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Armando Monteiro Neto

vinheta-opiniao-forteO combate ao crime organizado requer ações de inteligência e cooperação das polícias Militar e Rodoviária Federal em investigações

Dados do Ministério da Fazenda e da Secretaria do Tesouro Nacional mostram que as despesas realizadas pela União com segurança pública totalizaram R$ 9 bilhões em 2010. Somados aos gastos dos Estados, o montante chegou a R$ 47 bilhões no período.

Mas episódios como os observados em São Paulo e, recentemente, em Santa Catarina, sugerem que o enfrentamento da crescente violência exige mais do que apenas a garantia de recursos. O Estado brasileiro precisa rever sua estratégia geral de combate à criminalidade.

É notório que evoluiu a cooperação entre grupos que atuam em diferentes nichos criminais e em diferentes regiões do Brasil. Também cresceu seu poder no rastro do rápido desenvolvimento de novas tecnologias e da exploração de gama diferenciada de ilícitos, como a biopirataria, o tráfico de órgãos e a falsificação de produtos industriais.

A expansão do crime organizado exerce forte pressão sobre os sistemas nacionais de segurança pública. A construção de um sistema de inteligência policial em rede é parte do enfrentamento do problema. Nesse caso, o trabalho de inteligência não é privativo de agências policiais especializadas, mas encontra-se distribuído no sistema de Justiça criminal.

Tal enfoque tomou forma após os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos e disseminou-se não apenas entre as nações diretamente afetadas por ameaças terroristas, mas também em países que convivem com organizações criminosas.

O crime organizado tem natureza complexa e envolve atividades realizadas em diferentes jurisdições. É necessário dispor de razoável capacidade tecnológica e de conhecimento especializado para detectar e reprimir as atividades dos grupos que o praticam.

O sucesso da ação dependerá da capacidade de os agentes estatais reduzirem os conflitos entre instituições que atuam em diferentes níveis e com competências diversas.

As Polícias Militares realizam a maior parte das prisões em flagrante. Mas é preciso uma nova legislação que garanta maior participação das polícias ostensivas (Militar e Rodoviária Federal) nas atividades de inteligência. Tais tarefas, apesar de contínuas e fundamentais, estão desamparadas do ponto de vista legal e requerem regulação constitucional.

Uma boa resposta seria a reforma do artigo 144, com o objetivo de permitir às polícias ostensivas atuar em cooperação com as judiciárias (Civil e Federal) nas suas investigações, além daquelas conduzidas pelo Ministério Público.

A regulação constitucional dessa matéria visa não apenas a proteção dos policiais envolvidos nas atividades de inteligência, mas tem o objetivo precípuo de garantir que o Ministério Público disponha de meios para exercer o controle externo das polícias que passarão a ter a prerrogativa legal de realizar atividades de inteligência.

O aspecto positivo dessa regulação é o potencial de eliminar os embates corporativistas hoje existentes entre órgãos policiais e estabelecer uma lógica de cooperação em benefício da segurança pública. Cabe ao Poder Legislativo preencher a lacuna legal existente.

A experiência externa mostra que não há melhor momento para combater o crime organizado do que em estágios iniciais. Depois, o custo das intervenções aumenta exponencialmente. Essa dinâmica afeta diretamente a estabilidade política de vários países latino-americanos.

ARMANDO MONTEIRO NETO, 60, senador pelo PTB de Pernambuco, é membro da Comissão Especial de Reforma do Código Penal

FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército

A renúncia do general reformado David Petraeus ao comando da CIA (a agência de inteligência dos EUA) é o primeiro desafio que o presidente Barack Obama precisará enfrentar após seu triunfo eleitoral.

General experiente, que já esteve à frente das tropas dos EUA no Iraque e no Afeganistão, Petraeus era um dos pilares da política de segurança americana e um dos estrategistas militares mais influentes do pós-11 de Setembro no país.

Ele deixou a direção da CIA após admitir uma relação extraconjugal. “Depois de estar casado por 37 anos, eu tomei a decisão errada de iniciar um caso extraconjugal”, anunciou Petraeus. “Esse comportamento é inaceitável, tanto como marido, quanto como líder de uma organização com a nossa (CIA). E esta tarde, o presidente aceitou minha renúncia.”

O caso extraconjugal de Petraeus teria sido descoberto por acaso pelo FBI, durante uma investigação sobre outros assuntos não divulgados. Segundo o jornal americano The New York Times, Obama recebeu a notícia de que o general pretendia renunciar na quinta-feira (dia 8), logo após comemorar sua reeleição, em Chicago.

“Ele ficou surpreso e desapontado”, disse uma fonte da Casa Branca ao jornal. “Não é algo que estava esperando ouvir um dia depois de ser reeleito.”

Biógrafa

Segundo membros do Congresso e funcionários da área de segurança não identificados (citados pela imprensa americana), a amante de Petraeus seria Paula Broadwell, autora de uma biografia do general publicada no início do ano.

Broadwell seria pesquisadora da Universidade de Harvard e trabalhou para as Forças Armadas americanas por 15 anos. Ela teria passado um bom tempo com Petraeus no Afeganistão, quando entrevistou o general para o seu livro.

Petraeus teve uma carreira de 37 anos no Exército americano. Liderou as tropas no Iraque e serviu, entre 2010 e 2011, como comandante das forças dos EUA e da Otan (a aliança militar do Atlântico Norte) no Afeganistão.

Ele passou para a reserva em agosto de 2011, dias antes do 10º aniversário do 11 de Setembro, para assumir a chefia da CIA.

Enganando a morte

Nascido em 1952, David Petraeus cresceu no estado de Nova York antes de ser aceito na academia militar de West Point, conhecida por formar a elite do Exército americano.

Ele se graduou em 1974 e serviu nas unidades de paraquedistas, infantaria mecanizada e infantaria de assalto nos Estados Unidos, na Europa e no Oriente Médio.

Em 1991, foi baleado no peito acidentalmente por um soldado durante um exercício militar e teve de passar por uma cirurgia de cinco horas. Anos depois, esteve novamente perto da morte quando seu paraquedas falhou a 18 metros do chão, durante um treinamento. O resultado do acidente foi uma fratura na pélvis.

Em 2003, ele comandou a 101º Divisão de Paraquedistas em Bagdá. Mas ficou pouco tempo em combate, já que as forças armadas iraquianas foram derrotadas com rapidez na capital.

Sua divisão foi então transferida para Mosul, onde ele recebeu a missão de treinar as forças de segurança locais e ajudar a criar condições para a reativação da economia e estabelecimento de instituições democráticas no país.

