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Montese, 14 de abril

Sérgio Paulo Muniz Costa (*)

Havia uma tropa que não distribuía a comida que sobrava nem queimava o excedente para evitar contaminações: a do Brasil

vinheta-clipping-forteNo momento em que o Estado brasileiro ainda debate sobre o cumprimento de um acordo diplomático de extradição com a Itália, a respeito do senhor Cesare Battisti, é oportuno destacar que ontem, dia 14 de abril, completaram-se 65 anos daquela que pode ser considerada a maior vitória da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária nos campos de batalha da Itália.

Montese foi o pontapé nas dobradiças que ajudou o 4º Corpo de Exército norte-americano a arrombar uma porta da linha Gêngis-Khan, a última linha defensiva germânica.

Foi a primeira grande vitória obtida exclusivamente pelos brasileiros, da maneira brasileira, com a participação de batalhões dos três grandes e tradicionais regimentos de infantaria originalmente sediados nos Estados de São Paulo (o 6º), Minas Gerais (11º) e Rio de Janeiro (1º).

A manobra continha a ideia da moderna infiltração, hoje familiar à nossa infantaria, e o êxito em muito se deveu à ação audaciosa do pelotão do tenente Iporã Nunes de Oliveira, do 11º RI, de Minas Gerais.

Surpreende constatar que a passagem das tropas brasileiras no norte da Itália está nítida na paisagem e nas pessoas da região da Emilia-Romanha. Monumentos de eloquente singeleza feitos pelas municipalidades locais despertam emoção em quem lê os agradecimentos pela participação brasileira na luta pela liberdade e pela democracia.

Préstimos e sorrisos se abrem a quem pede informações sobre os locais por onde passaram os brasileiros, e se apontam as alturas onde lutaram “i soldati brasiliani”.

O monumento brasileiro no sopé de Monte Castelo está no lugar certo.

Não é preciso conhecer a história ou a ciência militar nem ler o texto correto que ali se encontra, castigado pela neve e pelo vento gelado, para pressentir o campo de batalha, onde honra e sacrifício arrostaram as metralhadoras e morteiros alemães.

Dali, voltando o olhar para o sul, pode-se perceber a famosa estrada 64 serpenteando ao lado do Reno na direção de Pistoia, por onde fluíam para a luta os suprimentos e reforços e refluíam os feridos e mortos.

O monumento votivo militar brasileiro em Pistoia é um lugar de paz, ao lado do pequeno cemitério que a comunidade resolveu limitar para dar lugar aos mortos brasileiros que ali repousaram. O pároco local, percebendo brasileiros, apressa-se em lhes entregar lembranças e folhetos do monumento.

O que ficou em todos esses locais por onde passaram as tropas brasileiras? Por que essa memória dos brasileiros, que nem maioria eram naquela Babel de tropas aliadas?

Os números da FEB, segundo padrões brasileiros, impressionam até hoje -cerca de 25 mil homens e mulheres-, mas não eram predominantes. A dimensão do esforço e dos feitos da divisão de infantaria da FEB parece ainda não ter sido notada pelos historiadores brasileiros. Assim, não é de se esperar que o seja por estrangeiros.

Uma pista veio da curiosidade de um adido militar brasileiro, impressionado com a disposição de um italiano em ceder o terreno para acolher um monumento brasileiro.

O proprietário, percebendo a pergunta não feita, antecipou-lhe a resposta: “Nós não esquecemos”. Havia uma tropa que não distribuía a comida que sobrava nem queimava o excedente para evitar contaminações.

Ela dividia sua comida com os habitantes e as crianças entravam na fila antes dos soldados. Eram os brasileiros.

Após a rendição alemã, o Brasil declinou do oferecimento de um setor de ocupação aliado na Áustria. Fez bem. Das guerras, o país ficou apenas com lembranças, e, se andou pelo lado certo da história, muito deve à cordialidade, seu traço cultural distintivo.

Mas não foi só isso. Uma sensata tradição diplomática de respeito ao direito internacional deu-lhe credibilidade, um patrimônio a ser preservado com a atuação equilibrada do governo brasileiro nos grandes temas da política internacional.

O que, no caso da extradição com a Itália, recomenda o afastamento de qualquer decisão política que ameace a amizade e o reconhecimento dos italianos a tudo aquilo que o Brasil lá deixou em prol dos direitos dos povos.

As lembranças de guerra do Brasil estão vivas no bom combate que travou na luta pela paz. Preservemo-las.

(*)SÉRGIO PAULO MUNIZ COSTA é historiador. Foi delegado do Brasil na Junta Interamericana de Defesa, órgão de assessoria da OEA (Organização dos Estados Americanos) para assuntos de segurança hemisférica.

FONTE: Folha de São Paulo, via CCOMSEx

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Quartel histórico no centro de SP está abandonado

Janelas podres, paredes com rachaduras e telhados destruídos são cenário em local que, além do Exército e da PM, abrigou hospício

Rodrigo Brancatelli

vinheta-clipping-forte “Por aqui passaram os melhores soldados do Exército Brasileiro”, diz a frase pintada em vermelho no alto do portal da antiga sede do 2º Batalhão de Guardas, no Parque Dom Pedro II, centro de São Paulo. Por ali agora passam o abandono, a degradação e a negligência com um dos imóveis mais importantes da história paulistana. De símbolo da polícia paulista e do próprio Exército, o quartel se resume hoje a muito entulho, telhados quebrados, infiltrações, cupins, paredes prestes a ruir e memórias esquecidas. É um triste resumo do patrimônio de São Paulo, mais um daqueles bens tombados imperceptíveis, que estão ali mas ninguém se dá conta.

