Objetivo do corte é atingir meta de R$ 140 bilhões de superávit primário. Bloqueio também ajuda no controle da inflação e na redução dos juros.

 

Alexandro Martello

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (15) um bloqueio de gastos de R$ 55 bilhões no Orçamento federal de 2012, segundo informações do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

O montante é superior ao contingenciamento inicial de R$ 50 bilhões anunciado no ano passado. O valor também supera os R$ 32 bilhões em despesas adicionadas pelo Congresso Nacional – em relação aos valores propostos incialmente pelo governo federal.

Segundo os dados divulgados nesta quarta, o ministério que mais sofreu com o bloqueio de recursos no orçamento deste ano foi o da Saúde, cujo corte totalizou R$ 5,47 bilhões em relação aos valores aprovados pelo Congresso Nacional. Em segundo lugar, aparece o Ministério das Cidades, que sofreu um contingenciamento de R$ 3,32 bilhões, seguido pelo Ministério da Defesa, com um bloqueio de gastos da ordem de R$ 3,31 bilhões.

Programas preservados
O ministério informou, ainda, que as despesas previstas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com o Minha Casa Minha Vida, programa habitacional com subsídios para a população de baixa renda, além do Brasil Sem Miséria, que busca combater a pobreza extrema no Brasil, foram integralmente preservadas.

A dotação do PAC aprovada pelo Congresso Nacional, que foi mantida pelo governo, é de R$ 42,5 bilhões. O Minha Casa Minha Vida, por sua vez, está dentro do PAC. Para o programa Brasil Sem Miséria, a dotação, aprovada pelo Legislativo, de R$ 27,13 bilhões, também foi mantida pelo governo federal. Deste modo, estes gastos não entraram no bloqueio de R$ 55 bilhões.

Despesas obrigatórias
Do bloqueio, R$ 20,5 bilhões são em despesas obrigatórias e outros R$ 35 bihões são nas chamadas “despesas discricionárias” – sobre as quais o governo tem mais controle, o que inclui o orçamento dos Ministérios.

Nas despesas obrigatórias, o governo previu R$ 5,1 bilhões a menos em despesas com subsídios, R$ 7,7 bilhões a menos no pagamento de benefícios previdenciários. Também consta uma redução de R$ 2,95 bilhões no complemento para o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e R$ 1,65 bilhão a menos para fundos (FDA e FNDE), entre outros.

Ao mesmo tempo, o governo federal também informou que foi reduzida em R$ 36,4 bilhões a previsão para as receitas totais – em relação aos valores aprovados pelo Congresso Nacional. A estimativa passou de R$ 1,27 trilhão para R$ 1,09 trilhão. Para as chamadas receitas líquidas (de transferências constitucionais), a estimativa recuou de R$ 937,78 bilhões para R$ 908 bilhoes, uma queda de R$ 29,48 bilhões.

Objetivo do bloqueio
Ao cortar gastos, o governo busca cumprir a meta cheia de superávit primário (economia para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda) de R$ 140 bilhões em 2012. Com isso, também visa ajudar na contenção da demanda e facilitar o trabalho do BC no atingimento da meta de inflação – por meio da definição da taxa de juros.

“Nós fizemos um corte bastante ousado. O valor de R$ 55 bilhões é elevado. Temos de fazer um corte que nos permita, com folga, fazer o primário estabelecido, de 3,1% do PIB. Esse corte que estamos fazendo permite tranquilamente fazemos o primário estabelecido de R$ 140 bilhões para este ano”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Mesmo com a crise financeira internacional, qiue facilita o controle dos preços no Brasil, o bloqueio de gastos é uma maneira de o governo ajudar a combater eventuais pressões inflacionárias, e, com isso, permitir uma política mais suave para a taxa básica de juros.

