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vinheta-clipping-forte1ISABEL FLECK ENVIADA ESPECIAL A ASSUNÇÃO

A Guerra do Paraguai ainda não acabou no imaginário dos paraguaios.

A última batalha entre as tropas locais e a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) ocorreu em 1870, mas os rancores provocados pela derrota, que levou o país vizinho a uma ruína cujos efeitos ainda estão presentes, continuam vivos para a maioria da população.

O governo paraguaio exige que o Brasil devolva um combalido sobrevivente: o canhão “El Cristiano” (“O Cristão”), considerado herói paraguaio, mas que talvez nunca tenha feito um disparo.

O “Cristão”, que ganhou esse nome por ter sido construído a partir de metal fundido de sinos de igrejas de Assunção, reaparece na política paraguaia toda vez que as relações com o Brasil não andam bem –como agora.

Depois de o Paraguai ter sido suspenso do Mercosul por causa do impeachment-relâmpago de Fernando Lugo no ano passado, o presidente Federico Franco voltou ao tema em 1º de março, data em que o país homenageia os soldados caídos na maior guerra da história da América do Sul (1864-70).

Estima-se que 300 mil paraguaios e 50 mil brasileiros tenham morrido.

“Não haverá paz nem entre os soldados nem entre a sociedade paraguaia enquanto não for recuperado o canhão Cristão’”, disse Franco na ocasião.

No próximo domingo, o Paraguai elege seu novo presidente e deve normalizar os laços com o Mercosul. Mas o canhão deve continuar sendo uma mancha na relação com os vizinhos.

Trazido ao Brasil logo após o fim do conflito, o armamento foi instalado no então arsenal do Exército, no Rio de Janeiro, de onde nunca saiu.

O local foi transformado no Museu Histórico Nacional, e o troféu de guerra segue exposto no pátio aberto.

Franco já havia exigido a devolução do “Cristão” em 2010, ainda como vice de Lugo. Em resposta, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a pedir ao Ministério da Cultura (MinC) que providenciasse o retorno do canhão à sua pátria.

Mas a ideia despertou a ira de historiadores e militares brasileiros. “Troféus de guerra são emblemáticos não só para um país, mas para todos que participaram dela. O canhão faz parte da história do Brasil também”, diz o pesquisador Francisco Doratioto, autor do livro “Maldita Guerra”, sobre o confronto com o Paraguai. O assunto acabou engavetado por Dilma.

Procurado pela Folha, o MinC sugeriu que a devolução está sendo reconsiderada, para que o canhão faça parte de “ações de cooperação de interesse para os dois países”, como a criação de um museu.

Como o bem faz parte do patrimônio histórico brasileiro, teria de passar por um processo de “destombamento” –uma decisão que, em última instância, cabe à presidente da República.

Para Doratioto, o governo paraguaio só pode reivindicar o “Cristão” se entregar ao Brasil embarcações como a Anhambay –capturada na invasão de Mato Grosso.

“Num processo de integração da América do Sul, é preciso começar a reviver o passado e pedir de volta todos os troféus?”, indaga.

O mesmo questionamento é feito pelo general Aureliano de Moura, presidente do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil. “Tanto o canhão como navios custaram sangue dos nossos soldados e dos deles também. Não é lógico devolvê-lo.”

ATIROU OU NÃO?

O “Cristão” é emblemático no Paraguai por ter sido levado para a Batalha de Curupaiti, de 22 de setembro de 1866, maior vitória do país contra a Tríplice Aliança.

Segundo os relatos paraguaios, o canhão, colocado no Forte de Curupaiti, foi decisivo para conter o avanço das tropas brasileiras e argentinas rumo ao Forte de Humaitá, que controlava o acesso a Assunção.

No Brasil, há quem diga que o “Cristão” apenas assistiu ao triunfo paraguaio naquele dia. “Ele nunca disparou uma bala, porque os paraguaios fizeram uma estrutura interna tão moderna para a época que eles próprios não tiveram condições de usar”, afirma Vera Tostes, diretora do Museu Histórico Nacional. Se for devolvido, o canhão não vai mudar em nada o cenário de crise diplomática com o Brasil por causa de Lugo e do Mercosul. Mas a guerra estaria mais perto do fim do outro lado do rio.

FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército

Abaixo você confere um video que mostra um blidado M4 Sherman no fundo do mar próximo à ilha de Saipan, no arquipélago das Marianas. Ao longo dos anos, a carcaça do veículo se tornou um recife artifical.

A ilha de Saipan foi palco de de duras batalhas durante o mês de junho de 1944. O local era de importância estratégica para as forças japonesas durante a Segunda Guerra Mundial.

O M4 Sherman começou a ser produzido em 1942, e foi retirado de serviço pelo Exército americano em 1955.

 

FONTE: Militaryphotos.net

vinheta-clipping-forte1A Comissão Nacional da Verdade foi o alvo escolhido pelos clubes Militar, da Marinha e da Aeronáutica em mensagem “à nação brasileira” pela passagem dos 49 anos do golpe de 1964 – ou “revolução”, como preferem os defensores do movimento. Em nota, as entidades atacam os “democratas arrivistas” e reafirmam que a intervenção de quase cinco décadas atrás ocorreu para preservar a ordem.

Segundo os clubes, as ações das Forças Armadas desde o início da República garantiram sua credibilidade. “Não foi por outro entendimento que o povo brasileiro, no início da década de 1960, em movimento crescente, apelou e levou as Forças Armadas Brasileiras à intervenção, em Março de 1964, num governo que, minado por teorias marxistas-leninistas, instalava e incentivava a desordem administrativa, a quebra da hierarquia e disciplina no meio militar e a cizânia entre os Poderes da República”, diz a nota, divulgada ontem (28), mas com data de 31 de março, assinada pelos presidentes do Clube Militar, general do Exército Renato Cesar Tibau da Costa, do Clube Naval, vice-almirante Ricardo Antonio da Veiga Cabral, e do Clube da Aeronáutica, tenente brigadeiro-do-ar Ivan Moacyr da Frota.

Essa intervenção, afirmam os militares, teria beneficiado o país em várias setores (economia, comunicações, transportes, social, político), “além de outros que a História registra e que somente o passar do tempo poderá refinar ou ampliar, como sempre acontece”. Mas – acrescentam – as “minorias envolvidas na liderança da baderna que pretendiam instalar no Brasil” tentaram se organizar e, financiadas por capital estrangeiro, “iniciaram ações de terrorismo, com atentados à vida de inocentes que, por acaso ou por simples dever de ofício, estivessem no caminho dos atos delituosos que levaram a cabo”.

