Tudo o que está acontecendo na Síria toca Israel da forma mais direta. Por enquanto, os líderes políticos e militares israelenses mostram moderação na crise do país vizinho. Enquanto isso, a mídia iraniana afirma que os israelenses fornecem armas à oposição síria e treinam seus soldados na fronteira com a Turquia.

Confrontos entre a oposição armada síria e as forças do governo acontecem em Damasco e muitas outras cidades sírias. Enquanto isso, em Paris, está sendo preparada a próxima conferência dos amigos da Síria na qual a Rússia se recusou a participar. Ao mesmo tempo, aumenta o fluxo de refugiados, principalmente para a Jordânia. Neste contexto, soa cada vez mais alto o coro de vozes que apelam para a saída do presidente Bashar al-Assad e de seu círculo próximo. O próprio Assad não exclui a possibilidade de deixar seu posto.

É isso que pretendem atingir certos vizinhos ambiciosos da Síria, aspirantes a líderes regionais, bem como alguns líderes mundiais e organizações preocupadas com questões de direitos humanos. Mas o conjunto, obviamente, não está completo: o silêncio de Israel sobre a questão da Síria está se tornando demonstrativo. No entanto, é bastante simples decifrá-lo.

Israel não tem nenhuma razão para nutrir sentimentos amigáveis para com o presidente Assad: o Estado judeu teve muitas vezes que cruzar espadas com os sírios. Porém, o governo israelense não está fazendo nada que possa ser interpretado como apoio aos opositores do atual líder sírio. Israel não está mostrando nenhuma atividade militar na fronteira, seus representantes não estão fazendo declarações sobre a necessidade da demissão de Assad, nem exigências de mudanças democráticas na Síria, e não procuram uma cessação imediata da violência contra a oposição. É muito fácil compreender esta posição, basta só olhar para a situação na Síria com os olhos de Israel.

Sim, Assad é um inimigo, mas é muito melhor ter como inimigo um regime secular previsível, que está longe da ideologia do Islã puro. A vitória dos islamistas vai significar, na Síria multi-religiosa, uma anarquia do tipo da Somália ou o surgimento no mapa mundial de mais um Estado teocrata islâmico com fronteira direta com Israel. Nestas condições, quando no novo Egito já se ouvem afirmações sobre a necessidade de rever os acordos de Camp David, certamente ninguém em Israel vai criar com suas próprias mãos um novo adversário também no nordeste do país.

Mas Israel tão pouco se pode apoiar Assad. Qualquer declaração pública em favor do líder sírio pode ser considerada como uma sentença a Bashar al-Assad. Seus opositores esfregariam as mãos: o que pode ser melhor do que lutar contra um mercenário e cúmplice de Israel?

Por isso, Israel prefere manter o silêncio. E neste silêncio, preparar a retaguarda. Se o regime de Assad cair, a ação mais lógica para Israel será a criação de uma zona tampão, com uma população mista de alawitas, cristãos e drusos, que, com o apoio de Israel, poderá manter a defesa contra a recém-surgida república islâmica.

FONTE: Voz da Rússia

IMAGEM: Haaretz.com

 

Armas do Brasil

País trabalha a favor de um tratado sem mecanismos intrusivos para o comércio de armas

 

Matias Spektor

Negocia-se Nesta semana na ONU um Tratado de Comércio de Armas. É a primeira tentativa de regulação do lucrativo mercado global de armamentos.

O texto ora negociado afeta em cheio os interesses do Brasil emergente. Trata-se de uma área em que campeões da indústria estão em franca via de internacionalização.

Além das gigantescas Embraer e Odebrecht, existe a Taurus, maior fabricante mundial de armas curtas. Exporta para 44 países, detém 20% do mercado de pistolas nos Estados Unidos e espera um lucro bruto para este ano de R$ 150 milhões de reais.

Ainda entram na lista Avibrás (veículos não tripulados e foguetes), Mectron (mísseis), Helibrás (helicópteros) e Companhia Brasileira de Cartuchos (munições). A Condor vende cem produtos de “tecnologias não letais”.

Essas empresas preferem um tratado minimalista. Não querem explicar publicamente suas vendas nem revelar a lista de clientes.

Tampouco enfrentar questionamentos caso suas armas sejam utilizadas para desestabilizar uma região, violar direitos humanos, fomentar o crime transnacional e o terrorismo ou atrapalhar o combate à pobreza. Isso é compreensível -elas querem fazer negócio.

Assim, o governo brasileiro trabalha para deixar o tratado livre de mecanismos intrusivos. Nem precisa fazer força para isso -há muitos países dispostos a fazê-lo em seu lugar. Irã, Síria, Cuba, Venezuela e Paquistão têm a dianteira. A Índia joga no mesmo time; muitas vezes, os Estados Unidos também. Na sexta-feira, estará provavelmente garantido o triunfo total da posição brasileira.