Os arcos, paredes, a capela e a quadra do local guardam capítulos essenciais da memória da cidade. Reza a lenda que o prédio do 2.º Batalhão de Guardas foi um presente de d. Pedro I a dona Domitila de Castro Canto e Mello, a marquesa de Santos. Quando chegava a São Paulo, o imperador dormia por ali e, possivelmente, encontrava-se com a marquesa. O endereço acabou mais tarde sendo transformado na sede de uma chácara da Várzea do Carmo, depois foi ocupado pelo Seminário das Educandas e anos depois pelo Hospício dos Alienados – onde chegou a morrer o poeta de Santo Amaro Paulo Eiró, em 1871.

Exército. Com o golpe militar em 1964, o quartel foi tomado pelo Exército, primeiro como sede da 7.ª Companhia de Guarda e depois do 2.º Batalhão de Guardas, reunindo cerca de 900 homens até 1992. A degradação começou a partir de1995, quando o quartel foi ocupado pelo 3.º Batalhão da Polícia de Choque do Estado de São Paulo.

A falta de investimentos e a velha receita de descaso com o patrimônio histórico foram pouco a pouco dilapidando a beleza do quartel, destruindo telhados, trazendo a ferrugem, criando infiltrações. Hoje, o prédio é apenas um arremedo de seu passado, um bocado de entulho e de paredes prestes a cair que guardam poucos vislumbres do charme do século 19. Também serve como um exemplo da degradação da região, igualmente esquecida nas últimas décadas.

Soldado. “Aquilo está à venda, mas ninguém quer comprar porque não vale a pena restaurar”, diz o gerente de loja Héveles Martinez, de 50 anos, soldado do 2.º Batalhão de Guardas em 1978. “Então o que está acontecendo é que estão esperando tudo cair de vez, para aí sim construir um espigão residencial. Desde 2004 eu chamo a atenção para o abandono do quartel, já tirei fotos, enviei carta para o governo, mas ninguém respondeu. Mesmo tombado pelo patrimônio histórico, é um monumento que corre o risco de virar pó.”

A degradação é vista de longe, até mesmo da Estação Dom Pedro II. Parte do telhado já caiu, o resto parece fadado ao mesmo destino durante uma futura chuva forte. Absolutamente todos os galpões aparecem deteriorados – o piso está forrado por pó de madeira, símbolo mais do que visível da ação dos cupins. Janelas estão podres, paredes exibem rachaduras que mais parecem cicatrizes gigantes. O assoalho da capela está afundando, bem como o piso da quadra do quartel – que já serviu para treinamentos do atleta João do Pulo, então 3.º sargento no 2.º Batalhão de Guardas.

A Polícia Militar afirmou que irá fazer um diagnóstico completo do imóvel, mas não há prazos para o restauro. O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado (Condephaat) disse que já notificou a PM por falta de manutenção. “Eu ainda guardo lembranças sensacionais do quartel, o prédio respira história”, diz Martinez. “Hoje, só tenho desgosto, até chorei quando notei a situação dos galpões. É muito triste ver a maneira que trataram a nossa memória.”

CRONOLOGIA

Descaso com o patrimônio

1860
Seminário e hospício
Construído para ser sede de uma chácara, o imóvel é ocupado pelo Seminário das Educandas. Anos depois, passa a ser o Hospício dos Alienados, onde, em 1871, faleceu o poeta Paulo Eiró, de Santo Amaro

1930
Exército
O imóvel no Parque Dom Pedro passa à antiga Força Pública, mas com o golpe militar em 1964 é ocupado pelo Exército Brasileiro

1995
Decadência
O imóvel passa a pertencer ao 3.º Batalhão da Polícia de Choque do Estado de São Paulo. A Polícia Militar informou por meio de sua assessoria de imprensa que tem planos de restaurar o local

FONTE/FOTOS: O Estado de São Paulo, via resenha CCOMSEx/www.segundobg.com.br

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Parabéns ao general Leônidas pela excelente entevista à Globo News. Muitas frases marcantes, como essas: “O soldado é um cidadão de uniforme para o exercício cívico da violência, se você me perguntar se um soldado mata, eu vou ter que achar graça.”; “A guerra não tem nada de bonito, a não ser a vitória”.

FONTE: Globo News Dossiê

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Série ‘The Pacific’

the_pacificThe Pacific é a aguardada sequência de “Band Of Brothers”, orçada em mais de 200 milhões de dólares, uma das produções mais caras da tevê em todos os tempos.

A série foi produzida por Steven Spielberg, Tom Hanks e Gary Goetzman, em associação com um pool de produtoras composta pela HBO Films, Playtone, Dreamworks e Seven Network. O enredo relata as histórias de três fuzileiros: Robert Leckie, John Basilone e Eugene Sledge, que lutaram contra o avanço japonês no Pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial. A base do enredo foi o livro de memórias de Eugene Sledge, “With the Old Breed“.

As filmagens da série na Austrália começaram em agosto de 2007 e se estenderam até a primeira metade de 2008. A partir do início de 2009, a série entrou em fase de finalização. A série contará com dez episódios e tem estréia prevista para 14 de abril na HBO brasileira.

NOTA DO EDITOR: A série ainda vai estrear no Brasil, mas muita gente já está baixando os episódios pela Internet.

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canhão el cristiano

vinheta-clipping-forteASSUNÇÃO (Reuters) – Um enorme canhão de 12 toneladas construído com o metal dos sinos das igrejas durante a guerra do Paraguai contra Argentina, Brasil e Uruguai no final do século 19 será devolvido ao país, disseram autoridades paraguaias nesta sexta-feira.

O troféu de guerra, chamado de “El Cristiano” devido à procedência de sua matéria-prima, se encontra em exposição no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, mas a Secretaria Nacional de Cultura do Paraguai disse que os dois países estão finalizando os detalhes para o seu retorno.

