Página 3 de 812345...Última »

vinheta-clipping-forteUm grupo de militares brasileiros que faziam segurança do transporte de alimentos nas ruas de Porto Príncipe foi alvejado com tiros na tarde de segunda-feira. O incidente foi confirmado à BBC Brasil por dois militares que integram o Batalhão Brasileiro no Haiti (Brabat).

Segundo os relatos, houve troca de tiros assim que os primeiros disparos foram ouvidos. Um haitiano teria sido preso e identificado como membro da polícia local.

Um dos militares descreveu o episódio como “natural”, já que o terremoto “potencializou” a insegurança alimentar no país caribenho. Procurado pela BBC Brasil, o comando do Batalhão não confirmou a informação dos dois militares, mas acrescentou que não seria improvável.

Visibilidade

O comandante do contingente militar da ONU no Haiti, general Floriano Peixoto, minimizou o impacto dos recentes episódios de violência no pais. Segundo ele, a “natureza dos incidentes” registrados nos últimos dias “é a mesma” do período pré-terremoto.

“Tínhamos saques, sequestros (antes do desastre). O que temos agora é uma maior visibilidade”, disse ele. “Os incidentes já aconteciam antes do terremoto”,disse.

Apesar dos relatos, em situações de violência, sobretudo na favela Cite Soléil, o general diz que os casos são “pontuais”. O embaixador brasileiro no Haiti, Igor Kipman, disse que violência que se vê em Porto Príncipe é “esporádica”.

“A situação preocupa sim, mas não está em descontrole”, disse o embaixador a um grupo de jornalistas na base militar brasileira. Ainda segundo o embaixador, a ideia de que as gangues voltaram a dominar a favela “não é verdadeira”.

A expectativa, de acordo com Kipman, é que de um novo presídio, que já estava sendo construído por canadenses no país, fique pronto até março. Ate lá, os presos serão colocados em prisões provisórias.

Segundo o governo haitiano, cerca de 4 mil presos fugiram das penitenciárias de Porto Príncipe, que ficaram parcialmente destruídas e sem vigilância após o terremoto que devastou a capital.

FONTE: Portal Terra

Tagged with:
 

Eufemismo?

NOTA DO BLOG: Ministro, os familiares dos militares desaparecidos precisam de palavras de conforto e esperança, exatamente o oposto do que foi dito.

Tagged with:
 

anfibio 1

vinheta-clipping-forteA Polícia Militar do Estado de São Paulo começa a testar nesta quarta-feira dois “veículos anfíbios” capazes de se locomover tanto na terra quanto na água, e que podem ser empregados para resgatar pessoas perdidas em matas ou áreas de difícil acesso durante alagamentos.

Um dos carros, no modelo 6×6, será utilizado pelo Comando de Operações Especiais (COE) e, o outro, modelo 8×8, será destinado ao Corpo de Bombeiros.

Os dois “carros anfíbios” importados do Canadá serão testados por 15 dias. Segundo a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo (SSP-SP), caso passem nos testes, a aquisição dos veículos será formalizada pelo governo por R$ 130 mil, sendo que o modelo 6×6 custa R$ 60 mil, e o 8×8, R$ 70 mil.

Segundo o porta-voz da Diretoria de Logística da Polícia Militar, capitão Samuel Loureiro, os veículos são adaptáveis e podem receber equipamentos para cada tipo de ocorrência. “Esperamos que no teste eles (veículos) passem de forma satisfatória para que possamos ter melhores condições de atender a população”, comenta.

O modelo 8×8, destinado aos bombeiros, já vem com uma maca, um guincho para 1,3 mil quilos e sistema de engate para resgate. Ele também é útil no transporte de equipamentos em áreas pantanosas. “Queremos ampliar nossa capacidade de atuação com veículos e novos equipamentos”, complementa o capitão Loureiro.

