Tânia Monteiro

A indicação do ex-chanceler Celso Amorim para o Ministério da Defesa já está provocando reações contrárias em Brasília. Militares dos altos comandos das Forças Armadas consultados pela reportagem consideraram esta “a pior escolha possível” que a presidente poderia ter feito.

Segundo esses interlocutores, Amorim contrariou “princípios e valores” dos militares nos últimos anos quando esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores e até ex-ministro Nelson Jobim contornava as polêmicas causadas por decisões “completamente ideologizadas” de Amorim. Essas fontes questionam por que o governo decidiu colocar de novo um diplomata sobre os militares. Eles lembram que isso não deu certo com José Viegas e “não vai dar de novo”. Para esses militares, a decisão da presidente foi precipitada, mas vão ter que engolir.

FONTE: estadao.com.br

COLABOROU: Baschera

 

Acabou de ser informado pela Rede Globo que o Ministro da Defesa Nelson Jobim, que estava no cargo desde 2007, entregou o cargo a presidenta Dilma e que o novo Ministro da Defesa será o ex-ministro da Relações Exteriores do governo Lula, o santista, Celso Amorim.

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Visivelmente irritada, a presidente Dilma Rousseff se reuniu na manhã quinta-feira (4) com os ministros Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Helena Chagas (Comunicação Social) para discutir novas declarações dadas pelo titular da Defesa, Nelson Jobim, que pode perder o cargo nas próximas horas. A nova polêmica que o envolve são críticas ao núcleo do governo em declarações à revista “Piauí”.

Ataque de Jobim ‘é desnecessário’, diz Ideli. A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) afirmou hoje ao programa “Poder e Política – Entrevista” que o ministro Nelson Jobim (Defesa) tem dado declarações “desnecessárias” e deveria se “conter um pouquinho”.

À publicação, Jobim chamou de “atrapalhada” a política do governo para divulgação de dados sigilosos e chamou a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de “fraquinha”. Ele disse ainda que a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “nem sequer conhece Brasília”. O ministro da Defesa se reuniu com Dilma na quarta-feira (3) e não entregou o cargo depois de outras declarações polêmicas.

A um assessor próximo da presidente – e que se diz “cauteloso” sobre as chances de demissão do ministro ainda hoje – Dilma afirmou que se pudesse “arrumaria um cargo para o Jobim na Amazônia e deixaria ele por lá”. O ministro da Defesa viajou ao Estado para assinar um plano de Defesa Nacional. Ele está acompanhado do vice-presidente, Michel Temer, e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Jobim deve retornar à noite.

Na semana passada, o peemedebista afirmou ao programa “Poder e Política – Entrevista”, uma parceria da Folha de S.Paulo, Folha.com e UOL, que votou em seu amigo José Serra nas eleições presidenciais de 2010 e que o tucano teria tomado as mesmas medidas de Dilma para afastar suspeitos de corrupção do Ministério dos Transportes.

Palacianos apelidaram Jobim de “ministro da Surpresa”. Depois de ser chamado por Dilma para explicar declarações que deu no aniversário de FHC, o peemedebista disse ao UOL e à Folha de S.Paulo que votou em Serra. Na quarta-feira, novamente chamado a se explicar, não avisou sobre a entrevista que deu à revista Piauí.

Série de polêmicas

Jobim já tinha se explicado a Dilma há pouco mais de um mês, quando foi ao aniversário de 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ele sugeriu que a atual ocupante do Palácio do Planalto tem um estilo autoritário. Em outras declarações, o ministro elogiou a presidente e disse que sua relação com ela é “ótima”.

Antes da reunião, também em entrevista ao “Poder e Política – Entrevista”, Ideli afirmou que Jobim tem dado declarações “desnecessárias” e deveria se “conter um pouquinho”. O peemedebista foi mantido no cargo no início do atual governo por conta da insistência do antecessor de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva.

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Jobim diz que suas declarações foram tiradas do contexto

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Sob risco de deixar o governo, o ministro Nelson Jobim (Defesa) negou na tarde desta quinta-feira que tenha se referido de forma pejorativa ao trabalho das ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil).

“Isso faz parte do jogo da intriga, da tentativa de desestabilizações. Ou seja, daquilo que passa pela cabeça de quem não percebe as necessidades do país”, afirmou Jobim após cerimônia de assinatura de acordo entre Brasil e Colômbia para aumento da fiscalização na fronteira entre os dois países.

De acordo com o ministro, suas declarações se referiam exclusivamente à discussão sobre a Lei de Acesso à Informações, em discussão no Senado, e foram tiradas do contexto.

Segundo reportagem da revista “Piauí”, cujos trechos foram antecipados pela

colunista Mônica Bergamo na edição de hoje da Folha, Jobim afirmou que a Ideli “é muito fraquinha” e que Gleisi “sequer conhece Brasília”. A edição da revista começa a circular amanhã.