Pouco depois, Petraeus assumiu o comando da Força Multinacional do Iraque, encarregada de formar um novo Exército iraquiano e fortalecer a Polícia do país.

Doutrina Petraeus

Diante das dificuldades para estabilizar o Iraque, o governo americano decidiu enviar mais 30.000 soldados ao país antes de iniciar o plano de retirada, no que ficou conhecido como “Doutrina Petraeus”.

Ao general também é atribuída a criação de parcerias entre as Forças dos EUA e tribos sunitas na província de Anbar, para enfrentar a Al-Qaeda.

Após 20 meses no comando das operações no Iraque, Petraeus foi nomeado chefe do Comando Central dos EUA, assumindo a responsabilidades pelas operações militares em toda a Ásia Central.

Ele foi designado comandante das forças no Afeganistão em 2010 e se aposentou do Exército em 2011 para substituir Leon Panetta, agora ministro da Defesa, como chefe da CIA.

Sob a liderança de Petraeus, a CIA continuou a aumentar seu envolvimento em operações secretas, como o uso de aviões não tripulados para ataques no Paquistão e o estabelecimento de bases secretas no Afeganistão.

FONTE: BBC Brasil

 

Espionagem e propaganda utilizando o Facebook e o Twitter

 

por Julie Lévesque, no Global Research, sugerido pelo Marco Aurélio

Um novo estudo feito pelo Conselho Mediterrâneo de Estudos de Inteligência (MCIS) no Almanaque de Estudos de Inteligência de 2012 atenta para o uso dos medias sociais como “a inovação em inteligência tática de captação aberta de informações”. Joseph Fitsanakis da IntelNews.org, co-autor do estudo, declara:

Sustentamos que o Facebook, o Twitter, o YouTube e uma série de outras plataformas de redes sociais são cada vez mais consultadas por agências de inteligência como inestimáveis canais de aquisição de informações. Baseamos nossos resultados em três estudos de caso recentes, os quais, acreditamos, destacam a função da inteligência em relação às redes sociais. (Joseph Fitsanakis, Pesquisa: Cada vez mais espiões usam Facebook e Twitter para coleta de informações, intelNews.org), 13 de fevereiro de 2012. [1]

Porém, o que o estudo não menciona é o uso dos medias sociais feito por agências de inteligência para outros fins. A investigação nos leva a acreditar que os media sociais são somente um instrumento de captação de informações da inteligência, quando na verdade, um número de declarações mostrou que é utilizada para promover propaganda, inclusive para criar perfis falsos para dar suporte a operações secretas.

Estas práticas são discutidas no Exército de Fakes de Mídia Social para Promover Propaganda, Mídia Social: Força Aérea Encomenda Software para Monitorar Exército de Fakes Virtuais e Pentágono Busca Manipular Mídia Social para Fins de Propaganda [2] , publicados no Global Research em 2011. 

O estudo do MCIS se baseia parcialmente no contexto da “Primavera Árabe”, o qual supostamente instigou o governo americano a desenvolver diretrizes para inteligência de coleta de informações a partir de redes sociais” [3] .

Novamente, não se considera que o governo americano oferece “treinamento de liderança” para estrangeiros desestabilizarem seus países de origem. Esta tática está descrita em detalhes no último artigo de Tony Cartalucci, Egito: Ativistas Financiados pelos Estados Unidos sob Julgamento: “Promoção de Democracia” Americana = Sedição Internacional [4] .

A “cyber dissidência” é financiada, dentre outros, pela Freedom House, vinculada à CIA. O primeiro dos eventos da Human Freedom do Instituto Bush, co-financiado pela Freedom House, foi intitulado “Conferência sobre Cyber Dissidentes: Resultados e Desafios Globais”.

A conferência sobre cyber dissidentes destacou o trabalho, métodos, coragem e conquistas dos oito palestrantes dissidentes convidados, de sete países. Cinco desses países são regiões onde a liberdade foi extinta (todos avaliados como “não livres” pela Freedom House: China, Cuba, Irã, Síria e Rússia). Os outros dois países são regiões onde a liberdade está em perigo (ambos avaliados como “parcialmente livres” pela Freedom House) por causa de um governo autoritário que acumula mais poder, como na Venezuela, ou por causa da ameaça de grupos terroristas internos, como na Colômbia. (Conferência sobre Cyber Dissidentes: Resultados e Desafios Globais, Centro Presidencial George W. Bush) [5]

Países onde a “liberdade foi extinta” e que são aliados americanos, tais como Barém ou Arábia Saudita, não são listados acima. O único aliado americano listado é a Colômbia e considera-se que sua liberdade está ameaçada por grupos terroristas, e não por seu governo.

Vale dizer que o governo colombiano foi acusado de espionar seus jornalistas e que a Comissão Inter-Americana de Direitos Humanos (IACHR) declara que a liberdade de expressão ‘quase não existe’ na Colômbia. 

O objetivo do “treinamento de liderança” feito por ONGs americanas é o de desestabilizar os inimigos políticos da América em nome da liberdade. A “cyber dissidência” é, por sua vez, utilizada por agências de inteligência para operações secretas.

Notas
[1] Joseph Fitsanakis, Research: Spies increasingly using Facebook, Twitter to gather data , intelNews.org, 13/fevereiro/2012.
[2] Army of Fake Social Media Friends to Promote Propaganda , Social Media: Air Force ordered software to manage army of Fake Virtual People e Pentagon Seeks to Manipulate Social Media for Propaganda Purposes.
[3] (Ibid.)
[4] Egypt: US-funded Agitators on Trial: US “Democracy Promotion” = Foreign-funded Sedition.
[5] The Conference on Cyber Dissidents: Global Successes and Challenges, The George W. Bush Presidential Center.

Tradução de Sergio Oliveira

FONTE: www.viomundo.com.br

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São cinco milhões de e-mails que terminam revelando como funciona a agência privada Stratfor, que trabalha com serviços secretos, Embaixadas e empresas multinacionais.

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Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

LONDRES – Hoje, 2ª-feira, 27 de fevereiro de 2012, WikiLeaks começou a publicar os ARQUIVOS DA INTELIGÊNCIA/ESPIONAGEM PRIVADA GLOBAL [ing. The Global Intelligence Files – mais de 5 milhões de e-mails da empresa Stratfor de “inteligência/espionagem privada global” com escritórios no Texas.

Os e-mails cobrem o período entre julho de 2004 e dezembro de 2011. Revelam o funcionamento interno de uma empresa que, sob a fachada de editor-publisher de artigos e estudos sobre temas de inteligência, vende serviços confidenciais de inteligência/espionagem privada a grandes empresas, entre as quais Dow Chemical Co. de Bhopal; Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon; e também a agências estatais, como o Departamento de Segurança Nacional dos EUA [ing. US Department of Homeland Security], os Marines dos EUA e a Agência de Inteligência da Defesa dos EUA [ing. US Defense Intelligence Agency].

