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Os servidores militares das Forças Armadas terão um reajuste salarial de 30%, dividido em três anos, a partir de 1º de março do ano que vem. O aumento será concedido de forma linear e parcelado igualmente ao longo desse período, ou seja, um terço a cada ano.

Os dados foram divulgados na tarde desta quinta-feira pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, durante apresentação do Projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2013, em Brasília (DF).

Na ocasião, anunciou-se também um reajuste padrão de 15,8% a outras categorias de servidores do Poder Executivo, boa parte das quais estiveram com as atividades paralisadas até recentemente. Segundo o Planejamento, 93% das categorias aceitaram a oferta.

A mesma proposta de reajuste – 15,8%, parcelados em três anos – foi oferecida ao Legislativo (Câmara, Senado e Tribunal de Contas da União), Judiciário (magistrados e servidores) e Ministério Público da União (membros e servidores).

As parcelas do reajuste salarial de 30% concedido aos militares serão pagas em março de 2013, 2014 e 2015, sempre no primeiro dia do mês.

FONTE: Ministério da Defesa

 

Por Natalia Kovalenko

A reunião dos líderes dos países do Movimento Não-Alinhado finaliza os seis dias (26-31 de agosto) da cúpula da organização. Representantes de mais de uma centena de países chegaram ao Irã, 36 deles são presidentes, vice-presidentes ou primeiros-ministros.

Uma representação de tal nível já permite Teerã falar sobre o sucesso da cúpula, independentemente de seus resultados, referem os peritos.

O Movimento Não Alinhado é a organização mais importante do mundo, após a ONU, pelo número de membros. Nela participam cerca de 120 países, cerca de uma dúzia de estados têm estatuto de observador. No entanto, atualmente ela não pode ser chamada de influente, acredita a especialista Elena Melkumian.

“O Movimento Não-Alinhado é uma organização que surgiu na época da Guerra Fria, quando era necessário, sem associação a quaisquer blocos militares, conduzir uma linha política independente. É claro que, na altura, os países não conseguiam realizar isso por completo. No entanto, esse movimento foi realmente influente. Mas agora já não há unidade nas suas fileiras.”

No entanto, parece que desta vez o Irã, que está começando sua presidência de três anos da organização, encontrou um novo fator unificador: o destino da Síria liderada por Bashar al-Assad. Por um lado, os países do Golfo se recusaram a participar na cúpula precisamente por causa de divergências com Teerã sobre a questão síria. Ao mesmo tempo, do Egito, pelo contrário, está pronto a esquecer velhas inimizades em prol de Damasco.

O líder egípcio está visitando o Irã pela primeira vez em 30 anos. As relações entre os dois países foram cortadas em 1979, quando o Egito deu asilo ao xá iraniano Mohammad Reza Pahlavi, deposto em sequência da revolução. Desta vez, o presidente egípcio Mohammed Mursi trouxe a Teerã a proposta de formar juntamente com a Turquia, o Irã e a Arábia Saudita um grupo de contato sobre a Síria. Ideias mais específicas são mantidas em segredo, por enquanto.

Sabe-se que o Irã produziu seu próprio plano para resolver a situação. Ele é muito semelhante ao plano do ex-enviado especial da ONU e Liga Árabe, Kofi Annan. A diferença é que os iranianos propõem negociar não com todas as partes em conflito, mas apenas com o atual governo e a oposição interna. O argumento deles é que a oposição externa está longe das reais expectativas do povo sírio e, portanto, não tem direito a voto.

Os participantes da cúpula irão discutir todas estas propostas na presença do secretário-geral da ONU. Sua visita foi mais uma surpresa do evento. Ban Ki-moon decidiu participar na cúpula do Movimento, apesar das objeções dos Estados Unidos, Canadá e Israel. Ele escolheu pessoalmente discutir com os líderes dos países participantes a questão do programa nuclear do Irã, as questões de direitos humanos e outros itens da agenda atual.

FONTE: Voz da Rússia

 

LM, Oshkosh e AM General selecionadas para a próxima fase do JLTV

Os três grupos selecionados para a próxima fase do renascido programa JLTV (Joint Light Tactical Vehicle), cujo propósito é buscar um utilitário leve de emprego tático que substitua parte dos atuais Humvee, receberam contratos para produção de 22 prototipos em até um ano.

O programa passou por um processo de “simplificação” e parte das exigências foram retiradas, refletindo em um custo de aquisição que não ultrapasse US$ 250 mil por unidade (considerando valores de 2011).

Sendo assim os grupos BAE Systems, Navistar e GTV foram eliminados do programa. A AM General, fabricante do atual Humvee, participou de duas maneiras. Como integrante do consórcio GTV (em conjunto com a Geneal Dynamics Land Systems) e independentemente, sendo classificada no segundo caso com uma proposta que não fazia parte da fase inicial do programa.

Depois da fase EMD (Engineerind and Manufacturing Phase), o Pentágono espera dar início ao LRIP (Low Rate Initial Production) e selecionar apenas uma das três propostas.

Este é um dos maiores programas de veículos sobre rodas do planeta, com a provável compra de 50 mil veículos pelo Exército dos EUA, além de outros 5.000 para os Fuzileiros (US Marines).

A AM General compete com o BRV-O (Blast-Resistant Vehicle – Off Road). O modelo da Lockheed Maritm é uma variante mais simples do seu veículo MRAP  (foto acima) e a Oshkosh concorre com o L-ATV, derivado do MRAP M-ATV.

