Daniela Loreto Rogério Ortega

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, 58, disse nessa quinta-feira que Bashar al Assad possui armas de destruição em massa e defendeu o diálogo com o ditador sírio, além de afirmar que o Brasil monitora de perto a situação no país.

“Algum tipo de diálogo com o Assad é fundamental. Assad tem armas de destruição em massa na Síria. Então, como é que você faz (…)?”, declarou o ministro durante sabatina patrocinada pela Folha em parceria com o UOL.

“(…) Você tem que ver com quem é que ficam essas armas, como é que isso aí evolui. Você imagina se uma evolução inteiramente caótica na Síria, o potencial desestabilizador que isso pode ter”, afirmou ainda o ministro.

Durante o evento, Patriota defendeu ainda o diálogo com Assad, e disse que o Brasil acompanha a crise de perto.

“Em situações como essa, temos que analisar alternativas. Nos últimos meses, a posição da comunidade internacional evoluiu bastante”, afirmou ele. “Há um enviado da Liga Árabe e o Conselho de Segurança da ONU aprovou o programa de seis pontos de Kofi Annan, que vem sendo implementado agora, e visa garantir acesso humanitário, libertação de presos, entre outros pontos. Trabalhamos em cima desse acordo”, disse ainda o ministro.

No entanto, Patriota admitiu que a situação ainda não é satisfatória. “Há extremismo, violência, mas consideramos que o diálogo é fundamental. Muitos líderes que pediram a saída imediata de Assad, hoje, de maneira mais realista, acham que um governo democrático exigem uma transição”, acrescentou.

Patriota disse ainda que o Brasil é contra o envio de armas à oposição síria, pois “militarizaria [ainda] mais o conflito”.

“Como Annan disse, a ultima coisa que se espera é militarizar o conflito. O que queremos é interromper o ciclo de violência, dar espaço ao diálogo. A melhor aposta é a do plano de Annan. Esperamos que, com os cerca de 300 observadores militares, a situação possa se estabilizar”.

Para o ministro, “compete ao Conselho de Segurança da ONU, que autorizou o envio de 300 observadores, [verificar] se o plano funciona ou se alguma outra medida deve ser tomada”.

“Acho que o plano é uma aposta na qual ainda vale a pena acreditar, por enquanto. Não somos membros permanentes mas continuaremos monitorando de perto”, disse ele.

Patrocinado pela Folha, o evento ocorreu nesta quinta-feira no Teatro Folha, que fica no shopping Higienópolis.

Por uma hora e meia, Patriota respondeu a questões de quatro entrevistadores –Fábio Zanini, editor de Mundo, Claudia Antunes, repórter especial, Eliane Cantanhêde, colunista da Folha, e Irineu Machado, gerente de notícias do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

FONTE/FOTO: UOL /M. Justo-Folhapress

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Livro ‘Renault FT-17′

O livro Renault FT-17 – O Primeiro Carro de Combate do Exército Brasileiro marca o lançamento da nova coleção Blindados no Brasil e já está disponível no UFJF/Defesa.

Com 56 páginas, o livro resgata os principais acontecimentos que envolveram a operação do primeiro carro de combate do Exército Brasileiro, desde 1921 até a sua desativação em1942. Apesquisa realizada impressiona pela riqueza de detalhes, com o resgate de muitos documentos da época e dezenas de imagens históricas. Engloba desde aspectos técnicos do projeto e construção no blindado na França até particularidades sobre a sua aquisição e operação no Brasil. Também foram mapeados todos os exemplares atualmente preservados no país.

Com o lançamento do primeiro número da coleção Blindados no Brasil, o pesquisador pretende oferecer ao público interessado pela história da tecnologia militar nacional uma série de estudos mais aprofundados sobre as nove décadas de emprego e desenvolvimento de veículos militares em nosso país. Em cada número, Expedito Carlos Stephani Bastos realizará uma análise detalhada de um modelo de blindado que marcou época nas formas armadas brasileiras.

O livro Renault FT-17 – O Primeiro Carro de Combate do Exército Brasileiro é a terceira publicação com o selo da Taller Comunicação e a segunda produzida em parceria com o UFJF/Defesa. Em maio de 2011, foi lançado primeiro volume da obra Blindados no Brasil – Um Longo e Árduo Aprendizado. Em2009, a editora lançou o seu primeiro título, a coleção “Santos-Dumont, de próprio punho”, com a reedição das autobiografias do inventor brasileiro: “Dans L´Air – No Ar” (1904) e “O Que Eu Vi – O Que Nós Veremos” (1918).