Nesse trecho da mensagem entram os ataques à Comissão da Verdade. “E que não venham, agora, os democratas arrivistas, arautos da mentira, pretender dar lições de democracia. Disfarçados de democratas, continuam a ser os totalitários de sempre”, afirmam, apontando uma resolução da CNV, de agosto de 2012, que definiu como sua área de investigação as violações de direitos humanos praticadas “por agentes públicos, pessoas a seu serviço, com apoio ou no interesse do Estado”. Para os militares, a comissão alterou a Lei 12.528 (que criou a própria CNV) a fim de “’varrer para debaixo do tapete’ os crimes hediondos praticados pelos militantes de sua própria ideologia”.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, em fevereiro o brigadeiro Ivan Frota procurou o então presidente da comissão, Cláudio Fonteles, para encaminhar em nome da Academia Brasileira de Defesa (ABD), que ele preside, documentos e publicações para que servissem de “subsídios para a apreciação isenta dos fatos”. Em entrevista, o militar disse que a CNV “tem trabalhado em uma direção única”, sem dar direito à defesa ao “outro lado”.

No manifesto referente aos 49 anos do golpe, os representantes militares criticaram o que chamam de terrorismo daqueles que “almejavam empalmar o poder para fins escusos”. Não fazem referência as ações praticadas pelo “outro lado”, representado pelo Estado, exatamente o foco das investigações feitas pela comissão, que em maio completará metade de seu mandato de dois anos.

A nota é divulgada no dia em que se completam 45 anos da morte, pela polícia, do estudante paraense Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, durante protesto no Rio de Janeiro. Em 13 de dezembro daquele ano (1968), o governo baixaria o Ato Institucional número 5 (AI-5), formalizando a fase mais dura do regime iniciado em 1964.

FONTE: Rede Brasil Atual

Saídas subterrâneas foram usadas no período de guerras, diz pesquisador.
Túneis teriam saídas estratégicas para vários pontos da cidade

 

montagem_tuneis_ - foto G1

vinheta-clipping-forte1“É bem provável que exista alguma ligação secreta escondida. Até porque atrás do colégio fica o Círculo Militar, e o exército sempre teve essa estratégia subterrânea em toda a sua história”. É com essa afirmação que o pesquisador Marcos Juliano Ofenbock descreve uma das mais curiosas histórias de Curitiba.

Os túneis espalhados pela região das Mercês e do Centro da cidade até hoje chamam a atenção de aficionados pelo tema. Há quem acredite que seja possível desvendar, através de escavações, os mistérios guardados por diversas gerações nessas passagens subterrâneas da capital paranaense.

Marcos conta que os túneis foram utilizados entre o período da primeira e segunda Guerra Mundial e teriam conexões entre o antigo Clube Concórdia (atual Clube Curitibano), e as igrejas Catedral, da Ordem, Rosário e Ruínas de São Francisco, no Largo da Ordem. Cada um desses túneis teria saídas estratégicas para outros lugares.

O G1 publica até sexta-feira (29), dia em que Curitiba completa 320 anos, uma série de reportagens sobre lendas urbanas. As histórias possuem várias versões e foram relembradas por pequisadores.

“Eu acredito que a conexão da Igreja Matriz [Catedral] foi utilizada pelo exército durante a Segunda Guerra Mundial e que conectava com o depósito de munição do exército que fica na esquina das Ruas Carlos Cavalcanti com a Rua Riachuelo”, diz Ofenbock.

O pesquisador argumenta que, em 2012, durante o período de reformas da Catedral, foi descoberto um poço sobre o chão do altar. “Ninguém sabe dizer o porquê deste poço. Na minha opinião era o respiradouro do túnel que foi alagado pelo exército”.

Segundo Marcos Juliano Ofenbock, essas passagens subterrâneas serviam para esconder tesouros, documentos, restos mortais e até mesmo para que imigrantes pudessem empreender fuga. “Eles precisavam dessa passagem secreta para uma possível invasão nazista, caso os alemães ganhassem a guerra na Europa e viessem para a América do Sul. Acho que a igreja poderia ser um local de reunião de líderes de uma possível resistência e distribuição de suprimentos”.

Empolgado, Marcos também fala da passagem no Colégio Estadual do Paraná (CEP). “Outro ponto da cidade que todos relatam que existe uma saída subterrânea é o CEP. O interessante é que a planta do colégio é a mesma da academia militar das Agulhas Negras (unidade de treinamento do Exército em Resende, no Rio de Janeiro), e o prédio possui um subterrâneo preparado para servir como abrigo antiaéreo”, explica Ofenbock.

Para o pesquisador, há chances de que tenham outras passagens secretas ainda dentro da estrutura do colégio. “Se essa construção foi baseada em um modelo militar, é bem provável que exista alguma ligação secreta escondida. Até porque atrás do colégio fica o Clube Círculo Militar, e o exército sempre teve essa estratégia subterrânea em toda a sua história”.

Sobre o antigo Clube Concórdia ele afirma que o túnel levava a dois lugares. “Uma conexão iria para as galerias do Largo da Ordem, e, a outra, em direção a Fundição Muller, onde atualmente está instalado o Shopping Muller”, explica.

Busca sem fim

Na busca por outras passagens subterrâneas, Juliano conta que já entrou em vários lugares da cidade. Entre eles estão os porões da Câmara de Vereadores e casarões antigos. Ele explica que o interesse em estudar os possíveis túneis, é apenas para resgatar a história da cidade. “Resgatar a história é uma coisa legal porque a gente resgata para as gerações futuras e para si próprio”.

O G1 foi até a sede do antigo Clube Concórdia citado pelo pesquisador e constatou que existe um porão com uma entrada para um túnel quem tem aproximadamente 97 cm x 1,10 m de diâmetro.

Segundo Claudio Mader, um dos associados do clube, há muitas histórias, mas não é correto afirmar nada com convicção. “Não sei até onde é história ou lenda. Desse porão sai um túnel perto do banheiro e termina num alicerce de uma construção feita entre 1956 e 1957. Dali para frente é suposição, mas não tem registro oficial disso em lugar nenhum”, conta.

Para Mader, os associados acreditam que existe muita chance de não existir túnel nenhum, tendo como base o desenvolvimento da cidade de Curitiba. “Se existisse esse túnel com conexão para outros lugares como a igreja Matriz, por exemplo, com todas as galerias de água e esgoto que se tem em Curitiba, já teria sido descoberto esse túnel”, pondera Claudio.

