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Trump ordena ao Pentágono que prepare saída de tropas da Síria

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Segundo informações do ‘Washington Post’, presidente aproveitou reunião com principais responsáveis da área de segurança para pedir solução para retirar soldados americanos do país; Casa Branca diz que consultará aliados para tomar qualquer decisão

O Estado de S.Paulo

WASHINGTON – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu instruções à cúpula militar do país para que comece a planejar a iminente saída das tropas americanas da Síria, onde lideram uma coalizão de mais de 60 nações que combatem o islamismo extremista na região.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal The Washington Post nesta quarta-feira, 4, o presidente aproveitou uma reunião realizada na véspera com alguns dos principais responsáveis da área de segurança para pedir um plano de saída da Síria.

A veracidade desta informação foi confirmada, em parte, pelo diretor nacional de Inteligência, Dan Coats, que na manhã desta quarta disse a um grupo de jornalistas que o presidente já tomou uma decisão a respeito, informou a emissora “CNN”.

Trump estaria disposto a manter um pequeno contingente militar na Síria com o objetivo de preparar as forças de segurança locais para que assumam os trabalhos de proteção dos territórios já libertados da presença do grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

O presidente americano ressaltou, no entanto, que em qualquer caso, a presença dos EUA na Síria não se estenderia para além da vitória sobre os jihadistas.

Esta afirmação poderia representar um revés para os principais aliados de Washington em sua luta no país árabe, as milícias rebeldes das Forças da Síria Democrática (FSD), cujo objetivo, além de derrotar os islamitas, é derrubar o presidente Bashar Assad.

Em janeiro deste ano, Hadi Bahra, um dos integrantes da delegação do principal grupo opositor sírio que viajou para Washington, disse que seu grupo tinha recebido “garantias” do governo americano de que este só contemplava “uma transição” política como solução duradoura para o conflito que aflige o país desde 2011.

No entanto, o Pentágono vem insistindo nos últimos meses que seu único objetivo na Síria é a derrota do EI, o que dá a entender que a saída de Assad, que conta com o apoio da Rússia, não é um tema que continue sendo de interesse da Casa Branca.

“Estamos arrasando o Estado Islâmico. Vamos sair da Síria muito em breve (…). Estamos lá por uma razão: encontrar o EI, acabar com o EI e voltarmos para casa”, garantiu

Nesta quarta-feira, Trump voltou a insistir no assunto ao queixar-se que os Estados Unidos gastaram mais de US$ 7 bilhões no Oriente Médio nos últimos anos e não conseguiram “nada mais que morte e destruição”.

No entanto, quase ao mesmo tempo em que Trump fazia essas declarações, o general Joseph Votel, chefe do Comando Central (CENTCOM), responsável pelas operações das Forças Armadas dos EUA no Oriente Médio, assegurou que o momento mais difícil na Síria “ainda vai chegar”.

Em todo caso, a Casa Branca afirmou nesta quarta em comunicado que consultará os aliados para tomar qualquer decisão e disse que os EUA seguem comprometidos em lutar contra a presença do EI na Síria.

“Continuarem conversando com nossos aliados e amigos sobre o futuro”, diz o texto, que não evocou em momento algum a retirada das tropas.

Ao ser consultado, o Departamento de Defesa dos EUA não quis comentar sobre “cenários hipotéticos” e se limitou a confirmar que “os comandantes realizam recomendações privadas ao presidente através da cadeia de comando de forma rotineira”.

Durante a campanha eleitoral, Trump já tinha manifestado sua vontade de reduzir a presença americana nos diversos conflitos em que o país toma parte. No entanto, a decisão de anunciar a retirada de suas tropas da Síria atentaria contra a estratégia apresentada pela própria Casa Branca em agosto.

As novas diretrizes de Washington dotaram as forças armadas de maior liberdade de manobra, maior sigilo para evitar possíveis vazamentos por parte de seus aliados e, antes de tudo, estabeleceram o fim aos limites temporários. Ou seja, não existem prazos, só metas a serem cumpridas.

