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China: ficção científica se torna realidade com fuzil de assalto a laser

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Armas portáteis que podem atear fogo em alvos a longas distâncias não estão mais confinadas à ficção científica, mas à realidade, de acordo com pesquisadores

Por Stephen Chen

O fuzil de assalto a laser ZKZM-500 é classificado como “não letal”, mas produz um feixe de energia que não pode ser visto a olho nu, mas pode passar pelas janelas e causar a “carbonização instantânea” da pele e dos tecidos humanos.

Dez anos atrás, suas capacidades permaneceriam em filmes de ficção científica, mas um cientista de armas a laser disse que o novo dispositivo é capaz de “queimar a roupa em uma fração de segundo … se o tecido for inflamável, toda a pessoa pegará fogo”.

“A dor será insuportável”, segundo o pesquisador que participou do desenvolvimento e teste de campo de um protótipo no Instituto Xian de Óptica e Mecânica de Precisão na Academia Chinesa de Ciências, na província de Shaanxi.

A arma de calibre 15 mm pesa três quilos, aproximadamente o mesmo que um fuzil AK-47, e tem um alcance de 800 metros, e pode ser montada em carros, barcos e aviões.

Agora está pronta para a produção em massa e as primeiras unidades provavelmente serão entregues aos esquadrões antiterrorismo da Polícia Armada da China.

No caso de uma situação de reféns, ela pode ser usada para disparar pelas janelas dos alvos e neutralizar temporariamente os sequestradores, enquanto outras unidades se movem para resgatar seus prisioneiros.

Também poderia ser usado em operações militares secretas. O feixe é poderoso o suficiente para queimar através de um tanque de gasolina e incendiar a instalação de armazenamento de combustível em um aeroporto militar.

Como o laser foi sintonizado em uma frequência invisível e não produz absolutamente nenhum som, “ninguém saberá de onde veio o ataque. Vai parecer um acidente”, disse outro pesquisador. Os cientistas pediram para não serem identificados devido à sensibilidade do projeto.

Os fuzis serão alimentados por um pacote de bateria de lítio recarregável semelhante aos encontrados em smartphones. Pode disparar mais de 1.000 “tiros”, cada um com duração não superior a dois segundos.

O protótipo foi construído pela ZKZM Laser, uma empresa de tecnologia de propriedade do instituto em Xian. Um representante da empresa confirmou que a empresa está procurando um parceiro que tenha uma licença de produção de armas ou um parceiro na indústria de segurança ou defesa para iniciar uma produção em grande escala a um custo de 100.000 yuans (US$ 15.000) por unidade.

Dado o seu potencial para uso indevido, o design e a produção dos dispositivos serão rigorosamente monitorados e os únicos clientes serão os militares e policiais da China.

Um documento técnico contendo informações básicas sobre a arma foi lançado no mês passado na Plataforma de Serviços Públicos para a Integração Nacional Civil-Militar, um site administrado pelo governo central para facilitar a colaboração entre os setores militar e comercial.

A empresa Chengdu Hengan Police Equipment Manufacturing, um importante fornecedor de hardware para as agências chinesas de aplicação da lei, também lançou uma “metralhadora” a laser no mês passado.

A arma tem um alcance de 500 metros e pode disparar várias centenas de tiros por carga, de acordo com o folheto do produto da empresa.

Apenas uma década atrás, essas poderosas armas a laser eram algo tirado da ficção científica. Em 2009, uma tentativa dos EUA de projetar uma arma a laser portátil resultou em algo que “só funciona em nudistas” porque seu raio era fraco demais para sequer penetrar em uma camisa.

ZKZM-500
ZKZM-500

Mas em 2015, Pequim aumentou a aposta com um fundo de dois bilhões de yuans para desenvolver dispositivos a laser compactos e poderosos – um orçamento sem precedentes para o setor e que despertou preocupações nos EUA e em outros países ocidentais.

Nos últimos anos, forças dos EUA que operam em áreas estrategicamente importantes, como o Oceano Índico e o Mar do Sul da China, reclamaram que foram submetidas a um número crescente de ataques a laser de bases militares chinesas ou embarcações que parecem barcos de pesca.

No mês passado, o governo dos EUA registrou uma queixa formal de que um dispositivo a laser disparado de uma base naval chinesa em Djibouti deixou dois pilotos militares com ferimentos nos olhos.

Wang Zhimin, pesquisador associado do Centro de Pesquisa de Física e Tecnologia de Laser da Academia Chinesa de Ciências, disse que os avanços tecnológicos nos últimos anos significaram que os cientistas conseguiram desenvolver dispositivos menores e mais potentes da mesma maneira que os fabricantes de telefones celulares fizeram.