O canhão foi tomado por forças brasileiras após a ocupação da fortaleza de Humaitá em fevereiro de 1868, uma batalha que marcou um ponto decisivo na derrota paraguaia durante a chamada guerra contra a Tríplice Aliança ou Guerra do Paraguai.

Após a disputa sangrenta que ocorreu entre 1865 e 1870, os aliados conservaram arquivos, armas e outros objetos, que na última década foram reivindicados pelo Paraguai, especialmente ao Brasil, seu maior parceiro comercial. A guerra dizimou a população paraguaia e deixou o país em ruínas.

A Secretaria de Cultura do Paraguai disse nesta sexta-feira que o ministro da Cultura brasileiro, Juca Ferreira, informou seu colega Tito Escobar sobre a assinatura de um decreto presidencial que estabelece a devolução da peça.

“Este fato marca um momento decisivo e importante no processo de gestão, mas ainda resta muito trabalho a ser feito, aspectos práticos a serem resolvidos, documentação a ser apresentada”, disse um comunicado da instituição.

“El Cristiano” foi fabricado usando quase todo o metal dos sinos das igrejas paraguaias.

O Paraguai quer que o Brasil devolva outros troféus, como os arquivos militares do país que foram levados após a guerra. (Reportagem de Daniela Desantis)

FONTE: Reuters / Brasil Online

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65 anos da tomada de Monte Castelo

vinheta-destaque-forteComemoramos, nesta data, um fato histórico ocorrido há sessenta e cinco anos, incontestavelmente um dos maiores feitos da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em sua gloriosa campanha na Segunda Guerra Mundial: a tomada de Monte Castelo.

A conquista daquelas alturas era fundamental para as tropas aliadas. Significava a consecução da 1ª fase do Plano Encore do IV Corpo-de-Exército / V Exército norte-americano, que era romper a Linha Gótica inimiga.

Após tentativas infrutíferas de conquista daquele objetivo, Monte Castelo passou a ser um desafio. A vitória serviria como afirmação da capacidade combativa de nossa gente. Nessa bela página da história militar brasileira, além das manifestações de bravura dos nossos combatentes, ficaram marcadas as lições de perseverança e denodo no cumprimento da missão.

Assim, no dia 21 de fevereiro de 1945, o ataque coordenado levado a efeito pela 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária transformou-se no primeiro combate bem sucedido na batalha dos Apeninos. Superando os rigores do inverno, a resistência do inimigo e as dificuldades impostas pelo terreno, soube o soldado brasileiro se impor. Finalmente, ao fim daquele dia, a bandeira brasileira passou a tremular no alto daquela elevação.

A par da importância que a conquista desse objetivo representou para o prosseguimento das operações das forças aliadas, Monte Castelo serviu para demonstrar a coragem, a determinação e a fibra dos “pracinhas”, perpetuando o inquestionável valor do soldado brasileiro.

Ao lembrar do aniversário da Tomada de Monte Castelo, o Exército Brasileiro rende justa homenagem aos bravos combatentes da FEB. Soldados que lutaram pela democracia e retornaram à Pátria com a convicção do dever cumprido, exemplos perenes para todas as gerações de brasileiros.

FONTE: Exército Brasileiro

NOTA DO EDITOR: Aposto com vocês que nenhum canal de TV vai mostrar uma reportagem referente à data comemorativa de Monte Castelo até domingo.

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1. Em 5 de dezembro de 1492, menos de 2 meses depois de ter descoberto a América, Cristóvão Colombo chega a uma grande ilha que chama de La Española. É a primeira ocupação das Américas e com desenho urbano espanhol. A população encontrada era estimada em 300 mil indígenas. Em 1697, espanhóis e franceses celebraram o Tratado de Ryswick e dividem a ilha ao meio. À França coube a parte onde hoje é o Haiti, onde intensificou o sistema escravista. Em 1750, a parte francesa contava com 310 mil pessoas, sendo 300 mil escravos.

2. O Haiti alcançou, na segunda metade do século 18, índices de produtividade agrícola (café, cana, etc.) dos maiores do mundo. A avaliação dos proprietários era que a escravidão explicava a produtividade. Com isso, a população escrava não parou de crescer, atingindo quase o dobro no final do século 18. A aglomeração de escravos produziu, no último quarto desse século, reações, inicialmente de base religiosa. Sob a liderança do escravo Toussaint-Louverture se iniciou a luta a partir de 1790. Declara abolição em 1794 e promulga Constituição em 1801. É capturado em 1802 e morto na França.

3. Em 1803, sob a liderança do escravo Jean Jacques Dessalines se inicia a luta pela independência, que derrota os franceses e em 1804 declara Independência, assumindo o governo como Imperador e nessa condição seus sucessores. É o primeiro país das América Latina a se tornar independente. O temor do exemplo leva a América Hispânica a limitar a entrada de escravos e após as independências, realizar as suas abolições. Em 1822, o Haiti invade a parte oriental e unifica a Ilha de Santo Domingo. Em 1844, Haiti perde o controle da parte oriental e a República Dominicana se declara independente. Em 1915, o exército dos Estados Unidos ocupa o Haiti e o controla até 1934.

4. Mas o ponto que relaciona Haiti ao Rio é a rebelião de 1794. Os proprietários fugiram. Um deles, LOUIS FRANÇOIS LECESNE, grande produtor de café no Haiti, vai para a Cuba e em função das disputas -Espanha e França-, segue para os EUA. Quando D. João IV cria no Brasil um programa de incentivos à lavoura, Lecesne (com 57 anos) e sua esposa norte-americana Frances Mary vêm para o Brasil (1816) e se apresentam. Querem que ele plante trigo. Lecesne lembrou que trigo só em clima temperado.