Os Estados Unidos têm cerca de 2 mil militares na Síria, onde lutam ao lado de uma coalizão internacional formada por mais de 60 países que combatem o terrorismo islamita dentro da operação ‘Inherent Resolve’ (‘Apoio Decidido’), que conta com a aprovação de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas. / EFE e AFP

FONTEO Estado de S.Paulo

29 COMMENTS

  1. Boa Trump!

    Cumprindo mais uma promessa de campanha. O que 99% dos políticos não fazem.

    Se dependesse do Obama, da Killary, da CIA e dos war hawks de Washington, os EUA ficariam na Síria add eternum.

  2. Já há algum tempo na Síria unidades “Rangers” dos USA estão utilizando veículos “Striker”, penso eu se na possível missão do EB na República Central Africana, os nossos Comandos e FEs não deveriam fazer o mesmo operando Guaranis, já vi nossos Comandos operando em Guaranis no RJ, porém o motorista é sempre da unidade a qual pertence o veículo na ocasião. Então seguindo essa linha de pensamento, penso eu que seria adequado ceder ou adquirir alguns Guaranis especialmente para as nossas tropas de operações especiais, equipados com blindagens adicionais, torres Remax, e alguns especialmente configurados para operações especiais, pelo menos seis unidades seriam bem interessantes para desenvolvimento de doutrina e aprimoramento operacional, tendo em vista que em teatros de operações do século 21, como a Síria, não é interessante o uso de veículos leves e de baixo poder de fogo, também não é interessante desdobrar uma pequena fração de uma unidade mecanizada somente para fazer o transporte e apoio as tropas de OpEsp.
    Os trabalhos de pequenas modificações nas viaturas especializadas poderiam ser feitos acredito eu que pelo CTEx, e posteriores avaliações feitas no CAEX em conjunto com o futuro operador.

    • Prezado, boa noite
      Sem duvida, nossos OpEsp podem treinar com meios Mec ou Bld.
      Mas há um pequeno engano em relação aos Rangers. Em Q pese treinarem as AD, eles são mais uma Infantaria muito bem treinada, do Q um tropa realmente de Comandos.
      Neste sentido, eles operarem Mec, é como nossos homens da 12a Amv ou Pqdt utilizarem o mesmo meio no Haiti.
      Essa opinião sobre os Rangers vem de militares Q realizaram o Curso lá nos EUA e já realizaram intercâmbio com eles.
      Sds

      • Vale ressaltar que por lá quem desempenha as são os Green Barrets e o SFOD Delta, sendo essa última voltada para ações anti-terrorismo. A curiosidade fica na certa rivalidade existente entre os Delta e os Rangers, sendo esses últimos vistos como jovens inexperientes pelos Delta.
        Mas de fato os Rangers são uma força de elite, mas voltada ao combate convencional.

        • Segundo a Wikipedia, os membros da Delta Force são primariamente selecionados entre os integrantes dos Green Berets e dos Army Rangers (75th Ranger Regiment). Esta pode ser a origem da “rivalidade” entre os dois grupos.

      • Sempre tive a impressão, que os commandos eram os BV brasileiros e o pessoal do 1°BFE eram os deltas brasileiros.
        Sobre os Ranger, acho que o Brasil n tem uma tropa semelhante.
        As brigadas Ifan. Aeromovel e paraquedistas do EB são em treinamento equivalentes as unidades do Exercito americano de alta prontidão e as desdobramento.
        Tenho essa impressão acima porquê os Ranger são menos treinados que os Deltas e BVs mas + treinados que as forcas de prontidão dos exercito americano(82 e 101airbones e a 1° cavalry) lembrando que as forcas em desdobramento tem o mesmo treinamento das de prontidão, ficando as estacionadas nos EUA q não sendo as d prontidão tendo menos, ou seja, os Rangers são um elo entre as FEs deles e as unidades convencionais mais treinadas.
        No brasil então só teriamos uma forca equivalente as do Rangers se tivessemos uma que fosse entre C Op Esp e as brigadas da Força de Ação Rápida Estratégica (1° BIS, 12ª Bda Inf L e Bda Inf Pqd) mas posso estar errado e as nossas brigadas serem mais treinadas do que as de prontidão americanas?? Será?