Segundo a assessoria de imprensa do Curitibano, o prédio foi construído muito antes da primeira Guerra (1914-1918). A data de fundação do clube é 1886. Diante disso, o associado não vê a possibilidade do túnel ter servido de abrigo para refugiados. “Essa construção é muito anterior a primeira guerra mundial, não tem nada a ver e a suposição que o túnel teria sido construído para esconder”.

O porão, que é atualmente é ocupado pelo bar do clube, antigamente era o espaço da cozinha. Os mantimentos eram guardados nesse local porque na época não havia geladeira, e o local era o mais bem ventilado entre os demais.

A assessoria de imprensa confirmou ainda que existem projetos de restauração da sede, recém-incorporada, mas não afirma que serão feitos investimentos para que se investigue a procedência do túnel. “Trata-se de um patrimônio cultural de Curitiba, e por isso, todo cuidado histórico é tomado para que a composição do prédio seja resguardada”.

FONTE/FOTO: G1

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Campo de batalha – Basra

Durante a Guerra do Golfo em 1991, a aviação da Coalizão atacava o exército iraquiano disperso no Kwait e a Guarda Republicana no norte do Kwait. A descrição dos pilotos cita que os veículos e blindados estavam em barricadas espalhadas por todo o deserto. Uma busca no Google Maps deveria mostrar essas posições no Kwait, mas é muito difícil.

Já uma busca no norte de Basra, ao norte do Kwait, permite ver uma grande extensão do deserto infestada de barricadas, mas também pequenos fortes de areia. A imagem abaixo mostra o local da busca (Clique nas imagens para ampliar).

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Com um zoom é possível ver o que significa os rabiscos no deserto. Pode ser o que os pilotos viam ao voar a média altitude.

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Chegando bem perto dá para ver com mais detalhes as estruturas na areia. Algumas são bem complicadas como a da imagem abaixo.

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A estrutura abaixo mostra as posições de tiro mais concentradas no leste. A região é onde se concentrou a guerra contra o Irã. No lado iraniano também é possível ver estruturas semelhantes, mas menos sofisticadas e em menor densidade.  Então as imagens podem ser o que ainda resta da guerra Irã-Iraque, ou pelo menos em parte.

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68 anos da Tomada de Monte Castelo

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Ícaro Luiz Gomes

vinheta-especial-forteNo dia 21 de fevereiro é comemorada a vitória da Batalha de Monte Castelo na Campanha da Itália pela Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB). Monte Castelo era um dos elevados fortificados que pertenciam à Linha Gótica, conjunto de montanhas italianas que formavam uma linha defensiva para o alemães e fascistas. Sua conquista permitiu que aos poucos essa linha defensiva fosse penetrada, proporcionando avanço das tropas aliadas em direção a Alemanha Nazista, aumentando assim a pressão ofensiva, acelerando a capitulação dos Estados Totalitários do Eixo e o fim da frente europeia.

A FEB já se encontrava a mais de 200 dias na Itália, o clima na região era de um inverno intenso (Chuva e neve), as vias de transporte tinham se transformado em verdadeiros lamaçais e o terreno era montanhoso. Essas características dificultavam o uso de meios blindados para o combate, sendo essa um batalha vencida principalmente pela infantaria com intenso apoio da artilharia. Os alemães e fascistas eram em sua maioria veteranos das frentes russa e italiana, essas tropas eram especializadas em montanha e se mostravam dispostas ao combate, mesmo com os diversos retrocessos que a guerra já os infligiram a aquela altura.

A Tomada de Monte Castelo foi uma batalha que durou cerca de 4 meses. Foram realizados 6 ataques que enfrentaram grande resistência das forças opositoras e  foram registradas grandes baixas brasileiras, sendo considerada por alguns estudiosos como uma das batalhas mais sangrentas da Campanha da FEB na Itália. O ataque que resultou na Tomada de Monte Castelo iniciou-se às 6 horas da manhã do dia 21 de fevereiro de 1945, realizado por toda 1º Divisão de Infantaria Expedicionária (grande comando/unidade da FEB).

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Na noite anterior posições táticas haviam sido tomadas que em muito facilitaram a ofensiva. O ataque foi apoiado pela 10ª de Montanha Americana que realizou um ataque coordenado ao Monte della Torracia, um dos flancos da ofensiva Brasileira. Foi notório para o sucesso do ataque da FEB os fogos de artilharia realizados pela Artilharia Divisionária para a Tomada do objetivo.

As condições climáticas e o estado do terreno e foram inimigos tão severos quanto os próprios nazi-facistas. A batalha pela conquista de Monte Castelo é considerada o grande marco da Campanha da FEB na Itália.

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Por Martín Granovsk

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vinheta-clipping-forte1O historiador Erick Langer, diretor do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Georgetown, em Washington, comenta vários temas da história continental, como o populismo, a ascensão e as crises do neoliberalismo, as conexões das terras baixas com os Andes e a influência da China e dos EUA.

“Me parece muito interessante que o continente tenha mudado tanto na última década e tenha podido aproveitar, do ponto de vista econômico, uma grande mudança mundial: a maior presença chinesa”, afirma Langer.

Como, na sua opinião, a América Latina se aproveitou do contato com a China?

A China é um rival dos Estados Unidos que requer matérias-primas da América Latina. Isso contribuiu para que a região enfrentasse a crise em melhores condições. Não sem perigos, claro.

Qual será o perigo?

Que a América Latina não intensifique o processo de elaboração de matérias-primas e siga exportando commodities. É um desafio para todos os governos da região, sem exceções. A vantagem é que a partir de 2000 a América Latina em geral, e a América do Sul em particular, se libertou da dependência do modelo neoliberal dos Estados Unidos.

Como esse modelo afetava a região?

Criou um desassossego das classes médias e baixas em termos de distribuição da riqueza. Essa expressão não estava, evidentemente, no Consenso de Washington.

O documento do consenso exortando à desregulação e a desregulamentar a economia é de 1989. Não ficou nada?

Na região? Praticamente nada. É um fator positivo para a região.

Ou seja, o crescimento chinês é um elemento positivo e a queda do Consenso de Washington é outro ponto bom.

E acrescento um fator de peso: os Estados Unidos estão muito preocupados com o Oriente Médio e efetivamente não prestaram muita atenção à América Latina.

Os acadêmicos e os dirigentes políticos discutem sempre se isso é bom ou ruim. Alguns defendem que para a América Latina a situação é melhor quando Washington menos se ocupa dela.