“Isso não é mais ficção científica. Eles já são um fato da vida”, disse ele.

Nos primeiros dias, devido a limites técnicos, era necessário disparar vários feixes e levá-los a convergir em um alvo para causar qualquer dano. Eles também precisavam de uma leitura de distância precisa para ter alguma chance de funcionar.

Além disso, os únicos dispositivos disponíveis eram lentos, volumosos e pesados, tinham um curto alcance e exigiam enormes quantidades de energia.

Mas os dispositivos mais recentes disparam um único feixe e podem causar tantos danos quanto os canhões a laser montados em caminhões teriam feito.

Mas esses desenvolvimentos aumentam o risco de que as armas caiam mais facilmente nas mãos de criminosos e terroristas que poderiam explorar sua capacidade destrutiva, por exemplo, realizando ataques incendiários sem serem detectados.

Wang, que não esteve envolvido no projeto de Xian, alertou que permitir a proliferação dessas armas poderia ser uma ameaça para todos os países.

Não existem protocolos internacionais específicos para regulamentar o desenvolvimento ou uso deste tipo de arma laser.

O Protocolo das Nações Unidas sobre Armas Cegantes a Laser, iniciado em 1980 e assinado por mais de 100 nações, concentra-se em armas de gerações anteriores e proíbe o uso daquelas que poderiam causar perda permanente de visão.

O documento no site do governo chinês classifica o ZKZM-500 como uma “arma não letal”, significando que elas são consideradas menos propensas a matar do que algo explicitamente projetado para isso, como uma arma.

Os lasers não podem matar um alvo com um único tiro, mas se disparados contra uma pessoa por tempo suficiente, as armas começarão a queimar um buraco em seu corpo, cortando-o como uma faca cirúrgica.

Os pesquisadores ressaltam que os cientistas neste campo geralmente concordam que seria desumano usar armas mais poderosas que poderiam “carbonizar” uma pessoa viva.

Em vez disso, o documento enfatiza as aplicações não letais da tecnologia.

Por exemplo, diz que a aplicação da lei poderia combater “protestos ilegais”, ateando fogo em cartazes a longa distância.

Ele também diz que os líderes dos protestos poderiam ser alvo de laser que atearia fogo em suas roupas ou cabelos, o que, segundo o documento, significaria que eles perderiam “os ritmos de seus discursos e poderes de persuasão”.

Mas um policial de Pequim disse que prefere se ater a métodos mais tradicionais de controle de multidões, como gás lacrimogêneo, balas de borracha ou armas de choque elétricas, como os tasers.

“A queimadura a laser deixará uma cicatriz permanente”, disse ele. Ele disse que seria uma “visão horrível” que arriscaria causar pânico ou transformar um protesto pacífico em um motim.

FONTE: South China Morning Post

38 COMMENTS

  1. Eu já li um pouco sobre armas a laser o texto é bem contraditório.
    Primeiro, gostaria de saber o tamanho da bateria que uma coisa dessa usaria, uma vez que laser concentrado pra esse tipo de uso demandaria um fonte abismal de energia. Poxa, o USS Zumwalt que usava um railgun (muito mais eficiente energeticamente do que um laser pois apenas acelera um projétil ferromagnético) só foi possível porque o navio tem uma fonte nuclear a sua disposição e mesmo assim, o projeto morreu.
    Da mesma maneira, se esse é um laser do tipo “não letal”, mesmo que o feixe seja invisível, entendo que se cegar o alvo, então vai contra o que foi concordado entre países e aí, todo mundo vai querer fabricar dazzlers para usar no campo de batalha.
    O problema é que as baterias de hoje são muito ineficientes, logo, ou essa arma precisa necessariamente, estar montada em um veículo como disse a reportagem, para que a energia necessária seja gerada e armazenada na arma, ou essa é apenas um dazzler que tem flashes de 2 segundos cara (e consequentemente, contra a convenção assinada) ou essa arma é um engodo.
    Uma arma a laser letal precisa de muitos megajoules de energia pra poder funcionar como deve. E quando o feixe é disparado, excita o ar criando um som parecido com uma arma disparando (com a diferença que o som é mais alto, e não vem de um local apenas como o de um rifle, mas o som do disparo vem o trecho inteiro em que o laser passou), logo, dizer que um laser portátil, com capacidade para incapacitar alvos sem criar som, só pode cegar mesmo, ou, no máximo, depois de alguns segundos, fazer com que a pessoa tenha a sensação de queimadura, mas não tão rápido e violento como diz a reportagem.

