“Vulcão de Damasco e os terramotos da Síria”

Não, isto não é o nome de uma nova banda de rock. É o nome da operação que os rebeldes sírios lançaram contra o governo do país

 

A rebelião síria entrou numa nova fase. Os revoltosos anunciaram na segunda-feira ao cair da noite o lançamento da operação “Vulcão de Damasco e os terramotos da Síria”. A oposição pretende lançar ataques sistemáticos contra postos de controlo militar por todo o país, cortar as estradas e paralisar o exército do regime. Este anúncio foi efetuado depois de um dia de combates intensos na capital síria. Dois bairros de Damasco estarão já nas mãos dos revoltosos.

A batalha de Damasco pode anunciar o fim do regime mas o antigo embaixador sírio no Iraque, que se encontra em Londres depois de ter desertado, alertou que Bashar al-Assad pode autorizar o recurso a armas químicas para se manter no poder. Uma possibilidade que ganha peso dada a transformação do conflito em guerra confessional. A maioria sunita apoia os rebeldes enquanto as forças de elite de Bashar al-Assad são dominadas pela seita alauita a que pertence o presidente.

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Alerta dos EUA sobre armas químicas na Síria

A Casa Branca alertou a Síria nesta terça-feira que será responsabilizada pela segurança no armazenamento e manipulação de qualquer arma química que estiver em mãos do país.

O governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, pode estar retirando algumas armas químicas de locais de armazenamento, segundo autoridades ocidentais e israelenses, mas não está claro se a operação é meramente por precaução com a segurança em meio ao caos causado pelo conflito na Síria ou se representa algo mais.

“Há algumas responsabilidades que caminham junto com a segurança no armazenamento e manipulação dessas armas químicas”, afirmou o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest, em viagem ao Texas a bordo do avião presidencial Air Force One, ao ser perguntado sobre as novas informações relativas ao estoque de armas químicas da Síria.

“Nós acreditamos que os indivíduos responsáveis por esse desafio devem fazê-lo e serão responsabilizados por cumpri-lo”, afirmou. Ele disse, no entanto, que não poderia comentar nenhum relatório de inteligência específico sobre armas químicas da Síria.

FONTE: Reuters

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Bope visita BRT Transoeste para treinar ações com reféns

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Homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) visitaram, nesta terça-feira (17), o BRT Transoeste, corredor expresso que liga a Barra da Tijuca até Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, para treinar ações com reféns.

Policiais conheceram o Centro de Controle, os veículos e as estações. Eles simularam um assalto em um ônibus. O BRT tem 28 estações em funcionamento. Até agosto, outras oito serão inauguradas.

FONTE/FOTO: G1

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Sem rumo

João Augusto de Castro Neves

Instituições regionais são uma característica saliente do cenário político da América do Sul. Em um continente com doze países, existem mais de dois parlamentos regionais, duas uniões aduaneiras e uma união intergovernamental mais abrangente. Apesar de todas essas iniciativas, boa parte dessas instituições é fraca ou inacabada, ou ambas. Parafraseando um observador, a habilidade de líderes locais de transformar miligramas de fatos em toneladas de palavras – ou, nesse caso, instituições regionais ineficazes – é impressionante.

A recente reunião de cúpula do Mercosul foi um reflexo da ineficácia em lidar com os problemas mais graves da região. Em meio à preocupação crescente com os rumos da economia global, os líderes reunidos na Argentina tiveram de administrar crises, a começar pela queda abrupta de Fernando Lugo da presidência do Paraguai. Sob a alegação não tão cristalina de ruptura institucional, o episódio acabou por motivar a suspensão de Assunção do bloco sul-americano. Não bastasse, os lideres regionais aproveitaram a suspensão do país guarani para aprovar, “por unanimidade”, a admissão da Venezuela como membro pleno do Mercosul – o Paraguai, afinal, se opunha à entrada de Caracas no bloco.

O saldo foi negativo para o Mercosul. Além dos questionamentos sobre a legalidade da “troca” do Paraguai pela Venezuela e dos sinais confusos em relação ao comprometimento regional com normas democráticas, as decisões tomadas na última reunião de cúpula agravarão ainda mais a já frágil dinâmica econômico-comercial do Mercosul.

