Equador é tomado por protestos de militares contra corte de benefícios; presidente acusa golpe de Estado
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QUITO – O presidente do Equador, Rafael Correa, decretou nesta quinta-feira, 30, estado de exceção em todo o país por cinco dias para frear um protesto de militares e policiais contra uma lei que corta os benefícios de setores do funcionalismo público.
“Uma vez que setores da polícia abandonaram irresponsavelmente seu trabalho, tivemos de declarar o estado de exceção”, disse o ministro de Segurança Doméstica, Miguel Carnaval, a jornalistas.
Correa acusou setores da oposição, entre eles o ex-presidente Lúcio Gutierrez de organizar um golpe de Estado contra ele. Policiais ocuparam os principais quarteis de Quito e o Congresso. O aeroporto da capital foi tomado por oficiais da Força Aérea.
Rodovias foram bloqueadas e houve relatos de distúrbios e até roubos de bancos. Outros setores do funcionalismo também afetados pela nova lei se uniram aos protestos, incluindo os estudantes.
Correa se dirigiu ao quartel geral de Quito para falar com os manifestantes e disse que não iria voltar atrás sobre a lei, que visa diminuir os gastos do Estado com o funcionalismo.
“Se vocês querem matar o presidente, aqui está ele. Matem-me!”, disse, recusando-se a recuar na nova lei.
Correa isolado
Os policiais debelados atiraram bombas de gás lacrimogêneo contra o presidente, o que o levou a ser internado no hospital do quartel. Então, o prédio foi cercado.
Falando por telefone à rádio estatal, Correa qualificou os distúrbios como golpe. O presidente afirmou que “a história irá julgá-los (os manifestantes)”. “Eu convoco a polícia patriótica a se submeter” à liderança do presidente, afirmou.
Escolas e lojas foram fechadas por causa da falta de proteção policial. Há relatos de saques em algumas cidades do país, incluindo na capital, onde pelo menos dois bancos foram saqueados, e na cidade costeira de Guayaquil. O principal jornal do país, El Universo, informa que houve assaltos em supermercados e roubos por causa da ausência da polícia.
Reação popular
Centenas de partidários de Correa marcharam até a praça da Independência, no centro de Quito a fim de demonstrar apoio ao presidente.
O ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, convocou os partidários de Correa a marcharem ao hospital do quartel para retirá-lo de lá.
O povo marchou até o hospital e entrou em confronto com os policiais rebelados. Ao menos uma pessoa ficou ferida com um tiro no braço, segundo a rádio estatal. Os partidários do presidente atiraram pedras nos policiais e foram repreendidos com tiros e bombas de gás.
Apoio da cúpula militar
A cúpula militar equatoriana afirmou seu apoio ao presidente Rafael Correa, assim como outras instituições do Estado.
“Pedimos calma. Agentes políticos estão desinformando elementos militares”, disse o comandante general das Forças Armadas, general Ernesto González
Em comunicado conjunto, o Conselho Nacional Eleitoral, o Parlamento, A Corte Nacional de Justiça, a procuradoria-geral e a controladoria-geral da República defenderam o presidente.
FONTE: Estadão, com Efe, AP e Reuters
Raquel de Queiroz
“Não sei se vocês têm meditado como devem no funcionamento do complexo maquinismo político que se chama governo democrático, ou govêrno do povo. Em política a gente se desabitua de tomar as palavras no seu sentido imediato. No entanto, talvez não exista, mais do que esta, expressão nenhuma nas línguas vivas que deva ser tomada no seu sentido mais literal: governo do povo. Porque, numa democracia, o ato de votar representa o ato de FAZER O GOVERNO.
Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta ato de obediência a um chefe, não se satisfaz uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo ou grupo de indivíduos que nos vão governar pro determinado prazo de tempo.
Escolhem-se pelo voto aqueles que vão modificar as leis velhas e fazer leis novas – e quão profundamente nos interessa essa manufatura de leis! A lei nos pode dar e nos pode tirar tudo, até o ar que se respira e a luz que nos alumia, até os sete palmos de terra da derradeira moradia.
Escolhemos igualmente pelo voto aqueles que nos vão cobrar impostos e, pior ainda, aqueles que irão estipular a quantidade desses impostos. Vejam como é grave a escolha desses “cobradores”. Uma vez lá em cima podem nos arrastar à penúria, nos chupar a última gota de sangue do corpo, nos arrancar o último vintém do bolso.
E, por falar em dinheiro, pelo voto escolhem-se não só aqueles que vão receber, guardar e gerir a fazenda pública, mas também se escolhem aqueles que vão “fabricar” o dinheiro. Esta é uma das missões mais delicadas que os votantes confiam aos seus escolhidos. Pois se a função emissora cai em mãos desonestas, é o mesmo que ficar o país entregue a uma quadrilha de falsários. Eles desandam a emitir sem conta nem limite, o dinheiro se multiplica tanto que vira papel sujo, e o que ontem valia mil, hoje não vale mais zero.
Não preciso explicar muito este capítulo, já que nós ainda nadamos em plena inflação e sabemos à custa da nossa fome o que é ter moedeiros falsos no poder.
Escolhem-se nas eleições aqueles que têm direito de demitir e nomear funcionários, e presidir a existência de todo o organismo burocrático.
E, circunstância mais grave e digna de todo o interesse: dá-se aos representantes do povo que exercem o poder executivo o comando de todas as forças armadas: o exército, a marinha, a aviação, as polícias.
E assim, amigos, quando vocês forem levianamente levar um voto para o Sr. Fulaninho que lhes fez um favor, ou para o Sr. Sicrano que tem tanta vontade de ser governador, coitadinho, ou para Beltrano que é tão amável, parou o automóvel, lhes deu uma carona e depois solicitou o seu sufrágio – lembrem-se de que não vão proporcionar a esses sujeitos um simples emprego bem remunerado. Vão lhes entregar um poder enorme e temeroso, vão fazê-los reis; vão lhes dar soldados para eles comandarem – e soldados são homens cuja principal virtude é a cega obediência às ordens dos chefes que lhe dá o povo. Votando, fazemos dos votados nossos representantes legítimos, passando-lhes procuração para agirem em nosso lugar, como se nós próprios fôssem. Entregamos a esses homens tanques, metralhadoras, canhões, granadas, aviões, submarinos, navios de guerra – e a flor da nossa mocidade, a eles presa por um juramento de fidelidade. E tudo isso pode se virar contra nós e nos destruir, como o mostro Frankenstein se virou contra o seu amo e criador.