A nova publicação, em formato 15x21cm, conta com capa colorida e dezenas de fotos e ilustrações, em cores e originais em preto e branco. Seu preço é de R$ 33,00 para compra direta pelo portal UFJF/Defesa – www.ecsbdefesa.com.br. Para adquiri-lo, basta enviar um e-mail para defesa@ufjf.edu.br.

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Livro ‘Blindados no Haiti’

O livro BLINDADOS NO HAITI – MINUSTAH – Uma experiência real marca o lançamento do primeiro livro com o selo do UFJF/Defesa e já está disponível em nosso portal.

Com 108 páginas, e mais de 150 imagens cores, o livro resgata os principais modelos de veículos empregados no Haiti por diversos países que formam a MINUSTAH, sob o comando do Brasil. Nele são analisados todos os veículos blindados 4×4, 6×6, 8×8 e sobre lagartas que lá foram empregados no período de2004 a2011.

O autor lá esteve em2008, aconvite do Ministério da Defesa e participou junto com o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil de diversas patrulhas pelas ruas de Porto Príncipe além de ter visitado diversas unidades de outros países que compõem o efetivo da MINUSTAH, seja de forças militares ou policiais e mostra o aprendizado e experiência no emprego de blindados em área urbana, um verdadeiro laboratório para a Marinha e o Exército Brasileiro.

A nova publicação, em formato 15x21cm, conta com capa colorida e dezenas de fotos e ilustrações, em cores e originais em preto e branco. Seu preço é de R$ 38,50 para compra direta pelo portal UFJF/Defesa – www.ecsbdefesa.com.br. Para adquiri-lo, basta enviar um e-mail para defesa@ufjf.edu.br.

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Livro ‘Blindados no Brasil’ – Volume 1 e 2

Em 2011, com o lançamento do primeiro volume da obra Blindados no Brasil – Um Longo e Árduo Aprendizado, a Taller Comunicação iniciou com o pesquisador mineiro Expedito Carlos Stephani Bastos (coordenador do portal UFJF/Defesa) um inédito trabalho de resgate histórico sobre as nove décadas de operação dos veículos militares blindados em nosso país.

Com 248 páginas, mais de 300 imagens, o primeiro volume resgata a história dos blindados utilizados pelas forças armadas e de segurança pública brasileiras desde 1921 até 1979.

Agora, após meses de trabalho, chega às livrarias o segundo título. Cobrindo o período entre 1980 e2011, anova publicação reúne fontes civis e oficiais para recordar o apogeu e queda da indústria nacional de defesa. O livro tem 280 páginas e mais de 400 imagens, a maioriaem cores. Emconjunto, os dois volumes formam a maior fonte de pesquisa editada até hoje sobre o tema.

“Com a conclusão dessa série, qualquer brasileiro interessado em conhecer as nossas realizações na área de pesquisa, produção e operação de blindados militares contará com uma fonte abrangente e confiável. No total, são mais de 500 laudas de conteúdo e quase 800 fotos e ilustrações, resultado de mais de 30 anos de pesquisas”, destaca o autor Expedito Bastos.

Seu preço é de R$68,50 para o volume 1 e R$88,50 para o volume 2, para compra direta pelo portal UFJF/Defesa – www.ecsbdefesa.com.br. Para adquiri-los, basta enviar um e-mail para defesa@ufjf.edu.br.

Brasília, 17/05/2012 – As pistas clandestinas, as áreas ilegais de garimpo e os pontos usados para tráfico de entorpecentes e de animais silvestres podem ser alvos de novas operações das Forças Armadas na região da Amazônia. A determinação foi transmitida pelo chefe de Operações Conjuntas (CHOC), do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general João Carlos Vilela Morgero, durante videoconferência que marcou o encerramento oficial da Operação Ágata 4. A ação militar realizada entre 2 e 17 de maio contou com aparato de 8,5 mil militares da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB), além de funcionários civis de 18 agências ligadas a dez ministérios.