Quando o Paraguai voltar ao bloco depois das eleições presidenciais do ano que vem, como é esperado, o fará provavelmente sem ter ratificado o documento de adesão da Venezuela. Isso significa que o Paraguai não terá internalizado as normas necessárias para reconhecer Caracas como integrante pleno do bloco, o que na prática permitiria ao Paraguai ignorar a decisão e provavelmente criar restrições a produtos venezuelanos.

Para uma instituição já eivada de exceções e improvisos, a entrada de uma economia díspar como a da Venezuela, sujeita aos rompantes de Hugo Chávez e dependente de apenas um produto – petróleo -, reduzirá ainda mais a capacidade de coordenação de dentro do Mercosul. É notório o fato que as disputas entre Brasil e Argentina têm enfraquecido a capacidade negociadora do Mercosul, como foi o caso das negociações com a União Europeia. Nos últimos anos, enquanto outros países latino-americanos assinaram acordos de livre comércio com as principais economias do mundo (EUA, UE e China), o Mercosul assinou apenas três: Israel, Egito e Autoridade Palestina.

Para se ter uma ideia do impacto do emaranhado de exceções e do improviso no comércio, o ritmo das exportações brasileiras para a Argentina tem desacelerado consistentemente, devido principalmente a salvaguardas impostas por Buenos Aires. Nos primeiros cinco meses de 2012, a Argentina recebeu menos de 8% do total das exportações brasileiras, bem menos do que os 13% alcançados em 1998. Ademais, o Brasil sinalizou recentemente que pode reduzir voluntariamente em 30% (para US$ 2 bilhões) o superávit com a Argentina para ajudar o pais vizinho a cumprir com suas obrigações financeiras.

Ao revelar as fragilidades do Mercosul, a cúpula do mês passado apontou não apenas para menos livre comércio na região, mas também para a ausência de uma agenda factível de negociação com terceiros países. Já em relação ao Paraguai, é provável que os problemas políticos se dissipem antes de terem algum impacto substantivo na região, exceto se o país decidir abandonar o Mercosul em definitivo para negociar acordos de livre comércio por conta própria – ou criar mais uma instituição regional.

JOÃO AUGUSTO DE CASTRO NEVES é cientista político.

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LUIS CARRASCO, MARIANA LENHARO

Entre os estudantes do ensino superior, 38% não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa. O indicador reflete o expressivo crescimento de universidades de baixa qualidade.

Criado em 2001, o Inaf é realizado por meio de entrevista e teste cognitivo aplicado em uma amostra nacional de 2 mil pessoas entre 15 e 64 anos. Elas respondem a 38 perguntas relacionadas ao cotidiano, como, por exemplo, sobre o itinerário de um ônibus ou o cálculo do desconto de um produto.

O indicador classifica os avaliados em quatro níveis diferentes de alfabetização: plena, básica, rudimentar e analfabetismo (mais informações nesta pág.). Aqueles que não atingem o nível pleno são considerados analfabetos funcionais, ou seja, são capazes de ler e escrever, mas não conseguem interpretar e associar informações.

Segundo a diretora executiva do IPM, Ana Lúcia Lima, os dados da pesquisa reforçam a necessidade de investimentos na qualidade do ensino, pois o aumento da escolarização não foi suficiente para assegurar aos alunos o domínio de habilidades básicas de leitura e escrita.

“A primeira preocupação foi com a quantidade, com a inclusão de mais alunos nas escolas”, diz Ana Lúcia. “Porém, o relatório mostra que já passou da hora de se investir em qualidade.”

Segundo dados do IBGE e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), cerca de 30 milhões de estudantes ingressaram nos ensinos médio e superior entre 2000 e 2009. Para a diretora do IPM, o aumento foi bom, pois possibilitou a difusão da educação em vários estratos da sociedade. No entanto, a qualidade do ensino caiu por conta do crescimento acelerado.

“Algumas universidades só pegam a nata e as outras se adaptaram ao público menos qualificado por uma questão de sobrevivência”, comenta. “Se houvesse demanda por conteúdos mais sofisticados, elas se adaptariam da mesma forma.”

Para a coordenadora-geral da Ação Educativa, Vera Masagão, o indicativo reflete a “popularização” do ensino superior sem qualidade. “No mundo ideal, qualquer pessoa com uma boa 8.ª série deveria ser capaz de ler e entender um texto ou fazer problemas com porcentagem, mas no Brasil ainda estamos longe disso.”

