A necessidade de intensificar a fiscalização do comércio de produtos explosivos transformou-se num dos principais focos da Operação Ágata 5, deflagrada na manhã desta segunda-feira, pelo Ministério da Defesa (MD), na fronteira com Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia. O setor de inteligência do Exército Brasileiro identificou, pelo menos, seis locais que podem estar fornecendo o material para quadrilhas que roubam caixas eletrônicos na região Sul do país.

Ação decorrente do Plano Estratégico de Fronteiras (PEF), lançado em junho de 2011 pela presidenta Dilma Rousseff, a Operação Ágata acontece sob a coordenação do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), com participação efetiva da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, oito ministérios e 20 agências reguladoras e entidades federais, estaduais e municipais.

Cerca de 10 mil militares e civis estão atuando na repressão e fiscalização de crimes transfronteiriços, numa área de quase 3,9 mil quilômetros, que abrange desde o Chuí – no extremo sul do país – até o distrito de Acorizal, município de Corumbá (MS).

Na próxima quarta-feira (08), o ministro da Defesa, Celso Amorim, visita diferentes pontos da região coberta pela Ágata, para acompanhar o desenrolar das atividades militares. Além da questão dos produtos explosivos, as Forças Armadas atuam no bloqueio de rodovias, patrulhamento de rios e riachos e vistorias de aeródromos. O objetivo é reduzir a incidência de tráfico de drogas e de armas, contrabando de animais e de produtos importados dos países vizinhos, entre outros delitos.

Ágata 5

A quinta edição da Operação Ágata retoma a série de ações de caráter pontual que as Forças Armadas têm empreendido ao longo dos 16.880 quilômetros de fronteira com os 10 países sul-americanos. Iniciado em junho, o planejamento da operação militar exigiu uma série de reuniões para detalhar os locais que contarão com a fiscalização mais efetiva. Por isso, o MD, sob a liderança do EMCFA, optou pelo patrulhamento na região de fronteira dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.

O plano envolve a coordenação das Forças Armadas em dois setores: Comando Militar do Sul (CMS), com sede em Porto Alegre (RS), e Comando Militar do Oeste (CMO), sediado em Campo Grande (MS). Unidades da Marinha (Distrito Naval) e da Força Aérea (Comando Aéreo Regional) também estão envolvidas nas ações.

Participam também da operação: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Receita Federal, Instituto Chico Mendes (ICMBio), Agência Nacional de aviação Civil (Anac), Agência Nacional do Petróleo (ANP) e entidades e organismos dos quatro estados da federação.

Fronteira com o Uruguai

A mobilização das tropas e dos agentes públicos teve início nas primeiras horas desta segunda-feira. Em Bagé (RS), município situado a 386 quilômetros da capital Porto Alegre, o movimento militar aconteceu no pátio do 3º Regimento de Cavalaria Mecanizado. Lá, cerca de 230 soldados e oficiais se preparavam para o deslocamento até o município de Aceguá, na divisa com o Uruguai.

O comandante do Regimento, tenente-coronel Claudio Pellegrini Louzada, explicou que, por se tratar de uma fronteira seca – onde não existem rios ou riachos –, o trabalho de fiscalização fica concentrado nas rodovias. Com isso, os militares foram mobilizados para a BR-153, perto de Nova Colônia, distante 67 quilômetros de Bagé.

O QG foi montado no cruzamento da rodovia que dá acesso ao distrito de Nova Colônia, numa antiga igreja próxima à Escola Municipal de Ensino Fundamental Francisco de Paula Pereira. Naquela região, as tropas se empenharam na abordagem de motoristas, com explicações sobre o trabalho de fiscalização, como forma de coibir práticas criminosas na região.

O tenente-coronel Louzada disse que os integrantes do Regimento atuaram recentemente na força de pacificação dos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, e na missão de paz da ONU no Haiti. “Embora não tenhamos estatísticas que apontem o aumento da incidência de crimes aqui na região de Bagé, achamos prudente a mobilização das forças para coibir essas práticas criminosas”, contou.

O Regimento deslocado para Aceguá é parte do efetivo mobilizado pela 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada. O comandante da Brigada, general Joarez Alves Pereira Junior, explicou que o aparato militar conta com a participação de cinco unidades militares da região, totalizando um efetivo de 1.150 homens e mulheres.

“A nossa região, quando comparada com outras faixas de fronteira, é mais amena. Aqui temos registros de ilícitos menores, como comércio de agrotóxicos ou roubo de animais. Já o tráfico de droga é de menor expressão”, disse o general Joarez.

Além do combate aos crimes na área de fronteira, as Forças Armadas, com o apoio de organismos dos governos federal, estaduais e municipais, vão desenvolver ações cívico-sociais. Conhecidas como Aciso, elas abrangem a atuação de médicos e profissionais de saúde dedicados ao atendimento de populações carentes. Nessa edição da Ágata, o Ministério da Saúde participa de forma mais ativa, inclusive com o fornecimento de medicamentos aos moradores das cidades vizinhas.

A Operação Ágata 5 deve ser concluída na segunda quinzena de agosto, com a desmobilização dos setores envolvidos na fiscalização. Em seguida, conforme o Plano Estratégico de Fronteiras (PEF), o Ministério da Justiça entra com a Operação Sentinela, que também tem por finalidade seguir no combate aos crimes nas fronteiras dos países sul-americanos.

FONTE: Ministério da Defesa

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A Polônia precisa ter seu próprios escudo antimísseis, e o acordo com os Estados Unidos para estabelecer um sistema de defesa contra mísseis balísticos em território polonês foi “um erro”. Essas foram declarações do presidente polonês, Bronislaw Komorowski em entrevista para a revista Woprost, publicada no último sábado (04).

“Nós precisamos ter esse elemento [sistemas antimísseis] na defesa da Polônia. Gastar tanto em apatos militares na verdade é inútil se esses aparatos não estão protegidos contra… ataques aéreos e de mísseis”, disse Komorowski, acrescentando que o um escudo polonês tem que ser parte do sistema de defesa já existente na Europa.

O presidente também afirmou que o acordo para a montagem de de um sistema contra mísseis balísticos estadunidense em solo polonês, posteriormente descartado pelo presidente americano, Barak Obama, foi “um erro político” que não deverá se repetir no futuro.

“Nosso erro foi foi que, enquanto aceitávamos a proposta dos Estados Unidos, não levamos em conta os riscos políticos relacionados À mudança do presidente deles. Nós pagamos um preço político alto demais por isso”, disse Komorowski à revista.

Os Estados Unidos descartaram em setembro de 2010 os planos de um sistema antimísseis balísticos na República Checa e na Polônia. A Rússia  recebeu bem a decisão, e o então presidente, Dimitri Medvedev, declarou que o país cancelaria os planos de enviar mísseis táticos Iskander-M para a região de Kaliningrado, que faz fronteira com a Polônia e a Lituânia, ambas membros da OTAN. Porém, no ano passado a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou os planos de Washington para montar um sistema da nova geração para interceptores de defesa antimísseis na Polônia em 2018.

