QG Airsoft

Patriot

A Romênia anunciou na última quinta-feira (4.02) que aprovou uma proposta dos EUA para a instalação de mísseis de interceptação anti-balísticos no país, como parte de um escudo antimísseis americano.

Segundo o presidente da Romênia, Traian Basescu, o sistema proverá a capacidade de interceptação de mísseis, aumentando a segurança nacional. A instalação dos mísseis começa em 2015.

Basescu disse que o sistema não é contra a Rússia, mas contra outras ameaças.

Tagged with:
 

Jobim pressiona por comando central militar

Ministro propõe que líderes da Câmara priorizem projeto que vai centralizar as decisões das três Forças

vinheta-clipping-forteO ministro Nelson Jobim (Defesa) pediu a líderes partidários na Câmara dos Deputados que tratem com prioridade o projeto de lei complementar que cria o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, função cujo objetivo é centralizar as decisões de Exército, Aeronáutica e Marinha.

Previsto na Estratégia Nacional de Defesa elaborada em 2008 e que resultou em decreto presidencial publicado ainda naquele ano, o Estado-Maior seria chefiado por um general de último posto subordinado diretamente ao ministro da Defesa. O projeto de lei foi enviado pelo governo ao Congresso Nacional no dia 8 de dezembro.
Centralização

Na sua justificativa, Jobim escreve que o Estado-Maior terá como objetivo “a unificação doutrinária, estratégica e operacional” das três Forças, afirmando ainda que essa é uma das principais modificações legislativas da Estratégia Nacional de Defesa.

Devido a essa centralização, o Estado-Maior é visto com desconfiança em alguns setores militares, pois hoje há relativa autonomia de ações nas Forças.

O pedido de Jobim deve ser levado para a reunião da semana que vem dos líderes das bancadas partidárias na Câmara. Caso eles atendam à solicitação, deve ser aprovada a tramitação em regime de urgência do texto, o que dispensaria a passagem do projeto pelas comissões da Câmara antes da votação em plenário.

Depois de ser aprovado pelos deputados federais, o projeto terá de passar ainda pela análise dos senadores.

FONTE: Folha de São Paulo

Tagged with:
 

Orçamento recorde para a Defesa

vinheta-clipping-forteO presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou ontem ao Congresso uma proposta de orçamento de US$ 3,8 trilhões para o ano fiscal de 2011, o que inclui um valor recorde de US$ 708 bilhões em gastos com a Defesa. Obama argumentou que seu plano irá produzir uma redução de longo prazo no atual déficit de US$ 1,6 trilhões do país.

O Orçamento pedido pela Casa Branca inclui US$ 33 bilhões em financiamento adicional para pagar pelas operações militares e de inteligência crescentes no Afeganistão e Paquistão e pela retirada parcial das forças dos EUA no Iraque.

Esse valor se soma aos US$ 129,6 bilhões já incluídos no ano fiscal atual, que termina em 30 de setembro.

O Orçamento base pedido pelo Pentágono, US$ 549 bilhões, já representa um aumento de US$ 18 bilhões em relação aos US$ 531 bilhões do último ano fiscal. O aumento cobrirá a continuação das reformas nas aquisições de Defesa e no desenvolvimento de um escudo contra mísseis balísticos, além do atendimento a soldados feridos.

O Orçamento também prevê o cancelamento de vários importantes programas de armas, incluindo o avião de transporte C-17 da Boeing, poupando US$ 2,5 bilhões.

Além disso, o Orçamento também cancela os planos para o desenvolvimento de um novo navio da Marinha, os planos para a substituição do avião de inteligência EP-3, também da Marinha, e suspende os trabalhos sobre um satélite de aviso antecipado de mísseis.

O Orçamento prevê ainda o adiamento para depois de 2015 da substituição de dois novos navios de comando e controle da Marinha, iniciativa que a Casa Branca diz que poderá economizar US$ 3,8 bilhões no plano quinquenal de Defesa do Pentágono. A Marinha tinha planejado comprar um navio de comando em 2012 e um segundo em 2014.

A aquisição de um novo veículo anfíbio que está sendo construído pela General Dynamics Corp. para os Fuzileiros Navais será adiada em um ano, poupando US$ 50 milhões no ano fiscal 2011 e reduzindo os riscos, ao permitir mais tempo para a realização de testes, sustenta a Casa Branca.