Os veículos são movidos a gasolina e têm o sistema de tração por correias. Segundo o capitão Loureiro, ao entrar na lâmina d’água, o carro passa a flutuar por meio do casco e o conjunto de pneus o ajuda a navegar. “A tração inicial é feita pela própria rotação dos pneus, como se fosse um sistema de barco a vapor.”

anfibio 2

FONTE: Último Segundo

 

BRIC

Países ainda não estão prontos para liderar uma mudança, diz jornal. Publicação compara países a uma onça, um urso, um tigre e um panda.

vinheta-clipping-forteColoque uma onça, um urso, um tigre e um panda juntos e você poderá ter um bom espetáculo, mas não terá uma vida sossegada. Essa é a definição do jornal “Financial Times” para a situação dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), na série especial preparada pelo jornal britânico sobre o grupo dos principais emergentes do mundo.

Na avaliação do FT, apesar do avanço econômico dos últimos anos, esses países ainda não estão prontos para liderar uma mudança do centro de poder global, principalmente em razão das fortes diferenças existentes entre eles.

“Uma década de crescimento rápido não é suficiente para os Brics pegarem o bastão da liderança econômica global dos Estados Unidos e da Europa Ocidental”, diz o FT. O grupo pode ter surpreendido o mundo com o seu progresso nos últimos dez anos, mas será preciso uma melhora qualitativa, assim como mais crescimento, para consolidar a mudança de poder, avalia a publicação.

Conforme o banco Goldman Sachs, que inventou o acrônimo Bric, a China deve se tornar a maior economia mundial antes de 2030. Atualmente, o grupo já tem a maior fatia do comércio.

Ascensão

O movimento é reconhecido pelos investidores: as ações dos Brics encerraram a década valendo mais que o dobro de 2005, diz o jornal. Há uma década, apenas um deles tinha grau de investimento, hoje todos têm. Há 12 anos, o calote da Rússia e a crise cambial brasileira balançavam o mundo, agora esses países acumulam vastas reservas.

O desempenho levanta questionamentos sobre uma mudança do centro de gravidade da economia e governança globais. “É este o centro de rotação como aconteceu na Segunda Guerra Mundial, quando os confiantes e inovadores Estados Unidos colocaram de lado as fracas e endividadas economias da Europa e refizeram a arquitetura financeira global?”, questiona o FT.

“A resposta mais provável é: ainda não.” Para o jornal, o grupo é tão desigual que qualquer generalização é problemática. Assim como uma boy band, os países podem ter sido escolhidos mais por suas diferenças do que similaridades, compara o FT.

Obstáculos

A China, membro dominante do grupo, ainda está baseada em um modelo econômico dependente da demanda externa. A Índia é conhecida pelo setor de software e serviços para negócios.

O Brasil, apesar de alguns fabricantes bem-sucedidos, permanece como um dos exportadores de produtos agrícolas mais eficientes. E a Rússia, após algumas tentativas de diversificação, continua essencialmente vendendo apenas petróleo e gás.

A falta de interesses comuns também impede uma política conjunta, apesar das reuniões dos Brics a partir de 2008, na tentativa de fechar posição sobre questões econômicas. Temas como política cambial, modelo econômico e comércio mostram divergências.

Um exemplo é o câmbio desvalorizado na China, que contraria os interesses do Brasil. “(Os Brics) devem reconhecer que, conforme ficam mais ricos e mais poderosos, se amontoar na bandeira de solidariedade de países em desenvolvimento não ajudará nem a eles nem à economia mundial”, afirma o editorial do FT, que também trata do tema.

FONTE: G1

Tagged with:
 

da BBC Brasil

vinheta-clipping-forteEnquanto os haitianos lutam por sobrevivência após o devastador terremoto da semana passada, os Estados Unidos, a França e o Brasil estão “brigando pela predominância” no país, diz um artigo publicado no site da revista alemã “Der Spiegel”.

O artigo, assinado pelo correspondente da revista em Londres, Carsten Volkery, diz que o governo haitiano acompanha esse desenrolar “desfalecido”.

Como exemplo da disputa pela predominância no país, a revista cita a decisão do presidente haitiano, René Préval, de passar o controle do aeroporto de Porto Príncipe para os americanos, o que causou uma “chiadeira internacional” e levou o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, a dizer que os Estados Unidos praticamente “anexaram” o aeroporto.