Votem, irmãos, votem. Mas pensem bem antes. Votar não é assunto indiferente, é questão pessoal, e quanto! Escolham com calma, pesem e meçam os candidatos, com muito mais paciência e desconfiança do que se estivessem escolhendo uma noiva. Porque, afinal, a mulher quando é ruim, dá-se uma surra, devolve-se ao pai, pede-se desquite. E o governo, quando é ruim, ele é que nos dá a surra, ele é que nos põe na rua, tira o último pedaço de pão da boca dos nossos filhos e nos faz aprodecer na cadeia. E quando a gente não se conforma, nos intitula de revoltoso e dá cabo de nós a ferro e fogo.
E agora um conselho final, que pode parecer um mau conselho, mas no fundo é muito honesto. Meu amigo e leitor, se você estiver comprometido a votar com alguém, se sofrer pressão de algum poderoso para sufragar este ou aquele candidato, não se preocupe. Não se prenda infantilmente a uma promessa arrancada à sua pobreza, à sua dependência ou à sua timidez. Lembre-se de que o voto é secreto.
Se o obrigam a prometer, prometa. Se tem medo de dizer não, diga sim. O crime não é seu, mas de quem tenta violar a sua livre escolha. Se, do lado de fora da seção eleitoral, você depende e tem medo, não se esqueça de que DENTRO DA CABINE INDEVASSÁVEL VOCÊ É UM HOMEM LIVRE. Falte com a palavra dada à força, e escute apenas a sua consciência. Palavras o vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno”.
FONTE: Revista O Cruzeiro, 11 de janeiro de 1947
Para ICJBrasil Forças Armadas é a instituição em que a população mais confia
Com 63% de respostas positivas, as Forças Armadas é a instituição mais digna de confiança por parte da população, segundo o Índice de Confiança na Justiça (ICJBrasil), da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (DIREITO GV).
A sondagem procurou saber como estava a popularidade do Judiciário frente a outras instituições e constatou que a sua posição não é confortável. Com apenas 33% das respostas, o Judiciário ganha apenas do Congresso Nacional (28%) e dos partidos políticos, quando se pergunta se os entrevistados confiam ou não nas instituições. As outras respostas foram: grandes empresas (54%), Governo Federal (43%), emissoras de TV (42%), imprensa escrita (41%), Polícia (38%) e Igreja Católica (34%).
Essa pergunta específica marca o primeiro aniversário do ICJBrasil, uma iniciativa da DIREITO GV para mensurar o grau de confiança no Judiciário e como anda a utilização das instituições da Justiça, pela população, para a reivindicação de direitos e busca por soluções de controvérsias.
O ICJBrasil do segundo semestre de 2010 foi de 4,4 pontos, em uma escala de 0 a 10. O índice é formado pelos subíndices de comportamento e percepção, sendo que o segundo cravou uma nota 6,4 e o primeiro, 3,5 pontos, sempre em uma escala de 0 a 10.
O Rio Grande do Sul foi o Estado que registrou maior confiança no Judiciário, com 4,6 pontos, seguido por Pernambuco, com 4,5. Empatados, com 4,4 pontos, vieram Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Logo em seguida, com 4,3 pontos, encontra-se a Bahia e o Estado que menos confia nas instituições da Justiça, com 4,1 pontos, foi o Distrito Federal.
O primeiro aniversário do ICJBrasil foi marcado por algumas mudanças, visando o aprimoramento das informações levantadas pela sondagem. A mais importante é que, a partir do segundo trimestre, a avaliação deixou de se restringir às regiões metropolitanas e avançou pelo interior.
“Desta forma. buscamos também verificar qual é o sentimento da população pelo interior do país, o que permitirá, em um futuro próximo, traçar uma comparação entre as necessidades das grandes capitais e do interior, que certamente são distintas”, explica Luciana Gross Cunha, coordenadora do ICJBrasil.
O resultado foi uma desconfiança um pouco maior em relação à Justiça da população que vive no interior. Enquanto o ICJ dos habitantes das regiões metropolitanas se igualou ao ICJBrasil (4,4 pontos), nas cidades do interior, ele foi a 4,3.
Utilização do Judiciário
Segundo o ICJBrasil, a confiança no Judiciário é maior entre os que nunca utilizaram os seus serviços do que entre os que já utilizaram, e essa confiança aumenta conforme a renda e a escolaridade dos entrevistados. Entre os entrevistados que disseram que já utilizaram o Judiciário para resolver algum conflito, o ICJ é de 4,3 pontos, enquanto entre os entrevistados que disseram que nunca utilizaram o Judiciário, o ICJ é de 4,5 pontos.
Com relação ao futuro do Judiciário, “(…) apesar de todos os problemas e do pouco prestígio de que goza junto à população, a visão do brasileiro é de que o Judiciário de forma geral está melhor hoje do que no passado e a perspectiva é de que tenda a melhorar no futuro”, analisa Luciana Gross Cunha, diante do fato de que 51% dos entrevistados acreditam que o Poder Judiciário melhorou nos últimos 5 anos. Para 70% dos entrevistados, nos próximos 5 anos o Judiciário tende a melhorar.
Segundo o ICJBrasil, a Justiça é percebida pela grande maioria como morosa: 88% dos entrevistados avaliam que o Judiciário resolve os conflitos de forma lenta ou muito lentamente. Para 80% dos entrevistados, a Justiça é cara e 72% responderam que o Judiciário é difícil ou muito difícil de se utilizar.
Outros três problemas apontados são a falta de honestidade: 61% dos entrevistados não consideram o Judiciário honesto; a parcialidade: 60% disseram que o Judiciário não é independente; e incompetência: 54% da população entrevistada não considera o Judiciário competente para resolver conflitos.
ICJBrasil por renda
Os entrevistados com renda inferior a 2 salários mínimos e os que recebem entre 4 e até 12 salários mínimos tiveram um ICJ de 4,4 pontos, enquanto os que recebem mais de 2 salários mínimos e até 4 salários mínimos e os que ganham acima de 12 salários mínimos tiveram um ICJ de 4,3 pontos.
ICJBrasil por escolaridade
Em relação à escolaridade, os respondentes com colegial incompleto são os que menos confiam na Justiça, com 4,3 pontos. Todas as outras categorias apresentaram ICJ de 4,4 pontos.
Sobre o ICJBrasil
O ICJBrasil começou a ser mensurado no segundo trimestre de 2009 pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (Direito GV). O índice é composto por dois subíndices: o de percepção avalia a opinião dos respondentes a respeito do Judiciário nos seguintes aspectos: confiança, tempo de solução de conflitos, competência para a solução de conflitos, custos de acesso ao Judiciário, facilidade de uso do Judiciário, honestidade, independência, um panorama dos últimos 5 anos e a perspectiva para os próximos 5 anos.
O subíndice de comportamento procura saber se, em situações hipotéticas, o cidadão recorreria à justiça. Foram excluídas propositadamente situações onde o Estado é obrigado a atuar no caso, como, por exemplo, crimes.