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A Revista Forças de Defesa nº 5,  nº 4 e  nº 3,  poderão ser encontradas nas bancas de jornais parceiras. Segue abaixo a localização:

Rio de Janeiro – RJ

  • Banca do Osny na Rua São José, em frente ao nº 90, perto do Edifício Central no Centro do Rio de Janeiro;
  • Banca Meridien na Av. Princesa Isabel, em frente ao nº 60, Copacabana, Rio de Janeiro;
São Paulo – SP
  • Banca Bruno, Av. Paulista nº 2202, Bela Vista, São Paulo;
  • Look Revistas, Livros e Jornais, Av. São Luis nº 258, sobreloja 27, Centro, São Paulo;

 Salvador - Bahia

  • Banca Horizonte, Rua Amazonas, na praça Belo Horizonte, Pituba, Bahia
  • Banca Cultural, Av. Oceânica, ao Lado do Ondina Apart Hotel e do Speed Lanches, Bahia
  • Banca Shopping Barra, Av. Centenário, Shopping Barra, 1º Piso, Bahia
  • Livraria Aeroporto, no Aeroporto Luis Eduardo Magalhães, Bahia

A compra também poderá ser feita pela internet, pelo Pagseguro ou Paypal, lembrando que pela internet os exemplares da 1ª e 2ª edições esgotaram, somente será possível efetuar a compra da 3ª, 4ª e 5ª edições.

Aproveite para adquirir a 3ª e 4ª Edição enquanto há tempo.

OBS: O Poster comemorativo dos 40 anos do batimento de quilha das primeiras fragatas classe ‘Niterói’ poderá ser adquirido diretamente na Banca Bruno, Agência Look e Banca do Osny a partir da próxima semana.

 

“Embora os processos políticos continuem a evoluir – e nem sempre de forma linear –, a América do Sul é hoje um continente politicamente mais maduro, no qual defesa e democracia se reforçam mutuamente”. Assim, o ministro da Defesa, Celso Amorim, definiu como enxerga, hoje, o momento por que passa a região.

A afirmação foi feita durante aula magna do Curso Avançado de Defesa Sul-americano (CAD-Sul), promovido pela Escola Superior de Guerra (ESG). Com um público que inclui aproximadamente 30 estagiários de países vizinhos, o curso foi inaugurado nesta quarta-feira (29), na Urca, no Rio de Janeiro.

Segundo Amorim, a publicação do Livro Branco de Defesa Nacional, cuja versão preliminar foi entregue no mês passado ao Congresso Nacional brasileiro, é um entre vários exemplos que mostram que há mais transparência e democracia no subcontinente sul-americano.

“Iniciativas como essa, já corriqueiras em nossa região, suscitam o acompanhamento atento e crítico dos assuntos de defesa pela sociedade civil, fator imprescindível para políticas de defesa em sintonia com os interesses nacionais”.

De acordo com o ministro, “essa representatividade é exemplificada, no caso brasileiro, pelo sólido vínculo entre política de defesa e política de desenvolvimento, que orienta nossa Estratégia Nacional de Defesa”.

Curso Avançado

Celso Amorim compareceu ao auditório da ESG para proferir a aula magna inaugural do curso promovido pela ESG. Estagiários da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela presenciaram a exposição.

Sob o título “Por uma identidade sul-americana em matéria de defesa”, o ministro iniciou a palestra ressaltando a importância do curso, que foi incluído no plano de ação para 2012 pelo Conselho de Defesa Sul-americano.

De acordo com ele, a capacitação “dá mais um passo significativo – ao lado de iniciativas como a criação do Centro de Estudos Estratégicos de Defesa – rumo à construção de uma identidade sul-americana em matéria de defesa.”

Nas próximas dez semanas – período de duração do curso – os alunos terão o que Amorim definiu como “uma visão dos contornos dessa identidade, pelo estudo da realidade de defesa sul-americana, pelo contato com autoridades da nossa região e pela visita a algumas das principais organizações brasileiras na área de defesa”.

Ao longo de sua exposição, o ministro fez um relato sobre a importância da relação entre os países do continente sul-americano. “Falar em identidade regional em matéria de defesa é falar na grande maturidade de nossos países ao colocarem suas relações nesta área sabidamente sensível sob o signo da paz e da cooperação”, enfatizou.

Ele lembrou do ano 2000, quando se deu em Brasília a primeira cúpula dos chefes de Estado da América do Sul, oportunidade em que “um período surpreendentemente longo de afastamento começou a ser superado”. Amorim explicou que essa desconexão lançava suas raízes no passado colonial de nossas sociedades, tempos em que os “territórios ligados a uma ou outra metrópole mantinham entre si rivalidades exógenas, depois projetadas sobre a vida independente de nossas nações”.

Além dos estagiários, a palestra foi acompanhada pelo comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, do subcomandante da ESG, vice-almirante Nelson Garrone Palma Velloso, e demais autoridades militares.

FONTE: Ministério da Defesa

NOTA DA EDITORA: Você pode ler na íntegra a palestra do ministro Celso Amorim clicando no link: Por uma identidade sul-americana em matéria de defesa

 

Nova pistola do USMC

O USMC comprou 12 mil pistolas calibre .45 por US$ 1.900 cada. Serão usadas principalmente pelos MARSOC e Force Recon. As forças de operações especiais americanas vem gradativamente substituindo o calibre 9mm pelo .45. O poder de parada é maior assim como o alcance até 50 metros.

A nova pistola é o modelo Colt CQBP (Close Quarter Battle Pistol) e não a velha M1911A1, mas usa a mesma munição. A CQBP tem oito tiros, é feita de material resistente a sal, e aceita trilhos para acessórios.

As tropas americanas operando no Afeganistão e Iraque observaram que estas armas funcionam bem a curta distância. As unidades da SWAT e Comandos de todo o mundo já tiveram a mesma conclusão. A arma funciona bem com tropas bem treinadas no seu emprego. O calibre 9mm foi escolhido na década de 80 para padronizar com outros países da OTAN. As pistolas calibre 9mm são levadas geralmente por oficiais e pessoal de apoio que raramente as usam.

