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O jornal Folha de São Paulo entrevistou o novo ministro Novo ministro da Defesa, Celso Amorim


Eliane Cantanhêde

Em resposta a seus críticos militares, o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, provoca: “Você não pode fazer das Forças Armadas uma coisa partidária nem para a esquerda, nem para a direita”. Em entrevista no novo gabinete, Amorim, 69, disse que o comandante do Exército, general Enzo Peri parece uma pessoa “não apenas ilibada, mas até um asceta”. Relatório do TCU diz que Enzo favoreceu firmas ligadas a militares ao dispensá-las de licitação de 2003 a 2007.

Folha – O sr. é “esquerdista”?
Celso Amorim – Esses rótulos, é melhor deixar os outros colocarem. Uns dizem que fui colocado pela presidente Dilma por ser nacionalista, o que agrada aos militares. Outros, que foi porque sou esquerdista, o que não agrada a eles. Mas, no Brasil, nacionalismo não é confundido com esquerdismo?

O sr. mantém a crítica que fez na revista “Carta Capital” ao voto favorável do governo Dilma a um relator da ONU para apurar abusos contra direitos humanos no Irã?
Hoje eu sou parte do governo e tenho de participar solidariamente das decisões do governo, e essa pasta pertence a outro ministro. Como intelectual independente, o que eu escrevi e disse claramente é que, se fosse eu, não teria tomado aquela atitude.

Uma crítica de militares ao sr. é a ligação com o Irã.

Nós nunca ficamos amiguinhos do Irã, que não é uma prioridade da política externa. O que foi prioridade, em determinado momento, foi resolver um problema grave para o mundo: o programa nuclear do Irã.

O sr. escreveu que não são satisfatórias as relações entre o poder civil e os militares e a responsabilidade por atos da época da ditadura. Como avançar nos dois casos?
Não me recordo das palavras exatas, mas não disse que não são satisfatórias, mas que talvez alguns não vejam como satisfatórias. Uma constatação, mais que um juízo de valor. A subordinação das Forças Armadas ao poder civil é clara.

Por que não falou da Comissão da Verdade na posse? O sr. defende a responsabilização de militares por atos na ditadura?

O principal é o restabelecimento da verdade. Com bom senso de todos os lados e boa articulação política, que cabe ao ministro da Justiça, chegaremos a uma boa conclusão.

O general Augusto Heleno…
A quem aprecio, pelo bom trabalho que fez no Haiti.

… disse que o comprometimento ideológico tem repercussão altamente negativa entre os militares.
Você não pode fazer das Forças Armadas uma coisa partidária, nem para a esquerda, nem para a direita, nem para o centro. Para isso nós temos a presidente da República, que é quem escolhe e quem decide e que foi eleita pelo povo brasileiro.

Pergunta de um oficial: e se fosse um general mandando no Itamaraty?

Diplomatas são disciplinados, e já houve ministro militar: Juracy Magalhães.

A presidente deu sinal de que vai descontingenciar verbas?

Vou conversar com os ministros da área econômica. Qual a solução? Quando? Não sei. Vamos ver.

E os caças?

Os caças terão que vir. Achava isso como ministro das Relações Exteriores e continuo achando como ministro da Defesa. O momento exato não dá para dizer.

O sr. prefere os Rafale?

No governo Lula parecia que o que tinha mais condições de fazer transferência de tecnologia era o francês. Mas não acompanhei o desenrolar das discussões sobre isso e a renegociação de preços.

Como tocar o programa nuclear da Marinha sem verba?

Vai ter recursos sim. A presidente é nacionalista, patriota e sabe da importância de proteger os nossos recursos, principalmente a camada do pré-sal.

E o acordo com os EUA para o uso da base de Alcântara?

Foi paralisado no Congresso porque não tem cabimento brasileiros não terem acesso a certos lugares no território nacional. É uma questão de soberania inegociável, e não uma questão ideológica.

Jobim e o sr. estabeleceram uma linha de distanciamento dos EUA, mas Patriota faz uma linha de aproximação. Onde o sr. se encaixa agora?
Jobim até patrocinou, junto conosco, um acordo militar com os EUA. Temos de ter a cabeça aberta, acabar com a mania de que o que é a favor do Brasil é contra os EUA.

Por que defende sair do Haiti?

Dizem que democracia é quando um presidente passa o governo a outro presidente eleito. É hora de discutir uma saída organizada, inclusive com ONU. Uma possibilidade é deixar um batalhão de engenharia do Exército.

O comandante Enzo Peri é investigado por ter assinado 27 contratos sem licitação. O sr. vai tomar providências?
Bom, o general me disse que já há investigações iniciadas por ele.

Vai investigar ele próprio?
É preciso separar o joio do trigo. Tenho 50 anos de serviço público e conheço as pessoas pelo olho. O general Enzo me dá a impressão de uma pessoa não apenas ilibada, mas até de um asceta. O que tiver de ser investigado será.

Genoino vai ficar na Defesa?

Vai. E pode botar um ponto de exclamação.

FONTE: Folha de São Paulo

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O General-de-Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira é hoje um dos chefes militares mais respeitados e prestigiados do Exército Brasileiro. A partir de posicionamentos firmes, claros e sempre fiéis aos valores universais que temos orgulho de cultuar, granjeou uma legião de admiradores. Tem demonstrado especial apreço pelo Clube Militar, seja proferindo palestras e, assim, colaborando na discussão de temas nacionais importantes, seja comparecendo, seguidamente, a eventos programados nesta associação, apesar de residir fora do Rio de Janeiro, em Brasília. O Gen Heleno concordou em conceder esta entrevista à Revista do Clube Militar.

Revista – Gen Heleno, sua pri­meira participação no Clube foi pro­ferindo uma palestra, sobre a Amazônia, que se tornou memorável. Após esse evento a situação da área de Raposa Serra do Sol evoluiu, a partir de uma decisão do STF. VExa julga que o desfecho do rumoroso caso foi satisfatório?

Gen Heleno – À época, exercia o cargo de Comandante Militar da Amazônia. Raposa Serra do Sol en­quadrava-se em um contexto maior, no qual se destacava um documento intitulado “Declaração de Direitos dos Povos Indígenas”, cujo texto, em minha opinião, poderia motivar ações prejudiciais à integridade ter­ritorial e à segurança nacional. Em princípio, as decisões da Suprema Corte devem ser cumpridas e não discutidas. Vale a pena ressaltar que, no voto do Supremo Tribunal Fede­ral, constam dezenove recomenda­ções que reforçam e/ou estabelecem princípios relevantes com relação à demarcação, ocupação e explora­ção econômica de terras indígenas. Quem desejar maiores detalhes so­bre a situação atual, aconselho a lei­tura da matéria da revista VEJA, de 05 de maio de 2010, sob o título “A Farra da Antropologia Oportunista”.

Revista – Como VExa avalia a situação atual da Amazônia, em termos de ameaças à soberania brasileira?

Gen Heleno – Apesar das restri­ções orçamentárias a que as Forças Armadas vêm sendo submetidas, com reflexos evidentes nos investi­mentos para sua modernização, jul­go que não há ameaças iminentes à nossa soberania na Amazônia. Gra­ças ao trabalho incansável e com­petente das Forças Armadas (única presença visível do Estado em mui­tas regiões da brasileira Amazônia), ao conhecimento que adquirimos da área e de suas peculiaridades e, prin­cipalmente, ao fato de possuirmos, em nossas organizações militares de fronteira, combatentes de selva reconhecidos internacionalmente como os melhores do planeta, pre­servamos um poder de combate e de dissuasão compatível. Recente reportagem do jornal “O GLOBO” fala sobre a prisão de um dirigente das FARC, em Manaus. Sabemos perfeitamente que a Cabeça do Ca­chorro, extensa área de selva, per­corrida por inúmeros cursos d’água, favorece o tráfico da cocaína produ­zida na Colômbia e controlada, em grande parte, por aquele movimento ilegal que se vale de táticas terroristas. Isso não significa que as FARC tenham bases guerrilheiras estabele­cidas em território brasileiro. O que foi descrito na matéria jornalística nada tem a ver com ações militares. É preciso deixar claro que nossa fronteira, em área de selva, se esten­de por mais de 11 mil quilômetros. A fronteira México – EUA, com apenas 3200 km, não chega a ser perfeitamente controlada, apesar de todos os recursos disponíveis e de se tratar de terreno desértico. Melho­rar o controle de nossas fronteiras, aí incluído o combate aos ilícitos transnacionais, exige melhor aparelhamento das Forças Armadas e um trabalho conjunto e efetivo de todos os órgãos com responsabilidade nessa dificílima tarefa: Polícia Federal,  Receita Federal, INCRA, IBAMA, Funai, Polícias Militares e Civis Es­taduais etc. A Estratégia Nacional de Defesa contempla a Amazônia com flagrante e justa prioridade. Prevê, inclusive, a instalação de mais de vinte novas organizações militares na faixa de fronteira, além de largo aporte de recursos tecnológicos. Es­peramos que isso aconteça.

Revista – A imprensa, nacional e internacional, tem apontado a exis­tência de inúmeros problemas liga­dos à Ecologia na área amazônica. Como VExa vê essa exposição rela­tivamente frequente?