Segundo Vera, o número de analfabetos só vai diminuir quando houver programas que estimulem a educação como trampolim para uma maior geração de renda e crescimento profissional. “Existem muitos empregos em que o adulto passa a maior parte da vida sem ler nem escrever, e isso prejudica a procura pela alfabetização”, afirma.

JOVENS E ADULTOS. Entre as pessoas de 50 a 64 anos, o índice de analfabetismo funcional é ainda maior, atingindo 52%. De acordo com o cientista social Bruno Santa Clara Novelli, consultor da organização Alfabetização Solidária (AlfaSol), isso ocorre porque, quando essas pessoas estavam em idade escolar, a oferta de ensino era ainda menor.

“Essa faixa etária não esteve na escola e, depois, a oportunidade e o estímulo para voltar e completar escolaridade não ocorreram na amplitude necessária”, diz o especialista.

Ele observa que a solução para esse grupo, que seria a Educação de Jovens e Adultos (EJA), ainda tem uma oferta baixa no País. Ele cita que, levando em conta os 60 milhões de brasileiros que deixaram de completar o ensino fundamental de acordo com dados do Censo 2010, a oferta de vagas em EJA não chega a 5% da necessidade nacional.

“A EJA tem papel fundamental. É uma modalidade de ensino que precisa ser garantida na medida em que os indicadores revelam essa necessidade”, diz Novelli. Ele destaca que o investimento deve ser não só na ampliação das vagas, mas no estímulo para que esse público volte a estudar. Segundo ele, atualmente só as pessoas “que querem muito e têm muita força de vontade” acabam retornando para a escola.

Ele cita como conquista da EJA nos últimos dez anos o fato de ela ter passado a ser reconhecida e financiada pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). “Considerar que a EJA está contemplada no fundo que compõe o orçamento para a educação é uma grande conquista.”

FONTE: O Estado de S. Paulo – 17/07/2012

Visão do Correio: Brasil precisa formar mais doutores

Causa preocupação o atraso do Brasil na formação de doutores e mestres. Levantamento do Censo de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, expõe números pouco animadores. O Brasil tem 1,9 doutor para cada habitante entre 25 e 64 anos. É pouco, muito pouco.

A Suíça, no topo do ranking, conta com 23. A Alemanha, 15,4. Os Estados Unidos, 8,4. Vale a comparação com a Argentina. Nossa parceira no Mercosul exibe indigente 0,2. Não há ingenuidade, pois, na afirmação de que profissionais altamente qualificados respondem pela inovação nacional. A decadência da indústria argentina reflete-se no percentual de cérebros de que dispõe.

Embora tenha dobrado nos últimos 10 anos, o número de doutores e mestres continua pequeno em relação às necessidades do Brasil. De 2001 a 2010, a cifra passou de 26 mil para aproximadamente 53 mil. Em 2010, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), 12 mil brasileiros receberam o título de doutor.

A média nacional é de 10 mil por ano. Boa parte deles — 76,77% — atua na área de educação. A segunda fatia, 11,6%, prefere a segurança da administração pública. Só 3,78% desempenham funções na indústria, segmento responsável pela inovação. Graças ao trabalho dos profissionais de ciência e tecnologia, desenvolvem-se linhas de pesquisas adaptadas às necessidades da organização.

A maior riqueza do século 21 é, sem dúvida, a produção de conhecimento. Mudanças vêm ocorrendo com tal velocidade no mundo globalizado e crescentemente competitivo que a invenção de hoje se torna obsoleta amanhã. Vai longe o tempo em que as empresas sobressaíam mesmo com tecnologia de segunda geração. Atualmente impõe-se produzir os próprios avanços porque não há tempo de espera. Conseguir posição de vanguarda implica investimentos maciços em inovação.

Acordamos tarde para a importância do saber. No ano passado, o Brasil criou o Ciência sem Fronteiras, que visa conceder bolsas de estudos para brasileiros em universidades americanas e europeias. Há mais de duas décadas, a China, o Japão, a Coreia do Sul, entre outros países, além de investir internamente na formação de recursos humanos para a pesquisa, mandavam os estudantes se aperfeiçoar em instituições estrangeiras de ponta. Buscavam expandir o quadro de doutores e proporcionar-lhes inserção internacional — exigência imposta às economias modernas. Precisamos correr.

FONTE: Correio Braziliense

Inovação é chave na competitividade

O câmbio está em patamar mais favorável à produção nacional diante da competição de bens importados, as taxas de juros têm caído e alguns segmentos foram beneficiados com a desoneração de tributos e encargos sobre a folha salarial. Mesmo assim, o conjunto da indústria brasileira continua se ressentindo da falta de competitividade. Portanto, o problema não está relacionado apenas a questões macroeconômicas.