5. Sem esse apoio e com apoio do embaixador francês, compra 130 HA na Gávea Pequena, Floresta da Tijuca. Em menos de um ano tem 60 mil pés de café plantado, o que é a primeira plantação de café em extensão do Brasil. Chamou suas terras de Fazenda São Luis. A casa central da fazenda é onde hoje está a casa da família M. Lins. E a casa de apoio é hoje a casa do Prefeito do RIO, a Gávea Pequena. A Fazenda São Luis foi desenhada de cima e está no diário de Maria Graham (‘Diário de uma viagem ao Brasil’).

6. A Fazenda São Luis foi visitada e relatada por Carl von Martius, Rugendas, von Theremin, Príncipe Adalberto da Prússia, Maria Graham… Dois anos depois, o comerciante e médico-militar holandês Charles Alexandre van Mocke comprou as terras ao lado de Lescene e passou a ser o segundo grande produtor com sua Fazenda Nassau. E dessa forma nasceu a grande plantação de café no Brasil e seu caráter exportador. Em 1843 uma praga encerrou o ciclo do café nos altos da Tijuca.

FONTE
: Ex-Blog do Cesar Maia

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vinheta-clipping-forteO encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Nelson Jobim (Defesa), no qual poderia ser discutido o polêmico 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, lançado pelo governo no final do ano passado, foi adiado pelo segundo dia consecutivo.

A previsão era de que Jobim estivesse com Lula hoje durante uma reunião agendada com o ministro Alfredo Nascimento (Transportes). Segundo a assessoria do ministro da Defesa, a agenda foi cancelada a pedido da Presidência.

Ontem, no primeiro dia de trabalho após um descanso de dez dias, o presidente também não tratou oficialmente do plano com o ministro. O presidente não convidou Jobim nem o ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) para a reunião da chamada coordenação política, que reúne os principais ministros e discute os temas centrais do governo.

Interlocutores do presidente dizem que o encontro oficial com Jobim pode ocorrer até o final do dia ou até o fim da semana.

Segundo reportagem publicada hoje pela Folha, após críticas da Igreja Católica, o presidente Lula mandou rever o trecho pró-aborto previsto no decreto, alegando que ele não traduz a posição do governo.

De acordo com a Folha, pela nova redação, o texto deverá fazer uma defesa genérica do aborto, no contexto de saúde pública –para salvar a vida da mãe, por exemplo. Também haverá alterações na parte que trata da violação de direitos humanos na ditadura.

A polêmica sobre o Programa de Direitos Humanos teve início no final do ano passado, quando os comandantes do Exército, general Enzo Martins Peri, e da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, ameaçaram pedir demissão caso Lula não revogue o trecho do programa que cria a Comissão da Verdade para apurar torturas e desaparecimentos durante o regime militar (1964-1985).

Vannuchi, por outro lado, também ameaça entregar o cargo se Lula recuar no teor do programa. Em entrevista à Folha, o ministro disse que é “um fusível removível” no governo e pedirá demissão caso o texto seja alterado para permitir a investigação de militantes da esquerda armada durante a ditadura militar –como exigem Jobim e as Forças Armadas.

Ele condena a tentativa de colocarem no mesmo nível torturadores e torturados. Uns agiram ilegalmente, com respaldo do Estado, os outros já foram julgados, presos, desaparecidos e mortos, comparou o secretário, citando o próprio presidente Lula, que foi julgado e condenado a três anos (pena depois revista) por liderar greves no ABC paulista.

O plano também foi criticado pelo ministro Reinhold Stephanes (Agricultura), pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Os militares classificaram o documento como “excessivamente insultuoso, agressivo e revanchista” às Forças Armadas, enquanto Vannuchi defende investigações de torturas cometidas por militares.

Lula está no meio do fogo cruzado entre a área militar e Vannuchi para decidir o que fazer em relação ao programa.

Crise

O foco da crise é o sexto capítulo do Plano de Direitos Humanos, anunciado por Lula no dia 21 e publicado no “Diário Oficial” da União no dia seguinte, com 180 páginas.

O capítulo se chama “Eixo orientador 6: direito à memória e à verdade”. Duas propostas deixaram a área militar particularmente irritada: identificar e tornar públicas as “estruturas” utilizadas para violações de direitos humanos durante a ditadura e criar uma legislação nacional proibindo que ruas, praças, monumentos e estádios tenham nomes de pessoas que praticaram crimes na ditadura.

Na leitura dos militares, isso significa que o governo do PT, formado por muitos personagens que atuaram “do outro lado” no regime militar, está querendo jogar a opinião pública contra as Forças Armadas.

FONTE: Folha Online

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USArmyDivs

Na ilustração, publicada na Revista Soldiers de 2006, são apresentadas as 10 divisões (Infantaria, Cavalaria e Blindada) que formam o componente de combate do U.S. Army (Exército dos EUA) atualmente.

São apresentados os brasões, os “nicknames”, a sede dos Quartéis-Generais e as Brigadas que ficam fora das sedes principais.

Essas 10 GUs têm uma história riquíssima e isso pesou muito na hora de serem escolhidas para permanecer na ativa depois dos cortes ocorridos ao final da Guerra Fria.

Em outro post iremos publicar o componente de manobras dessas divisões e as quatro brigadas/regimentos separadas(os).

 
Soldados dos Estados Unidos vigiam a prisão da base aérea de Bagran (Afeganistão)

Soldados dos Estados Unidos vigiam a prisão da base aérea de Bagran (Afeganistão)

vinheta-clipping-forteFoi em maio de 1985 que o general Igor Rodionov desembarcou de uma aeronave militar de transporte no aeroporto de Cabul, assumindo o comando do 40º Exército da União Soviética, que combatia no Afeganistão.