Os e-mails mostram a rede de informantes de Stratfor; a estrutura de pagamentos; as técnicas de lavagem de dinheiro para pagamentos ilegais; e os métodos “psicológicos”, como, por exemplo, em:

“[Vocês] têm de controlá-lo. Controlar significa controle financeiro, sexual ou psicológico (…). Digo-lhe isso, para iniciar nossa conversa sobre sua segunda fase”

– como escreveu o diretor-presidente da empresa Stratford, George Friedman, a um dos analistas da mesma Stratfor, Reva Bhalla, dia 6/12/2011, com instruções sobre como explorar um informante israelense que lhes oferece informação sobre as condições médicas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

O material inclui informação secreta sobre os ataques pelo governo dos EUA contra Julian Assange e WikiLeaks, e as tentativas feitas pela própria empresa Stratfor para subverter WikiLeaks. As palavras “WikiLeaks” ou “Julian Assange” aparecem mencionadas em mais de 4.000 e-mails. Nos e-mails também se veem, em operação, as portas giratórias que conectam entre si as empresas privadas de inteligência nos EUA. Fontes governamentais e diplomáticas de todo o mundo oferecem à empresa Stratfor informação privilegiada sobre política e eventos globais, em troca de pagamento.

Os ARQUIVOS DA INTELIGÊNCIA/ESPIONAGEM PRIVADA GLOBAL informam sobre como a empresa Stratfor recrutou uma rede global de agentes informantes que são pagos através de contas em bancos suíços e cartões de crédito pré-pagos. Stratfor mantém um mix de informantes oficiais e clandestinos, no qual se veem nomes de funcionários públicos, pessoal diplomático e jornalistas, em todo o mundo.

O material mostra como opera uma agência privada de inteligência/espionagem, e como espionam indivíduos, a serviço de seus clientes privados e estatais. Por exemplo, a empresa Stratfor monitorou e analisou as atividades online de ativistas de Bhopal, inclusive os “Yes Men”[1], para a gigante norte-americana da indústria química, Dow Chemical. Os ativistas, nesse caso, buscam reparação para o desastre ecológico provocado pelas empresas Dow Chemical/Union Carbide, em 1984, em Bhopal, Índia, que provocou milhares de mortes, atingiu mais de meio milhão de pessoas e foi causa de dano ambiental de longo prazo.

A empresa Stratfor já sabia que sua rotina de trabalho e modus operandi, de distribuir propinas e pagamentos secretos em dinheiro para obter informação do pessoal interno de empresas privadas e órgãos governamentais, é pouco segura. Em agosto de 2011, o presidente executivo da empresa Stratfor, George Friedman, escreveu confidencialmente aos seus empregados:

“Estamos contratando uma empresa de advocacia, para que crie uma política para nossa empresa [Stratfor], que não agrida os termos da Lei Anticorrupção em Negócios Estrangeiros [orig. Foreign Corrupt Practices Act]. Não quero ser arrastado algemado pela calçada para que os fotógrafos se fartem, nem quero ver arrastado ninguém do nosso pessoal”.

A prática da empresa Stratfor, de usar pessoal interno de outras empresas e agências estatais, rapidamente se converteu em esquema de distribuição de dinheiro, de legalidade questionável.

Os e-mails mostram que, em 2009, o então diretor-gerente de Goldman Sachs, Shea Morenz, e o presidente executivo da empresa Stratfor, George Friedman, tiveram a ideia de “usar a inteligência/espionagem” que estava sendo extraída da rede de elementos “internos” [orig. insiders] em empresas e nos governos, para iniciar um captive strategic investment fund. Em telegrama confidencial de agosto de 2011, que leva um selo de “NÃO DISTRIBUIR NEM DISCUTIR”, o presidente-executivo da empresa Stratfor, George Friedman explicou:

“O StratCap [Fundo Stratfor de Capitalização] usará nossas inteligência/espionagem e análises para comerciar em vários instrumentos geopolíticos, sobretudo papéis de governos, moedas e itens semelhantes”.

Os e-mails mostram que, em 2011, Morenz, de Goldman Sach, investiu “substancialmente” mais de $4milhões, e passou a integrar o conselho de diretores da empresa Stratfor. Ao longo de 2011, foi montada uma estrutura complexa de offshore share, que alcançava até a África do Sul, com o objetivo de fazer crer que o Fundo StratCap seria legalmente independente. Mas, confidencialmente, Friedman escreveu à equipe de Stratfor:

“Não pensem que [o fundo] StratCap seja organização de fora. Será integral (…). Será útil que vocês, em nome da maior conveniência, raciocinem como se [o fundo] fosse mais um aspecto de Stratfor; e que pensem em Shea como mais um executivo em Stratfor (…). Já estamos trabalhando em mock portfolios and trades [talvez, “portfólios para treinamento”?].

O Fundo Stratford de Capitalização [StratCap] será lançado em 2012.

Os e-mails de Stratfor mostram uma empresa privada que cultiva laços muito íntimos com agências oficiais e emprega vários ex-funcionários do governo dos EUA. A empresa está preparando o quadro das próximas promoções, para os próximos três anos, no Comando do Corpo de Marinha dos EUA [orig. the 3-year Forecast for the Commandant of the US Marine Corps], e dá treinamento aos marines dos EUA e “a outras agências governamentais de inteligência” que desejem “tornar-se Stratfors do governo”.

O vice-presidente para Inteligência de Stratfor, Fred Burton, foi agente especial do Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA e vice-diretor da divisão de contraterrorismo. Apesar desses laços com o estado, Stratfor e outras empresas assemelhadas operam sob completo segredo, sem qualquer supervisão pelo estado ou por órgãos de fiscalização oficial, e sem qualquer transparência.

A empresa Stratfor alega que opera “sem ideologia, agenda ou viés nacional”, embora os e-mails agora publicados mostrem em ação uma equipe de inteligência/espionagem privada, sempre bem firmemente alinhada com as políticas do governo dos EUA e com canais de contato direto com o Mossad. Esse contato direto está comprovado, através de um funcionário do jornal israelense Haaretz, Yossi Melman, que conspirou com o jornalista David Leigh, do Guardian, e, em flagrante violação do contrato entre WikiLeaks e Guardian, entregaram a Israel telegramas diplomáticos dos EUA, do lote de telegramas que WikiLeaks deixara sob a guarda do Guardian.