FONTE: Ria Novosti

 

Blindados no Haiti

Ricardo Vélez Rodríguez

Coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas “Paulino Soares de Sousa”, da UFJF.

Rive2001@gmail.com

 

A obra de Expedito Carlos Stephani Bastos intitulada: Blindados no Haiti – Minustah, uma experiência real (prefácio de Eduardo Magrone, Juiz de Fora: UFJF/Defesa, 2012, 106 páginas) constitui mais uma valiosa contribuição deste autor aos estudos estratégicos, aos quais se dedica, há várias décadas, no âmbito da tecnologia militar brasileira e internacional. Trata-se, pela amplitude e a novidade das informações contidas, pela exatidão dos dados técnicos apresentados, pela qualidade editorial, bem como pelas imagens que enriquecem o conteúdo, todas pertencentes ao arquivo do autor , de obra de leitura obrigatória para os interessados em assuntos estratégicos. O livro em apreço constitui, certamente, o melhor manual de blindados no Haiti hoje existente. A pesquisa que deu ensejo ao livro incluiu uma visita do autor ao Haiti em junho de 2008, a convite do Ministério da Defesa do Brasil.

Formado em eletrotécnica e eletrônica e bacharel em Direito, o autor é membro do conselho de curadores na área de blindados e veículos militares do Museu Militar Conde de Linhares (no Rio de Janeiro), bem como integrante honorário do corpo docente do Centro de Instrução de Blindados General Walter Pires (em Santa Maria, Rio Grande do Sul). Foi professor visitante de História Militar na Academia da Força Aérea de Pirassununga, São Paulo (1991-1993). Em 2003 foi condecorado com a Medalha Legião do Mérito do Engenheiro Militar no grau de Alta Distinção, pela Academia Brasileira de Engenharia Militar (São Paulo). Expedito Bastos é responsável pelo portal UFJF/Defesa (www.ecsbdefesa.com.br), que trata de história militar, defesa, estratégia, inteligência e tecnologia. É membro fundador do Centro de Pesquisas Estratégicas “Paulino Soares de Sousa”, da Universidade Federal de Juiz de Fora, onde coordena a área de tecnologia militar. No campo editorial, Expedito Bastos é autor de inúmeros artigos publicados no Brasil e no exterior (Portugal, Espanha, Itália, Alemanha), sendo, atualmente, membro do conselho científico das revistas espanholas Asteriskos e Strategic Evaluation, bem como correspondente da revista alemã Tecnologia Militar, publicada no Brasil pelo grupo editorial Mönch. A obra que ora comentamos insere-se no conjunto de outras publicações do autor sobre história da tecnologia militar brasileira, com os livros intitulados: Blindados no Brasil: um longo e árduo aprendizado (2 volumes, Bauru: Taller Comunicação; Juiz de Fora: UFJF Defesa, 2011) e Renault FT-17, o primeiro carro de combate do Exército brasileiro (Bauru: Taller Comunicação; Juiz de Fora: UFJF Defesa, 2011).

O livro Blindados no Haiti – Minustah, uma experiência real, consta de uma Introdução, dois capítulos (“Blindados” e “Lições do Haiti”) e uma Conclusão (dividida em duas partes: “Hora de retirar as tropas” e “Depois do terremoto”).

Na Introdução, o autor faz uma rápida síntese da história política do Haiti, se detendo nos aspectos estratégicos que acompanharam o surgimento desse país independente, no início do século XIX. A seguir, descreve as tropas e os equipamentos do efetivo internacional das Nações Unidas no Haiti até o final de 2011, que totalizava 8.520 homens provenientes dos seguintes países: Argentina, Benin, Bolívia, Brasil, Canadá, Chade, Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Portugal, Turquia e Uruguai. A estes elementos militares somavam-se, no período analisado, elementos civis e policiais originários dos seguintes países: Argentina, Bunin, Burkina Fasso, Camarões, Canadá, Chade, Chile, China, Colômbia, Egito, El Salvador, Espanha, Estados Unidos, França, Granada, Guiné, Iêmen, Jordânia, Nepal, Níger, Nigéria, Paquistão, Romênia, Federação Russa, Ruanda, Senegal, Serra Leoa, Togo, Turquia, Uruguai e Vanuatu.

O Brasil, que está no comando das operações militares da MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti) desde 2004, enviou para esse país dezesseis contingentes, sendo que, após o terremoto de 2010, a força se elevou para um total de 2.165 homens divididos em dois batalhões. O autor destaca que a liderança militar do Brasil no Haiti soma-se a outras iniciativas de colaboração em missões de paz da ONU nesse país, ocorridas entre 1994 e 2000 (Missão das Nações Unidas no Haiti, Missão das Nações Unidas de Suporte ao Haiti, Missão de Transição das Nações Unidas e Missão da Polícia Civil das Nações Unidas).

Como pontos positivos da participação militar brasileira na MINUSTAH, o autor aponta os seguintes: preparo individual, treinamento e avaliação dos líderes de frações constituídas, apoio logístico, teste efetivo do material, avaliação da instrução, aperfeiçoamento da doutrina, experiência de missão de paz, importância do estudo de idiomas, emprego de veículos e blindados em áreas urbanas, controle de distúrbios em áreas densamente povoadas e emprego de munição não letal.

Do ângulo estratégico, o autor assinala, como elemento altamente positivo, a integração entre os diversos corpos armados como força policial, ao ensejo da MINUSTAH. Esse fato, projetado sobre a situação de insegurança das nossas grandes áreas urbanas, tem um aspecto positivo, que é ressaltado pelo autor da seguinte forma: “Na prática, estamos realizando o papel de polícia com uma força de paz, o que sempre se evitou fazer no Brasil para enfrentar os grandes problemas de nossas gigantescas cidades. A experiência é válida. Ajudou a compreender o emprego, a utilização e a importância na produção de diversos itens, desde munições não letais até modificações em carros blindados para emprego em área urbana. Se bem absorvida e gerenciada, ela pode nos dar ampla visão para o futuro, considerando que a situação em nossas grandes cidades se agrava devido à ampliação do chamado crime organizado e do combate aos narcotraficantes. E pode ser de grande valia também em áreas de fronteira, onde a função policial é de capital importância” (p. 18).

