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Documento reservado, ao qual o ‘Estado’ teve acesso, levanta situação da Marinha, Exército e Aeronáutica e revela queda significativa dos equipamentos em condição de uso

 

BRASÍLIA – Documento sigiloso produzido pelos comandos militares sobre a situação da defesa nacional repassado ao Palácio do Planalto nos últimos dias mostra um sucateamento dos equipamentos das três Forças. Segundo os militares, os dados esvaziam as pretensões brasileiras de obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, além de inibir a participação do País em missões especiais da ONU.

De acordo com a planilha obtida pelo Estado, a Marinha, que em março mantinha em operação apenas dois de seus 23 jatos A-4, não tem hoje condições de fazer decolar um avião sequer do porta-aviões São Paulo.

Com boa parte do material nas mãos de mecânicos, a situação da Marinha se distancia do discurso oficial, cuja missão seria zelar pela área do pré-sal, apelidada de Amazônia Azul.

Segundo o balanço, que mostrou uma piora em relação ao último levantamento, realizado em março, a situação da flotilha também não é confortável. Apenas metade dos navios chamados de guerra está em operação. Das 100 embarcações, incluídas corvetas, fragatas e patrulhas, apenas 53 estão navegando. Dos cinco submarinos, apenas dois ainda operam. Das viaturas sobre lagartas (com esteiras), como as usadas pelos Fuzileiros Navais para subir os morros do Rio de Janeiro, apenas 28 das 74 estão em operação.

O Ministério da Defesa mantém os dados sob sigilo. A presidente Dilma Rousseff já foi informada das dificuldade que as Forças estão enfrentando e a expectativa, pelo menos da Aeronáutica, é de que a partir do ano que vem o governo retome as discussões em relação à compra dos novos 36 caças brasileiros já que os atuais deixam de voar em 2014.

Queixas. Já afinado com a caserna, o ministro da Defesa, Celso Amorim, que está há apenas três meses no cargo, queixou-se dos baixos investimentos do Brasil no setor e pediu apoio dos parlamentares para a modernização das Forças Armadas.

Segundo ele, proporcionalmente ao Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil é um dos países que menos investem em defesa entre os integrantes dos Brics, grupo que integra Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

FONTE: Estadão

Por Flávio Ferreira e Silvio Navarro, na Folha:

A Polícia Federal trabalha com o cenário de “risco elevado” para atos de terrorismo na abertura da Copa de 2014, quando os olhos do mundo estarão voltados para a capital paulista. Essa é a avaliação do superintendente da PF em São Paulo desde maio, o delegado Roberto Troncon Filho, 49, especializado no combate ao crime organizado desde 2004. Em entrevista à Folha, o chefe do órgão em São Paulo também critica alterações no projeto de lei sobre lavagem de dinheiro e defende o uso de algemas em operações. Leia trechos da entrevista.

Folha – O que o sr. achou do projeto de lei aprovado na Câmara que altera a legislação sobre lavagem de dinheiro?
Roberto Troncon - A principal mudança positiva é considerar lavagem de dinheiro a ocultação de bens obtidos por meio de qualquer crime.
A atual legislação se limita a uma lista: tráfico de drogas e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro, entre outros. O segundo avanço é a ampliação da lista de pessoas obrigadas a prestar informações ao Coaf [órgão do governo que fiscaliza operações financeiras].

Há pontos negativos?
Houve um pequeno retrocesso na Câmara. O projeto previa a requisição pela polícia e pelo Ministério Público de dados cadastrais de bancos, companhias telefônicas, etc. O outro ponto retirado foi o do uso de bens apreendidos pelos órgãos de repressão à lavagem de dinheiro.

Como a PF está se preparando para a Copa de 2014?
Nossa atuação está relacionada ao controle migratório e para isso temos um plano de aperfeiçoamento. Mais de 70% de todo o tráfego de passageiros no Brasil ocorre em São Paulo. Além disso, temos a segurança de autoridades estrangeiras. Há uma grande preocupação com atentados terroristas. Estamos com uma atividade preventiva muito forte, interação permanente com organismos policiais.

