uma missão. Queria voltar ao Exército e, se conseguisse arregimentar 20 alunos, seria reintegrado. Deve responder preso às acusações.

Falso Militar 2

Falso Militar 3

FONTE: Estadão / FOTOS: Anderson Prado / Diário SP

Tagged with:
 

Galil

O Ministério da Defesa da Colômbia anunciou que o país vai produzir, através do consórcio estatal INDUMIL, uma versão melhorada do fuzil de assalto israelense Galil e foguetes ar-terra.

“Em 2010 entrarão em produção novos foguetes ar-terra para a Força Aérea da Colômbia e o fuzil Galil modelo Ace (7,62mm) para as Forças Armadas e de Segurança Pública. O novo fuzil substituirá uma versão mais antiga, também produzida na Colômbia”, informou o coronel Carlos Villarreal, gerente da INDUMIL.

O coronel acrescentou que está sendo iniciado, também, o desenvolvimento de um lançador de granadas individual para o Galil denominado IMC-40, totalmente projetado pela engenharia colombiana.

A estatal calcula que poderá fabricar cerca de 45 mil unidades da arma por ano, tanto para uso interno quanto para exportação. O Panamá já está negociando uma quantidade do novo fuzil para suas Forças de Segurança e Militares. Segundo fontes locais, a INDUMIL terá direito de exportar metade de sua produção de fuzis Galil.

O Galil é utilizado pela Colômbia há mais de dez anos. Há pouco mais de um ano, o governo do país iniciou negociações com os israelenses para viabilizar uma completa transferência de tecnologia e obtenção de direito para fabricar o fuzil em seu território sob licença, visando o mercado do continente americano. Cada unidade da arma terá um preço de venda de aproximadamente US$ 770.

O comunicado do Ministério da Defesa não tem maiores detalhes sobre os foguetes ar-terra que serão produzidos pela estatal. Porém, em fevereiro deste ano, o ministro Juan Manuel Santos revelou que um tipo de foguete ar-terra de 2,75 polegadas estava sendo desenvolvido, sem citar quais tecnologias seriam empregadas nele.

FONTE:
Tecnologia & Defesa Via: Plano Brasil

Tagged with:
 

Projeto consolida poder civil sobre militar

Raymundo Costa

Após adiamentos sucessivos, o projeto de reestruturação do Ministério da Defesa deve ser enviado ao Congresso neste mês. Trata-se de um conjunto de medidas para fortalecer a Pasta criada há dez anos para entrosar Exército, Marinha e Aeronáutica sob um mesmo comando. Algumas propostas parecem simbólicas, mas são de grande importância na rotina de forças militares que de uma ou outra forma se confundem com a própria história do país. Representam, sobretudo, a consolidação do poder civil sobre o das armas.

A principal mudança será na Lei Complementar 97, que criou o Ministério da Defesa, em junho de 1999. Entre as medidas acertadas, o ministério ganha poder na confecção do orçamento militar. Atualmente, o orçamento das três Forças é “consolidado” no ministério. O novo texto legal dirá que a proposta será elaborada pelos comandos militares – Exército, Marinha e Aeronáutica – “em conjunto” com a Defesa. Na prática, isso já ocorreu este ano. Mas sem amparo legal e sim por uma conjugação política que se mostrou favorável ao ministro Nelson Jobim na relação com os chefes militares.

Quando assumiu o MD, Jobim procurou cercar-se de oficiais com efetiva representatividade na tropa, caso de generais oriundos do comando da Amazônia ou das tropas brasileiras estacionadas no Haiti. Esses são os dois dos cargos de maior prestígio, atualmente, nas Forças Armadas. Antes esse papel era desempenhado pelo 3º Exército, atual Comando Militar do Sul, devido à disputa da hegemonia regional com a Argentina. Mais de um presidente da República do ciclo dos generais passou pelo comando do 3º Exército.

Na proposta a ser remetida ao Congresso, o secretário do Estado Maior Conjunto do Ministério da Defesa será um oficial de quatro estrelas. Isso tornará o posto equivalente ao dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. “Não são mudanças fáceis em instituições com história e tradição”, disse o deputado José Genoino (PT-SP) ao Valor. O congressista acompanhou praticamente todas as fases de discussão e negociação do projeto de reestruturação do Ministério da Defesa, a curto prazo, e das próprias forças militares a médio e longo prazos.

“É uma demonstração de muito compromisso democrático: discute-se a política de defesa, reestruturação e a memória (caso dos desaparecidos), sem reivindicações corporativas, crise ou pronunciamento militar”, diz Genoino, referindo-se à alternância de golpes de Estado e governos democráticos que marcaram a paisagem política do país, desde a Proclamação da República, que há mais de 100 anos (1889) determinou o fim da monarquia pelo fio da espada.