O autor lembra que a cidade do Rio de Janeiro viveu a experiência de uma intervenção militar e policial conjunta, ao ensejo da tomada, pelas forças da Marinha e do Exército, e por policiais, do Complexo do Alemão, em 25 de novembro de 2010. Esse fato, considera Expedito Bastos, “será lembrado como um marco histórico importante para as operações de blindados no país em área urbana, pelos recentes acontecimentos de uma verdadeira guerra civil, que há tempos vem assolando, principalmente a cidade do Rio de Janeiro (…). O marco histórico tende a ser maior em razão, de mais uma vez, a Marinha do Brasil, através do seu Corpo de Fuzileiros Navais, inovar ao ceder seus blindados; meios de comunicação e outros equipamentos para as Forças de Segurança Pública daquele Estado, entendendo que operações conjuntas sob comando de forças policiais (…) são possíveis de serem executadas sem que tragam qualquer desgaste para as Forças Armadas e sem comprometer sua cadeia de comando” (p. 18)

De forma inédita na história da segurança pública no Brasil, no episódio apontado no Rio de Janeiro houve real integração entre forças policiais e militares, sob comando civil. A respeito, frisa o autor: “O marco histórico é que pela primeira vez, efetivamente, os serviços de inteligência da Polícia Federal, da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha Brasileira conseguiram conversar entre si, numa importante troca de informações e experiências que alicerçaram toda a operação, a qual num primeiro momento foi um sucesso, mas que precisa ter uma continuidade tão logo encerrem as atividades militares e o Estado possa, de vez, trazer estas áreas como parte integrante das demais na cidade, mostrando que somente ele é quem detém o controle e segurança que tanto almeja aquela população, já há tempos esquecida” (p. 19).

À luz da experiência obtida na MINUSTAH, o autor considera que ficou clara a necessidade de reformar as viaturas blindadas de transporte de pessoal VBTP EE-II Urutu, utilizadas pelas tropas brasileiras no Haiti. Expedito Bastos acha que os mencionados veículos apresentaram algumas deficiências a serem corrigidas nas próximas versões da nova família de blindados médios sobre rodas. Levando-se em consideração as necessidades do emprego em áreas urbanas, essas deficiências estão sendo equacionadas “com o apoio de empresas e do próprio Exército” (p. 21). As deficiências mais importantes do EE-II Urutu dizem relação aos seguintes itens: quatro escotilhas de guarnição, escotilha do comandante, periscópios e blocos de visada do veículo, ergonomia, comunicações e metralhadora sobre o veículo.

No primeiro capítulo intitulado: “Blindados”, o autor analisa os vários tipos de veículos blindados em operação no Haiti. Divide a exposição em quatro itens: a – veículos 4X4, b – veículos 6X6, c – veículos 8X8 e d – o levante de abril de 2008.

No que tange ao item a (veículos 4X4), o autor frisa que esse tipo de blindado é utilizado pelas forças militares e/ou policiais da Argentina, Bolívia, China, Espanha, Nepal, Paquistão, Peru, Senegal e Uruguai. Considera que “o 4X4 deveria ter sido o veículo padrão” para o teatro haitiano “devido às suas pequenas dimensões e grande mobilidade”, além de não existir, ali, resistência muito forte ou com armamento moderno. “No caso dos equipamentos brasileiros que foram enviados – frisa – notou-se a falta de um veículo desse porte; com isso, fomos obrigados a improvisar blindagens adicionais para os veículos Land Rover” (p. 25). No trabalho de adaptação deste tipo de viatura para as condições da missão de paz no Haiti, é destacado o importante papel desempenhado pelo Arsenal de Guerra de São Paulo que, em parceria com a empresa Centigon Blindagens do Brasil produziu o kit de blindagem.

No item b (veículos 6X6), o autor destaca que os seguintes países utilizam esse blindado no cenário haitiano: Brasil, Bolívia, Chile, China, Jordânia e Peru. A maior parte dos veículos em uso é classificada como VBTP (Veículos Blindados de Transporte de Pessoal). É destacado, em relação a este carro, que “a parte mais difícil e perigosa da missão tem sido cumprida por esse tipo de blindado. Eles são empregados em atividades policiais, servindo no transporte das tropas para ocupação de áreas sob domínio de gangues, circunstâncias em que os enfrentamentos são praticamente inevitáveis”. No entanto, frisa o autor, “não existe ameaça de qualquer arma antitanque em uso pelas gangues, limitadas à utilização de armas de baixo calibre, que causam pequenos danos aos veículos” (p. 39). O autor se detém na análise do histórico e do desempenho do 6X6 brasileiro em uso no Haiti, o EE-II Urutu. Embora não seja produzido mais no Brasil, após a falência da Engesa em 1995, o autor destaca que “o EE-II Urutu tornou-se um dos veículos mais famosos já produzidos pela indústria nacional, devido principalmente à sua simplicidade e fácil manutenção” (p. 49).

O Urutu, segundo Expedito Bastos, é, com certeza, o blindado brasileiro de maior sucesso em cenários de conflito. A respeito, frisa: “A nossa experiência com esse veículo em situações extremas tem sido fruto das diversas missões de paz da ONU de que participamos, como Angola, Moçambique e agora Haiti (2004), e também por forças estrangeiras, como os jordanianos no próprio Haiti e ainda em Kosovo, onde diversos deles, últimas versões de série, pertencentes aos Emirados Árabes Unidos, atuaram em situações de controle antidistúrbio, em 2004, na cidade de Mitrovika. Mais recentemente foi possível vê-los patrulhando as ruas da cidade de Tunis, por ocasião da Primavera Árabe, que ali se iniciou” (p. 50). Considera o autor que esse tipo de blindado, com as reformas eficazmente realizadas pelo Arsenal de Guerra de São Paulo, ainda será peça-chave na atuação do Exército Brasileiro, até que seja encontrado um substituto adequado.

No que tange ao excelente desempenho desses blindados no cenário haitiano e em relação ao seu uso futuro ainda promissor no nosso país, o autor conclui destacando o fato de se tratar de veículos concebidos, desenvolvidos e produzidos no Brasil: “Os nossos blindados 6X6 estão se saindo muito bem, mesmo voltando para nova reforma no Arsenal de Guerra de São Paulo em estado lastimável. (…) Seu emprego ocorre em situações extremas e por longo período, o que nunca ocorreu por aqui (…). Enquanto não se define a nova família de blindados sobre rodas 6X6 e 8X8, eles terão de continuar a ser empregados nas missões de paz e precisamos saber até onde se terá bom resultado e quanto tempo mais agüentarão novas reformas, lembrando que tudo isso foi conseguido por se tratar de um produto nacional concebido, desenvolvido e produzido no país. O Arsenal de Guerra de São Paulo está fazendo um brilhante trabalho: até o momento, já foram repotenciados 180 veículos (…)” (p. 58-59).

No item c (veículos 8X8) o autor informa que seis países fazem uso desse tipo de blindados de diversas origens: Uruguai, Sri Lanka, Rússia, Espanha, China e Brasil. O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha brasileira utiliza o mais novo modelo de 8X8 Mowag Piranha. A respeito da impressão que teve no que respeita ao funcionamento desses veículos, Expedito Bastos frisa: “Recentemente adquiridos, eles me impressionaram quanto à sua mobilidade nas ruas de Porto Príncipe. Tive a oportunidade de acompanhar algumas patrulhas diurnas e noturnas, com os integrantes do IX Contingente que lá aportaram no início de junho de 2008, para ocupar o lugar do VIII. Este permaneceu por seis meses no país, enfrentando situações complicadas com esses blindados. De fato, coube ao VIII Contingente seu emprego real em área urbana, densamente povoada. Os resultados foram extremamente favoráveis, consideradas as condições de atuação nos locais” (p. 63).