A face dele, agora enrugada, conta melhor do que as palavras a história que se seguiu. Ele foi o quinto de um total de sete comandantes soviéticos, compartilhando um lugar na história com um grupo de indivíduos que desempenharam uma tarefa similar: generais estrangeiros enviados para conquistar o Afeganistão. Os integrantes desse grupo, que teve início com Alexandre, o Grande e continua até os dias de hoje, são notáveis por uma característica evidente – todos acabaram fracassando.

Um conselho não muito otimista que ele gostaria de fornecer àqueles que estão seguindo as suas pegadas no Afeganistão: “Tudo já foi tentado”.

Às vésperas de uma aguardada decisão por parte do governo dos Estados Unidos de enviar mais milhares de soldados para lutarem contra o Taleban, o general Rodionov e outros veteranos soviéticos sentem uma mistura de Schadenfreude e simpatia pelos mais recentes invasores estrangeiros das terras montanhosas das quais eles se retiraram em 1989, após uma sangrenta luta de contra-insurgência que durou dez anos.

Na sua base no suntuoso Palácio Tajbeg, em uma colina elevada nos arredores de Cabul, o general Rodionov descobriu algo rapidamente: “Não havia um front. As balas podiam vir de qualquer lugar”.

O 40º Exército soviético era composto de 120 mil soldados no auge da guerra, e as operações focavam-se no envio de soldados transportados por helicópteros para as montanhas, no controle dos terrenos elevados e, depois, na movimentação de tanques pelos vales.

Em um período de uma década quase 15 mil soldados soviéticos – e centenas de milhares de afegãos – foram mortos em vários dos mesmos lugares que as forças dos Estados Unidos e dos seus aliados lutam atualmente para controlar: as regiões fronteiriças no sudeste do país, perto do Paquistão, e as províncias de Kandahar e Helmand, no sul.

“A guerra, no decorrer dos dez anos, transcorreu em círculos. Nós chegávamos, e eles (os insurgentes) partiam. Depois, nós partíamos, e eles retornavam”, conta o general Rodionov.

Outros ex-oficiais militares soviéticos enxergam uma futilidade similar nos esforços dos Estados Unidos no Afeganistão.

“Mais soldados simplesmente significará mais mortes”, adverte Gennady Zaitsev, ex-comandante da tropa de elite Alfa, da KGB, que participou da maioria das operações mais críticas da guerra.

“Os cidadãos norte-americanos e britânicos perguntarão, com muita razão, ‘Por que os nossos filhos estão morrendo?’ , e a resposta será, ‘Para manter o presidente afegão, Hamid Karzai, no poder’. Eu não creio que eles ficarão satisfeitos com isso”.

Para o general Rodionov, as notícias que chegam do atual conflito são perturbadoramente familiares. “Os Estados Unidos e os seus aliados precisam entender que não existe nenhuma forma de se alcançar o sucesso militarmente. A única solução é política. E Karzai não goza de popularidade junto ao povo, ele simplesmente administra uma máfia”.
As relações entre o povo afegão e os soviéticos determinaram o resultado da guerra, acredita o general Rodionov. “Aquilo era um problema social e político, que nós deixamos grosseiramente de perceber com a nossa mentalidade militar”, diz ele.

Assim como as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os soviéticos tiveram uma lua de mel que durou um ou dois anos após a invasão do Afeganistão, em 1979. Projetos de infraestrutura foram implementados – os prédios altos de Cabul foram em sua maioria construídos pelos soviéticos. Mas o general Rodionov recorda-se que por volta de 1982 a situação piorou drasticamente.

“É claro que o problema era o mesmo – o 40º Exército era uma força militar altamente armada e treinada. Respondíamos a cada tiro disparado contra nós com dez tiros de volta. Os nossos soldados provocaram muitas baixas entre a população civil”.

“Nós bombardeávamos uma aldeia porque havia um ou dois mujahadeens no local. Mulheres e crianças morriam, e isso criou o movimento insurgente. Foi uma clássica guerra de guerrilha”.
Os veteranos russos do Afeganistão dizem que os Estados Unidos estão correndo o risco de vencerem militarmente, mas perderem politicamente, ecoando a própria experiência soviética.

Pyotr Suslov, um ex-membro da unidade de operações especiais da KGB no Afeganistão, diz que o principal erro da Otan é não prestar a atenção necessária no equilíbrio entre as tribos afegãs, especialmente as de etnia pashtun, que compõem pouco menos da metade da população.

Em vez disso, os Estados Unidos concentraram a sua atenção inicial na Aliança do Norte, o movimento guerrilheiro liderado por indivíduos de etnia tajique, que enxotaram o Taleban do poder em 2001 com o auxílio dos Estados Unidos.

“Eles ignoraram os pashtuns”, explica Suslov. “A Aliança do Norte assumiu o poder após a queda do Taleban, e havia um punhado de comandantes diferentes, de diferentes tribos e etnias. Os pashtuns foram ignorados. Foi daí que veio o problema. É importante que os Estados Unidos concordem com as tribos pashtuns”.

O general Rodionov conta que chegou Afeganistão como um crítico duro da guerra, e as suas críticas só aumentaram durante o período em que foi comandante naquele país.

Naquela época, as autoridades graduadas soviéticas, percebendo a futilidade dos seus métodos, começaram a discutir abertamente a retirada. “No início era um círculo bem pequeno de autoridades, mas que foi crescendo gradativamente. O pensamento predominante na época da retirada era: ‘Nós deveríamos ter feito isso antes’”.

FONTE: Financial Times / UOL

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Dramas de um país em guerra

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Reprodução de uma carta de um militar norte-americano em exposição no Centro de Ciências do Mar e Museu ‘Nauticus’, em Norfolk, Virgínia (foto superior – clique para ampliar). As “cartas” estão dispostas pelo chão como se o vento estivesse soprando-as para longe (foto inferior).