França e Brasil protestaram formalmente em Washington “porque aviões americanos receberam prioridade para pousar em Porto Príncipe enquanto aviões de organizações de ajuda eram desviados para a República Dominicana”, segundo a revista.

A “Spiegel” diz que o Brasil, que lidera as forças da missão de paz no Haiti, “não pensa em abrir mão do controle sobre a ilha” e que, se depender da vontade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto de reconstrução do Haiti “deve permanecer um projeto latino-americano”.

A disputa diplomática em andamento “lembra o passado político da ilha”, diz a revista, “quando constantemente os 8 milhões de haitianos se tornavam um joguete de interesses internacionais”.

Colônia

Por causa da situação precária no país e da fragilidade do governo, vários analistas ouvidos pelo artigo preveem que o país mais pobre das Américas pode voltar a se tornar uma “espécie de colônia”.

“Desde 2004, a ilha é um protetorado da ONU (Organização das Nações Unidas)”, diz a revista, lembrando que as tropas de paz zelam pela ordem e segurança no país, treinam a polícia local e até organizam as eleições.

Henry Carey, especialista em Haiti da Georgia State University, diz no artigo que o mandato da ONU deverá ser estendido e que o país voltará a ser uma colônia, “dessa vez da ONU”.

Para o analista, isso seria “positivo”, se for mantida a recente tendência de estabilização econômica e política verificada no país.

FONTE: Folha Online

Tagged with:
 

O presidente do Haiti, René Préval, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, assinaram um acordo para cooperação mútua diante da devastação causada pelo forte terremoto que atingiu o país, no último dia 12. O tremor deixou a capital Porto Príncipe virtualmente arrasada e matou milhares de pessoas.

Leia a íntegra do comunicado:

“Comunicado Conjunto dos governos do Haiti e dos Estados Unidos da América
divulgado em Porto Príncipe, Haiti
16 de janeiro de 2010

O presidente René Garcia Préval, do Haiti, e a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton, dos Estados Unidos da América, reuniram-se hoje em Porto Príncipe, após o catastrófico terremoto de 12 de janeiro de 2010 e suas trágicas consequências, e divulgaram o seguinte comunicado conjunto:

Reconhecendo:

  • a longa história de amizade entre os povos do Haiti e dos Estados Unidos e seu respeito mútuo pela respectiva soberania;
  • o terrível sofrimento do povo do Haiti, com a perda de vidas em grande escala, lesões físicas generalizadas e danos amplos à infraestrutura pública e propriedade privada;
  • a necessidade urgente de uma resposta imediata aos pedidos do governo do Haiti e a importância primordial de implementação de trabalhos de resgate, assistência, recuperação e reconstrução, além de outras iniciativas, com segurança, rapidez e eficácia;
  • os desafios correntes e sem precedentes que o governo do Haiti enfrenta; e
  • a conversa entre o presidente Obama e o presidente Préval, ocorrida em 15 de janeiro de 2010, que salientou as necessidades urgentes do Haiti e sua população, a promessa feita pelo presidente Obama, de dar o apoio total do povo norte-americano para o governo e povo do Haiti, tanto no trabalho imediato de recuperação como na iniciativa de reconstrução a longo prazo, e o compromisso assumido por ambos os presidentes, de maximizar a coordenação da assistência oferecidas pelas várias partes, inclusive o governo do Haiti, a Organização das Nações Unidas, os Estados Unidos e os vários parceiros e organizações internacionais presentes no terreno;

O presidente Préval, em nome do governo e povo do Haiti, acolhe as iniciativas essenciais empreendidas pelo governo e povo dos Estados Unidos no Haiti, em apoio à recuperação e estabilização imediata e à reconstrução do Haiti a longo prazo, e solicita dos Estados Unidos a assistência necessária para reforçar a segurança em apoio ao governo e povo do Haiti e à Organização das Nações Unidas e aos parceiros e organizações internacionais presentes no terreno;

A secretária Clinton, em nome do governo e povo dos Estados Unidos, reafirma a intenção dos Estados Unidos, por meio de sua assistência, de dar apoio ao povo do Haiti neste momento de grande tragédia; e

O presidente Préval e a secretária Clinton conjuntamente reafirmam que os governos do Haiti e dos Estados Unidos darão continuidade à cooperação nos termos deste entendimento mútuo, com o objetivo de promover os trabalhos de resgate, assistência, recuperação e reconstrução com o máximo de segurança e eficácia possível.”