A FAB levantou 11 pistas clandestinas – além da que foi explodida às margens do rio Catrimani, a 230 quilômetros de Boa Vista, no estado de Roraima – que passarão pelo processo de limpeza da área, como, por exemplo, a retirada de moradores para, em seguida, serem destruídas. Os números finais da operação Ágata serão encaminhados pelo Comando Militar da Amazônia (CMA) ao Ministério da Defesa até o dia 25 de maio. Em seguida, será produzido documento com todos os detalhes da operação militar.

Para o patrulhamento de 5.128 quilômetros de fronteiras do Brasil com Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa foram empregados 3.331 militares da Marinha, 4.078 do Exército e 1.037 da FAB. A operação contou com a participação de 11 navios, nove helicópteros, 27 aviões e 65 veículos automotores.

O comandante da Força Aérea Componente (FAC), brigadeiro Marcelo Damasceno, disse que a operação permitiu mapear uma região fronteiriça de 5,2 mil quilômetros. Isso significa a distância entre Lisboa (Portugal) e Moscou (Rússia). O total de quilômetros voados pelas aeronaves da FAB durante a operação – 211 mil – representa cinco voltas em torno do planeta Terra.

Brasil tem mapa das fronteiras

Os resultados da Operação Ágata 4 servirão para que o governo federal tenha o diagnóstico dos 16.886 quilômetros de fronteira do Brasil com dez países sul-americanos. A afirmação foi feita pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, ao avaliar na última terça-feira (15/05), em Manaus (AM), a megaoperação.

Amorim percorreu trechos da região onde se desenrolou a Ágata 4 acompanhado do vice-presidente da República, Michel Temer; do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general José Elito; do chefe do EMCFA, general José Carlos De Nardi; e dos comandantes da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto; do Exército, general Enzo Peri; e da FAB, brigadeiro Juniti Saito.

“Com a Operação Ágata 4 completamos o patrulhamento da fronteira brasileira. Nesse período, fizemos o levantamento de áreas estratégicas. Um aspecto importante que devemos destacar foi a interoperabilidade das Forças Armadas”, disse o ministro.

A Ágata é parte do Plano Estratégico de Fronteiras (PEF), lançado em junho do ano passado pela presidenta Dilma Rousseff. As ações no âmbito dessa operação são coordenadas pelo EMCFA. Após a realização da Ágata, o governo deflagra a operação Sentinela, sob comando do Ministério da Justiça.

Operação em Roraima

O segundo dia de visita na região Norte começou no município de Bonfim (RR), distante 130 quilômetros de Boa Vista (RR). Lá, o vice-presidente Temer e os ministros Amorim e general José Elito (GSI), com os comandantes das Forças Armadas, conheceram o 1º Pelotão Especial de Fronteira (PEF), localizado perto da divisa de Roraima com o Suriname. Depois, as autoridades estiveram numa escola onde se realizaram atendimentos médico e social.

De Boa Vista, a comitiva seguiu para Manaus, onde foi recebida pelo governador Omar Aziz, o vice-governador José Melo, bem como autoridades locais. No CMA, na central montada para coordenar os trabalhos da Ágata 4, foi feita a apresentação das ações em apoio à defesa civil nos municípios que enfrentam problemas de enchentes.

O chefe do Estado-Maior do CMA, general José Luiz Jaborandy Junior, contou que desde o dia 10 de maio os militares atuam em cooperação com o setor de defesa civil do Amazonas. Segundo ele, a participação das Forças Armadas utiliza aparato que permite socorrer a população ribeirinha.

O comandante do 9º Distrito Naval, vice-almirante Antonio Carlos Frade Carneiro, explicou que a Marinha vem ajudando os moradores da região Norte desde fevereiro. Inicialmente, equipamentos como navio-hospital e lanchas foram empregados em apoio aos municípios do Acre. Nesta semana, a Marinha deslocou os navios para a região metropolitana de Manaus.

No mesmo sentido, o 7º Comando Aéreo Regional (Comar) entrou na operação nos atendimentos médico e hospitalar com a participação efetiva no Hospital de Campanha (HCamp) que foi montado numa balsa e se localiza no bairro de São Raimundo, em Manaus. O brigadeiro Nilson Soileti Carminati, comandante do 7º Comar, disse que o HCamp poderá ser deslocado para outras áreas do Amazonas.

Após as exposições, o governador Omar Aziz agradeceu a ajuda do governo federal neste momento de dificuldades e anunciou investimentos de US$ 280 milhões em obras de recuperação dos igarapés e remoção de 4 mil famílias que ocupam as áreas de risco. Para o governador, a ação das Forças Armadas tem sido fundamental nessa região do país.

