A memória da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na II Guerra Mundial é quase desconhecida por nossos jovens. Hoje dizer que soldados brasileiros estiveram na Europa, lutando contra o nazi-fascismo, causa estranheza às novas gerações.

Consultando os livros escolares de História do Brasil, verifica-se o motivo de tal desconhecimento: em alguns deles a participação da FEB se resume a uma linha. Em muitos, ela é sequer mencionada.

Por seu turno, a bibliografia especializada destaca os aspectos estratégicos e as implicações políticas da guerra, em particular as ações dos líderes militares e civis, deixando o relato do simples soldado no anonimato.

A concepção do documentário visa preencher esse hiato histórico, abordando o conflito sob a ótica do personagem que carregou o mais pesado fardo na II Guerra Mundial — e o faz em todas as guerras : o soldado de infantaria.

A obra revive a memória dos integrantes do III Batalhão do 11º Regimento de Infantaria, conhecido como o “Lapa Azul”, formado, em sua maioria, por jovens oriundos das classes humildes do interior mineiro.

Foram jovens que venceram limitações consideradas insuperáveis para um exército sul-americano, indo desde as de ordem material até o ceticismo dos seus aliados e compatriotas. Por fim, aprenderam a guerrear e a sobrepujar as experientes tropas alemãs, em meio à lama e à neve, nas montanhas dos Apeninos italianos.

Este documentário nasceu inspirado na luta e na garra desses homens, destacando aquele que foi o momento mais importante do Brasil, no cenário internacional, durante o século XX.

Mais do que um exercício de memória, o “Lapa Azul” revela o verdadeiro espírito do brasileiro: humilde, pacífico e generoso por natureza, mas capaz de transformá-lo em guerreiro quando necessário.

FONTE: Blog O Lapa Azul

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O Jornal da BAND está levando ao ar durante esta semana uma série de reportagens mostrando os desafios do Exército Brasileiro para proteger a Amazônia, um território disputado por garimpeiros, cientistas, madeireiros e traficantes de drogas.

EE-T4 ‘Ogum’

A história do blindado nacional que buscava um mercado

Na metade da década de 1980 a Engesa – Engenheiros Especializados S/A já havia se firmado como uma grande companhia na área de veículos militares sobre rodas. A carteira de clientes era bastante grande, variando entre países que fazem fronteira com o Brasil e nações da África e do Golfo Pérsico.

Com alguns países em especial a Engesa possuía um relacionamento bastante estreito. Um desses casos era o Iraque, então governado por Saddam Hussei e profundamente envolvido no conflito com o Irã. A origem do EE-T4 Ogum está vinculada àquele país do Golfo Pérsico.

Inspiração no Wiesel

Representantes do departamento comercial da Engesa estavam no Iraque quando foram indagados por autoridades militares daquele país se a empresa “tinha condições” de fabricar um carro com as características do alemão Wiesel. De volta ao Brasil, estes representantes comunicaram ao departamento de projetos da Engesa que os iraquianos “queriam” um veículo semelhante ao Wiesel.

Dois MaK Wiesel desembarcando de um helicóptero CH-53G do Exército da Alemanha. O exemplar da direita é do modelo TOW Al e o exemplar da esquerda é do modelo Mk 20 Al (FOTO: Bundesheer)

O Wiesel, desenvolvido pela Porshe e construído pela MaK da Alemanha Ocidental, era um veículo blindado leve, sobre lagartas sem equivalentes. O mesmo era classificado como “Airportable Armoured Vehicle”, uma verdadeira novidade naqueles tempos finais da “Guerra Fria”. Sua proposta era dotar as brigadas aerotransportadas do Exército da Alemanha Ocidental com um veículo blindado de reconhecimento e observação capaz de ser transportado e lançado a partir de aeronaves de transporte ou mesmo helicópteros pesados.

Ogum hostentando um padrão de camuflagem em quatro tons (FOTO: Engesa)

Quando a Engesa começou a trabalhar no Ogum, o Wiesel ainda estava em desenvolvimento e os primeiros exemplares só foram entregues para o Exército da Alemanha no final de 1989.