Gen Heleno – Sabemos que a ambição de riqueza leva o homem a ignorar os limites da lei. O desmatamento da Amazônia Oriental, a exploração ilegal de madeiras, a extração clandestina de minérios, o tráfico de peles e animais silvestres, o roubo de nossa inesgotável biodiversidade preocupam e exigem me­didas educativas e repressivas que coíbam os crimes ambientais. Não conseguiremos colocar a Amazônia e suas incalculáveis riquezas em uma redoma. É injusto que os povos da floresta sejam privados de explorar os recursos da selva, de forma sus­tentável e planejada. Serão eles, se­jam ribeirinhos, indígenas, mestiços, habitantes de povoados e cidades da Amazônia, os grandes responsáveis pela preservação ecológica. Terão interesse em zelar intensamente pelo meio ambiente se dele retira­rem recursos que atendam seus an­seios. Precisam sentir-se amparados por ações governamentais que lhes proporcionem saúde, educação, se­gurança, infraestrutura, conforto, enfim, uma vida digna e próspera. Governantes sabem perfeitamente o que fazer para atingir esses objetivos. Não precisamos, nem devemos aceitar que estrangeiros, mesmo bem intencionados, interfiram ou intervenham em problemas genuinamente nacionais, principalmente quando o passado os condena e lhes falta força moral para nos ensinar qualquer coisa sobre Ecologia ou so­bre relacionamento com indígenas.

Revista – Como VExa poderia resumir a situação do índio na região amazônica?

Gen Heleno – Antes de mais nada, reafirmo que o Exército Brasi­leiro é o maior interessado no bem-estar dos nossos povos indígenas. Em alguns batalhões da Amazônia, eles são maioria absoluta. Voluntá­rios, representantes de numerosas etnias, orgulham-se de ser brasilei­ros, soldados, e constituem nosso grupo humano mais valioso. A eles devemos os ensinamentos que nos tornaram combatentes diferenciados em área de selva. A política indigenista, contestada por diversos setores, tem merecido maior atenção governamental. Providências e re­sultados ainda são bastante modes­tos diante da grandiosidade do pro­blema, agravado pelas divergências em sua abordagem. Há muito que fa­zer, pelos órgãos competentes. Aos índios, na minha opinião, devemos oferecer a oportunidade de escolha entre o isolamento e a integração ao, impropriamente chamado, “mundo civilizado”. Não se justifica o abandono em que vivem algumas etnias e comunidades, muitas delas ávidas pelo acesso aos recursos mais de­senvolvidos. É possível preservar a cultura e os costumes desses povos e, ao mesmo tempo, proporcionar-lhes saúde, educação, tecnologia e infraestrutura. Torço para que isso aconteça no mais curto prazo.

Revista – Após concluída a mis­são na Amazônia, VExa recebeu a missão de dirigir outra importante área do Exército, embora completa-mente distinta da anterior. Como foi sua adaptação ao setor de Ciência e Tecnologia?

Gen Heleno – A adaptação con­tinua até hoje. Aprendo diariamente e estou convencido da importância capital da Ciência e Tecnologia no mundo moderno e, obviamente, no campo militar. No caso especí­fico do Exército, lutamos por uma mudança de mentalidade que nos proporcione resultados. Avançamos bastante nesse aspecto. Queremos, a partir de objetivos claros e factíveis estabelecidos pelo Estado-Maior do Exército, dentro dos critérios de necessidades, prioridades e pra­zos, aproveitar as privilegiadas in­teligências, lapidadas pelo Instituto Militar de Engenharia, para produ­zir o material de emprego militar da nossa Força Terrestre. Pesquisa e desenvolvimento de projetos de­pendem de investimento continuado e compatível. Exigem massa crí­tica de engenheiros, sem perda de qualidade, e gestores competentes. Seguindo orientação expressa da Estratégia Nacional de Defesa, não mais se farão aquisições sem que se garanta o offset, ou seja, a transfe­rência de tecnologia, por mais que esse conceito seja polêmico e com­plexo. Se não formos autônomos na produção de itens estratégicos, po­deremos, em situação de crise, per­der a capacidade de atuar.

Revista – Quais os projetos, nessa área, com maior potencial de provo­car impactos positivos na evolução da Força Terrestre?

Gen Heleno – São 85 projetos em desenvolvimento no Sistema de Ciência e Tecnologia. Vou destacar alguns que me parecem de funda­mental importância:

- a prioridade um é a família de blindados sobre rodas. O protótipo será testado ainda esse ano;

- o radar Saber M60, tipicamente dual, poderá elevar consideravelmente nossa capacidade de vigilância na faixa de fronteira. Interessa à Petrobras, a Infraero, a Itaipu Binacional,  ao CENSIPAN (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amaz6nia) etc;

- o levantamento cartográfico da Amazônia é revolucionário. O radar empregado permite que a sondagem ultrapasse a copa das arvores e reflita exatamente o terreno, o que não acontecia anteriormente. Além da produção de cartas militares, haverá enorme progresso em mapeamento geológico, censo florestal, cartas de navegação fluvial, construção de hidroelétricas, traçado de rodovias etc.

Poderíamos acrescentar a essa lista: os óculos de visão termal, o projeto da fibra de carbono, o equipamento de comando e controle, o fuzil 5.56 mm e o novo FAL 7,62 mm, o míssil solo-solo AC, a Arma Leve Anticarro, a pilha térmica, o Veiculo Aéreo Não-Tripulado e os simuladores de helicóptero e do tiro de pistola. Temos, portanto, um leque ambicioso de produtos, bem encaminhados, de alto valor estratégico, que dependem de investimento e de encomendas.

Revista – O que VExa pode destacar sobre o IME, reconhecidamente uma das melhores escolas de engenharia do país?

Gen Heleno – O IME, desde sua fundação em 1792, mantém o conceito de excelência que o coloca, sem ufanismo, como uma das melhores, senão a melhor escola de engenharia do país. Destaca-se, anualmente, de forma exponencial no ENADE, instrumento de medida de qualidade dos cursos de nível superior. Forma engenheiros para o meio civil e para o Exército Brasileiro. Transmite a esses jovens, de inteligência privilegiada, valores de disciplina, persistência, amor a pesquisa, ética, além de conhecimentos profissionais de altíssimo nível, em graduação e pós-graduação, graças a qualidade dos seus docentes e discentes.

Revista – Ciência, sabidamente, não se faz sem recursos financeiros. Quais as perspectivas para os próximos anos?

Gen Heleno – Talvez seja esse o ponto crítico das nossas aspirações e perspectivas. Recursos orçamentários muito aquém de nossas reais necessidades nos impedem, há décadas, de investir, e nos obrigam a utilizar todo nosso estoicismo e flexibilidade para cumprir as missões que nos são atribuídas. Pode ser que a Estratégia Nacional de Defesa desperte a sociedade para a urgência em dotar nossas Forcas Armadas de efetivos, equipamentos e estrutura compatíveis com a grandeza estratégica do Brasil. Precisamos manter nossa capacidade de dissuasão e ganhar capacidade de projetar poder, única forma de nos fazer presentes, em tempo hábil, com a potência pertinente, em qualquer ponto de um País continental.

Revista – Na internet, especulou-se bastante sobre uma possível candidatura sua a Deputado, a Senador e até a Presidente da Republica. VExa admite, para o futuro, pensar em um projeto na área política?

Gen Heleno – Não tenho qual­quer aspiração nessa área. Respeito os que exercem a Política, com ética e dignidade, no entanto meu perfil não se alinha com os requisitos básicos para o desempenho dessa atividade, na atual conjuntura. Além do mais, não gostaria que meus pares e subordinados deduzissem que minhas atitudes, ao longo da carreira, escondiam aspirações políticas.

Revista – A Revista do Clube Militar põe à disposição de VExa um espaço para outras considerações que deseje expor.

Gen Heleno – Gostaria de lembrar, principalmente aos mais jo­vens, que nós, militares, somos formados para a adversidade, para o inesperado e para decidir, com sabedoria, nos momentos de crise. Nosso espírito de cumprimento de missão e os valores que cultuamos, ao longo da História, permitem que nos superemos quando exigidos e que, invariavelmente, coloquemos o Brasil Acima de Tudo.

Nota do ForTe: Essa entrevista com o General-de-Exército Heleno, concedida à Revista do Clube Militar, foi realizada entre maio e julho deste ano e chegou, recentemente, ao nosso conhecimento, sendo que, apesar de ter sido realizada há alguns meses, somos de parecer que seu conteúdo é atual e importante, bem como é de interesse de nosso Blog publicá-lo para o conhecimento de nossos leitores e comentaristas.

FONTE: Revista do Clube Militar, Ano LXXXIII, n° 437, 2010.

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Parabéns ao general Leônidas pela excelente entevista à Globo News. Muitas frases marcantes, como essas: “O soldado é um cidadão de uniforme para o exercício cívico da violência, se você me perguntar se um soldado mata, eu vou ter que achar graça.”; “A guerra não tem nada de bonito, a não ser a vitória”.

FONTE: Globo News Dossiê

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em Jerusalém na primeira ida oficial de um chefe de Estado do Brasil a Israel e aos territórios palestinos. Com a Cisjordânia em clima tenso, Lula verá o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

vinheta-clipping-forteJERUSALÉM – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou domingo a Jerusalém para aprimeira visita oficial de um chefe de Estado brasileiro a Israel e territórios palestinos. O programa oficial da visita começa segunda-feira, com um encontro entre Lula e seu colega israelense, Shimon Peres. O líder brasileiro, que viaja com 80 empresários, se reúne mais tarde com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e visita ainda a líder da oposição, Tzipi Livni.