O Pentágono disse que também pretente reduzir em 17% até o final de 2001 seu uso de contratos de alto risco em áreas relacionadas a tempo, materiais e horas de mão-de-obra.

No Orçamento proposto, Obama ressalta o compromisso da administração com “uma defesa forte contra ameaças emergentes de mísseis”, dizendo que pagará pelo uso de interceptores cada vez mais eficazes baseados em terra e mar e para uma nova linha de sensores na Europa.

Ao todo, o Orçamento inclui US$ 112,8 bilhões de dólares para a aquisição de armas, um aumento em relação aos US$ 104,8 bilhões do ano fiscal 2010.

FONTE: Jornal do Brasil

Convidado por França e EUA, Brasil aceitou em 2004 comando das tropas em busca de visibilidade internacional

Roberto Simon

vinheta-clipping-forteQuando, em fevereiro de 2004, o Conselho de Segurança (CS)da ONU aprovou o envio de 400 soldados americanos e franceses a Porto Príncipe, o Haiti ocupava um lugar discreto na agenda da diplomacia brasileira. Rebeldes estavam prestes a tomar a capital haitiana e o presidente Jean-Bertrand Aristide, acuado, renunciou. Reticente em se envolver na força, o Brasil, que ocupava um assento rotativo no CS e integrava o “Grupo de Amigos do Haiti”, limitou-se a reconhecer o novo presidente, Boniface Alexandre, e a votar a favor do envio de tropas. “Não era nosso estilo, o estilo brasileiro, de missão”, relembra o embaixador do Brasil na ONU na época, Ronaldo Sardenberg. Em dois meses, porém, o cenário se inverteria e o governo brasileiro assumiria o comando das tropas no Haiti.

A questão haitiana só se tornou prioritária para o Brasil porque a natureza da missão da ONU mudou entre a queda de Aristide e a chegada dos brasileiros, afirmaram ao Estado autoridades que participaram das negociações.

Logo após o colapso do governo haitiano, o contingente franco-americano foi incumbido de “impor a paz”. “Era, na verdade, uma força de ocupação”, diz o então ministro da Defesa, José Viegas, hoje embaixador em Roma. “Nós só participaríamos de uma missão que fosse chancelada pela ONU para manter a paz.” Nos bastidores, iniciou-se o vaivém de consultas.

Atolados no Iraque e Afeganistão, e com um histórico de ocupação do Haiti, os EUA queriam se distanciar da ilha. Mas, ao mesmo tempo, americanos temiam um influxo em massa de haitianos em sua costa, uma reedição dos “boat people”. “O governo George W. Bush não queria assumir a “paternidade” da coisa”, diz Roberto Abdenur, então embaixador brasileiro nos EUA. Antiga metrópole do Haiti, a França também desejava reduzir sua presença no país.

Segundo fontes, o primeiro contato foi um telefonema feito pelo general americano James Hill, que chefiava o Comando Sul, ao comandante do Exército brasileiro, general Francisco Roberto de Albuquerque. Em seguida, o diálogo subiu um degrau na hierarquia. Viegas recebeu uma ligação da embaixadora dos EUA no Brasil, Donna Hrinak, perguntando “se” e “sob quais condições” o Brasil lideraria a missão da ONU. “Era um sábado, liguei imediatamente ao presidente (Luiz Inácio Lula da Silva). Recebi sinal verde”, relata Viegas.

Finalmente, as negociações atingiram o nível presidencial. Lula recebeu um telefonema do presidente da França, Jacques Chirac, formalizando o convite. “É de suma importância que o Brasil assuma esse comando”, teria dito Chirac a Lula. “Essa também é a opinião do (secretário-geral da ONU) Kofi Annan.”

A entrada da França na negociação tinha duas motivações, afirma um militar que participou do diálogo. Era preciso evitar que o Brasil parecesse um “fantoche” dos EUA e o apoio francês “internacionalizava a questão”. “Mas também era uma “limpada de barra” de franceses com americanos, porque Paris foi, na ONU, visceralmente contra a invasão do Iraque, naquele mesmo ano.”

No Itamaraty, Ministério da Defesa e Planalto havia consenso de que o Haiti era uma “causa justa”. Mais: o comando brasileiro “fortaleceria as credenciais do Brasil para um assento permanente no CS”, diz Abdenur. “Seria um comando prestigioso”, completa Viegas.