Assim, em fevereiro de 1985 foram iniciados os estudos para o desenvolvimento de um novo veículo blindado leve sobre lagartas. Designado EE-T4 e batizado com o nome “Ogum”, o primeiro protótipo teve a sua construção iniciada em novembro daquele ano, ficando pronto em maio de 1986.

Protótipos do EE-T4 Ogum realizando testes e demonstrações em terrenos não preparados (FOTOS: Engesa)

Este primeiro protótipo foi utilizado em ensaios mecânicos e um segundo exemplar logo ficou pronto e foi enviado ao Iraque para testes em campo. Com os resultados obtidos, decidiu-se modificar alguns pontos do projeto. Existem textos que citam a construção de um terceiro e um quarto protótipo . No entnato, esta informação não é confirmada por alguns autores. O que se sabe é que um dos protótipos foi equipado com uma torreta com duas metralhadoras. Este exemplar foi apresentado na Exposição Internacional de Equipamentos de Defesa em Bagdá em 1989.

Protótipo do Ogum exposto em frente ao prédioonde ocorreu a Exposição Internacional de Equipamentos de Defesa em Bagdá em 1989 (FOTO: Engesa)

Características

Por ser um blindado aerotransportado, o mesmo foi projetado para ser pequeno e leve. As dimensões externas do Ogum são compatíveis com o Wiesel alemão, sendo o blindado de origem nacional um pouco mais comprido e um pouco mais largo. As alturas são praticamente equivalentes, diferindo apenas no tipo de torreta adotada. Em relação ao peso, o Ogum é muito mais pesado que o seu equivalente alemão (4,4 toneladas contra 2,8 toneladas).

Chassi

Seu desenho era convencional, sendo a estrutura formada por uma única peça (monobloco) construída em chapas de aço semelhantes às utilizadas pelos Cascavel e Urutu. Desta forma, de acordo com o fabricante, o veículo possuía uma proteção balística efetiva contra projéteis típicos de infantaria.

O interior do monobloco era dividido, grosso modo, em três compartimentos. Na parte frontal, à direita, localizava-se o conjunto motor/transmissão. Ao lado do motor e ligeiramente recuado em relação à linha central do mesmo, sentava-se o motorista. Este possuía uma escotilha própria para acesso ao seu compartimento.

A parte posterior do veículo, onde se localizava o compartimento da torre, era dominada por um espaço que podia receber diversas configurações, dependendo da versão do veículo. No caso da versão de reconhecimento existia uma escotilha de acesso ao compartimento do comandante do carro.

Motor, suspensão e transmissão

Por ser um veículo blindado mais leve e compacto, recebeu uma motorização menos potente que os seus irmãos “mais velhos” Urutu e Cascavel. O primeiro protótipo foi equipado com um motor diesel Perkins, modelo QT 20B4, com quatro cilindros em linha, turbinado e refrigerado a líquido. Este motor desenvolvia 125 HP a 16000 rpm. A relação peso-potência era de 23.15 HP/tonelada. A autonomia chegava a 350 km a 70 km/h em estradas.

A transmissão era automática com quatro velocidades à frente e uma a ré. O modelo empregado era o AT 545, fabricado pela norte-americana Alisson Transmission. Esta mesma companhia desenvolveu e fabricou as transmissões dos carros de combate M1A1 Abrams. A série AT, na época do projeto do Ogum era um produto relativamente novo no mercado e atualmente é largamente empregada em veículos comerciais leves e médios.

O segundo protótipo recebeu um motor diesel BMW M21 D24WA que desenvolvia 130 HP a 4.800 rpm. Além da potência maior, este motor permitiu um pequeno aumento na velocidade (75 km/h) e no raio de ação (360 km). A transmissão foi substituída por uma ZF (Zahnrad¬fabrik Friedrichshafen) modelo 4 HP 22.

Comparado ao Weisel o Ogum, independente da motorização adotada, possui potência maior, mas a relação peso-potência é favorável ao modelo alemão (30.7 HP/tonelada), pois o mesmo é muito mais leve.

O sistema de suspensão não apresenta maiores surpresas, sendo do tipo barras de torção com três amortecedores e quatro rodas de apoio de cada lado. Além disso, existem duas rodas dentadas de direção (uma de cada lado) à frente e um conjunto de rodas tensoras na parte posterior. As lagartas são fabricadas pela empresa alemã Diehl e possuem sapata removível.

