O indiozinho Amalé é do Xingu, tem 6 anos, viveu uma verdadeira saga na selva e carrega um mistério que poucos podem imaginar.
Octávio Costa
O ministro da Defesa, Celso Amorim, marcou para o início de dezembro uma reunião com os três comandantes das Forças Armadas. Quer passar um pente-fino nos mais de mil projetos de reaparelhamento e modernização que existem em aberto. Para Amorim, é preciso eliminar programas considerados desnecessários e concentrar esforço nos prioritários. Dentre eles, a compra de caças e o aumento da equipe de funcionários da pasta, que está parado no Congresso. Áreas estratégicas, como a de monitoramento de bens sensíveis, a assessoria de imprensa e a do serviço militar obrigatório, precisam ser reforçadas.
FONTE: Brasil Confidencial/Isto É
A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU confirmou o que já se sabia: o programa nuclear do Irã não se limita a fins pacíficos. A construção de uma bomba atômica pelo regime dos aiatolás é, ao que parece, questão de tempo.
A evidência acirra as preocupações de parte da comunidade internacional, que mostra-se determinada a impedir o ingresso do país no clube das nações nucleares. A questão é saber se isso, de fato, é possível e qual o melhor caminho a seguir.
Há duas opções em debate: aumentar as sanções econômicas e diplomáticas impostas aos iranianos ou lançar um ataque às instalações onde se imagina que o projeto atômico seja desenvolvido.
As sanções, até agora, têm se mostrado contraproducentes. Em julho, o Irã anunciou que havia aumentado a capacidade de produção de urânio enriquecido (material necessário para a bomba), comprovando que a rodada de punições aplicada pelo Conselho de Segurança em 2010 foi inútil.
Uma agressão militar, no entanto, implica enormes riscos. O Oriente Médio encontra-se conflagrado pela Primavera Árabe e pela deterioração da relação entre israelenses e palestinos. Um ataque teria efeitos imprevisíveis e provavelmente deflagraria nova guerra.
Além disso, não há garantias de que uma operação militar seja capaz de identificar instalações secretas e eliminar a capacidade nuclear daquele país.
Um Irã atômico poderá deixar o mundo menos seguro, mas é preciso ter em mente que construir uma bomba não significa que ela será usada. O país, aliás, situa-se numa região geográfica na qual vizinhos e países próximos possuem capacidade nuclear -como Israel, Paquistão, Índia e Rússia.
O isolamento diplomático ou um ataque reforçariam os próprios motivos alegados pelo Irã para buscar a bomba e uniriam o país em torno do projeto.
Ao que tudo indica, as represálias, sejam quais forem, conseguiriam, no máximo, retardar a conquista da capacidade de produzir o artefato.
Melhor faria a comunidade internacional se conseguisse estimular a abertura política no país, favorecendo a emergência de vozes menos beligerantes – como as sufocadas pela sangrenta repressão à revolta de 2009.
FONTE: Folha de São Paulo
A minoria ativista confunde liberdade com bagunça, e tenta se impor no grito, por meio da intimidação
Kátia Abreu
A ainda jovem cultura democrática brasileira enseja equívocos conceituais que frequentemente a ameaçam e a desmoralizam. Não é de estranhar, dada a origem autoritária de nossa República, que emergiu de um golpe de Estado, e a escassa cultura não só de nosso povo, mas também de parte de nossa elite.
O preâmbulo vem a propósito dos acontecimentos que envolvem a discussão, no Senado, do Código Florestal. Além de não se dar ao trabalho de ler a proposta -e lhe imputar acusações absurdas-, a minoria militante que a ela se opõe se arvora em falar em nome do povo, que não lhe deu tal delegação.
Dentro desse equívoco, tratam os que de fato detêm delegação popular -os parlamentares- como intrusos e querem impor sua vontade no grito, quando não na violência.
Assim é que, nesta semana, no curso das discussões, na Comissão do Meio Ambiente, essa minoria ativista, representada por 12 (!) estudantes da Universidade de Brasília, provavelmente ressentidos ainda da acachapante derrota no DCE, invadiu o Congresso e quis impor no grito o seu ponto de vista.
Os senadores foram ofendidos e abordados com violência. Fui pessoalmente ameaçada e insultada, tendo de sair sob escolta policial. Sabemos que o Congresso é a Casa do Povo, que a ela tem acesso para se manifestar, desde que pela ordem e com respeito, como manda a lei. Não foi o que ocorreu.
O pior é que não se tratou de um episódio isolado; ao contrário, vem se tornando recorrente, quase banal em nosso país. Assistimos, já há alguns dias, manifestação semelhante de truculência e vandalismo, na Universidade de São Paulo, onde uma minoria tenta se impor no grito, por meio de intimidação.
Os jornais informam que um punhado de estudantes -pouco mais de 70, num universo de 89 mil-, todos de classe média alta, vinculados a partidos e a organizações de esquerda, depredaram as instalações da USP, patrimônio do povo sustentado com os impostos.
Protestavam contra a presença da polícia, que reprimia o tráfico de drogas no campus. Enquanto a polícia cumpria a lei, fundamento do Estado democrático de Direito, aqueles militantes, travestidos de estudantes, promoviam o caos, impedindo que seus colegas exercessem o elementar direito/dever de estudar. “Vamos fazer a revolução”, bradavam, ao mesmo tempo em que invocavam a democracia para legitimar a baderna.
E aí começa a confusão conceitual. Confunde-se liberdade com bagunça, vale-tudo. Democracia é o regime da maioria, com o reconhecimento às minorias, mas não só: é o regime da lei, sem a qual nem as maiorias nem as minorias estão seguras de nada.
Sem o estrito cumprimento da lei, a democracia não sobrevive. Torna-se rito de passagem, presa fácil dos aventureiros que dela se servem para aniquilá-la. O truque é antigo, previsto já por Lênin: usar as facilidades que a democracia oferece como meio de chegar ao poder, para então bani-la. É o que assistimos.
Há anos, o Brasil vive sob o domínio do gramscismo, estratégia de tomada do poder concebida pelo teórico italiano marxista Antonio Gramsci, que defendeu a manipulação da cultura como meio mais eficaz de promover a revolução.
Nessa engenharia maléfica, todos os polos de produção cultural -mídia, universidades, editoras, meio artístico- têm de ser dominados por um pensamento hegemônico. No caso, o socialista. Tudo o que a ele se contrapõe recebe o selo de “direita”, que não significa nada, senão a maldição política e moral.
A questão ambiental, há anos, foi encampada por esses grupos, e não porque de fato os interesse. É apenas mais um meio de desestabilizar o país, enfraquecendo uma de suas maiores fontes de receita, o agronegócio, responsável pelos superavit na balança comercial do país e por um terço dos empregos.
Nem sequer conhecem o tema que abordam. Basta ver o que dizem a respeito para constatar que nem leram o projeto que será votado no Senado. O Código Florestal não anistia ninguém nem estimula o desmatamento, muito pelo contrário.
Impõe a recomposição de áreas degradadas e pune quem novamente as degradar. É inútil argumentar. São somente massa de manobra de interesses bem maiores que eles próprios desconhecem.
KÁTIA ABREU, 49, senadora (PSD-TO) e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, escreve aos sábados, a cada 14 dias, neste espaço.
FONTE: Folha de São Paulo












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