Cortes nos juros
Em janeiro deste ano, a taxa básica de juros da economia foi reduzida para 10,5% ao ano e, uma semana depois, o BC indicou que ela deve cair para um valor abaixo de 10% ao ano. Para que esse cenário para a inflação em queda (abaixo de 5% em 2012) se concretize, a autoridade monetária informou, porém, que conta com a ajuda do governo federal na limitação para os gastos.

“Importa destacar que a geração de superávits primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto”, informou o BC na ata do Copom, divulgada no fim do mês passado.

FONTE: G1

Brasília, 15/02/2012 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, ressaltou hoje a necessidade de uma base industrial de defesa forte como parte de uma estratégia de dissuasão que garanta a paz no Atlântico Sul.

Em discurso na abertura do II Seminário de Defesa Nacional, realizado no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, o ministro Celso Amorim identificou um processo de desconcentração do poder mundial e a criação de “um cinturão de boa-vontade entre o Brasil e seus vizinhos na América do Sul.”

Segundo o ministro o país deve estender esse cinturão até a África, dentro do espírito proposto pela Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.

“Apesar disso, devido à fluidez das relações internacionais, temos de estar preparados para uma eventual ameaça externa. A melhor maneira de se evitar isso é uma defesa forte, que possa causar danos sérios a um possível agressor.” Para garantir esse projeto, seriam necessários meios aéreos, navais e terrestres, como prevê a Estratégia Nacional de Defesa.
Citando um trecho de O príncipe, de Nicolau Maquiavel, o ministro lembrou que os governantes devem usar o período de paz para se preparar para um possível conflito. “Essa preparação, inclusive, pode evitar possíveis adversidades. Nenhum país soberano delega sua defesa a terceiros”, enfatizou o ministro.

Indústria de defesa

O ministro classificou a recente aprovação da MP 544/11 na Câmara “como uma grande vitória”. Assinada pela presidenta da República, Dilma Rousseff, em 29 de setembro do ano passado, a medida cria um regime tributário especial para a indústria de defesa nacional. Aprovada ontem por unanimidade, a proposta será enviada para apreciação do Senado.

Segundo Amorim, as medidas previstas na MP estão alinhadas com o Plano Brasil Maior, que tem como objetivo aumentar a competitividade da indústria nacional. Apesar de sua importância, elas deverão ser suplementadas por uma regulamentação, a cargo do Ministério da Defesa, para que possam ter efetividade e permanência.

“Quando há uma renúncia fiscal do Estado, é necessária uma contrapartida da iniciativa privada”, ressaltou o ministro. “Há vários casos anedóticos, que não cabe aqui lembrar, de capacidades tecnológicas obtidas com financiamento da União e que foram perdidas, porque as empresas beneficiadas foram adquiridas por grupos estrangeiros com sede em países que não admitem que o Brasil domine aquela tecnologia.”

Compra de caças

Ao sair do evento, Amorim foi questionado sobre o programa F-X2, para aquisição de 36 aviões de combate para a Força Aérea Brasileira. Ele disse que o processo de compra pode avançar neste semestre, mas ressaltou que a decisão cabe à presidente Dilma Rousseff.
Amorim lembrou que a compra não é simples, pois envolve a transferência de tecnologia e um índice de produção nacional, além de gerar obrigações contratuais durante dez anos.

Segundo o ministro, a aquisição dos aviões também levará em conta a capacidade financeira do País. “É uma compra necessária, mas não é barata.”

Os finalistas do programa F-X2 são o F/A-18E/F Super Hornet, fabricado pela empresa norte-americana Boeing; o Rafale F.3, produzido pela Dassault, francesa, e o Gripen NG proposto pela sueca SAAB.

Independência tecnológica

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, afirmou durante o seminário que o desenvolvimento científico e tecnológico do País precisa estar associado à soberania nacional. Ele afirmou que o ministério desenvolve projetos em conjunto com o setor de defesa, que receberam investimentos de R$ 1,5 bilhão em 2010 e 2011.