        • É o tipo de treinamento.
          As Bda da 82 e 101 treinam para as ações q são previstas pra elas, com todos os apoios de todas as funções de combate e sistemas.
          Nossas tropas de FAR treinam para ações q estarão sem esse apoio imediato, como os Rangers.
          Os EUA tem uma tropa para cada coisa.
          Os Delta/ SEAL Team 6 para o CT.
          Os BV pra ações indiretas.
          Os SEAL para as Ações Diretas.
          Os MARSOC são novos e creio q estão como os SEAL.
          Os Rangers são uma Infantaria de Elite q engrossa o caldo das OpEsp. Fazem a proteção deles, ou conquistam terrenos ou objetivos importantes para apoiar a execução das OpEsp.
          Aqui é diferente.
          Os FEsp realizam as Ações Indiretas (como os BV) e tem destacamentos específicos para CT.
          Os Comandos realizam Ações Diretas, com os FEsp ou não.
          Os MEC realizam essas ações no Mar.
          Os COMANF, no litoral.
          Os MEC e COMANF também tem suas frações CT, q são os GERR.
          Quem realiza as ações q os Rangers realizam nos EUA, são as FAR, ou os FN, ou os Comandos em uma ação de perfil aquem de suas capacidades.
          A grosso modo, isso.
          Sds

          • O MARSOC tem como missão específica a ação direta em território estrangeiro, seja ele qual for, como por exemplo o deslocamento para defesa de postos diplomáticos sob ameaça ou ataque.
            Não podemos esquecer os PJs da USAF e o nosso congênere que é o Para-Sar, ambos especializados em C-Sar. Também vale lembrar dos PELOPES dedicados às operações especiais dentro de suas unidades num contexto de conflito convencional.

  3. Trump é uma boa pessoa ,um verdadeiro cidadão que sonha com seu povo bem..
    Mas infelizmente ele não manda ou manda pouca coisa , quando ele disse isso ,logo já começaram os boatos de dentro do pentágono em oposição a suas palavras…
    Esta semana eles abriram uma terceira base na Síria , e chegou nesta base alguns soldados das forças especiais Francesas , estes chegaram para defender as FDS dos Turcos , os Curdos a duas semanas atrás foram em Páris ,pedir ajuda a Mácron ,para que a França garantisse a segurança dos mesmos …
    Os americanos prometeram protege los ,mais pulou fora ,pois teria que bater de frente com as Tropas Turcas ; e não bastasse isso ,está semana Forças Americanas foram atacadas por grupos de resistência Sírios ,que são anti coalizão , duas pessoas foram mortas e dezenas feridas….
    Ontem e hoje Putin,Edorgan e Houhani ,se reuniram na Turquia para conversar sobre a Síria e planeja os próximos passos… A presença Turca na Síria e possivelmente no norte do Iraque ,não esta agradando o Irã e Iraque, a Síria infelizmente é um inferno na terra hoje ; Russos negociaram com grupos terroristas ou aqueles que se renderam ,foram transferido para Idlib ,40 mil terroristas com suas familias , somente Al Nusra não aceitou negociar ; a proposta era depor as armas e ir para o norte , se aliar as forças regulares ou ficar e lutar…Al Nusra preferiu lutar rsrsrs ….

    • Esse turco é doido nao duvido que entre em confronto com os AMIS…. (agora com a frança com boas relações com os AMIS muda o cenario na siria)

  4. Hélio 4 de Abril de 2018 at 19:57
    Já já aparece outro ataque químico para justificar mais ataques e maior apoio aos terroristas.

