Yang Kyoungjong, o soldado coreano que combateu em três exércitos na Segunda...

Yang Kyoungjong, o soldado coreano que combateu em três exércitos na Segunda Guerra Mundial

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Yang Kyoungjongn capturado na Normandia

Yang Kyoungjong (3 de março de 1920 – 7 de abril de 1992) era um soldado coreano que lutou no Exército Imperial Japonês, no Exército Vermelho Soviético e depois na Wehrmacht alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi o único soldado que lutou em três lados de uma guerra, e esse status lendário lhe valeu muito reconhecimento.

Em 1938, aos 18 anos, Yang estava na Manchúria quando foi recrutado no Exército Kwantung do Exército Imperial Japonês para lutar contra a União Soviética. Na época, a Coreia era governada pelo Japão. Durante as Batalhas de Khalkhin Gol, ele foi capturado pelo Exército Vermelho Soviético e enviado para um campo de trabalho. Por causa da escassez de mão-de-obra enfrentada pelos soviéticos em sua luta contra a Alemanha nazista, em 1942 foi pressionado a entrar em combates pelo Exército Vermelho junto com milhares de outros prisioneiros e foi enviado para a frente oriental européia.

Em 1943, ele foi capturado por soldados da Wehrmacht no leste da Ucrânia durante a Terceira Batalha de Kharkov e foi pressionado para lutar pela Alemanha. Yang foi enviado para a França ocupada para servir em um batalhão de prisioneiros de guerra soviéticos, conhecido como “Batalhão do Leste”, localizado na península de Cotentin, na Normandia, perto da Praia de Utah. Após os desembarques do dia D no norte da França pelas forças aliadas, Yang foi capturado por paraquedistas do Exército dos Estados Unidos em junho de 1944.

Os americanos inicialmente acreditaram que ele era um japonês em uniforme alemão; na época, o Tenente Robert Brewer do 506º Regimento de Infantaria Paraquedista, da 101ª Divisão Aerotransportada, informou que seu regimento capturou quatro asiáticos em uniforme alemão após os desembarques de Utah Beach e que inicialmente ninguém conseguiu se comunicar com eles. Yang foi enviado para um campo de prisioneiros na Grã-Bretanha e mais tarde transferido para um acampamento nos Estados Unidos. Depois que ele foi libertado no final da guerra, ele estabeleceu-se em Illinois, onde morou até a morte em 1992.

FONTE: Antony Beevor, (2012). The Second World War. Weidenfeld and Nicholson; Wikipedia

25 COMMENTS

  1. _RR_ 15 de julho de 2017 at 20:04
    Valeu pela dica vou assistir e depois eu comento ( isso pode levar alguns dias, tem duração de 137 min ).

  2. Com todo o respeito ao Sr. Yang Kyoungjong, eu não gostaria de tê-lo no exército do meu país.
    Ele, pessoalmente, teve sorte de haver sobrevivido. Mas foi feito prisioneiro três vezes.
    Dos três exércitos a que serviu, dois foram derrotados, e o terceiro teve o maior número de baixas dentre os vencedores.

  3. Pangloss, você acha que a culpa das derrotas ou capturas foram dele?
    Ele foi um soldado fraco?
    Se fosse um soldado ideal deveria ter lutado até a morte?
    Um dado interessante é que ele nunca lutou por seu próprio país…
    Sempre lutou forçado…
    Quanto às derrotas do Japão e da Alemanha e das baixas russas e considerando que todas as guerras de que participou devem ter sido muito violentas e sangrentas, teve muita sorte de ter escapado.
    Mesmo se não quisesse lutar, no meio do tiroteio não é fácil fugir das balas e bombas ou mesmo correr para os braços do inimigo que pode não entender que se trata de uma rendição…

  4. Cada coisa quê a gente lê.O destino pregou uma peça, na vida do cara e tem gente quê não entende.

  5. Uma pena ele não ter sido forçado a lutar pelos EUA contra o Japão. Aí o círculo estaria fechado com uma volta ao mundo combatendo na 2ª Guerra.
    PS: aviso aos comentaristas com problemas de interpretação que não devem levar a sério o meu comentário.

