Para ministro da Defesa, base americana resultaria em isolamento do país em relação aos seus vizinhos do Mercosul

 

Marcelo Gomes, da Agência Estado – Agência Estado

RIO DE JANEIRO – O ministro da Defesa, Celso Amorim, classificou de “esdrúxula” a possibilidade de instalação de uma base militar dos Estados Unidos no Paraguai. Segundo ele, isso resultaria num isolamento ainda maior do país em relação aos seus vizinhos do Mercosul. As declarações foram feitas no Rio nesta segunda-feira, 9.

“Eu não sou ministro das Relações Exteriores, mas seria uma coisa tão esdrúxula que resultaria no isolamento a tão longo prazo do Paraguai que acho que não vale a pena. Não creio que ocorrerá”, afirmou Amorim, que participou hoje da solenidade de transmissão do controle do Exército para a Polícia Militar estadual do policiamento dos complexos pacificados do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio.

A possibilidade de construção de uma base dos EUA no Chaco, na região de fronteira próxima à Bolívia, foi anunciada na última sexta-feira, pelo deputado José López Chávez, presidente da Comissão de Defesa da Câmara dos Deputados do Paraguai. López Chávez afirmou que negociou a instalação da base com generais das forças armadas americanas, que visitaram o Paraguai dias após a destituição de Fernando Lugo da presidência.

FONTE: Estadão / FOTO: Wilton Junior

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A carreira militar: triste realidade

André Luiz Silva Ramos*

Um jovem brasileiro faz bem cedo uma opção profissional, resolve estudar em uma escola militar e ter como ideal defender o Brasil. Assim como outros jovens que escolheram outras profissões, ele acredita que nas Forças Armadas encontrará a valorização como profissional e será reconhecido por seu trabalho e dedicação.

É uma profissão diferente das outras e exige dele um grande sacrifício, inclusive de seus pais e de sua futura família, pois ficará distante durante sua formação e poderá ser transferido após estar formado, comprometendo aqueles que estejam em sua companhia. Ele jura defender o Brasil sempre, colocando de lado valores materiais e, muitas vezes, arriscando a própria vida nas missões que realiza para estar pronto na hora em que for necessária a sua presença.

O Brasil é um país cobiçado por suas riquezas naturais e precisa de jovens que pensem como ele e que estejam dispostos a este sacrifício sem esperar muita coisa em troca. No entanto, a realidade, alguns interesses políticos e a ganância de algumas pessoas têm colocado em risco a defesa do Brasil, por desmotivar jovens a seguir esta profissão.

É difícil para um jovem, hoje em dia, querer seguir a carreira militar, pois desde o governo de FHC, através de uma medida provisória até hoje não votada, as poucas vantagens financeiras que haviam na profissão foram retiradas, e hoje a perspectiva de uma aposentadoria tranquila deixou de ser possível para os militares.

Além disso, existem funcionários da União que, mesmo estando em níveis muito abaixo da formação destes profissionais, recebem salários muito acima, o que fere a constituição, desmotiva o militar e deixa a instituição comprometida, pois os jovens começam a abandonar a carreira e procurar novas oportunidades.

Soma-se a tudo isso, o possível revanchismo dos atuais governantes, que, ressentidos com o passado da ditadura, tratam os militares com desprezo e não investem nas Forças Armadas. Não é de hoje que as Forças Armadas do Brasil estão sucateadas e seus representantes humilhados. Interessante é que, apesar de não serem valorizados pelo governo, todas as vezes em que é feita uma enquete para a população responder em que mais confia, o índice de credibilidade nas Forças Armadas é altíssimo.

Os governantes precisam entender que o Brasil é muito maior do que os seus ressentimentos pessoais. A presidente Dilma precisa dar uma demonstração de grandeza e superação, investindo na defesa do Brasil e valorizando a classe militar. Os militares são oriundos do povo, não são jovens nascidos em famílias de classe alta, em sua maioria, e representam os verdadeiros anseios da nação. É importante que a presidente esteja atenta aos problemas dos militares e corrija urgentemente as defasagens salariais por que passa esta classe social, valorizando esta profissão e as famílias destes homens, que são fiéis e dedicados ao bem maior que temos, que é o nosso país.