Lulasegue terça-feira para a Cisjordânia, onde se reunirá com o presidenteda Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, e com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayad. A agenda prevê, inclusive, que Lula pernoite em Belém sem retornar a Jerusalém, antes de seguir para Ramallah, naquarta-feira, um gesto considerado de elevado peso simbólico.

A última etapa da viagem será uma visita à Jordânia. Na capital, Amã, Lula se reunirá com o rei Abdullah II, onde discutirá o papel que o Brasil pode desempenhar nas negociações de paz e analisar a tensa situação internacional criada pelo polêmico programa nuclear iraniano.

Crise

A visita de Lula ocorre em meio a uma crise entre Israel e EstadosUnidos, seu maior aliado, após o anúncio, durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, na semana passada, de que o governo israelense autorizou a construção de mais 1.600 casas em Jerusalém oriental, setor majoritariamente árabe da cidade santa, anexado em 1967 pelo Estado hebraico. O Brasil fez coro à condenação internacional contra a decisão. Em maio, Lula visita o Irã.

A viagem de Lula ao Oriente Médio representa o mais importante esforço feito até agora pelo governo para tentar situar o Brasil como interlocutor para as negociações entre israelenses e palestinos.

O Brasil vem mobilizando uma forte ofensiva diplomática para tentar ser inserido com o interlocutor nesta questão, com vistas a fortalecer sua posição como aspirante a um cargo permanente no Conselho de Segurançada ONU, mas,para isso, é preciso haver uma reforma na organização.

OBrasil ocupa atualmente um assento não-permanente rotativo no Conselhode Segurança, órgão máximo de decisão das Nações Unidas.

FONTE: Jornal do Brasil

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Raza

‘A Guerra de Obama não é a de Bush’


Brasileiro que participa da reestruturação da política de defesa dos EUA diz que americanos usarão menos força militar para defender seus interesses no mundo

Claudio Dantas Sequeira

vinheta-clipping-forteO analista de segurança nacional Salvador Ghelfi Raza é o único brasileiro a integrar a equipe contratada pelo governo Barack Obama para propor uma reforma profunda na política e, também, nos métodos utilizados pelos Estados Unidos mundo afora. São 30 Ph.D.s, os melhores cérebros do mundo em análise de segurança, defesa e diplomacia. Ao lado de Raza, além dos americanos, há ingleses, paquistaneses, suíços e uma mexicana. Raza é doutor em estudos estratégicos pela UFRJ com pós-doutorado em estudos de defesa na National Defense University, em Washington, onde leciona. Ressaltando que não fala em nome do governo, mas em caráter pessoal, Raza diz que há em curso uma “revolução” que dará um novo perfil às ações externas daquele país. “Para enfrentar o terror, não basta comprar mais scanners para os aeroportos. A guerra mudou, o papel das Forças Armadas também”, diz. No início do mês, começaram a circular internamente os primeiros rascunhos do que promete ser a maior mudança estrutural no setor desde a criação da CIA, a agência de inteligência americana, no final da década de 40.

Como é o trabalho que o sr. está desenvolvendo em Washington?
Salvador Ghelfi Raza – Estou trabalhando no desenvolvimento da nova metodologia que será usada para ações estratégicas das agências do governo americano em outros países. É um planejamento a longo prazo. Estamos falando de redesenhar a arquitetura de relacionamento das agências de desenvolvimento, de defesa e de inteligência. O objetivo é reunir as principais agências envolvidas num único esforço coordenado de formulação de políticas, desenho integrado de estratégias e gestão coordenada de projetos. Meu núcleo trabalha na vertente do desenvolvimento, capacitando planejadores seniores na área de segurança para que essas pessoas possam integrar equipes de estabilidade e reconstrução em várias partes do mundo. Faz parte de um movimento novo no governo americano para reduzir as barreiras entre as agências, evitando erros como os que permitiram a tentativa de atentado terrorista no último Natal, planejado pela Al-Qaeda.

Essa tentativa de atentado revelou fragilidades na segurança dos EUA parecidas com as que permitiram os ataques de 2001. A reforma executada por Bush não resolveu?
Salvador Ghelfi Raza - Há uma semelhança nos dois casos, sim. Após os atentados de 11 de setembro, houve uma grande reforma centrada na gestão das informações de inteligência. De qualquer maneira, o que ocorreu no Natal aqui, ou no Afeganistão e no Iêmen, não se resolve aumentando o número de máquinas que vão fazer o scanner de pessoas nos aeroportos. É preciso atuar nos fundamentos. Em como o governo se organiza, em como as decisões são tomadas, que políticas podem ser mais efetivas e quais elementos das estratégias se tornaram obsoletos. Na segunda-feira 11, tivemos uma reunião de cinco horas sobre novos parâmetros analíticos para definir o que é um conflito. Se os critérios atuais estão corretos. Daí, podemos olhar para Honduras e avaliar que não há ali um conflito. Reduz-se, assim, o afã operacional.

No caso hondurenho, os EUA foram criticados pelo Brasil exatamente por não agir.
Salvador Ghelfi Raza – O silêncio não significa inação. O Brasil age muitas vezes como aquele garoto cheio de energia que mete os pés pelas mãos. Os EUA estão numa posição mais sênior, de avaliar se uma ação se justifica ou não. Não é dar menos importância, mas evitar ações tempestivas.

Não é nada fácil mudar a cultura de um país e toda uma burocracia. Será possível fazê-lo nos EUA de Obama?
Salvador Ghelfi Raza - É difícil em todo lugar, mas, ao contrário do que parece, a cultura de mudança existe nos EUA. O difícil é saber para qual direção mudar, que tipo de mudança pode gerar um diferencial de resultados. Não é simplesmente criar ou substituir agências ou departamentos. Embora a dinâmica de mudanças tenha se iniciado na era Clinton e se aprofundado com Bush, no caso de Obama ela é substancialmente diferente. Enquanto no governo Bush a diretriz política era formulada em alto nível, de forma centralizadora, puxando para cima o núcleo de decisão, no caso Obama há uma descentralização e delegação de autoridade. Quando se faz isso, vem à tona uma série de fragilidades de planejamento estratégico, e surgem problemas que pareciam não existir antes. Há aspectos positivos e negativos nesse processo.

A ambiguidade na política externa de Obama seria um desses aspectos?
Salvador Ghelfi Raza – Sim. E isso eles querem corrigir. Uma das coisas para as quais precisamos tirar o chapéu e reconhecer é o esforço. Quem está de fora não imagina o que está sendo feito, os bilhões de dólares que estão sendo gastos para reparar de forma discreta, mas forte, a máquina decisória. Não é mudar pessoas, mas saber por que não funciona, qual a lógica articulante do sistema.

Dessa estratégia, o que o sr. pode detalhar?
Salvador Ghelfi Raza – Haverá um redesenho das competências de segurança no país, com a criação de um núcleo organizacional de defesa fortemente orientado na integração das agências de inteligência, as de controle dos UAVs (aviões não tripulados), a Força Aérea e as Forças Especiais. Haverá um outro núcleo, de segurança civil, uma espécie de grande Gendarmeria, onde estarão as agências de desenvolvimento. Hoje há três dimensões de ação: no Departamento de Defesa; no Departamento de Estado e no Departamento de Segurança Interna. É como se pegassem as Forças Armadas, as polícias, a inteligência, as agências de fomento, botassem tudo num liquidificador, retirassem os vínculos e separassem em dois. É um esforço enorme, caríssimo, e os primeiros rascunhos já saíram no início de janeiro. O que se antecipa é uma mudança estrutural sem precedentes.

Quando Obama dobra as tropas no Afeganistão não está imprimindo sua digital na guerra ao terror de Bush?
Salvador Ghelfi Raza – Não vejo assim. O governo Obama está repensando as estratégias usadas contra o terror. A guerra ao terror de Obama não é a de Bush. Existe um fenômeno chamado terrorismo, que foi enfrentado de uma certa maneira. O propósito de enfrentá-lo continua, mas as estratégias estão sendo ajustadas para dar conta de forma mais abrangente, menos militar e mais eficiente. Envolvem-se mais agências que estavam na periferia do esforço.

Que tipo de abordagem podemos esperar nos conflitos atuais?
Salvador Ghelfi Raza – Não só no Afeganistão, mas em vários outros países, podemos esperar maior envolvimento dos países, a qualificação das autoridades locais e a integração das agências de inteligência. Implica ouvir mais os altos escalões do país onde há a crise. E uma tentativa brutal de entender a cultura do povo local. Não há intenção de se impor a chamada doutrina de Washington.

Espera-se uma ação menos intervencionista dos EUA?
Salvador Ghelfi Raza – É mais participativa. Não vejo como menos intervencionista, pois aí é uma questão de matiz ideológico. Mas é um desenho mais integrador, que procura identifi car a cultura do país. Evitar erros como os cometidos na Bolívia. Você não pode chegar lá e destruir a coca. Ou acabar com o cultivo de papoula no Afeganistão. A economia desses países depende disso. Então, é preciso substituir esses cultivos. Da mesma forma, ao agir na estabilização, é preciso treinar a polícia e as Forças Armadas para que tenham autonomia. Isso tudo é novo. Antes, o governo americano vinha, ocupava e dizia “eu tenho a solução”. Não é que o americano ficou bonzinho, mas mais inteligente e humano.