    • Prezado Guacamole,

      Sem invalidar as considerações do seu texto e também sem ir muito profundamente a um off-topic, gostaria apenas de corrigi-lo: o Zumwalt (DDG-1000) não possui fonte nuclear de energia. Mas, de fato, ele possui uma notável capacidade de “produção” de energia elétrica a bordo.

      Sds

      • Você está correto. Acabei de checar aqui. Que absurdo, um navio avançado daquele usar reator convencional enquanto que algumas fragatas usam propulsão nuclear.
        Mas vá lá saber o que se passa na cabeça dessa gente.

        • Guaca,
          Navio de superfície com propulsão nuclear hoje só os porta-aviões americanos e um francês e um cruzador russo classe Kirov.
          Tem alguns quebra-gelos (eu acho) que são eminentemente civis.
          Os americanos não têm mais cruzadores nucleares.

  2. Os EUA a décadas investe em laser … e como sabemos… nada funcional do tamanho de um M-16 … e vem a China com seu laser “movido” a pilha de celular…
    Ok, vamos dar crédito , de repente eles descobriram como gerar um feixe forte usando pouca energia.. o tempo nos dirá.
    PS. se eu fosse o soldado portando tal arma… iria cansar dobrado …mais levava uma arma “movida a pólvora”…rs

  3. Hoje os americanófilos dizem: “nunca os chinks terão uma arma laser!”

    Amanhã eles dirão: “ter não significa operar”

    Aceita que dói menos! kkkkkk

        • Toda vez que se fala da iminente dominação mundial pelos chineses alguém vem com essa máxima: “aceita que dói menos”.
          Cruz credo! Já tô ficando assustado!
          Reza a lenda que se a gente relaxar quase não doe e depois a gente acostuma e passa até a gostar e aí vira vício e a gente não larga nunca mais. A sorte para os iniciantes é que o “míssil” dos chineses é de “curto alcance”… igual dos japinhas, se é que me entendem!!!??
          Ainda bem que são os chineses que vão dominar o mundo com essa mania esquisita. Temos que combinar e impedir a qualquer custo que os congoleses um dia resolvam derrubar a China e dominarem o mundo.
          Não há nada tão ruim que não possa piorar.

          • Bosco, vc me deixou aliviado agora, já que tenho consulta com o urologista em breve. Você acha que devo levar bombom, flores e uma aliança para ele? Vou plagiar o Victor Moraes ” UIIIII ” kkkkkk kkk kkk

          • KKKK KKKK KKKK KKKKK, meu caro, logo do Congo? economizo na caixa de bombom e vou gastar uma fortuna com cirurgia plástica reparadora. abração. st4

          • Bosco 5 de julho de 2018 at 0:22

            “Toda vez que se fala da iminente dominação mundial pelos chineses alguém vem com essa máxima: “aceita que dói menos”.
            Cruz credo! Já tô ficando assustado!”

            ______________

            Bosco, essa galerinha vermelhusca só quer trocar o dono do chicote, esse papinho furado de “imperialismo americano, entreguistas, colônia norte americana, o pétroleo é nosso” e essas baboseiras ufanistas que a esquerda repete o tempo todo, é só para enganar trouxas desavisados! Oq eles querem é um boa chicotada no lombo, mas em mandarim ou russo… nunca tiveram intenção nenhuma de tornar o Brasil um país forte economicamente. Eles gostam de uma ditadura, gostam de ver sua liberdade cerceada, mas que seja por mãos comunistas.

    • Ninguém disse que não poderiam criar uma arma a laser.
      Mas que a notícia está contraditória, não há dúvidas.
      veja por exemplo armas a laser usadas para derrubar misseis.
      Mesmo sendo lasers que operam na faixa de Megawatt, demora alguns segundos de feixe constante pra derrubar o míssil.
      Imagina se o mesmo é possível em uma arma de infantaria?
      Isso quer dizer que a única maneira de uma coisa dessa ser possível é se os chineses tiverem criado uma revolucionário ( e bota revolucionário) bateria que consegue segurar uma carga absurda de energia em um pacote compacto.
      Mas se isso for verdade, uma arma dessa seria o de menos. A bateria em si seria de tal forma impactante, que tudo, de notebooks a carros, de telefones a submarinos ganhariam uma capacidade nunca vista antes.

      Mas se fosse isso mesmo, eles teria noticiado a bateria, e não o laser em sí.

      Lembre-se que este é um site de defesa, e não de torcida. Gostar desse ou daquele país não faz com que tal país possa ou não criar algo.

    • O problema para os sinófilos é que essa tecnologia já é dominada há tempos por americanos e russos. Então bem menos sim!?