Raupp disse que espera um aumento significativo dessa colaboração ao longo dos próximos anos. “Quase 50% das nossas atividades estão previstas na Estratégia Nacional de Defesa”, declarou.

O presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional, deputado Carlos Zarattini, defendeu a necessidade de uma forte base industrial de defesa e o provimento de meios para mantê-la.

“Nós podemos ter um desenvolvimento nacional aliado com o desenvolvimento da defesa”, ressaltou. “A indústria de defesa não é puramente uma questão militar. A soberania não é uma questão das Forças Armadas, é questão do país, que temos que discutir como um todo.”

Zarattini também destacou a importância da transferência de tecnologia, dos investimentos nacionais no setor e na capacitação de pessoal nos últimos anos. “Estamos formando pessoas com conhecimento tecnológico cada vez maior.”

O II Seminário Estratégia Nacional de Defesa foi uma iniciativa da Frente Parlamentar de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde).

FONTE: Ministério da DefesaFotos: Felipe Barra

Grupo Thales transferiu tecnologia à subsidiária para vencer concorrência nacional

 

A Omnisys, empresa brasileira de alta tecnologia sediada em São Bernardo do Campo (SP), entregou o primeiro lote de intercomunicadores SOTAS para equipar veículos do Exército (Urutu, VBTP-MR Guarani e M113). O contrato entre a subsidiária do Grupo Thales e o Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEX) foi assinado em setembro de 2011. Trata-se da estreia deste produto no mercado brasileiro, cuja demanda estimada é de cerca de três mil unidades.

“Este contrato é muito importante, pois decorre de uma concorrência nacional, onde a Thales está transferindo a tecnologia para a Omnisys, estando totalmente em linha com a estratégia do governo brasileiro no que se refere ao desenvolvimento da indústria de defesa no Brasil”, explica Laurent Mourre, Diretor Geral do Grupo Thales no Brasil.

O Comandante de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército Brasileiro, General Antonino dos Santos Guerra, garante que o SOTAS foi testado nas diversas possibilidades onde se faz necessário o equipamento, correspondendo a todos os rigorosos requisitos estabelecidos pelo CCOMGEX.

“Ficamos muito satisfeitos por a Omnisys ter vencido a licitação realizada para a venda do intercomunicador para nossas viaturas militares. O fato de uma empresa brasileira estar envolvida no processo de fabricação nos enche de orgulho. São engenheiros brasileiros que se capacitam numa tecnologia de ponta, permitindo desdobramentos interessantes para o mercado de defesa”, afirma o Gal. Santos Guerra. “Reconheço ainda, com satisfação, como o contrato junto ao Exército Brasileiro vem sendo cumprindo, dentro dos prazos e com total assistência ao Exército, nos aspectos da capacitação do uso do SOTAS, prazos, entre outros”, completa.

SOTAS é um sistema completo para intercomunicação em campo de batalha digital. Ele integra roteadores, estações de usuário e outros dispositivos que fazem parte de uma completa família de produtos. Trata-se de um sistema de arquitetura flexível que proporciona suporte total de informações desde o centro de operações até o combatente no campo. O SOTAS confere aos combatentes uma percepção situacional conjunta e, com seu conceito modular, pode ser facilmente adaptado e expandido a qualquer momento, sem interferir na instalação inicial.

Sobre a Omnisys

A Omnisys é uma empresa brasileira de altíssima tecnologia, sediada em São Bernardo do Campo (SP). Subsidiária integral da Thales no Brasil, a Omnisys integra sua rede internacional de centros de excelência em Pesquisa e Desenvolvimento, com competência técnica e gerencial em áreas estratégicas de aplicação civil e militar tais como defesa aérea e controle de tráfego aéreo, guerra eletrônica naval e, no mais alto grau de desenvolvimento tecnológico, áreas espaciais e de aviônicos, além da prestação de serviços.