Tagged with:
 

vinheta-clipping-forteUm convênio entre o Ministério da Defesa e a ABC (Agência Brasileira de Cooperação), ligada ao Itamaraty, deverá aumentar o número de militares de países pobres, em especial da África e da América Latina, que fazem treinamento prático ou teórico no Brasil.

Pelo convênio, os convites e a organização da estadia desses militares, hoje a cargo de cada uma das três Forças, serão centralizados na Defesa. Esta repassará a lista com antecedência à ABC, que paga as passagens e provê ajuda de custo aos convidados.

O diplomata Marco Farani, diretor da ABC, acredita que o convênio permitirá uma melhor programação orçamentária da chamada “cooperação técnica” no âmbito militar, abrindo caminho para a sua ampliação.

“Antes, o convite [aos militares estrangeiros] era feito de forma errática. Havia uma demanda fragmentada [para o apoio financeiro da ABC]. O convênio permitirá que isso seja feito de forma institucional. As próprias embaixadas poderão divulgar as informações sobre cursos e vagas disponíveis, fazer contato de Estado para Estado”, disse.

Trata-se de uma primeira iniciativa para institucionalizar uma prática que, em países desenvolvidos e com peso na indústria de armas, é política de Estado: a formação de militares estrangeiros.

No entanto o convênio cobrirá apenas uma pequena parte da cooperação nessa área entre as Forças Armadas brasileiras e as de “países amigos”. Hoje, a maioria dos acordos para treinamento no Brasil ou no exterior é feita de maneira descentralizada.

A Defesa não dispõe dos dados completos sobre participantes de cursos e intercâmbios em geral, que têm que ser solicitados a cada Força.

Pouca gente

A pedido da Folha, as assessorias de comunicação da Marinha e do Exército compilaram os números de estrangeiros que participaram de cursos nas respectivas escolas desde 2000, e de militares brasileiros que fizeram cursos no exterior.

A informação foi pedida também à Força Aérea, mas não havia sido fornecida até o fechamento desta edição.

Apesar do projeto brasileiro de ampliar a cooperação militar principalmente com os vizinhos da América do Sul, por meio do Conselho de Defesa Sul-Americano e da anunciada promoção de uma indústria bélica regional, os números permitem ver que, na área de formação, o Brasil ainda recebe pouca gente.

De 2000 a 2009, 2.789 estrangeiros passaram por cursos na Marinha (1.689) ou no Exército (1.100). Entre os que receberam treinamento da Marinha, 663 vieram da América Latina e 696, da África –graças à cooperação naval com a Namíbia, sacramentada por acordo em 1998.

Já o Exército recebeu 829 latino-americanos e 118 africanos no mesmo período. O número de sul-americanos que passam pelas escolas da Força cresceu desde 2005 de média de 53 por ano, entre 2000 e 2004, para média de 101.

Nos cursos de altos estudos da ESG (Escola Superior de Guerra), formaram-se 55 estrangeiros, dos quais 45 são latino-americanos.

EUA

Para efeito de comparação, os EUA, em apenas 1 de seus 20 programas para formação de militares estrangeiros, o Imet (International Military Education and Training), receberam 25.207 militares da América Latina e do Caribe entre 2000 e 2007, último ano para o qual há dados disponíveis.