 

Novo fuzil CSASS

O US Army está usando uma versão mais curta do fuzil M110 SASS (Semi-Automatic Sniper System), mostrado na imagem acima, chamado CSASS (Compact Semi-Automatic Sniper System). A arma tem coronha móvel e supressor removível para diminuir o comprimento da arma. As tropas pediram uma arma mais compacta para seus snipers que atuam como parte de unidades de infantaria, o que não é necessário quando são parte de destacamentos especiais de snipers.

O M110 substituiu a maioria dos fuzis M24. O número de snipers aumentou assim como o número de disparos.

 

Nunca antes na história deste País se desenhou
um poster como este!

 

Para celebrar os 40 anos do batimento de quilha das primeiras fragatas classe “Niterói” (Vosper Mk.10), a revista Forças de Defesa uniu-se ao site NGB – Navios de Guerra Brasileiros para a produção de um poster comemorativo.

O artista digital José da Silva, editor do NGB, desenhou os perfis super detalhados das fragatas Niterói e Constituição, representativas das versões originais das fragatas, na configuração da entrada em serviço da última unidade da classe, que ocorreu em 1980.

O poster em quatro cores tem formato de 820 x 550 mm e foi impresso em papel Couchê de 115 g/m2.

Foram preparadas duas versões do poster: standard, que é enviada dobrada em envelope para os assinantes e colaboradores da revista Forças de Defesa e outra edição de colecionador – sem dobra, com cobertura de verniz, que é enviada em tubo postal de papelão protetor, pronta para emoldurar.

Para adquirir o seu poster comemorativo dos 40 anos do início da construção das fragatas classe Niterói – edição de colecionador, clique num dos botões abaixo. Reserve já o seu por apenas R$40,00! O valor já inclui o frete para localidades no Brasil e o tubo protetor.

Para compradores fora do Brasil consultar o valor do frete pelo e-mail revista@fordefesa.com.br.





NOTA DO EDITOR: este é o primeiro de uma série de posters de navios de guerra brasileiros que estão sendo desenhados por José da Silva, editor do site NGB – Navios de Guerra Brasileiros, e que serão publicados pela Aeronaval Comunicação, editora da revista Forças de Defesa. Aguardem novos lançamentos em breve!

Por Rubens Barbosa*

Os EUA promoveram no início de 2012 a mais profunda mudança estratégica na sua política externa e de defesa desde 2002, quando George W. Bush, sob o impacto do atentado de 11 de setembro de 2001, radicalizou a ação americana no exterior. A redução do déficit público, a nova concepção da estratégia militar baseada mais nos avanços tecnológicos e a emergência da China aceleraram a decisão de Barack Obama.

A ação da Casa Branca pode ser vista também como o reconhecimento das grandes transformações por que passa o cenário internacional: a perda da importância relativa da Europa do ponto de vista econômico e de defesa pela ausência de ameaças de segurança, os efeitos da crise econômica sobre as economias americana e europeia e a crescente importância econômica da Ásia.

O governo dos EUA, com as novas diretrizes, procura defender seu interesse, coerente com a Estratégia de Segurança Nacional, de 2002. Numa das passagens mais cruas do unilateralismo então vigente, o documento afirmava que “os EUA serão suficientemente fortes para dissuadir potenciais adversários de buscar um fortalecimento militar, com a expectativa de ultrapassar ou igualar o poder” americano. A Estratégia de Segurança Nacional, atualizada recentemente por Obama, na mesma linha, visa “aqueles que buscam impedir a projeção de poder dos EUA” e reconhece que, “a longo prazo, a emergência da China como uma potência regional poderá afetar a economia e a segurança dos EUA de diversas formas. O crescimento do poderio militar chinês, contudo, deve ser acompanhado de maior clareza quanto às suas intenções estratégicas a fim de evitar a ocorrência de fricções na região”.

A nova política, a ser desdobrada nos próximos anos, aponta para um corte substancial no orçamento de defesa e traz a reorientação estratégica voltada para o futuro. O redesenho das Forças Armadas presume que guerras com grande mobilização de tropas terrestres não voltarão a repetir-se e, em consequência, serão reduzidas, de forma significativa, as ações do Exército e da Infantaria Naval. O tipo de guerra que se desenha para o futuro será determinado por ações secretas, respaldadas por informações da inteligência e por veículos não tripulados (drones), e pela guerra cibernética, como ocorreu no Irã, com ações secretas e a sucessão de mortes de cientistas nucleares que afetaram o programa e as instalações nucleares.

Ao reafirmar o poder global americano, no State of the Union em janeiro – “quem diz que os EUA estão em declínio, não sabe do que está falando” -, Obama responde à percepção de que o poderio da China está aumentando perigosamente e necessita ser contrabalançado pelos EUA. O CSIS, think tank de Washington, por solicitação do Pentágono, recomendou a transferência de forças do Nordeste da Ásia para o Mar do Sul da China, o aumento do número de submarinos na base de Guam e o posicionamento de porta-aviões na Austrália.

As primeiras manifestações dessa mudança estratégica foram o anúncio do estabelecimento de uma base permanente na Austrália, o envio de 2.500 fuzileiros navais para ajudarem a manter a segurança da região, o deslocamento de 60% da força naval para o Pacífico até 2020, a aproximação com Mianmar e a ampliada cooperação naval com a Índia e o Japão. A saída total do Iraque, depois do fracasso militar e da reconstrução, e a redução de efetivos militares na Europa completam as medidas iniciais.

Embora os movimentos populares árabes, a crise Israel-Palestina e o programa nuclear iraniano continuem a manter os EUA envolvidos no Oriente Médio, a nova política prevê o “reequilíbrio voltado para a Ásia-Pacífico e o apoio à Índia, como âncora econômica e um elemento de segurança para toda a região do Oceano Índico”. A estratégia visa a aumentar a presença americana na Ásia e a contrapor o poderio chinês do ponto de vista de defesa, econômico e comercial.