“Absolutamente [fez as críticas]. Os comentários a que nos referíamos eram em relação ao projeto de lei sobre informações sigilosas. Em momento nenhum fiz referências dessa natureza. Aliás, reconheço em Ideli a capacidade e uma tenacidade importantíssimas na condução dos assuntos do governo”, afirmou Jobim, também negando ter dito que o governo faz trapalhada.

O vice-presidente Michel Temer, também presente à solenidade, defendeu o ministro, que integra o seu partido, o PMDB.

“O ministro Jobim declarou que o contexto era a lei de informações públicas. A ministra Ideli e a ministra Gleisi têm um apreço pelo ministro Jobim, que se apoia em incentivo e práticas de elogio”, disse o vice-presidente, completando: “Não haverá problema de nenhuma natureza. Reitero que o ministro Jobim não fez referência à pessoa ou à atuação da ministra A ou B, só em relação à aprovação do projeto de lei”.

O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), outro dos que foram a Tabatinga, comentou os rumores de que poderia substituir Jobim. “Há muita especulação. Meu trabalho é muito integrado ao do ministro Jobim. Qualquer coisa que se diga nesse momento é absolutamente especulação”.

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Dilma espera que Jobim peça demissão

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Nesta manhã, o Planalto avaliou que o melhor para o governo é que Jobim formalize um pedido de exoneração. Avalia que a demissão do ministro pela presidente poderia transformá-lo em vítima.

Dilma discutiu o assunto com ministros do Planalto. E esperava conversar com Jobim ainda hoje. Segundo a Folha apurou, ministros que haviam defendido sua permanência no ministério agora apoiam sua saída.

Dilma já leu a íntegra da entrevista e agora espera Jobim retornar de viagem para conversar com ele. Apesar de estar disposta a ouvir suas explicações, a presidente disse a interlocutores que, com mais esssa polêmica, fica muito difícil mantê-lo no cargo. Avalia, ainda, que a manutenção dele na pasta significa, no limite, concordar com a avaliação publicada na revista sobre as duas ministras.

A situação do ministro já havia ficado insustentável nos últimos dias após a declaração de voto. A revelação foi feita no programa “Poder e Política – Entrevista”, conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues no estúdio do Grupo Folha em Brasília. O projeto é uma parceria do UOL e da Folha.

Apesar disso, Dilma preferiu não tomar nenhuma atitude em meio a uma semana politicamente conturbada.

Jobim também causou constrangimento ao Planalto recentemente, na solenidade de homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, disse ser preciso tolerar a convivência com “idiotas”, que “escrevem para o esquecimento”. Ele explicou ter se referido a jornalistas, mas petistas entenderam como recado ao governo.

FONTES: UOL e Folha de São Paulo

NOTA DO EDITOR: abaixo, a agenda de hoje do Ministro Jobim, segundo o site do Ministério da Defesa:

Agenda do ministro da Defesa, Nelson Jobim, quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O ministro da Defesa encontra-se em viagem à Amazônia, onde pernoitou em São Gabriel da Cachoeira.

  • 09h00 – Decola para Tabatinga
  • 11h00 – Assinatura do Plano Binacional (8º BIS)
  • 13h30 – Deslocamento aéreo para 2º pef/8º BIS – Ypiranga
  • 14h00 – Visita ao 2º PEF/8º BIS – Ypiranga
  • 15h00 – Segue para Tabatinga
  • 16h00 – Decola para Cachimbo
  • 20h30 – Decola para Brasília

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 ATUALIZAÇÃO (17h30) – UOL

Planalto apressa volta de Jobim para Dilma demiti-lo

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A presidente Dilma Rousseff pediu ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que retorne a Brasília o quanto antes de sua missão oficial em Tabatinga, no Amazonas. O Ministério da Defesa estima que ele chegará por volta das 19h30 desta quinta-feira (4) – originalmente a volta estava prevista para as 22h.

Mais cedo, Dilma e seus principais ministros decidiram pela demissão do peemedebista por conta das mais recentes críticas dele à gestão da petista, desta vez à revista “Piauí”. Jobim está no Amazonas acompanhado do vice-presidente, Michel Temer, e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A presidente já busca nomes para substituí-lo.

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A presidente Dilma Rousseff deve demitir o ministro da Defesa, Nelson Jobim, nesta quinta-feira, segundo informou o colunista do GLOBO, Jorge Bastos Moreno, pelo Twitter . “Dilma, que havia adiado a saída de Jobim, não vai esperar mais ministro pedir demissão. Deve demití-lo até o fim do dia”, postou ele no microblog.

Nelson Jobim teria dito à revista “Piauí” que a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, é “muito fraquinha” e que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “nem sequer conhece Brasília”. A revista chega às bancas na sexta-feira e, segundo a “Folha de S. Paulo” , traz outra crítica de Jobim ao governo Dilma. Sobre a discussão do “sigilo eterno” de documentos, o ministro da Defesa ataca os governistas: “É muito trapalhada”.