  6. Antônio 16 de julho de 2017 at 1:54, você resumiu tudo, ele nunca lutou por seu país, por seu chão, por sua gente.
    Não devemos qualificá-lo ou desqualificá-lo por causa de uns poucos parágrafos, mas que a história em si é extraordinária, ela é. Luta em 3 exércitos diferentes, ser capturado 3 vezes e sobreviver?! Uma história e tanto!

  7. Vi o trailer do “My Way”(_RR_ 15 de julho de 2017 at 20:04) vou ver hoje a noite, depois de achar um legendado em inglês. Encontrei um legendado em italiano e apesar de ser neto de italiano não “parlo” uma palavra! KKK… Valeu a dica!

  8. Muito estranha esta história: se a URSS declarou guerra ao Japão somente em 08/ago/1945, como ele foi capturado em 1942 ????

  9. No fundo as guerras são pura estupidez. Resumem-se a pessoas matando outras pessoas porque seus líderes DECIDIRAM que aquela era a unica maneira de resolver os problemas que esses mesmos líderes criaram.

    No futuro, se a humanidade der certo, afinal, as guerras serão vistas como fenômenos antropológicos primitivos, assim como uma dança da chuva ou sacrifícios humanos para o deus sol.

  10. Carlos

    Os mesmos soviéticos que bateram os nazistas às portas de Moscou em 1941 haviam freado a expansão japonesa nas estepes da Mongólia, pouco antes. As tropas do General Zukhov depois de vencer os japas atravessaram a russia para enfrentar (e vencer) os nazistas que ja estavam combatendo no metrô de moscou e vendo do chão as torres douradas do Kremlin!!!

  11. Boa parte das tropas que guarneciam as defesas das praias francesas no Dia D eram compostos por ex-prisioneiros e simpatizantes de guerra do Leste europeu (Ostfront) durante os primeiros anos que a Wermacht penetrou profundamente a URSS fazendo milhares de prisioneiros do Exército Vermelho.

  12. Plinio Junior 18 de julho de 2017 at 13:20

    Não entendi o que você quis dizer? Você poderia “desenhar” para mim, por favor?

    Saudações

  13. Já assisti o filme e como prometi vou tecer meus comentários : achei bem romanceado c/ várias falhas históricas e c/ um final ( que não vou contar p/ quem quiser assistir ) que não me parece ser a história real, ou seja somente é baseado na vida desse soldado, mas creio que a imaginação do autor voou solta.

  14. EParro 18 de julho de 2017 at 13:57
    Plinio Junior 18 de julho de 2017 at 13:20
    Não entendi o que você quis dizer? Você poderia “desenhar” para mim, por favor?
    Saudações

    A intensidade da guerra e a necessidade de atender a vários frontes simultaneamente no final de 1943 fez com que os alemães recorressem a prisioneiros de guerra feitos na Invasão da URSS, ou seja, foi dada uma nova chance a estes, servindo no Exército Alemão.

    Vários batalhões foram formados sob a liderança de oficiais alemães e para evitar deserções sendo que a maioria era do Leste Europeu, boa parte foi deslocada para o front Ocidental, para a costa francesa para uma provável invasão aliada que os alemães se preparavam desde meados de 1943

  15. Plinio Junior 18 de julho de 2017 at 22:02

    Você diz que a tal da Muralha do Atlântico, idealizada por Rommel, era defendida por conscritos e não por um exército regular.
    Ah, entendi!

    Agradeço a atenção.

  16. Os livros de Ambrose, Dia D e Soldados Cidadãos, mostram bem, por meio do relato de veteranos dos dois lados, a utilização de prisioneiros na defesa da fortaleza Europa. Foi comum um grupo de combate possuir só o Sgt Cmt alemão ou Ucraniano.
    Sds

  17. EParro 18 de julho de 2017 at 12:32
    Muito obrigado, esclareceu uma série de eventos que, realmente, nós ocidentais desconhecemos; as guerras Sino-japonesas e Russo-japonesas foram importantíssimas para a história.

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