Ironicamente, considerando as circunstâncias atuais, Stratfor tem tentado entrar no que a empresa chama de “trem da alegria” [orig. gravy train] “dos vazamentos”, que teria surgido depois das revelações dos papeis do Afeganistão, em WikiLeaks:

“Será que não há alguma coisa a ganharmos, nesse trem da alegria dos ‘vazamentos’? Obviamente, se trata de vender medo, quer dizer: é bom negócio. E temos alguma coisa a oferecer, que as empresas de segurança das tecnologias da informação não têm, sobretudo nosso foco em contrainteligência e vigilância, que Fred e Stick conhecem melhor que qualquer um no planeta (…) Talvez possamos desenvolver algumas ideias e procedimentos sobre alguma rede de segurança focada contra ‘vazamentos’, para impedir que empregados das empresas consigam vazar informação sensível (…). De fato, não estou muito convencido de que se trate de problema de segurança de TI, ou que exija solução de TI.”

Como aconteceu com os telegramas diplomáticos publicados por WikiLeaks, grande parte do real significado desses e-mails só virá à tona ao longo das próximas semanas, quando a coalizão de jornais que construímos em todo o mundo para publicação dos documentos Stratford, e os internautas, em trabalho de pesquisa pública, já tiverem começado a vasculhar os documentos e encontrem conexões significativas.

Os leitores verão que, à parte o grande número de assinantes das publicações e clientes dos serviços da empresa, Stratfor também mantém, entre seus clientes, o controverso general paquistanês Hamid Gul, ex-chefe do serviço secreto do Paquistão (ISI), o qual, segundo os telegramas diplomáticos dos EUA, planejou explosões contra as forças internacionais no Afeganistão, em 2006. Os leitores descobrirão o sistema interno de classificação de e-mails de Stratfor, que organiza a correspondência em categorias como “alpha”, “tático” e “protegido”. A correspondência também inclui nomes em código para personagens considerados particularmente interessantes, como “Hizzies” (membros do Hezbollah), ou “Adogg” (Mahmoud Ahmedinejad).

Stratfor mantém negócios secretos com dúzias de empresas-de-mídia e jornalistas – da Agência Reuters ao Kiev Post. Uma lista dos “Confederation Partners” [Parceiros da Confederação] de Stratfor, que a empresa designa, internamente, como sua “Confed Fuck House”, está incluída nos documentos agora publicados.

Embora seja aceitável que jornalistas troquem informações entre eles, ou que sejam pagos por empresas outras, diferentes do jornal/rede do qual são empregados, dado que Stratfor é empresa privada de inteligência/espionagem que presta serviços a clientes estatais e clientes privados, o relacionamento entre jornalistas e esses atores é relacionamento ou corrompido ou que corrompe.

WikiLeaks também está divulgando a lista dos informantes da empresa Stratfor e, em muitos casos, recibos de pagamentos que receberam, inclusive pagamento mensal regular de $1.200, feito ao informante “Geronimo”, administrado por Fred Burton, ex-agente do Departamento de Estado, hoje empregado da empresa Stratfor.

WikiLeaks construiu uma parceria investigativa com mais de 25 organizações de mídia e ativistas, para informar o público em geral sobre esse imenso corpo de documentos. Aquelas organizações tiveram acesso a um sofisticado banco de dados e de pesquisa desenvolvido por WikiLeaks e, com WikiLeaks, estão avaliando os e-mails do ponto de vista do interesse jornalístico. Revelações importantes às quais cheguemos mediante o sistema de pesquisa em uso serão publicadas na imprensa comercial nas próximas semanas, ao mesmo tempo em que prosseguirá a publicação dos próprios documentos-fontes.

FONTE: Luis Nassif Online

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Brasília, 10/11/2011 – Em audiência pública realizada ontem (9/11), na Câmara dos Deputados, o ministro da Defesa, Celso Amorim, informou que os manuais de contra-inteligência atualmente em uso nas Forças Armadas estão sendo revistos, de modo a garantir sua plena compatibilidade com o Estado Democrático de Direito.

A afirmação foi uma resposta ao questionamento de alguns parlamentares sobre o conteúdo do manual utilizado pelo Exército Brasileiro, que teve trechos divulgados em reportagem publicada pela revista Carta Capital, no final de outubro. O documento tem caráter reservado.

“Temos de dispor de uma publicação que seja aceita por toda a sociedade”, afirmou Amorim, para quem o manual editado pelo Exército sofre de um “problema de vocabulário”, contendo alguns termos “inadequados, que vêm de outra época” e que precisam ser ajustados.

Segundo o ministro, já foi constituído um grupo de trabalho, no âmbito do Ministério da Defesa, para atuar na adequação da linguagem utilizada nos textos. Atualmente, tanto o Exército quanto a Marinha dispõem de manuais de contra-inteligência.

Amorim informou também que a própria doutrina que serve de fonte para a elaboração dos manuais passa por um processo de revisão. “O Brasil vive hoje um momento de democracia e com funcionamento pleno do Estado de Direito. Nossos documentos têm de estar adequados às atuais circunstâncias”, declarou.

Necessidade da contra-inteligência

Durante sua exposição, no entanto, o ministro da Defesa alertou para a importância de não confundir os problemas (de redação) apontados com os procedimentos que pautam, de fato, a atuação das Forças Armadas. E rechaçou a possibilidade de ocorrerem atividades militares de contra-inteligência que violem a Constituição. “Não há bisbilhotagem”, garantiu Amorim. “Jamais recebi denúncia de malfeito praticado com base no que está previsto nos manuais.”

Celso Amorim chamou atenção para a importância de o Brasil dispor de um serviço de contra-inteligência, sobretudo em função das riquezas de que o país dispõe e dos avanços obtidos em áreas estratégicas. Segundo o titular da Defesa, atividades dessa natureza são praticadas nos mais diversos países e precisam ter sua importância e legitimidade reconhecidas também no Brasil.

“Vivemos em um mundo multipolar em que os grandes países têm de estar preparados para proteger suas riquezas”, explicou o ministro. Segundo ele, o Brasil tem tecnologia avançada em certos setores, que podem ser objeto de espionagem industrial. “Ninguém pode ter dúvida sobre a necessidade da contra-inteligência. O Brasil é um país grande e tem que se defender.”

FONTE: Assessoria de Comunicação do MD

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ONU debate esta semana relatório com detalhes inéditos sobre planos iranianos

Denise Chrispim Marin

Os EUA e países europeus pressionam Israel a desistir de qualquer plano de ataque a instalações nucleares do Irã. Diante de novas evidências sobre a natureza militar do programa iraniano, que serão divulgadas pela ONU esta semana, potências ocidentais insistiram ontem na adoção de sanções mais duras contra Teerã como alternativa a um ataque – cujas consequências seriam “irreparáveis” e “desestabilizadoras” no Oriente Médio.

