1. Curioso ciclo democrático na América Latina. Nos últimos 20 anos, 16 Presidentes da República não completaram o seu mandato. Tudo dentro da legalidade constitucional de cada país. Lembrando: Equador: Bucaran, Alarcon, Mauad e Gutierrez / Argentina: Alfonsín e De La Rua / Peru: Fujimori / Brasil: Collor / Paraguai: Raul Cubas e Lugo / Honduras: Zelaya / Bolívia: Sanchez de Lozada e Mesa / Haiti: Jean-Bertrand Aristide / Venezuela: Carlos Andrés Perez / Guatemala: Jorge Serrano

2. FHC, Fujimori e Menem inauguraram um ciclo onde os presidentes se elegem com uma regra constitucional e, uma vez eleitos, mudam esta regra para se reeleger. Chávez aprimorou este processo e criou o “golpe constitucional”. Uma eleição direta de presidente sempre dá a este uma forte popularidade inicial. É aí que entra o kit-Chávez. Nesse momento mudam a Constituição, mudam o Congresso e passam a ser quase-ditadores constitucionais. Ortega na Nicarágua, Morales na Bolívia e Correa no Equador seguiram a receita. Kirchner, em boa medida, também (governar com lei delegada geral).

3. O caso do Paraguai está inserido dentro desse mesmo kit-Chávez de golpe constitucional. Tudo feito -formalmente- dentro da Constituição. A Constituição do Paraguai permite o “impeachment” por mau desempenho da função. Na prática, esse artigo transfere ao legislativo todo o poder, lembrando o governo do parlamento no Chile com a queda de Balmaceda em 1891.

4. Chávez, Morales e Correa se elegeram sem base parlamentar. Em seguida, dissolveram os parlamentos e elegeram um novo, de “propriedade” deles. No Brasil, a base parlamentar -chamada de aliada- é construída a golpes de troca de “benefícios” por votos. No Paraguai, a tradição e força do Partido Colorado não permitiu nem uma coisa nem outra.

5. Chávez deu a receita, mas quando ela foi aplicada pela direita, no Paraguai, contra seu grupo bolivariano, Maduro, chanceler venezuelano (e provavelmente seu sucessor), deitou falação em Asunción, enquanto o Senado deliberava. No Paraguai se aplicou o kit-Chávez com todo o lastro Constitucional. Mas pela direita. Alemanha e Espanha reconheceram o novo governo paraguaio. Para o parlamentarismo é um processo normal a queda de gabinete com clara minoria.

6. Nesta semana postaremos o artigo do politólogo e historiador argentino Natálio Botana mostrando que o populismo carismático, em geral, se dissolve em momentos de crise econômica. Usa a Argentina atual como exemplo. O Petróleo da Venezuela e também do Equador seguram a crise. Mas na Bolívia, na Argentina e no Paraguai não. Morales e C. Kirchner enfrentam greves e impasses, enquanto suas economias de desmancham. Ambos tiveram que sair correndo da Rio+20 de volta a seus países. Lugo perdeu o controle do país para o “carpeiros” (MST de lá) e para violência localizada de uma guerrilha em formação (EPP).

7. A economia paraguaia, em 2007, cresceu 6,8%. Em 2008, cresceu 5,8%. Em 2009, com a crise, caiu 3,8%. Em 2010, cresceu espetaculares 15%. Em 2011 foram 3,8%. E, em 2012, está em recessão e as projeções otimistas do governo falam em +1,5%. Não há o que distribuir.

8. Mas o governo brasileiro não adotará medidas retaliadoras contra o Paraguai. Ali está Itaipu e a energia para o Brasil. Ali estão os brasiguaios, grandes produtores de soja. Ficará nas declarações de boas intenções, tipo documento da Rio+20.

9. O MERCOSUL está aplicando também um “rito sumário” ao Paraguai, sem assegurar-lhe o “direito de ampla defesa”.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

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BRASÍLIA – O encontro extraordinário entre os chefes de Estado da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para discutir a crise no Paraguai ocorrerá na próxima sexta-feira (29), informou há pouco o Ministério de Relações Exteriores do Peru. A reunião será em Mendoza, na Argentina, e vai coincidir com o encontro da Cúpula do Mercosul.

Segundo o comunicado, o tema de discussão será a “delicada situação política da República do Paraguai”. O objetivo do encontro é “avaliar os acontecimentos no país e adotar uma posição conjunta”. O Paraguai foi suspenso da Unasul e do Mercosul devido à destituição de Fernando Lugo, na última sexta-feira (22).

Na tarde desta segunda-feira (25), o embaixador do Brasil em Assunção, Eduardo dos Santos, retornou a Brasília para detalhar o impeachment de Lugo.

Segundo o Itamaraty, o governo brasileiro vai defender que nenhuma medida que prejudique o cidadão paraguaio seja adotada.

Santos permanecerá no Brasil por tempo indeterminado. O gesto da diplomacia brasileira demonstra a reprovação do modo como Lugo foi afastado da Presidência e a preocupação com futuro do Paraguai.

FONTE: Agência Brasil

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A Suprema Corte de Justiça do Paraguai rejeitou nesta segunda-feira uma ação de inconstitucionalidade apresentada na sexta-feira (22) pelo ex-presidente Fernando Lugo para anular o julgamento político do Congresso.

A sala constitucional da Corte rejeitou “in límine” (sem analisar) a ação apresentada pelo ex-presidente para denunciar a suposta violação do direito de defesa no julgamento político.

Os ministros da Suprema Corte Víctor Núñez, Gladys Bareiro de Módica e Antonio Fretes assinaram o arquivamento da denúncia.