O Brasil, porém, queria que a missão fosse de “estabilização” e não “imposição da paz”. Em outras palavras, exigia-se que fosse incluído no mandato da ONU um forte componente socioeconômico, para além da questão estritamente militar. “Uma missão desse tipo era muito mais nosso estilo”, afirma Sardenberg, relembrando a participação brasileira em operação como as em Angola e em Timor Leste.

França, EUA e Annan aceitaram as condições e, em abril de 2004, o CS criou a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah). O envio de tropas foi então ao Congresso brasileiro, que aprovou a medida.

OPERAÇÃO

“Fomos ao Haiti achando que os inimigos seriam os ex-militares. Mas eram, na verdade, as gangues. Havíamos nos preparado para uma missão militar, mas era uma questão policial”, analisa um oficial que atuou no país.

Olhando em retrospectiva, o comandante das forças da ONU no Haiti de 2007 a 2008, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, divide a história da Minustah em dois momentos fundamentais. O primeiro, de 2004 a 2008, consistiu na luta contra gangues que controlavam as favelas de Bel Air, Cité Militaire e Cité Soleil.

O objetivo era conquistar pontos estratégicos nas regiões e manter uma presença ostensiva. Simultaneamente, houve uma investida para conquistar a confiança da população. “E, assim, as gangues foram quebradas”, explica Santos Cruz.

Reduzida a violência, veio, então, a última – e mais decisiva – etapa, intensificada a partir de 2008: o auxílio ao desenvolvimento e a reconstrução da infraestrutura do país caribenho. “Agora, com o terremoto, regressamos ao estágio “menos um”", conclui uma outra fonte militar que pediu anonimato.

FONTE: O Estado de São Paulo

Tagged with:
 

vinheta-clipping-forteOs Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira o envio de mais 2.000 fuzileiros navais para o Haiti, desviando tropas que estavam rumo à África. Os EUA estimam que terão um total de 16 mil militares no Haiti e na costa do país até o fim de semana, trabalhando no auxílio a vítimas do terremoto do dia 12. O número atual já suplanta os cerca de 9.000 militares da Força de Paz das Nações Unidas, a Minustah, responsável pela segurança, e os reforços deixarão os EUA com mais de 12 vezes o contingente brasileiro, o maior da missão, que era de 1.266 antes do terremoto.

O Conselho de Segurança da ONU também aprovou nesta terça-feira o envio de mais 3.500 homens para a missão de paz, e o Senado brasileiro marcou para a próxima segunda-feira (25) a votação de um pedido do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que prevê o envio de mais 1.300 militares brasileiros para a Minustah. Segundo o ministro, 900 militares seriam enviados imediatamente e 400 formariam uma reserva.

Oficiais da Marinha americana informaram que o grupo de três navios USS Nassau Amphibious Ready zarpou na segunda-feira rumo ao golfo Pérsico e à África, mas foi desviado para o Haiti, para ajudar no esforço humanitário após o terremoto.

O grupo é formado por fuzileiros do Estado da Carolina do Norte, e deve unir-se a um grupo de outros 2.000 em seu caminho para o Haiti, aonde pode chegar já nesta quinta-feira. O primeiro grupo de cerca de 2.000 fuzileiros navais já está na costa do Haiti e desembarcou pela primeira vez nesta terça-feira.

Um funcionário do Pentágono diz que há cerca de 11.500 militares americanos no Haiti ou em navios na costa do país, incluindo um porta-aviões nuclear, número que deve ficar próximo de 16 mil até o fim de semana.

Nesta quarta-feira, o navio-hospital americano Comfort, da Marinha americana, ancorou na costa de Porto Príncipe, com cerca de 550 profissionais de saúde, somando-se a equipes de cerca de 30 outros países que tentam tratar os feridos. Cerca de 250 mil pessoas ficaram feridas no terremoto e grupos de ajuda dizem que muitas pessoas têm morrido por falta de cuidados médicos ou equipamentos adequados.

O Comfort conta com 1.000 leitos e capacidade para atender desde feridas leves a operações complexas. Ele participou de missões humanitárias no Haiti em abril, quando promoveu serviços médicos gratuitos, e desde esta terça-feira já estava recebendo vítimas do terremoto, transferidas de helicóptero.

Oito hospitais, a metade deles de campanha, estão funcionando atualmente em Porto Príncipe. O terremoto de 12 de janeiro causou pelo menos 75 mil mortos e 250 mil feridos, segundo autoridades haitianas. Entre os brasileiros, foram confirmadas 21 mortes –incluindo 18 militares da Minustah.