Na semana passada, a imprensa israelense divulgou que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu está tentando persuadir seu gabinete a lançar um ataque-surpresa contra o Irã. Vozes de dentro do governo de Israel, incluindo o alto escalão do Exército e da inteligência, seriam contra a ofensiva.

Em meio ao crescimento do temor de uma ação israelense, a França alertou ontem para o risco de uma guerra. “Podemos ainda fortalecer as sanções para pressionar o Irã. Vamos continuar nesse caminho, pois uma intervenção pode criar uma situação totalmente desestabilizadora”, afirmou ontem o chanceler de Paris, Alain Juppé. “Temos de fazer de tudo para evitar o irreparável”, completou.

Essa linha de ação havia sido defendida pelos presidentes Nicolas Sarkozy, da França, e Barack Obama, dos EUA, no dia 3, em Cannes. No encontro bilateral, os dois concordaram com o aumento da pressão sobre o Irã.

A possibilidade de Israel atacar o Irã tem sido classificada oficialmente pela Casa Branca como “especulação”. Mas, nos bastidores, há alto grau de preocupação. Uma autoridade de “alto escalão” de Washington disse à CNN em condição de anonimato que há uma “absoluta preocupação” em relação às intenções de Israel.

Segundo o jornal israelense Haaretz, o secretário de defesa dos EUA, Leon Panetta, visitou Israel em outubro com o objetivo de conseguir um compromisso de Netanyahu de não atacar o Irã sem o aval dos EUA. Panetta alertou o premiê e o ministro da defesa de Israel, Ehud Barak, que Washington “não quer surpresas”. Mas Netanyahu e Barak foram evasivos com Panetta e não prometeram pedir a bênção dos EUA antes de uma eventual ação contra Teerã.

Em recente entrevista à rede de televisão CNN, Barak afirmou haver preferência no governo israelense pela solução diplomática. Mas, completou ele, nenhuma opção está excluída.

O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou na sexta-feira acreditar na possibilidade de seu país empregar a força militar contra o Irã. “Os serviços de inteligência de vários países estão olhando o relógio e alertando seus líderes sobre o fato de não restar muito tempo.”

Nações Unidas

Esta semana, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deverá apresentar um relatório sobre o programa nuclear iraniano, no qual concluirá que existem crescentes indícios de que Teerã está de fato em busca da bomba. O documento deve trazer um grau de detalhamento inédito sobre o programa iraniano.

A agência internacional teria obtido imagens por satélite de um contêiner de aço em Parchin, na periferia de Teerã, onde ocorreriam testes atômicos longe da supervisão dos inspetores. Potências ocidentais esperam usar o novo documento da ONU para conseguir aprovar mais sanções contra Teerã no Conselho de Segurança.

No sábado, o chanceler do Irã, Ali Akbar Salehi, afirmou ser “desprovida de fundamento e de autenticidade” a vinculação entre os testes de mísseis e o programa nuclear do país.

FONTE: O Estado de São Paulo

O general David Petraeus, comandante americano das forças da OTAN no Afeganistão (depois de ter comandado as forças dos EUA no Iraque), transmitiu oficialmente seu cargo ao general norte-americano John Allen. Petraeus deixa o Afeganistão após um ano na chefia da OTAN, para assumir a Direção da Agência Central de Inteligências dos EUA –  CIA – onde substituirá a Leon Panetta (responsável pela morte de Bin Laden), que foi nomeado Secretário de Defesa, pelo presidente Obama.

FONTE: El País

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BRASÍLIA – Depois de receber o aval do Itamaraty para acabar com o sigilo eterno de informações oficiais, a presidente Dilma Rousseff foi informada pelo Ministério da Defesa que os militares não têm mais qualquer restrição à proposta, já aprovada pela Câmara, que libera para consulta pública os documentos classificados como ultrassecretos, após 50 anos. Com o aval dos dois setores que até então se opunham à divulgação, Dilma bateu o martelo e, mesmo com resistências de setores da base aliada, o governo vai apoiar o texto aprovado pelos deputados.

Na última segunda-feira, a presidente almoçou com os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e de Relações Exteriores, Antonio Patriota, e pediu uma avaliação do impacto da proposta da Câmara nas informações oficiais. Antes do feriado de Corpus Christi, os dois ministros voltaram a se encontrar com a presidente e entregaram os pareceres indicando que a liberação dos papéis ultrassecretos não traria problemas para o país.

A proposta da Câmara – contestada pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) , e pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) , relator na Comissão de Relações Exteriores – classifica como ultrassecretos os documentos relativos a fronteiras, soberania nacional e relações externas. Esses papéis oficiais são protegidos por 25 anos, renováveis por mais 25 anos, segundo o texto aprovado pelos deputados. No projeto original, não havia limite para a renovação.

Na época em que o projeto de lei foi elaborado, a presidente era ministra da Casa Civil e coordenou o debate no governo. Dilma foi voto vencido. A proposta do governo seguiu para o Congresso em 2009, com classificação dos documentos e prazos de sigilo conforme a categoria: reservado (cinco anos), secretos (15 anos) e ultrassecretos (25 anos, sem limite para renovação). A presidente defende a liberação da consulta às informações públicas.

O Itamaraty na época apresentou restrições à liberação de documentos ultrassecretos, por causa das negociações para definição das fronteiras brasileiras, especialmente devido aos entendimentos relativos à compra do Acre do governo boliviano, em 1903. A Defesa também levantou questões de segurança nacional envolvendo planos militares e tecnologias desenvolvidas no país.

Pela proposta do governo, a classificação dos documentos será feita por uma comissão do governo e da sociedade. As regras valerão para o Executivo, Legislativo e Judiciário. A Controladoria-Geral da União será responsável pela análise dos pedidos negados pelos órgãos de origem.

O projeto estabelece ainda regras de acesso a informações públicas atuais. Ou seja, os órgãos públicos serão obrigados a fornecer dados solicitados por qualquer cidadão desde que o documento não esteja sob sigilo. O cidadão não precisará justificar para qual fim se destina a consulta. Essa norma implicará uma mudança cultural nos órgãos públicos, que muitas vezes dificultam o acesso a documentos oficiais.

Esta semana, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ao falar sobre a possibilidade de veto ao sigilo eterno, disse que Dilma respeitaria a decisão do Congresso. Mas ressalvou que a presidente não aceitaria restrições de acesso às informações relativas a direitos humanos.