Como atuar com agências tão estigmatizadas como a Usaid, que por décadas funcionou como fachada da CIA?
Salvador Ghelfi Raza - As agências de fomento serão de fomento e as de inteligência serão de inteligência. Haverá uma defi nição melhor das responsabilidades, sem a fusão de atribuições, mas apenas dos efeitos. Pretende-se, assim, resgatar a imagem delas, aproveitando a ênfase na diplomacia política de cooperação e integração.

Mas será difícil convencer muitos países, inclusive na América Latina, de que os EUA agem de boa-fé.
Salvador Ghelfi Raza – É um desafio. De qualquer maneira, a América Latina não está no foco de atenção americana, apesar de ter ganho projeção surpreendente. O Brasil precisa acordar dessa letargia metodológica intelectual, achando que para crescer basta deixar rolar. Nossas instituições estão obsoletas. Nosso pessoal militar tem que sofrer modernização drástica. Não basta comprar avião novo e submarino e manter a mentalidade dos anos 80. A política exterior está desarticulada da política de defesa, estamos numa panela de pressão e aumentando o fogo.

A crise em torno do Plano Nacional de Direitos Humanos é um exemplo desse atraso, ao reanimar sentimentos de revanchismo e enfrentamentos que já deveriam estar superados?
Salvador Ghelfi Raza
– É só um aperitivo do que vem pela frente. A tendência é piorar. Há crises internas e erros de política tão grandes que podem comprometer a imagem de um país que parou no tempo. O Brasil é um novo-rico. Os EUA já estão fazendo sua revolução para o futuro, e nós dando pulos para trás. Comprando espelhos, como índios. Qual a estratégia de segurança do governo brasileiro? Não tem. Como a política externa dialoga com a compra de mais caças? Como se espera que o submarino nuclear possibilite novas dimensões de dissuasão regional e como isso será usado pela diplomacia comercial? Ninguém sabe.

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Entrevista do general Torres de Melo

O general indignado

Gen Torres de Melo

Militar reformado, 85 anos de vida, o general Torres de Melo mantem um ritmo de atividades impressionante. No Lar Torres de Melo, na coordenação do grupo Guararapes, trocando emails com todo o Brasil ou acompanhando a política e a vida do País. Ou, como diz e enfatiza, “do meu País”

Torres de Melo é, em essência, um indignado. Mais do que isso, é um militar reformado que caminha para as nove décadas de vida sem perder o foco na preocupação com o futuro do Brasil. Ninguém precisa concordar com as teses que defende, e nem ele diz que pretende que assim o seja, mas sua visão sobre o mundo, especialmente sobre a realidade nacional, a de hoje e a histórica, contemplam uma parte do pensamento nacional que encontra no seu entusiasmo uma voz enfática de manifestação.

Às portas de completar 85 anos de vida, o general Francisco Batista Torres de Melo é daqueles que, goste-se ou não do que diz, aceite-se ou não suas teses, não desperdiça qualquer chance que lhe seja apresentada para defendê-las. Aquela que lhe entusiasma com ênfase maior nos dias atuais aponta a sociedade brasileira contemporânea como resultado de uma “degenerescência” que vem sendo construída ao longo dos anos. E, adverte, que se não for revertida pode levar a uma “revolução social ou coisa pior”.

Reformado do Exército após 44 anos de vida militar ativa, Torres de Melo cumpre uma rotina diária de trabalho como voluntário no Lar Torres de Melo (nome em homenagem ao pai dele), pela manhã. À tarde, numa atividade que entra noite adentro, senta-se diante do computador do escritório montado em seu apartamento para trocar correspondências, responder emails e fazer movimentar o pensamento do Grupo Guararapes (que coordena) sobre a realidade brasileira. Foi no apartamento dele, em Fortaleza, que O POVO conversou com o general Torres de Melo na tarde de 1o de abril.

O POVOComo o senhor analisa a conjuntura brasileira atual?
Torres de Melo - Nós, hoje, recebemos uma massa de informações que nos coloca numa situação muito complicada. Um fato que aconteça na Indochina entra na nossa casa quase ao mesmo tempo, Nós pensamos, então, que o mundo vai se acabar e isso não é verdade. O mundo continua dentro de sua normalidade e o difícil é você compreender essa complexidade de informações que se recebe.

OP - O senhor é otimista em relação ao futuro, já que contraria a ideia de que o mundo caminha para o fim?
Torres de Melo – O problema, para mim, é que o homem esmagou a pessoa humana. O homem não conseguiu se adaptar à vida moderna e, hoje, sofre muito mais do que antigamente. Quando eu era mais novo, na década de 40, 50, o mundo era outro, era uma maravilha. Fortaleza era uma cidade calma, tranquila, porque vivíamos onde nós estávamos morando. O mundo, para nós, não tinha tanta importância e, por exemplo,uma revolta que acontecesse na África do Sul não chegava aqui do jeito que é hoje, dando a impressão de que é diante da nossa própria casa. Quem conseguir passar uma semana sem ler jornal, ver televisão ou ouvir rádio será uma pessoa absolutamente feliz.

OP - Está mais difícil, portanto, lidar com o mundo de hoje…
Torres de Melo - Muito mais difícil. Vamos à cidade de Fortaleza onde, no passado, os homens se davam mais, se amavam mais, pensavam mais uns nos outros, eles eram menos egoístas. Já esse mundo de hoje é muito materialista e a pessoa quer ficar rica a qualquer preço, precisa se afirmar de qualquer maneira, o que traz conseqüências terríveis para a sociedade.

OPTrazendo a discussão para um foco mais pessoal, por que o senhor decidiu ser militar?
Torres de Melo – O meu pai nos conduziu para que entrássemos no Colégio Militar. Eu fui, gostei, meus irmãos, também, um deles ainda está conosco ai, e adorei a carreira, senti que era a minha vida, não tinha outra vida.

OPO senhor esteve na ativa durante quanto tempo?
Torres de Melo - Foram 44 anos.

OPO que ainda permanece na memória do senhor como lembrança inesquecível desse período?
Torres de Melo – Considero ter sido um militar de muita sorte, porque o sonho de todo militar é comandar, é dirigir homens. E eu comandei em 18 desses 44 anos. Na Polícia Militar de São Paulo, na PM do Piauí, no CPOR, no Mato Grosso.

OPA história, na avaliação do senhor, faz justiça com os militares no Brasil?
Torres de Melo – Não. O que acontece é que o militar brasileiro participou de todo o processo de evolução desse País. O grande desenvolvimento do Brasil está montado em duas grandes escolas que ainda estão ai: o IME (Instituto Militar de Engenharia) que proporcionou as cabeças para a siderurgia, levou São Paulo, em especial a ter o progresso que apresenta hoje, e o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), que possibilitaria depois a Embraer. Ou seja, os militares estavam sempre à frente, não apenas do programa desenvolvimentista do País como sempre estiveram, também, ao lado dos governos. É muita injustiça, portanto, dizer que nós éramos contra o governo. O militar, normalmente, é sempre governo. Por exemplo, em 30 não foram os militares que fizeram a revolta que levou à queda de Washington Luis. Houve, de fato, militares que fizeram parte daquele movimento, mas, na verdade, quem fez a revolta foi Minas Gerais, foi o Rio Grande do Sul, foi a Paraíba, foram os políticos que revoltaram-se contra Washington Luis. Não foram os militares os responsáveis pela revolta de 32, em São Paulo, foram os políticos paulistas em reação ao governo de Getúlio Vargas, que era um ditador. Os militares não fizeram a revolta de 35, consequência da ação de pessoas de fora, pagas por pessoas de fora, o senhor sabe que a coisa nasce lá pela União Soviética, que a dona Olga veio pra cá como uma espiã alemã, custeada pelos russos. Em 45, quando o Getúlio caiu, mais uma vez não foram os militares que o derrubaram, foram os mineiros, lembremos do grande Manifesto Mineiro, que balançou o sistema político. Se o senhor for em 54, não foram os militares que mataram Getúlio, foram os elementos que o cercavam, o exploravam e basta ler o livro “Chatô” para ver que coisa horrível. Eram elementos podres cercando-o e que levaram àquela explosão. No caso do Jânio, ele, na sua loucura, talvez querendo se manter no poder a todo custo, largou o governo e foi embora, não fomos nós. Da mesma maneira que não fomos nós, militares, que botamos o João Goulart pra fora do governo. Ninguém fala, ninguém diz, todo mundo permanece calado, mas Magalhães Pinto, Carlos Lacerda, Meneghetti , no Rio Grande do Sul, Ney Braga, no Paraná…

OPTodos eles civis.
Torres de Melo - Todos, à exceção do Ney Braga, que era coronel da reserva, mas, àquela altura, era praticamente um civil. O que aconteceu? O povo foi às ruas, chamou as Forças Armadas e o Castelo Branco foi escolhido porque eles não se ajeitavam. O Castelo foi passando o poder para outros, não teve oba-oba. O que acontece é que é preciso, na luta política, a esquerda, que saiu derrotada em todas as situações históricas, em 35, em 61 e em 64, precisa, até hoje, justificar a situação e investe na tese de que os militares não prestam, os militares são os causadores de tudo. No entanto, o senhor não vê, nessa confusão toda que está ai, nesses roubos todos, nenhum militar envolvido.