“Não se sabe com precisão quantos pacientes estão aqui. Milhares, possivelmente muito mais. O número aumenta cada vez que se abre uma nova unidade médica”, disse nesta quarta-feira na capital haitiana o coronel americano Richard Ellison.

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, ordenou também nesta quarta-feira o envio ao Haiti de uma embarcação especializada em limpeza de portos, informou a agência de notícias das Forças Armadas. A foi tomada depois que mais um tremor, de 6 graus na escala Richter, atingiu o país na manhã desta quarta-feira.

Nos últimos dias, cresceram os desentendimentos entre ONGs e as autoridades internacionais e as críticas ao papel de liderança assumido pelas forças americanas, que controlam o aeroporto de Porto Príncipe desde semana passada. As autoridades dos EUA e da ONU negam problemas e dizem que a divisão de tarefas é clara, com os americanos a cargo da ajuda humanitária e distribuição, podendo eventualmente atuar em autodefesa.

Mas o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, principal crítico de Washington na América Latina na atualidade, acusou os EUA de ocuparem o Haiti sob pretexto de prestarem ajuda. Em visita ao Haiti, nesta terça-feira, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, disse que os EUA pretendem estabelecer uma presença militar permanente no Haiti, dentro de uma estratégia para “controlar o continente”.

FONTE: Folha Online, com Associated Press, France Presse e Efe

Tagged with:
 
  1. Brasil perdoa 95% da dívida de Moçambique. Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano, assinaram na terça-feira (31) em Brasília um acordo em que o Brasil perdoa 95% da dívida do país africano – no valor de US$ 315 milhões.
  2. Brasil perdoa mais da metade de dívida da Nigéria. O Brasil vai receber apenas US$ 67,3 milhões da dívida de US$ 150,4 milhões que a Nigéria contraiu com o país, há mais de 20 anos, em financiamentos e seguros de exportações. Os outros R$ 83,1 milhões serão cancelados, conforme acordo assinado
  3. Brasil perdoa dívida de US$ 52 mi da Bolívia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira o perdão de uma dívida de US$ 52 milhões que a Bolívia tinha com Brasil.
  4. Brasil perdoa dívida de 4 milhões de dólares a Cabo Verde.
  5. Brasil perdoa dívida da Nicarágua. O presidente nicaraguense agradeceu a decisão do Brasil de perdoar 95% da dívida nicaraguense com esse país, estimada em 141 milhões de dólares.
  6. Brasil vai perdoar a dívida de Cuba. Brasil e Cuba devem assinar acordo para amortizar a dívida do governo cubano com o governo brasileiro, que já chega aos 40 milhões Euros.
  7. Brasil perdoa a dívida do Gabão. O presidente em exercício do Conselho Federal da OAB criticou a decisão do presidente Lula de perdoar a dívida do Gabão com o Brasil, calculada em US$ 36 milhões.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

Tagged with:
 

Raza

‘A Guerra de Obama não é a de Bush’


Brasileiro que participa da reestruturação da política de defesa dos EUA diz que americanos usarão menos força militar para defender seus interesses no mundo

Claudio Dantas Sequeira

vinheta-clipping-forteO analista de segurança nacional Salvador Ghelfi Raza é o único brasileiro a integrar a equipe contratada pelo governo Barack Obama para propor uma reforma profunda na política e, também, nos métodos utilizados pelos Estados Unidos mundo afora. São 30 Ph.D.s, os melhores cérebros do mundo em análise de segurança, defesa e diplomacia. Ao lado de Raza, além dos americanos, há ingleses, paquistaneses, suíços e uma mexicana. Raza é doutor em estudos estratégicos pela UFRJ com pós-doutorado em estudos de defesa na National Defense University, em Washington, onde leciona. Ressaltando que não fala em nome do governo, mas em caráter pessoal, Raza diz que há em curso uma “revolução” que dará um novo perfil às ações externas daquele país. “Para enfrentar o terror, não basta comprar mais scanners para os aeroportos. A guerra mudou, o papel das Forças Armadas também”, diz. No início do mês, começaram a circular internamente os primeiros rascunhos do que promete ser a maior mudança estrutural no setor desde a criação da CIA, a agência de inteligência americana, no final da década de 40.