Foram entrevistados 1.550 pessoas de 7 Estados (Rio Grande do Sul, São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro) durante os meses de abril, maio e junho de 2010. Esses Estados representam 60% da população brasileira, segundo dados do Censo de 2000 do IBGE.
FONTE: Portal Direito Legal, via Notimp
O município de Santa Maria negocia com o governo federal e multinacionais a implementação de um Complexo Industrial de Defesa. As tratativas ainda estão em fase inicial, mas foram alvo de reunião entre o prefeito Cezar Schirmer e o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
O projeto prevê a construção de um centro de indústrias bélicas e de peças para tanques de guerra. Para isso, a prefeitura já tem terreno disponível e projeto para transformar o aeroporto da Base Aérea em um terminal internacional.
Santa Maria tem know how para isso, pontuou o prefeito. Entre as empresas que estariam sendo sondadas está uma companhia russa e a alemã Krauss Massey Wergmann (KMW), que fornece blindados de combate ao Brasil. Elas se somariam a outras que já atuam na região, como a israelense Elbit, que desenvolve avião não-tripulado.
O governo federal deve apoiar as negociações. O ministro Nelson Jobim destacou que uma fábrica de blindados em Santa Maria seria um marco importante para a cidade, que hoje possui 80% dos blindados do Brasil.
A união entre setor privado e público será vital para a empreitada. Está em negociação a concessão de isenção tributária às empresas. A indústria de material de defesa é uma indústria dual. Não se deve tratar apenas essa questão como um direito das estatais. Ela tem de ter um viés militar, mas também civil, salientou Jobim.
FONTE: Portal Vitrine, via Notimp
NOTA DO BLOG: o ministro Nelson Jobim é natural de Santa Maria
Andrea Murta
Apesar de bem-sucedido, o esforço do governo Lula para elevar o status do Brasil no exterior deixará uma herança de “dilemas estratégicos”, incluindo tensão com Washington, afirma análise da Escola de Guerra do Exército dos EUA.
Publicado em agosto, o estudo “Dilemas da Grande Estratégia Brasileira” afirma que poucos países tiveram melhora tão notável em sua “estatura internacional” na última década como o Brasil.
Para o autor, o pesquisador Hal Brands, do Instituto de Análise em Defesa, isso foi obtido por meio de três estratégias: ação leve para contrabalançar o poderio americano; formação de coalizões para aumento do poder de negociação; e posicionamento como líder de uma América do Sul mais unida.
“Lula procurou transformar a crescente confiança nacional oriunda da consolidação democrática e da estabilidade econômica em uma diplomacia mais forte”, escreveu Brands.
Ele aponta como ações principais da diplomacia nos últimos oito anos o papel mais ativo em missões de paz da ONU; a promoção de blocos como os Brics (com Rússia, Índia e China) e Ibas (com Índia e África do Sul); a tentativa de obter vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU; e a defesa da integração econômica da América do Sul.
Também é notada a emergência de novas instituições regionais como a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e o Conselho Sul-Americano de Defesa.
Brands afirma que essa estratégia de tentar reverter a antiga ordem internacional foi benéfica no curto prazo e que o sucessor de Lula terá nas mãos uma rede de opções comerciais e diplomáticas para escolher onde atuar.
Mas, segundo disse em entrevista à Folha, há quatro problemas que poderão obstruir a ascensão do país. “Primeiro, não está claro que o Brasil preparou bem os fundamentos para crescimento econômico e coesão social de longo prazo, que são necessários para uma política externa ambiciosa.”
“Segundo, as relações com muitos vizinhos são tensas. Países como Bolívia e Paraguai veem o Brasil como uma potência dominadora, enquanto México, Argentina, Venezuela e Colômbia o veem como rival pela liderança regional”, continua.
O terceiro ponto é que não está claro se Brics e Ibas são coesos o suficiente para atuar como grandes atores geopolíticos.
E, “finalmente, a política externa assertiva de Lula ocasionalmente leva a conflitos com os EUA”.
Mesmo nas projeções mais otimistas, o Brasil não terá capacidade econômica ou militar para competir com outras potências (EUA, China e a União Europeia) por décadas –se é que isso acontecerá algum dia.
Exatamente por isso, o país precisa abordar seus dilemas estratégicos. “Se o Brasil alcançará “impacto sistêmico” –a habilidade de influenciar significativamente a ordem global– terá de fazer isso não por meio da acumulação inexorável de peso geopolítico, mas pela qualidade de sua diplomacia.”
FONTE: Folha de São Paulo

O Ministério da Defesa e a Fundação Getúlio Vargas lançam, no início de outubro, o livro “Segurança Internacional: Perspectivas Brasileiras”, obra que reúne 39 artigos representativos da diversidade do pensamento estratégico do país. O livro é resultado de um inédito ciclo de seminários realizado entre março e junho deste ano no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília com patrocínio do Ministério da Defesa em parceria com instituições públicas e privadas de excelência (Fundação Getúlio Vargas, Fundação Armando Álvares Penteado, FIESP, Comando do Exército Brasileiro e Comando da Marinha do Brasil).
O livro, organizado pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim, por seu assessor militar, General Sergio Etchegoyen e pelo diplomata João Paulo Alsina, será lançado no dia 6 de outubro, quarta-feira, às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo (Avenida Paulista, 2073). No dia 7 de outubro, quinta-feira, será a vez do lançamento no Rio de Janeiro, na sede da Fundação Getúlio Vargas (Edifício Fundação Getúlio Vargas, Praia do Botafogo 190, 12º andar). Os dois eventos contarão com a presença dos organizadores e de vários dos autores.
A publicação apresenta abrangente reflexão sobre o lugar do Brasil no mundo sob o prisma das relações de segurança prevalecentes no sistema internacional. Trata-se do mais amplo e qualificado painel jamais produzido no País sobre o assunto, com o confronto das mais diversas visões. O espectro de temas abordados, que vão de indagações sobre o futuro das guerras interestatais à militarização do espaço e suas conseqüências para as potências médias, soma-se à qualidade do conjunto de autores que contribuíram para esse trabalho.
Além de sua utilidade como subsídio para a formulação de políticas públicas no campo da defesa nacional, “Segurança Internacional: Perspectivas Brasileiras” pode ser considerado elemento de consulta indispensável para estudantes e professores de graduação e pós-graduação em Relações Internacionais, Ciência Política, Sociologia e Estudos Estratégicos.
De modo também inédito, o livro contará com distribuição nacional e poderá ser adquirido por qualquer cidadão interessado por preço acessível.
O livro, com introdução do Ministro da Defesa e prefácio do Presidente da Fundação Getúlio Vargas, possui cinco partes, a saber: 1. O Cenário Global de Segurança; 2. Desafios Contemporâneos de Segurança; 3. A Circunstância Regional de Segurança; 4. Perspectivas Brasileiras de Segurança; e 5. As Realidades Regionais de Segurança.