A China, a segunda economia global, amplia seu alcance militar e econômico na região Indo-Pacífica, podendo levar à criação de bloco sinocêntrico, dominando o Pacífico Ocidental. Pelo Mar do Sul da China, declarado de interesse nacional dos EUA, passa um terço do comércio mundial, mais de US$ 5,3 trilhões. A região abriga reservas inexploradas de gás e petróleo e é foco de longas disputas territoriais da China, sobretudo com as Filipinas, o Vietnã e, em especial, Taiwan.

Apesar de a forte reação negativa chinesa ter-se manifestado em declarações públicas do governo de Pequim, os dois países estabeleceram um diálogo estratégico e de defesa de alto nível.

Obama aproveitou a abertura da reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e o encontro de cúpula dos países do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) para divulgar o redesenho da estratégia para a região. Na Apec o presidente americano anunciou a negociação de acordo de livre-comércio entre os países-membros da Parceria Trans-Pacífico (PTP), sem a participação da China, “por não atuar conforme as regras do comércio internacional”.

Há, do ponto de vista de Washington, uma clara rationale para o aumento da presença militar e econômica na Ásia, o que, numa visão de médio e longo prazos, está muito mais de acordo com o interesse nacional americano do que a manutenção das guerras no Oriente Médio.

É prematuro afirmar que os primeiros passos dessa nova estratégia possam levar a uma confrontação entre EUA e China, propiciando o surgimento de algo semelhante à guerra fria, que pôs em campos opostos os EUA e a URSS. O que se pode afirmar, contudo, é que uma nova área de tensão surgiu no já conturbado cenário internacional e que, para os EUA, vai ser mais difícil gerenciar a aliança asiática do que administrar a relação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

* FOI EMBAIXADOR EM WASHINGTON (1999-2000)

FONTE: O Estado de S. Paulo

 

Governo poderá rever vitória da Embraer

As coisas acontecem com muita rapidez na área de defesa. Informa a Embraer que o consórcio Tepro, formado por Savis Tecnologia e Sistemas S/A e OrbiSat Indústria e Aerolevantamento S/A, empresas controladas pela Embraer Defesa e Segurança, foi o único escolhido pelo Exército Brasileiro para a próxima fase do processo de seleção do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron). A etapa seguinte será a negociação do contrato. Isso envolve proteção de quase 17 mil km de fronteiras, com 11 países vizinhos. Acrescenta a Embraer: “A Savis, empresa da Embraer Defesa e Segurança, foi criada de acordo com as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, visando a desenvolver a tecnologia no setor e com possibilidades de exportação”.

Acrescenta que a Embraer atua na área há 40 anos e sua produção inclui aviões militares, tecnologias de radar de última geração, veículos aéreos não tripulados (vant) e sistemas avançados de informação e comunicação, como as aplicações de comando, controle, comunicações, computação e inteligência, vigilância e reconhecimento. Os aviões e as soluções militares da Embraer estão presentes em mais de 50 forças armadas de 48 países. Segundo fontes do setor, a licitação incluiu todas as grandes empreiteiras, que se organizaram, em parceria com gigantes nacionais e do exterior, de olho nos bilhões do Exército.

Analistas independentes destacam que uma das mais tradicionais empresas do setor, a Fundação Atech – que brilhou com o projeto Sivam, de vigilância da Amazônia – passou por mutação. Da tradicional Fundação Atech surgiu, da noite para o dia, a Atech S/A, recebendo, como prêmio, todos os contratos da Fundação Atech com a Aeronáutica sobre controle do tráfego aéreo que estavam em andamento. Em seguida, a Atech S/A foi vendida sem demora à Embraer. No entanto, como foi a Atech que fez o projeto básico para implantação do Sisfron, deveria, pelas leis em vigor, ser proibida de participar das licitações seguintes. A lei é sábia, pois procura impedir que quem fez o projeto básico compita com os demais concorrentes.

A esta coluna, afirma fonte do setor: “A Atech S/A não poderia participar do certame em andamento, nem a Embraer, nem qualquer organização que tenha as pessoas em seus quadros proprietários e dirigentes relacionadas com a empresa que fez o projeto básico do Sisfron”. Daí, a Embraer criou, sem muito alarde, uma nova empresa, a Savis, para competir no Sisfron, em consórcio com a Orbisat, que é a empresa que industrializou um radar desenvolvido pelo Exército. Não se sabe qual a qualificação exata da novata Savis.

Acrescentam técnicos que o grupo Embraer – Orbisat, Savis e Atech – usou para valer o fato de ter feito o projeto básico. Ganhou nota nove na concorrência, enquanto os outros pesos-pesados ficaram abaixo de seis. Por isso, não será surpresa se concorrentes pedirem que ocorra algo parecido com a CBF, que acaba de trocar o diretor de seu departamento de árbitros. Pode ser que, com base na lei de concorrências, a velha 8.666/93, tudo volte atrás.

FONTE: Monitor Mercantil / Colunista  Sergio Barreto Motta

Em palestra em Fortaleza, ex-presidente dos EUA diz que “o mundo todo está de olho” nas ações ambientais do País

 

Na capital cearense para uma palestra de 90 minutos sobre sustentabilidade global para 2 mil pessoas, a convite da Universidade de Fortaleza (Unifor), o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton declarou amor ao Brasil, mas cobrou do País mais ações em defesa do meio ambiente, em especial da Amazônia, e da produção de energia limpa.

“O que o Brasil está fazendo em relação ao meio ambiente, o mundo todo está de olho”, afirmou. Ainda sobre esse tema, Clinton disse que a Floresta Amazônica produz 20% do oxigênio do planeta, mas está sofrendo com a degradação. “Os agricultores de cana-de-açúcar empurram os pecuaristas para a floresta”, disse.

Apesar das cobranças, o ex-presidente americano foi diplomático e fez vários elogios ao Brasil, principalmente à recuperação da economia e à diminuição das desigualdades sociais. “O Brasil foi um dos poucos países que tiveram, na última década, um crescimento robusto e um declínio na desigualdade”, destacou.