Como é o trabalho que o sr. está desenvolvendo em Washington?
Salvador Ghelfi Raza – Estou trabalhando no desenvolvimento da nova metodologia que será usada para ações estratégicas das agências do governo americano em outros países. É um planejamento a longo prazo. Estamos falando de redesenhar a arquitetura de relacionamento das agências de desenvolvimento, de defesa e de inteligência. O objetivo é reunir as principais agências envolvidas num único esforço coordenado de formulação de políticas, desenho integrado de estratégias e gestão coordenada de projetos. Meu núcleo trabalha na vertente do desenvolvimento, capacitando planejadores seniores na área de segurança para que essas pessoas possam integrar equipes de estabilidade e reconstrução em várias partes do mundo. Faz parte de um movimento novo no governo americano para reduzir as barreiras entre as agências, evitando erros como os que permitiram a tentativa de atentado terrorista no último Natal, planejado pela Al-Qaeda.

Essa tentativa de atentado revelou fragilidades na segurança dos EUA parecidas com as que permitiram os ataques de 2001. A reforma executada por Bush não resolveu?
Salvador Ghelfi Raza - Há uma semelhança nos dois casos, sim. Após os atentados de 11 de setembro, houve uma grande reforma centrada na gestão das informações de inteligência. De qualquer maneira, o que ocorreu no Natal aqui, ou no Afeganistão e no Iêmen, não se resolve aumentando o número de máquinas que vão fazer o scanner de pessoas nos aeroportos. É preciso atuar nos fundamentos. Em como o governo se organiza, em como as decisões são tomadas, que políticas podem ser mais efetivas e quais elementos das estratégias se tornaram obsoletos. Na segunda-feira 11, tivemos uma reunião de cinco horas sobre novos parâmetros analíticos para definir o que é um conflito. Se os critérios atuais estão corretos. Daí, podemos olhar para Honduras e avaliar que não há ali um conflito. Reduz-se, assim, o afã operacional.

No caso hondurenho, os EUA foram criticados pelo Brasil exatamente por não agir.
Salvador Ghelfi Raza – O silêncio não significa inação. O Brasil age muitas vezes como aquele garoto cheio de energia que mete os pés pelas mãos. Os EUA estão numa posição mais sênior, de avaliar se uma ação se justifica ou não. Não é dar menos importância, mas evitar ações tempestivas.

Não é nada fácil mudar a cultura de um país e toda uma burocracia. Será possível fazê-lo nos EUA de Obama?
Salvador Ghelfi Raza - É difícil em todo lugar, mas, ao contrário do que parece, a cultura de mudança existe nos EUA. O difícil é saber para qual direção mudar, que tipo de mudança pode gerar um diferencial de resultados. Não é simplesmente criar ou substituir agências ou departamentos. Embora a dinâmica de mudanças tenha se iniciado na era Clinton e se aprofundado com Bush, no caso de Obama ela é substancialmente diferente. Enquanto no governo Bush a diretriz política era formulada em alto nível, de forma centralizadora, puxando para cima o núcleo de decisão, no caso Obama há uma descentralização e delegação de autoridade. Quando se faz isso, vem à tona uma série de fragilidades de planejamento estratégico, e surgem problemas que pareciam não existir antes. Há aspectos positivos e negativos nesse processo.

A ambiguidade na política externa de Obama seria um desses aspectos?
Salvador Ghelfi Raza – Sim. E isso eles querem corrigir. Uma das coisas para as quais precisamos tirar o chapéu e reconhecer é o esforço. Quem está de fora não imagina o que está sendo feito, os bilhões de dólares que estão sendo gastos para reparar de forma discreta, mas forte, a máquina decisória. Não é mudar pessoas, mas saber por que não funciona, qual a lógica articulante do sistema.

Dessa estratégia, o que o sr. pode detalhar?
Salvador Ghelfi Raza – Haverá um redesenho das competências de segurança no país, com a criação de um núcleo organizacional de defesa fortemente orientado na integração das agências de inteligência, as de controle dos UAVs (aviões não tripulados), a Força Aérea e as Forças Especiais. Haverá um outro núcleo, de segurança civil, uma espécie de grande Gendarmeria, onde estarão as agências de desenvolvimento. Hoje há três dimensões de ação: no Departamento de Defesa; no Departamento de Estado e no Departamento de Segurança Interna. É como se pegassem as Forças Armadas, as polícias, a inteligência, as agências de fomento, botassem tudo num liquidificador, retirassem os vínculos e separassem em dois. É um esforço enorme, caríssimo, e os primeiros rascunhos já saíram no início de janeiro. O que se antecipa é uma mudança estrutural sem precedentes.