Em decorrência do tipo de ação que as forças presentes no Haiti devem desenvolver, circunscritas, em sua maioria, ao policiamento de áreas faveladas com ruelas estreitas, o autor aponta a inadequação do veículo 8X8 na estratégia da MINUSTAH, pois, frisa, “(…) quanto maior o veículo menos mobilidade terá ao se deslocar por ruas estreitas com vários obstáculos, tornando-se um alvo em potencial” (p. 59). Os únicos veículos deste tipo equipados com dispositivos antidistúrbios são os chineses. A Marinha de Guerra do Brasil, com o Corpo de Fuzileiros Navais, utiliza sete veículos 8X8, na modalidade Piranha IIIC, quase todos fabricados nas décadas de 70 e 80 do século passado. O desempenho dos mesmos tem sido satisfatório, como foi frisado, notadamente nas ações de apoio a forças de infantaria em missão de patrulha urbana. O autor caracteriza assim a participação deles: “O emprego real desse blindado ocorreu na manhã de 8 de abril de 2008, quando foram chamados às pressas para ajudar no patrulhamento e no apoio ao Ponto Forte 16, em Cité Soleil, bairro pobre da capital. Ao menos um dos veículos resgatou alguns membros da embaixada brasileira no aeroporto internacional, levando-os para lugar seguro, onde permaneceram até o dia seguinte” (p. 64).

No item d – O levante de 8 de abril de 2008, o autor analisa as causas que levaram ao desfecho do mesmo, sendo elas fundamentalmente sociais, ligadas à pobreza extrema e ao desemprego, embora, evidentemente, a ação de agitadores profissionais não estivesse descartada. Dois aspectos são destacados em relação à presença e atuação dos blindados brasileiros nesse evento: de um lado, o importante papel que desempenharam os veículos 8X8 Piranha no patrulhamento em frente ao Palácio Presidencial, para onde inicialmente se dirigiram os revoltosos no dia do levante e, de outro, a participação, na ação de policiamento das ruas vizinhas ao Palácio, dos blindados Urutu do Exército. Tomaram parte nas operações, nesse dia, outros blindados de diversos países (China, Uruguai, Nepal, Sri-Lanka e Bolívia). O desempenho dos veículos blindados brasileiros, tanto os 8X8 Piranha, da Marinha, quanto os Urutu do Exército, é caracterizado pelo autor como positivo.

No que tange ao patrulhamento de área urbana, o funcionamento dos veículos Urutu foi bastante satisfatório, em decorrência, especialmente, das reformas efetivadas pelo militares brasileiros na melhora das condições de defesa. As reformas foram assim sintetizadas por Expedito Bastos: “No caso dos blindados do Exército (Urutu) é possível ver as diversas improvisações que estão sendo agregadas, fruto da experiência de quatro anos de operações em Porto Príncipe. Quando chegaram, como não dispunham de proteção para o motorista e o atirador da torreta, usaram-se inicialmente sacos de areia para proteção das escotilhas superiores traseiras. Algum tempo depois, foram construídas lá mesmo algumas proteções para a torreta do atirador, fechada nas laterais e aberta em cima. A seguir, o motorista ficou mais protegido com a montagem de uma cabine totalmente blindada sobre a tampa da escotilha, que foi removida. Posteriormente, criou-se uma cúpula blindada giratória sobre a torreta, o que deu um aspecto horrível ao blindado, como se estivesse carregando um caixote. Sobre pelo menos uma delas se colocaram dois alto-falantes, transformando-o em veículo de guerra psicológica, que divulgava mensagens na língua local nas operações no entorno do palácio (…) (p. 68).

O autor conclui o capítulo destacando a importância da experiência haitiana, no aspecto relativo ao emprego de blindados em área urbana. Enfatiza que essa experiência se restringe ao aspecto militar e policial, mas destaca que, para a efetiva conquista da paz nesse país são necessárias outras medidas de caráter social, que completem a imprescindível ação policial e militar. A respeito, frisa o autor: “Embora não existam oposição armada e nem facções interessadas em tomar o poder, se não se criar uma diretriz para gerar empregos e tornar a vida da maioria mais digna, a qualquer momento a situação pode sair de controle e, guardadas as devidas proporções, se transformar no nosso Iraque. Basta apenas alguém ficar mais nervoso no enfrentamento, disparar uma rajada de tiros, matar alguns manifestantes – entre os quais sempre há mulheres e crianças – para que a multidão sem controle se torne uma ameaça mortal para as tropas em operação naquele momento. É preocupante” (p. 70).

O segundo capítulo intitulado: “Lições do Haiti”, é dividido pelo autor nos seguintes cinco itens: a – problemas vividos pelos brasileiros com os blindados; b – kits de blindagem: solução paliativa, mas uma grande evolução; c – blindagem de pá carregadeira; d – torreta RCWS 30 “Predador”; e – lagartas.

No item a – problemas vividos pelos brasileiros com os blindados, o autor frisa que o principal obstáculo é de caráter logístico, levando em consideração o acelerado desgaste dos veículos produzido pela adversidade do terreno e a dificuldade para transportar até o embarque, em Porto Príncipe, os blindados avariados. Isso levando em consideração que as forças militares brasileiras carecem de veículos apropriados, dependendo, para isso, do auxílio prestado pelos contingentes de outros países.

Conclui este item com a seguinte anotação: “O certo é que esse laboratório tem dado grande contribuição para o dia a dia da tropa, pois as situações reais criadas pelo tipo de missão são bem diferentes das simuladas ou que ocorrem em manobras da própria unidade ou em diversas outras, ao longo da carreira abraçada pelos membros dos escalões de manutenção e logística que integram o Exército. Um exemplo interessante e que mereceu registro foram as unidades chilenas que dispõem de empilhadeiras de fabricação americana, com capacidade de levantar cargas de até 15 Ton. Como o Urutu pesa 12 Ton, foi possível com uma delas remover, levantar e colocar sobre as pranchas os cinco EE-11 enviados de volta ao Brasil, facilitando muito o trabalho de remoção” (p. 73-74).

No item b – kits de blindagem: solução paliativa, mas uma grande evolução, o autor chama a atenção para a criatividade dos engenheiros militares e dos técnicos auxiliares do Esquadrão de Cavalaria Mecanizado “Paiva Chaves” do Rio de Janeiro e do Arsenal de Guerra de São Paulo, que elaboraram os planos e os protótipos para as reformas, que têm sido efetivadas com o mínimo de recursos disponíveis. Isso levando em conta a mesquinha diminuição do orçamento para manutenção e renovação de armamentos imposta às Forças Armadas pelos governos civis. Essas reformas foram feitas pelo pessoal do Exército, no Haiti ou no Brasil, com a colaboração de empresas nacionais e estrangeiras como La Perfection Machine Shop, de Port-au-Prince e a Metalúrgica Mena e a Centigon Blidagens do Brasil, brasileiras.