Atualmente um decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, editado em 2002, regula a divulgação de documentos públicos. Os papéis passam por uma quarentena de no mínimo cinco anos, antes de serem liberados para consulta. Eles são classificados em: reservado (cinco anos), confidencial (dez anos), secreto (20 anos) e ultrassecreto (30 anos). A proteção dos ultrassecretos pode ser renovada para sempre. (Luiza Damé)

FONTE: O Globo

Lima, Peru, 12/05/2011- Os ministros da Defesa do Brasil e da Argentina, Nelson Jobim e Arturo Puricelli, defenderam a adoção, pelos países sul-americanos, de uma estratégia comum de dissuasão. Segundo eles, para que possam manter sua soberania e continuar a proteger, elas próprias, as inúmeras riquezas da região, é necessário que as nações sul-americanas adotem uma estratégia conjunta que seja capaz de demover eventuais iniciativas externas contrárias aos interesses do subcontinente.

A manifestação de ambos os ministros foi feita durante o primeiro dia da III Reunião Ordinária do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), organismo multilateral criado no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) como instância de consulta, cooperação e coordenação em matéria de defesa.

Partiu de Jobim a iniciativa de levantar, no encontro, o tema da estratégia comum de dissuasão. Para reforçar seu ponto de vista, o ministro brasileiro lembrou aos participantes que o continente sul-americano possui algumas das principais riquezas que, dentro de alguns anos, com o aumento da população mundial e o esgotamento de parte desses bens, poderão ser objeto da cobiça de outros povos.

Dentre essas riquezas, citou o ministro, figuram os aquíferos Guarani e da Amazônia, o potencial de produção de proteínas animais e vegetais, além das fontes renováveis de geração de energia. “O futuro vai exigir do subcontinente uma estratégia comum de dissuasão. Será que estaremos preparados para isso?”, provocou Jobim.

Segundo ele, os países sul-americanos têm, atualmente, “vulnerabilidades sérias” em seus meios de defesa. Como exemplo disso, ele citou a situação existente hoje em que diversas dessas nações, incluindo o Brasil, necessitam de comprar imagens de satélites geoestacionários de países de fora do subcontinente para fins civis e militares.

Para Jobim, somente a construção de um ambiente de confiança e cooperação mútua entre os países sul-americanos será capaz de reduzir as vulnerabilidades existentes na região no campo da defesa, dotando-os de capacidade real de proteger as riquezas da maneira que julgarem melhor, para o bem de seus povos e toda a humanidade.

“Temos que nos capacitar para dizer não quando a região tiver que dizer não”, afirmou.

A manifestação de Jobim recebeu o endosso imediato do ministro argentino. Purcelli afirmou que seu país compartilha com Brasil a ideia de que são os sul-americanos que devem garantir, para o bem de toda humanidade, as riquezas existentes na região.

O representante argentino recordou o conceito que levou à criação da UNASUL, baseado na ideia central de estabelecer uma zona de paz e cooperação na região. “Temos um compromisso firme de trabalhar pela unidade latino-americana”, disse.

Além dos membros das comitivas do Brasil e da Argentina, integrantes de outros países, como Colômbia e Equador, também se manifestaram no sentido da adoção de iniciativas concretas que levem ao aumento da confiança entre as nações sul-americanas.

Entre os assuntos que deverão ser debatidos no encontro estão as tratativas para o desenvolvimento do centro de estudos estratégicos de defesa e mecanismos conjuntos para atuação das Forças Armadas sul-americanas em ações de defesa civil.

A criação do CDS foi proposta pelo Brasil e discutida pela primeira vez numa reunião de presidentes sul-americanos, em abril de 2008.

O Conselho possui 12 estados-membro: Brasil, Argentina, Peru, Venezuela, Colômbia, Uruguai, Chile, Bolívia, Paraguai, Equador, Guiana e Suriname.

O organismo tem como objetivo central consolidar a América do Sul como uma zona livre, soberana e pacífica, base para a estabilidade democrática e para o desenvolvimento dos povos da região. Também é objetivo do Conselho fomentar uma identidade sul-americana em matéria de defesa.

FONTE: MD

O crescente peso do Brasil no cenário internacional exige uma reestruturação de seus serviços de inteligência, inclusive no que diz respeito ao acompanhamento de fatos e tendências que ocorrem fora do país. O alerta foi feito nesta segunda-feira (2), na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), por especialistas que participaram do painel “A importância da atividade de inteligência para o Brasil, sua diplomacia e suas Forças Armadas: causas de seu fracasso em prever movimentos populares no mundo árabe”.

Para lembrar a importância dos serviços de inteligência, o presidente do Capítulo Brasil da Associação Internacional de Analistas de Inteligência de Segurança Pública, o professor Denílson Feitoza, lembrou que o Brasil possui uma das maiores reservas de água doce no mundo e que, até 2050, 45% da população mundial terá menos água do que o necessário para viver. Ele questionou até quando o mundo vai aceitar que o Brasil permita a contaminação de seus mananciais.

- Acabamos de ver uma operação encoberta dos Estados Unidos no Paquistão para matar Osama Bin Laden. Este é um recado profundo. No mundo realista, se chegar momento de se atuar no Brasil, isso será feito – advertiu Feitoza.

Se os serviços de inteligência brasileiros não foram capazes de antecipar as tendências políticas no Oriente Médio, advertiu o professor argentino José Manuel Ugarte, da Universidade de Buenos Aires, nenhum outro serviço de inteligência da América Latina poderia fazê-lo. Isto porque, como observou, esses serviços têm dado prioridade ao que ocorre dentro das fronteiras de cada país.

- Todo país latino-americano que decide ter presença internacional deverá desenvolver capacidades de inteligência no exterior. Praticamente não há país que ocupe um lugar importante que não desenvolva capacidade de inteligência no exterior – afirmou Ugarte.

Ao abordar a incapacidade dos serviços de inteligência em prever a crise política no Norte da África e no Oriente Médio, o professor Eugênio Diniz, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, lembrou que a insatisfação social na região já havia sido detectada. Ele recordou, porém, que as mudanças, quando ocorrem, são muito aceleradas.

- Mesmo nos melhores casos, existe uma limitação. A informação obtida é, ela mesma, cheia de incertezas. É possível antecipar algumas possibilidades de resposta, mas antecipar quando algo vai ocorrer não é possível na imensa maioria dos casos.

Na opinião do consultor legislativo Joanisval Gonçalves, do Senado Federal, falta ao país uma cultura na área de inteligência. Ele defendeu o controle externo e uma nova regulamentação legal dos serviços de inteligência. O Brasil vem alcançando posições de destaque, lembrou, e pode ser alvo de serviços de outros Estados. Ele observou ainda que grandes eventos ocorrerão no país nos próximos anos, como a conferência Rio+20, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

- Estamos preparados para isso? Ainda que não fôssemos alvo de possíveis atentados terroristas, receberemos delegações de vários países que o são – alertou.