Os autores e os temas abordados em cada uma dessas partes são os seguintes:
1. “O Cenário Global de Segurança”:
- Grandes tendências da segurança internacional contemporânea, Héctor Luis Saint-Pierre;
- Guerras e doutrinas militares no século XX e em face da Nova Ordem Mundial, Francisco Carlos Teixeira da Silva;
- As guerras interestatais são coisa do passado?, Domício Proença Júnior;
- Guerras de quarta geração ou mais uma falácia travestida de sapiência?, Luiz Eduardo Rocha Paiva;
- A China e o sistema internacional de segurança, Henrique Altemani de Oliveira;
- O futuro das operações de paz das Nações Unidas, Antonio Jorge Ramalho da Rocha;
- Blocos regionais, democracia e conflito, Renato G. Flôres Jr.
2. “Desafios Contemporâneos de Segurança”:
- O conceito de segurança climática: reflexos para os países em desenvolvimento, Sergio Amaral;
- Dever de proteger ou nova forma de intervencionismo?, Gelson Fonseca Jr.; Soberania e intervenção em questões ambientais, Aldo Rebelo;
- Terrorismo catastrófico: inimigo real ou imaginário?, Eugenio Diniz;
- A proliferação de armas de destruição massiva: mito ou realidade?, William Waack;
- O futuro das armas nucleares, Rex Nazaré Alves;
- O avanço da tecnologia militar e a compressão do espaço estratégico em escala global, Mário Alberto de Almeida, Daílson Mendes de Oliveira e Tarcísio Takashi Muta;
- A militarização do espaço: desafios para as potências médias, Cleonilson Nicácio Silva.
3. “A Circunstância Regional de Segurança”:
- Recursos naturais e conflito na América do Sul, Marco Aurélio Garcia;
- El espacio sudamericano como “zona de paz” a preservar frente a factores de turbulencia intra y extra-regionales, Fabián Calle;
- Segurança internacional na América do Sul, Monica Herz;
- O Conselho de Defesa Sul-Americano e sua instrumentalidade, Marcos Vinicius Pinta Gama; e
- É viável a formação de um cluster de indústrias de defesa na América do Sul, Marcelo Odebrecht.
4. “Perspectivas Brasileiras de Segurança”:
- Vulnerabilidades do atual desenvolvimento brasileiro: esboço de diagnóstico e de indicação de políticas de superação, Luiz Alfredo Salomão;
- Diplomacia, defesa e a definição política dos objetivos internacionais: o caso brasileiro, Maria Regina Soares de Lima;
- As capacidades militares necessárias, Alberto Cardoso;
- O papel do Congresso nas questões de defesa: entre a abdicação e o comprometimento, Octavio Amorim Neto;
- Defendendo o pré-sal, Julio Soares de Moura Neto;
- Construindo hipóteses de emprego na Amazônia, Eduardo Villas Bôas; Financiamento de longo prazo em defesa, Ibsen Pinheiro e
- Estratégia Nacional de Defesa (END), Raul Jungmann.
5. “As Realidades Regionais de Segurança”:
América Central e do Norte
- As realidades regionais de segurança: a recriação da Quarta Esquadra e seu significado, José Alberto Accioly Fragelli;
- O narcotráfico e a segurança nacional mexicana, Alberto Pfeifer;
África
- A presença da China na África, Williams Gonçalves;
- O Atlântico Sul e a costa ocidental da África: os interesses brasileiros e a questão energética; José Sergio Gabrielli;
Europa
- O futuro da Otan, Darc Costa;
- A França e a sua inserção na segurança européia, Antônio Carlos Lessa;
Oriente Médio
- Perspectivas de resolução dos conflitos no Oriente Médio, Reginaldo Nasser; Armas nucleares no volátil Oriente Médio: algumas interpretações, Márcio Scalercio;
Ásia-Pacífico
- A China como potência militar global: se, quando e como?, Severino Cabral; e
- As opções estratégicas do Japão, Carlos Lessa.
Texto: José Romildo
FONTE: Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Defesa
COLABOROU: Fábio ASC
Presidente Santos diz que ‘o maior símbolo do terror na Colômbia foi derrubado’
BOGOTÁ – O governo da Colômbia anunciou nesta quinta-feira, 23, a morte deVíctor Julio Suárez Rojas, conhecido como Mono Jojoy, número dois na escala de comando das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e chefe militar da guerrilha. O guerrilheiro foi morto na operação ‘Boas-vindas’ do Exército, executada no departamento de Meta, no sudoeste do país. Outros 20 homens suspeitos de pertencerem à guerrilha também foram mortos.
Segundo o presidente Juan Manuel Santos, a morte do guerrilheiro é o golpe mais duro já sofrido pelas Farc em toda a sua história. “O símbolo máximo do terror na Colômbia foi derrubado”, disse o presidente, que está em Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A operação foi a primeira de Santos como presidente. Ao assumir o mandato em agosto, Santos rejeitou uma proposta do líder das Farc, Alfonso Cano, de retomar o diálogo, e prometeu manter a ofensiva contra a guerrilha.
Mono Jojoy, cujo nome real era Víctor Julio Suárez Rojas, estava vinculado às Farc desde 1975. Ele ingressou na guerrilha como combatente e cresceu hierarquicamente, chegando ao Secretariado Geral. Ele nasceu em 1953 na cidade de Cabrera, no departamento de Cundinamarca.
Além de chefe militar da guerrilha, Jojoy era líder da “linha dura” da organização. Seu irmão, German Briceño, conhecido como Grannobles, também pertence à guerrilha, mas opera no nordeste do país.
O governo oferecia uma recompensa milionária pela captura de Jojoy, que era acusado de terrorismo e narcotráfico. Ele enfrentava diversos mandatos de apreensão e um pedido de extradição.
Jojoy é o terceiro líder das Farc morto desde a implementação da estratégia de segurança democrática do ex-presidente Alvaro Uribe, da qual Santos foi ministro da Defesa. Em março de 2008, o responsável pelas rexteriores da guerrilha foi morto em um bombardeio no Equador. Meses mais tarde, o líder histórico das Farc, Manuel Marulanda, morreu de causas naturais.
FONTE / FOTO (EFE): Estadão
O Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM) está situado na ilha homônima, localizada no extremo oeste da restinga da Marambaia, estado do Rio de Janeiro. A restinga da Marambaia representa o limite sul da Baía de Sepetiba, importante pólo econômico do estado.
No entorno da Baía de Sepetiba estão localizados, dentre outros, o porto de Sepetiba, a Base Aérea de Santa Cruz (BASC) e as instalações da NUCLEP. Futuramente, ao lado do porto de Sepetiba, também será instalada uma nova base naval e um estaleiro responsável pela construção de submarinos convencionais e de propulsão nuclear.