Outro tema levantado por ele foi a participação brasileira na reconstrução do Haiti. “O Brasil foi fundamental à sobrevivência do Haiti”, afirmou.

O americano resumiu os problemas do mundo em três categorias: “instabilidade e incertezas; desigualdade; e modelo insustentável pelo clima”. “Um dos grandes problemas do mundo é produzir energia limpa.”

Ele também apontou o terceiro setor como fundamental para resolver os grandes problemas mundiais nas áreas de saúde, educação e meio ambiente. “O terceiro setor estreita os laços onde o governo não chega e onde o privado não atua”, disse, reforçando que esses três setores devem ser fortes para que um país seja desenvolvido.

“Devemos sempre debater duas coisas: o que você vai fazer e quanto você vai gastar para fazer”, afirmou. Segundo o ex-presidente, “não importa quanto dinheiro você tem; o importante é como você vai fazer para mudar a vida das pessoas”.

Clinton não falou sobre as eleições presidenciais americanas deste ano, mas lembrou que, quando presidente (1993-2001), conseguiu “economizar muitas florestas”, o que disse ter sido “nossa maior contribuição”.

Ontem à noite, Clinton faria outra palestra em Belém (PA), no 19.º Congresso Brasileiro de Contabilidade.

FONTE: O Estado De São Paulo

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A desmoralização da política

Marco Antonio Villa

A luta pela democracia marcou o século XX brasileiro. Somente em oito dos cem anos é que não ocorreu nenhum tipo de eleição, de voto popular, para escolher seus representantes. Foi durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945). No regime militar as eleições tiveram relativa regularidade, mas sem a possibilidade de o eleitor escolher o presidente da República e, a partir de 1965, dos governadores e dos prefeitos das capitais e das cidades consideradas de segurança nacional. Nas duas décadas do regime militar (1964-1985), a luta em defesa da eleição direta para o Executivo e da liberdade partidária foram importantes instrumentos de mobilização popular.

Com o estabelecimento pleno das liberdades democráticas, após a promulgação da Constituição de 1988, as eleições passaram a ter uma regularidade de dois anos, entre as eleições municipais e as gerais. Deveria ser uma excelente possibilidade para aprofundar o interesse dos cidadãos pela política, melhorar a qualidade do debate e e abrir caminho para uma gestão mais eficaz nas três esferas do Executivo e, no caso do Legislativo, para uma contínua seleção dos representantes populares.

Para um país que sempre teve um Estado forte e uma sociedade civil muito frágil, a periodicidade das eleições poderia ter aberto o caminho para a formação de uma consciência cidadã, que romperia com este verdadeiro carma nacional marcado pelo autoritarismo, algumas vezes visto até como elemento renovador, reformista, frente à ausência de efetiva participação popular.

Desde 1988, está será a décima terceira eleição consecutiva. Portanto, a cada dois anos temos, entre a escolha dos candidatos e a eleição, cerca de seis meses de campanha. Neste período o noticiário é ocupado pelas articulações políticas, designações de candidatos, alianças partidárias, debates e o horário gratuito de propaganda política. Cartazes são espalhados pelas cidades, carros de som divulgam os candidatos (com os indefectíveis jingles) e é construída uma aparência de participação e interesse populares.

Porém, é inegável que a sucessão das eleições tem levado ao desinteresse e apatia dos cidadãos. A escolha bienal de representantes populares tem se transformado em uma obrigação pesada, desagradável e incômoda. Tudo porque o eleitor está com enfado de um processo postiço, de falsa participação. A legislação partidária permite a criação de dezenas de partidos sem que tenham um efetivo enraizamento na sociedade; são agrupamentos para ganhar dinheiro, vendendo apoio a cada eleição. A ausência de um debate ideológico transformou os partidos e os candidatos em uma coisa só. O excesso de postulantes aos cargos não permite uma efetiva comparação. Há uma banalização do discurso. E o sistema de voto proporcional acaba permitindo o aparecimento dos “candidatos cacarecos”, que empobrecem ainda mais as eleições.

A resposta do eleitor é a completa apatia, com certo grau de morbidez. Vota porque tem de votar. Escolhe o prefeito, como agora, pela simpatia pessoal ou por algo mais prosaico; para vereador, vota em qualquer um, afinal, pensa, todos são iguais e a Câmara Municipal não serve para nada. O mesmo raciocínio é extensivo à esfera estadual e nacional. No fundo, para boa parte dos eleitores, as eleições incomodam, mudam a rotina da televisão, poluem visualmente a cidade com os cartazes e ainda tem de ir votar em um domingo.

Para o político tradicional, este é o melhor dos mundos. Descobriu que a política pode ser uma profissão. E muito rendosa. Repete slogans mecanicamente, pouco sabe dos problemas da sua cidade, estado ou do Brasil, a não ser as frases feitas que são repetidas a cada dois anos. O marqueteiro posa de gênio, de especialista de como ganhar (e lucrar) sem fazer muita força. Hoje é o maior defensor das eleições bienais. Afinal, tem muitos funcionários, tem de pagar os fornecedores, etc, etc. Para ele, a democracia acabou virando um tremendo negócio. E é um devoto entusiástico dos gregos, pois se não fosse eles e sua invenção….

Não é acidental, com a desmoralização da política, que estejamos cercados por medíocres, corruptos e farsantes. O espaço da política virou território perigoso. Perigoso para aqueles que desejam utilizá-lo para discutir os problemas e soluções que infernizam a vida do cidadão.