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FOTOS: Forças Terrestres

 

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vinheta-destaque-forteO 1º Regimento de Aviação do Real Exército Australiano, baseado no Território do Norte, deu o último adeus ao Kiowa na segunda-feira 26 de outubro de 2009. Uma formação de helicópteros Kiowa, escoltados pela ARH Tiger, realizou um “fly-over” sobre Darwin.

O B206B-1 Kiowa operou no Território do Norte da Austrália desde o início dos anos 1970 e foi baseado em Darwin desde novembro de 1994.

A saída do Kiowa do 1º Regimento de Aviação é um marco significativo na introdução do helicóptero ARH Tiger. O Regimento vai agora concentrar-se na introdução em serviço do novo helicóptero na sua base em Robertson Barracks.

Adeus B206B-1 Kiowa 2

Adeus B206B-1 Kiowa 3

FOTOS: Ministério da Defesa da Austrália

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vinheta-destaque-forteA assessoria do Comando do Exército confirmou a suspensão da destruição de armas históricas determinada pela portaria 258 e amplamente combatida e divulgada pelo MVB desde 8 de maio deste ano.

Após a intervenção do Dep. Paes de Lira, Associação dos combatentes da FEB, Professor e historiador Cesar Campiani Maximiano, Companhia Indestrutíveis, vários jornais, blogs, associações e sites que divulgaram a notícia, Revista Magnum, Revista Tiro Certo, além de tantos outros, o General-de-Exército Enzo Martins Peri determinou que a portaria fosse modificada, com o imediato cancelamento da destruição e a possibilidade de aquisição por COLECIONADORES CIVIS registrados no Exército.

FONTE: Movimento Viva Brasil

SAIBA MAIS:

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Ele fazia parte do eixo nazista que quase deixou a Grã-Bretanha de joelhos na Segunda Guerra Mundial, mas documentos históricos agora revelam que o ditador italiano Benito Mussolini já esteve na folha de pagamento da inteligência britânica. Durante a Primeira Guerra Mundial, Mussolini era um jornalista socialista que dirigia o jornal popular Il Popolo d’Italia em Milão. Na época, a Itália era aliada à Grã-Bretanha e à França na luta contra a Alemanha.

A inteligência britânica estava subsidiando o jornal de Mussolini. Era uma parte de uma campanha maior para fazer com que a Itália permanecesse na guerra

Os serviços secretos britânicos precisavam desesperadamente que Mussolini imprimisse propaganda em prol da guerra para manter a Itália na batalha, disse o historiador Peter Martland, de Cambridge, que descobriu detalhes dos pagamentos semanais de 100 libras feitos pelo MI5 a Mussolini em 1917.

- A inteligência britânica estava subsidiando o jornal de Mussolini e de forma barata. Mas era uma parte de uma campanha maior para fazer com que a Itália permanecesse na guerra – disse Martland.

Martland disse que os pagamentos foram autorizados por Sir Samuel Hoare, um parlamentar que chefiava uma equipe de espiões de 100 pessoas cujo objetivo principal era manter a Itália como aliado. Embora 100 libras por semana fosse muito dinheiro há 92 anos, era uma gota no oceano comparado ao que a Grã-Bretanha gastava no esforço de guerra.

- É muito dinheiro, mas essa guerra estava custando 4 milhões de libras por dia, perto de 13 milhões de libras por semana – disse Martland.

Mussolini contratou brutamontes para espancar manifestantes pacifistas -uma tática que ele reutilizaria com seus camisas-negras fascistas.

- Mussolini estava usando violência nas ruas. Ele era um brigão e estava mobilizando veteranos. Uma das definições do fascismo é que a violência é uma ferramenta política legítima, então esse foi o começo de como seria a era dos Camisas Negras de Mussolini – disse Martland.

Embora Martland diga que o MI5 foi “astuto” em recrutar Mussolini, duvida que “Il Duce” gastou o dinheiro que ganhou dos britânicos na sua campanha bélica.

- Parte do dinheiro subvencionou seu jornal, mas conhecemos Mussolini e sabemos que ele era um mulherengo. Ele achava que era um super-homem, então não é descabido pensar que grande parte deste dinheiro foi para suas amantes – explicou.

FONTE: Reuters

 
  1. Chamberlain, primeiro-ministro da Grã-Bretanha, depois de encontro com Hitler na Alemanha, no outono de 1938, volta a Londres e, ainda na pista do aeroporto, dava uma coletiva, falando do sucesso de seu encontro com Hitler pela paz. Um ano depois (setembro), a Alemanha invadia a Polônia e iniciava a segunda guerra mundial. E uns meses depois ocupava Bélgica, Holanda, França…, e iniciava o bombardeio em Londres.
  2. Em fevereiro de 1939, uma pesquisa na Grã-Bretanha dizia que só 28% achavam que a política de Chamberlain traria a paz. Em julho, 85% queriam uma aliança para combater Hitler e 76% que se devia declarar guerra se invadisse a Polônia. Os jornais Times, Daily Mail e Daily Express apoiaram a política de “apaziguamento” de Chamberlain.


FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

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EE-T4 ‘Ogum’

A história do blindado nacional que buscava um mercado

Na metade da década de 1980 a Engesa – Engenheiros Especializados S/A já havia se firmado como uma grande companhia na área de veículos militares sobre rodas. A carteira de clientes era bastante grande, variando entre países que fazem fronteira com o Brasil e nações da África e do Golfo Pérsico.

Com alguns países em especial a Engesa possuía um relacionamento bastante estreito. Um desses casos era o Iraque, então governado por Saddam Hussei e profundamente envolvido no conflito com o Irã. A origem do EE-T4 Ogum está vinculada àquele país do Golfo Pérsico.

