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1. Se havia alguma dúvida de que o Estados Unidos vai olhar cada vez mais para o Oriente – ao invés de olhar para a Europa ou América Latina – como sua primeira prioridade em matéria comercial, várias notícias que passaram praticamente despercebidas nos últimos dias deveriam servir para tirar qualquer dúvida a esse respeito.

2. Em primeiro lugar, o presidente Obama disse na reunião de cúpula dos 21 países da Ásia-Pacífico, realizada no dia 13 de novembro no Havaí, que “Estados Unidos da América é um país do Pacífico”. E ele acrescentou: “Nenhuma região será mais importante para determinar nosso futuro econômico em longo prazo do que a região da Ásia-Pacífico”. Em segundo lugar, pouco antes de viagem de Obama, a secretária de Estado Hillary Clinton, publicou um artigo na revista Foreign Policy, intitulado “O século dos Estados Unidos no Pacífico”. Neste artigo ela afirma que o futuro econômico dos EUA dependerá da sua capacidade para conquistar os mercados asiáticos.

3. Em terceiro lugar, um novo estudo sobre o intercâmbio de estudantes de vários países com os Estados Unidos – que pode ser um bom indício dos futuros vínculos entre as elites empresariais e acadêmicas dos países em questão – revelam que há um enorme crescimento do número de estudantes asiáticos nas universidades norte americanas e uma queda no número de estudantes latino americanos.

4. Minha opinião: Obama está buscando aumentar a presença dos EUA na Ásia, tanto pelo rápido crescimento econômico da região, como pelo fato de que Washington quer conter a ascensão da China. Isso é compreensível, mas os EUA deveriam no mínimo olhar tanto para Oriente como para o Sul. Os Estados Unidos exportam três vezes mais para a América Latina do que para a China. E considerando que as economias latino-americanas estão crescendo, pode não ter sido muito prudente auto definir os EUA como “um país do Pacífico”, excluindo tacitamente os países latino-americanos do Atlântico (incluindo o Brasil) e a Europa, da equação.

FONTE: Andrés Openheimer – La Nacion, 22, via Ex-Blog Cesar Maia

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O Ministério da Defesa vai promover em dezembro uma reunião com representantes das Forças Armadas para identificar as prioridades de investimento no Exército, Marinha e Aeronáutica. O anúncio foi feito pelo ministro Celso Amorim em audiência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional para discutir o estágio atual do reequipamento das Forças Armadas, a situação do Centro de Lançamento de Alcântara (MA) e a licitação (que vem sendo adiada desde os governos FHC) para a aquisição de caças pela Força Aérea Brasileira.

Ele admite que um dos principais problemas tem sido a descontinuidade na aplicação dos recursos, o que provoca prejuízos na execução de ações e programas. Ele citou, como exemplo, os projetos de construção do submarino nuclear e do lançador de foguetes da base de Alcântara.

O ministro explicou que os profissionais que atuam nesses projetos são especializados e atrasos ou descontinuidade de orçamento acabam desfazendo as equipes. Apesar dos problemas orçamentários, Celso Amorim prevê que o projeto do lançador de foguetes dever estar concluído em 2015 e o do submarino, em 2025 .
Ele defendeu também uma revisão urgente dos salários nas Forças Armadas. Ele lembrou que um segundo-tenente hoje ganha cerca de R$ 6 mil – valor menor do que o pago a várias carreiras de estado.

Contrainteligência
Amorim também informou, durante a audiência, que determinou a revisão dos manuais de contrainteligência do Exército e da Marinha para adequação da linguagem utilizada nos textos. Ele considera os serviços de contrainteligência ‘absolutamente necessários”, mas defende a separação entre as ações internas e externas nessas área.

FONTE: Agência Câmara de Notícias

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional realizará nesta quarta-feira (9) audiência pública com o ministro da Defesa, Celso Amorim, para discutir o estágio atual do reequipamento das Forças Armadas, a situação do Centro de Lançamento de Alcântara (MA) e a licitação (que vem sendo adiada desde os governos FHC) para a aquisição de caças pela Força Aérea Brasileira.