Vários especialistas relacionam essa perda de competitividade ao fato de o conjunto da indústria ser pouco inovador. Em recente artigo publicado no GLOBO, o presidente e dois diretores da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), respectivamente, Glauco Arbix, João Alberto de Negri e Roberto Vermulm, chamam a atenção para a necessidade de o país mudar o atual sistema de investimento e financiamento à tecnologia e à inovação. Falam com conhecimento de causa, pois estão à frente do órgão federal dedicado exclusivamente a esse tipo de financiamento.

A antiga tese de que a evolução tecnológica seria subproduto do crescimento econômico não tem se comprovado, na prática, no Brasil. Os especialistas reconhecem que há um esforço de um certo número de empresas em prol da inovação. Cerca de 800 companhias no país têm hoje departamentos de pesquisa e desenvolvimento que contam com mestres ou doutores, contratados em regime de tempo integral. Essas empresas cobrem com recursos próprios 90% do investimento em pesquisa e desenvolvimento, quando era de se esperar mais apoio de programas governamentais, como já acontece em outros países.

O Brasil investe o correspondente a 1,2% do Produto Interno Bruto em pesquisa e desenvolvimento, e, de acordo com os mesmos especialistas, seria necessário, no curto prazo, elevar esse percentual para 1,8% do PIB, para que seja possível recuperar competitividade. Isso exigiria um esforço adicional tanto do setor privado quanto do setor público.

A sociedade brasileira despertou tarde para a importância na educação no processo de desenvolvimento do país, e agora começa a se esforçar para eliminar o hiato criado nas últimas décadas. Esforço idêntico, a partir da valorização do conhecimento, terá de ser feito no campo da pesquisa e da inovação, envolvendo empresas, mundo acadêmico e governos.

As dificuldades conjunturais da economia brasileira, muitas e grandes, costumam absorver todas as atenções das políticas governamentais e o tempo disponível dos empresários. Não há como se ignorar esses problemas, pois, se eles não forem enfrentados, não será possível dar passos adiante. No entanto, o desafio não se resume à solução das dificuldades conjunturais. Sem uma visão de médio e longo prazos, acabaremos andando em círculo. Como resposta à perda de competitividade do conjunto da indústria, corremos o risco de cair na tentação do protecionismo. Trata-se do caminho errado. A alternativa está no estímulo à inovação e no aumento sugerido nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

FONTE: O Globo

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Na crise, uns choram, outros vendem lenços

Roberto Luis Troster

A preocupação com os rumos da economia brasileira aflige cada vez mais. O desempenho do país está piorando, é o lanterna da América Latina, bem atrás dos demais, quando, em razão de seu potencial produtivo e vantagens que tem, deveria ser o carro-chefe. Mais que a deterioração, surpreende a reação.

Abundam lamentos culpando a crise na Europa, a guerra cambial, o pessimismo da indústria e a má vontade dos banqueiros. É arriscado acreditar em relatos que colocam a responsabilidade do freio da economia brasileira no exterior e em empresários em vez de analisar a adequação da condução econômica à realidade. Deve-se evitar um diagnóstico equivocado.

Um exame dos indicadores conjunturais mostra que o quadro interno está se deteriorando mais que o externo. O preço das exportações brasileiras tem apresentado pouca variação, o custo de recursos externos continua num patamar histórico de baixa e os fluxos externos continuam volumosos. Não justificam a desaceleração interna da economia. Há outra explicação possível.

Medidas adotadas até o momento para superar a crise visam o curto prazo e não medem os impactos no futuro

A causa é a política reacionária do governo, refém de um paradigma ultrapassado. Seu receituário teve sua razão de ser nas décadas de 1930 a 1950; atualmente é inconsistente e é a razão das dificuldades. Querendo ficar bem na foto defendendo um crescimento do PIB o mais alto possível em 2012, adotam medidas no tripé finanças públicas, crédito e incentivos ao setor produtivo no curto prazo, sem medir o impacto futuro. Esquecem que a realidade é um filme que começou no passado e que continua no ano que vem e nos próximos.