Bom, em matéria política há um tema prático a considerar. Vai soar quase redundante – quando Washington se ocupa menos, a ingerência é menor. A maioria das vezes que os Estados Unidos se voltaram para outros lugares que não América Latina, como na Primeira Guerra Mundial, a região foi favorecida. Não dou o exemplo da Segunda Guerra Mundial porque o fenômeno é muito mais complexo. Mas depois de muitas vezes o problema foi que os governos do continente não foram aliados dos Estados Unidos, mas dependentes de Washington. Não é a mesma coisa. Os Estados Unidos tinham o poder de se impor. De impor, inclusive, um modelo que já não funciona. Barack Obama se deu conta disso, embora seu principal tema não seja a América Latina. E antes dele, George Bush também não estava concentrado na América Latina.

Quer dizer que é bom para a região que não haja uma dedicação especial?

Mas eu investigo a América Latina! Você quer que fique desempregado?

Professor, você compartilha a visão que mostra, do ponto de vista político, várias Américas do Sul situadas em extremos opostos?

Me parece que não há uma divisão tão taxativa porque os processos são muito semelhantes. Tomemos de novo em consideração algumas realidades. Antes os chineses pensavam na América do Sul como Chile, porque os chilenos haviam sido muito efetivos em se vender na China. Quer dizer que, em última instância, não foram tão diferentes como acabaram sendo os outros, não é certo? Na atualidade, a América do Sul tem uma realidade estável. É uma realidade comum. Mas também, com suas diferenças, o protesto é um hábito comum. Há protestos antigovernamentais, para além dos conteúdos, na Argentina, no Chile e no México. E dá a sensação de que às vezes é difícil classificar cada coisa como de direita ou de esquerda.

Você dizia que falar de esquerda ou de direita não esgota uma análise. E a noção de populismo o satisfaz como conceito?

Também não é suficiente. É muito difícil definir o que é populismo. Dito agora é diferente de quando um pesquisador o aplicava nos anos 30 ou 40, uma época muito ligada ao começo das etapas de substituição das importações industriais. Hoje pode haver experiências de substituição, mas a base sempre é a busca de um tipo de relação com a economia mundial. O que se poderia resgatar, e há uma herança muito longa de Juan Manuel de Rosas em diante, é a importância que um chefe político que seja um personagem carismático pode ter. Isto faz com que a política se torne muito personalista. Assim teríamos uma característica populista. De todo modo, a chave é se esse fenômeno transpõem ou não os limites da democracia. Enquanto a oposição possa ganhar (se o faz ou não, é outra questão) está tudo bem. Não falo apenas da Argentina. Acontece em todos os países.

Os opositores têm a mesma característica em todas as partes?

Não. Mas há um elemento comum: a oposição está muito desorganizada em todos os países onde há líderes fortes.

Há líderes fortes porque não há oposição organizada ou há oposição desorganizada pela existência de lideranças fortes?

O populismo tem uma virtude e uma desvantagem: abarca muitas correntes políticas. E essas diferentes correntes se manifestam no líder. A oposição, ao contrário, não tem muitos interesses em comum e então as diversas correntes não se unem.

Que outroa momentoa da América Latina o senhor presenciou, além do retorno de Perón ao governo argentino em 1973?

Fui bolsista da Fullbright em 2000. Fernando de la Rúa era o presidente. Vi a queda, com o “corralito” e o drama social. E depois se deu a extraordinária recuperação econômica que vocês experimentaram. De todo modo, hoje me parece que se deve observar muito a velocidade relativamente menor de crescimento da economia chinesa e avaliar se a América Latina é capaz de saltar para outro modelo que no futuro não a faça depender da venda de matérias-primas. Não sei se você sabe, quando conversam em privado, muitos dirigentes chineses equiparam a América Latina à África.

Em que se baseiam?

Nas perspectivas de utilização econômica. Eles não entendem as enormes diferenças. A América Latina é outro mundo, diferente da África. Mas muitos dirigentes chineses pensam assim.

Por que concordou em criar uma Cátedra Argentina em Georgetown?

O embaixador Jorge Argüello veio e me propôs. Me pareceu bem. Pensamos em estabelecer um espaço acadêmico porque nos parecia que a Argentina é um país sumamente importante da América Latina. A Cátedra Argentina será uma forma construtiva de colocar a Argentina em evidência para que as pessoas de Washington se deem conta da complexidade do país. Para melhorar as relações é necessário melhorar a difusão e o conhecimento. O desconhecimento cria problemas. É um projeto de longo alcance. Essa Cátedra Argentina deve durar muitos anos e não depender da administração política de turno. Por isso necessitamos de recursos. O próprio embaixador me dizia que ele queria que seguisse em frente. O Brasil ganhou um grande espaço em Washington. É lógico. O Brasil está crescendo e tem importância mundial. Mas há países tão importantes como o Brasil e nosso objetivo é enfatizar também a Argentina.

E a quem se direciona esse novo núcleo de estudo?

Os estudantes, evidentemente, e toda a comunidade acadêmica. Mas, mais amplamente, o conjunto de latino-americanistas, de especialistas em América Latina, e funcionários e dirigentes. Que conheçam mais e prestem mais atenção – é importante para manter boas relações na América Latina e no Cone Sul em geral.

* A entrevista foi realizada em setembro de 2012. Trechos datados foram suprimidos. A tradução é do Cepat

FONTE: Carta Maior (edição e adaptação do Forças Terrestres)


O último sábado (2) marcou os 70 anos da Batalha de Stalingrado, uma das mais dramáticas da Segunda Guerra Mundial. O confronto entre as tropas nazistas e o Exército Vermelho começou em 17 de junho de 1942 e terminou em 2 de fevereiro do ano seguinte. O objetivo dos alemães era tomar as reservas de petróleo da região do Cáucaso, resultando em um dos episódios mais sangrentos da guerra, com um saldo de aproximadamente dois milhões de mortos em ambos os lados. Stalingrado derrubou o mito da invencibilidade do exército de Hitler, e sinalizou o começo da derrocada das forças alemãs. Abaixo você confere trechos de diários e cartas de combatentes e civis que viveram a realidade da batalha.