Inspiração no Wiesel

Representantes do departamento comercial da Engesa estavam no Iraque quando foram indagados por autoridades militares daquele país se a empresa “tinha condições” de fabricar um carro com as características do alemão Wiesel. De volta ao Brasil, estes representantes comunicaram ao departamento de projetos da Engesa que os iraquianos “queriam” um veículo semelhante ao Wiesel.

Dois MaK Wiesel desembarcando de um helicóptero CH-53G do Exército da Alemanha. O exemplar da direita é do modelo TOW Al e o exemplar da esquerda é do modelo Mk 20 Al (FOTO: Bundesheer)

O Wiesel, desenvolvido pela Porshe e construído pela MaK da Alemanha Ocidental, era um veículo blindado leve, sobre lagartas sem equivalentes. O mesmo era classificado como “Airportable Armoured Vehicle”, uma verdadeira novidade naqueles tempos finais da “Guerra Fria”. Sua proposta era dotar as brigadas aerotransportadas do Exército da Alemanha Ocidental com um veículo blindado de reconhecimento e observação capaz de ser transportado e lançado a partir de aeronaves de transporte ou mesmo helicópteros pesados.

Ogum hostentando um padrão de camuflagem em quatro tons (FOTO: Engesa)

Quando a Engesa começou a trabalhar no Ogum, o Wiesel ainda estava em desenvolvimento e os primeiros exemplares só foram entregues para o Exército da Alemanha no final de 1989.

Assim, em fevereiro de 1985 foram iniciados os estudos para o desenvolvimento de um novo veículo blindado leve sobre lagartas. Designado EE-T4 e batizado com o nome “Ogum”, o primeiro protótipo teve a sua construção iniciada em novembro daquele ano, ficando pronto em maio de 1986.

Protótipos do EE-T4 Ogum realizando testes e demonstrações em terrenos não preparados (FOTOS: Engesa)

Este primeiro protótipo foi utilizado em ensaios mecânicos e um segundo exemplar logo ficou pronto e foi enviado ao Iraque para testes em campo. Com os resultados obtidos, decidiu-se modificar alguns pontos do projeto. Existem textos que citam a construção de um terceiro e um quarto protótipo . No entnato, esta informação não é confirmada por alguns autores. O que se sabe é que um dos protótipos foi equipado com uma torreta com duas metralhadoras. Este exemplar foi apresentado na Exposição Internacional de Equipamentos de Defesa em Bagdá em 1989.

Protótipo do Ogum exposto em frente ao prédioonde ocorreu a Exposição Internacional de Equipamentos de Defesa em Bagdá em 1989 (FOTO: Engesa)

Características

Por ser um blindado aerotransportado, o mesmo foi projetado para ser pequeno e leve. As dimensões externas do Ogum são compatíveis com o Wiesel alemão, sendo o blindado de origem nacional um pouco mais comprido e um pouco mais largo. As alturas são praticamente equivalentes, diferindo apenas no tipo de torreta adotada. Em relação ao peso, o Ogum é muito mais pesado que o seu equivalente alemão (4,4 toneladas contra 2,8 toneladas).

Chassi

Seu desenho era convencional, sendo a estrutura formada por uma única peça (monobloco) construída em chapas de aço semelhantes às utilizadas pelos Cascavel e Urutu. Desta forma, de acordo com o fabricante, o veículo possuía uma proteção balística efetiva contra projéteis típicos de infantaria.

O interior do monobloco era dividido, grosso modo, em três compartimentos. Na parte frontal, à direita, localizava-se o conjunto motor/transmissão. Ao lado do motor e ligeiramente recuado em relação à linha central do mesmo, sentava-se o motorista. Este possuía uma escotilha própria para acesso ao seu compartimento.

A parte posterior do veículo, onde se localizava o compartimento da torre, era dominada por um espaço que podia receber diversas configurações, dependendo da versão do veículo. No caso da versão de reconhecimento existia uma escotilha de acesso ao compartimento do comandante do carro.

Motor, suspensão e transmissão

Por ser um veículo blindado mais leve e compacto, recebeu uma motorização menos potente que os seus irmãos “mais velhos” Urutu e Cascavel. O primeiro protótipo foi equipado com um motor diesel Perkins, modelo QT 20B4, com quatro cilindros em linha, turbinado e refrigerado a líquido. Este motor desenvolvia 125 HP a 16000 rpm. A relação peso-potência era de 23.15 HP/tonelada. A autonomia chegava a 350 km a 70 km/h em estradas.

A transmissão era automática com quatro velocidades à frente e uma a ré. O modelo empregado era o AT 545, fabricado pela norte-americana Alisson Transmission. Esta mesma companhia desenvolveu e fabricou as transmissões dos carros de combate M1A1 Abrams. A série AT, na época do projeto do Ogum era um produto relativamente novo no mercado e atualmente é largamente empregada em veículos comerciais leves e médios.

O segundo protótipo recebeu um motor diesel BMW M21 D24WA que desenvolvia 130 HP a 4.800 rpm. Além da potência maior, este motor permitiu um pequeno aumento na velocidade (75 km/h) e no raio de ação (360 km). A transmissão foi substituída por uma ZF (Zahnrad¬fabrik Friedrichshafen) modelo 4 HP 22.

Comparado ao Weisel o Ogum, independente da motorização adotada, possui potência maior, mas a relação peso-potência é favorável ao modelo alemão (30.7 HP/tonelada), pois o mesmo é muito mais leve.

O sistema de suspensão não apresenta maiores surpresas, sendo do tipo barras de torção com três amortecedores e quatro rodas de apoio de cada lado. Além disso, existem duas rodas dentadas de direção (uma de cada lado) à frente e um conjunto de rodas tensoras na parte posterior. As lagartas são fabricadas pela empresa alemã Diehl e possuem sapata removível.