É nesse sentido a determinação de que as prioridades do orçamento sejam aquelas estabelecidas na Estratégia Nacional de Defesa. O texto da Lei Complementar 97 remete à “Política de Defesa Nacional”. O fato de a palavra “nacional” vir em primeiro lugar não é mero acaso. Outra mudança a caminho: as operações militares deixam de ser “combinadas” e passam a ser “conjuntas”. O que parece eufemismo na prática significa que as manobras obedecerão a uma cadeia hierárquica que mistura integrantes das três Forças – hoje, Exército, Marinha e Aeronáutica mantêm, cada qual, a própria hierarquia, nessas operações.

Segundo fontes da área de defesa, o mérito do ministro Nelson Jobim foi ter envolvido Exército, Marinha e Aeronáutica na elaboração da Estratégia Nacional de Defesa – o antigo chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, contribuiu com algumas ideias, mas na realidade foi mais um redator do documento. Com os oficiais diretamente envolvidos, começou um processo de diálogo e convencimento, quase sempre muito difícil, cheio de arestas ainda não de todo aparadas.

Há mudanças que pareciam fora do alcance há apenas dez anos, quando o ministério foi criado. O melhor exemplo é o que trata da nomeação dos comandantes das três Forças. Atualmente eles são designados pelo presidente da República, “ouvido” o Ministério da Defesa. O novo texto será taxativo: os comandantes serão nomeados pelo presidente “por indicação” do MD.

Há outras mudanças que parecem incompreensíveis para o universo civil, mas são de muita valia no campo militar. Até agora, todos os promovidos a general são apresentados diretamente ao presidente da República. O novo ritual determina que eles sejam primeiro apresentados ao ministro da Defesa, que, em seguida, os apresentará ao presidente. Os comandantes também deixam de marcar encontros diretamente com o presidente.

Rabiscado, o projeto ainda é objeto de consulta aos diversos escalões das Forças Armadas. Em resumo, a estratégia de Jobim é ouvir, discutir e negociar com os militares. Basicamente, o que o ministro faz é o que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pensou quando criou o Ministério da Defesa: racionalizar e entrosar as três Forças, em vez de manter Exército, Marinha e Aeronáutica sob ministérios distintos e mesmo distanciados. Os militares da época aceitaram a indicação de um ministro civil, mas nunca efetivamente levaram a sério o Ministério da Defesa. Oficiais “encostados” eram rotineiramente designados para o ministério.

A reestruturação do Ministério da Defesa implicará a reestruturação das três Forças no médio e longo prazos. O atraso no envio de projetos ao Congresso demonstra que nem todas as arestas foram polidas. O Exército reclama que Marinha e Aeronáutica ganharam submarinos e caças, enquanto a Força terrestre não levou nada, até agora. A Defesa argumenta que é apenas uma questão de cronograma, o Exército será também atendido, na hora certa. Já a Marinha, que mantém elevada a autoestima de “Força intelectualizada” teme perder espaço para o Exército.

Ponto polêmico: as promoções, em cada Força, são enviadas diretamente ao presidente da República. Discute-se se cabe ao Ministério da Defesa interferir em um assunto considerado interno. De um modo geral, as mudanças acertadas estabelecem a autoridade do Ministério da Defesa sobre os comandos.

Haverá um reagrupamento geográfico das tropas na região Centro-Oeste, ponto equidistante da Amazônia, do Sul, do Nordeste e Oeste do país. A concentração no Sul e no Rio de Janeiro é considerada uma concepção ultrapassada. A rigor, o remanejamento de tropas já está em andamento, com discrição.

A brigada do Exército será a unidade de excelência nessa nova configuração. Deve ser acantonada nas mediações de Brasília, assim como a base aérea. Jobim queria transferir a Escola Superior de Guerra (ESG) para a capital da República. Houve reação e o ministro terá de se contentar com a criação de um campo avançado da ESG, em Brasília. A ideia é formar uma elite de intelectuais de defesa.

Na concepção, a política de defesa prevê o emprego das Forças Armadas como poder dissuasório. Mas flexíveis o bastante para se transformar em forças de ataque, em caso de necessidade.

O projeto em curso tem repercussão internacional, como a parceria privilegiada com a França. Ainda é nítida na retina dos militares brasileiros as dificuldade que os argentinos enfrentaram na guerra das Malvinas, quando foram isolados pelas forças da Otan (EUA à frente). Os argentinos nem sequer conseguiam comprar peças de reposição para o míssil exocet, que fez estragos nas forças navais inglesas, no início do conflito.