O político de êxito virou um ator (meio canastrão, é verdade). Representa o papel orquestrado pelo marqueteiro (sempre pautado pelas pesquisas qualitativas). Não pensa, não reflete. Repete mecanicamente o que é ditado pelos seus assessores. Está preocupado com a aparência, com o corte de cabelo, com as roupas e o gestual. Nada nele é verdadeiro. Tudo é produto de uma construção. Ele não é mais ele. Ele é outro. É a persona construída para ganhar a eleição. No limite, nem ele sabe mais quem ele é. Passa a acreditar no que diz, mesmo sabendo que tudo aquilo não passa de um discurso vazio, falso. Fica tão encantado com o personagem que esquece quem ele é (ou era, melhor dizendo).

Difícil crer que toda a heroica luta pelo estabelecimento da democracia, do regime das plenas liberdades, fosse redundar neste beco sem saída. Um bom desafio para os pesquisadores seria o de buscar as explicações que levaram a este cenário desolador, em que os derrotados da velha ordem ditatorial se transformaram em vencedores na nova ordem democrática. Enfim, a política perdeu sentido. Virou até reduto de dançarinos.

Tem para todos os gostos, até para os que adornam a cabeça com guardanapo.

FONTE: O Globo

 

As armas americanas batem recordes em volume de exportações. Segundo os dados do Serviço de Investigação do Congresso dos EUA, os americanos venderam em armas no ano passado em mais de 66 bilhões de dólares, ocupando 75% do mercado mundial. Ao mesmo tempo, o volume de vendas de armas americanas triplicou num ano.

Os Estados Unidos dispõem das mais sofisticadas tecnologias, investindo meios colossais na produção de armamentos e, graças a isso, as suas armas ultrapassam em muitos aspetos a produção análoga de outros países. Mas a venda de armas diz respeito em primeiro lugar à política que condiciona uma grande popularidade da indústria militar americana, diz o politólogo Vladimir Evseev:

“Há inúmeros países que produzem armas de qualidade. Israel, por exemplo, fabrica armamentos muito qualitativos. Mas é evidente que as potencialidades de Israel e dos Estados Unidos são incomparáveis. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos recorrem frequentemente aos elementos de pressão política, como, por exemplo, no caso da licitação da venda de helicópteros à Turquia. A decisão de comprar umas ou outras armas é uma grande decisão política”.

Aproveitando habilmente a situação no mundo, os americanos resolvem problemas da sua própria economia e alteram o equilíbrio das forças militares em diferentes pontos do mundo, continua Vladimir Evseev:

“Atualmente, os Estados Unidos alargam suas exportações, aproveitando a situação em que vários Estados se sentem fortemente preocupados com a segurança, ligada ao programa nuclear do Irã. Assim, monarcas da Arábia decidiram aumentar consideravelmente as compras de armamentos americanos, em primeiro lugar de meios de defesa antimíssil”.

Só a Arábia Saudita comprou armas no ano passado num montante de 33 bilhões de dólares. São também grandes importadores de armamentos americano os Emiratos Árabes, o Omã e o Qatar.

Quanto às vendas de armas russas, um relatório ao Congresso dos EUA diz que o seu volume em 2011 constituiu cerca de cinco bilhões de dólares. Este montante é subestidado consideravelmente, comunicou em entrevista à Voz da Rússia o perito militar Igor Korotchenko:

“Os dados referidos pelo Serviço de Investigação do Congresso não refletem a situação real. A Rússia ocupa a segunda posição, vendendo anualmente armas no volume de cerca de 14 bilhões de dólares”.

Como destacam os peritos, as armas russas têm os seus consumidores que apreciam em primeiro lugar a correlação entre a eficiência, a qualidade e o preço.

FONTE: Voz da Rússia

 

Na semana passada, o jornal norte-americano Los Angeles Times informou que o Pentágono pretende destruir as armas químicas da Síria. O plano, que espera somente o aval da Casa Branca, prevê uma série de pequenas operações terrestres realizadas secretamente por pequenos grupos de soldados treinados. Ainda segundo o veículo, “ataques aéreos pontuais” poderão também ser usados para destruir os arsenais sírios por completo.

Uma fonte dos serviços secretos norte-americanos, também citada pelo jornal, declarou que a Síria possui gases neuro-paralisantes, bem como depósitos de gás VX, perto das cidades de Aleppo, Hama, Homs e Latakia.

A pedido do jornal russo Vzgliad, o cientista político e especialista em assuntos árabes do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia, Boris Dolgov, comentou sobre os planos do Pentágono e a probabilidade de o governo sírio usar armas químicas.

Vzgliad: De acordo com o Pentágono, os americanos planejam efetuar ataques aéreos contra os arsenais sírios. Quais seriam as consequências desse ato?

Boris Dolgov: Um ataque aéreo contra um país soberano como a Síria pode ter consequências muito graves. Mesmo assim, neste caso, um golpe aéreo deve envolver não só um ataque contra os arsenais de armas químicas, mas também a destruição do sistema de defesa antiaérea, pois tais instalações são normalmente bem protegidas. Em outras palavras, isso significaria uma intervenção militar.

Falando especificamente sobre as consequências, os primeiros a morrer seriam os soldados encarregados de guardar os arsenais de armas químicas. As consequências seriam imprevisíveis. As armas químicas iriam se espalhar e representar perigo para o meio ambiente, para a população e para a região em geral. De qualquer modo, não acho que a Casa Branca se atreva a tomar tal iniciativa durante a campanha eleitoral para a presidência do país.

Vzgliad: Os EUA estão preocupados em evitar que as armas químicas caiam nas mãos dos terroristas da rede Al-Qaeda, por exemplo. Os grupos de terroristas seriam capazes de tomar as munições químicas e transportá-las a grandes distâncias ou isso só pode ser feito por um exército regular?

B.D.: Os Estados Unidos têm assumido uma política curiosa em relação ao islamismo radical. Por um lado, lutam contra essa corrente no Afeganistão e no Iêmen, mas, por outro, apoiam um movimento semelhante na Líbia e na Síria. Portanto, a tese de que os EUA estão preocupados em evitar que as armas químicas sírias caiam nas mãos da Al-Qaeda é ambígua.