Os outros programas mantidos pelos departamentos de Estado e da Defesa dos EUA recebem não apenas militares, mas também policiais, funcionários civis e acadêmicos. É o caso, por exemplo, do Centro para Estudos da Defesa Hemisférica, vinculado à Universidade Nacional da Defesa, que só em 2007 recebeu 5.484 estudantes latino-americanos.

FONTE: Folha online

 

Mulher de tenente-coronel critica declarações de Jobim

vinheta-clipping-forteO Comando do Exército do Brasil informou nesta segunda-feira que identificou o corpo do tenente-coronel Marcus Vinícius Macedo Cysneiros. Ele era um dos militares desaparecidos nas instalações a ONU no Haiti. Outos dois militares brasileiros ainda são considerados desaparecidos. Com isso, sobe para 18 o número de brasileiros mortos no terremoto em Porto Príncipe – 16 militares e 2 civis.

Cysneiros servia o Gabinete do Comandante do Exército e desempenhava funções de Observador Militar da Missão da ONU, a Minustah.

Depois de se manter calada após as declarações do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que disse na sexta-feira que a palavra “desaparecido” funcionava como um “eufemismo” em relação à tragédia no Haiti, a esposa de um dos militares ainda não encontrados se manifestou publicamente e emitiu nota de repúdio à afirmação do brasileiro. Cely Zanin, mulher do coronel João Eliseu Souza Zanin, ainda tem esperança de rever o marido.

O comunicado de Cely foi divulgado antes da identificação do corpo de Cysneiros e depois de cinco pessoas serem resgatadas com vida dos escombros no domingo.

Intitulado “Repúdio à falta de respeito do ministro Jobim aos brasileiros”, o comunicado diz que “ninguém tem o direito de tirar a esperança do meu coração, dos meus filhos, da nossa família e de nossos amigos.

No Orkut, os filhos do coronel expressam a sua fé: “Pai, aguenta firme. Eu sei que você vai sobreviver”, diz o perfil de um dos adolescentes. Já a filha conta com o resgate possivelmente feito pelos colegas de Zanin: “Pai aguenta firme! Eles tão indo te buscar!! Seu anjinho tá com você!!! Aguenta!!!”

Em entrevista ao GLOBO na semana passada, Cely disse que não queria comentar as declarações de Jobim e afirmou que o Exército tem dado todo o apoio a sua família desde o desastre. Na última nota, a mulher do militar ressalta o trabalho do marido.

“A farda verde oliva do Exército Brasileiro é vestida por um homem íntegro, honesto, dedicado ao seu Exército amado – este é o meu marido, coronel João Eliseu Souza Zanin – que até hoje dedica sua vida ao nosso exército. Esta farda foi conquistada com muito suor, muita dedicação, muita garra e muito amor. A farda verde oliva do Exército não é para ser vestida por qualquer um. Ela foi feita para os homens verdadeiros e íntegros do nosso exército brasileiro.”

O coronel, que estava nas instalações da ONU que desabaram no momento do terremoto, chegara a Porto Príncipe na segunda-feira, 24 horas antes do tremor que devastou a capital.

FONTE: O Globo

Tagged with:
 

Raza

‘A Guerra de Obama não é a de Bush’


Brasileiro que participa da reestruturação da política de defesa dos EUA diz que americanos usarão menos força militar para defender seus interesses no mundo

Claudio Dantas Sequeira

vinheta-clipping-forteO analista de segurança nacional Salvador Ghelfi Raza é o único brasileiro a integrar a equipe contratada pelo governo Barack Obama para propor uma reforma profunda na política e, também, nos métodos utilizados pelos Estados Unidos mundo afora. São 30 Ph.D.s, os melhores cérebros do mundo em análise de segurança, defesa e diplomacia. Ao lado de Raza, além dos americanos, há ingleses, paquistaneses, suíços e uma mexicana. Raza é doutor em estudos estratégicos pela UFRJ com pós-doutorado em estudos de defesa na National Defense University, em Washington, onde leciona. Ressaltando que não fala em nome do governo, mas em caráter pessoal, Raza diz que há em curso uma “revolução” que dará um novo perfil às ações externas daquele país. “Para enfrentar o terror, não basta comprar mais scanners para os aeroportos. A guerra mudou, o papel das Forças Armadas também”, diz. No início do mês, começaram a circular internamente os primeiros rascunhos do que promete ser a maior mudança estrutural no setor desde a criação da CIA, a agência de inteligência americana, no final da década de 40.