“Em 23 de agosto, começou um bombardeio maciço depois do almoço. Em dois dias, a cidade foi destruída. Primeiro lugar destruíram o bairro central onde eu morava. Fomos a um abrigo antiaéreo e, no dia seguinte, nossa casa deixou de existir.” (Das memórias de Boris Krjijanovski, natural de Stalingrado)

“23 de agosto. Temos uma ótima notícia: nossas tropas chegaram ao Volga e tomaram parte da cidade. Os russos têm apenas duas opções: recuar ao longo do rio Volga ou se render. Na verdade, verificamos algo incompreensível. Enquanto nossas tropas do norte tomaram a cidade e chegaram ao Volga, as divisões russas no sul continuam resistindo duramente. Eles são fanáticos…” (Do diário do soldado alemão William Hoffman)

“21 de setembro. Ontem dois soldados vieram para pedir água para beber. Perguntamos a eles: ‘Quando isso vai acabar?’ Responderam que não sabiam e que jamais haviam lutado antes durante tanto tempo quanto em Stalingrado. Hoje faz 30 dias desde o primeiro bombardeio e 30 dias que não saímos do abrigo.” (Do diário de Serafina Voronina, moradora de Stalingrado)

“26 de setembro. Depois de tomarmos o silo, os russos continuaram lutando de forma dura. Eles não podem ser vistos, estão escondidos em prédios e porões, disparando de seus abrigos em todas as direções e usando a tática de bandidos. Os russos pararam de se render. Se conseguimos fazer um prisioneiro, é só porque ele é mortalmente ferido e incapaz de se mover. Stalingrado está um inferno. Aqueles que ficaram feridos têm sorte, pois eles irão para casa comemorar a vitória em família…” (Do diário do soldado alemão William Hoffman)

“Lembro-me de meus companheiros dizendo na França: ‘Bem, agora vamos à Rússia, vamos provar ali a carne de urso, eles têm de tudo ali!’ Eles pensavam que iríamos continuar na Rússia com o mesmo sucesso de nossa campanha na França. Foi um verdadeiro choque ver como as coisas aconteceram.” (Das memórias do soldado de artilharia Heinz Hoon)

“25 de outubro. Estou aqui lutando há mais de um mês. Os combates são duros. Destruímos todos os dias uma centena de nazis. Vamos expulsá-los de Stalingrado! Vamos cumprir a ordem e defender o Cáucaso!” (De uma carta de Nikolai Danilov, oficial responsável pela educação ideológica de soldados)

“30 de novembro. Nossa situação é ruim. Os russos cercaram nosso corpo de exército. No último sábado, fomos atacados e perdemos muitos soldados entre mortos e feridos. O sangue corria como um rio. Nossa retirada foi terrível e o comandante está gravemente ferido. Agora não temos nenhum oficial.” (De uma carta do suboficial George Krieger)

“1º de dezembro. O tempo está ruim e os aviões com alimentos não conseguem chegar. Mesmo assim, continuo acreditando que tomaremos Stalingrado. Se conseguirmos ficar aqui até março, a situação vai melhorar.” (De uma carta de um soldado alemão)

“Ele chegou e disse: ‘Bem, adeus, é pouco provável que continuemos vivos…Ele me abraçou, mas não me beijou. Não é ocasião para nos beijarmos, mas para nos despedirmos dessa maneira.’” (Das memórias de Maria Fustova, operadora de rádio)

“26 de dezembro. Comemos todos os cavalos. Eu comeria um gato, dizem que a carne de gato também é deliciosa. Os soldados parecem cadáveres ou sonâmbulos buscando qualquer coisa que possam comer. Não se escondem mais de balas russas, não têm forças para se mover nem para se esconder.” (Do diário do soldado alemão William Hoffman)

“26 de dezembro. Hoje cozinhamos um gato por ocasião de festa.” (Do bloco de anotações do oficial Werner Clay)

“19 de janeiro. O barulho de tiros de canhão é contínuo. Recebemos o reforço de dois mil soldados. Estamos acabando com esses filhos da mãe dos nazi.” (Do diário do capitão Kornienko)

“24 de janeiro de 1943. Caro irmão, desculpe pela minha caligrafia ruim. Tenho as mãos queimadas pelo frio e a mente confusa. Só as recordações e pensamentos sobre minha Utah e a pequenininha Margo me aquecem. Não vou sair daqui. Não haverá nenhum rompimento do cerco. Já estamos todos mortos aqui e, se ainda não nos apodrecemos, é só por causa do frio russo.” (De uma carta do tenente Helmut Quandt)

“Eu te digo ‘adeus’ porque depois desta manhã tudo ficou claro. Não vou te escrever sobre a situação na frente, ela é evidente e está nas mãos dos russos. A questão é saber quanto tempo conseguiremos aguentar; alguns dias ou algumas horas.” (De uma carta de um soldado alemão)

“Eu entrei para falar a Paulus que chegou uma mensagem dizendo que ele foi promovido a marechal de campo. Ele disse: ‘Agora sou o mais jovem general do exército e tenho de me render’. Eu fiquei pasmo porque esperava, como Hitler, que ele se matasse. Mas Paulus me disse: ‘Sou crente, cristão e condeno o suicídio’, embora, há 14 dias, ele tivesse dito que um oficial não tinha o direito de acabar prisioneiro. Agora está dizendo outra coisa.” (Das memórias do tenente Gerhard Hindenlanga)

“2 de fevereiro de 1943. Stalingrado caiu.” (Do diário do sargento croata Eurich)

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Citações extraídas dos jornais Kommersant e Moskovskie Nóvosti

FONTE: Gazeta Russa (Adaptação do Forças Terrestres)

VIDEO: Russia Today

FOTO: Itar-TASS via Gazeta Russa

Imagens: Depois da guerra

O portal The Atlantic publicou uma coletânea de fotosdos primeiros anos lógo após o fim da Segunda Guerra Mundial. As imagens mostram a derrota nazista, os tribunais e a punição de criminosos de guerra, o retorno dos veteranos para casa, a reconstrução de cidades bombardeadas como Londres e Hiroshima após o primeiro ataque nuclear da História, e mesmo os promórdios de objetos comuns, como uma das primeiras televisões produzidas em série e o primeiro computador.

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FONTE E MAIS IMAGENS: The Atlantic

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A Fundação Rampa (Frampa), com apoio da Secretaria de Estado do Turismo – SETUR, realiza no sábado, 26, às 10h00, a quinta edição do comboio histórico “Conferência do Potengi”, no sítio histórico da Rampa, em Santos Reis. O evento encena o encontro dos presidentes americano e brasileiro, Franklin Delano Roosevelt e Getúlio Vargas, ocorrido em Natal no dia 28 de janeiro de 1943. O resultado foi a criação e o envio da Força Expedicionária Brasileira para os campos de batalha na Itália.