Versões e Armamentos

A intenção da Engesa era produzir uma família de blindados baseada no chassi do Ogum. A versão básica de produção seria um veículo de reconhecimento dotado de armamento leve. As versões propostas eram: um mini-APC (Armored Personnel Carrier) para até quatro soldados; um veículo de comando; um veículo ambulância (três feridos); um veículo anticarro; um veículo de transporte de munição e um veículo de transporte de morteiro de 120mm.

Por ter sido desenhado como um veículo de reconhecimento armado, a opção básica do Ogum era uma torreta com uma metralhadora .50 ou calibre 7,62mm em suporte simples. Posteriormente, em um dos protótipos foi instalada uma torre giratória com duas metralhadoras de 7,62mm.

Também foi projetada uma versão dotada de um canhão de 20mm. Com este armamento o veículo adquire maior poder ofensivo nas missões de reconhecimento ou ações de comando atrás das linhas inimigas.

Protótipo do EE-T4 Ogum equipado com uma torreta duas metralhadoras de 7,62mm (FOTO: Engesa)

Na versão anticarro, o Ogum seria equipado com uma torre dotada de dois mísseis. A idéia (assim como todo o projeto) não seguiu adiante e os detalhes desta versão ficaram somente no campo das especulações. No entanto, a capacidade de transporte de mísseis seria bastante limitada tomando como base o projeto Wiesel alemão. Na versão TOW ATGW o Wiesel é capaz de transportar sete mísseis.

Apenas para efeito comparativo, o Wiesel alemão foi fabricado somente em duas versões. A primeira delas era um veículo anticarro, denominada TOW Al (210 exemplares construídos) e a segunda estava equipada com um único canhão Rheinmetall MK 20 Rh 202 de 20mm (135 exemplares construídos).

Além do armamento descrito acima, todas as versões do Ogum seriam equipadas com tubos lançadores de granadas fumígenas para proteção aproximada.

Situação atual

Dos quatro exemplares construídos, só se conhece o paradeiro de um deles. O protótipo que se encontra em poder do Exército Brasileiro e está sob os cuidados do 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado (13º R C Mec) localizado em Pirassununga/SP é, muito provavelmente, o segundo exemplar.

Como poder ser visto nas fotos, o mesmo encontra-se bastante descaracterizado. Restaurá-lo ao padrão original levará certo tempo. Externamente ele apresenta um padrão de camuflagem em dois tons bastante comum dos veículos atuais no EB. Não existem mais marcações nem identificações no chassi. Parte dos acessórios (ex. retrovisores) está em falta.

Fotos internas do Ogum. Na primeira foto a aprece o posto do comandante do carro. Na foto central é apresentado o compartimento do motor (sem o mesmo). Na foto da direita o compartimento do motorista do veículo. (FOTOS: Forças Terrestres)

Internamente a situação é bastante ruim. O compartimento do motorista está bastante danificado e com itens faltantes. Além da pintura desgastada, o revestimento do volante de direção encontra-se danificado.

Ao lado do motorista o compartimento do motor está praticamente vazio. Existem apenas algumas poucas peças que compunham o sistema de gases de exaustão e algumas mangueiras. O odor de óleo diesel no interior é forte.

Considerações Finais

É comum encontrar na literatura textos que propõem a “ressurreição” do projeto do EE-T4 Ogum.

Mesmo que um veículo com estas características se encaixasse na doutrina de Exército Brasileiro para o emprego de ações aerotáticas, dificilmente o baixo número de unidades encomendadas viabilizaria o projeto.

Atualmente não existe nenhum produto do mercado externo com as características do Ogum e tudo indica que não existe uma demanda para tal. O único eventual concorrente poderia ser o próprio Wiesel. Porém, este já teve a sua produção encerrada.

Das 345 unidades do Wiesel construídas, quase todas seguiram para o Exército Alemão. Alguns poucos exemplares foram adquiridos pelo Exército dos EUA para o desenvolvimento de veículos blindados sobre lagarta não tripulados. Talvez este seja um campo mais promissor para o mercado futuro de blindados de pequeno porte e aerotransportados.

