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Cerimônia de Formatura e Brevetação do ECOE (Estágio de Caçador de Operações Especiais) do Exército Brasileiro

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O autor no centro da foto, com integrantes do estágio de caçador

Rodney Alfredo Pinto Lisboa

No último sábado, dia 26/05, ocorreu nas dependências do Forte do Imbuhí, em Niterói-RJ, o evento de formatura e brevetação da turma 2018/1 do ECOE (Estágio de Caçador de Operações Especiais) ministrado pelo CIOpEsp (Centro de Instrução de Operações Especiais) do Exército Brasileiro.

Ainda pouco difundida no Brasil, a atividade de Caçador (Atirador de Precisão) refere-se ao conjunto de ações operativas levadas à efeito com a finalidade de oferecer suporte, sobretudo, às tropas de infantaria. Popularmente conhecido pelo termo Sniper, o Caçador opera em favor dos contingentes convencionais de infantaria integrando os respectivos Pelotões de Reconhecimento.

No âmbitos das OpEsp (Operações Especiais), o Caçador, necessariamente, deve adequar-se às exigências dos engajamentos não convencionais balizados pelo elevado risco e criticidade. Nesse contexto, torna-se fundamental qualificar os quadros operacionais das unidades de elite a operar atendendo às exigentes demandas das unidades a que pertencem.

Iniciado em 1998, o ECOE a princípio era ofertado para Oficiais e Sargentos vinculados ao 1° BAC (1° Batalhão de Ações de Comandos) e 1°BFEsp (1° Batalhão de Forças Especiais), e possuía uma grade curricular de apenas três semanas de duração, nas quais eram ministrados os fundamentos técnicos do tiro de precisão executado à longa distância. Percebendo que a demanda pelo Caçador de Operações Especiais se ampliava e o tempo de duração do curso era insuficiente para a realidade dos enfrentamentos do século XXI, a então BdaOpEsp (Brigada de Operações Especiais [atual Comando de Operações Especiais]) estendeu o curso para seis semanas.

No decorrer desse processo de mudança, por ocasião dos grandes eventos realizados no Brasil, o largo emprego da Força Terrestre em Operações de Cooperação e Coordenação com outras Agências possibilitou que integrantes de outras FFAA (Forças Armadas) e Auxiliares (qualificados em Cursos de Operações Especiais) compusessem o corpo discente do ECOE.

Ainda nos primeiros dias do Estágio, os candidatos foram submetidos a um rigoroso Exame de Avaliação Técnica de Tiro que visa verificar suas habilidades na execução do tiro de precisão. A admissão ficou selecionada àqueles que se aproximaram de 91% de aproveitamento nesse exame.

A primeira semana de instrução foi ocupada pelos ensaios do “Teste de Entrada”, aula inaugural e instruções de caráter geral para o Caçador. A segunda semana estabeleceu o ritmo para todo o resto do Estágio, abordando tópicos como o manejo do fuzil de precisão e optrônicos, conhecimento profundo sobre diferentes tipos de balística, preenchimento da caderneta do caçador, condução e correção de tiro, avaliação de distâncias, busca, seleção e designação de alvos, abrigos, camuflagem e confecção do traje/roupa ghillie.

A terceira semana foi carregada de uma extensa carga diária de tiros nos períodos da manhã, tarde e noite. No decorrer desse processo as distâncias entre os alvos variaram de 300 a 1000 metros, com os tiros sendo disparados a curta distância, em ângulo e a longa distância.

A quarta semana definiu a diferença das técnicas de tiro do Caçador do Corpo de Tropa (convencional) para o Caçador de Operações Especiais (não convencional). Os conceitos de fotografia operacional foram transmitidos aos alunos, a fim de conjugarem esses conhecimentos com a observação, memorização e descrição, no intuito de capacitá-los não apenas como Caçadores de Operações Especiais, mas também como sensores de inteligência operacional. Ainda nessa semana os alunos aprenderam a efetuar o tiro embarcado em aeronave de asa rotativa.

As duas semanas restantes do Estágio foram dedicas ao planejamento, preparo e emprego operacional de Equipes de Caçadores de Operações Especiais. Instruções sobre aspectos jurídicos do tiro do caçador, comunicações, comando e controle, planejamento operacional ocuparam o tempo da penúltima semana, culminando com a infiltração e posterior exfiltração (realizada na última semana) aeromóvel de um Destacamento de Reconhecimento e Caçadores, composto pelos alunos do Estágio, com a finalidade cumprir uma missão de monitoramento de alvos em uma ambiente conjunto e interagências. Ao final da sexta e última semana o ECOE promove sua cerimônia de formatura e brevetação realizada nas dependências do CIOpEsp.