Além do resgate histórico, os idealizadores pretendem arrecadar alimentos não perecíveis para serem doados a uma instituição de caridade, ainda no mesmo ia. Para isso, os organizadores estão convocando a sociedade para participar da carreata, levando os alimentos no dia da encenação.

Este ano o evento ganha um apelo especial por completar 70 anos. Em 2012, o escritor e jornalista Roberto Muylaert lançou o livro 1943, o qual detalhou o encontro dos presidentes e suas particularidades, com auxílio da Fundação Rampa que recebeu o escritor em Natal e compartilhou alguns documentos, principalmente fotografias. O livro ganhou repercussão nacional despertando interesse da grande mídia no evento local deste ano.

Para relembrar o fato – provavelmente o mais relevante na política externa nacional do século XX – a Fundação Rampa promove o comboio partindo do sítio histórico da RAMPA, em Santos Reis, percorrendo as principais ruas e avenidas do centro de Natal e bairros adjacentes retornando para o local da partida.

Programação:

- 09h00: Concentração
- 10h00: Partida / Rampa

O que foi a “Conferência do Potengi”?

A princípio o encontro dos dois presidentes não teria este nome, contudo, diante da Segunda Guerra Mundial, a importância estratégica do Brasil – em especial Natal – e a existência de bases americanas no País – desde dezembro de 1941 -, ambos os países decidiram dar mais importância ao que foi debatido em 1943.

Getúlio desembarcou em Natal, no dia 28 de janeiro de 1943, à 1h da madrugada e Roosevelt, no início da manhã, às 7h30, em aviões no rio Potengi, e ficaram hospedados em navios, também, atracados no rio. Roosevelt voltava de Casablanca (África), onde tinha se encontrado com o primeiro ministro britânico Wiston Churchil, enquanto o brasileiro vinha do Rio de Janeiro, orientado pelo ministro de relações exteriores, Oswaldo Aranha, a oferecer o envio de tropas para o conflito armado, como prova de maior envolvimento do País, alem de já possuir base americanas.

No fim da manhã do dia 28, Vargas e Roosevelt almoçaram juntos, acompanhados das mais diversas autoridades, entre elas o brigadeiro Eduardo Gomes, almirante Ary Parreira e o comandante da esquadra norte-americana do Atlântico Sul, almirante Jonas H. Ingram, além de diplomatas americanos e do interventor Federal no Rio Grande do Norte, Rafael Fernandes. Logo em seguida, eles seguiram de barco pelo rio até as instalações da Rampa, cenário da fotografia imortalizada, com os dois sobre o “Jeep 7″ e os arcos da Rampa ao fundo, dando início a inspeção de todas as instalações militares americanas existentes na cidade, como a base de hidroaviões da Marinha dos Estados Unidos, hoje 17º Grupamento de Artilharia e Campanha (17º GAC) e Parnamirim Field, atualmente Base Aérea de Natal (BANT).

FONTE: Fundação Rampa

NOTA DO EDITOR: agradecemos o contato do Diretor de Comunicação Social da Fundação, Leonardo Dantas.

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Para assegurar a autonomia do estado sobre a eleição do seu governador, os conservadores aliados de Ruy Barbosa determinaram a mudança da capital baiana para Jequié, uma cidade à época atrasada, sem estradas pavimentadas nem telégrafo, impedindo uma ação rápida do governo federal para impedir qualquer decisão tomada dali para frente.

O ato foi contestado na Justiça Federal, que determinou que o presidente tomasse providências para assegurar a legalidade do processo político (o que significava que Hermes da Fonseca teria carta branca para prosseguir com a sua política de apoiar a eleição ou nomear governadores aliados). Aurélio Viana, presidente da assembléia e governador em exercício, ordenou que a polícia tomasse os edifícios públicos para impor resistência ao governo federal.

Então o comandante da 7a. Região Militar recebeu ordens para agir com rigor e fazer cumprir a decisão judicial. Viana ignorou um ultimato, e no dia 12/01/1912, os canhões dos fortes ao largo do litoral de Salvador dispararam contra a cidade, destruindo a sede do governo, da polícia militar, a biblioteca municipal (e seus 30 mil volumes), e causando grandes incêndios. Soldados do exército combateram nas ruas e praças soldados do batalhão de artilharia da PM e civis armados. Morreram tantos civis que semanas depois os corpos levados pelo mar ainda apareciam nas praias da Baía de Salvador e arredores

POR: Marco Accardo / COLABOROU: Luiz Filipe Bastos

Uma trincheira no quintal de casa

Professor de história aposentado reproduz no quintal de casa a difícil vida nas trincheiras da I Guerra Mundial

 

Cerca de arame farpado, sacos de areia e lama, esta trincheira de 20 metros dificilmente se distingue daquelas onde soldados britânicos lutaram na I Guerra Mundial quase um século atrás.

Esta grande escavação foi minuciosamente recriada por um professor de história aposentado no quintal de sua casa em Surrey, e o dedicado homem de 55 anos de idade até mesmo permaneceu ali por 24 horas vivendo como se fosse um soldado, juntamente com um time de voluntários como parte dos esforços para recriar a vida dos soldados naquela época.

Andrew Robertshaw e seus 30 ajudantes passaram um mês retirando 200 toneladas de terra para construir a trincheira de três cômodos (cozinha, cômodo da infantaria e alojamento para oficiais) que, segundo ele, ensinará as pessoas sobre as horrorosas condições de vida que as tropas britânicas enfrentaram na “grande guerra”.

Robertshaw – que atuou como consultor militar no filme dirigido por Steven Spielberg, “War Horse” [Cavalo de Guerra no Brasil] – e um punhado de voluntários vistiram-se com réplicas de uniformes e armas da época durante o “confinamento” na trincheira. “Meu avô lutou na guerra e foi ferido três vezes”, conta o historiador, que também dirige o Museu “Royal Logistics Corps”, em Deepcut, Surrey.

” Eu quero mostrar para as pessoas que a guerra era sobre sobrevivência e não apenas sobre morte. Quando os soldados não estavam lutando, eram nesses lugares que eles viviam”.

A trincheira pôde ser acompanhada pelos vizinhos, mas segundo Robertshaw ele não recebeu reclamações deles durante a “obra” e até mesmo alguns serviram chá para as “tropas” durante a noite em que eles passaram lá.

“Mas Steven Andrews, vizinho de Robertshaw, pediu que as simulações com tiros não acontecessem quando seus cavalos estivessem soltos. “Nós podemos ouvir os tiros a partir de casa, ele utiliza armas reais da guerra, mas isso não é frequente e nós não ligamos”, disse Andrews.