Expedito Bastos descreve, assim, o essencial das reformas dos blindados brasileiros: “As situações vividas no contexto do conflito no Haiti, de certa forma, estão levando a algumas modificações importantes no EE-11 Urutu, como adoção de torreta blindada, blindagem para o compartimento do motorista com adoção de uma cúpula, lâminas frontais para remoção de obstáculos e emprego de pneus de caminhão encontrados no mercado nacional. Estes, já usados com êxito pelos colombianos nesses mesmos veículos, agora estão sendo aproveitados por aqui, evitando assim sua importação, como vinha sendo feito. Mantendo seu anel de borracha maciço interno, ele é transformado em pneu à prova de balas. A novidade foi a criação do berço blindado colocado ao redor das quatro escotilhas sobre o compartimento onde são transportados os soldados, pois inicialmente eram usados sacos de areia” (p. 74).

O autor finaliza este item destacando a falta que faz, para as forças brasileiras, um blindado leve: “Toda a experiência brasileira no Haiti nos mostra estar faltando a essas unidades um 4X4 blindado leve, que poderia ajudar em muitas das operações, inclusive limitando o emprego dos 6X6 e reduzindo bastante os desgastes em curso, além de dar melhor mobilidade para o tipo de operação policial que lá estamos exercendo para as Nações Unidas. Com o envio do blindado 4X4 Guará ao Haiti, após fevereiro de 2010, quando se fecha o ciclo de testes do protótipo desenvolvido pela Avibrás, poderemos ter uma nova dimensão quanto ao emprego de um blindado leve em operações urbanas” (p. 78).

No item c – blindagem de pá carregadeira, o autor destaca a importância que, para a segurança das operações de desobstrução de ruas e avenidas, teve a blindagem da pá carregadeira Case W20B, pertencente ao comando do Batalhão Haiti e que é emprestada, quando necessário, à Companhia de Engenharia da Força e Paz. “A blindagem foi feita localmente, – frisa Expedito Bastos – utilizando lâminas de aço usadas em outros equipamentos, que foram soldadas ao redor da cabine, dando boa proteção ao operador (…)” (p. 84).

No item d – Torreta RCWS 30 “Predador” é salientado o grande avanço tecnológico que significou a adoção, pelo Exército brasileiro (mediante parceria entre a Imbel e a Rafael), da torreta automática israelense RCWS 30 (Remote Controlled Weaponstation) que serve para diversos tipos de blindados. A torreta foi acoplada a um dos veículos Urutu em operação no Haiti e realizou, com sucesso, diversas missões diurnas e noturnas. Foi testada executando tiro real com metralhadora .50 e MAG 7.62 mm. O seu acoplamento ao veículo blindado é simples, sendo colocada sobre a carcaça com parafusos. Apenas são necessários alguns cabos para o seu funcionamento. No interior do veículo, o novo dispositivo é ligado a um computador de tiro e, mediante uma tela de cristal líquido, é operado como um vídeo game.

A respeito da novidade tecnológica e tática que essa Torreta representa, frisa Expedito Bastos: “Sem dúvida, sua adoção e produção local darão nova dimensão à força terrestre brasileira, principalmente nas novas missões CLO (Garantia da Lei e da Ordem) e em combates urbanos de baixa intensidade, visto que pode ser facilmente adaptada sobre um blindado 4X4, ou até a um maior, dependendo apenas do tipo de operação. Enxerga praticamente em qualquer situação diurna ou noutra, sem expor qualquer membro da tripulação, permitindo rápida e eficaz resposta no momento oportuno, além, é claro, do fator intimidatório. (…) Operada por controle remoto, capaz de utilizar variada gama de armamento e de fácil adaptação a qualquer veículo blindado, garantirá à tropa grande autonomia e baixíssima vulnerabilidade em suas incursões” (p. 87).

No item e – Lagartas, o autor chama a atenção para a presença, no cenário haitiano, de dois modelos de veículos sobre lagartas utilizados pelas forças jordanianas, num universo em que a maior parte dos blindados funciona sobre rodas. Um deles é o M-113 A1, utilizado para transporte de tropas e que opera com um toldo montado sobre o compartimento do motorista, a fim garantir proteção contra o sol intenso. O outro veículo, conhecido como M-88A1 Recovery foi desenvolvido para apoiar unidades de carros de combate americanos, utilizando componentes do M-60 e funciona como uma oficina sobre lagartas.

Na Conclusão, o autor traça um quadro real da situação vivida, hoje em dia, pelo Haiti. A capital, Porto Príncipe, com 4 milhões de habitantes e com um desemprego que beira os 80%, é um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento. As coisas pioraram sensivelmente depois do terremoto de 12 de janeiro de 2010, que deitou por terra a infra-estrutura do já empobrecido país. Nesse evento, perderam-se preciosas vidas de soldados brasileiros. Para o Brasil, é melhor sair enquanto é tempo e depois de ter cumprido por oito anos, a contento, a missão de chefiar as várias delegações militares que integram a MINUSTAH.

Esta é a conclusão de Expedito Bastos: “O Brasil, ao liderar esta força militar, mostrou sua competência, mas, com a cidade pacificada, são necessários investimentos pesados para gerar empregos e dar futuro para a população, que já viveu períodos bem mais estáveis e prósperos há uns quinze anos, quando estrangeiros de todas as partes do mundo visitavam os belos locais da ilha e toda a infraestrutura funcionava. A questão maior agora é meramente policial: sanear a polícia local, fazê-la assumir o papel que lhe cabe e, junto dos políticos, dar rumo para o país, com apoio da comunidade internacional, para instalar uma base de sustentação com geração de empregos. Essa calma aparente pode a qualquer momento se transformar em revolta popular, bastando apenas alguém para liderar, e se transformar num grande massacre, que jogará por terra todo o trabalho muito bem executado, principalmente por nossas tropas do Exército e Marinha, pois, afinal, temos o maior contingente lá operando. Não podemos ficar indefinidamente no Haiti; precisamos ter uma data-limite para sair, até porque temos nossos problemas internos e nossa presença lá nesses oito anos já custou, segundo noticiado pela imprensa brasileira, quase um bilhão de reais dos quais foram reembolsados algo em torno de 20 % pela ONU. O melhor de nossos soldados e equipamentos está lá e muitas áreas do Brasil estão desguarnecidas, bastando ver o que temos em Roraima, onde a situação tem estado em efervescência. A situação em casa é preocupante, estamos improvisando muito, esticando demais a corda. É melhor sair enquanto ainda somos os senhores da situação, até porque manter tropas lá não é a solução” (p. 95-96).

COMO ADQUIRIR O LIVRO: Seu preço é de R$ 38,50 para compra direta pelo portal UFJF/Defesa – www.ecsbdefesa.com.br. Para adquiri-lo, basta enviar um e-mail para defesa@ufjf.edu.br.