Nas finanças públicas, no lado da receita, são dezenas de impostos, taxas e contribuições com centenas de alíquotas diferentes que dão emprego a milhares de contadores, advogados e despachantes, mas encarecem o custo da produção nacional. Do lado dos gastos do governo, sua serventia para o desenvolvimento é discutível; o pacote anunciado há duas semanas ilustra o ponto: compras no valor de R$ 8 bilhões, o que no lado da demanda, aumenta o Produto Interno Bruto (PIB) nesse montante para este ano, mas deixa dúvidas de quem são seus beneficiários, suas vantagens para a economia e seus impactos nos anos vindouros.

No crédito, apesar dos anúncios, a demanda continua fraca e a inadimplência aumentando. Os números mostram de forma contundente que a contribuição da intermediação financeira ao crescimento está bem aquém de seu potencial. O atual modelo é inconsistente intertemporalmente; uma análise dos custos e retornos mostra isso. Todavia, insiste-se numa alquimia que não funciona, não vai dar certo e terá consequências adversas no futuro.

O sistema bancário brasileiro é sofisticado, mas, por um lado, está focado nos resultados de curto prazo e por outro preso a um sistema vultoso de regulamentações, depósitos compulsórios absurdamente elevados, uma tributação bizantina, direcionamentos anacrônicos e mecanismos de transmissão emperrados. Tem a capacidade de ser um propulsor da economia na próxima década, mas sem ajustes certamente não será.

A política de autarquia produtiva, com protecionismo e subsídios, não tem como dar certo num mundo que se globaliza cada vez mais. Está se vivenciando a terceira revolução industrial e aplicam-se aqui as políticas de substituição de importações do pós segunda guerra mundial, uma insensatez. Os incentivos concedidos recentemente beneficiam mais os industriais do que as indústrias, e comprometem o futuro do setor, que fica menos competitivo no resto do mundo.

É fato que o investimento é influenciado pelo estado de espírito dos empresários, mas mais importante que isso é sua análise custo e benefício, onde pesam os tributos, as contingências e a burocracia. Nos rankings de competitividade que avaliam a facilidade de empreender, o Brasil está mal colocado e, o que é pior, perdendo posições. Com isso, investimentos que poderiam ancorar aqui são destinados a outros países onde é mais simples e barato investir.

Uma justificativa dada para insistir na atual política econômica é anunciar uma recuperação no segundo semestre e um crescimento maior em 2013, é o mais provável, mas não é certo. Há sinais claros do esgotamento dos incentivos à demanda agregada com gastos públicos e consumo sem a contrapartida de estímulos adequados à produção nacional. Além disso, o cenário apresenta alguns riscos no horizonte como um possível agravamento da economia argentina, queda no crescimento chinês e demoras na retomada europeia.

A bem da verdade, o quadro internacional, se bem aproveitado, também oferece oportunidades ao Brasil, como um crescimento mundial da demanda de alimentos e de energia superior à expansão da oferta e a existência de recursos e empresários do mundo inteiro atrás de um porto seguro para investimentos. A chave para aproveitar esse cenário está na gestão do tripé finanças públicas, crédito e setor produtivo, mas de forma sustentável.

Para capitalizar essa oportunidade torna-se necessário mudar paradigmas: de mercado interno para estrutura produtiva interna; de crédito de consumo para crédito responsável; da geração de empregos para a criação e sobrevivência de empresas; de desvalorização para internacionalização do real; de redução da Selic para melhora do mecanismo de transmissão; de gastos públicos para eficiência do setor público; de proteção às cadeias produtivas locais para inserção conveniente nas cadeias produtivas globais; e de crescimento do PIB em 2012 para crescimento até 2022. Urge.

Apelos emocionais e culpas a terceiros têm um uso político, mas não resolvem problemas; lamentar e não mudar quando tudo indica que é o que deve ser feito é perigoso. A atual equipe econômica tem méritos, mas é necessário que troque seus paradigmas para fazer acontecer. Está na hora de começar a vender lenços.

Roberto Luis Troster é consultor e doutor em economia pela USP e foi economista chefe da Febraban e da ABBC e professor da USP e PUC-SP.

FONTE: Valor Econômico – 17/07/2012

 

Helibras lamenta falecimento do General Albuquerque

A Helibras manifestou na última segunda-feira (16) suas condolências pelo falecimento, na madrugada de domingo (15), do General do Exército José de Albuquerque, que ocupou a presidência do Conselho de Administração da empresa entre julho de 1990 e março de 2003.