Ao comentar a sua decisão de extinguir o então Serviço Nacional de Informações (SNI), quando era presidente da República, o senador Fernando Collor (PTB-AL), presidente da comissão, lembrou uma frase do ex-ministro Golbery do Couto e Silva, segundo a qual ele havia “criado um monstro”.

- Quando decidi extinguir o SNI, nada tinha contra os profissionais, mas sim contra a forma distorcida como o serviço era feito – afirmou.

O senador Luis Henrique (PMDB-SC) pediu que os serviços de inteligência brasileiros dediquem-se à defesa da atividade econômica do país. Ele citou o exemplo do setor têxtil, que emprega 18,5 milhões de pessoas no Brasil. E informou que o setor enfrenta uma “drástica redução de atividade” porque não se previu a redução de plantio de algodão em alguns países, que gerou uma redução da oferta e a elevação do preço do produto em 150% em apenas um ano.

Por sua vez, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que o Brasil precisa superar o que chamou de “complexo do SNI”, em uma referência à ligação da imagem do antigo Sistema Nacional de Informações com o regime militar.

FONTE: Agência Senado / Marcos Magalhães

O Presidente Barack Obama era informado sobre a situação na Líbia durante uma teleconferência junto com o Conselheiro de Segurança Nacional Tom Donilon, à direita, o Chefe de Gabinete Bill Daley, à esquerda, a Secretária de Estado Hillary Clinton, o Secretário da Defesa Bob Gates, o Comandante do AFRICOM general Carter Ham e o vice-conselheiro de Segurança Nacional Denis McDonough,  no domingo 20.03, durante sua estada no Rio de Janeiro.

FONTE e FOTO: White House.

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O Estado continua na incômoda posição de constatar que o inimigo está sempre alguns passos adiante

Silvio Queiroz

Não tardou para que os acontecimentos dessem nomes e números ao alerta feito por uma autoridade brasileira, em conversa reservada com a coluna, sobre a perigosa associação entre crime organizado e terrorismo em alguns pontos vulneráveis do território brasileiro. No caso, os fatos se desenrolaram na tríplice fronteira do norte, com a Colômbia e o Peru. Lá, no início da semana, a Polícia Federal capturou o peruano Jair Ardena Michue, codinome Javier, apontado como líder de uma rede de narcotráfico baseada nas ilhas próximas a Tabatinga (AM), no Alto Solimões. Javier é acusado pela morte de dois federais em um confronto travado em novembro último. A operação contra o esquema do peruano, iniciada em 2009, já resultou em mais de 30 prisões e na apreensão de 1,5 tonelada de cocaína.
A região de Tabatinga e da cidade-gêmea colombiana de Letícia firmou-se nos últimos anos como corredor preferencial não apenas para traficantes de drogas, mas também para contrabandistas de armas. Sem falar nos indícios recorrentes de que ali a guerrilha colombiana das Farc tem uma de suas frentes logísticas, com tentáculos que descem o Solimões até Manaus. Nas palavras dessa autoridade, que integra há meses um núcleo especial formado para blindar o país contra a ameaça, o Estado continua na incômoda posição de constatar que o inimigo está sempre alguns passos adiante. E os bons resultados das operações policiais são pouco mais que um prêmio de consolação.

Trigêmeos

Não é por acaso que Tabatinga e Letícia estão no circuito em que operam, nem sempre com tanta discrição, agentes americanos da DEA, a unidade antitráfico dos EUA. Foi nessa área que, em 2008, o Exército localizou pela primeira vez plantações de coca do lado brasileiro da fronteira (foto). As duas cidades são o centro nervoso de um pacote de acordos de cooperação em defesa firmados em 2008 pelos então presidentes Lula e Álvaro Uribe. De lá para cá, militares e policiais brasileiros e colombianos têm feito exercícios e operações conjuntos, pelo menos um deles de maior porte, envolvendo patrulhamento aeronaval de uma fronteira naturalmente porosa.
A notícia mais recente, que passou relativamente despercebida, foi a realização de exercícios de controle de fronteira também com o Peru, em janeiro último. A área escolhida foi a de Assis Brasil (AC), mais a oeste da tríplice fronteira. Mas a prisão do “capo” peruano no Amazonas apenas ressalta a natureza trigêmea do inimigo. Por sinal, o pacote de acordos firmado em 2008 inclui um que é tripartite, indicação de que não vem de hoje a percepção de que o problema não se resume a Brasil e Colômbia. Inclusive porque, em parte como efeito colateral do relativo sucesso na erradicação de cultivos em solo colombiano, o Peru arrebatou nos últimos anos o “troféu” de maior produtor mundial da folha de coca, matéria-prima da cocaína.

Indefinição crítica

Para além das implicações imediatas no âmbito do combate ao narcotráfico, a confrontação com redes criminosas estabelecidas em uma fronteira não apenas tripla, mas extremamente vulnerável pela geografia, preocupa tanto mais num momento de indefinição para a área crítica do contraterrorismo. De saída, patina há anos um projeto para tipificar o crime de terrorismo, ausente da legislação penal brasileira. Ainda mais aguda, para diferentes partes envolvidas no esforço, é a reorientação da Abin. Enquanto o Planalto pisa em ovos para restabelecer as bases da relação entre a agência, o GSI e o comando militar, o setor (como todo o governo federal) se enquadra ao rigor dos cortes orçamentários.
No âmbito estrito da inteligência, há receios de que justamente a unidade de contraterrorismo, ainda nos passos iniciais, seja atingida. E isso embora o país esteja às portas de sediar eventos que soam como chamarizes: antes mesmo da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, teremos neste ano os Jogos Militares, e em 2013 a Copa das Confederações.

Cooperação fluida

São preocupações que invadirão a agenda diplomática, desde logo com a visita de Barack Obama, dentro de duas semanas. Com a colega Dilma, o presidente americano deve falar mais diretamente dos negócios que a organização das competições pode favorecer. Mas é certo que os arranjos de segurança para as delegações americanas serão discutidos cada vez mais amiúde. Até porque, como relatam os funcionários brasileiros das diversas áreas envolvidas, nos afazeres cotidianos da área policial e de inteligência, a cooperação com os americanos — e não apenas com eles — é fluida.

FONTE: Conexão diplomática – Correio Braziliense

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O país pediu investigações na região entre Brasil, Paraguai e Argentina. O site WikiLeaks publicou o documento secreto que prova o pedido.

Os Estados Unidos pediram aos seus diplomatas, em 2008, que investigassem a possível presença da Al-Qaeda e outros “grupos terroristas” islamitas na região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, segundo documentos secretos publicados este domingo pelo site WikiLeaks.