Como é o trabalho que o sr. está desenvolvendo em Washington?
Salvador Ghelfi Raza – Estou trabalhando no desenvolvimento da nova metodologia que será usada para ações estratégicas das agências do governo americano em outros países. É um planejamento a longo prazo. Estamos falando de redesenhar a arquitetura de relacionamento das agências de desenvolvimento, de defesa e de inteligência. O objetivo é reunir as principais agências envolvidas num único esforço coordenado de formulação de políticas, desenho integrado de estratégias e gestão coordenada de projetos. Meu núcleo trabalha na vertente do desenvolvimento, capacitando planejadores seniores na área de segurança para que essas pessoas possam integrar equipes de estabilidade e reconstrução em várias partes do mundo. Faz parte de um movimento novo no governo americano para reduzir as barreiras entre as agências, evitando erros como os que permitiram a tentativa de atentado terrorista no último Natal, planejado pela Al-Qaeda.

Essa tentativa de atentado revelou fragilidades na segurança dos EUA parecidas com as que permitiram os ataques de 2001. A reforma executada por Bush não resolveu?
Salvador Ghelfi Raza - Há uma semelhança nos dois casos, sim. Após os atentados de 11 de setembro, houve uma grande reforma centrada na gestão das informações de inteligência. De qualquer maneira, o que ocorreu no Natal aqui, ou no Afeganistão e no Iêmen, não se resolve aumentando o número de máquinas que vão fazer o scanner de pessoas nos aeroportos. É preciso atuar nos fundamentos. Em como o governo se organiza, em como as decisões são tomadas, que políticas podem ser mais efetivas e quais elementos das estratégias se tornaram obsoletos. Na segunda-feira 11, tivemos uma reunião de cinco horas sobre novos parâmetros analíticos para definir o que é um conflito. Se os critérios atuais estão corretos. Daí, podemos olhar para Honduras e avaliar que não há ali um conflito. Reduz-se, assim, o afã operacional.

No caso hondurenho, os EUA foram criticados pelo Brasil exatamente por não agir.
Salvador Ghelfi Raza – O silêncio não significa inação. O Brasil age muitas vezes como aquele garoto cheio de energia que mete os pés pelas mãos. Os EUA estão numa posição mais sênior, de avaliar se uma ação se justifica ou não. Não é dar menos importância, mas evitar ações tempestivas.

Não é nada fácil mudar a cultura de um país e toda uma burocracia. Será possível fazê-lo nos EUA de Obama?
Salvador Ghelfi Raza - É difícil em todo lugar, mas, ao contrário do que parece, a cultura de mudança existe nos EUA. O difícil é saber para qual direção mudar, que tipo de mudança pode gerar um diferencial de resultados. Não é simplesmente criar ou substituir agências ou departamentos. Embora a dinâmica de mudanças tenha se iniciado na era Clinton e se aprofundado com Bush, no caso de Obama ela é substancialmente diferente. Enquanto no governo Bush a diretriz política era formulada em alto nível, de forma centralizadora, puxando para cima o núcleo de decisão, no caso Obama há uma descentralização e delegação de autoridade. Quando se faz isso, vem à tona uma série de fragilidades de planejamento estratégico, e surgem problemas que pareciam não existir antes. Há aspectos positivos e negativos nesse processo.

A ambiguidade na política externa de Obama seria um desses aspectos?
Salvador Ghelfi Raza – Sim. E isso eles querem corrigir. Uma das coisas para as quais precisamos tirar o chapéu e reconhecer é o esforço. Quem está de fora não imagina o que está sendo feito, os bilhões de dólares que estão sendo gastos para reparar de forma discreta, mas forte, a máquina decisória. Não é mudar pessoas, mas saber por que não funciona, qual a lógica articulante do sistema.