A restinga da Marambaia representa uma faixa arenosa que se estende por 45 quilômetros e que está orientada, grosso modo, no sentido leste-oeste. Toda a sua área é de propriedade da União e está subdividida em três partes.
No lado leste, próximo ao continente, está a área pertencente ao Comando do Exército (área destacada em verde na imagem abaixo) e na ponta oposta (lado oeste), está a área de propriedade do Comando da Marinha (área destacada em laranja). No centro da restinga, limitada pelas áreas do Comando da Marinha e do Comando do Exército, está a área pertencente ao Comando da Aeronáutica (área destacada em azul).
O relevo é bastante plano e sua monotonia é quebrada somente no extremo oeste da restinga, área pertencente à Marinha. O ponto mais elevado é o pico da Marambaia (480 metros acima do nível do mar). Além de ser uma área militar, também é um paraíso ecológico com rica fauna e flora, estando a cobertura vegetal muito bem preservada. A Restinga da Marambaia é considerada Área de Proteção Ambiental (APA), de vital importância para o meio ambiente.
O CADIM
O CADIM é uma OM (Organização Militar) subordinada ao Comando do Pessoal de Fuzileiros Navais (CPesFN), sendo comandada atualmente pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra (FN) Marcos José Ferreira Viana. Sob seu comando estão 324 militares e duas dezenas de civis. Uma pequena parte destes homens e mulheres reside no local. A outra parte desloca-se do continente para a ilha durante o dia, utilizando uma embarcação que parte de Itacuruçá.
A missão principal do CADIM é contribuir para o aprestamento de Forças Navais e dos Fuzileiros Navais. Cabe destacar que o CADIM é o único local em todo o estado do Rio de Janeiro onde navios, aeronaves e veículos militares podem fazer uso de armamento real para adestramento. Em função da proximidade com várias outras OM, o deslocamento das unidades a serem adestradas é feito de forma rápida, economizando tempo e recursos.
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As principais instalações do CADIM localizam-se em uma área voltada para o interior da Baía de Sepetiba, antigamente conhecida como Saquinho. Dentre as diversas edificações existentes, destacam-se o prédio do comando (antiga escola de pesca), a igreja de Nossa Senhora das Dores e o Hotel de Trânsito. Existe também diversas casas para os militares e suas famílias que moram no local, assim como instalações de apoio, heliponto e uma escola municipal que funciona em convênio com a Marinha.
Além de realizar atividades de adestramento, o CADIM recebe eventualmente o Presidente da República para períodos de descanso. Ali, o chefe da nação hospeda-se com privacidade e segurança.
Histórico
No período do Brasil colonial, a região da Marambaia (na língua indígena “cerco do mar”) era visitada por corsários que se abasteciam de víveres e mantinham suas naus abrigadas do mau tempo. Já na segunda metade do século XIX, no período imperial, o comendador Joaquim José de Souza Breves tomou posse das terras da restinga e instalou ali um centro de entreposto de escravos provenientes da África. O prédio que abriga atualmente o Hotel de Trânsito da Marinha (ver foto abaixo) foi, no passado, a antiga senzala da fazenda.
O Comendador Breves faleceu 1889, um ano após a declaração da Lei Áurea. Dois anos depois, familiares do Comendador Breves venderam à Companhia Promotora de Indústrias e Melhoramentos os terrenos da Marambaia. Quando a companhia foi liquidada em 1896 a propriedade da Ilha foi transferida para o Banco da República do Brasil.
No final da década de 1930, foi instalada ali a escola de pesca Darcy Vargas. A escola era mantida com os recursos da Fundação Cristo Redentor, que pertencia ao senhor Levy Miranda (nome da atual escola municipal da ilha). No início da década de 1970, a Fundação Cristo Redentor estava sem recursos para manter a escola e o terreno foi reintegrado ao patrimônio da União, sendo retransferido para a Marinha.
Em 1971, a Marinha ativou o “Campo da Ilha da Marambaia” e as instalações passaram a ser gerenciadas pelo CFN. A extinta escola de pesca passou a abrigar o Centro de Recrutas do Corpo de Fuzileiros Navais (CRCFN) até o ano de 1981, quando foi criado o Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM).
Apoio à população civil local
É parte integrante do trabalho da Marinha dar suporte à comunidade que vive na Ilha da Marambaia. Este apoio é conhecido como Ações Cívico Sociais (ACISO).
Como a única forma de se chegar e sair da ilha é por via marítima, a Marinha disponibiliza para a comunidade local transporte entre o CADIM e a localidade de Itacuruçá. Existe uma embarcação que faz o percurso duas vezes ao dia. Dependendo das condições de mar e do tipo de embarcação empregad,a a viagem leva entre uma hora e uma hora e meia.
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Em relação às atividades educacionais, a Marinha mantém um convênio com a Prefeitura de Mangaratiba com o propósito de apoiar o ensino fundamental, ministrado na Escola de Ensino Fundamental Levy Miranda. Ali estudam dependentes de militares e crianças da comunidade local. Dentre outras tarefas, cabe à Marinha o transporte dos professores desde o continente até a ilha.
Também é prestada assistência Médico-Ambulatorial à população civil da Ilha. Quando quadros clínicos graves são diagnosticados, a Marinha pode empregar embarcações e lanchas rápidas para retirada dos pacientes. O CADIM também presta apoio às campanhas de vacinação aos programas de controle de epidemias e pragas.
LEIA TAMBÉM:
NOTA DO BLOG: aguardem! Ainda não esgotamos nosso material coletado no CADIM. Outras matérias relacionadas à Passex Ocean 2010 virão.
“A arma mais eficiente ainda é o Fuzileiro, que aprende, pensa e luta contra qualquer adversário”. Gen Michael W. Hagee Cmt USMC
Reportagem de Alexandre Galante, Guilherme Poggio e Luiz Padilha
O porta-helicópteros de assalto anfíbio HMS Ocean, da Royal Navy, chegou ao Rio de Janeiro no dia 9 de setembro de 2010, para participar de um exercício anfíbio com a Marinha do Brasil.
O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) participou dos exercícios com o 3º Batalhão de Infantaria, representado por duas companhias, que se juntou ao 539 Assault Squadron dos Royal Marines para realizar um treinamento anfíbio de quatro dias, período este em que houve a troca de experiências em operações recentes.
A Aviação Naval foi representada por uma aeronave UH-14 Super Puma (matrícula N-7070), do 2° Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-2), que permaneceu embarcada no HMS Ocean e fez o apoio aéreo durante o desembarque simulado.
A finalidade da “Passex Ocean 2010″
O objetivo principal do exercício “Passex Ocean 2010″ foi estimular a amizade e o relacionamento profissional entre os Fuzileiros Navais do Reino Unido e do Brasil, por meio da troca de informações e boas práticas entre as pequenas frações, em relação às experiências recentes de ambos os Corpos em combate real.