Mas, voltando à sua pergunta, isso é possível. Alguns componentes de armas químicas podem ser transportados não só pelas unidades de um exército regular, mas também por grupos terroristas.

Vzgliad: Qual o sentido de a Síria usar armas químicas em caso de intervenção da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte)?

B.D.: Os líderes sírios ameaçam usar armas químicas como uma pressão psicológica sobre aqueles que desejam lançar uma operação militar contra o país. Ainda assim, não acho a Síria ousaria a usar tais armas, mesmo no caso de invasão militar.

Vzgliad: Os militares dos países da Otan, em particular da Turquia, estão prontos para repelir ataques químicos?

B.D.: Todos os países da Otan possuem tropas de proteção química bastante desenvolvidas. A Rússia não é exceção, embora as armas químicas não tenham sido usadas desde a Primeira Guerra Mundial, exceto no Iraque.

FONTE: Gazeta Russa

 

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A repercussão positiva da atuação do Exército na Pacificação dos complexos do Alemão e da Penha e no Haiti e a futura atuação em grandes eventos no País estão levando a Força a ampliar o treinamento da tropa para operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e de combate urbano.

Nessas situações, segundo a Constituição Federal, os militares assumem a coordenação da segurança pública, como no caso de eleições, greves de polícias militares, mediante pedido dos governadores, reconhecendo não ter os meios suficientes para garantir a segurança. O Exército se prepara para atuar em grandes eventos, como a Copa das Confederações, a Copa do Mundo-2014 e as Olimpíadas-2016, sob a perspectiva da Garantia da Lei e da Ordem.

O iG acompanhou por dois dias um treinamento com cerca de 40 tenentes e sargentos do Exército do Comando Militar do Sudeste (CMSE), no Centro de Instrução de Operações de Garantia da Lei e da Ordem (CIOpGLO), em Campinas.

Outro foco de ação, mais moderno e recente, é o de treinamento para operações de combate urbano. Há cada vez mais uma tendência de os conflitos ao redor do mundo acabarem em uma cidade, em meio à população, a chamada “guerra no meio do povo”, como visto no Afeganistão e no Iraque.

Após experiências bem-sucedidas internas, como no Alemão, e da Força de Paz no Haiti, o Exército já não está mais tão reticente em protagonizar as ações de GLO em solo nacional, uma vez superado o desconforto dos militares que muitas vezes não se sentiam respaldados juridicamente para atuar assim.

Hoje em dia, essa atuação já é vista como prestigiosa, como forma de manter a tropa adestrada e até de levantar recursos para aparelhar a Força – embora o tipo de armamento de guerra de que o Exército mais carece seja o de guerra e não o leve, usado nessas circunstâncias.

Assim, desde o ano passado, a Força tem feito muitas grandes operações e treinamentos do gênero pelo País.

De olho nos grandes eventos, recentemente tropas do Comando Militar do Sudeste montaram a operação “Escudo Sagrado”, em Aparecida do Norte-SP, onde fizeram a segurança da Basílica de Nossa Senhora de Aparecida, como treinamento para a Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no ano que vem, no Rio. São as chamadas “ações de não-guerra”.
A experiência no terreno levou o Exército a perceber que, por vezes, ações de GLO acabam se transformando, na prática, em combate urbano, “no meio do povo”. Portanto é preciso especializar a tropa para essa situação, em treinamento distinto daquele de GLO.

Um caso simbólico foi a Operação Arcanjo 6, no Alemão e na Penha. Em janeiro de 2012, a tropa justamente da Brigada de Campinas chegou ao Rio mais pronta para atuar em GLO do que em uma operação de combate urbano.

A realidade se impôs e acabou por tornar mais frequente a atuação dos soldados nesse tipo de operação de conflito, com traficantes remanescentes no local.

“O Alemão é um exemplo de situação em que entramos prontos para GLO e mudamos para combate em ambiente urbano”, conta o tenente-coronel Fernando Fantazzini, chefe da Comunicação Social da 11ª Brigada de Infantaria Leve, sediada em Campinas-SP.

É o chamado “Combate de 4ª dimensão”, que inclui as operações de GLO, de informação (com comunicação social, internet, mídias sociais), para aumentar o poder de combate.

Centro de Instrução de GLO treina tropas também para combate urbano

O CI Op GLO, na 11ª Brigada de Infantaria Leve, em Campinas-SP, é responsável por treinar os militares do Exército para esse tipo de atuação. A reportagem acompanhou um treinamento de combate urbano.

“Aqui se forma todo o tipo de tropa para o emprego no Brasil e em missões de paz. Está chamando a atenção dos estrangeiros. Eles nos perguntam como conseguimos operar no Haiti e no Alemão e ter tanta aceitação da população”, explica o tenente-coronel Vladimir Schubert, comandante do 28º Batalhão de Infantaria Leve.

Segundo ele, este ano, a Brigada já recebeu quatro visitas de representações dos Estados Unidos, entre elas a do general Simeon Trombitas, comandante do comando Sul do Exército daquele país, semana passada.

Na GLO, há uma preocupação grande com o efeito colateral – ou seja, o ferimento ou morte de inocentes. O primeiro princípio da Operação Arcanjo 6, nos Complexos do Alemão e da Penha, era “proteger a população”. O comandante da operação era o general-de-brigada Tomás Miguel Miné Paiva, comandante da 11ª Brigada de Infantaria Leve, onde fica o centro.

A todo momento, os instrutores destacam a diferença entre as operações de combate urbano (em teoria, uma guerra) e as de Garantia da Lei e da Ordem, quando as regras de engajamento e força proporcional são mais cautelosas.

Seguindo a tendência moderna, o centro tem se especializado cada vez mais em operações militares em ambiente urbano, além de GLO.