Também deverão ser discutidos outros assuntos relativos à atuação do Ministério da Defesa, como a Missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti (Minustah), a exigência do serviço militar obrigatório e o suposto manual de contrainteligência das Forças Armadas, denunciado em recente reportagem da revista Carta Capital.

A audiência foi proposta pelos deputados Ivan Valente (Psol-SP), Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Íris de Araújo (PMDB-GO) e Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP).

A reunião será realizada às 11 horas, no Plenário 3.

FONTE: Agência Câmara

Participação no evento é aberta e gratuita. As inscrições podem ser feitas até o dia 6 de novembro

Brasília, 25/10/2011 - Tema em ascensão na agenda pública, a indústria nacional de defesa será o tópico a ser debatido na 11ª edição do Encontro Nacional de Estudos Estratégicos (XI ENEE), que acontece entre os dias 16 e 18 de novembro, no Rio de Janeiro.

O evento, promovido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), em parceria com o Ministério da Defesa, vai discutir políticas e perspectivas da indústria de defesa brasileira, abordando questões de interesse global do setor.

O objetivo, segundo os organizadores, é produzir insumos para a implementação de políticas públicas mais eficazes na área de defesa. O setor, que recentemente recebeu incentivos do governo para fomentar sua indústria de base, tem função estratégica para o país – tanto pela capacidade de incentivar as cadeias industriais de alta tecnologia, quanto pela pesquisa, desenvolvimento e inovação conduzidos em áreas sensíveis.

Além de reunir civis e militares em torno de uma agenda de interesse do Estado, o encontro pretende ampliar a participação de diferentes segmentos da sociedade em assuntos de defesa. Para tanto, irá reunir, num mesmo espaço, servidores públicos, autoridades, especialistas, acadêmicos, estudantes, membros da comunidade científica e representantes de organizações não governamentais e do setor privado.

Histórico

Idealizado como ambiente de discussão de questões estratégicas para o país, o ENEE teve sua primeira edição em 1994. Em 1998, um conjunto de instituições acadêmicas promoveu o último dos encontros da série, em bases mais modestas do que as primeiras edições, dado o esvaziamento da Secretaria de Assuntos Estratégicos – processo que resultou em sua extinção, em 1999.

Nesse meio tempo, por estímulo da antiga Secretaria de Estudos e de Cooperação do Ministério da Defesa, os encontros foram retomados anualmente. Desde 2005, as Escolas de Altos Estudos Militares e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR) organizaram cinco encontros. Em 2010, a organização do ENEE voltou a ficar sob responsabilidade da SAE/PR, recriada em 2008, o que realça o caráter multidisciplinar do evento.

Inscrições

A participação no XI ENEE é aberta e gratuita, mas as vagas são limitadas. As inscrições podem ser feitas até o dia 6 de novembro, por meio do site do XI ENEE.

Confira, abaixo, a programação do evento.

Dia 16 de novembro, quarta-feira

 

HORÁRIO
ATIVIDADE
13h-15h Credenciamento
15h-15h15 Boas-vindas do anfitrião
15h15-16h15 Abertura solene
16h15-18h Painel 1 – O Livro Branco de Defesa Nacional e a Base Industrial de Defesa no BrasilEste painel será um espaço para o Ministério da Defesa abordar o capítulo 5 do Livro Branco de Defesa Nacional, cujo tema é “Transformação da Defesa Nacional: resultados e impactos”, com ênfase no desenvolvimento da Indústria de Defesa.
18h-19h30  Confraternização

 

Dia 17 de novembro, quinta-feira

HORÁRIO ATIVIDADE
09h-10h45 Painel 2 – Indústria nacional de produtos de defesa: repercussões para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico do BrasilNeste painel, pretende-se abordar os impactos da indústria de defesa para o desenvolvimento nacional, nas vertentes econômico-social (buy Brazil, emprego e renda, infraestrutura) e tecnológica (arrasto tecnológico e tecnologias duais).
10h45-11h15 Intervalo
11h15-13h Painel 3 – A indústria de defesa brasileira no contexto internacional:- Mecanismos de compensação comercial, tecnológica e industrial
- Transferência de tecnologias
- Integração da BID na América do Sul e conquista de mercados externos

As vertentes deste painel são os acordos com países desenvolvidos e as possibilidades de compensação comercial, tecnológica e industrial. Atenção especial será dada também à capacidade brasileira de absorver as tecnologias recebidas, ao papel do Brasil na integração da BID na América do Sul e à conquista de mercados externos.