Baseado na sua experiência, Robertshaw deverá lançar no próximo ano um livro chamado “24 Hours In Battle”.

FONTE: DailyMail (tradução e adaptação Forças Terrestres)

FOTOS: DailyMail e Robertshaw

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Na última segunda-feira (19), dia do 70º aniversário do início da contraofensiva soviética na Batalha de Stalingrado, em Volgogrado (antigamente Stalingrado), teve início uma ação sob o lema “Devolva ao soldado seu nome”, na Necrópole Memorial no Mamayev Kurgan (o Monte Mamyaev).

A intenção é instalar 1.500 placas comemorativas com os nomes de 17 mil soldados tombados na Batalha de Stalingrado e considerados anteriormente como desconhecidos. Seus nomes foram identificados nos últimos três anos, resultado de um enorme trabalho de investigação realizado pelo departamento de pesquisa do Museu da Batalha de Stalingrado local. As placas comemorativas serão colocadas nas muralhas erguidas no local das valas comuns Maior e Menor.

A vala Menor fica na encosta sul do monte. Construída nos anos de 1948 e 1949, a vala Menor abriga os restos mortais dos soldados mortos nos combates no Mamayev Kurgan. Foram 1.500 homens, soldados da 284ª Divisão em sua maioria, cuja missão era segurar o monte e não se deixar empurrar para o Volga. Na vala Maior, ao pé da estátua ” Pátria-Mãe Chamando”, jazem os restos mortais de 34,5 mil defensores de Stalingrado encontrados na cidade durante as obras de reconstrução no pós-guerra.

Muitas pessoas não sabiam até hoje onde os familiares mortos na cidade estavam enterrados.

“Nossa família buscou por 67 anos a sepultura do irmão mais velho de meu pai, Aleksandr Tsirulnikov “, diz Aleksêi Tsirulnikov, que mora na vila de Kumiljenskai, na região de Volgogrado.

“Ele foi comandante de um  pelotão de tanques e morreu ao destruir cinco casamatas e mais de 300 soldados nazistas. Foi condecorado postumamente com a Ordem da Estrela Vermelha. Minha avó recebeu uma carta dizendo que seu filho foi morto em um combate e enterrado no bairro de Voroshilovski, de Volgogrado. Mas a rua indicada na carta não existe mais. O pessoal do museu apurou que seus restos mortais haviam sido trasladados para o Mamayev Kurgan.”

O nome de Aleksandr Tsirulnikov está gravado na muralha da Necrópole Memorial do Mamayev Kurgan. Já o nome de Nikifor Fedorovitch Izrastsov está entre os 17 mil a serem gravados na muralha em breve.

“A colocação das placas é um momento de muita emoção”, diz Aleksandr Izrastsov, sobrinho-neto de Nikifor Izrastsov. “Nossa família já perdeu a esperança de encontrar sua sepultura. Ele lutou na 49ª Divisão de Infantaria e foi morto em Stalingrado em 1942. Não sabíamos onde seu túmulo ficava. Estamos muito agradecidos ao pessoal do museu por seu papel na busca.”

“Fiquei chocado ao saber que o cemitério alemão na aldeia de Rossochki, da Região de Volgogrado, tem identificados 117 mil nomes dos soldados da Wehrmacht mortos na Batalha de Stalingrado, enquanto o número dos nomes dos soldados soviéticos no Mamyev Kurgan mal chegava a 15 mil”, diz o diretor do Museu da Batalha de Stalingrado, Aleksêi Vasin. “Acredito que essa situação é ofensiva para os soldados soviéticos mortos, e para nós, seus descendentes. É algo, portanto, que deve ser corrigido”, salienta Vasin.

Para realizar os trabalhos de pesquisa e busca, a diretoria do Memorial Mamayev Kurgan conta com a ajuda funcionários e voluntários, entre os quais Gorgoni Podiakov, natural da Região de Vologda e veterano da Batalha de Stalingrado. Podiakov participou da busca e identificação de mais de 3.000 restos mortais de seus conterrâneos mortos em Stalingrado.

Departamento

Para impulsionar e melhor organizar os trabalhos, o Museu da Batalha de Stalingrado criou, em 2009, um departamento especial. Outro projeto que ajudou muito nos estudos foi a digitalização dos arquivos do Ministério da Defesa.

Mas uma coisa é estabelecer a identidade dos soldados tombados, outra coisa é imortalizar seus nomes. A Necrópole Memorial no Mamayev Kurgan  foi criada em 1995 e abriga os restos mortais dos soldados encontrados na Região de Volgogrado. Possui uma muralha de 100 metros de comprimento com as placas comemorativos exibindo os nomes dos soldados enterrados no Mamayev Kurgan.

Em 1995, a muralha ostentava apenas 6,5 mil nomes. Depois, o trabalho de pesquisa e identificação foi suspenso por muitos anos para ser retomado em 2011, quando outros 430 nomes foram adicionados . Em agosto de 2012, foram gravados outros 216. A presente ação vai imortalizar mais 17 mil.

O projeto é financiado pelo ministério da Cultura. “Nossos argumentos foram ouvidos e o processo deu a largada”, completa Vásin.

O projeto de instalação das placas comemorativas está orçado em 10 milhões de rublos (cerca de US$ 3 milhões). Todos os trabalhos devem estar concluídos até 2 de fevereiro, dia do 70º aniversário da Vitória na Batalha de Stalingrado.

FONTE: Gazeta Russa

 

94 anos do ‘Dia do Armistício’

O Dia do Armistício é o aniversário do fim simbólico da Primeira Guerra Mundial em 11 de novembro de 1918. A data comemora o Armistício de Compiègne, assinado entre os Aliados e o Império Alemão em Compiègne, na França, pelo fim das hostilidades na Frente Ocidental, o qual teve efeito às 11 horas da manhã — a “undécima hora do undécimo dia do undécimo mês”. Apesar de esta data oficial ter marcado o fim da guerra, refletindo no cessar-fogo na Frente Ocidental, as hostilidades continuaram em outras regiões, especialmente por entre o Império Russo e partes do antigo Império Otomano.

FONTE: Wikipedia

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Vestindo uniformes da época da Segunda Guerra Mundial, soldados russos marcharam hoje ao longo da Praça Vermelha em Moscou, em uma dramática recriação da histórica parada militar de 1941, que sinalizou a marcha do Exército Vermelho rumo às linhas de frente para enfretar as tropas da Alemanha nazista.