Quando Obama dobra as tropas no Afeganistão não está imprimindo sua digital na guerra ao terror de Bush?
Salvador Ghelfi Raza – Não vejo assim. O governo Obama está repensando as estratégias usadas contra o terror. A guerra ao terror de Obama não é a de Bush. Existe um fenômeno chamado terrorismo, que foi enfrentado de uma certa maneira. O propósito de enfrentá-lo continua, mas as estratégias estão sendo ajustadas para dar conta de forma mais abrangente, menos militar e mais eficiente. Envolvem-se mais agências que estavam na periferia do esforço.

Que tipo de abordagem podemos esperar nos conflitos atuais?
Salvador Ghelfi Raza – Não só no Afeganistão, mas em vários outros países, podemos esperar maior envolvimento dos países, a qualificação das autoridades locais e a integração das agências de inteligência. Implica ouvir mais os altos escalões do país onde há a crise. E uma tentativa brutal de entender a cultura do povo local. Não há intenção de se impor a chamada doutrina de Washington.

Espera-se uma ação menos intervencionista dos EUA?
Salvador Ghelfi Raza – É mais participativa. Não vejo como menos intervencionista, pois aí é uma questão de matiz ideológico. Mas é um desenho mais integrador, que procura identifi car a cultura do país. Evitar erros como os cometidos na Bolívia. Você não pode chegar lá e destruir a coca. Ou acabar com o cultivo de papoula no Afeganistão. A economia desses países depende disso. Então, é preciso substituir esses cultivos. Da mesma forma, ao agir na estabilização, é preciso treinar a polícia e as Forças Armadas para que tenham autonomia. Isso tudo é novo. Antes, o governo americano vinha, ocupava e dizia “eu tenho a solução”. Não é que o americano ficou bonzinho, mas mais inteligente e humano.

Como atuar com agências tão estigmatizadas como a Usaid, que por décadas funcionou como fachada da CIA?
Salvador Ghelfi Raza - As agências de fomento serão de fomento e as de inteligência serão de inteligência. Haverá uma defi nição melhor das responsabilidades, sem a fusão de atribuições, mas apenas dos efeitos. Pretende-se, assim, resgatar a imagem delas, aproveitando a ênfase na diplomacia política de cooperação e integração.

Mas será difícil convencer muitos países, inclusive na América Latina, de que os EUA agem de boa-fé.
Salvador Ghelfi Raza – É um desafio. De qualquer maneira, a América Latina não está no foco de atenção americana, apesar de ter ganho projeção surpreendente. O Brasil precisa acordar dessa letargia metodológica intelectual, achando que para crescer basta deixar rolar. Nossas instituições estão obsoletas. Nosso pessoal militar tem que sofrer modernização drástica. Não basta comprar avião novo e submarino e manter a mentalidade dos anos 80. A política exterior está desarticulada da política de defesa, estamos numa panela de pressão e aumentando o fogo.

A crise em torno do Plano Nacional de Direitos Humanos é um exemplo desse atraso, ao reanimar sentimentos de revanchismo e enfrentamentos que já deveriam estar superados?
Salvador Ghelfi Raza
– É só um aperitivo do que vem pela frente. A tendência é piorar. Há crises internas e erros de política tão grandes que podem comprometer a imagem de um país que parou no tempo. O Brasil é um novo-rico. Os EUA já estão fazendo sua revolução para o futuro, e nós dando pulos para trás. Comprando espelhos, como índios. Qual a estratégia de segurança do governo brasileiro? Não tem. Como a política externa dialoga com a compra de mais caças? Como se espera que o submarino nuclear possibilite novas dimensões de dissuasão regional e como isso será usado pela diplomacia comercial? Ninguém sabe.

Tagged with:
 

vinheta-clipping-forteO ministro Nelson Jobim (Defesa) informou neste sábado que o Brasil deverá ficar por ao menos mais cinco anos no Haiti, já que os brasileiros deverão colaborar com a reconstrução do país caribenho após o terremoto que o devastou na terça-feira.

Segundo Jobim, é certo que o Brasil permanecerá mesmo após terminar o período pelo qual o país se comprometeu a compor a Minustah (Missão de Paz da ONU no Haiti), que se encerra em 2011.