Para o vice-presidente Temer e o ministro Amorim, a ação em conjunto das tropas é fundamental para os resultados da Ágata – que tem o objetivo de assegurar a presença mais frequente do estado na região de fronteira. Até o fim do ano devem ocorrer mais duas edições da Operação Ágata.

FONTE: Ministério da Defesa

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Cresce o número de universidades em greve

Rio – No segundo dia da greve iniciada pelos docentes das instituições federais de ensino, mais seis locais aderiram à mobilização convocada pelo Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (ANDES-SN). A partir desta sexta-feira também paralisaram suas atividades os docentes da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, da Universidade Federal de Pernambuco, da Universidade Federal do Acre e das seções sindicais de Juazeiro, da Universidade Federal do Vale do São Francisco, e de Catalão, da Universidade Federal do Goiás.

“A greve já começou muito forte e outras seções já deliberaram parar na próxima semana”, adianta o professor Carlos Alberto da Fonseca Pires, que está em Brasília participante do Comando Nacional de Greve. Discutiram entrar em greve na próxima segunda-feira, por exemplo, a Universidade de Brasília e a Universidade Federal de Juiz de Fora. Os docentes da Universidade Federal Fluminense vão paralisar a partir da terça-feira.

A categoria reivindica uma carreira única, com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios, tendo uma variação de 5% entre níveis a partir do piso para um regime de 20 horas ( que corresponde ao salário mínimo do Dieese, atualmente calculado em R$ 2.329,35), e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho.

Os professores também querem a valorização e melhoria das condições de trabalho dos docentes das instituições federais de ensino e o atendimento das reivindicações específicas de cada instituição, a partir das pautas de elaboradas localmente.

Durante o dia de ontem, o Comando Nacional de Greve aprovou uma nota em que fazem um balanço do primeiro dia e apontas as razões da paralisação. O texto pode ser lido anexo.

Confira a lista das Instituições Federais de Ensino em greve dos docentes nesta sexta-feira, de acordo com último balanço realizado com informações enviadas ao Sindicato Nacional:

1- Universidade Federal do Amazonas (ADUA)
2- Universidade Federal de Rondônia (SESDUF-RR)
3- Universidade Federal Rural do Amazonas (ADUFRA)
4- Universidade Federal do Pará /Central (ADUFPA)
5- Universidade Federal do Pará /Marabá (SINDUFPA-MAR)
6- Universidade Federal do Oeste do Pará (SINDUFOPA)
7- Universidade Federal do Amapá (SINDUNIFAP)
8- Universidade Federal do Maranhão (APRUMA)
9- Universidade Federal do Piauí (ADUFPI)
10 – Universidade Federal do Semi-Árido (Mossoró) (ADUFESA)
11 – Universidade Federal da Paraíba (ADUFPB)
12 – Universidade Federal da Paraíba / Patos (ADUFPB-PATOS)
13 – Universidade Federal da Paraíba / Cajazeiras (ADUC)
14 – Universidade Federal de Campina Grande (ADUFCG)
15 – Universidade Federal Rural de Pernambuco (ADUFERPE)
16 – Universidade Federal de Alagoas (ADUFAL)
17 – Universidade Federal de Sergipe (ADUFS)
18 – Universidade Federal do Triângulo Mineiro (ADFMTM)
19 – Universidade Federal de Uberlândia (ADUFU)
20 – Universidade Federal de Viçosa (ASPUV)
21 – Universidade Federal de Lavras (ADUFLA)
22 – Universidade Federal de Ouro Preto (ADUFOP)
23 – Universidade Federal de São João Del Rey (ADFUNREI)
24 – Universidade Federal do Espírito Santo (ADUFES)
25 – Universidade Federal do Paraná (APUFPR)
26 – Universidade Federal do Rio Grande (APROFURG)
27 – Universidade Federal do Mato Grosso (ADUFMAT)
28 – Universidade Federal do Mato Grosso / Rondonópolis (ADUFMAT-ROO)
29 – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (ADUR-RJ)
30 – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (SINDFAFEID)
31 – Universidade Tecnológica Federal do Paraná (SINDUTF-PR)
32 – Instituto Federal do Piauí (SINDCEFET-PI)
33 – Instituto Federal de Minas Gerais (SINDCEFET-MG)
34 – Universidade Federal do Recôncavo Baiano (APUR)
35 – Universidade Federal do Vale do São Francisco/Juazeiro (SINDUNIVASF)
36 – Universidade Federal de Pernambuco (ADUFEPE)
37 – Universidade Federal do Acre (ADUFAC)
38 – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (ADUNI-RIO).
39 – Campus de Catalão da Universidade Federal do Goiás (ADCAC)