Segundo documento difundido pela página do WikiLeaks a vários jornais e publicado pelo britânico The Guardian, a chancelaria americana pediu em 2008 à sua embaixada em Assunção “informação sobre a presença, as intenções, os planos e as atividades de grupos terroristas (…) no Paraguai, concretamente na tríplice fronteira” com o Brasil e a Argentina.

Washington queria informações não só sobre a possível presença dos grupos Hezbollah e Hamas, entre outras organizações armadas islamitas, mas também da “Al Qaeda” e “agentes estatais iranianos”, destacou o texto.

Além disso, pedia dados sobre possíveis redes de apoio a estes grupos, inclusive organizações não-governamentais islamitas e sobre a capacidade dos serviços de segurança paraguaios e sua disponibilidade para cooperar com os Estados Unidos no antiterrorismo.

A tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina abriga imigrandes de países árabes e há anos Washington suspeitava que nesta região se recolhesse fundos para organizações islamitas, concretamente a libanesa Hezbollah.

Há anos também se investigou a possível presença ali de autores do atentado à mutual judaica AMIA de Buenos Aires, onde morreram 85 pessoas, em 1994.

Em 2003 foram difundidas informações dos serviços de segurança brasileiros sobre uma possível viagem do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, à tríplice fronteira para visitar uma mesquita na cidade de Foz do Iguaçú (PR), embora responsáveis da comunidade árabe no local tenham negado o fato.

A página na internet WikiLeaks divulgou informações secretas do Departamento de Estado americano aos jornais El País (Espanha), The Guardian (Grã-Bretanha), The New York Times (EUA), Le Monde (França) e à revista Der Spiegel (Alemanha).

FONTE: G1/AFP

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O Caráter Futuro do Conflito

O “Future Character of Conflict” é um estudo produzido pelo Development, Concepts and Doctrine Centre (DCDC) do Ministério da Defesa britânico (DCDC). Foi realizado ao lado do Global Strategic Trends Programme e ambos foram lançados juntamente com o Livro Verde da Defesa, publicado em 3 de fevereiro de 2010.

O relatório detalha as tendências globais que indicam aumento da instabilidade e crescente possibilidade de confronto e conflito. Fracasso do Estado, extremistas, o aumento da competição por recursos e a mudança global da balança de poder vai ditar o porquê, onde e como ocorre o conflito. O estudo conclui que o caráter do conflito continuará a evoluir. Embora seja impossível prever com precisão o caráter exato do conflito futuro, em muitas operações futuras as forças armadas estarão suscetíveis de enfrentar uma série de ameaças simultâneas e adversários em uma área de atuação anárquica e extensa.

O estudo prevê que em 2029, o controle sobre os recursos vai “aumentar a incidência de conflito”, com a população mundial aumentando para 8,3 bilhões. Disputas de fronteira, como no Ártico, Golfo da Guiné e no Atlântico Sul vão se tornar “indissociavelmente ligados à segurança do suprimento energético”, com a Grã-Bretanha “criticamente dependente da importação de energia”.

Isto demanda “forte influência regional e, se necessário, a capacidade de projetar e manter o poder militar”. O documento adverte sobre guerra de alto nível (sem mencionar o Irã). Acrescenta (sem mencionar a China), que “não se pode presumir que o Ocidente mantém vantagem militar suficiente sobre potências em ascensão em todas as circunstâncias, o que pode animar os atores que anteriormente tinham sido detidos.” A posse de armas nucleares, “percebida como essencial para sobrevivência e status”, “continuará a ser um objetivo de muitas potências aspirantes”.

E, acima de tudo isso, está o impacto desconhecido da mudança climática, que poderia tornar as inundações e a seca motores principais de conflito.

Para ler o estudo em inglês no formato PDF, clique aqui ou na imagem acima.

Autoridades americanas disseram ter desmatelado rede de espiões da inteligência de Moscou

MOSCOU – A Rússia disse nesta terça-feira, 29, que as alegações do governo dos EUA a respeito das prisões de supostos agentes secretos russos apenas dias depois da visita do presidente Dmitri Medvedev ao país são “impróprias e sem base”, segundo um comunicado do Ministério de Relações Exteriores russo.

As autoridades americanas disseram ter detido dez pessoas suspeitas de trabalhar secretamente para a inteligência russa. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, elas formariam uma rede de infiltração para coletar informações sobre a estratégia americana em diversos assuntos externos. De acordo com as autoridades, as investigações para desmantelar a rede de espionagem foram realizadas pelo FBI durante mais de uma década.

“Tais ações não têm base e são impróprias. Não entendemos o que levou o Departamento de Justiça a fazer essa declaração no espírito de espionagem da Guerra Fria”, diz o comunicado da chancelaria. “Lamentamos profundamente que isso esteja ocorrendo em meio ao restabelecimento de relações anunciado pela administração americana”, conclui o texto.

As autoridades americanas dizem que os detidos usavam identidades falsas para recrutar fontes políticas e reunir informações para o governo russo. Eles são acusados de coletar informações sobre arsenais nucleares, sobre o mercado global de ouro e de tentar fazer contato com funcionários da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), segundo o processo que corre em uma corte federal.

O Departamento de Justiça os acusa de operar na “ilegalidade” sob ordens da agência russa SVR, considerada a herdeira da temida KGB. A ilegalidade se aplica ao dato de eles estarem vivendo nos EUA sob falsa identidade sem a devida notificação que deve ser prestada às autoridades. A lei permite que agentes de outros países vivam nos EUA, mas sob cobertura diplomática ou legítima.

Ainda segundo o texto das acusações formais, os supostos espiões “se ‘americanizaram’ o suficiente para reunir informações sobre os EUA para a Rússia e podem recrutar fontes que estão, ou podem se infiltrar, na política americana”. O Departamento de Justiça disse que eles receberam treinamento de comunicação codificada, como evitar a detecção e como passar mensagens a outros agentes casualmente, em espaços públicos, sem deixar suspeitas.

Moscou tem acusado o Ocidente repetidamente de manter operações de espionagem em seu território apesar de a Guerra Fria já ter terminado. As potências ocidentais também alegam das atividades russas, principalmente nas áreas comercial e científica.

O mais recente escândalo envolvendo espionagem ocorre no momento em que a relação entre EUA e Rússia dá sinais de melhora. O presidente russo, Dmitri Medvedev, e seu colega dos EUA, Barack Obama, encontraram-se em Washington neste mês para mostrar o fortalecimento dos laços entre países que foram rivais na Guerra Fria.

FONTE: Estadão/Reuters

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