Sobre a Thales

A Thales é líder mundial em tecnologia nos mercados de Defesa, Segurança, Transportes e Aeroespacial. Em 2011, a empresa gerou uma receita de mais de 13 bilhões de euros, com 68 mil funcionários em 50 países. Com seus 22.500 engenheiros e pesquisadores, a Thales tem a aptidão única de projetar, desenvolver e implantar equipamentos, sistemas e serviços adaptados aos mais complexos requisitos de segurança. A Thales tem um alcance internacional excepcional, com operações em todo o mundo, trabalhando diretamente com clientes como parceiros locais.

DIVULGAÇÃO: CDN Comunicação Corporativa / FOTO: Thales Group

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O chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, afirmou nesta quarta-feira (15) que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica terão como prioridade, nos próximos 20 anos, a defesa da Amazônia, das fronteiras brasileiras e da chamada Amazônia Azul (águas jurisdicionais brasileiras). O general participa do 2º Seminário Estratégia Nacional de Defesa, promovido na Câmara pela Frente Parlamentar de Defesa Nacional.

Na Marinha, segundo ele, as previsões de tarefas para a Estratégia Nacional de Defesa incluem a construção de submarinos, a modernização do poder naval, o monitoramento e o controle das águas de interesse do Brasil e a implantação da 2ª Esquadra no Norte e no Nordeste.

A chamada Amazônia Azul abriga recursos de pesca e petrolíferos pertencentes ao Brasil. O que define o limite dessas águas é a existência de navios de patrulha na região.

Deslocamento do Exército
O general afirmou que, no caso do Exército, haverá menor concentração de brigadas no Sudeste e no Sul. A ideia, segundo ele, é colocar mais tropas no centro do poder político e criar novas brigadas para monitoramento das fronteiras.

Os programas prioritários incluem ainda a recuperação da capacidade operacional, a defesa cibernética e a modernização da artilharia antiaérea, a partir de uma coordenação entre as três Forças.

Em relação à Aeronáutica, o general anunciou a previsão de deslocamento de caças para a região amazônica e de produção de aviões KC 390, da Embraer, para garantir a independência de mobilidade. O KC 390 poderá substituir o C 130 Hércules, utilizado no transporte de tropas e cargas.

O seminário ocorre no auditório Nereu Ramos.

FONTE: Agência Câmara de Notícias

Interesse do Peru pelo ‘Gaúcho’

Ontem, 15 de fevereiro, o ministro da Defesa do Peru, Alberto Otárola, se reuniu com o titular da pasta no Brasil, Celso Amorim, com quem analisou assuntos de segurança nas fronteiras e uma possível compra de equipamentos militares brasileiros.

No Rio, o ministro peruano conheceu também um centro de alta tecnologia do Exército, no qual são fabricados os veículos de combate 4×4 Gaúcho, desenvolvidos pelo Brasil em parceria com a Argentina.

O Gaúcho é oficialmente conhecido como “Viatura Leve de Emprego Geral Aerotransportável” e é fruto do intercâmbio científico-tecnológico entre os exércitos do Brasil e da Argentina.

O veículo foi projetado para cumprir missões de transporte de material, ressuprimento, evacuação de feridos, reconhecimento, comando e controle. Este conceito não teve aceitação em países desenvolvidos, pois a ausência de proteção para a tripulação foi considerada fator crítico para os cenários projetados.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

Largura/comprimento/altura: 2,15m/4,15m/1,85m
Distância entre eixos/bitola/vão livre: 2,80m/1,33m/0,42m
velocidade máxima: 129 km/h
Rampa lateral: 40%

Obstáculo vertical: 0,36m
Guarnição: 3 ou 4
Capacidade de carga: 6000kg
Armamento: uma metralhadora MAG 7,62mm

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Os soldados robô estão chegando

No vídeo do alto, uma mula mecânica para carregar pesadas cargas em terrenos íngremes. Embaixo, um protótipo do que poderá ser um soldado robô. Em futuro não muito distante, essas invenções poderão ser armadas.

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