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Morre no Rio o ex-ministro do Exército Brasileiro, general Leônidas Pires Gonçalves

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Leônidas Pires Gonçalves
Gaúcho de Cruz Alta, o ex-ministro Leônidas faleceu no Rio, onde residia

 

Faleceu nesta quinta-feira (04.06) o ex-ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves. Nascido em 1921 na cidade gaúcha de Cruz Alta, o general Leônidas residia no Rio de Janeiro. As honras fúnebres estão a cargo do Comando Militar do Leste.

O general Leônidas passou no Exército 50 anos de sua vida (de 1940 a 1990). Como oficial general chefiou o Estado-Maior do I Exército, no Rio, entre 1974 e 1977. Mais tarde foi Comandante Militar da Amazônia. No período de 23 de dezembro de 1983 a 8 de março de 1985, chefiou o III Exército.

Em fins de 1984 o presidente eleito, Tancredo Neves, o escolheu para o cargo de ministro do Exército. Após o falecimento de Tancredo, Leônidas permaneceu à frente do ministério durante os cinco anos do governo de José Sarney.

Em sua página na internet, o ex-presidente José Sarney manifestou-se acerca do ex-ministro. Um dos trechos dessa declaração diz:

“Sua participação na transição democrática foi decisiva e a ele devemos grande parte da extinção do militarismo — a agregação do poder militar ao poder político — no Brasil. Ele deu suporte a que transição fosse feita com as Forças Armadas e não contra as Forças Armadas. Pacificou o Exército e assegurou e garantiu o poder civil. Reconduziu os militares aos seus deveres profissionais, defendendo a implantação do regime democrático que floresceu depois de 1985”.

No âmbito estritamente militar, o general Leônidas passou à história da Força que comandou como o oficial que procurou dar modernidade ao Exército. É de seu tempo o Projeto FT-90 (Força Terrestre 1990), que, entre outros objetivos, alcançou desenvolver a Arma Aérea da Força Terrestre.

O comando do Exército distribuiu o seguinte comunicado oficial:

NOTA DE FALECIMENTO

O Exército Brasileiro lamenta informar o falecimento, no dia de hoje, 4 de junho de 2015, do General de Exército Leônidas Pires Gonçalves, antigo Ministro do Exército, no período de 1985 a 1990.

Natural de Cruz Alta, o General Leônidas formou-se na Escola Militar do Realengo, em 1942, exercendo inúmeras funções de destaque ao longo de sua carreira, como integrante da Arma de Artilharia.

Sua primeira Unidade foi o 6° GMAC, na cidade de Rio Grande-RS, onde integrou o contingente de cerca de 2 mil homens que guarneceu o litoral sul do Brasil, durante a Segunda Guerra.

No posto de Major, por ter sido primeiro colocado de sua turma na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), foi condecorado com a Medalha Marechal Hermes de prata dourada com uma coroa.

Como Coronel, comandou o 2º Regimento de Obuses – Regimento Deodoro, em Itu-SP.

Nos anos de 1974 a 1977, já no posto de general, foi Chefe do Estado-Maior do I Exército, no Rio de Janeiro, e, posteriormente, Comandante Militar da Amazônia.

Em 1983, exerceu o Comando do III Exército, em Porto Alegre.

Em 1985, o Presidente Tancredo Neves designou o General Leônidas para ser o Ministro de Estado do Exército.  Durante os cinco anos à frente do ministério, desenvolveu projetos como a FT-90 (Força Terrestre 1990) e a implantação da Aviação, marcos importantes da evolução.

O General de Exército Leônidas estava com noventa e quatro anos de idade e deixou esposa, 2 filhos, 4 netos e 7 bisnetos.

As homenagens póstumas serão realizadas no dia 6 de junho, próximo sábado, no Palácio Duque de Caxias, das 8:30h às 11:30h, e a cremação será a partir das 13h, no Crematório São Francisco Xavier, no bairro do Caju, Rio de Janeiro – RJ.

Gen Bda OTÁVIO SANTANA DO RÊGO BARROS

Chefe do Centro de Comunicação Social do Exército”.

Defesa Store

14 COMMENTS

  1. Teve papel preponderante no fim do regime militar, e na transição para o regime democrático, além de ter sido fundamental no processo de redemocratização.
    Um homem de honra.
    Que descanse em paz.

  2. Clésio,

    O STM não integra a administração militar, pois é um órgão judiciário.