Versões e Armamentos

A intenção da Engesa era produzir uma família de blindados baseada no chassi do Ogum. A versão básica de produção seria um veículo de reconhecimento dotado de armamento leve. As versões propostas eram: um mini-APC (Armored Personnel Carrier) para até quatro soldados; um veículo de comando; um veículo ambulância (três feridos); um veículo anticarro; um veículo de transporte de munição e um veículo de transporte de morteiro de 120mm.

Por ter sido desenhado como um veículo de reconhecimento armado, a opção básica do Ogum era uma torreta com uma metralhadora .50 ou calibre 7,62mm em suporte simples. Posteriormente, em um dos protótipos foi instalada uma torre giratória com duas metralhadoras de 7,62mm.

Também foi projetada uma versão dotada de um canhão de 20mm. Com este armamento o veículo adquire maior poder ofensivo nas missões de reconhecimento ou ações de comando atrás das linhas inimigas.

Protótipo do EE-T4 Ogum equipado com uma torreta duas metralhadoras de 7,62mm (FOTO: Engesa)

Na versão anticarro, o Ogum seria equipado com uma torre dotada de dois mísseis. A idéia (assim como todo o projeto) não seguiu adiante e os detalhes desta versão ficaram somente no campo das especulações. No entanto, a capacidade de transporte de mísseis seria bastante limitada tomando como base o projeto Wiesel alemão. Na versão TOW ATGW o Wiesel é capaz de transportar sete mísseis.

Apenas para efeito comparativo, o Wiesel alemão foi fabricado somente em duas versões. A primeira delas era um veículo anticarro, denominada TOW Al (210 exemplares construídos) e a segunda estava equipada com um único canhão Rheinmetall MK 20 Rh 202 de 20mm (135 exemplares construídos).

Além do armamento descrito acima, todas as versões do Ogum seriam equipadas com tubos lançadores de granadas fumígenas para proteção aproximada.

Situação atual

Dos quatro exemplares construídos, só se conhece o paradeiro de um deles. O protótipo que se encontra em poder do Exército Brasileiro e está sob os cuidados do 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado (13º R C Mec) localizado em Pirassununga/SP é, muito provavelmente, o segundo exemplar.

Como poder ser visto nas fotos, o mesmo encontra-se bastante descaracterizado. Restaurá-lo ao padrão original levará certo tempo. Externamente ele apresenta um padrão de camuflagem em dois tons bastante comum dos veículos atuais no EB. Não existem mais marcações nem identificações no chassi. Parte dos acessórios (ex. retrovisores) está em falta.

Fotos internas do Ogum. Na primeira foto a aprece o posto do comandante do carro. Na foto central é apresentado o compartimento do motor (sem o mesmo). Na foto da direita o compartimento do motorista do veículo. (FOTOS: Forças Terrestres)

Internamente a situação é bastante ruim. O compartimento do motorista está bastante danificado e com itens faltantes. Além da pintura desgastada, o revestimento do volante de direção encontra-se danificado.

Ao lado do motorista o compartimento do motor está praticamente vazio. Existem apenas algumas poucas peças que compunham o sistema de gases de exaustão e algumas mangueiras. O odor de óleo diesel no interior é forte.

Considerações Finais

É comum encontrar na literatura textos que propõem a “ressurreição” do projeto do EE-T4 Ogum.

Mesmo que um veículo com estas características se encaixasse na doutrina de Exército Brasileiro para o emprego de ações aerotáticas, dificilmente o baixo número de unidades encomendadas viabilizaria o projeto.

Atualmente não existe nenhum produto do mercado externo com as características do Ogum e tudo indica que não existe uma demanda para tal. O único eventual concorrente poderia ser o próprio Wiesel. Porém, este já teve a sua produção encerrada.

Das 345 unidades do Wiesel construídas, quase todas seguiram para o Exército Alemão. Alguns poucos exemplares foram adquiridos pelo Exército dos EUA para o desenvolvimento de veículos blindados sobre lagarta não tripulados. Talvez este seja um campo mais promissor para o mercado futuro de blindados de pequeno porte e aerotransportados.

O protótipo do Ogum representa um momento nostálgico para a indústria bélica brasileira. Suas características e sua singularidade são razões mais do que suficientes para uma devida preservação. É injustificável o fato do mesmo ainda não estar devidamente recolhido em local apropriado. Locais já existem, como o Museu de Blindados Conde de Linhares, localizado no Rio de Janeiro. Este seria um local ideal para a sua preservação.

CARACTERÍSTICAS DO EE-T4 OGUM

Dimensões*

comprimento: 3750mm

altura: 1355/1825mm

largura: 2145mm

Peso

4400kg

Motor

diesel quatro tempos com quatro cilindros em linha

Transmissão

automática com quatro velocidades à frente e uma a ré

Suspensão

tipo barra de torção

Desempenho

velocidade: 70-75km/h

autonomia: 350-360km

pressão sobre o solo: 0,32kg/cm2

rampa máxima: 60%

inclinação máxima: 30%

obstáculo vertical: 400-600mm**

trincheira: 1000-1500mm**

vau: 670-800mm**

Blindagem

proteção relativa contra projéteis de infantaria

Armamento

(opções)

- uma metralhadora 7,62mm ou .50″ para o comandante do carro e quatro lançadores de granadas fumígenas

- uma torreta com duas metralhadoras de 7,62mm e quatro lançadores de granadas fumígenas

(projetado)

- um morteiro de 120mm

- um canhão de 20mm

- lançador de mísseis anticarro

Comunicações

rádio VHF/UHF

*dimensões variam conforme o protótipo
** valores variam conforme a fonte dos dados

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No penúltimo fim de semana, o Forte de Copacabana recebeu o 2º Encontro Nacional de Veículos Militares, um passeio pela história a céu aberto. Seguem algumas fotos do evento, feitas pelo nosso amigo e colaborador Marcelo Brandão.

 
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