Dessa estratégia, o que o sr. pode detalhar?
Salvador Ghelfi Raza – Haverá um redesenho das competências de segurança no país, com a criação de um núcleo organizacional de defesa fortemente orientado na integração das agências de inteligência, as de controle dos UAVs (aviões não tripulados), a Força Aérea e as Forças Especiais. Haverá um outro núcleo, de segurança civil, uma espécie de grande Gendarmeria, onde estarão as agências de desenvolvimento. Hoje há três dimensões de ação: no Departamento de Defesa; no Departamento de Estado e no Departamento de Segurança Interna. É como se pegassem as Forças Armadas, as polícias, a inteligência, as agências de fomento, botassem tudo num liquidificador, retirassem os vínculos e separassem em dois. É um esforço enorme, caríssimo, e os primeiros rascunhos já saíram no início de janeiro. O que se antecipa é uma mudança estrutural sem precedentes.

Quando Obama dobra as tropas no Afeganistão não está imprimindo sua digital na guerra ao terror de Bush?
Salvador Ghelfi Raza – Não vejo assim. O governo Obama está repensando as estratégias usadas contra o terror. A guerra ao terror de Obama não é a de Bush. Existe um fenômeno chamado terrorismo, que foi enfrentado de uma certa maneira. O propósito de enfrentá-lo continua, mas as estratégias estão sendo ajustadas para dar conta de forma mais abrangente, menos militar e mais eficiente. Envolvem-se mais agências que estavam na periferia do esforço.

Que tipo de abordagem podemos esperar nos conflitos atuais?
Salvador Ghelfi Raza – Não só no Afeganistão, mas em vários outros países, podemos esperar maior envolvimento dos países, a qualificação das autoridades locais e a integração das agências de inteligência. Implica ouvir mais os altos escalões do país onde há a crise. E uma tentativa brutal de entender a cultura do povo local. Não há intenção de se impor a chamada doutrina de Washington.

Espera-se uma ação menos intervencionista dos EUA?
Salvador Ghelfi Raza – É mais participativa. Não vejo como menos intervencionista, pois aí é uma questão de matiz ideológico. Mas é um desenho mais integrador, que procura identifi car a cultura do país. Evitar erros como os cometidos na Bolívia. Você não pode chegar lá e destruir a coca. Ou acabar com o cultivo de papoula no Afeganistão. A economia desses países depende disso. Então, é preciso substituir esses cultivos. Da mesma forma, ao agir na estabilização, é preciso treinar a polícia e as Forças Armadas para que tenham autonomia. Isso tudo é novo. Antes, o governo americano vinha, ocupava e dizia “eu tenho a solução”. Não é que o americano ficou bonzinho, mas mais inteligente e humano.

Como atuar com agências tão estigmatizadas como a Usaid, que por décadas funcionou como fachada da CIA?
Salvador Ghelfi Raza - As agências de fomento serão de fomento e as de inteligência serão de inteligência. Haverá uma defi nição melhor das responsabilidades, sem a fusão de atribuições, mas apenas dos efeitos. Pretende-se, assim, resgatar a imagem delas, aproveitando a ênfase na diplomacia política de cooperação e integração.

Mas será difícil convencer muitos países, inclusive na América Latina, de que os EUA agem de boa-fé.
Salvador Ghelfi Raza – É um desafio. De qualquer maneira, a América Latina não está no foco de atenção americana, apesar de ter ganho projeção surpreendente. O Brasil precisa acordar dessa letargia metodológica intelectual, achando que para crescer basta deixar rolar. Nossas instituições estão obsoletas. Nosso pessoal militar tem que sofrer modernização drástica. Não basta comprar avião novo e submarino e manter a mentalidade dos anos 80. A política exterior está desarticulada da política de defesa, estamos numa panela de pressão e aumentando o fogo.