OPOs militares não teriam, então, uma autocrítica a fazer diante de todos esses fatos, especialmente o período em que governaram o País?
Torres de Melo - Não, não governamos. Apenas o presidente da República era um militar e, assim como o médico e qualquer outro brasileiro que apresente condições, o militar também pode ser presidente da República. Se o senhor olhar o gabinete do presidente Castelo Branco era composto, basicamente, por civis.

OPA escolha do presidente da República naquele momento, general, se dava dentro do ambiente militar.
Torres de Melo - Quem escolheu o presidente castelo Branco foi o (Carlos) Lacerda.

OP - Não foi uma escolha dos militares?
Torres de Melo – Não, não foi.

OPQuanto à autocrítica, o senhor considera que não houve erros, ela não é necessária?
Torres de Melo - O que aconteceu, na minha observação, é que houve um pouco de demora no poder. A verdade é que o poder desgasta e a permanência nele por 20 anos, quer dizer, desde 1964 até 1984, acabou desgastando. Se nós tivéssemos entregue um pouco antes, talvez tivesse sido melhor. Por exemplo, se o doutor Petrônio Portela não tivesse morrido a história do Brasil seria outra.

OPA transição teria se dado naquele momento, mais pra trás?
Torres de Melo – Exatamente. O (Ernesto) Geisel teria feito o Petrônio Portela presidente da República. Então, essas coisas acontecem, a história é assim.

OPE as disputas internas entre os próprios militares, com a existência de uma linha dura?
Torres de Melo – Isso ai se enfeita muito. A questão é que 64 ainda está muito próximo e há necessidade da coisa se assentar mais para que a história seja contada com mais calma. O problema é que, além disso, a ideologia cega. Volto a dizer que se o Brasil é um grande País, hoje, é porque tudo, tudo que foi planejado deu-se entre 64 e 82. Tucuruí, Carajás, todas as grandes hidrelétricas, as estradas, os portos, de Itaqui (MA), de Sepetiba (RJ), a energia nuclear, tudo. Quando veio a pseudo-democracia, pseudo porque democracia é o cumprimento da lei, coisa que não acontece no Brasil atual, onde sequer a Constituição é respeitada.

OPNão vivemos,então, num estado democrático de Direito?
Torres de Melo - Não, não vivemos. É triste dizer isso. Não se cumpre o artigo 220 da Constituição, o artigo 221, a propaganda é direta. O governo gastando 2 bilhões de reais com propaganda, segundo li, dinheiro que poderia servir para construir hidrelétricas no Amazonas, por exemplo. Não é a pessoa “a”, “b” ou “c”.

OP - O regime militar brasileiro foi violento ou é injustiçado quando é chamado de ditadura? Houve uma polêmica recente no País quando um grande jornal, a Folha de S. Paulo, defendeu que em comparação com países vizinhos, como a Argentina, até se poderia chamar o caso brasileiro de ditabranda….
Torres de Melo - Graças a Deus, no Brasil, nós não tivemos.. O que é que aconteceu no Brasil? Os civis se revoltaram, o senhor Magalhães Pinto desceu com a polícia dele, o Exército entrou em apoio etc, e o senhor João Goulart foi posto pra correr. O Costa e Silva assumiu em pleno estado democrático de Direito, porque não é eleição direta ou indireta que define isso. A Alemanha nunca elegeu seu presidente diretamente, por exemplo. Em 1956 aconteceu um fato que abalou o mundo: foi o 20° Congresso do Partido Comunista da União Soviética. O senhor tem conhecimento disso! A partir dali passou a haver uma divisão nas esquerdas, na qual a esquerda da União Soviética achava que era preciso tomar o poder através do voto, na democracia, enquanto a esquerda que tinha referência na China, na Albânia, em Cuba, defendia que o poder deveria ser tomado pela força. Isso acabou repercutindo aqui no Brasil e aconteceu que a briga, de tão violenta, resultou na expulsão de (Luiz Carlos) Prestes. O Prestes foi expulso do partido! A facção da luta armada, isso é contado com maestria pelo Jacob Gorender, um comunista, no livro “Cobate nas Trevas”, que queria assumir o poder pela força, partiu para a guerra. Em 1966 começou a coisa a se deteriorar e aconteceu o atentado no aeroporto do Guararapes, em Recife, onde jogaram três bombas. Começou ai a luta armada, porque a esquerda, orientada pela China, por Cuba, Che Guevara, Albânia, queria a tomada do poder pela força. Mas, o Brasil é um país de sorte e aconteceu que a esquerda foi derrotada rapidamente.

OP - O AI-5 não foi um dos erros que mereceriam, hoje, uma autocrítica?
Torres de Melo - O AI-5 foi uma necessidade. Havia uma divisão no governo, uma parte era a favor e outra parte era contra. O vice-presidente da República, doutor Pedro Aleixo, era contra, enquanto o ministro da Justiça, um civil, era a favor. O Magalhães Pinto era contra, um outro era a favor. Agora, se não houvesse o AI-5 o que é que teria acontecido? O AI-5, em si, não é nada. A vitória contra o desmando da guerrilha, da morte, porque o senhor há de compreender uma situação em que a pessoa está na sua casa, chega alguém e joga uma bomba. O senhor não vai gostar! Não tem quem goste, né? Então, foi uma luta na qual morreram 400 pessoas, não sei…

OP - A ocorrência de mortes, na quantidade que fosse, não seria evitável?
Torres de Melo - Não, na medida em que eles é que começaram a matar. Quem jogou a bomba no aeroporto de Guararapes? Fomos nós? Não! Lá, mataram um almirante reformado, mataram um jornalista e um pobre de um jogador de futebol, um grande jogador de futebol, perdeu uma perna. Se eles estavam na disposição de tomar o poder pela força, por isso criaram a Guerrilha do Araguaia, na certeza de que teriam um território livre para atuar. Como eles estavam na teoria da força, a reação só poderia se dar na base, também, da força.

OPO senhor concorda, portanto, que o regime militar brasileiro, comparado ao que aconteceu em outros países….
Torres de Melo - Meu amigo, estou acabando de ler um livro, que até aconselho ao senhor, chamado “Cisnes Selvagens”, que é a história da China de Mao Tsé-Tung. Ai o senhor vai ver o que é uma desgraça. Quem conhece a história, como eu conheço, de (Josef) Stálin, de (Adolf) Hitler, de Fidel Castro, de Mao, não é possível se querer implantar um regime semelhante, isso não cabe na cabeça de ninguém. Foi Deus quem quis que no Brasil não tivéssemos isso.

OP - É simples assim a explicação para o fato de termos tido um processo, aparentemente, menos violento?
Torres de Melo - O brasileiro é tão sensacional que eu tinha um médico muito meu amigo, amicissimo do meu pai, doutor Pontes Neto, que era um sonhador. O que acontece com ele? Vai preso no 23 BC, cujo comandante era muito amigo dele, tinham sido colegas de Colégio Militar. Só no Brasil poderia acontecer um negócio desses. Naquela época, o general comandante da 10a Região, André Fernandes, adoece de apendicite aguda. Sabe quem foi operá-lo? O Pontes Neto. Quer dizer, isso só no Brasil poderia acontecer algo assim. O brasileiro não é dado a violências, mas meterem na cabeça de alguns jovens que a violência iria resolver. Deu nisso, deu nisso. Por exemplo, quando fui vereador com meu amigo Chico Lopes (hoje deputado federal pelo PCdoB), meu amigo Chico Lopes, ao me despedir da Câmara ele chorou. Porque eu acredito nas idéias do Chico Lopes, ele acredita na minha e, mais importante, nos respeitamos. Este é o verdadeiro brasileiro, não aquele que pega e joga uma bomba, sai atirando, assaltando, roubando.

OP - No caso ainda do AI-5, o senhor entende que aquele ato de força sobre o Congresso…
Torres de Melo – Não foi assim, o Congresso aceitou. O problema, meu amigo, é que estávamos tratando de uma situação de sobrevivência. da democracia no Brasil. E nós fomos salvos. O senhor já imaginou se tivesse sido instalada aqui uma ditadura nos moldes de Cuba? Quantos teriam ido para o “paredon”? Se em Cuba foram 17 mil, aqui seriam 100 mil! Essa é que é a realidade.

OPO senhor falava da autocrítica, que talvez fosse melhor ter passado menos tempo no poder.
Torres de Melo – Talvez tenha sido um erro político, de visão política, mas a história tá ai.

OPE o que veio depois do período militar, com a redemocratização, como o senhor analisa?
Torres de Melo – O que veio depois merece uma análise sociológica. O homem é o homem, no Brasil, na China ou na Rússia, ele quer suas oportunidades. E, conforme a evolução da sociedade ele sofre mais ou sofre menos, mas, se você olhar o Brasil de 1930 eram outros homens. A sociedade brasileira veio, desde então, se degenerando, foi se tornando permissiva, por isso, por aquilo ou por aquilo outro. O Castelo (Branco) era um homem equilibrado, que não admitia que pusessem a mão no ombro dele. Um dia, um irmão dele que ocupava uma função pública ganhou um Volkswagen de presente. O que ele fez? Ligou para perguntar quando ele iria devolver o veículo, porque demitido da função já estava! Então, veja a retidão moral de um Castelo, de um (Ernesto) Geisel, de um (Emílio) Médici.