Os Royal Marines possuem uma longa tradição de excelente desempenho em combate. Seu recente emprego nos campos de batalha no Afeganistão e Iraque representa relevante repertório de práticas interessantes para a troca com países amigos.
Por outro lado, a experiência dos fuzileiros navais brasileiros, desde 2004 no Haiti, tem demonstrado uma especial capacidade de adaptação a diferentes tipos de ameaças e ambientes, ampliando a potencialidade do CFN no moderno conceito de “combate em três quarteirões”.
A finalidade de qualquer treinamento é o desenvolvimento de forças militares capazes de vencer o inimigo em combate. O adestramento representa a chave para a efetividade das tropas em operações reais, significando a principal preocupação das forças armadas em tempo de paz.
As habilidades básicas de um soldado são fundamentais para atingir a efetividade em combate e merecem a máxima atenção. Por outro lado, as habilidades coletivas são igualmente importantes, pois a excelência individual não necessariamente significará um satisfatório desempenho em equipe.
Conforme descrito por Yigal Allon, comandante israelense nas guerras de independência de Israel, entre 1948-1949:
O mais brilhante plano, desenvolvido pelo mais capaz general, depende dos líderes de pequenas frações para a sua execução no nível tático. Fracos comandantes de Grupos de Combate (GC) podem arruinar os melhores planos; no entanto, os melhores comandantes de GC frequentemente salvam planos ruins. Isso ocorre por um simples motivo: o comandante de GC representa o único nível de liderança que mantém constante e direto contato com os homens que efetivamente combatem o inimigo. De fato, todos os níveis de comando devem ser treinados para pensar e agir de forma independente, sempre que a situação assim ditar, e os líderes de pequenas frações não são exceção à regra. (Yigal Allon, A criação do Exército de Israel, p.127).
O treinamento coletivo consiste basicamente em procedimentos operativos padronizados (POP) e exercícios.
Os POP são especialmente úteis ao treinamento para pequenas frações, por permitir a busca de proficiência por meio do condicionamento e repetição progressiva de tarefas. Os POP constituem um método efetivo de assegurar a rapidez de reação e coordenação de ações padronizadas.
São exemplos de POP as técnicas de entrada em posição das armas de apoio, procedimentos pré-voo e as diversas técnicas de ação imediata (TAI).
Em relação aos exercícios, estes se destinam ao treinamento coletivo e individual no campo da tática, sob ambiente de combate simulado.
Os exercícios devem se aproximar ao máximo das condições reais do campo de batalha, introduzindo a fricção nos adestramentos sob a forma da incerteza, estresse, desordem e dupla-ação.
A busca da excelência em procedimentos básicos e a capacidade de julgamento dos líderes de pequenas frações permanecem como essenciais ao sucesso das forças em combate. Mas isso não constitui um desafio simples: os líderes de pequenas frações necessitarão de agilidade em seu processo decisório, precisarão de sabedoria para considerar as peculiaridades culturais e os eventuais impactos de cada decisão implementada, deverão liderar suas frações em diferentes ambientes operacionais e agir com iniciativa e sob estrita integridade moral.
Em resumo, ser rápido e efetivo na pronta resposta às diferentes situações vividas no campo de batalha será decisivo para que a pequena fração “gire” seu Ciclo de Boyd de forma mais eficiente que seus inimigos.
A opinião dos participantes
“Tomara que isto se repita”, disse o comandante do 3º BtlInfFuzNav (Batalhão Paissandu), Luiz Octavio Gavião, cuja Divisão Anfíbia participou dos exercícios de assalto, forças de paz e de combate. “Este tipo de exercício conjunto é mais comum acontecer com os americanos, mas para os meus fuzileiros, quanto mais experiência internacional, melhor”, complementa.
Gavião admitiu haver barreiras culturais e da língua, facilitadas pela presença de tradutores entre os fuzileiros, mas mesmo assim se mostrou muito satisfeito. “Isto é fantástico”, resumiu um dos fuzileiros brasileiros do Batalhão Paissandu, enquanto, ajudado por um dicionário Português-Inglês de bolso, se preparava para ser instrutor de um dos exercícios.
O Lieutenant Colonel Neil Wraith, dos Royal Marines e oficial de operações anfíbias do HMS Ocean, liderou o planejamento e execução dos assaltos à praia e o treinamento conduzido pelas tropas dos dois países. Ele disse: “É uma responsabilidade interessante fazer o que eu faço. Primeiro, na função de oficial de operações, lido com o posicionamento marítimo do HMS Ocean; depois, sou a ligação entre o navio e as embarcações de desembarque que inserem as forças na terra, vindas do mar. Nós somos uma parte de incrível flexibilidade no que o navio faz e somos treinados para trabalhar em muitas condições e ambientes”.
Wraith serviu no Iraque duas vezes, a primeira vez com o 4º Commando em Al Faw, durante a invasão de 2003 e em 2008, e como comandante de companhia no 4º Commando em Helmand, Afeganistão. Ele acrescentou:
“Aquela experiência mostrou como é grande o leque das habilidades que precisamos e porque estes exercícios com o Brasil são de grande utilidade. É questão de sermos completamente adaptáveis, sendo capazes de nos mover para qualquer lugar rapidamente e com precisão. As primeiras forças de Royal Marines que invadiram o Afeganistão em 2001 foram lançadas do HMS Ocean e aquela operação era uma tarefa completamente diferente”.
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As etapas do exercício
Em função do tempo disponível ao exercício no Brasil, a Passex Ocean 2010 consistiu de um exercício de quatro dias de duração: o primeiro envolveu adestramentos e procedimentos de segurança a bordo do HMS Ocean, com os meios de desembarque dos Royal Marines; o segundo envolveu um movimento navio-terra (MNT) do HMS Ocean para a praia situada em frente ao Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM); os dois dias finais ocorreram em terra, nas instalações do CADIM, consistindo na prática de técnicas de ação imediata para Grupos de Combate (GC), em eventos simulados em ambiente urbano e anfíbio, sob condução do 3º BtlInfFuzNav (Batalhão Paissandu), do Comando da Divisão Anfíbia.
A fase terrestre do exercício “Passex Ocean 2010″ consistiu de seis eventos diários no CADIM, tipo “oficina”, simultâneos e limitados por tempo (1h30 por evento). Os eventos iniciaram com um rápido briefing orientado por um tradutor, seguindo-se das práticas do GC do CFN, seguido de fração correspondente dos Royal Marines (Section – 8 militares).
Antes de iniciarem a rotação para o próximo evento, o instrutor encarregado da oficina conduziu o debriefing das atividades, com a finalidade de disseminar conhecimentos e lições aprendidas dos destacamentos em situações semelhantes vivenciadas em operações reais.