Na semana passada, o ministro da defesa também provocou polêmica após dizer, em entrevista a Folha de S. Paulo , que tinha votado em Serra em 2010. A declaração provocou reação dos petistas e desconforto com a presidente Dilma. O ex-presidente Lula ainda defendeu Jobim , mas as novas declarações dadas à revista Piauí complicam ainda mais a situação do ministro.

FONTE: O Globo

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Fardamento do EB não virá mais da China

Por ano, País gasta R$ 100 milhões na compra de 400 mil uniformes camuflados sem qualidade

Leonencio Nossa

Os militares aproveitaram o debate no governo sobre o Plano Brasil Maior, de incentivo à indústria, para se livrar dos uniformes camuflados sem qualidade fabricados na China.

Anteontem, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o governo pagará até 25% a mais nos produtos nacionais para o uso das Forças Armadas. A medida está sendo comemorada pelas tropas.

Por ano, o Ministério da Defesa gasta R$ 100 milhões na compra de 400 mil uniformes camuflados de indústrias localizadas na China. A maior fornecedora é a Diana Paolucci, uma empresa brasileira radicada em território chinês.

Embora técnicos do governo afirmem que as licitações impõem exigência de qualidade, os militares da Aeronáutica, do Exército e da Marinha reclamam que a vida útil das peças não chega a um ano, especialmente na região amazônica.

Desconforto psicológico. O Comando Militar da Amazônia conta com 26 mil homens, a maioria usa uniformes camuflados com etiqueta de indústria chinesa, o que, segundo eles, causa certo “desconforto psicológico”.

O Planalto divulgou anteontem com estardalhaço que o bolo de R$ 15 bilhões que a pasta da Defesa terá para compras neste ano ficará no País, especialmente nas indústrias têxtil e calçadista. O passe de mágica, na versão do governo, foi o decreto regulamentando a Lei 12.349, de 2010, que fixa as regras para compras governamentais. A regulamentação estipula a margem de preferência de até 25% nos processos licitatórios.

Na verdade, suspensórios, coletes balísticos e boinas já são comprados no mercado interno. O mesmo ocorre com os coturnos.

Desde 2010, o governo estabeleceu uma sobretaxa de US$ 12 para cada par de coturno importado, o que afastou os chineses da área de calçados.

O Ministério da Defesa é favorável a compra integral de fardas e coturnos verde-amarelas. Para os militares, incentivar a indústria brasileira de defesa é uma questão estratégica. Com a medida tomada por Dilma Rousseff, os militares dizem acreditar que o governo deu mais um passo na consolidação da barreira contra os produtos chineses na área.

FONTE: O Estado de São Paulo

Governo compra tecido e uniformes no exterior

Vivian Oswald

A perda de competitividade da indústria nacional levou o Exército Brasileiro a envergar uniformes made in China. A notícia pegou de surpresa a presidente Dilma Rousseff, que foi informada da vantagem chinesa pelo setor produtivo justamente no dia em que ela anunciava o programa Brasil Maior para estimular a indústria nacional e garantir à produção brasileira espaço nas licitações públicas. A tendência parece vir se alastrando pelas Forças Armadas, segundo representantes da indústria têxtil. Já há até importação de uniformes prontos.

Dados do pregão eletrônico do Exército indicam que, em 2009, foram comprados 110 mil metros de tecido para fabricação de fardas. Este número saltou 318,2%, para 460 mil metros, em 2010. O processo de licitação de 2011 ainda não terminou, mas as empresas nacionais estão preocupadas. As compras de fardas importadas, basicamente uniformes camuflados, correspondem a R$100 milhões para as três Forças, segundo o Ministério da Defesa. O valor inclui produtos fabricados no país asisáticos e itens que contenham insumos chineses. Entre os fornecedores está a empresa Diana Paolucci, que é brasileira, mas tem fábrica na China e traz peças prontas.

- Temos cortado um dobrado. Só trabalhamos com produto nacional e já não ganhamos uma concorrência há quatro anos – disse ao GLOBO o gerente de empresa especializada em fardas de São Paulo, que não quis se identificar.

Segundo o gerente, o fenômeno se estende pelas polícias militares dos estados, que também estariam sendo abastecidas por empresas que importam boa parte ou tudo o que produzem.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Aguinaldo Diniz, lamenta essa tendência, mas se diz confiante na medida lançada pelo governo na terça-feira, que garante um diferencial de preço de até 25% para os produtos brasileiros nas compras públicas:

- O Brasil tem competência para fazer suas próprias fardas a preços competitivos.

A presidente Dilma ficou aborrecida e chegou a dizer aos empresários com os quais se reuniu antes do anúncio do Brasil Maior que, se a lei que prevê vantagem para produtos brasileiros nas compras governamentais, em vigor desde 2010, tivesse sido regulamentada há mais tempo, isso não aconteceria. E questionou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na frente dos industriais, se já era de conhecimento do governo este avanço chinês no mercado de fardas militares.

- É verdade, isso, Guido? – indagou ela ao saber da compra de fardas chinesas.

FONTE: O GLOBO, via resenha do EB

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