OPHoje, para o senhor, este tipo de coisa não acontece mais?
Torres de Melo - Os processos foram se degenerando. Outro exemplo, que não foi contado por mim, foi contado pelo Delfim Neto. Delfim chegou para o Médici, era ministro dele na época, e disse que havia necessidade de aumentar o preço da carne. Médici foi claro e firme: não admitia. Delfim diz que tentou argumentar, mas ele cortou o assunto e disse assim: “não admito!”. Vinte dias depois, segundo conta o senhor Delfim Neto, o Médici lhe chama e autoriza o aumento do preço da carne. Delfim pergunta, então: por que, presidente? Médici explicou que tinha mandado vender seus bois antes do aumento ser autorizado. Você entendeu? Pra não dizerem, depois, que ele teria autorizado o aumento para ganhar dinheiro! Hoje, não, o sujeito rouba aqui, rouba acolá, defende aqui, defende acolá. A coisa vem se degenerando, perdeu-se o sentido do valor ético da vida. Esta degenerescência é perigosa!

OPO senhor foi vereador por Fortaleza nos anos 90. O que ficou de importante dessa experiência, além, como já ressaltou antes, da amizade com o comunista Chico Lopes?
Torres de Melo - Na Câmara, tentei demonstrar que nós estávamos ali para estudar os grandes problemas da cidade. Nós precisariamos estar pensando alto, mas, às vezes, ficava meio perdido. Eu, Chico Lopes, aquele menino do PT, o José Maria Pontes, ficávamos perdidos, porque ninguém pensava na cidade, ninguém ali pensa na cidade. Não há substância. Quando vejo que Londres tem 15 conselheiros municipais, contra 41 vereadores em Fortaleza, noto que alguma coisa está errada. Eu fui, eu vi, quando ia passando por uma rua na Suécia, o primeiro-ministro, que até seria assassinado logo depois, em cima de um banquinho vendendo a sua idéia, fazendo seu comício, sozinho. Quando lembro disso e vejo essa confusão que está ai, sem que existam idéias, sem sonhos, onde o único objetivo aparente é ver como sair ganhando, como tirar proveito. Não pode ser assim, não é possível que continue.

OPComo é possível reverter essa situação sem que haja necessidade de um rompimento institucional, que venha um golpe….
Torres de Melo – O problema não é de golpe. O que acontece é que, na América Latina, a mediocridade está dominando.

OP - Só na América Latina?
Torres de Melo - Aqui, mas também na África, em parte da Ásia..

OP - Hoje discute-se a qualidade dos políticos no mundo todo, na verdade.
Torres de Melo – Não. O senhor veja que o Primeiro-ministro da Inglaterra é um homem altamente preparado.

OPJá o mesmo não se pode dizer, parece, do chefe do Governo da Itália, Silvia Berlusconi, que….
Torres de Melo – O italiano também, mas, como dizem que ele é de direita então o pau ronca. O certo é que a mediocridade é uma doença terrível que assola o Brasil. Se o senhor for ao Congresso do Brasil, não tenho nada contra ninguém, nem a favor de ninguém, vejo sempre o meu Brasil, o País dos meus filhos, dos meus netos, meus bisnetos, e comparar a situação de hoje com aquela em que já tivemos um Milton Campos, o pai do Virgílio Távora, o próprio Coronel Virgílio…

OPO senhor não considera que a situação se deve, também, ao fato de hoje haver mais exposição, existirem as tevês que transmitem as sessões para o público, por exemplo?
Torres de Melo – Não, não. É uma doença sociológica, aconteceu em Roma, que já dominou o mundo e, quando começou a degradar na sua política interna, deixando que os medíocres começassem a assumir o poder pelo dinheiro, se desmoronou. Hoje em dia, por mais que você seja competente, não conseguirá sequer se candidatar porque a primeira coisa que vão perguntar é se ele tem munição, que foi o que fizeram comigo quando cheguei a pensar em disputar a prefeitura de Fortaleza pela última vez. Um cidadão chegou pra mim e perguntou se eu tinha munição. O sistema está montado de uma tal maneira que, de maneira simplificada, define que devem ser eleitos os que interessam a ele, “vamos eleger os nossos”. Isso é no Brasil todo e é grave. Pode levar o País para uma revolução social ou coisa pior.

OP - Uma reforma política, que é o que se fala no momento, poderia resolver?
Torres de Melo - A reforma política, primeiro, não vai sair. Ela não interessa aos políticos que ai estão. O meu receio é que a coisa continue se degenerando até chegar ao ponto de explodir, o que não quero que aconteça. Seria ruim, não pra mim que já estou velho, mas para a sociedade que vai sofrer. Na universidade, o senhor acha que está certo um aluno frequentar a aula de calção? O sujeito pode usar lá seu calção, não sou contra nada, mas tudo tem seu tempo e seu lugar. Eu uso calção para ir à praia. Para assistir uma aula eu devo ir vestido, é como acontecia antigamente, não existia problema. Outra coisa grave: o ignorante total é a felicidade.

OPA corrupção, que o senhor considera ser um mal da conjuntura política brasileira atual, na verdade é um problema muito mais antigo.
Torres de Melo – A corrupção é do homem, vem desde Caim e Abel. Na verdade, a combinação entre sexo, poder e dinheiro resulta, inevitavelmente, em corrupção. O que precisa é a sociedade ter determinadas normas, leis, que leve à punição imediata de quem praticá-la. Nos Estados Unidos, agora, um cidadão deu um golpe de não sei quantos bilhões de dólares, pegou 150 anos de prisão e já está preso. Aqui, não.

OPNa época do governo Itamar Franco o senhor fez parte de uma comissão cuja tarefa era, exatamente, estudar casos de corrupção dentro do governo. No que resultou aquele trabalho?
Torres de Melo - Eu tremia. Tinha dias que vinha lá de Brasília certo de que iria ter um enfarto, com vergonha, de tristeza. O senador Pedro Simon (do PMDB do Rio Grande do Sul) contou a história recentemente da tribuna do Senado, disse que foi ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, me citou, inclusive, ao ler os nomes dos integrantes da comissão. O que se apurou, meu amigo…

OPNo que é resultaram essas apurações?
Torres de Melo – Nada! O senhor Fernando Henrique Cardoso veio, após o Itamar, e, simplesmente, acabou com a comissão. Tinha dias que vinha para Fortaleza, no mesmo avião do Quintela, que era de Maceió, e nós diziamos um ao outro, durante a viagem, que um dos dois pifaria, não daria para aguentar. Era uma tristeza.

OP - De lá pra cá, então, o quadro piorou na avaliação do senhor?
Torres de Melo - E bota piorou nisso, meu amigo! O pior, mais ainda, é o cinismo.

OP - E a tese, defendida por alguns dentro do atual governo, de que está havendo hoje, na verdade, é um combate mais efetivo à corrupção?
Torres de Melo - Não, não, não. Há é um processo de degenerescência da sociedade. Por exemplo: não estou dizendo que, antigamente, governador não tinha amante. Tinha, mas antes havia maior respeito à majestade do cargo. Hoje a coisa acontece às claras, ninguém quer nem saber. Seja aqui, na União Soviética, onde o senhor quiser, quando a sociedade quebra os seus valores ela entra em pânico. Assim foi com a degenerescência dos costumes na corte francesa, foi com a degenerescência da corte do Czar Vermelho, do Stálin, li um livro no qual consta o que o Calinin correu atrás de menininha novinha pra ele é pra deixar qualquer um de cabelo arrepiado.

OPEntão, insistirei que não se trata de um fenômeno brasileiro a tal mediocridade da classe política. Os Estados Unidos, por exemplo, também tiveram exemplos bastante graves nos últimos tempos.
Torres de Melo – Os Estados Unidos, conforme dizia um amigo meu, morto recentemente, que dizia ter pena porque, sendo um país sensacional, vai se degenerar no álcool. O gelinho, o som do gelo. Quando uma sociedade está bebendo muito é porque está no caminho da degenerescência. É um sinal de que a sociedade está tremendo, então, meu amigo, muito cuidado com aquele barulho do gelo.

OPO senhor acompanha o noticiário?
Torres de Melo - Acompanho tudo. Leio três jornais todo dia, leio duas revistas e ainda recebo cerca de mil mensagens por dia, através de email. Hoje, passei cerca de sete mil. Não fiquei pra trás.

OPDepois daquela manifestação do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), apontando corrupção no governo Lula, o senhor encaminhou uma carta a ele de solidariedade. Recebeu alguma resposta?
Torres de Melo – Não. A posição do doutor Jarbas é muito delicada. Tem dois senadores, o próprio Jarbas e o Pedro Simon, este, inclusive, não sei como é que ainda está vivo. Lembro quando ele pediu uma CPI para investigar as empreiteiras, baseado em muita coisa que tinha sido levantada pela Comissão Especial de Combate à Corrupção no governo Itamar. É a mesma coisa do Jarbas Vasconcelos.

OPNo caso do Jarbas, porém, o senhor não considera que há um certo oportunismo, á que ele era aliado do governo FHC e nunca se manifestou, por exemplo, contra a medida que extinguiu a comissão de combate à corrupção?
Torres de Melo – Ele poderia ter dito o que disse antes ou depois, mas a Bíblia diz que há tempo pra tudo. Tempo pra plantar e tempo pra colher. Ele achou que o tempo era agora, para o senhor deveria ter sido antes, outro pode entender que deveria ser mais adiante.