“Parceria estratégica na compra de equipamentos. Nenhuma Força compra isoladamente submarinos, helicópteros e, claro aviões – a parceria com a França permitiu que eles oferecessem mais que o Estados Unidos e Rússia”, afirma um interlocutor de Jobim. A Rússia, além da instabilidade política, não não tem estabilidade em relação à manutenção de equipamentos. Os Estados Unidos, por seu turno, têm restrição à transferência de tecnologia. O avião de treinamento supertucano, por exemplo, fabricado pela Embraer, não pode ser vendido a certos países porque tem tecnologia americana. A França não tem vetos. Acima de tudo, a França tem assento no Conselho de Segurança Nacional da ONU, um lugar cobiçado e perseguido pelo governo Lula.

Os projetos para reequipar as Forças Armadas devem ter em vista o programa nacional de desenvolvimento. A tendência do governo Lula é favorecer empresas nacionais, inclusive incentivar a criação de um parque industrial de defesa. O mote é que toda linha de produção militar tem uma interface civil. Quase uma centena de empresas já atendem a projetos em curso.

Além da Lei Complementar 97, a reestruturação da Defesa requer decretos a serem baixados pelo presidente da República, mas sobretudo mudanças na Lei 8.666, que trata das licitações. O objetivo é permitir aos militares contratar, sem licitação, empresas que julgarem estratégicas para o desenvolvimento de produtos sensíveis. Há promessa de transparência em compras feitas sem licitação, o que é incomum nesse mercado, para dizer o mínimo.

Uma empresa do grupo Fiat, a Iveco, por exemplo, desenvolve em Minas Gerais o carro de combate sobre rodas Urutu 3. Encomenda do Exército. Outra empresa desenvolve um equipamento de radar móvel, que pode ser transportado pelos soldados. “Busca-se nas Forças Armadas necessidades que possam ser usadas para estimular a atividade econômica”, disse fonte ligada ao Ministério da Defesa.

Jobim tem a cumplicidade das Forças à medida que o governo Lula promete dinheiro para equipar Exército, Marinha e Aeronáutica. O Ministério da Defesa na criação de um fundo para assegurar os recursos ou na criação de uma regra que impeça o contingenciamento de recursos previstos no Orçamento Geral da União. As Forças serão beneficiadas com o dinheiro do pré-sal que será destinado à ciência e tecnologia; mas especificamente a Marinha terá dinheiro para o submarino nuclear.

A lei que permite à Aeronáutica abater aeronaves também será mudada. Atualmente, a Força Aérea pode abater ou fazer pousar um avião, mas não pode prender tripulação e passageiros, o que é atribuição da Polícia Federal, no caso de traficantes. Semana passada, depois de disparar rajadas de metralhadoras de aviso, a FAB conseguiu que um pequeno avião pousasse nas mediações de Brasília. Acionada, a PF chegou mas encontrou apenas o avião carregado de drogas: a tripulação fugira. Com a mudança, os militares também poderão prender traficantes, que desde a promulgação da Lei do Abate trocaram boa parte das rotas aéreas pela rede de rios e estradas secundárias da Amazônia.

FONTE: Valor Econômico, via Notimp

Tagged with:
 

General diz que a meta é ampliar o atendimento anual de 25 mil para 50 mil pessoas

O Exército brasileiro decidiu duplicar o alistamento militar no Amazonas. A mesma iniciativa também vai regularizar a situação dos quem tem mais de 18 anos e perderam o prazo para se alistar, além de servir de exemplo para que a situação seja acompanhada em outros territórios da Amazônia.

Trata-se no serviço de alistamento militar oferecido nos postos de PAC (Pronto Atendimento ao Cidadão), que está sendo oferecido pelo Exército no Estado, com apoio do governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus.

Segundo o general de divisão Marco Aurélio Costa Vieira, a meta é ampliar o atendimento anual de 25 mil para 50 mil atendimentos. Quem tiver perdido o prazo de alistamento poderá regularizar pagando multa simbólica de até R$ 3,00. Vieira disse que a iniciativa é inédita e resultou da necessidade de superar problemas decorrentes da diminuição do alistamento.

- Sabemos que o alistamento inferior ao efetivo de jovens em idade hoje exigida tem a ver com as distâncias e dificuldades de deslocamento dentro da região e é isso que precisamos resolver.

O projeto piloto para alistamento militar nos PACs do Amazonas foi implantado em novembro do ano passado na zona leste de Manaus (a maior da cidade) e no município de Manacapuru – localizado a cerca de 84 quilômetros de Manaus. Juntas, as duas unidades já atenderam mais de 10 mil jovens.

Nesta semana foram inaugurados três pontos de atendimento nas zonas norte, oeste e centro-oeste da capital. Outros Estados da região têm demonstrado interesse em implantar o serviço. Todos os anos, o Brasil tem em média 1,6 milhão jovens que se apresentam para o serviço militar.

FONTE: Portal R7, via notimp

Tagged with:
 
Página 6 de 6« Primeira...23456