FONTE: Agência AFP (Natalia Kolesnikova) via Military Photos

 

A bela e melancólica coleção “Ghosts of History” (Fantasmas da História) foi criada a partir da sobreposição de imagens da Segunda Guerra Mundial na Europa, e fotos contemporâneas dos locais onde as tropas passaram. A historiadora holandesa Jo Teeuwisse teve a ideia para o projeto após encontrar 300 negativos antigos que retratavam lugares conhecidos, mas em uma época muito particular.

A tocante justaposição de imagens coloca caminhos cobertos por escombros contra placas de trânsito recém-pintadas e ruas bem pavimentadas. Belas casas e lojas elegantes foram construídas onde um dia estiveram corpos de soldados mortos, e combatentes alemães enfretaram tropas aliadas. Nessas fotos intensas, temos uma pequena janela para essa época.

Junto com cada montagem foi feito um trabalho de pesquisa sobre o que ocorreu em cada cena. Para a autora, tornar os eventos da guerra mais próximos, associando-os a locais conhecidos, causa um impacto especial. “Eu sei o que aconteceu nessas cidades, mas reconhecer o local exato de algum episódio é algo que fica gravado na memória visual”, explica.

Mas o trabalho vai além. No site da organização da autora, Historical Consultancy, consta que “durante anos nós viemos pesquisando a vida cotidiana antes e durante a Segunda Guerra Mundial, não apenas juntando informações, mas entrevistando pessoas que viveram a época e recriando certos aspectos históricos para obter um ponto de vista único dessa era”.

A organização trabalha junto com escritores, produtoras de cinema e TV, museus, escolas, documentaristas, designers, produtores teatrais, entre outros profissionais. E vem ajudando pessoas a descobrir mais sobre a história de suas famílias, pesquisando minuciosamente episódios desde 1900 ate 1950. Jo Teeuwisse explica que começou o projeto como ferramenta de pesquisa, mas seguiu adiante especialmente “pela paixão por História e fascínio por esse assunto em particular”.

Uma seleção das imagens de Jo Teeuwisse, retratando locais ao longo da Europa desde Roterdã até Utrecht e Sicília, estão disponíveis nas páginas da autora no Flickr e no Facebook.

FONTE/IMAGENS: Daily Mail (Tradução e adaptação do Forças Terrestres a partir de original em inglês)

 

A História Soviética

As autoridades americanas divulgaram 2,7 mil páginas de documentos relacionados com a “Crise dos Mísseis” em Cuba em 1962, incluindo a participação do Brasil em um esforço diplomático secreto com o regime castrista para retirar os projéteis soviéticos da ilha.

O centro de pesquisa independente National Security Archive (NSA, na sigla em inglês) divulgou nesta sexta-feira em seu site os documentos liberados ontem, incluindo apontamentos feitos por Robert F. Kennedy, então procurador-geral e irmão do presidente John F. Kennedy, durante reuniões sobre segurança nacional.

O procurador-geral exerceu um papel-chave nas negociações para uma resolução pacífica à crise de 13 dias, que foi uma das mais graves da Guerra Fria entre Estados Unidos e a União Soviética e esteve a ponto de provocar uma guerra nuclear.

A crise começou depois que, no dia 14 de outubro de 1962, um avião espião americano U-2 revelou a presença de mísseis balísticos soviéticos na ilha.

Entre os documentos, divulgados pela Biblioteca Kennedy, aparece a minuta de uma carta dirigida a Fidel Castro, identificado como o “senhor F.C.”, e avaliada em 17 de outubro desse ano, um dia depois que o presidente Kennedy se inteirou da existência dos mísseis.

Essa carta, à disposição dos historiadores pela primeira vez, “suscitou uma cadeia de eventos que conduziu a uma complexa diplomacia entre Washington e Havana” no que se chegou a considerar “o momento mais perigoso da história da Humanidade”, afirmou a NSA em comunicado.

A carta incluía uma advertência a Fidel que ao desdobrar os mísseis balísticos na ilha, os soviéticos “tinham gerado assuntos graves para Cuba” e que a permanência desses mísseis faria com que os EUA tomassem “medidas de vital importância para o futuro de Cuba”.

De forma indireta, a mensagem oferecia a Cuba uma abertura de negociações para melhorar as relações “desde que saíssem os soviéticos e suas armas de destruição em massa”, disse a NSA.

Nos períodos iniciais das negociações, no entanto, os principais assessores do presidente Kennedy o pressionavam para que rejeitasse essa mensagem a Cuba, porque debilitaria a opção de um ataque aéreo surpresa contra a ilha.

Kennedy no final optou por uma “quarentena naval de Cuba” para dar tempo aos esforços de convencer os soviéticos que retirassem seus mísseis, e ordenou que o Departamento de Estado apresentasse alternativas diplomáticas para evitar um ataque contra Cuba.

No dia 25 de outubro de 1962, o Departamento de Estado recomendou uma “aproximação com Castro”, mediante a intercessão do Brasil, com uma mensagem que delineava suas únicas opções: “a derrocada de seu regime, se não sua destruição física”, ou “garantias, sem importar se temos intenção de cumpri-las, que não realizaríamos pessoalmente a derrocada do regime”, se Castro tirasse os soviéticos e seus mísseis da ilha.

O presidente Kennedy aprovou o envio dessa mensagem a Castro no dia seguinte, mas “disfarçada como uma iniciativa de paz brasileira enviada pelo governo do presidente João Goulart”, relatou a NSA.

Um emissário brasileiro chegou a Havana em 29 de outubro, já tarde, pois no dia anterior o líder soviético Nikita Kruschev “aceitou retirar os mísseis, em troca de uma promessa pública do presidente Kennedy de não invadir Cuba, e outra promessa secreta de retirar mísseis americanos da Turquia em algum momento no futuro”, acrescentou.

Entre os documentos também estão apontamentos do procurador-geral sobre o chamado “Sábado Negro”, no dia 27 de outubro, quando se temia uma guerra nuclear entre as duas superpotências.

Os detalhes da “aproximação” da Administração Kennedy com Castro foram segredo de Estado durante mais de 40 anos, até 2004 quando se divulgou pela primeira vez parte do esforço diplomático.

Segundo Peter Kornbluh, analista de assuntos cubanos da NSA, os documentos de Robert F. Kennedy “reforçam a lição histórica da crise dos mísseis: a necessidade e o papel de uma diplomacia criativa para evitar a ameaça de um Armageddon nuclear”.

FONTE: EFE, via UOL

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