“Não vejo menos de cinco anos [de extensão da permanência das tropas], tem que se reconstruir o país”, disse o ministro durante visita ao Ciop (Centro de Instrução de Operações de Paz) da Vila Militar, na zona Oeste do Rio, onde se encontrou com militares que estão em treinamento para poderem embarcar para o Haiti.

Jobim afirmou ainda que vai propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentar as atribuições das tropas brasileiras no Haiti. Jobim citou como exemplo aumentar as atribuições de engenharia das tropas, para que possam ajudar no processo de reconstrução do país após o terremoto de magnitude 7 que devastou a capital Porto Príncipe e matou milhares de pessoas, incluindo 17 brasileiros.

O ministro disse que as tropas brasileiras no país, cerca de 1.300, precisam de maior poder de ação para execução de obras no país caribenho. Ele não citou quais seriam outras atribuições que as tropas brasileiras ganhariam, mas disse que não há previsão para o envio de mais soldados ao Haiti –mesmo diante do anúncio de Washington de que enviará entre 9.000 e 10 mil militares para trabalhar na distribuição de medicamentos e na manutenção da ordem pública no país –uma tarefa que estava, até então, a cargo das tropas da ONU e sob o comando dos militares brasileiros.

“Se houver a mudança no mandato, a parte de engenharia terá muito mais atribuições”, explicou Jobim. “O orçamento da Minustah é voltado para a segurança, e uma das alterações que vamos pedir na ONU é pela destinação de verbas para obras de engenharia. Queremos participar do processo de reconstrução.”

Segundo previsões feitas pela CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) e pelo governo haitiano, entre 70% e 75% das edificações de Porto Príncipe foram destruídas pelo terremoto.

Comando

Jobim (Defesa) disse disse que, a despeito do envio de 10 mil militares americanos, o Brasil permanecerá no comando da missão de paz no Haiti.

Ele admitiu que as tropas americanas têm como princípio não aceitar ordens de outro país, mas ressaltou que um memorando firmado com os Estados Unidos reitera o Brasil no controle da missão de pacificação no Haiti.

“Nossas tropas seguem coordenando, embora os americanos não aceitem ser comandados por outro país. Isso foi definido no memorando. O Brasil mantém o controle”, disse.

O ponto que mais irritou os brasileiros em relação à ação americana foi o controle do aeroporto de Porto Príncipe. Os EUA controlam o local desde quinta-feira –ontem o governo haitiano repassou oficialmente o controle aos americanos– e desde então os pousos no local foram restringidos.

Devido ao problema, cinco aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) que chegariam ontem ao Haiti com mantimentos não receberam autorização para pousar –três deles ficaram em Santo Domingo (República Dominicana), enquanto outros dois ficaram em Boa Vista (RR). Apenas hoje eles conseguiram chegar a Porto Príncipe.

FONTE: Folha Online

Tagged with:
 

British Army 1

Quase metade dos veículos blindados do Exército Britânico que estão sendo usados no Afeganistão são considerados impróprios para o uso operacional de acordo com novos relatórios.

Os veículos militares, que vão desde modelos patrulha levemente protegidos aos mais pesados e resistentes a emboscadas, provaram estar desqualificados para as operações na região, de acordo com o Daily Telegraph.

Os veículos não estão proporcionando os níveis necessários de proteção para a tripulação contra bombas de insurgentes e são incapazes de superar a topografia e o clima do Afeganistão, bem como necessitam de reparações mais frequentes e substituição.

Nos números mostrados pelo Daily Telegraph, de 271 Mastiffs, apenas 134 estão operacionalmente prontos e apenas 73 dos 118 veículos Ridgback são consideradoss utilizáveis.

Além disso, o Ministério da Defesa britânico (MoD) também retirou o muito criticado Snatch Land Rover de suas funções no Afeganistão.

Os Land Rover são levemente protegidos e revelaram-se vulneráveis aos dispositivos explosivos improvisados dos insurgentes (IED).

Os veículos leves de patrulha Snatch Vixen também se mostraram vulneráveis às bombas, independentemente da blindagem complementar e às contramedidas anti-IED instaladas recentemente.

O Ministério da Defesa está planejando desdobrar 400 novos veículos de patrulha leves (LPPVs) para substituir os Snatch Land Rovers para cobrir uma necessidade operacional urgente.

British Army 2

FOTOS: MoD

Tagged with:
 
Page 5 of 14« First...3456710...Last »