*Militar

FONTE: Zero Hora / COLABOROU: Tony Youssef

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Por Ricardo Bonalume Neto

São Paulo e Campinas sofrendo bombardeios aéreos; o porto de Santos bloqueado por navios de guerra; cidades dos vales do Paraíba e do Ribeira sofrendo ataques de artilharia e trincheiras repletas de soldados cavadas nas divisas do Estado. Tudo isso, hoje algo impensável, aconteceu faz 80 anos.

A Revolução de 32 não é um mero registro histórico. Foi algo que afetou milhões de pessoas e ainda assombra imaginações e o imaginário.

Na capital, os monumentos e os nomes de ruas e avenidas deixam isso claro. Na região próxima ao parque do Ibirapuera ficam tanto o Monumento às Bandeiras, do escultor Victor Brecheret, como o Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, de Galileo Ugo Emendabili. E aos locais se chega pela avenida 23 de maio, uma das datas importantes do movimento.

Ironicamente, a Fundação Getúlio Vargas fica próxima à avenida batizada com a data do início do levante, a 9 de Julho. Mas São Paulo continua sendo resistente a usar o nome do ditador. Não há o equivalente à importante avenida Presidente Vargas, do Rio, por exemplo.

Vargas foi quem provocou a coisa, afinal, com a derrubada do presidente Washington Luís, em outubro de 1930. Ele até foi bem recebido no Estado a caminho da capital, então o Rio de Janeiro. Mas logo começou a bater de frente com os políticos paulistas, saudosos do poder que tinham na República Velha.

Por exemplo, Vargas nomeou como “interventor” (no lugar do governador) o tenentista pernambucano João Alberto Lins de Barros.

Só em março de 1932 Vargas nomeou um interventor mais ao gosto dos paulistas, um civil e nativo do Estado, o diplomata aposentado Pedro de Toledo. Mas ao mesmo tempo o ditador quis mandar no comando da Força Pública (como era chamada a hoje Polícia Militar).

A Força Pública era um trunfo particularmente importante, pois constituía um verdadeiro exército em menor escala, dotada de armas como metralhadoras.

Os políticos e os militares envolvidos na conspiração contra Vargas foram ineptos. Deflagraram o movimento antes da hora, sem articular ações eficazes com potenciais revoltosos em outros estados, especialmente Minas Gerais e Rio Grande do Sul. São Paulo, com pequeno apoio de Mato Grosso, ficou isolado.

A melhor estratégia seria concentrar forças no Vale do Paraíba e rumar ao centro do poder, o Rio. Em vez de fazer isso, os líderes paulistas preferiram ficar na defesa.
Já a estratégia do ditador foi correta. Isolou São Paulo por terra e por mar, e diplomaticamente.

As principais frentes de combate estavam todas vinculadas a ferrovias e rodovias. É por isso que os famosos trens blindados foram tão importantes no conflito.

Os dois lados tiveram centenas de mortos. Não houve batalhas espetaculares; era mais razoável fugir ou se render do que lutar até a morte em uma guerra “entre irmãos”. Uma batalha podia ter dez mortos, 30 feridos e 400 prisioneiros.

Vargas venceu em 32, mas houve a Constituinte em 34 (que ele já tinha prometido antes da revolta). Os líderes paulistas foram exilados, mas por pouco tempo. Vargas deu um golpe de Estado em 1937, mas o legado de 32 permaneceu e foi importante no debate ideológico subsequente e que vem até hoje.

ESTUDOS

Em 80 anos, muita tinta foi usada para descrever a Revolução de 1932. É possível identificar pelo menos três fases.

Houve uma primeira onda de textos, principalmente de origem paulista (e incluindo livros de memórias), exaltando os ideais democráticos do levante; e em seguida uma leva posterior, de origem marxista, ressaltando a ideia de que tudo não passou de uma briga entre grupos da “classe dominante”, e sempre que foi necessário os “proletários” foram perseguidos.