OP - Qual a avaliação que o senhor faz do governo Lula?
Torres de Melo - Medíocre. E o problema não é apenas do atual governo, trata-se de um processo que vem caindo de algum tempo, ele está pegando apenas o rabinho do coelho.

OP - O governo anterior, que era comandado por uma pessoa preparada, considerada de grande peso intelectual, padecia da mesma mediocridade então?
Torres de Melo – O problema não está na formação. Essa mediocridade é uma doença desgraçada.

OPComo sair dela, então?
Torres de Melo - Só há duas maneiras: através da educação, mas educação mesmo. Educar distribuindo camisinhas não funciona, o que defendo é a volta do respeito aos idosos, às normas, ao professor, o fim da anarquia. Só vai por ai, isso é cultura, leva tempo.

OP - Tempo e dinheiro?
Torres de Melo - Não, gasta-se muito em educação. O problema maior é que gasta-se mal. No governo Virgílio Távora uma professora ganhava oito salários mínimos, mas a professora era professora.

OPO senhor não imagina, claro, uma volta ao passado do jeito que eram as coisas no passado?
Torres de Melo - Não, claro que é necessário adaptar às condições de momento. O que não pode é continuar do jeito que está agora. Outra coisa que não cabe na minha cabeça, eu que servi no Exército em todo o País, de São Paulo a Manaus, do Rio de Janeiro ao Mato Grosso, nos 44 anos de ativa, nós tratarmos de maneira diferente alguém porque é preto, ou porque é índio, é branco. É brasileiro e pronto. Servi na Amazônia e incorporávamos o índio porque era brasileiro, não porque era índio. Hoje é índio pra cá.

OPÉ uma crítica à política de cotas do governo, às ações afirmativas?
Torres de Melo – Que não deram certo nos Estados Unidos. O que dá certo é o mérito, o que está errado não é a cota, o que está errado é o ensino público. O certo é que no nosso Exército tinha preto, tinha branco, amarelo, tem general japonês, general preto. Eu mesmo, fui promovido por um general preto.

OP - Ex-comandante da Polícia Militar, no São Paulo e no Piauí, como o senhor analisa o cenário atual da segurança pública no Brasil?
Torres de Melo – Segurança pública não é um problema de polícia, é um problema de sociedade. Para a sociedade desorganizada, torta, que vive no tóxico e no álcool, que não tem regras, na qual tudo vale, não há segurança pública que dê jeito. Quando fui comandar a Polícia Militar do Piauí durante quatro anos só registramos um crime, de motivação passional. Durante quatro anos só um crime. Arrumei a polícia direitinho, ajeitei, pronto! Fui pra São Paulo, era a década de 70…

OPO mundo, então, era bastante diferente do atual?
Torres de Melo – Era, ainda tinha um restinho daquela coisa de estudantes, faculdade de Direito, mas já começavam os assaltos, que foram ensinados aos criminosos comuns pelos guerrilheiros da esquerda. Eles viveram juntos dentro das cadeias. Nós colocávamos as viaturas nas ruas em São Paulo e tinha dia em que não havia assalto na cidade. São Paulo! Uma vez, conversando com o ministro Armando Falcão, me dava muito com ele, disse a ele que daquele jeito não daria certo, que a coisa iria degenerar. Estava vivendo o problema e estava falando de perspectiva, que aquele negócio de afrouxar as leis de tóxicos não iria dar certo. Naquela época, a classe média começava a entrar no tóxico e auto-defesa dela fez com que as leis fossem afrouxando. O problema estava apenas começando e lembro ter dito a ele: ‘doutor Armando, isso não vai dar certo’. O que temos ai, hoje, é o tóxico dominando a sociedade.

OP - As drogas estariam na origem de grande parte dos problemas atuais da sociedade?
Torres de Melo - Exato, é o tóxico, a sociedade se desmanchou. Lembro que a gente ia na Boca do Lixo, na Boca do Luxo, lá em São Paulo, e havia drogas, mas a gente controlava a situação, havia um controle. Hoje, a polícia está inibida, não pode agir. Se há uma pessoa que é contra qualquer ato de violência esta sou eu, porque sofri na minha carne, o meu pai teve, em 30, a sua casa invadida pela polícia porque era contra o governo. Papai era revolucionário de 30, ao lado de Juarez Távora, então, quando vejo qualquer violência aquilo me faz mal.

OPO senhor gosta da política de segurança do atual governador, Cid Gomes? A apóia, especialmente quanto à idéia da polícia comunitária, do programa Ronda do Quarteirão?
Torres de Melo - Acho equilibrada, a coisa está melhorando, mas acho que seria necessário prestigiar mais a Polícia Militar. Eu comandei duas polícias e sei o quanto é complicado o nosso sistema.

OPO que seria prestigiar mais?
Torres de Melo – Sou a favor da organização policial chilena, da organização chilena..

OPQual é essa organização?
Torres de Melo – É um modelo hierarquizado. No Chile, por exemplo, tem o general policial. A polícia tem que agir violentamente contra os maus elementos dela, não tem esse negócio. Não presta, é botar pra fora mesmo. O problema é o seguinte, também: se um general chega de calção no quartel, o soldado vai de cueca. O senhor entende o que eu quero dizer? Tudo tem que ter referência senão não vai. Na minha idéia vem tudo hierarquizado e, por exemplo, o delegado, seria delegado e coronel. Não se trata de eu ser militarizado, mas é porque a sociedade precisa se organizar.

OP - Hoje, comparado à época em que o senhor foi comandante de instituições do gênero, respeita-se menos a polícia?
Torres de Melo - Não é problema de respeito à polícia, mas de respeito à ordem. O brasileiro não cumpre ordem, nem norma, todo mundo acha-se com direito de ultrapassar pela direita, eu passo no sinal vermelho e acabou. É um vale-tudo! Na época em que eu estava em São Paulo e fui participar de um almoço, a convite de um Clube Rotary, algo do tipo. Tudo lá é grande e estavam ali cerca de 500 pessoas. Mostrei o que estávamos fazendo etc e, ao final, abriram-se às perguntas. Um dos presentes, então, diz na minha cara: coronel, a sua polícia é corrupta, com 50 reais e compro seus soldados. Terminou? Terminei. Eu disse, e o senhor é um corruptor safado e ordinário. É, inclusive, pior do que ele! Acabou a reunião. A verdade é esssa, que só existe o corrupto porque há o corruptor. Existe quem venda porque existe quem compre. A verdade é que a sociedade degenerou-se.

OPO País vive a iminência de uma disputa pela presidência da República que, apontam as expectativas, terá de um lado o governador José Serra e do outro a ministra Dilma Rousseff. Os dois participantes de destaque na resistência ao regime militar, Serra como presidente da UNE na época e Dilma como participante da luta armada. Qual a simbologia disso, se, claro, na visão do senhor há alguma?
Torres de Melo - O que me preocupa para 2010 não é a candidatura de Serra, de Dilma, mas é a situação do meu País. O governo vai gastar o último tostão, vai quebrar o País para eleger o candidato dele, no caso que o senhor está falando, a doutora Dilma. Não haverá o mínimo escrúpulo em tudo isso, ou seja, este é um País infeliz. Essa é a minha ansiedade. Minha questão não é ideológica, é uma questão de Brasil. O sujeito pode ser o que for, pode ser assaltante, pode ser o que for, teve voto, compra. O quanto custa não interessa. Isto é grave e a imprensa sabe disso. A degenerescência política do País é de tal ordem que ninguém sabe para onde vai, nem o governo sabe quem vai apoiar dona Dilma e nem o José Serra sabe quem vai apoiá-lo. É quem tem mais poder, quem tiver mais munição para comprar as consciências. Consciência não, porque quem se vende não tem consciência. Estou preocupado com o que vai ser do meu País, não estarei mais por aqui, mas a coisa é essa.

FONTE: O Povo Online / 06 Abr 2009

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Entrevista com o Coronel Sued Lima

Para o militar da reserva, as mudanças de foco na defesa do País, priorizando a Amazônia, são necessárias e não comprometem a segurança de outras regiões, já que são “estratégicas”

A transferência de unidades militares para os estados da fronteira oeste do País representa risco para a segurança dos locais de onde saíram? O Ceará, por exemplo, perdeu o 10º Grupo de Artilharia de Campanha para Rondônia e uma unidade da Aeronáutica para o Rio Grande do Norte.

A distribuição de unidades militares pelo território nacional obedece a critérios de ordem estratégica. Certamente, esses critérios, analisados cuidadosamente nos foros adequados, têm determinado a necessidade de uma presença mais intensa das forças armadas brasileiras na região amazônica. Como sempre há limitações orçamentárias, tais necessidades são cobertas pelo remanejamento das unidades existentes, no lugar de se criarem novas organizações. Foi o que se verificou no caso do 10º Grupo de Artilharia de Campanha.

Já a ida do 1º/4º Grupo de Aviação de Fortaleza para Natal atendeu mais a questões de natureza operacional. Trata-se de uma unidade de caça, que aqui cumpria missões de treinamento de combate, o que vinha se revelando impróprio para uma pista compartilhada com crescente movimento de aeronaves comerciais.