13h-14h30 Almoço
14h30-16h15 Painel 4 – Índice de nacionalização de produtos de defesa- seleção de tecnologias estratégicas
- mecanismos de proteção de tecnologias críticas e propriedade intelectual
- estímulo à inovação

Este painel discutirá critérios para seleção de tecnologias a ser importadas e desenvolvidas nacionalmente. No caso das desenvolvidas no Brasil, buscar-se-á, também, abordar mecanismos de proteção de tecnologias críticas, de propriedade intelectual e estímulo à inovação.

16h15-16h45 Intervalo
16h45-18h30 Painel 5 – Recursos humanos: desafios e soluções para a indústria nacional de defesaEste painel buscará discutir formas de enfrentamento do problema de recursos humanos, desde o despertar do interesse de jovens estudantes para áreas de interesse da indústria de defesa, até políticas de retenção de mão de obra qualificada.

Dia 18 de novembro, sexta-feira

HORÁRIO ATIVIDADE
09h-10h45 Painel 6 – Ações do Governo Federal para o desenvolvimento da Indústria de Defesa do BrasilEste painel terá um foco mais direto nas ações de governo. O objetivo é que os ministros de estado das pastas da Defesa, da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência, Tecnologia e Inovação discutam formas de reorganizar as ações de defesa em prol de um grande programa de estímulo da base industrial de defesa brasileira.
10h45-11h15 Intervalo
11h15-12h Painel 6 – Debates
12h-12h30 Conferência de encerramento
12h30-12h45 Encerramento e entrega de certificados

 

Assessoria de Comunicação
Ministério da Defesa
(61) 3312-4070

O ministro da Defesa, Celso Amorim, se mostrou reticente sobre operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fora de locais previstos para operações. “Ontem era a Líbia, é verdade que com um mandato do Conselho de Segurança (da ONU) e da Liga Árabe. Amanhã poderia ser na África Ocidental e aí a Otan se aproximaria do Brasil. Isso nos incomoda”, afirmou, em entrevista publicada nesta quinta-feira no jornal Le Monde.
A respeito da cooperação com a Argentina, Amorim afirmou que “é essencial para toda a América do Sul” e disse que nenhum dos vizinhos constitui ameaça para o Brasil. “Mas a defesa não precisa de um inimigo identificado. Assim, a complexidade da vigilância da Amazônia exige tecnologias avançadas”, disse.

Sobre o potencial de produção de alimentos e de água brasileiro, Amorim afirmou: “temos que estar prontos para defendê-los em caso de conflito entre potências que careçam deles. Também há grupos criminosos, narcotraficantes e outros atores”.

Compra de caças

O ministro afirmou que os critérios econômicos serão mais fortes na decisão sobre a renovação da frota de aviões de combate, entre o caça americano F-18, o francês Rafale e o sueco Saab. “A consideração fundamental para tomar uma decisão é de ordem financeira e econômica”, afirmou Amorim, em entrevista ao jornal francês Le Monde, publicada nesta quinta-feira.

“Entramos em um período de incertezas. O Brasil vai bem, mas não sabemos quais serão as consequências da crise internacional para nossa economia. É preciso ser prudente, esperar o bom momento”, disse. Ele não quis dar um prazo para a decisão, mas considerou a possibilidade de divulgar a escolha em 2012. O ministro, que no governo anterior ocupou o Ministério de Relações Exteriores, fez uma vista de dois dias a Paris que terminou na quarta-feira.

Amorim foi recebido pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, e por seus ministros de Relações Exteriores, Alain Juppé, e Defesa, Gérard Longuet. O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que encontrará Sarkozy em Paris na sexta-feira em uma conferência do G20, tinha demonstrado ao líder francês em 2009 a intenção de optar pelo Rafale, fabricado pela Dassault. Apesar disso, os militares brasileiros preferem o F-18 e inclusive o Gripen ao caça francês.