O protótipo do Ogum representa um momento nostálgico para a indústria bélica brasileira. Suas características e sua singularidade são razões mais do que suficientes para uma devida preservação. É injustificável o fato do mesmo ainda não estar devidamente recolhido em local apropriado. Locais já existem, como o Museu de Blindados Conde de Linhares, localizado no Rio de Janeiro. Este seria um local ideal para a sua preservação.

CARACTERÍSTICAS DO EE-T4 OGUM

Dimensões*

comprimento: 3750mm

altura: 1355/1825mm

largura: 2145mm

Peso

4400kg

Motor

diesel quatro tempos com quatro cilindros em linha

Transmissão

automática com quatro velocidades à frente e uma a ré

Suspensão

tipo barra de torção

Desempenho

velocidade: 70-75km/h

autonomia: 350-360km

pressão sobre o solo: 0,32kg/cm2

rampa máxima: 60%

inclinação máxima: 30%

obstáculo vertical: 400-600mm**

trincheira: 1000-1500mm**

vau: 670-800mm**

Blindagem

proteção relativa contra projéteis de infantaria

Armamento

(opções)

- uma metralhadora 7,62mm ou .50″ para o comandante do carro e quatro lançadores de granadas fumígenas

- uma torreta com duas metralhadoras de 7,62mm e quatro lançadores de granadas fumígenas

(projetado)

- um morteiro de 120mm

- um canhão de 20mm

- lançador de mísseis anticarro

Comunicações

rádio VHF/UHF

*dimensões variam conforme o protótipo
** valores variam conforme a fonte dos dados

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‘Tropa de elite’ do SBT Repórter

E aí, vai encarar ? Antes de decidir, assista ao vídeo na íntegra, cuja duração excede os 42 minutos.

O SBT repórter colocou no ar nesta semana, um excelente documentário intitulado “Tropa de Elite”, permitindo que se conheça a fundo o treinamento, as agruras e as dificuldades a que são submetidos os candidatos a integrar o CIGS do EB e a ROTA (1º Bat. Choque-PMSP).

Para assistir ao vídeo, clique aqui.

FONTE: SBT Repórter  /  COLABORARAM: Cinquini e M.Ostra

 

Vinte e sete anos depois de aberta, a ação judicial que pretende obrigar a União a apresentar documentos sobre o conflito e apontar a localização das sepulturas dos militantes de esquerda mortos na guerrilha do Araguaia (1972-1975) permanece insolúvel. Nesse espaço de tempo, sem nenhuma resposta oficial do governo, morreu a metade dos familiares que iniciaram o processo.

Quando a ação foi proposta, em 19 de fevereiro de 1982, o presidente era o general João Figueiredo (1918-1999), a moeda, o cruzeiro e a novela que fazia sucesso, “Elas por Elas”.

A ação foi proposta por 22 pessoas, cujos nomes constam até hoje dos registros judiciais por onde a ação passeou -Justiça Federal de primeira instância no Distrito Federal, Tribunal Regional Federal e Supremo Tribunal Federal.

Segundo levantamento feito pela Folha a partir de dados da comissão de familiares de mortos e desaparecidos, dos 22 autores, 11 morreram. Eram mães e pais de parte dos militantes do Araguaia -foco guerrilheiro criado pelo PC do B com a intenção de derrubar a ditadura militar e implantar um governo comunista no país. Segundo o livro “A Ditadura Escancarada”, do jornalista Elio Gaspari, morreram no conflito 59 guerrilheiros, 16 soldados do Exército e dez moradores da região.

A maioria dos pais morreu antes mesmo de comemorar a sentença de primeira instância de 2003, proferida pela juíza Solange Salgado, que reconheceu o direito de eles terem acesso aos documentos. A vitória, porém, teve gosto passageiro, já que a União recorreu e o caso foi parar no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e, de lá, no STF (Supremo Tribunal Federal). Pelo menos cinco anos de demora na tramitação do processo se devem a recursos protocolados pela AGU (Advocacia Geral da União) já no governo de Lula. No início deste ano, a ação transitou em julgado, não cabendo mais recurso.