SAIBA MAIS:

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As tropas da Força de Pacificação Atlântico devem iniciar, na manhã de hoje, as ações de campo da Operação Quixarás, como foram batizados os exercícios de treinamento realizados pelo Exército Brasileiro no Sertão Central do Estado do Ceará.

As manobras contarão com a participação de militares do 4º Batalhão de Comunicações – Recife (PE); do 24º Batalhão de Caçadores – São Luís (MA); do 25º Batalhão de Caçadores – Teresina (PI); da 26ª Circunscrição de Serviço Militar – Teresina (PI); da Aviação do Exército – Taubaté (SP); e de 132 atiradores do Piauí.

A partir das 9h, mais de 700 oficiais e soldados estarão reunidos no Estádio Municipal de Quixeramobim para receberem o Comando Geral da 10ª Região Militar (10ªRM), responsável pela operação. O Estádio Álvaro Carneiro, conhecido popularmente como Carneirão, também será utilizado como ponto de pouso e decolagem para os dois helicópteros utilizados na Operação Quixarás.

Ponto Estratégico

O parque esportivo está localizado em um ponto estratégico para as manobras, próximo a áreas utilizadas como base de comando para as atividades de treinamento. O Polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB) abrigará o comando da Força de Pacificação e a equipe de Ações Cívico-Sociais (ACISO) Militares.

O Ginásio e salões da AABB, o Ginásio José Artur Costa na Escola Agrícola e o BNB Clube estão sendo usados como alojamento para 730 militares. Os pátios servem como estacionamento para as 62 viaturas utilizadas nas ações do grupo.

O Comando da 10ª RM não adiantou detalhes das operações. Mas, conforme soldados, os principais pontos estratégicos da cidade serão ocupados pelas equipes participantes dos exercícios. A barragem do Açude Quixeramobim, a ponte metálica do bairro do Depósito e a via de tráfego de veículos sobre o rio, de acesso à área residencial da Maravilha, são algumas delas.

Nas barreiras, os militares abordarão qualquer suspeito. Quixeramobim estará vigiada pelo Exército durante toda a semana. Os exercícios de campo também serão realizados nas zonas rurais de Boa Viagem, Madalena e Senador Pompeu.

Primeiro contato

Na manhã de ontem, um comboio de caminhões percorreu as ruas do Centro de Quixeramobim e um trecho da CE-060. Foi o primeiro contato do Exército com a população, embora não tivesse muita gente nas ruas.

A maior parte das pessoas reside na periferia da cidade e na zona rural. Mesmo assim, quem foi surpreendido com o desfile ficou observando curiosamente o movimento dos veículos camuflados. Alguns acreditavam tratar-se de reforço para a Polícia coibir os crimes na região, principalmente, no que se refere ao tráfico de drogas e assaltos.

Segundo o reservista do Exército, Raimundo Ferreira dos Santos, os soldados engajados em operações dessa natureza demonstram muito interesse. É uma oportunidade a mais para conhecerem melhor as estratégias de atuação das Forças Armadas nacionais. O reservista serviu no 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza, há 20 anos.

Segundo ele, logo após a alvorada, tem sempre enfileiramento das tropas. Em seguida, partem em marcha para suas missões. Nas blitze, deverão utilizar esteiras de pregos. Lembra que, ao receberem ordem de parar, motoristas e motocicletas deverão obedecer. “Caso contrário, terão os pneus furados”, afirmou Raimundo dos Santos.

Atendimento ao público

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Quixeramobim, Marcos Machado, na próxima quinta-feira (9), médicos do Exército especializados em pediatria, ginecologia, clinica médica, geriatria e atenção odontológica vão atender a população no posto de saúde do Conjunto Esperança.

Na ocasião, na escola do bairro, a Prefeitura vai disponibilizar vários serviços, como corte de cabelo, manicure, palestras e oficina de iniciação a Banda de Música. As atividades acontecem até 16h30. À noite, a partir das 18h, a Banda Oficial do Exército, composta por 35 músicos, se apresenta na Praça Capitão Dias Ferreira. Será a culminância da Operação Quixarás. Depois, as tropas retornam aos alojamentos. Na sexta-feita (10), os acampamentos começam a ser desmontados e os soldados retornam para seus quartéis.

FONTE: Diário do Nordeste

 

A Revista Forças de Defesa nº 4, nº 3 e alguns exemplares da nº 1, poderá ser encontrada nas bancas de jornais parceiras, segue abaixo a localização:

Rio de Janeiro – RJ

  • Banca do Osny na Rua São José, em frente ao nº 90, perto do Edifício Central no Centro do Rio de Janeiro;
  • Banca Meridien na Av. Princesa Isabel, em frente ao nº 60, Copacabana, Rio de Janeiro;
  • Banca Sr. Rodolfo na Av. Pasteur nº 493, Urca, Rio de Janeiro;
  • Banca Petrópolis  na Rua do imperador nº 428, próximo ao centro histórico de Petrópolis;
São Paulo – SP
  • Banca Bruno, Av. Paulista nº 2202, Bela Vista, São Paulo;
  • Look Revistas, Livros e Jornais, Av. São Luis nº 258, sobreloja 27, Centro, São Paulo;

 Porto Alegre – RS

  • Revistaria RCZ Publicações, Av.  Assis Brasil, 3522 – Loja 126 – Lindóia Shopping, Jardim Lindóia, Porto Alegre.
Salvador - Bahia
  • Banca Horizonte, Rua Amazonas, na praça Belo Horizonte, Pituba, Bahia
  • Banca Cultural, Av. Oceânica, ao Lado do Ondina Apart Hotel e do Speed Lanches, Bahia
  • Banca Shopping Barra, Av. Centenário, Shopping Barra, 1º Piso, Bahia
  • Livraria Aeroporto, no Aeroporto Luis Eduardo Magalhães, Bahia

A compra também poderá ser feita pela internet, pelo Pagseguro ou Paypal, lembrando que pela internet os exemplares da 1ª e 2ª edições esgotaram, somente será possível efetuar a compra da 3ª, 4ª e 5ª edições.

Aproveite para adquirir a 3ª e 4ª Edição, os exemplares já estão se esgotando.

OBS: A partir do dia 09/08 será possível encontrar a Revista Forças de Defesa nº 5 na Banca Bruno em São paulo e Banca do Osny no Rio de Janeiro.

A Distribuição para as bancas de jornais das principais capitais será feita pela Fernando Chinaglia.

 

Batman, o contra-revolucionário

Acidentalmente (ou não), o enredo de Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge enfoca uma das grandes verdades da história humana: a essência perversa da mente revolucionária

 

 Por Felipe Melo

(Atenção: o texto a seguir contém spoilers do filme Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge)

Certamente este texto parecerá absurdamente estranho para aqueles que estão mais acostumados a ler o blog. Haverá aqueles que torcerão o nariz ao verem uma pretensa análise político-filosófica de um blockbuster hollywoodiano baseado em uma história em quadrinhos, considerando isso ora um arroubo de superficialidade frívola, ora uma tremenda “forçação de barra” que mistura cultura pop com pseudo-intelectualidade conservadora. No entanto, ele se faz bastante necessário, e entenderão aqueles que tenham assistido ao filme e que entendam minimamente de filosofia política.

