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Exército tailandês exibe seu MBT VT-4 chinês

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Por Roberto Lopes
Especial para o Forças Terrestres

O Centro de Cavalaria do Real Exército Tailandês, sediado no campo militar de Adirson, na Província de Saraburi, organizou, sexta-feira passada (26.01), um Press Open Day para autoridades e jornalistas credenciados, com a finalidade de demonstrar as capacidades do novo MBT da corporação: o chinês NORINCO (North Industries Corporation) VT-4, de 52 toneladas e canhão de 125 mm, também conhecido como MBT-3000.

Criado como um produto de exportação, o VT-4 encontrou, na Força Terrestre local, a sua principal vitrine até agora.

O governo de Bangcoc comprou 28 carros, se prepara para exercer no mês de abril uma opção por mais dez, e estima concluir essa etapa de aquisição com um total de 49 unidades.

Entretanto, o que atrai os dirigentes da NORINCO é a informação de que o Exército tailandês teria capacidade de absorver até 150 blindados do tipo VT-4.

Há contradições sobre o valor unitário do veículo que, aparentemente – dependendo da quantidade a ser adquirida –, pode variar entre 5,3 e 5,8 milhões de dólares.

Durante o evento de Saraburi, o comandante do Exército tailandês, general Chalermchai Sitthisart, informou que a NORINCO (com o apoio financeiro de Pequim) ajudará a construir em seu país um centro de manutenção e reparos para os carros VT-4 – compromisso que contribuiu fortemente para a concretização da importação dos veículos. A nova instalação também produzirá componentes e acessórios do tanque.

A expectativa é de que, no futuro, o centro tailandês possa atender a outros exércitos do Sudeste Asiático que optem pelo mesmo carro de combate.

Sitthisart admitiu que, apesar de outros armamentos do Ocidente serem mais modernos, eles tendem a se revelar mais dispendiosos. Levando em consideração o item preço, o general definiu os tanques fabricados na China como equipamentos baratos que, por sua qualidade, justificam o investimento, estabelecendo relações de longo prazo com a China e desenvolvendo a indústria de Defesa tailandesa.

De acordo com o Global Times, diário chinês publicado no idioma inglês, o jornal tailandês Bangkok Post publicou: “Os tanques fabricados na China são apenas um terço do preço dos tanques fabricados na América ou na Alemanha [declaração que constitui um claro exagero]. A China vai compartilhar [com os tailandeses] a manutenção e tecnologias de produção, mas o Ocidente não”.

Oplot-M – Na última sexta-feira, oficiais do Centro de Cavalaria disseram aos jornalistas que o VT-4 integra todas as tecnologias avançadas de um tanque principal de batalha de classe internacional, com um alto nível de informatização, manobrabilidade e poder de fogo.

Três anos atrás, a NORINCO chegou a levar um VT-4 – designado MBT-3000 – ao Peru, para ser avaliado pelos militares locais.

A princípio, os chineses ficaram verdadeiramente entusiasmados com a aceitação do blindado pelos tanquistas peruanos, e o encaminhamento da negociação em torno do tanque. Chegaram a considerar a operação de venda concluída, mas aí empresas ocidentais concorrentes da NORINCO e membros do Escritório de Assessoria Militar dos Estados Unidos em Lima intervieram, e a compra dos veículos foi congelada.

Os tanques chineses chegaram à Tailândia em outubro do ano passado.

Sua entrada em funcionamento permitirá a aposentadoria dos conhecidos blindados M-41A3 Walker Bulldog, de fabricação americana (entre as décadas de 1950 e 1960).

Os militares tailandeses mantém cerca de uma centena de carros M-41, que começaram a ser desativados recentemente, à época da chegada no país de uma partida de 36 carros de combate T-84 Oplot-M, importados da Ucrânia.

Na última sexta-feira de janeiro, os militares tailandeses mostraram muito mais confiança nos blindados chineses do que nas viaturas ucranianas.