    Quanto a isso os Sírios estão sendo verdadeiros heróis , já conseguiram frustar dezenas de ataques químicos , e ainda descobriram duas fabricas de substâncias químicas em Ghouta , os terroristas recebem as Substâncias de fora , e misturam nestas instalações ,fazendo assim as bombas químicas ,tão famosas no ocidente…

  5. A retirada de Trump é igual, aquela da Russia anunciou na Siria 2 vezes, quando precisaram voltaram, o mesmo vai ser com os americanos.
    Vale lembrar que os EUA tem tropas estacionadas no Kuwait e sempre tem um PA no golfo árabe, cabe a indagação sobre a retirada das tropas no Iraque.
    OFF TOPIC: Delegações arabes foram para os EUA, junto com uma Israelense, para discutir sobre a faixa de gaza, mas o real motivo é o Irã, é um ato único, já que é a primeira vez que delegações oficiais árabes e israelitas se juntam.
    Á e tbm a AS e Oman liberaram um voo de uma copaninha indiana om destino à Israel a passar pelo seus respectivos espaços aéreos.

    • Quem carrega o piano das operações aéreas dos EUA é a sua base no Catar, que é gigante. Se você procurar imagens de satélite do google maps desta base, você vai contar mais de 20 b-52 estacionados lá….

      • Jacinto, então fica a duvida se essa retirada, contempla essas forcas tbm, ate pq elas não são baseadas lá como as tropas no Kuwait, por isso não citei.

        • Acho que os EUA não vão retirar suas tropas da Síria, da mesma forma que não retiraram do Iraque e não retiraram do Afeganistão. Isso é conversa para o público interno dos EUA. Ontem mesmo Trump estava dizendo que se a Arábia Saudita quer que os EUA mantenham tropas na Síria ela vai te de pagar por estas despesas…

  6. Não apenas cumprindo promessas de campanha eleitoral, como diminuindo a tensão econômica e estrutural das forças americanas.
    CM

  7. Assad mantido no poder graças a intervenção Russa e pelo visto, a decisão do Trump de retirar as tropas invasoras dos EUA sepulta de vez qualquer tentativa do ocidente de destituir o Assad; pelo menos por enquanto.

    Vitória do Putin!

  8. É uma situação curiosa.

    A área controlada pelos EUA/curdos contém mais de 50% das reservas de petróleo – e não menos importante – a maior parte das áreas agriculturáveis da Síria.

    Antes da guerra a Síria era exportadora de petróleo e de produtos agrícolas, mas sem a área controlada pelos curdos/EUA esta situação pode se inverter: precisar importar petróleo e alimentos. O que era fonte de renda se torna fonte de despesa.

    Se a Síria acabar se fragmentando, dela vão surgir dois países muito empobrecidos…

  9. Mais uma fake news para desviar a atenção da real intenção dos USA.
    Historicamente, os americanos jamais saíram de um território em que eles sujaram as suas botas. Vide Europa, Ásia, África, Oriente Médio e América do Sul. São mais de 800 bases ao redor do globo, pasmem srs.
    Em todos estes casos, bases, por menor que sejam, possuem contingentes operando.
    Fomentar guerras, conflitos e combates é o lema da economia deles. Só assim se gera demanda para a indústria bélica made in USA.

  10. Eu avisei que seria impossível sustentar aquele enclave sírio com inimigos por todos os lados. Decisão sensata do Trump, apesar dos EUA serem governados pela CIA e Pentágono (com apoio próximo do FBI, Dep. de Estado e toda a mídia), motivo pelo qual ainda veremos muitas false flags antes de desistirem dos ossos.

    E os curdos, como sempre, nunca perdem uma chance de perderem uma chance. Vida que segue.

  11. Reconhecimento da derrota, também é importante, juntar as peças quebradas do tabuleiro, reordenar e guardar para o próximo jogo.

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