Sem informação

Seis anos antes da primeira decisão da juíza, em 1997, morreu o bancário Edwin Costa, aos 87, de enfisema pulmonar. Era pai de Walkíria Costa, estudante de Patos de Minas (MG), dada como desaparecida no Araguaia aos 26 anos.

Sua irmã, Waléria, aguarda o desfecho da ação, mas disse não ter recebido informações suficientes do advogado do caso, o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), reclamação que surgiu nas conversas com outros familiares.

Waléria, 55, disse não ter muitas esperanças de ver o governo revelar seus arquivos. “Acho que, enquanto estivermos vivos, eles vão ocultar a verdade. Estão nos esperando morrer primeiro”, disse ela.

Os autores originais da ação demonstram cansaço com a demora. “Não estamos sendo informados por nenhum órgão competente”, disse a costureira aposentada Maria Leonor Pereira Marques, 80, mãe do militante do PC do B Paulo Roberto Pereira Marques. Funcionário do Banco de Minas Gerais, Marques desapareceu aos 24 anos no dia de Natal de 1973, após um ataque do Exército a um acampamento da guerrilha.

Nos anos 90, Maria Leonor propôs uma ação de indenização e recebeu apenas R$ 98 mil, em uma única parcela, pelo desaparecimento do filho.

Por e-mail, o advogado Greenhalgh negou à Folha que as famílias não estejam recebendo dados sobre a ação judicial. Citou como exemplo a última petição a que deu entrada, em 11 de julho, e que teria sido copiada para três dos familiares. “Dessa iniciativa demos ciência aos familiares. (…) Assim, não é verdade que os parentes não têm sido suficientemente informados do processo e sobre isso não há que se fazer intrigas”, afirmou o advogado.

A AGU informou na semana passada que quer fazer cumprir a ordem da juíza. Peticionou na ação, contudo, para obter uma nova citação e só então promover a abertura dos arquivos. O procurador da República Rômulo Moreira Conrado disse no processo que a União já teve tempo para organizar os documentos. Pediu que os dados sejam entregues em 15 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. O juiz substituto da 1ª Vara Federal não havia decidido sobre o pedido do procurador até sexta. O processo está “concluso para despacho” do juiz titular desde 24 de novembro de 2008.

FONTE: Folha de São Paulo

 

PQD

O Blog Forte recomenda aos nossos leitores o filme PQD, dirigido por Guilherme Coelho, que está nas locadoras. O filme mostra o que acontece, durante um ano, com um grupo de jovens que ingressam no curso para o 25º Batalhão de Infantaria do Exército, no Rio de Janeiro. É o curso que dá passaporte para a Brigada Pára-quedista. O documentário fala sobre estar no Exército, sem focar a instituição em si. É um olhar sobre a vida de jovens de 18 anos, pela primeira vez longe de casa, tendo que se adaptar a uma instituição ordeira, num país em que muitos desprezam instituições e a  ordem. É interessante como o filme sabe explorar a experiência do primeiro salto para esses jovens. Há um trato até certo ponto simbólico. A maior parte deles nunca havia voado de avião. E já na primeira vez que o fazem, é para dar o salto. É algo de grandioso!
Um outro ponto importante de PQD, é que ele ressalta um pedaço do País que está no esquecimento.

“Enquanto houver no céu, a silhueta de um Pára-quedista, haverá sempre esperança de vitória”

Canção do Pára-quedista

“Cumprindo no espaço a missão dos condores
Valente e audaz não vacila um instante
Nas asas de prata ao roncar dos motores
Vai a sentinela da pátria distante

Chegado o momento descendo dos céus
Num salto gigante surgindo do anil
Vai ele planando no templo de Deus
Lutar em defesa do nosso Brasil

Paraquedista!
Guerreiro alado vai cumprir sua missão
Num salto audaz
Vai conquistar do inimigo a posição

Paraquedista!
No entrechoque das nações sempre serás
O eterno herói
Que no avanço da luta ninguém deterá”

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The Fog of War

Sob a Névoa da Guerra: Onze Lições da Vida de Robert S. McNamara é um documentário dirigido por Errol Morris lançado em dezembro de 2003. O filme inclui trilha sonora original de Philip Glass e ganhou o Oscar de melhor documentário. A expressão “névoa da guerra”, popularizada por Carl von Clausewitz no seu livro Da Guerra (1832), indica a nuvem de incerteza que recobre um campo de batalha assim que a luta tem início.