Sobre a transferência de tecnologia, que aparecia como ponto chave das negociações para a escolha do avião de combate francês, Amorim afirmou que a “cooperação no submarino nuclear conseguiu superar os obstáculos”. O ministro fez alusão ao acordo que estabelece a venda da França ao Brasil de cinco submarinos de propulsão nuclear do tipo Scorpène com transferência de tecnologia. Algo semelhante ocorrerá com 50 helicópteros de transporte militar Eurocopter EC725, que no futuro também serão fabricados no Brasil.

FONTE: EFE

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(Brasília, DF, 10 de outubro de 2011) – A Capital Federal recebe na próxima semana a nata das Forças Armadas e representantes da Indústria de Defesa para debater as estratégias e perspectivas de transformação para a Defesa Nacional. O encontro acontece entre os dias 17 e 19 de outubro, em Brasília, durante a Conferência Anual de Defesa organizada pela Clarion. A abertura oficial do encontro fica a cargo do Ministério da Defesa.

Na manhã do dia 17, o Contra-Almirante Saboia falará do programa de reaparelhamento da Marinha do Brasil e apresentará um panorama dos principais projetos e do status da sua execução. Os desafios tecnológicos das forças terrestres e o processo de transformação impulsionado pelo Exército serão abordados pelo General-de-Brigada Schneider, da 7ª. Subchefia do Estado Maior do Exército.

Entre os temas que serão debatidos no encontro estão os vetores de transformação da Estratégia Nacional de Defesa, o reaparelhamento das Forças Armadas, sua integração e atuação conjunta, o programa nuclear da Marinha e a Guerra Cibernética, além do planejamento estratégico de longo prazo que contemple as demandas futuras do País e permita à Indústria Nacional de Defesa preparar-se tecnologicamente para atender a tais necessidades.

Sobre este último tema, a Clarion promoverá um painel reunindo o Vice-Almirante Boavista, conselheiro da ABIMDE, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Max Pimentel, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha do Brasil, e o General-de-Exército Mayer, Chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro.

Encerrando o primeiro dia da Conferência, os cenários e perspectivas da Segurança Institucional serão apresentados pelo General-de-Exército Elito, Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, e a discussão sobre a atuação das Forças Armadas em apoio à política externa do país ficará a cargo do Ministro Afonso Carbonar, do Ministério das Relações Exteriores.

No segundo dia do encontro, o assessor especial do Ministério da Defesa, José Genoíno, e o Dep. Federal Carlos Zarattini (PT/SP) avaliam a importância da estreita união entre o Ministério da Defesa e as Forças Armadas, e seu relacionamento com o Congresso Nacional para obter um orçamento estável para a Defesa Nacional.

Em tarde dedicada às perspectivas para as Forças Armadas, o General-de-Divisão Menandro, Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército Brasileiro, traçará cenários para o Exército Brasileiro até 2030, e o Capitão-de-Mar-e-Guerra Rafael, da Subchefia de Estratégia do EMA, mostrará os principais reflexos da Estratégia Nacional de Defesa para a Marinha do Brasil.

Encerra a agenda um Seminário Especial sobre Segurança em Grandes Eventos. A sessão contará com o General-de-Brigada Gomes, Comandante da Brigada de Operações Especiais do Exército Brasileiro, do Procurador da República Dr. José Robalinho Cavalcante, do Capitão-de-Mar-e-Guerra Yerson, Oficial de Operações do Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra da Marinha, do General-de-Divisão Ferreira, comandante da 1ª. Divisão do Exército, do Tenente-Coronel Paulo, da divisão DQBN do Exército, e do General-de-Brigada Roland, Comandante da Brigada de Artilharia Anti-Aérea do Exército Brasileiro, entre outros.

Conferência Anual de Defesa é uma iniciativa da Clarion Events, com o patrocínio da Denel do Brasil, Oscar Iskin, General Dynamics, Cristianini CBRN, Northrop Grumman, e ISDS. As informações estão no site www.conferenciadefesa.com.br ou pelo telefone             11-3893-1300      .