A crise em torno do Plano Nacional de Direitos Humanos é um exemplo desse atraso, ao reanimar sentimentos de revanchismo e enfrentamentos que já deveriam estar superados?
Salvador Ghelfi Raza
– É só um aperitivo do que vem pela frente. A tendência é piorar. Há crises internas e erros de política tão grandes que podem comprometer a imagem de um país que parou no tempo. O Brasil é um novo-rico. Os EUA já estão fazendo sua revolução para o futuro, e nós dando pulos para trás. Comprando espelhos, como índios. Qual a estratégia de segurança do governo brasileiro? Não tem. Como a política externa dialoga com a compra de mais caças? Como se espera que o submarino nuclear possibilite novas dimensões de dissuasão regional e como isso será usado pela diplomacia comercial? Ninguém sabe.

Tagged with:
 

Segundo coronel Willie Berges, militares tomaram controle de aeroporto a pedido do governo haitiano

vinheta-clipping-forteO adido militar do Comando Sul do Exército americano em Brasília, coronel Willie Berges, disse em entrevista ao estadao.com.br que a função dos militares americanos em Porto Príncipe não é se sobrepor às exercidas pela Missão de Paz da ONU para Estabilização do Haiti (Minustah), chefiada pelo Brasil, e que o Comando Sul, junto com o departamento de Estado e com a agência de ajuda do governo americano (USAID) é facilitar a entrega de auxílio humanitário ao país, zelar pela segurança de equipamentos, remédios e mantimentos e ajudar cidadãos americanos que vivem no Haiti. Leia a entrevista:

Qual está sendo hoje o papel do Exército americano em Porto Príncipe?

Exatamente, nós estamos agora mesmo apoiando o governo do Haiti. Primeiro na área de buscas e resgate e ajudando na área médica e de transporte. Nós também estamos ajudando os 45 mil americanos no Haiti.

Com o aeroporto de Porto Príncipe destruído, vocês estão coordenando a chegadas dos aviões?

Para respeitar a soberania do Haiti, só tínhamos o controle do aeroporto ontem à noite. Recebemos o controle do governo do Haiti, que outorgou o controle por um tempo limitado.

Na questão da segurança, esse efetivo militar que o presidente Obama falou que ia mandar para o Haiti vai ter uma função de segurança ou de distribuição de ajuda?

A maioria é de ajuda. A segurança é de responsabilidade da Minustah. Vamos apoiá-los e trabalhar com eles. Mas a maioria do efetivo é de buscas, transporte, logística. Estamos trabalhando em conjunto com a Minustah e com o governo do Haiti

A gente tem recebido relatos do Haiti que está havendo problemas de logística pra desembarcar esta ajuda e distribuir. Qual o papel dos EUA nisso? Tem um comando central de logística no Haiti hoje?

O subcomandante do Comando Sul está centralizando tudo. Mas nas primeiras horas o controle do aeroporto ainda era haitiano. Agora temos um processo mais eficiente. Deixando aviões que entrem que tenha prioridade. Por exemplo, um avião médico.

Como estão sendo tomadas as decisões entre a Minustah, o governo do Haiti e os EUA?

Na área militar, temos muita cooperação militar com os brasileiros no Haiti. Por isso vamos trabalhar juntos. O comando sul conversa com a Minustah e o governo do Haiti fala com o departamento de Estado e com a ONU e em todas as decisões importantes o governo do Haiti é consultado. Por isso a resposta ficou um pouco confusa porque não íamos tomar controle do aeroporto sem autorização.

O chefe do Estado Maior do Brasil no Haiti disse hoje que o Brasil deveria pedir pra ONU definir qual o papel de cada um ali no Haiti. Qual a sua opinião?

As Nações Unidas estão falando com os EUA sobre a prioridade de cada um. O ministro Jobim já falou sobre as prioridades que ele identificou para o Brasil. Para nós a prioridade, é óbvio, é a ajuda e não duplicar esforços com a Minustah. Estamos priorizando a área médica, transporte e logística, comida e água, para que chegue mais rápido. E em segurança dessas coisas. As tropas vem para segurança do equipamento e de cidadãos americanos.

Tagged with:
 
Página 3 de 812345...Última »