Muito provavelmente, Christopher Nolan, diretor e co-roteirista da mais recente trilogia cinematográfica do Homem-Morcego (interpretado por Christian Bale), jamais teve a pretensão de fazer um filme filosófica e politicamente orientado sob o disfarce de película de altíssimo apelo comercial. Todavia, fica claro que Nolan teve o cuidado de tecer uma trama que não fosse superficial ou óbvia: conflitos e dilemas morais permeiam todo o filme, do início ao fim, e simbolizam, sob diversos aspectos, o ressurgimento ao qual alude o título. Acidentalmente (ou não), o enredo de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge enfoca uma das grandes verdades da história humana: a essência perversa da mente revolucionária.

O vilão do filme, ao contrário do que possa parecer, não é o impiedoso Bane (Tom Hardy), ou a fatal Talia al Ghul – disfarçada como a empresária Miranda Tate (Marion Cotillard) –, mas a crença de que a única alternativa para purgar a corrupção e a decadência da sociedade atual é reduzi-la a pó de modo a construir uma nova sociedade, baseada em um novo homem. Esse processo de “destruição criativa” se dá através da violência tanto física quanto simbólica e moral: não basta explodir prédios, sequestrar, roubar ou matar, mas é imprescindível disseminar o caos, solapar as instituições e inocular profundamente nos indivíduos o veneno revolucionário. O vilão do filme não é feito de carne, mas de ideias; não é um corpo, mas um espírito: o espírito da revolução.

Bane e Talia são os líderes da Liga das Sombras, fundada por Ra’s al Ghul (Liam Neeson). O objetivo principal da Liga das Sombras é combater a “degenerescência moral” onde estiver, utilizando, para isso, todos os meios disponíveis. Para a Liga das Sombras, nenhum meio é ilícito ou imoral em si mesmo: o que define sua ilicitude ou imoralidade são os objetivos que se almeja através de seu uso. Os membros da Liga são profundamente comprometidos com esse ideal, chegando a extremos de sacrifício – como o sicário de Bane que, voluntária e alegremente, permanece no avião da CIA que é derrubado no Uzbequistão, na primeira cena do filme. O próprio Bane mostra-se o vilão mais perigoso dos três filmes de Batman justamente por causa de sua obsessão idealista: todos os seus esforços, por menores que sejam, estão plenamente dirigidos para a concretização do projeto revolucionário da Liga das Sombras; nenhum de seus movimentos é desperdiçado em interesses e problemas secundários, pois todo o seu ser está devotado à causa.

Outra característica marcante de Bane é a crença sólida na superioridade moral sua e de sua causa: a única saída para combater a decadência e as injustiças presentes na sociedade de Gotham é destruir todos os valores, instituições e credos “corruptos”. O paciente está doente, mas a cura não reside na escolha do remédio mais amargo, mas na morte. As cenas de perseguições, assassinatos públicos, saques e julgamentos sumários são perturbadoramente idênticas àquelas que foram vistas em todos os processos revolucionários dos últimos 300 anos – na Revolução Francesa, na Comuna de Paris, na Revolução Bolchevique, e tantas outras. Lugar simbolicamente poderoso é a “suprema corte” revolucionária – comandada pelo Dr. Jonathan Crane (Cillian Murphy), mais conhecido como Espantalho, cuja droga alucinógena criada por si vitimou-o no primeiro filme da trilogia –, em que, a bem da verdade, os réus eram levados não para serem julgados, mas apenas para escutarem a sentença e escolherem entre o exílio e a morte.

O paralelismo entre os processos revolucionários que já atingiram a civilização ocidental e a hecatombe promovida pela Liga das Sombras no filme Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge não para por aí. Ao promover a morte e a destruição no estádio de futebol americano de Gotham, Bane, dirigindo-se à multidão estarrecida e amedrontada, defende que eles não são novos opressores, mas libertadores, aqueles que farão com que os cidadãos de Gotham cumpram o destino ao qual foram chamados e tomem nas próprias mãos as rédeas não só de suas vidas, mas da vida da própria sociedade. Essa ideia enganosa é reforçada pela alegação de que o controle da bomba nuclear, que está em posse da Liga das Sombras, encontra-se nas mãos de uma pessoa comum, alguém “do povo”, e que, portanto, é o próprio povo que tem o controle sobre a situação. O mesmo discurso, em essência, tem sido utilizado ad nauseam por todos os líderes revolucionários que já pisaram e que ainda pisarão sobre a face da terra: a expropriação, o derramamento de sangue, os expurgos, tudo isso não são métodos violentos e opressivos para dobrar as pessoas, mas perfazem a libertação de que elas necessitam.

O terror revolucionário e sua perigosa obsessão pela “destruição criativa” são mais fortes do que os valores tradicionais sobre os quais a sociedade se erigiu – e que são representados pelo símbolo que é o Batman? Sim e não. O apelo sensacionalista e o potencial de deturpação pertencentes àqueles conseguem, num primeiro momento, grande aceitação junto à massa ignara; é como se, de fato, a superioridade moral da Liga das Sombras se manifestasse na ausência de amarras da velha moral e no seu esforço de pulverizar a velha sociedade. No entanto, a própria situação criada pela Liga das Sombras torna-se, com o passar do tempo, insustentável; os absurdos brotam, as máscaras caem, as verdadeiras intenções ficam expostas à incômoda luz da verdade.

Essa exposição, todavia, não acontece por si mesma, não é automática: ela necessita de agentes, é fruto de um ato positivo da vontade daqueles que sabem que, a despeito da degenerescência da sociedade, os valores tradicionais sobre os quais ela foi erigida são verdadeiros e perenes. Batman, por mais que seja um símbolo da luta pela manutenção desses valores, não é um símbolo que se sustenta por si mesmo: o comissário James Gordon (Gary Oldman), o detetive John Blake (Joseph Gordon-Levitt), o cientista Lucius Fox (Morgan Freeman), até mesmo o mordomo Alfred J. Pennyworth – que, em minha opinião, é o melhor personagem da trilogia, interpretado brilhantemente por Michael Caine –, bem como todos aqueles que voluntariamente se dispõem a lutar por esses valores, unem suas forças não apenas para dar o suporte necessário ao símbolo representado por Batman, mas também para trazer à luz as sinceras intenções da revolução.