Dos 28 VT-4 desse primeiro lote, 26 estão sendo distribuídos à 3ª Divisão de Cavalaria da Província de Khon Kaen, enquanto um ficará no próprio Centro de Cavalaria, para a difusão de conhecimentos técnicos, e o último em um quartel especializado na manutenção de viaturas blindadas.

Motor turbo – Nas demonstrações em campo aberto, os tailandeses deram ênfase à manobrabilidade do veículo da NORINCO. Ele escalou um obstáculo com gradiente de 30%, movimentou-se dentro d’água e escapuliu de dentro de uma trincheira.

Os militares tailandeses enfatizaram que essas manobras só haviam sido possíveis devido a um poderoso motor turbo, a diesel, de 1.300 cavalos (que ainda não havia sido testado em toda a sua capacidade), e a um sistema de guiagem hidráulico-mecânico.

Tal propulsão permitiria ao carro de combate alcançar 70 km/h em estrada e 50 km/h fora de estrada.

Uma fonte do campo Adirson declarou aos jornalistas que “o VT4, equipado com armamento principal estabilizado, além de bons sistemas de distribuição de energia e de controle da viatura, é muito mais fácil de operar e comparável, mesmo, com os tanques fabricados nos Estados Unidos”.

A capacidade de combate do VT-4 constitui um capítulo à parte.

Dotado de um canhão de 125 mm de alma lisa que dispara munição APFSDS (armour-piercing fin-stabilized discarding-sabot) – penetradora por energia cinética –, o tanque foi equipado com um sistema de controle de fogo estabilizado que inclui mira termal para o comandante e o artilheiro. Visores panorâmicos instalados no teto da torre permitem à tripulação detectar e acompanhar alvos, dia e noite.

Lançadores instalados nas laterais da torre pode disparar mísseis com alcances de até 5.000 m.

Executivos chineses contaram ao Global Times que seu governo disponibilizou para os tailandeses o seu novo Sistema de Proteção Ativa GL5, projetado para tanques principais de batalha e revelado ao Ocidente em agosto do ano passado.

Um oficial identificado apenas como “comandante do 6º Batalhão da Cavalaria do Exército tailandês”, elogiou a modernidade do tanque chinês, dizendo que seus soldados se familiarizaram com isso. “Quanto mais eles usam, mais eles gostam”, acrescentou essa fonte.

31 COMMENTS

  1. É praxe no interior de tanques ficar tudo (as mangueiras, tubos, fios, etc.) exposto assim?
    Entendo que facilite a manutenção e troca dessas peças e talvez alivie um pouco de peso mas, ao mesmo tempo, (além de feio bagarai) pode expor a riscos desnecessários, como cortes, acúmulo de sujeira, etc., não?

    Abraços!

  2. Uma sugestão.
    Quando falamos de armas militares, aeronaves, tanques, navios; é muito bom, dentro do possível, informar o fabricante e o modelo dos equipamentos, como o motor, o armamento, sensores, etc.

  3. Carpophorus 2 de Fevereiro de 2018 at 14:51
    Em tese, deveria ser melhor dos nossos Leo´s. O nosso Leopard é um tanque de 2ª geração, enquanto o VT-4 é um tanque de terceira geração. Claro, essa história de geração não quer dizer muita coisa, mas é um projeto mais moderno.

  4. escrito de assessoria militar dos EUA, em Lima capital do PERU, intervieram nas negociações e a compra foi cancelada. alguém pode me esclarecer melhor o que significa isso?

  5. Carro interessante. Possui tecnologia mas é robusto e simples. Precisamos disso aqui, robustez e simplicidade pq nem todos passam por instruções de uso pelo CIBld

  6. Glasquis7
    Externamente é uma copia dos tanques ocidentais com recheio sendo uma copia dos tanques russos.
    Mas lembre que uma copia dificilmente é melhor que o original, lembra do biatlo de tanques o que aconteceu.