“O General Albuquerque participou ativamente da evolução da nossa empresa e teve papel relevante na relação com acionistas e com o governo”, ressaltou Eduardo Marson, presidente da Helibras. “Queremos registrar o nosso reconhecimento pela trajetória desenvolvida em sua carreira no Exército Brasileiro e pela sua contribuição para o desenvolvimento da indústria aeronáutica, e manifestar nossos sentimentos aos familiares desse ilustre militar.”

Nascido em 8 de Abril de 1923, Albuquerque foi comandante da 3ª Região Militar, em Porto Alegre, e chefe do Departamento de Material Bélico (atual COLOG), tendo participado da criação da Aviação do Exército.

Esperando o fiasco da China…

Com as notícias de desaceleração da economia da China, inúmeros analistas começam a duvidar do vigor daquele país. Uma reportagem especial da revista The Economist (26/5) destacou vários fatores perversos ao crescimento chinês: o desequilíbrio entre investimento e consumo; a exagerada dependência de petróleo importado; a poluição excessiva; a falta de água e a escassez de mão de obra devido à regra de um filho por família. Vários autores especulam que o aumento acelerado dos salários retardará o ritmo do crescimento da China (Shaum Rein, The end of cheap China, New Jersey: John Wiley & Sons, 2012).

Em contraste com esse cenário, o Brasil teria claras vantagens comparativas em relação à China: água em abundância, matriz energética limpa, petróleo para dar e vender, etc. Os salários estão abaixo do que se paga no mundo desenvolvido. Ou seja, teríamos aí uma boa chance para entrar no vácuo decorrente de uma eventual retração do crescimento chinês.

É verdade que o crescimento da China desacelerou. Será menos de 8% neste ano. Mas o país não está parado. Para resolver a escassez de recursos naturais, a China vem investindo pesadamente na África e na América Latina. A escassez de mão de obra nas cidades vem sendo enfrentada com a facilitação da migração rural-urbana. A explosão dos salários é contrabalançada por um forte aumento da produtividade decorrente da modernização tecnológica e, sobretudo, da crescente qualificação dos trabalhadores.

No caso do Brasil, o custo do trabalho vem disparando, sem contrapartida de um aumento de produtividade. Os gargalos de infraestrutura não se resolvem em tempo hábil. As reformas tributária, trabalhista e previdenciária estão engavetadas. As medidas pontuais são insuficientes para reaquecer o mercado.

Para complicar o problema da baixa produtividade do trabalho, o País decidiu desestimular os investimentos em capital humano que vinham sendo feitos pelas empresas. Refiro-me à Lei 12.513/2011 que passou a tributar aqueles investimentos – até então isentos. Um verdadeiro absurdo no momento em que o Brasil precisa melhorar a educação e alavancar a produtividade.

A China, ao contrário, continua fazendo investimentos maciços nesse campo. Em recente publicação, fiquei sabendo que as matrículas no ensino superior foram multiplicadas por seis nos últimos dez anos, tendo chegado a quase 20% dos jovens na idade respectiva (no Brasil é de 10%).

O Programa Ciência sem Fronteiras é louvável, sem dúvida. O Brasil pretende enviar 110 mil estudantes para o exterior ao longo dos próximos anos. Mas, para mostrar que a corrida é em relação a um ponto móvel, basta lembrar que só em 2008 a China enviou 180 mil estudantes às melhores universidades do mundo e vem fazendo isso todos os anos (James J. Heckman e Junjian Yi, Human Capital, Economic Growth, and Inequality in China, Bonn: Institute for the Study of Labor, maio de 2012).

O resultado é conhecido: 45% do crescimento chinês é atribuído aos ganhos de produtividade decorrentes de melhorias do capital humano. Enquanto isso, a produtividade do trabalho no Brasil cai a cada ano ao mesmo temp que salários e benefícios sobem acima da inflação. O descasamento entre custo do trabalho e produtividade está afetando em cheio a competitividade das indústrias brasileiras.

Os que acreditam no crescimento brasileiro à custa de um fiasco chinês terão de aguardar muito tempo. A busca de maior eficiência é a mais prioritária medida a ser implementada se queremos ganhar a corrida com a China, de quem tanto dependemos. Dentre as várias providências a serem operadas tem destaque a melhoria da qualidade da educação – a começar pela revogação da referida lei que desestimula as iniciativas privadas nesse campo.

FONTE: O Estado de S. Paulo – 17/07/2012

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