A participação de todos os envolvidos no debriefing foi estimulada ao máximo, pois novas ideias de procedimentos e técnicas surgem para a ampliação do desempenho das pequenas frações em combate.
Operações Especiais entre as equipes, por meio de troca de experiências em tarefas de reconhecimento, ocorreram de maneira simultânea às demais e seguiram programação específica.
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O início do exercício
Na parte da manhã do dia 10 de setembro os Royal Marines deram início ao transporte de seus homens e equipamentos para o CADIM. Foram empregadas três embarcações de desembarque tipo LCVP Mk 5 que fizeram diversas viagens entre o HMS Ocean e o cais do CADIM. Além dos equipamentos individuais, os LCVP também trouxeram os botes infláveis de borracha Mk 2 tipo “zodiac”.
Após o desembarque dos Royal Marines e seus equipamentos, os mesmos deram início ao processo de sondagem e reconhecimento da praia do CADIM, empregando tanto os LCVP como os botes de borracha. Este processo fez-se necessário, pois na parte da tarde seria feita uma demonstração de assalto anfíbio por parte dos britânicos. Foi durante o reconhecimento que os Royal Marines constataram a dificuldade de realizar operações de abicagem com os LCVP na praia do CADIM, devido ao baixo gradiente. Em uma das aproximações um LCVP encalhou a poucos metros da arrebentação.
Após o reconhecimento da praia, boa parte do período da manhã foi dedicado às demonstrações de aproximação da praia com o emprego de botes infláveis por parte dos britânicos.
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O PRTB
A Marinha também montou um PRTB (Posto de Recebimento e Tratamento de Baixas) na praia do CADIM, composto por duas barracas para o caso de ocorrerem acidentes durante os exercícios (ver fotos acima). Por ser uma unidade muito mais simples que um hospital de campanha, o PRTB é altamente flexível e de rápida instalação. Cada barraca pode ser montada em menos de uma hora.
O PRTB estava equipado com os recursos necessários para tratar ferimentos leves e executar pronto-atendimento em casos mais complexos, sendo capaz de estabilizar um eventual paciente para que o mesmo fosse removido. A ecavuação poderia ser feita por meio das embarcações do CADIM, dos Royal Marines ou pelos helicópteros envolvidos no exercício. Dentre as opções para a transferência de baixas, existiam o próprio HMS Ocean, que conta com excelentes instalações médico-hospitalares, e unidades no Rio de Janeiro.
Instalações como essa montada no CADIM são semelhantes aos PRTB que a Marinha enviou para o Chile, em apoio às vítimas do terremoto ocorridas no início deste ano. Cada PRTB possui a capacidade de realizar cerca de 500 atendimentos por dia. Como a situação enfrentada no Chile era bastante grave, os PRTB executavam até 600 atendimentos por dia.
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A demonstração de desembarque
Enquanto uma equipe menor (formada por 13 fuzileiros britânicos e nove brasileiros) fazia em terra o reconhecimento da ilha e realizava missões de inteligência para auxiliar a tomada da praia, fuzileiros brasileiros e britânicos ensaiavam o desembarque a bordo do HMS Ocean.
Quando a ordem de desembarque foi dada, duas embarcações rápidas artilhadas fizeram uma incursão em direção à praia, virando para direções opostas no último minuto, com as armas atirando constantemente para manter o inimigo na defensiva.
Helicópteros Lynx britânicos (armados com metralhadora e também com míssil antinavio Sea Skua) e o Super Puma brasileiro chegaram logo depois, abrindo caminho para a chegada das LCVP e dos Hovercraft. Depois do desembarque, helicópteros Lynx fizeram “fast rope” e trouxeram mais equipamentos para as tropas.
Fuzileiros brasileiros e ingleses foram capazes de trabalhar uns com os outros, mesmo falando línguas diferentes. Em menos de 24 horas juntos, efetuaram um assalto bem sucedido a partir do mar.
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A0 final das demonstrações do dia 10/9, os Fuzileiros Navais foram reunidos na ponta leste da praia do CADIM e embarcaram na EDCG (Embarcação de Desembarque de Carga Geral) GED L 12 Guarapari . A L 12 levou os militares para um outro ponto da ilha, conhecido com “Bravo 10″, onde pernoitaram.
Na manhã do dia seguinte o acampamento foi desmontado e o Super Puma do HU-2 transportou os militares dos dois países desde a “Bravo 10″ até o heliponto do CADIM, em sucessivas viagens. O fuzileiros, juntamente com os Royal Marines, foram separados em grupos mistos (brasileiros e britânicos) e encaminhados para as diferentes oficinas montadas.
No sábado (11/9), seis eventos simultâneos aconteceram em vários pontos da ilha. Com uma duração média de uma hora e meia, estes se repetiram o dia todo com o revezamento de fuzileiros do Brasil e do Reino Unido. Foram utilizadas técnicas de reação imediata, passagens de veículos não-autorizados (barreiras) em área urbana e respostas a problemas da população local, identificação de campos minados e emboscadas com atiradores de elite e exercícios no simulador de tiro.
AGRADECIMENTO: a equipe do Poder Naval e do Forças Terrestres agradece ao Capitão-de-Mar-e-Guerra FN Ferreira Viana – Comandante do CADIM, à Tenente Viviane Queiroga Soares da Assessoria de Comunicação Social da Marinha e ao Capitão-Tenente FN Rômulo, pelo apoio prestado para a realização desta matéria.
LEIA TAMBÉM NO PODER NAVAL:
- ‘Passex Ocean 2010′
- E, nos próximos dias, mais matérias especiais sobre este tema!

O Ministério do Desenvolvimento acertou a visita de uma grande comitiva empresarial russa, que desembarcará em Brasília no início de outubro. O pacote de ofertas na área militar inclui um novo lote de 18 helicópteros de combate MI-35M, além de três baterias antiaéreas Tor-M2. Os russos trazem na mala o direito de fabricação de mísseis portáteis Igla, que o Brasil já tentou produzir. Dentre os negócios na área civil, Moscou vai oferecer satélites de comunicação para aviação comercial e reatores nucleares. O governo brasileiro aproveita para tratar do embargo russo à carne brasileira.
FONTE/FOTO: Isto é /EB
A Marinha, o Exército e a Força Aérea Brasileira realizarão, no período de 13 a 24 de setembro, a Operação Amazônia. Será uma operação de adestramento conjunto que se desenvolverá ao norte das calhas dos rios Amazonas e Solimoes, em áreas dos Estados do Amapá, Pará, Amazonas e Roraima.
A coordenação da operação será conduzida pelo Ministério da Defesa e o comando será exercido pelo Comandante Militar da Amazônia. O objetivo é o treinamento das Forças Armadas para a defesa da Pátria em uma área prioritária do território brasileiro.