  7. A China tem em produção local 3 tanques de 3ª geração: o Type-96A/B (a coluna vertebral de sua cavalaria), esse VT-4 (exclusivo para exportação), e o Type-99 que é o top de linha deles operados por unidades mais tradicionais e confiáveis veteranas da guerra da coréia como o 38º exército e o 79º exército (antigo 39ª exército) que estão mais no interior do país, esse ultimo inclusive o mais bem equipado da China responsável para responder a ameaça russa na Manchuria que se daria em estrategia de defesa em profundidade onde o 78º exército servindo como bucha na fronteira enquanto o 39º recuado nos arredores de Shenyang como reserva.

  8. Só por ser chinês vai surgir os comentários de solta pecinha. Quanto preconceito. Ao que parece tem nação/exército q não pensa assim.
    Quem será ver algo assim nas cores do EB.

  9. E pensar que há pouco mais de 30 anos o Brasil tinha o EE-T1 Osório e a China só fabricava porcarias. Hoje o Brasil só compra sucatas e a China…

  10. Se resistir a um TOW bem na parte frontal da torre sem explodir e a tripulação sair quase ilesa e o tanque ser facilmente reparado no campo de batalha e voltar a combater , vale a pena , se não ainda prefiro o T-90 russo , mais barato , confiável e seguro.

  11. Engraçado, nos brasileiros fizemos bons blindados, os ocidentais faz bons blindados, agora os chineses que estão com 2 caças de 5ª geração, investindo horrores nas suas forças armadas, sua marinha cada dia aumenta não consegue fazer um blindado de qualidade??????

  12. Boscopédia:
    “Solta peçona!”kkkkk
    Gente na boa, vcs creem que um projeto deste vulto tendo problemas , os mesmos não seriam solucionados, se soltou peça em algum momento com certeza já resolveram. Produto pra exportação , o tio Ling quer $$ assim como titio Sam e titio Putinski.
    Digo o mesmo sobre a falação sobre o H-225 M por muitos chamados de “kombi” e que alcançou operacionalidade plena em grupo especial na França, onde não desmerecem o aparelho. Alguma solução já deve ter ocorrido sobre o problema dos helis.

    Seria um sonho ver a continuidade do projeto Tamoyo a partir de onde parou, pelo que li era um ótimo MBT e tinha tudo pra bombar mas…

  13. tomcat3.7 ( 3 de Fevereiro de 2018 at 17:57 ),

    Os mercados que ele disputaria seriam África e Oriente Médio, além de América Latina, disputado por MBTs europeus e russos; e não era rival principalmente para estes últimos, que certamente poderiam fazer melhor preço ( além do peso político representado pela então URSS ). A aceitação seria limitada…

    Francamente, não sei se iria “bombar”; a menos que fosse dotado de um canhão de 120mm e uma melhor proteção balística, o que considero difícil com um carro de umas 35 toneladas. De fato, já foi notável dota-lo de um canhão 105mm…

    Na sua época, o ‘Tamoyo’ era um conceito moderno, mas o potencial de crescimento era muito limitado. Mesmo que fosse mais “a cara” do EB quando surgiu ( leve, pequeno, relativamente bem armado, e simples ), é inegável que o ‘Osório’ tinha mais potencial.

  14. O Leopard 2A4 é um blindado ultrapassado. Não foi feito pra encarar TOW nenhum. Não tem chances.
    .
    O Sabra é mais capaz que o Leopard 2A4 nesse confronto!

  15. Inclusive (so agora que verifiquei o video direitinho), isso não é Leo! OU MELHOR!
    Estes dai são Leo e Sabra juntos! Por isso ficou tão estranha esta explosão. Virou um canapé de quatro bandeiras (com palito russo) :)!

  16. PIB: Tailândia 406,8 bilhões USD (2016)
    Brasil 1,796 trilhões USD (2016)
    Mesmo sendo chinês, arrebenta com qualquer Leopard I de qualquer versão.

  17. _RR_ 3 de Fevereiro de 2018 at 18:51

    Bacana RR, mas olhando pra hoje, será que o EB não tem acesso ao projeto,e digo o mesmo sobre o do Osório, pra já pegar como base pra um MBT nacional sem precisar começar do zero??

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