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Aos 91 anos, Leônidas Pires, ex-ministro do governo Sarney, mostra indignação e diz que Exército está sendo ‘sumariamente julgado’

 

Tânia Monteiro

Ex-ministro do Exército do governo José Sarney, o general da reserva Leônidas Pires Gonçalves atacou a presidente Dilma Rousseff e a Comissão da Verdade instalada na quarta-feira, em solenidade no Palácio do Planalto, classificando-a de “uma moeda falsa, que só tem um lado” e de “completamente extemporânea”. Ao Estadão , Leônidas disse que a presidente Dilma deveria ter “a modéstia” de deixar de olhar o passado e olhar para frente, “para o futuro do País”. Recolhido em sua residência, Leônidas, que está com 91 anos, evita fazer declarações à imprensa, mas fez questão de falar sobre a instalação da Comissão da Verdade por considerar que os militares estão “sendo injustiçados” e não vê quem os defenda no governo. Segundo ele, quando Nelson Jobim era ministro da Defesa havia um interlocutor. “Ele se colocava”, disse. “Mas o seu sucessor, Celso Amorim, que deveria se manifestar está ligado ao problema.” O general se diz indignado com o que define como “injustiça que está sendo feita com o Exército”. Para ele, a Força está sendo “sumariamente julgada e punida”.

Mas Leônidas defendeu a liberdade de expressão. “Que se respeite a minha opinião. Aqui é uma democracia. A palavra é livre e isso foi graças à nossa intervenção”, reagiu. Para ele, “embora o discurso seja de que não haverá punição com esta Comissão da Verdade, já estão promovendo a maior punição ao Exército, que está tendo o seu conceito abalado injustamente”. O ex-ministro do Exército acha que os comandantes militares deveriam falar em defesa da categoria e espera que eles, pelo menos, estejam levando a insatisfação dos oficiais aos demais integrantes do governo em relação à Comissão da Verdade. Leônidas declarou ainda que os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica “têm de orientar como os militares que forem chamados à comissão devem se comportar”.

Convite. O general da reserva não acredita que será convidado a depor na comissão. “Não há ra- zão para eu ser convidado”, de- clarou ele, citando que no tempo em que o DOI-Codi do Rio de Janeiro esteve vinculado a ele, entre abril de 74 e fevereiro de 77, “nunca apareceu nada nem ninguém que tivesse alegado ter sido torturado”. E emendou: “Eu já desafiei que alguém se apresentasse na TV e nunca apareceu nada”. Nas declarações feitas ao Estado, o ex-ministro – que foi um dos avalistas da posse do presidente Sarney, quando Tancredo Neves morreu, garantindo a transição de um governo militar para o civil – diz que a presidente Dilma Rousseff tem que “esquecer o passado, olhar para a frente” e se preocupar com o futuro do País. O general Leônidas Pires rechaçou a possibilidade de a Lei de Anistia ser revogada, como um segundo passo, depois de a comissão da Verdade fazer seu trabalho, por conta de pressão das esquerdas. “Isso não tem cabimento. A não ser que exista vontade expressa do revanchismo.” Para ele, “é impossível mexer na Lei da Anistia, que foi fruto de um acordo no passado e que já foi chancelada pelo Supremo”. E emendou: “Se quiserem fazer pressão no Supremo, o poder moderador tem de entrar em atuação no País”.

Reação

LEÔNIDAS PIRES, GENERAL DA RESERVA
“Que se respeite a minha opinião. Aqui é uma democracia. A palavra é livre e isso foi graças à nossa intervenção”

“Embora o discurso seja de que não haverá punição com esta Comissão da Verdade, já estão promovendo a maior punição ao Exército, que está tendo o seu conceito abalado injustamente”

“(Os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica) Têm de orientar como os militares que forem chamados à comissão devem se comportar”

FONTE: O Estado de São Paulo

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