Além disso, o processo de urbanização da cidade praticamente cercou o aeroporto Pinto Martins, aumentando o potencial de perigo de acidentes graves, representado, por exemplo, pela decolagem de um avião carregado de armamento com o compulsório sobrevoo de áreas densamente habitadas.

Como o senhor avalia a mudança do foco de defesa do País, privilegiando a Amazônia?

Avalio como uma medida necessária e oportuna. As chamadas hipóteses de guerra, que determinam as prioridades de posicionamento das unidades militares pelo território nacional, oscilam conjunturalmente. No século XIX e no início do século XX, o potencial maior de conflitos externos centrava-se no Sul do País, onde foram estacionadas dezenas de quartéis do Exército Brasileiro.

A partir de meados do século passado, com a guerra na Europa e no Atlântico Sul, parcela importante de medidas de defesa migraram para o litoral brasileiro e a FAB, por exemplo, dispôs um total de dez bases aéreas em cidades litorâneas.

Hoje, os olhos do mundo se voltam para a Amazônia, e, nesses olhares, há de tudo: interesses ambientalistas, econômicos, políticos e hegemônicos. Já era hora de as forças armadas brasileiras voltarem suas prioridades para essa tão rica quanto vulnerável região.

As estratégias de defesa na Amazônia são as mesmas no País?

O tipo de defesa de que necessita a Amazônia é mais de outra natureza do que a propriamente militar. Passa pelo permanente exercício de brasilidade com os habitantes da região, a promoção de sua identidade com a pátria brasileira, a fiscalização mais firme das inúmeras organizações que por lá atuam, com rigorosa investigação dos interesses que as movem, e a busca da preservação do patrimônio ambiental lá existente, tão violentamente atacado.

Considero, até por ter sido testemunha e partícipe, que, nesse contexto, as muitas tarefas atribuídas às forças armadas vêm sendo cumpridas.

Algumas instituições, como o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz, associam a presença dos EUA na América Latina, a partir do retorno da sua Quarta Frota e bases militares, com os interesses no petróleo do pré-sal.

Os Estados Unidos são bastante ciosos de sua condição de potência hegemônica e têm demonstrado não descuidar de seus interesses econômicos em todos os cantos do planeta. Sempre agiram e continuam atuando por meio de intervenções políticas ou armadas em países de todos os continentes para impor sua vontade imperial em defesa do que chamam “liberdades democráticas”, que ganham diferentes configurações para cada caso: ou apoiando a derrubada de líderes eleitos pelas suas populações ou a manutenção de ditadores sanguinários.

Esses passos ostensivos no sentido de ativar bases militares em países sul-americanos, remontar uma poderosa frota naval e revigorar o Comando Sul, em Miami, são inequívocas ações estratégicas de demonstração e projeção de poder.

Deve-se a interesses políticos e econômicos ou ao narcotráfico, motivo alegado pelos EUA?

Na minha avaliação, prendem-se mais ao surgimento, na América Latina, de governos não alinhados com os interesses dos EUA do que propriamente com o combate ao narcotráfico ou a apropriação das reservas de petróleo recentemente descobertas na costa brasileira.

Aliás, com relação à produção de drogas, há um dado bastante curioso: recentemente foi divulgado que, quando o Taleban detinha o poder no Afeganistão (1996-2001), a produção de ópio foi totalmente desmontada no país, pois o líder do grupo, mulá Mohammad Omar, considerava o consumo da droga crime contra o Islã e ameaçava executar quem cultivasse a papoula. Atualmente, com a presença de tropas norte-americanas no país, a região voltou a ser a maior produtora de ópio no mundo.

As políticas de segurança implementadas são eficientes?

No fim do ano passado, o Presidente Lula aprovou a Estratégia Nacional de Defesa (END), documento fundamental para o estabelecimento de políticas de defesa. Mesmo os que eventualmente questionam pontos dessa formulação entendem que, com ela, um passo importante foi dado.

Exemplificando, em um de seus artigos, a Estratégia estabelece que a defesa do Brasil requer a reorganização da indústria bélica nacional, com prioridade para o desenvolvimento de capacitações tec-nológicas independentes. É o reconhecimento de que o Brasil somente atingirá o nível ideal para promover sua defesa quando, entre outras importantes condições, desenvolver a capacidade de produzir o seu próprio armamento.

Sued Lima é coronel-aviador da reserva da força aérea brasileira (FAB) e membro do observatório das nacionalidades.

FONTE: Diário do Nordeste

 

A Alide divulgou a apresentação em Powerpoint do Ministro Nelson Jobim na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Para ver a apresentação completa clique aqui. No slide da apresentação mostrado acima, pode-se ver a disposição dos pelotões de fronteira e as brigadas. Observe-se a maior concentração de brigadas ainda na região sudeste.

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EUA temiam invasão nazista no Brasil

Para o pesquisador americano Frank McCann, a contribuição feita pelo Brasil ao esforço aliado durante a 2ª Guerra Mundial foi maior do que se imagina. As bases americanas instaladas em território brasileiro, afirma, foram fundamentais para os aliados na África, na ex-União Soviética e até na China durante o conflito, que poderia ter tido outra história se elas não existissem.

McCann lembra ainda que os Estados Unidos chegaram a temer que, assegurado o norte africano, os alemães atravessassem o Atlântico para invadir o Brasil, com apoio de revoltas das comunidades germânicas e italianas do Sul do país.

O pesquisador também relata que ocorreu, na 2ª Guerra, um choque de culturas, no qual os norte-americanos tiveram uma visão negativa dos brasileiros por causa da falta de condições de saúde dos soldados do Brasil.

Segundo ele, após o fim da Guerra Fria, e desde que foi superada a tensão que precedeu o rompimento, em 1977, do acordo militar de 1952, há mais respeito mútuo entre os dois países. “Havia alguma suspeita entre oficiais brasileiros de que os americanos estavam interessados demais na Amazônia”, disse McCann. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida por ele ao Estado:

O senhor diz que o Brasil na 2ª Guerra foi um dos primeiros exemplos do uso de civis em projetos militares. Como isso ocorreu?

Eu estava me referindo à construção das bases aéreas. Os militares americanos não poderiam fazê-lo, então foram à Pan American Airways, cuja subsidiária Pan Air do Brasil foi encarregada de obter as terras, os trabalhadores, e organizar as construção. O contrato da Pan Am com o Exército dos EUA estabelecia que construiria bases de Miami a Natal e então, através da África, de Dacar à Somália. Quando a Europa estava sob domínio alemão, e os japoneses dominavam o Pacífico, essa rede abasteceu os britânicos no Norte da África, a União Soviética e até o crucial teatro da China, Burma e Índia. Sem as bases brasileiras, a Segunda Guerra Mundial teria tido uma história diferente.

Qual foi o peso que teve, para a entrada do Brasil na guerra, a Operação Pote de Ouro, invasão planejada do Nordeste por 100 mil americanos para garantir a área para as operações dos EUA?

Não acredito que tenha tido alguma influência na tomada de decisão. Franklin Delano Roosevelt e o Exército americano não desejavam combater brasileiros. Em vez disso, temiam que a Alemanha, após assegurar o norte da África, lançasse um ataque no Nordeste brasileiro e que as comunidades alemãs e italianas no Sul se revoltassem em apoio ao esforço alemão. A vitória alemã contra a França e o ataque aéreo à Grã-Bretanha assustaram todo mundo.

Houve um choque de culturas entre brasileiros e americanos na 2ª Guerra?

O Brasil deu aos americanos uma visão negativa do País. Grandes recursos, maravilhosa hospitalidade, mas uma população doente. Embora o intenso treinamento tenha irritado alguns oficiais brasileiros, não era diferente daquele aos quais os soldados americanos eram submetidos. A regra era simples, soldados subtreinados poderiam logo ser mortos. Minha impressão é que oficiais como Castello Branco logo entenderam que o contínuo treinamento era necessário.

Por que a FEB teve apenas 25 mil homens? O que faltou? Dinheiro?

Não, foi simplesmente uma questão de não ter homens jovens saudáveis em número suficiente. Um dos problemas foi que o processo decisório no Brasil era muito lento. As decisões certas foram tomadas muito tarde para tirar vantagens das oportunidades que passavam rapidamente. Se o Brasil tivesse estado pronto para enviar suas forças em 1943 como parte da campanha no Norte da África, mesmo que tivesse tido somente um par de divisões, seu status teria sido diferente.

Como ficou a relação Brasil-EUA na área militar após o fim da Guerra Fria?

Acho que há mais respeito mútuo. Havia alguma suspeita entre oficiais brasileiros de que os americanos estavam interessados demais na Amazônia. O Brasil negou permissão para pouso aos EUA em alguns campos em Roraima no fim dos anos 80, mesmo em missões humanitárias. E, com pelo menos um treinamento envolvendo paraquedistas brasileiros em Roraima, os EUA foram advertidos para que mantivessem distância. Recentemente, o Brasil lançou um extenso programa de compras militares. Comprou equipamentos da Rússia e da França.

Os americanos continuarão distantes ou Obama poderia mudar esse quadro?

Ouvi que o presidente Obama estava impressionado com o presidente Lula. Mas ficaria surpreso se ele tivesse uma ideia clara sobre o que o Brasil é hoje. Espero que ele venha logo e consiga ver muito do País. Como regra, os americanos têm poucas ideias concretas sobre o Brasil. Quanto mais Obama ver, melhor será.

FONTE: Estadão

 
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