vinheta-clipping-forteNos últimos dias, os politicos e jornalistas alemães vem alimentando uma discussão absurda, se a presença internacional no Afeganistão é guerra ou ajuda à reconstrução. Os soviéticos precisaram de oito anos para descobrir que a guerra contra a vontade dos grupos tribais, do talibã e dos senhores da guerra (warlords) não podia ser vencida. Foram oito anos perdidos, com um saldo de muitas vitimas, uma catástrofe que apressou o fim da União Soviética.

O ex-deputado alemão Jürgen Todenhöfer, que em 1980 visitou o Afeganistão, destruido pela guerra soviética, esteve há alguns meses novamente no pais, para concluir mais uma vez: Também essa guerra não pode ser vencida. O próximo será o nono ano da presença estrangeira no pais, milhares de soldados dos Estados Unidos e de diversos paises europeus, com um grande saldo de vitimas, sem que nada melhore no que se refere ao combate do talibã.

Segundo analistas, o problema não é só o talibã. A corrupção é um problema grave e ajuda os grupos do talibã a conquistar adeptos. Um ex-soldado alemão disse recentemente que no inicio, as tropas alemãs cuidavam sobretudo da ajuda à reconstrução. Os militares construiam escolas. Quando iam embora, os professores eram assassinados e os prédios destruidos.

– Nós não lutamos no Afeganistão contra o terrorismo internacional — afirmou Todenhöfer, lembrando que a atual guerra é tão absurda quanto a da era soviética, porque leva apenas ao aumento da violência.

A atual polêmica na Alemanha foi provocada pela explosão de dois caminhões tanques, no inicio de setembro, perto de Kunduz, por ordem de um comandante alemão. Para não atrapalhar a campanha eleitoral, que estava a todo vapor, o então ministro da defesa, Franz Josef Jung, da União Democrata Cristã (CDU), o partido da chanceler Merkel, afirmou que as mais de cem vitimas eram todas talibãs. Ele negou a existência de vitimas civis. Depois foi provado o contrário. Jung foi forçado a renunciar. A chanceler Angela Merkel e o atual ministro da defesa, Karl Theodor zu Guttenberg, serão obrigados a esclarecer o caso diante de uma comissão parlamentar de inquérito.

Apesar do engajamento internacional, as forças rebeldes do Afeganistão estão crescendo. Recentemente, o ministro das relações exteriores do pais, Rangin Dadfar Spanta, que frequentou a universidade na Alemanha, disse: “a luta contra o talibã fica a cada dia mais dificil”.

FONTE: O Globo / Blog ‘No Portão de Brandemburgo’

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Lei para as fronteiras

Brasil faz divisa com países produtores de cocaína e maconha

Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei Complementar (PLC) 222/09, de origem do Executivo, que altera a Lei Complementar (LC) 97, que estende para a Marinha e a Força Aérea Brasileira (FAB) a ação policial conferida ao Exército e dá mais poderes ao ministro da Defesa, um civil. As Forças Armadas estarão cobertas pela proteção legal para realizar operações de manutenção da lei e da ordem. Marinha, Exército e Aeronáutica poderão revistar pessoas, veículos e instalações e fazer prisões em flagrante delito. Seus comandantes deverão apresentar ao ministro da Defesa a lista de escolha dos militares a serem promovidos. No caso do emprego das Forças Armadas, a subordinação continua sendo do presidente da República, comandante supremo. No meio militar, a maioria concorda com o novo texto, mas há quem o critique, achando a LC 97 absurda.

No âmbito do Executivo, há a consciência de que parte do problema da criminalidade no Rio de Janeiro e no país começa em uma fronteira malcuidada, por onde passam drogas, armamentos e mercadorias contrabandeadas. Verdade. O Brasil faz divisa com países produtores de cocaína e maconha. A Polícia Federal (PF) identificou pelo menos 17 cidades brasileiras na fronteira que servem de ponto de entrada de armas. É certo que as Forças Armadas não têm tradição ou preparo policial. No entanto, o que se espera delas é uma ação de reforço, em apoio à PF e à Receita Federal.

Marinha, Exército e a FAB fazem um excelente trabalho de integração nacional, mas ainda está longe de ser o ideal num país de dimensões continentais. O caso da Amazônia é patente: a região carece da presença do poder público. Sua população reivindica a ação dos militares no combate ao tráfico de drogas e de armas e ao contrabando, principalmente no patrulhamento dos seus caudalosos rios e na destruição de pistas clandestinas de pouso para pequenos aviões. Mesmo com todas as dificuldades, 2,5 mil militares do Comando Militar do Oeste (CMO) participaram recentemente da Operação Cadeado, que aumentou a vigilância nos 2,3 mil quilômetros de fronteiras dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (MS) com a Bolívia e o Paraguai. Em Corumbá, no MS, a 18ª Brigada de Infantaria Motorizada patrulha 400 quilômetros de fronteiras com a Bolívia e o Paraguai. Já a 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, em Dourados, no MS, está monitorando a fronteira com o Paraguai a oeste e ao sul do estado. Em Corumbá, o Exército conta com o apoio do 6º Distrito Naval no policiamento do Rio Paraguai, junto à ponte da BR-262, e no chamado Canal do Tamengo.

A população do país não duvida da capacidade das Forças Armadas para desempenhar papel de polícia, mas todos os brasileiros sabem que faltam aos militares condições legais e materiais para desenvolver esse trabalho a contento. Que o Congresso aprove, pois, a LC 97, criando mecanismos próprios e proporcionando orçamentos compatíveis às necessidades das Forças Armadas para proteger nossas fronteiras, não de ameaças belicosas dos vizinhos, mas da ação perversa e continuada de traficantes e contrabandistas, que tantos danos têm causado à sociedade e ao erário do país.

FONTE: O Estado de Minas, via Notimp

 

Guerrilhas anunciam união contra Uribe na Colômbia

vinheta-clipping-forteOs dois grupos guerrilheiros da Colômbia, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o ELN (Exército de Libertação Nacional), anunciaram que unirão forças para enfrentar com “firmeza e beligerância” o governo Álvaro Uribe.

De formação ideológica distinta -as Farc, marxistas; o ELN, guevarista ligado a ex-sacerdotes da Teologia da Libertação-, os grupos se enfrentaram em várias regiões colombianas e, com a aliança, parecem querer se fortalecer ante a ofensiva militar do governo.

O anúncio da união, feito em nota anteontem, foi minimizado pelo Ministério da Defesa colombiano, que o considerou um instrumento de “propaganda” e um sinal da debilidade das guerrilhas do mais longevo conflito armado da América do Sul.

O chefe do Exército colombiano, Freddy Padilla, também avaliou que será difícil efetivar a aliança porque os grupos disputam entre si zonas para escoamento de drogas. Apesar das conquistas militares de Uribe, as Farc, com entre 7.000 e 9.000 homens, e o ELN, com até 3.000, controlam parte do território, no sul e nas zonas de fronteira com Equador e Venezuela.

À Reuters o analista político Mauricio Romero, da Universidade Javeriana de Bogotá, avaliou a união como “majoritariamente simbólica”. “Mesmo unidos não poderiam ser uma ameaça.”
Segundo pesquisa Invamer Gallup divulgada ontem, 68% dos colombianos aprovam Uribe, que tenta se desvencilhar de obstáculos legais para se candidatar a um terceiro mandato em 2010.
Questionados sobre um possível referendo para aprovar a segunda reeleição, 52% responderam que votariam na consulta. Destes, 83% apoiam a iniciativa.

FONTE: Folha de São Paulo