Uma operação conjunta vem a ser um moderno conceito de aplicação coordenada de forças militares para atingir um objetivo definido de interesse para o país. Assim, a Operação Amazônia decorre de um complexo planejamento realizado por um Estado-Maior Conjunto, sendo executada no terreno por material e pessoal das três Forças Armadas.
Estarão envolvidos cerca de 5000 militares, que executarão ações operacionais e de apoio a população. A região selecionada para a realização dessas atividades abrange uma extensa faixa litorânea e um terreno geograficamente diversificado, que abrange áreas urbanas e de selva, dentre outras.
Nessa área operacional, serão realizadas, dentre outras, as seguintes ações:
- Marinha: controle de tráfego fluvial, proteção de infraestruturas Críticas.
- Exército: operações ofensivas e defensivas, lançamento de paraquedistas, defesa antiaérea e defesa de infraestruturas de valor econômico.
- Força Aérea: coordenação do espaço aéreo, tarefas de interdição e de sustentação do combate.
Além das atividades essencialmente militares, serão realizadas ações de apoio a população residente na região onde a operação é desenvolvida. Nessas ações serão efetuados atendimentos médicos e odontológicos às comunidades, empregando também navios de assistência hospitalar.
Com essa operação, as Forças Armadas fortalecem suas capacidades para a defesa dos interesses nacionais relativos a Amazônia brasileira e seus vínculos com a sociedade.
PARA SABER MAIS
Site da Operação Amazônia
A Marinha do Brasil avaliou o obuseiro leve rebocado M777 (LV155) de 155 milímetros, da BAE Systems, como um candidato para substituir os antigos M114A1 do mesmo calibre em serviço no Corpo de Fuzileiros Navais – CFN.
Fontes da empresa britânica confirmaram à Infodefensa.com que arma já tinha sido apresentada aos técnicos dos Fuzileiros Navais. Aparentemente, poderiam ser adquiridas pelo menos seis unidades de M777.
As novas peças irão se juntar aos 18 obuses rebocados de 105 milímetros L118 Light Gun da Combat Systems Global da BAE Systems, seis M101A1 105 mm e seis morteiros K6A3 de 120 milímetros, do Batalhão de Artilharia do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil .
Além do Brasil, a BAE Systems acredita que tem oportunidade substancial para vender este sistema de armas a países como Chile, Portugal, Dinamarca, Índia e Itália. Preedy Robert, chefe de sistemas de artilharia da empresa britânica, disse em junho à Infodefensa.com que a arma já foi apresentada a cerca de 35 nações.
O M777 tem um peso inferior a 4.218 quilos e está em serviço no Exército e no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. O Exército Canadense comprou 37 unidades que estão em processo de entrega e a Austrália confirmou recentemente a compra de 35 da versão M777A2.
O sistema é aerotransportável por aviões (C-130 Hercules, C-5 Galaxy e C-17 Globemaster III), helicópteros (CH-53E Super Stallion, CH-47D Chinook e MV-22 Osprey) e transportável por veículos MTVR, FMTV, M800, M900 e HMMWV (High Mobility Multipurpose Wheeled Vehicle).
A versão M777A2, uma peça de calibre 39, pode usar munições guiadas de precisão de longo alcance M982 Excalibur, da General Dynamics OTS / BAE Systems Bofors AB / Raytheon Missile Systems. Estas munições, existentes em diferentes configurações, podem ser equipadas com cargas MACS (Modular Artillery Change System).
A peça será qualificada para utilizar a munição de longo alcance sul-africana da empresa Rheinmetall Munition Denel (Pty), segundo informação da BAE Systems à Infodefensa.com durante apresentação de sistemas de artilharia.
FONTE: Infodefensa.com
Sociedade com empresas ligada ao Sivam e de irmão de Mercadante planeja participar de projetos de modernização das Forças Armadas
O grupo Odebrecht criou uma empresa para administração de negócios na área de Defesa. A intenção da recém-criada companhia Copa Gestão em Defesa é participar dos programas de modernização das Forças Armadas brasileiras – que poderá incluir desde o projeto do sistema de gerenciamento de controle aéreo na costa brasileira, em estudo pela Marinha, como a construção de navios-patrulhas de proteção das plataformas que exploram o petróleo da camada do pré-sal.
A empresa, que será controlada pelo grupo Odebrecht, terá dois sócios minoritários: a Atech, uma empresa de tecnologia criada por executivos para fazer a integração do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), e a Penta Prospectiva Estratégica, que tem a participação de Oswaldo Oliva Neto, irmão do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato ao governo de São Paulo. Coronel reformado, Oliva Neto ocupou até 2007 o cargo de chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência da República, depois transformado em ministério, após a saída do ex-ministro Luiz Gushiken do governo Lula.
A Copa Gestão em Defesa representa outro passo da Odebrecht no campo da Defesa. Em junho, o grupo firmou acordo com a EADS Defence & Security para formação de uma joint venture, no qual a empresa europeia – que controla na área civil a fabricante de aviões Airbus – possa tanto vender como transferir tecnologia para as áreas de Defesa e segurança.
No fim de 2008, a tradicional empreiteira já tinha sido escolhida pelo governo brasileiro – sem licitação – para ser a empresa brasileira responsável com a francesa DCNS pela montagem de quatro submarinos convencionais e um quinto submarino de propulsão nuclear – projeto avaliado em quase 7 bilhões de euros (cerca de R$ 16 bilhões), que engloba também a construção de um estaleiro e uma base naval para a Marinha.
Roberto Simões, executivo que ficou à frente da criação da Santo Antônio Energia, empresa que participa da construção de uma hidrelétrica no Rio Madeira, conduziu a formação da nova empresa de gestão na área de Defesa. A Odebrecht Plantas Industriais e Participações (OPIP) será a companhia do grupo à frente da Copa Gestão em Defesa.
Sócios minoritários da Odebrecht
Formada principalmente por engenheiros, a Atech nasceu em 1997 como uma fundação responsável pela integração do sistema do Sivam depois que a empresa Raytheon transferiu a tecnologia de monitoramente da Amazônia ao Brasil. Além do controle do tráfego e da defesa de espaço aéreo, o Sivam também faz o monitoramento ambiental e meteorológico. Mais recentemente, a fundação fez uma cisão de sua atividade, criando uma empresa de tecnologia, que será a responsável pelas atividades da Copa.
Além do irmão famoso do PT, Oliva Neto é filho do general reformado Oswaldo Muniz Oliva, ex-comandante da Escola Superior de Guerra (ESG) no fim dos anos 1980. A Penta presta atualmente consultorias ao setor privado, elaborando cenários nas áreas de Defesa e Segurança Nacional. Procuradas, as empresas não se manifestaram sobre a criação da companhia.
FONTE: iG – Economia



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