Nesse curso (estágio, na denominação militar), os militares aprendem a atirar com luneta de sniper (caçador, ou atirador de precisão), a fazer invasão tática de ambientes confinados, a atirar sob estresse (em uma simulação de tiroteio), entre outras atividades.

Tiro sob estresse tem bomba e berros no ouvido

Simulando um combate em cidade, os disparos são feitos a distâncias que variam de 50 a 100 metros, tamanho médio de um quarteirão urbano. No “tiro sob estresse”, os “estagiários” percorrem armados um circuito em que correm, fazem abdominais e flexões e memorizam objetos, antes de começarem a atirar de fuzil, sob gritos e apitos incessantes do instrutor e granadas de efeito moral.

“Vai, vai, corre! Atira! Atiiiiiiraaaaaa! Está esperando o quê? Você está levando tiro!”, berra o instrutor. “Vai morrer! Vai morrer! Tá levando tiro, atira!”

Na aula sobre invasão tática de ambiente com reféns, por exemplo, o militar aprende a lançar primeiro uma granada de luz e som, com o objetivo de atordoar os criminosos e provocar distração.

“Pisa, olha pela porta, identifica a ameaça e lança a granada no ponto cego”, explica o tenente instrutor.

“Tem que entrar os três caras juntos (na casa) senão vira tiro ao pato! Se o segundo amarelar, o cara fica no “sanhaço” (situação difícil)! Vira Fallujah (referência à cidade no Iraque com forte resistência local, onde ocorreram combates intensos durante a guerra)!”, ensina o sargento instrutor.

FONTE: Último Segundo – iG

NOTA DA EDITORA: Seguem os links dos dois videos que acompanham a matéria do iG, documentanto o treinamento do Centro de Instrução de Operações de Garantia da Lei e da Ordem:

 

Os exércitos dos países mais desenvolvidos do mundo, inclusive a Rússia, vêm reduzindo suas frotas de tanques de guerra, substituindo-os por veículos blindados sobre rodas.

Nos últimos dois anos, engenheiros e projetistas da Voênno-Promichlennai Kompânia (Empresa de Equipamentos Militares) criaram três máquinas do gênero.

A pedido da revista Expert, o diretor-geral da companhia, Dmítri Gálkin, falou sobre novos projetos, potencial de exportação e concorrência com os principais fabricantes mundiais.

Expert: Sua empresa pode construir um veículo blindado que esteja em plena conformidade com os mais rigorosos padrões da MRAP – Mine Resistant Ambush Protected (Blindado Resistente a Minas e Ciladas, em tradução livre)?

Dmítri Gálkin: Hoje, talvez somos a única empresa da Rússia a possuir um conjunto completo de conhecimentos tecnológicos no domínio de veículos blindados leves sobre rodas. Temos parceria com muitas empresas na Rússia e no exterior, sobretudo europeias e israelenses, por meio de contratos para o desenvolvimento conjunto de componentes, sistemas e subsistemas de veículos blindados, fora os contratos para entrega de produtos prontos.

Os militares precisam de um material de guerra moderno de classe mundial. Mas não devemos nos limitar a uma simples compra de veículos prontos do Ocidente. Isso não aumentará nosso potencial defensivo nem nos ajudará a desenvolver nossa indústria bélica. Portanto, optamos por trabalhar em conjunto com os estrangeiros, para adquirir tecnologias e conhecimentos de engenharia, bem como desenvolver nossa produção.

Acreditamos que essa forma de cooperação é mais eficaz. Essa opinião não é só minha, mas de todos os profissionais da indústria de guerra nacional, e é apoiada pelo governo.

Expert: Vocês já têm algum veículo pronto?

D.G.: Sim, o Medved (urso, em português), que não possui similares na Rússia. Ele foi fabricado a pedido do Ministério do Interior e é capaz de resistir à explosão de uma mina anticarro. Também tem proteção contra balas B-32 de espingarda SVD.

No futuro, planejamos dotá-lo de proteção contra as balas perfurantes de metralhadora de 12,7 mm e de outras armas de fogo de grosso calibre. Esse novo veículo estará completamente de acordo com os padrões MRAP. Mas o Medved é um carro de outra categoria, é mais pesado que o Tiger, possuindo em seu interior 11 metros cúbicos de espaço, suficiente para alojar um grupo de combate ou um posto de comando ou um terminal de comunicações e assim por diante.

Com tudo isso, o Medved, contrariamente ao veículo blindado de transporte de pessoal (VBTP), pode andar nas estradas comuns destinadas ao trânsito rodoviário.

Expert: Quais são as expectativas de vendas para essa máquina?

D.G.: Acho que a proporção entre as vendas externas e internas desse veículo será de 50 para 50. Nossos principais clientes serão o Cazaquistão, Azerbaijão e Uzbequistão. Esses países têm dinheiro e já compram nossos veículos em quantidades maiores do que as estruturas de segurança e defesa russas. Teremos, sem dúvida, clientes na África e no Oriente Médio. A América Latina também tem mostrado ultimamente grande interesse por nossos produtos.

Expert: A empresa também está desenvolvendo novos projetos para veículos de guerra?

D.G.: Estamos realizando trabalhos de pesquisa e desenvolvimento no âmbito do projeto Bumerangue para o Ministério da Defesa. Mas não posso divulgar as especificações técnicas da nova plataforma. Posso dizer apenas que servirá de base para a construção de veículos de combate e apoio completamente novos que terão a mesma fórmula de rodas do VBTP antigo, ou seja, 8×8.

Nossa ideia é fazer com que todos os veículos, sejam de combate, de apoio de fogo ou técnico, reconhecimento ou apoio logístico etc, utilizem uma mesma plataforma.

Posso dizer que o novo veículo irá substituir todos os VBTP e os veículos blindados que utilizam sua plataforma, inclusive os VBTP-80 e VBTP-82. Os dois primeiros veículos novos devem estar prontos já em 2013.

FONTE: Gazeta Russa

VIDEO: Worldwide Defense

 
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