A abertura da Copa será em SP. Qual é o nível de risco em relação a ataques?
No Brasil o nível é muito baixo. Mas um evento como a Copa pode ser, sim, palco de uma agressão, não contra o povo brasileiro, mas contra uma delegação estrangeira. Nesses períodos, a visão da PF é de um risco incomum e queremos nos preparar para um cenário em que o risco seria bastante elevado.

FONTE: Reinaldo Azevedo / VEJA

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A ONU elogiou a decisão da presidente Dilma Rousseff de sancionar a lei que cria a Comissão da Verdade para apurar violações dos direitos humanos ocorridas no Brasil entre 1946 a 1988. Apesar do elogio, a ONU pediu explicitamente a revogação da Lei da Anistia de 1979.

No comunicado da ONU, a alta comissária de Direitos Humanos, a indiana Navi Pillay, incentiva o Brasil a “adotar medidas adicionais que facilitem a punição daqueles que foram responsáveis pela violação de direitos humanos no passado”. Ao insistir na questão, a ONU bate de frente com o julgamento dessa questão no Supremo Tribunal Federal.

Em abril do ano passado, os ministros do STF julgaram válida a interpretação segundo a qual foram anistiados os dois lados: as vítimas de crimes de violações de direitos humanos e os agentes de Estado responsáveis por esses crimes.

FONTE: montesclaros.com

A Polícia Militar do Rio de Janeiro confirmou neste domingo o controle total da favela da Rocinha, a maior do Brasil e nas mãos dos traficantes de drogas há 30 anos, depois de uma operação que começou de madrugada com o apoio de blindados da Marinha e sem disparar um único tiro.

Além disso, as forças de ordem ocuparam as favelas vizinhas do Vidigal, com 11.000 habitantes, e a Chácara do Céu, bem menor e cuja pacificação não havia sido anunciada.

Depois de concluída a operação, cerca de mil moradores acompanharam uma cerimônia improvisada para hastear a bandeira do Brasil num ponto central da imensa comunidade, para simbolizar a recuperação deste território das mãos do crime organizado.

Os oficiais do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) hastearam a bandeira nacional e a do Estado do Rio de Janeiro entre aplausos e gritos de alegria. “Rocinha! Rocinha! Rocinha!”, cantavam os moradores, emocionados.

“Tenho o prazer de informar que a Rocinha e o Vidigal estão em nosso poder. Não houve nenhum incidente, nem um tiro disparado. Não temos informações sobre detidos ou material apreendido”, informou no início da manhã Alberto Pinheiro Neto, chefe do Estado-Maior da PM, em coletiva de imprensa.

O governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, felicitou os corpos de segurança e indicou que informou à presidente Dilma Rousseff sobre o êxito da operação.

“Estamos resgatando esta população que precisa de paz para criar seus filhos em paz, pessoas que querem viver com dignidade e qualquer acesso à vida digna passa pela paz”, indicou Cabral.

A polícia apreendeu vários fuzis, uma granada, munições e miras telescópicas, além de uma quantidade não determinada de maconha. Uma pessoa foi presa, embora por ora não esteja relacionado com os traficantes que as autoridades continuam procurando na favela.

“A vitória que o cidadão carioca teve hoje foi a libertação dessas pessoas, esse era o objetivo. Armas, drogas, munições, pessoas (procuradas) são importantes, mas devolver o território a quem não o possuía há 30 anos não é coisa pouca”, declarou o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame.

A ocupação da Rocinha, localizada no coração dos bairros ricos do Rio de Janeiro, começou por volta das 04h10 quando efetivos do BOPE e do batalhão de Operações de Choque entraram pelas vielas da comunidade, escoltados pelos blindados, já usados em outras operações similares, e pelo voo rasante de helicópteros.