Novos pesquisadores tentam entender o caráter multifacetado do evento, identificando uma participação popular inédita na história.

O historiador Marco Antonio Villa deixa claro que a “questão democrática” foi “a grande herança política da revolução, uma espécie de tesouro perdido, muito valioso, especialmente em um país marcado por uma tradição conservadora, elitista e antidemocrática”.

Exposição

“SP, 1932: 80 anos do Movimento Constitucionalista”
Quando: 09/07 a 02/10 (Tem início hoje mas depois ocorrerá apenas de terça a sábado)
Local: Arquivo Público do Estado de São Paulo, Rua Voluntários da Pátria, 576 – São Paulo
Entrada Franca.

FONTE: Folha Online

O Instituto Militar de Engenharia (IME), situado na Urca, no Rio de Janeiro, recebeu visita do ministro da Defesa, Celso Amorim, para conhecer os projetos desenvolvidos pela escola. O IME é o centro de ensino de graduação, pós-graduação e especialização para civis e militares.

Na visita, Amorim destacou a variedade dos dez cursos de engenharia oferecidos, como mecânica, eletrônica, de computação e de Defesa. Ele afirmou que há compromisso com o desenvolvimento tecnológico do país, já assumido pela presidenta Dilma Rousseff, do qual o instituto faz parte.

Visita ao IME

Na escola, Amorim foi recebido pelo comandante do Exército, general-de-exército Enzo Martins Peri, e pelo comandante do IME, general-de-brigada Rodrigo Balloussier Ratton. O general Ratton citou as áreas de engenharia abrangidas pela escola e apresentou os chefes das sessões internas do instituto.

Logo após, o comandante do IME fez breve palestra sobre a escola, ressaltando missão e visão do centro de ensino, abordagem pedagógica, operações realizadas e parcerias com instituições de fomento. Uma das visões é “ser reconhecido nacional e internacionalmente”, como afirmou o general Ratton. Sobre isso, ele mostrou indicadores de avaliação, que colocam o instituto com conceito máximo na maioria dos quesitos. “É a primeira escola de engenharia das Américas e a terceira do mundo”, destacou.

O comandante expôs, também, que um dos maiores desafios da escola é “conjugar o sistema de ensino federal com a formação militar do Exército”. “Saber unir a flexibilidade com a rigidez” é o caminho. Atualmente, o IME conta com corpo docente de 186 professores, entre militares, civis e colaboradores. Na graduação são 444 alunos e na pós graduação o número é de 283.

Projetos

O ministro conheceu os laboratórios e teve explicações sobre alguns projetos em desenvolvimento na escola, como, por exemplo, a participação na implantação do Sistema Brasileiro de TV Digital – a cargo do Laboratório de Processamento de Imagem.

Entre os programas em desenvolvimento, Amorim assistiu a exposição da coordenadora do projeto “Soluções Energéticas para a Amazônia”, Wilma de Araujo Gonzalez, professora civil. A iniciativa desenvolve biodiesel e óleo in natura com aproveitamento da cadeia produtiva, como solução de energia sustentável.

Outra pesquisa foi a apresentada pelo coronel Alaelson Vieira Gomes, que realiza o processamento e a avaliação de placas cerâmicas convexas para blindagem. De acordo com o coronel, esse material pode ser aplicado em guaritas policiais, veículos, coletes anti-balas e na fachada de escolas e creches. “É importante que as empresas se interessem pelo projeto”, destacou.

Celso Amorim também conheceu estudos sobre misturas asfálticas, robótica e inteligência artificial, desenvolvimento de Veículos Aéreos Não-Tripulados (Vants), Laboratório de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, entre outros. O ministro afirmou que “já sabia da excelência do IME”, mas impressionou-se com os projetos que presenciou. Para ele, a visita foi “muito positiva”.

Ao ser perguntado sobre qual o conselho que daria aos futuros engenheiros, Amorim concluiu,  “É o conselho que dou a qualquer aluno: estudem muito! E continuem mantendo o idealismo, que é um bom combustível para o resto da vida.”

FONTE: Ministério da Defesa