A iniciativa de Lugo se baseou na suposta parcialidade dos senadores no sentido de anunciar antecipadamente o resultado do procedimento de julgamento político (impeachment), além de violar o direito à defesa.

A defesa de Lugo questionou o tempo concedido para preparar sua defesa, que foi de duas horas.

No entanto, a Constituição do Paraguai concede ao Senado o poder de estabelecer o prazo para a defesa.

Entenda

O ex-bispo foi destituído do poder na sexta-feira passada em um processo parlamentar por “mau desempenho de suas funções”.

A rapidez do julgamento político — cerca de 30 horas entre a abertura do processo e a destituição — mereceu críticas dos países vizinhos, que encetam esforços para isolar politicamente o Paraguai.

Países da região, como Argentina, Equador, Venezuela, Chile e Bolívia chamaram seus embaixadores de volta e se recusam a reconhecer o governo interino de Federico Franco.

O Brasil, junto com outros países da América Sul, já decidiram pela suspensão do país, um dos pobres do continente, da Unasul e do Mercosul.

Movimentos sociais também começaram a organizar as primeiras manifestações contra a queda de Lugo, enquanto o novo governo dá os primeiros passos para reestabelecer o Executivo e refazer “as pontes” com os vizinhos.

Franco diz que a transição foi feita dentro dos marcos constitucionais do país e, ontem, fez um apelo para que as nações vizinhas não castiguem “6,2 milhões de pessoas” (a população estimada do Paraguai).

FONTE: Folha de São Paulo/AFP

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Federico Franco e novos ministros fazem juramento

Ao mesmo tempo, Fernando Lugo busca alternativas de voltar à presidência do Paraguai

 

ASSUNÇÃO – O novo presidente do Paraguai, o liberal Federico Franco, fez o juramento de seu cargo nesta segunda-feira, 25, em uma cerimônia realizada no palácio presidencial, enquanto o ex-mandatário Fernando Lugo dava uma entrevista coletiva para reiterar sua intenção de retomar o poder.

O juramento dos nove ministros, a maioria do Partido Liberal, aconteceu no mesmo momento em que terminava a entrevista coletiva de Lugo após a criação de um gabinete paralelo que, segundo Lugo, será encarregado de “monitorar” os novo governo.

Só dois dos novos ministros de Franco, os da Agricultura, Enzo Cardozo; e da Indústria, Francisco Rivas, faziam parte do Executivo de Lugo, que foi destituído na última sexta-feira em um “julgamento político” do Legislativo. Apesar desta decisão, Lugo nega a legitimidade do governo de Franco.

Os demais ministros do novo Executivo paraguaio são: José Fernández, das Relações Exteriores; Carmelo Caballero, do Interior; Horacio Galeano Perrone, de Educação e Cultura; Enrique Salyn Buzarquis, de Obras Públicas, e María Liz García, da Defesa Nacional, a primeira mulher a ocupar este cargo no país.

Também assumiram os ministros de Saúde Pública, Antonio Arbo, e da Justiça e Trabalho, María Segóvia. Cinco ministros escolhidos para o novo governo pertencem ao Partido Liberal, enquanto o titular da Educação está inscrito no Partido Colorado e o da Defesa no “oviedista” Unace, segundo a imprensa local.

O ato oficial demorou 15 minutos para começar justamente quando Lugo terminava sua entrevista coletiva na sede do minoritário Partido País Solidário, do esquerdista Frente Guazú. Na ocasião, o ex-presidente paraguaio insistiu em dizer que foi vítima de “um golpe de Estado parlamentar” e que Franco “não tem nenhuma autoridade”.

O ex-bispo disse que haverá mais reuniões como a de hoje, do chamado “gabinete pela restauração democrática”, para reunir “todas as forças que querem resistir” à tomada de poder por parte de Franco.

“Queremos nos transformar em fiscais observadores para monitorar os novos ministros”, comentou Lugo, que ressaltou que buscarão a “restituição da ordem democrática” com apoio de uma resistência cidadã pacífica.

A maioria dos colaboradores que participaram da reunião com Lugo são ministros e secretários de seu Executivo e pertencentes à Frente Guazú, que sustentava o Governo do presidente destituído junto ao Partido Liberal.

Lugo também revelou que conversou com a presidente argentina, Cristina Kirchner, para assegurar sua participação na Cúpula do Mercosul, que será realizada nos dias 28 e 29 na cidade de Mendoza, uma reunião que o Paraguai acabou sendo excluído.

“O presidente Lugo está solicitando sua presença nessa reunião para poder explicar o que ocorreu no Paraguai”, disse o próprio ex-mandatário.

FONTE: Estadão/Efe

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Prezado(a)s Senhore(a)s,

A Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército, em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas de História Militar do Exército (CEPHiMEx), realizará, no período de 27 a 30 de agosto do corrente ano, o “Primeiro Seminário Nacional sobre o Brasil na II Guerra Mundial”.

A trilha temática a ser enfocada no Seminário será: “70 ANOS DA DECLARAÇÃO DO ESTADO DE BELIGERÂNCIA ENTRE O BRASIL E AS NAÇÕES DO EIXO”.

O prestigioso evento será realizado no Museu Militar Conde de Linhares, sito à Avenida Pedro II, nº 383, bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro – RJ.

Maiores detalhes sobre o Seminário poderão ser obtidos no anexo a esta mensagem.

Cordialmente,

M.Cambeses Jr
Manuel Cambeses Júnior – Cel Av Refm
Membro Emérito do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil

* NOTA: Na oportunidade, proferirei palestra sobre a atuação da Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra Mundial (1º Gp Av Ca e 1ª ELO).