As ruas semi-iluminadas ainda estavam desertas quando os policiais entraram e alguns moradores observavam das janelas de suas casas o avanço da tropa.

Ao fim da ocupação, os vizinhos exibiram bandeiras brancas, enquanto que, no Vidigal, foi hasteada a bandeira brasileira, como um símbolo da recuperação do território.

“A chegada da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) vai ser positiva para as novas gerações para dar fim ao tráfico de drogas. Quero que meus filhos não tenham contato com o tráfico, é uma maravilha”, expressou à AFP Carlos Alberto, de 51 anos, vizinho da Rocinha, que, ao contrário da maioria, decidiu falar com a imprensa.

Mas nem todos aplaudiram a ação. Um grupo de mulheres chorava à medida que os oficiais avançaram pelas ruas da Rocinha, constataram os jornalistas da AFP.

“Esperamos que a pacificação não seja apenas tirar os traficantes de droga, e sim que traga saneamento, educação, saúde e moradia”, declarou à AFP Raimundo Benício de Sousa, conhecido como “Lima”, um líder comunitário de 56 anos que tem uma imobiliária na favela.

Segundo Lima, no bairro “há gente vivendo em meio a baratas, urinando e defecando numa lata”, e por isso acha que “a pacificação tem que ter essa gente como prioridade”.

“Queremos que as pessoas sejam tratadas como dignidade, com respeito, que os que cometeram crimes vão presos, mas não sejam assassinados pela polícia”, declarou, por sua parte, William de Oliveira, presidente do Movimento Popular de Favelas, que usava uma camiseta com a inscrição “I love Rocinha”.

Nas ruas era possível sentir um forte cheiro de queimado, oriundo das motos que pertenciam aos bandidos para se deslocar dentro da favela e que agora, ante a ocupação da polícia, foram queimadas por eles.

Os traficantes também espalharam óleo pelas ruas com a infrutífera intenção de impedir o avanço dos blindados.

As autoridades calculam que 200 traficantes ainda permanecem dentro da favela, depois da prisão esta semana do chefe do tráfico da Rocinha, Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, quando fugia escondido no porta-malas de um carro, junto com vários cúmplices e policiais corruptos que os protegiam.

É a primeira vez que os chefes do tráfico são presos antes da tomada de uma favela pelas autoridades.

Desde sexta-feira, os policiais se posicionaram fortemente armados nos principais acessos da região e, com fotos de suspeitos nas mãos, revistaram cada veículo – público ou particular – que entrava e saía do lugar.

A tomada da Rocinha, a 19a. que a polícia reconquistou das mãos dos traficantes, recorda a megaoperação policial-militar montada em novembro de 2010 para tirar o controle das favelas do Complexo do Alemão, onde vivem 400.000 pessoas. A ocupação aconteceu depois de vários dias de confrontos com os marginais que deixaram 37 mortos.

O Estado do Rio de Janeiro realiza desde 2008 uma corrida contra o relógio para pacificar os bairros carentes da cidade controlados por traficantes e milícias paramilitares antes do Mundial de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Mais de 1,5 milhão de pessoas vivem em cerca de mil favelas no Rio, ou seja, um terço da população total.

“Estamos com medo, não sabemos o que vai acontecer. Eu rezo muito”, comentou Lima. “Só espero que quando a Copa do Mundo acabar não se esqueçam de nós”, concluiu.

FONTE: Terra

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Ordem na caserna

Octávio Costa

O ministro da Defesa, Celso Amorim, marcou para o início de dezembro uma reunião com os três comandantes das Forças Armadas. Quer passar um pente-fino nos mais de mil projetos de reaparelhamento e modernização que existem em aberto. Para Amorim, é preciso eliminar programas considerados desnecessários e concentrar esforço nos prioritários. Dentre eles, a compra de caças e o aumento da equipe de funcionários da pasta, que está parado no Congresso. Áreas estratégicas, como a de monitoramento de bens sensíveis, a assessoria de imprensa e a do serviço militar obrigatório, precisam ser reforçadas.