Como parte do corpo de instrutores do ECOE, fizeram-se representar na turma 2018/1 militares do CIOpEsp, 1° BAC, 1°BFEsp, GRUMEC (Grupamento de Mergulhadores de Combate), BtlOpEspFuzNav (Batalhão de Operações Especiais dos Fuzileiros Navais “Batalhão Tonelero”) e policiais do BOPE-PMRJ (Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro). Por sua vez, compuseram o corpo discente do curso militares do 1° BAC e 1°BFEsp, além de policiais do BOPE-PMRJ, do BOPE-PMSC, do COE-PMSO (Comandos e Operações Especiais da Polícia Militar de São Paulo), do GATE-PMPB (Grupamentos de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar da Paraíba) e do GT3-PCGO (Grupo Tático 3 da Polícia Civil de Goiás). Assim como ocorreu em edições anteriores, a diversidade de unidades representadas na turma 2018/1 do ECOE reflete o caráter Conjunto e Interagências comum à rotina dos agentes de Defesa e Segurança do Estado brasileiro.

21 COMMENTS

        • Há diferença entre emprego urbano em ambientes conflagrados e emprego em ação típica de policia nas favelas. As regras de engajamento são as principais diferenças.
          O que aconteceria ao militar se ele disparasse contra um bandido a centenas de metros? Se ele ousar atirar em um bandido a queima-roupa só porque o “morador” está “supostamente armado”, a raça dos direitos humanos já vai querer jantar o coitado vivo.
          Melhor deixar cada macaco no seu galho.

          • Sim.
            Por isso há a fase de estudo de aspectos jurídicos, pela grande diferença entre as situações de guerra, contraterrorismo e GLO ou normalidade.
            Sds

    • Creio que se deu na semana em que a matéria descreve assim: “Instruções sobre aspectos jurídicos do tiro do caçador, comunicações, comando e controle, planejamento operacional ocuparam o tempo da penúltima semana, culminando com a infiltração e posterior exfiltração (realizada na última semana) aeromóvel de um Destacamento de Reconhecimento e Caçadores, composto pelos alunos do Estágio, com a finalidade cumprir uma missão de monitoramento de alvos em uma ambiente conjunto e interagências.”

  1. Chega a ser cômico esses “caçadores” não terem os rostos mostrados. Como se atuassem em alguma missão real ou combatessem de verdade. Tudo a ver a “combat shirt” camuflada com preto.

    • Meu pai do céu, é cada besteira. Como você afirma com toda certeza do mundo que eles não participam de operações? Você faz parte de alguma dessas tropas operacionais ou ao menos de alguma dessas instituições citadas? Tá muito por fora, que continue assim, pq é a intenção kk.

      • Sim, faço parte de instituição que atuam com atiradores de precisão. E não vejo necessidade de encobrir os rostos de alunos de curso de formação e continuo achando que as “combate shirt” com as mangas camufladas e o torax preto ficaram horríveis, mas gosto cada um tem o seu. Ficaria bem melhor se fosse totalmente preta ou verde oliva com mangas camufladas.

    • O autor disfarçou o rosto dos colegas porque não tem autorização dos mesmos para os divulgar, mas mostrou o seu, logo não existe a obrigatoriedade de enconder o rosto, foi uma opção em respeito aos colegas.

  2. Claudio, creio que seu comentário foi infeliz, pois esses homens têm alto treinamento e poder ser sequestrado a família para realizarem algum ato. Isso aqui é Brasil onde o crime está em alguns momentos até melhor que nossas forças de combate do governo. E até pelo devido soldo a maioria vivem próximo a regiões onde o tráfico atua, logo melhor passar como um simples milico que nada tem de oferecer ao crime. Tinha um amigo sargento que era de forças especiais fuzileiros, que morava dentro de uma comunidade e se passava como um cabo veio que só atendia telefone, mas como nós ermos e somos ainda amigos conversamos muito sobre o trabalho executado por ele.

    • Entendi. Mas acredito que haja necessidade de usar balaclava ou outra forma de proteção no rosto apenas em missões reais e não em fotos. De toda forma, é para isso que o site tem comentários. Para que todos se expressem, concordando ou discordando. Grande abraço.

  3. Claro que eles realizam missões reais .Quem lembra do assombroso militar do Exército brasileiro? Caçador das F.E , tem muitas missões pelo mundo , no Haiti fez um exelente trabalho .

  4. Sou do Amazonas e aqui nos rios os traficantes usam fuzil perto da fronteira, ter caçadores nos grupos que policiam a fronteira é muito útil pois as vezes os tiroteios ocorrem a centenas de metros

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