O filme mostra a vida de Robert McNamara, secretário de defesa dos Estados Unidos de 1961 a 1968, através de imagens de arquivo, gravações da Casa Branca e, em primazia, uma entrevista com McNamara aos 85 anos de idade. A entrevista trata dos trabalhos de McNamara como um dos Whiz Kids durante a Segunda Guerra Mundial e como presidente da Ford, e do seu envolvimento na Guerra do Vietnam enquanto foi secretário de defesa dos presidentes Kennedy e Lyndon Johnson.

Durante uma aparição em 2004 na UC Berkeley, Morris disse que se inspirou para criar o filme após ler o livro de 2001 escrito por McNamara (com James G. Blight), Wilson’s Ghost: Reducing the Risk of Conflict, Killing, and Catastrophe in the 21st Century. O webcast completo pode ser visto em UC Berkeley News.

O conceito de formular o filme em “11 lições” se originou do livro de 1996 de McNamara In Retrospect: The Tragedy and Lessons of Vietnam. Morris criou o filme através de lições das várias regras que McNamara se utiliza durante sua entrevista (Morris entrevistou McNamara por mais de 20 horas). As lições proporcionam uma estrutura a Sob a névoa da guerra, no entanto, essas lições não foram explicitamente criadas por McNamara (como anteriormente citado, durante o evento na UC Berkeley, McNamara declarou que não concordava com todas os aspectos das interpretações de Morris). Após a conclusão do filme, McNamara respondeu a Morris complementando as 11 lições do filme com mais 10 lições feitas por ele próprio. As lições estão inclusas no DVD.

Durante o evento em Berkeley, McNamara foi convidado a aplicar suas lições originais(do seu livro de 1996) para a Invasão do Iraque, e ele se recusou, argumentando que ex-Secretários de Defesa não deveriam comentar a política dos atuais Secretários de Defesa. McNamara sugeriu que outra pessoa aplicasse as suas lições ao Iraque se assim desejavam, mas que ele próprio não faria isso explicitamente, e comentou que suas lições eram muito generalizantes para qualquer conflito militar em especial (e ele havia as escrito algum tempo antes da guerra do Iraque).

As 11 lições do filme

1. Sinta empatia pelo inimigo.
2. Racionalidade não irá nos salvar.
3. Existe algo superior em uma pessoa.
4. Maximize a eficiência.
5. Proporcionalidade deve ser uma meta da guerra.
6. Consiga a informação.
7. Acreditar e ver, os dois podem falhar.
8. Esteja preparado para reanalizar seu pensamento.
9. Para fazer o bem, você pode ter que fazer o mal.
10. Nunca diga nunca..
11. Você não pode mudar a natureza humana.

NOTA DO BLOG: O documentário é OBRIGATÓRIO para todos os estudiosos de assuntos militares. Se você ainda não assistiu, alugue esta semana mesmo na sua locadora. Quem já assistiu, por favor, deixe um comentário com suas impressões. Abaixo, dois trechos do filme.

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O ministro da Defesa, Nelson Jobin, apresentou hoje à Frente Parlamentar de Defesa Nacional, uma prévia do Plano Estratégico de Defesa Nacional (PDN). Abrangendo linhas gerais, conteúdo e cronologia do plano, o documento será finalizado até o dia 11 de dezembro. Após a aprovação do presidente da República, será analisado pelo Conselho de Defesa Nacional e encaminhado ao Congresso Nacional.

- Apresentamos três pontos básicos do Plano aos parlamentares. Uma análise da reorganização das forças armadas e a forma como pretendemos organizá-la; a questão da necessidade de termos uma indústria de defesa visando a capacitação tecnológica nacional; e a questão do serviço militar obrigatório – disse Jobim.

O presidente da Frente Parlamentar da Defesa Nacional, Raul Jungmann (PPS-PE), disse estar satisfeito com o que foi apresentado. – É um plano muito ousado porque detalha, aprofunda e dá uma visão integrada das forças armadas, associando a questão da defesa ao desenvolvimento nacional – afirmou.

