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LAAD 2017: voamos o DHC-6 Twin Otter 400, outro candidato para equipar a AvEx

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Por Angelo Nicolaci – editor do site GBN – Geopolítica Brasil

Esta edição da LAAD nos reservou muitas surpresas, e na última quinta-feira (6), após encerrar o voo no M28, contatamos um dos representantes da Viking, empresa que oferece ao Exército Brasileiro o canadense DHC-6 Twin Otter 400, para prover à AvEx sua primeira aeronave de asa fixa.

Conforme combinado no estande da Viking na LAAD, iríamos aproveitar nossa ida até o aeroporto de Jacarepaguá, para conhecer a aeronave que estava estacionada no hangar da Helistar. Após uma breve ligação ao Daniel Torelli, responsável pela aeronave, um carrinho da Helistar foi até o hangar da Líder Taxi Aéreo, onde estávamos depois de voar no M28, e nos conduziu até o DHC-6.

Embarcamos no carrinho de golfe da Helistar e nos dirigimos para o que seria apenas uma sessão de fotos com o DHC-6 Twin Otter 400. Estávamos ansiosos para fazer as fotos e fechar nossa pauta sobre os concorrentes ao programa de asa-fixa do Exército Brasileiro. Após uma rápida locomoção avistamos o nosso “modelo” parado no pátio da Helistar pronto para realizar a sessão de fotos.

Nos dirigimos à equipe da Viking, cumprimentando todos que ali nos aguardavam, agradecemos a oportunidade de conhecer a aeronave e quando já ia iniciar a sessão de fotos, Daniel Torelli nos informou que não íamos ficar só nas fotos, mas iríamos “voar” o Twin Otter e conhecer na prática suas qualidades de decolagem e pouso curtos, além da estabilidade da aeronave em voo.

Após dar nossos nomes para listagem de passageiros, ainda tivemos tempo de “paquerar” a aeronave, realmente muito robusta, com um conjunto de trem de pouso simples e reforçado, idealizado para operações em pistas rústicas e não preparadas. A aeronave possui os profundores localizados em uma posição alta no cone de cauda, o que traz muita segurança durante as operações de lançamento de paraquedistas. Contando com uma configuração de asa alta, traz em sua motorização dois P&W PT-6, muito conhecidos aqui no Brasil.

Ao adentrar a cabine, notamos um painel extremamente prático e todo digital, com Torelli nos informando que todos os sistemas e equipamentos presentes na aeronave são de extensa aplicação no mercado de aviação civil, o que torna o seu custo de manutenção extremamente baixo, além da possibilidade de se encontrar componentes de reposição para pronta entrega em qualquer parte do mundo, algo que facilita muito para manter a disponibilidade da mesma.

Torelli também nos relatou que durante a ida desta aeronave para o Amazonas, eles resolveram testar a praticidade de manutenção da mesma, aproveitando a situação para trocar um dos módulos eletrônicos da aeronave. Após uma ligação para um fornecedor em São Paulo, foi adquirida a peça e na manhã seguinte já estava chegando ao hangar, levando apenas três horas para executar o serviço de substituição do módulo.

O espaço interno da aeronave é realmente muito bom, possibilitando levar um variado mix de cargas e passageiros, operando em diversas configurações, atendendo ao tipo de missão que seja determinada à aeronave, com rápida reconfiguração da mesma. Além da cabine de passageiros, o Twin Otter ainda possui no cone de cauda um bagageiro espaçoso, e outro no nariz.

Após a breve apresentação da aeronave, nos afivelamos aos assentos e partimos para a avaliação prática em voo do DHC-6 Twin Otter. Fizemos o taxi até a pista em uso, e após o alinhamento com a pista e a liberação da torre, ouvimos o característico ronco dos PT-6 despejando toda sua potencia, e no final de uma curta corrida ganhamos o céu. O Twin Otter nos surpreendeu pela sua razão de subida, um ponto muito positivo para operar na densa floresta amazônica, onde além de pistas muito curtas improvisadas em meio a clareiras, ainda há obstáculos representados pelas arvores altas que circundam os campos de pouso.

Apreciamos o voo sobre a orla carioca, e notamos a suavidade do voo e a docilidade dos comandos e a simplicidade de voar a aeronave, contando com auxilio da suíte aviônica que reduz em muito o trabalho da tripulação.

Logo fomos informados que iríamos fazer um pouso e decolagem na pista do Aeroclube CÉU, pista de cerca de 750 metros localizada em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro. Sobrevoamos Pedra de Guaratiba e logo estávamos fazendo a aproximação, mal tocamos a pista e já paramos, precisamos de cerca de 70-80 metros para a parada. Corremos até o final da pista e nos posicionamos para decolar novamente, mais uma vez notamos a praticidade de operação do Twin Otter, com o mesmo revertendo os motores e dando “ré” para melhor se posicionar na cabeceira e iniciar a decolagem. Potência total, uma surpreendente e curta corrida e com pouco mais de 100 metros ganhamos o céu, com uma razão de subida muito grande.

Voltamos a sobrevoar o Atlântico e iniciamos nosso retorno a Jacarepaguá, onde realizamos um pouso extremamente curto, classificado como “pouso de assalto”, com a aeronave realizando o pouso e parada completa em cerca de apenas 60 metros!!!

Assista ao nosso pouso no vídeo abaixo:

Apesar da parada curta, no interior da aeronave pouco sentimos os efeitos da brusca desaceleração, o que nos deixou com uma ótima impressão da aeronave. Nosso fotógrafo Luiz Gomes estava surpreso com o desempenho do Twin Otter, e conseguimos entender porque hoje há mais de 900 destas aeronaves voando mundo afora.

Taxiamos até o pátio e partimos para a sessão de fotos naquele fim de tarde, onde o comandante Kevin nos demonstrou as facilidades de manutenção que a aeronave possui. O Twin Otter possui degraus retráteis na lateral da cabine próximo a porta do piloto, o que facilita o acesso ao dorso da aeronave e o acesso ao conjunto de asas e motores. A carenagem dos motores é de abertura prática e permite acesso a todos os componentes do turboélice. Uma facilidade muito importante para operação na região amazônica.

A porta de acesso ao salão da aeronave é ampla e se dá por duas portas, o que permite o acesso de variados volumes de carga. Conferimos o bagageiro e notamos que realmente é muito espaçoso.

O DHC-6 Twin Otter 400 é um avião fantástico, e cumpre muito bem o que promete, tendo o mesmo já cumprindo as avaliações junto ao Exército Brasileiro, e nos deixou a grata impressão de que esta é uma boa opção para atender bem as necessidade de nossos batalhões de fronteira e a população na região amazônica, sanando a lacuna deixada pela desativação dos vetustos mas incríveis C-115 “Buffalo”, que por décadas atenderam de maneira heróica a região.

Agradecemos a toda equipe da Viking por nos receber e proporcionar esta oportunidade de conhecer e voar o Twin Otter.

FOTOS: Angelo Nicolaci/Luiz Gomes

1 COMMENT

  1. Esse avião é bom, desde a década de sessenta ele é operado por várias forças aéreas nas Américas, na Ásia, na África. No Caribe ele é o preferido da aviação de terceiro nível e ver a aeronave operando na ilha de Saint Barthélemy convence qualquer um de sua capacidade.
    Seu flap baixa quase noventa graus e alguns parecem ter de asa STALL, com flaps em toda a extensão do bordo de fuga.

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