  4. Pronto….a indústria militar voltada para fardamento, capacetes, botas, luvas, coletes e assessórios tem aval para apresentarem as proteções necessárias as novas ameaças do campo de batalha!!
    Tem que proteger contra ataques químicos, nucleares, bactericidas, biológicos, sons de alta intensidade, escorregões, manter o conforto térmico, ergonômico, ser um exoesqueleto, e agora contra lasers portáteis….
    Melhor largar pra lá e curtir uma praia!!
    E assim caminha a humanidade.

  5. Tem monte desses projetos na Youtube, o pessoal viaja demais e gosta de imaginar que vai ser como nos filmes, como no caso dos laser americanos cortando caças ao meio em frações de segundo, a realidade é outra, um .22lr causa mais dano por muito menos. Essa arma basicamente tem um banco de “super-capacitores” que fornece uma grande quantidade de energia em um curto espaço de tempo, mas sofre de baixa densidade energética e por isso também tem uma bateria de íon-lítio para carregá-los. A potência necessária para se perfurar um massa de tecido orgânico como o corpo de um adulto em pouco tempo é grande mais para ser comportada em uma arma dessas dimensões, não é atoa que é classificada como não letal, deve causar uma queimadura de terceiro grau facilmente.

  6. kkkkkk A própria matéria chinesa cheia de ufanismo admite que não mata e tem que ficar um “tempo suficiente” para causar algum dano, mas é óbvio que a pessoa vai perceber e não vai ficar parada. Qualquer um pode comprar um laser de mão que queima ou que cega pilotos em aeronaves, isso não é novidade nenhuma, tem vários vídeos no youtube mostrando laser cortando e perfurando coisas.

  7. Já tentaram queimar papel molhado ?
    O ser humano é 65/70% água. Ninguém vai ser incinerado, pulverizado, vaporizado ou desintegrado por esta arma. Só uma dolorosa queimadura do tamanho do feixe de laser.
    É tão somente armamento não-letal à distância.
    E o soldado ainda vai ter que ficar segurando com firmeza, pois o feixe só dura 2 segundos, se ficar oscilando vai dispersar o feixe e seu efeito.

  8. Luz invisível? Isto parece mais algumas lâmpadas LED de alta potência com uma lente na frente, para “compactar a luz”. Isto causa queimaduras. Só isto. Laser é outra coisa…

  9. Sem desmerecer a fonte, nem os foristas, mas será que alguém – inicialmente, ou prioritariamente – já pesquisou se lá na China o nosso “1º de abril” é “festejado” em outra data ???????? Talvez uma próxima a publicação original deste texto ??? Vejam BEM: ” A arma de calibre 15 mm … “

  10. Tomara q seja verdade! Um avanço inimaginável!!!
    Fiquei impressionado com a bateria!!! Meu celular novinho não manda 1.000 mensagens de WhatsApp com uma carga de bateria…. e a parada da 1.000 tiros sinistros!!!!!
    Avanço impressionível!!!
    Kkkkk

  11. Acho que uma arma tão “poderosa” assim não seria divulgada aos quatro ventos. Até parece que o “inimigo” não vai inventar uma contra medida, não importa o lado que esteja.

  12. Alguém aqui sabe a dificuldade que é se livrar de uma roupa em chamas? A intenção da arma, pelo que me parece, é provocar chamas nas roupas, a depender do material, isso não leva mais do que 4 ou 5 segundos para inflamar sob o forte calor do laser, algodão e poliéster queimariam rapidinho, trajes militares mais resistentes poderiam levar mais algum tempo, o fato é que se bem usada pode provocar graves lesões no corpo humano, tirando-o do combate. Uma queimadura de primeiro grau já incomoda bastante, imaginem uma de segundo grau, ou na pior das hipóteses, de terceiro. Estou opinando como leigo pois não entendo nada disso.

    • Defensor,
      Mas essa arma não pode ser utilizada contra civis para incendiar suas roupas. Isso está longe de ser uma arma não letal. Sua utilização é muito limitada tanto em operações de guerra e muito mais para controle de distúrbios civis.
      Só vejo alguma utilidade contra drones e talvez para fazer explodir IEDS.

  13. Trabalho com máquinas de corte laser todos os dias, e garanto que qualquer uma delas com pouco investimento se torna portátil, não precisa de muito para fazer um vídeo desse que anda circulando por ai, inclusive garanto que ao vivo aqui na empresa é bem mais impressionante que esse vídeo, o grande segredo de uma futura arma laser está em determinar a distância do alvo e ajustar o foco isso é tão ou mais crucial que a potência em si. Em questão de bateria o consumo seria similar a um taser pois ambos trabalham com baixa amperagem (28ma) e alta voltagem (15mil volts), lembro de uma história talvez da grécia ou da roma em que usaram espelhos para queimar embarcações, o princípio é exatamente o mesmo.

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