    Os militares que o integram são magistrados, pois já deixaram as fileiras militares, ao serem escolhidos para compor o STM. Eles apenas mantêm a prerrogativa do uso de suas fardas, e podem ser tratados como almirantes, generais e brigadeiros, mas, de fato, são ministros de tribunal superior (o STM, no caso).

    Para encurtar a conversa: para qualquer absurdo, o Brasil tem um precedente.

  3. Aliás, de volta ao tópico, soube da morte do General Leônidas Pires Gonçalves ao assistir, na GloboNews, a entrevista que ele deu a Geneton Moraes Neto.

    O repórter, sempre capcioso, foi chamado pelo General de “representante da esquerda”, e negou tal condição.

    Tudo bem, São Pedro também negou Jesus, por três vezes. E não deixou de ser cristão.

  4. Pangloss, será que você poderia explicar este seu estranho post?

    Você com ele critica o Gal. Leônidas? Elogia? Nenhuma das duas?

    ?????

  5. Bacchi,

    Peço desculpas pela falta de clareza. Espero que eu consiga melhor resultado desta vez: diante da insistência do Geneton Moraes Neto em arrancar alguma confissão do Gal. Leônidas sobre a existência de tortura durante os governos militares, o General mencionou que “vocês, os representantes da esquerda…”

    Nisso, o Geneton Moraes Neto negou que fosse representante da esquerda.

    O que eu tentei dizer é que São Pedro, mesmo tendo negado Jesus por três vezes, era, de fato, cristão. Do mesmo modo que Geneton pode negar ad nauseam sua preferência ideológica, sem que isso altere sua condição.

    Então, não elogiei nem critiquei o General Leônidas. Mas o elogio agora: foi alguém que soube honrar o cargo que alcançou.

    Critiquei, sim, a postura capciosa do repórter – que, aliás, mantém uma atitude insuportável diante de seus entrevistados. Na entrevista que ele fez com o Geraldo Vandré, ele se mostrou evidentemente decepcionado em não conseguir nenhuma frase de efeito do entrevistado, sobre tortura em instalações da FAB, e termina o programa de forma completamente desrespeitosa com o entrevistado.

    Afinal de contas, ele é um defensor dos direitos humanos, a começar pelo próprio direito de colocar a palavra que ele crê verdadeira na boca dos seus entrevistados.

  6. Pangloss, muito obrigado por sua resposta.

    Vejo, agora, que eu não tinha entendido a mensagem,

    Mea culpa, mea máxima culpa.

    Desculpe-me.

  7. Bacchi,

    Não há nada a ser desculpado.

    Só tenho a agradecer a atenção de sua leitura, um verdadeiro privilégio.

    Um abraço.

  8. Perguntinha: a suposta ideologia seria impedimento para que um jornalista tentasse restabelecer fatos históricos e a verdade desses fatos?

  9. Prezado a.cancado,

    Evidentemente que não, pois o direito à opinião é inalienável.

    Entretanto, se o propósito é “restabelecer fatos históricos e a verdade desses fatos”, deve-se cuidar para que as preferências ideológicas do narrador não venham a comprometer tal desiderato – isso, é claro, se houver sinceridade na busca por tal “verdade dos fatos” – que é, em si, um conceito bastante presunçoso.

    Nessa seara tão marcada pela subjetividade, creio que o mais honesto seria que cada formador de opinião declinasse publicamente sua preferência ideológica, de modo que o público soubesse, a piori, qual a orientação pessoal do autor do conteúdo.

    Um dos mitos mais enganosos de nossos tempos é o da neutralidade, imparcialidade e objetividade da imprensa.

    Aproveitando a oportunidade, também lhe dirijo uma pergunta: você acredita em Geneton Moraes Neto?

    Um abraço.

  10. Bacchi,

    Ele é um dos repórteres mais consagrados da TV brasileira. Não gosto dos posicionamentos dele diante de seus entrevistados, mas devo reconhecer que, dentro do meio profissional, ele é bastante respeitado, a ponto de pautar-se a si mesmo, como repórter especial.

    Ele costuma aparecer muito em séries de reportagens alusivas ao governo militar, sempre repetindo a cantilena esquerdista (exagerando nos – inegáveis – erros do regime, e fazendo vista grossa para os méritos).

    Para resumir, Geneton Moraes Neto é parteimportante do aparelho gramsciano de nossa imprensa.

  11. Galera, vamos lamentar o passamento do Gen Leônidas sem dar o nome desse verme, até porque “jornalistas especializados”, com as exceções cabíveis, normalmente são vermes a soldo de ideologias.

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