Em Brasília fomenta-se o êxito dessas indústrias, que geram divisas e empregam milhares de pessoas em áreas de alta tecnologia. Daí a lei de março passado, que outorga crédito fácil e isenção de PIS/Pasep, Cofins e IPI.

Ninguém no governo questionou a Avibrás por vender 18 sistemas de “bombas cluster” para a Malásia, a Mectron por seus cem mísseis anti-radar para o Paquistão ou a Condor por sua exportação de gás lacrimogêneo para a Turquia. O tema simplesmente não está na agenda, e todos os incentivos de hoje apontam para mais do mesmo.

Entretanto, há uma pequena ameaça no horizonte. Grandes indústrias de armamento europeias e americanas começaram a ajustar sua posição. Como elas enfrentam controles cada vez mais estreitos para suas exportações, buscam meios de moldar o novo ambiente regulatório em benefício próprio.

Segundo elas, um tratado internacional decente seria bom para quem quer ganhar dinheiro. Criaria um controle de qualidade parecido à ISO, padronização de produtos comandada pelo setor privado que facilita a abertura de mercados.

Também estabeleceria códigos de conduta comuns, algo valioso em mercados cheios de clientes de caráter duvidoso, em que uma venda inapropriada pode ferir o interesse de acionistas e macular a reputação das empresas e de países.

Se essas regras pegarem e nossa indústria continuar apostando contra a transparência, todos perdem. Sobretudo o cidadão brasileiro, que é obrigado a custear um negócio sobre o qual ninguém o consultou.

FONTE: Folha de São Paulo

 

Os equipamentos de defesa produzidos pelas indústrias instaladas no território brasileiro serão mostrados aos representantes das embaixadas como forma de abrir canal para a exportação destes produtos. O chefe do Departamento de Produto de Defesa (Deprod), general Aderico Mattioli, tratou do tema hoje (24) durante a 14ª reunião do comitê dos Chefes dos Estados-Maiores das Forças Armadas Singulares no Ministério da Defesa.

Para isso, o departamento está organizando uma exposição de produtos na Base Aérea de Brasília. De um lado, expoentes da indústria militar, representantes do BNDES e da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos – Apex-Brasil. Na outra ponta, adidos militares das principais representações diplomáticas.

“Queremos mostrar aos adidos militares e aos nossos parceiros de outros ministérios o que está sendo produzido ou desenvolvido no Brasil em termos de equipamentos de defesa”, disse o general Mattioli.

A feira está sendo articulada com a Força Aérea Brasileira (FAB) e faz parte de um pacote de atividades marcado para ocorrer nos dias 17 e 18 de agosto. De acordo com Mattioli, na parte da manhã os participantes terão informações sobre forma de financiamento e o potencial da indústria. À tarde, o local será aberto para visitação.

Defesa cibernética
A defesa cibernética foi o tema seguinte da reunião. O subchefe do Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), coronel Luiz Gonçalves, apresentou a estruturação do Projeto Estratégico de Defesa Cibernética com enfoque às constantes movimentações deste setor. Na reunião, o militar apresentou também os resultados do trabalho durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e o preparo para os grandes eventos que ocorrerão no Brasil até o ano 2016.

“Já iniciamos o nosso planejamento para a Copa das Confederações, que ocorrerá no próximo ano, e nos ajustamos para a Copa do Mundo e Olimpíadas Rio 2016”, disse o militar.

Na reunião, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, indagou se o CDCiber estaria preparado para atuar de modo integrado na proteção das redes durante as competições esportivas. O coronel Gonçalves informou que o centro atuaria no âmbito das Forças Armadas e estaria apto para atuar como coordenador do plano de segurança pública que seria executado pelo Ministério da Justiça.

O funcionamento do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) mereceu destaque no encontro. O diretor-geral substituto Fernando Campagnoli fez relato das atividades do centro gestor e apresentou proposta das principais reivindicações para uma melhor prestação dos serviços.

Coube ao general Carlos Cesar Araújo Lima, da Subchefia de integração Logística (Subilog), apresentar os estudos sobre a alimentação das Forças Armadas. Segundo o general Araújo Lima, o valor do auxílio alimentação se mantém congelado desde 1995. De acordo com o oficial, estudos desenvolvidos ao longo dos últimos anos sugerem o aumento do valor. Na reunião, ficou decidido que o tema voltaria a ser tratado mais adiante e que se buscaria encaminhar a solicitação para a equipe econômica.

O projeto “Rádio Definido por Software” (RDS) foi o último tema da 14ª reunião do comitê. O general Cláudio Duarte de Moraes, chefe do Centro Tecnológico do Exército, proferiu exposição sobre o projeto.

FONTE: Ministério da Defesa