- Avalio-o como resposta a uma necessidade. O Brasil precisa ter uma cultura e um plano de defesa compatíveis com a sua projeção, com o mundo, e com o seu projeto de desenvolvimento. A defesa nacional é a contra-face do desenvolvimento nacional, e o plano seguiu por este caminho – completou.

A Amazônia é a grande prioridade regional apresentada no PDN que, segundo o ministro da Defesa, enfocará critérios de modelos estratégicos para Exército, Marinha e Aeronáutica, de forma a reposicionar as forças no território nacional.

- Nossas plataformas aéreas terão de ser substituídas no período entre 2015 e 2025 e precisamos resolver o problema da elasticidade e flexibilidade do Exército. Há também a necessidade de expansão da Marinha, que precisa ser instalada em um ponto próximo à foz do Amazonas e no Nordeste – disse.

Compras de material tecnológico no exterior trarão, segundo Jobim, vantagens tecnológicas ao Brasil. – Não somos compradores de instrumentos. O que visamos é a capacitação nacional para a construção de equipamentos tecnológicos como, por exemplo, o submarino nuclear – enfatizou.

Jobim garantiu que a crise com os países vizinhos não influenciou na preparação do documento. – O Plano Nacional não é contra ninguém. É a favor do Brasil. Nós não estamos nos organizando em termos de inimigos, mas em termos de capacitação do país -disse o ministro.

Fonte: Agência Brasil

 

Brigada Pára-Quedista

Documentário acompanha a tropa de elite do Exército do ponto-de-vista da instituição

Com menos de um ano de diferença, o circuito recebe dois documentários brasileiros sobre a infantaria pára-quedista do Exército Brasileiro. Depois de PQD, de Guilherme Coelho, em dezembro passado, agora é a vez de Brigada Pára-Quedista, de Evaldo Mocarzel.
O mais interessante dessa história é que são olhares bem distintos sobre um mesmo objeto, quase opostos. Ao contrário de PQD, que basicamente acompanha os cadetes que lutam por um lugar na tropa de elite do Exército, Brigada Pára-Quedista fala da instituição. Parte do geral para só depois mencionar o particular.
E não há melhor jeito de introduzir a instituição do que mostrar sua solenidade pela manhã. É um filme sem diálogos em seus minutos iniciais. A câmera de Mocarzel passeia pelo vaivém dos blocos de cadetes durante o exercício matinal, raramente destaca um ou outro indivíduo que não seja alguém de comando. É uma posição de respeito quase fordiana – travellings passando por corredores e portas, do interior para fora, para acentuar a cerimônia.
A essa altura, em PQD, Guilherme Coelho já tinha virado chapa dos recrutas, entrevistando familiares, descobrindo que ter um grau pará-quedista era o melhor gabarito para o jovem que depois faria testes na Polícia Militar do Rio de Janeiro. Mocarzel evita individualizar sua pesquisa. É possível dizer que a busca do seu documentário não é pelo Exército dos dias de hoje, mas por um Exército simbólico, atemporal. Só não é mais descontextualizado porque Mocarzel faz a obrigatória pergunta sobre os tempos da Ditadura.
Dentro desse esforço de resgate da imagem do Exército, permeado por alguns depoimentos banais (como da tenente Raquel) e algumas imagens conscientemente “embelezadoras” (como a contraluz que encerra o filme), Mocarzel exibe mais espírito crítico em relação ao próprio cinema do que em relação ao objeto de seu estudo. É o momento, comum em seus documentários, em que ele exibe em VHS ou em DVD imagens para seus entrevistados comentarem.
Desta vez, são clássicos de guerra como A Grande Ilusão, Agonia e Glória, Platoon, Apocalypse Now e Nascido para Matar. Entrevistados dizem que a guerra só causa dor. A guerra, no cinema, é erroneamente vista como um espetáculo, como frisa um dos altos oficiais. Sempre metalinguístico, Mocarzel nos passa a idéia de que para reconstruir a imagem do Exército é preciso desmentir a imagem que dos exércitos faz o cinema.
O que não deixa de ser paradoxal. Brigada Pára-Quedista não é justamente o uso do cinema para firmar uma imagem do Exército?

FONTE: http://omelete.com.br

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