Por que Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um filme ao qual todo conservador deve assistir? Porque a sociedade ocidental está passando por um longo, sutil e aterrador processo revolucionário. Enquanto os líderes dessa revolução seduzem os incautos com seu afinadíssimo canto de sereia, violências as mais cruéis são cometidas diuturnamente contra aqueles que decidem ater-se aos valores tradicionais, relegados a nós há séculos, em nome de um novo mundo, de uma nova sociedade, enfim, de um novo homem. A soberania nacional dá lugar a um proto-autoritarismo supranacional, a inversão de valores é institucionalizada e aplicada com todo o rigor da lei, a objetividade da lei moral é substituída pelo subjetivismo discricionário, e, pouco a pouco, caminhamos rumo ao caos que, benevolamente, os revolucionários creem ser a “destruição criativa” necessária à fundação de um novo mundo.

As lições de determinação, firmeza, lealdade e honra de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge são inspiradoras para os poucos que ainda ousam resistir a esse mundo em colapso. E, certamente, a lição mais importante é: combater o espírito revolucionário é uma tarefa à qual devem se dedicar todos os que optaram pelos valores tradicionais. Nunca é demais lembrar que, em uma situação de guerra – exatamente o que estamos vivendo –, só há dois caminhos a se trilhar: o de vítimas indefesas ou de combatentes resolutos. Os valores que nos deram a vida que temos merecem que nos dediquemos à sua preservação, ainda que isso custe nossas próprias vidas. Não é uma decisão fácil, mas é inelutavelmente necessária. Não devemos fazê-lo apenas por nós mesmos: devemos fazê-lo por aqueles que deram seu sangue para que cheguemos até aqui, honrando sua memória e sua luta, e por aqueles que ainda virão, de modo que o mundo que herdem de nós seja menos perigoso, menos venenoso e mais afastado de diabólicos anseios revolucionários.

Felipe Melo edita o blog da Juventude Conservadora da UnB.

A falsa memória da direita

Olavo de Carvalho

Dizem que o Brasil é um país sem memória, mas isso não é verdade: o Brasil é um país com falsa memória. Esquecer o passado é uma coisa, reinventá-lo conforme as ilusões do dia é bem outra. É desta doença que a memória do Brasil padece, e ela é bem mais grave que a amnésia pura e simples.

Não, não estou falando da manipulação esquerdista do passado. Ela existe, mas é só um aspecto parcial da patologia geral a que me refiro. Esta infecta pessoas de todas as orientações ideológicas possíveis e algumas sem orientação ideológica nenhuma. Ela é um simples resultado da ojeriza nacional à busca do conhecimento, portanto à reflexão madura sobre o que quer que seja.

Querem um exemplo de falsa visão do passado que não foi produzida por nenhum esquerdista? O país está cheio de almas conservadoras e cristãs que ainda idealizam o regime militar, como se ele fosse uma utopia retroativa, a encarnação extinta das suas esperanças.

É verdade que os militares não roubavam, que eles fizeram o país crescer à base de quinze por cento ao ano, que eles construíram praticamente todas as obras de infra-estrutura em que a economia nacional se apóia até hoje, que eles acabaram com as guerrilhas, que no tempo deles a criminalidade era ínfima e que os índices de aprovação do governo permaneceram bem altos pelo menos até a metade da gestão Figueiredo. Que tudo isso são méritos, ninguém com alguma idoneidade pode negar.

Mas também é verdade que, tendo subido ao poder com a ajuda de uma rede enorme de instituições, partidos e grupos conservadores e religiosos, a primeira coisa que eles fizeram foi desmanchar essa rede, cortar as cabeças dos principais líderes políticos conservadores e privar-se de qualquer suporte ideológico na sociedade civil.

Fizeram isso porque não eram conservadores de maneira alguma, eram indivíduos formados na tradição positivista – forte nos meios militares até hoje – que abomina o livre movimento das idéias na sociedade e acredita que o melhor governo possível é uma ditadura tecnocrática. Pois foi uma ditadura de militares e tecnocratas iluminados o que impuseram ao país por vinte anos, rebaixando a política à rotina servil de carimbar sem discussão os decretos governamentais. Suas mais altas realizações foram triunfos típicos de uma tecnocracia, seus crimes e fracassos o efeito incontornável do desejo de tudo controlar, de tudo reduzir a um problema tecnoburocrático onde o debate político é reduzido a miudezas administrativas e a onde a iniciativa espontânea da sociedade não conta para absolutamente nada.

O positivismo nada tem de conservador: é, com o marxismo, uma das duas alas principais do movimento revolucionário. Compartilha com sua irmã inimiga a crença de que cabe à elite governante remoldar a sociedade de alto a baixo, falando em nome do povo para que o povo não possa falar em seu próprio nome. Tal foi, acima de qualquer possibilidade de dúvida, a inspiração que acabou por predominar nos governos militares. Que dessem ao movimento de 1964 o nome de “Revolução” não foi mera coincidência, nem usurpação publicitária de um símbolo esquerdista: foi um sinal de que, por baixo da meta nominal de derrubar um governo corrupto e devolver rapidamente o país à normalidade, tinham planos de longo prazo, totalmente ignorados da massa que os aplaudia e até de alguns dos líderes civis de cuja popularidade se serviram para depois jogá-los fora com a maior sem-cerimônia.

Todas as organizações civis conservadoras e de direita que criaram a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, a maior manifestação popular da história brasileira até então, foram depois extintas, marginalizadas ou reduzidas a um papel decorativo. Como bons tecnocratas, os militares acreditavam piamente que podiam governar sem sustentação cultural e ideológica na sociedade civil, substituindo-a com vantagem pela pura propaganda oficial. Esta, por sua vez, era esvaziada de toda substância ideológica, reduzida ao triunfalismo econômico e à luta contra o “crime”. Gramsci, no túmulo, se revirava, mas de satisfação: que mimo mais delicioso se poderia oferecer aos próceres da “revolução cultural” do que um governo de direita que abdicava de concorrer com eles no campo cujo domínio eles mais ambicionavam? Naqueles anos, e não por coincidência, o monopólio do debate ideológico foi transferido à esquerda, que ao mesmo tempo ia dominando a mídia, as universidades, o movimento editorial e todas as instituições de cultura, sob os olhos complacentes de um governo que por isso se gabava de ser “pragmático” e “superior a ideologias”.

A esquerda, quando caiu do cavalo em 1964, teve ao menos o mérito de se entregar a um longo processo de autocrítica e até de mea culpa, de onde emergiu a dupla e concorrente estratégia das guerrilhas e do gramscismo, calculada para usar os guerrilheiros como bois-de-piranha e abrir caminho para a “esquerda pacífica”, na qual o governo militar não viu periculosidade alguma até que ela, por sua vez, o derrubou do cavalo com o escândalo do Riocentro e a enxurrada de protestos que se lhe seguiu.

Aqueles que, na “direita”, ou no que resta dela, se apegam ao regime militar como um símbolo aglutinador, em vez de examinar criticamente os erros que o levaram ao fracasso, estão produzindo um falso passado. Não o fazem por esperteza, como a esquerda, mas por ingenuidade legítima, com base na qual a única coisa que se pode construir é um futuro ilusório.

FONTE: Diário do Comércio, 3 de agosto de 2012

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