AGENDA:

Conferência Anual de Defesa

  • De 17 a 19 de outubro de 2011.
  • Local: Hotel Royal Tulip Brasília Alvorada – Brasília, DF
  • Organização: Clarion Events
  • Informações:  11-3893-1300
  • Site: www.conferenciadefesa.com.br

SOBRE A CLARION

Por mais de 60 anos, a Clarion Events dedica-se à promoção e organização de feiras de negócios, eventos e congressos. Reúne aproximadamente 700 mil pessoas em mais de 100 eventos realizados ao redor do mundo. O escritório brasileiro da Clarion é responsável pela Conferência Anual  de Defesa, pela ConMar, pela CorSecurity e SegBrasil, além das feiras LAAD.

“Se aqui e no exterior todos perceberem que estamos prontos para a guerra a qualquer momento, com todas as unidades das nossas forças na linha de frente prontas para entrar em combate e ferir o inimigo no ventre, pisoteando-o quando estiver no chão, para ferver seus prisioneiros em azeite e torturar suas mulheres e filhos, então ninguém se atreverá no nosso caminho”. John Arbuthnot Fisher, primeiro Lord do Almirantado da Marinha Real Britânica, (cit. in Norman Angell, A Grande Ilusão, Editora UNB, 2002, p: 275)

É preciso ser muito ingênuo ou mal informado para seguir pensando que a “Guerra da Líbia”, foi feita em nome dos “direitos humanos” e da “democracia”. E ainda por cima acreditar que o governo de Muamar Gadafi foi derrotado pelos “rebeldes” que aparecem nos jornais em poses publicitárias. Tudo isso enquanto a aviação inglesa comanda o ataque final das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à cidade de Sirta, depois de ter conquistado a cidade de Trípoli. Até o momento, a “primavera árabe” não produziu nenhuma mudança de regime na região, mesmo na Tunísia e no Egito, e não há nenhuma garantia de que os novos governos sejam mais democráticos, liberais ou humanitários que seus antecessores. Até porque, quase todos os seus líderes ocuparam posições de destaque nos governos que ajudaram a derrubar, com o apoio de uma multidão heterogênea e desorganizada. Sendo que, no caso da Líbia, não se pode nem mesmo falar de algo parecido a uma “mobilização massiva e democrática” da oposição, porque se trata de fato de uma guerra selvagem e sem quartel, entre regiões e tribos inimigas, que foram mobilizadas e “pacificadas” transitoriamente, pelas forças militares da Otan.

Na Líbia haverá um período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal e instável

Segundo Lord Ismay, que foi o primeiro secretário-geral da Otan, o objetivo da aliança militar criada pelo Tratado do Atlântico Norte, assinado em 1949, era “manter os russos fora, os americanos dentro e os alemães para baixo”. E esse objetivo foi cumprido plenamente, durante todo o período da Guerra Fria. Mas depois de 1991, a Otan passou por um período de “crise de identidade” e redefinição do seu papel dentro do sistema internacional. Num primeiro momento, a organização militar se voltou para o Leste e para a ocupação/incorporação de alguns países da Europa Central que haviam pertencido ao Pacto de Varsóvia.

Além disso decidiu participar diretamente das Guerras do Kosovo e da Sérvia. E ao mesmo tampo, lançou, em 1994, um projeto de intercâmbio militar e de segurança, com os países árabes do norte da África, o chamado “Diálogo Mediterrâneo”. Dez anos depois, na sua reunião de cúpula de 2004, em Istambul, os dirigentes da Otan decidiram expandir o seu projeto de segurança e criaram a “Iniciativa de Cooperação de Istambul” (ICI), voltada para os países do Oriente Médio. Além disso, nesse mesmo período, a Otan, que não havia apoiado as guerras do Afeganistão e do Iraque, decidiu aderir e colocar-se ao lado das tropas anglo-americanas, instalando suas forças também na Ásia Central.

Foram os ingleses que cunharam o termo “Oriente Médio”, para referir-se aos territórios situados no meio do seu caminho, entre a Inglaterra e a Índia, e que pertenciam ou estavam sob a tutela do Império Otomano. Incluindo os territórios que foram retalhados e divididos depois do fim da 1ª Guerra Mundial, sendo transformados em “protetorados” da Inglaterra e da França, que já eram, naquele momento, as duas maiores potências imperiais da Europa, tendo submetido e colonizado a maior parte da África Subsaariana e todos os países árabes do norte do continente, hoje incluídos no “Diálogo Mediterrâneo” da Otan.

Mas foi o presidente dos Estados Unidos, George Bush, quem cunhou o termo “Grande Médio Oriente”, apresentado pela primeira vez na reunião do G-8, realizada em Sea Islands, nos Estados Unidos, em junho de 2004. A ideia era definir e unificar um novo espaço de intervenção geopolítica, que iria do Marrocos até o Paquistão, e deveria ser objeto da preocupação prioritária das grandes potências, na sua guerra contra o “terrorismo islâmico”, e a favor da “democracia” e dos “direitos humanos”. Dessa perspectiva se pode compreender melhor o significado geo-estratégico da “primavera árabe”, e da Guerra da Líbia.

Assim mesmo, o que se deve esperar que ocorra depois da guerra? Na Líbia, haverá um longo período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal, instável e autoritário, sob o patrocínio e a tutela militar da Otan. Ao mesmo tempo, terá sido dado um passo decisivo na construção de uma força de intervenção “ocidental”, capaz de projetar seu poder militar sobre todo o território islâmico do Grande Médio Oriente. E de passagem, estará criado o primeiro “protetorado colonial” da Otan na África. Triste sina da África!

José Luís Fiori é professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da UFRJ, e autor do livro “O Poder Global”, da Editora Boitempo, 2007. Escreve mensalmente às quartas-feiras.

FONTE: Valor Econômico

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CARACAS (Reuters) – A Venezuela espera receber da Rússia um empréstimo de 4 bilhões de dólares para a compra de equipamentos militares, disse o presidente Hugo Chávez na quarta-feira.

Desde 2005, Chávez já gastou quase 5 bilhões de dólares na compra de armamentos russos, incluindo tanques, aviões de combate e helicópteros. A oposição critica esses investimentos, alegando que havia outras prioridades.

“Estamos tramitando, e já se aprovou no nível político do governo russo, um crédito de 4 bilhões de dólares. Uma boa parte vem para continuar nos equipando, levantando nossa capacidade de combate, de defesa”, disse Chávez por telefone a membros do seu gabinete.

Ele não detalhou os bancos envolvidos na transação, nem a data em que o empréstimo será efetuado.

Por ordem de Chávez, a Venezuela quase duplicou o seu limite de endividamento público para este ano. Desde 2007, o governo já contraiu empréstimos e linhas de crédito em volumes expressivos junto a nações como China e Brasil. Além disso, o governo e a estatal petrolífera PDVSA realizam frequentes emissões de bônus de dívida. (Reportagem de Marianna Párraga e Daniel Wallis)

FONTE: Reuters

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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou hoje que o governo federal discute a formulação de um texto legal que dê garantias para que projetos de longo prazo da pasta, considerados estratégicos pela Presidência, não sejam interrompidos caso sejam alvo de contingenciamento orçamentário. O intuito da medida, segundo o ministro, é assegurar o investimento do setor privado a projetos de longa maturação.

“São projetos estratégicos que possam assegurar que o setor privado possa investir num prazo de vinte anos para o cumprimento de um determinado projeto que tenha maturação de dez ou vinte anos”, explicou, após participar de entrevista ao Programa Roda Viva, da TV Cultura, que vai ao ar na noite de hoje. “Com isso, você precisa assegurar ao setor privado que terá recursos alocados anualmente para aquele fim”, acrescentou.

O ministro ressaltou que a maior parte dos projetos do Ministério da Defesa são de longo prazo e avaliou que o desenvolvimento da indústria da defesa passa pela garantia de investimentos. “Nós precisamos desenvolver a indústria de defesa e, para isso, precisamos assegurar investimentos”, defendeu.

O Ministério da Defesa foi um dos mais afetados pelo corte orçamentário, de R$ 50 bilhões, realizado pela presidente Dilma Rousseff no início deste ano. A pasta foi atingida em R$ 4,024 bilhões, o que corresponde a 38% do total que poderá ser contingenciado para a pasta, de R$ 10,29 bilhões.

FONTE: Agência Brasil

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