FONTE: Brasil Confidencial/Isto É

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Democracia versus baderna

A minoria ativista confunde liberdade com bagunça, e tenta se impor no grito, por meio da intimidação

Kátia Abreu

A ainda jovem cultura democrática brasileira enseja equívocos conceituais que frequentemente a ameaçam e a desmoralizam. Não é de estranhar, dada a origem autoritária de nossa República, que emergiu de um golpe de Estado, e a escassa cultura não só de nosso povo, mas também de parte de nossa elite.

O preâmbulo vem a propósito dos acontecimentos que envolvem a discussão, no Senado, do Código Florestal. Além de não se dar ao trabalho de ler a proposta -e lhe imputar acusações absurdas-, a minoria militante que a ela se opõe se arvora em falar em nome do povo, que não lhe deu tal delegação.

Dentro desse equívoco, tratam os que de fato detêm delegação popular -os parlamentares- como intrusos e querem impor sua vontade no grito, quando não na violência.

Assim é que, nesta semana, no curso das discussões, na Comissão do Meio Ambiente, essa minoria ativista, representada por 12 (!) estudantes da Universidade de Brasília, provavelmente ressentidos ainda da acachapante derrota no DCE, invadiu o Congresso e quis impor no grito o seu ponto de vista.

Os senadores foram ofendidos e abordados com violência. Fui pessoalmente ameaçada e insultada, tendo de sair sob escolta policial. Sabemos que o Congresso é a Casa do Povo, que a ela tem acesso para se manifestar, desde que pela ordem e com respeito, como manda a lei. Não foi o que ocorreu.

O pior é que não se tratou de um episódio isolado; ao contrário, vem se tornando recorrente, quase banal em nosso país. Assistimos, já há alguns dias, manifestação semelhante de truculência e vandalismo, na Universidade de São Paulo, onde uma minoria tenta se impor no grito, por meio de intimidação.

Os jornais informam que um punhado de estudantes -pouco mais de 70, num universo de 89 mil-, todos de classe média alta, vinculados a partidos e a organizações de esquerda, depredaram as instalações da USP, patrimônio do povo sustentado com os impostos.

Protestavam contra a presença da polícia, que reprimia o tráfico de drogas no campus. Enquanto a polícia cumpria a lei, fundamento do Estado democrático de Direito, aqueles militantes, travestidos de estudantes, promoviam o caos, impedindo que seus colegas exercessem o elementar direito/dever de estudar. “Vamos fazer a revolução”, bradavam, ao mesmo tempo em que invocavam a democracia para legitimar a baderna.

E aí começa a confusão conceitual. Confunde-se liberdade com bagunça, vale-tudo. Democracia é o regime da maioria, com o reconhecimento às minorias, mas não só: é o regime da lei, sem a qual nem as maiorias nem as minorias estão seguras de nada.

Sem o estrito cumprimento da lei, a democracia não sobrevive. Torna-se rito de passagem, presa fácil dos aventureiros que dela se servem para aniquilá-la. O truque é antigo, previsto já por Lênin: usar as facilidades que a democracia oferece como meio de chegar ao poder, para então bani-la. É o que assistimos.

Há anos, o Brasil vive sob o domínio do gramscismo, estratégia de tomada do poder concebida pelo teórico italiano marxista Antonio Gramsci, que defendeu a manipulação da cultura como meio mais eficaz de promover a revolução.

Nessa engenharia maléfica, todos os polos de produção cultural -mídia, universidades, editoras, meio artístico- têm de ser dominados por um pensamento hegemônico. No caso, o socialista. Tudo o que a ele se contrapõe recebe o selo de “direita”, que não significa nada, senão a maldição política e moral.

A questão ambiental, há anos, foi encampada por esses grupos, e não porque de fato os interesse. É apenas mais um meio de desestabilizar o país, enfraquecendo uma de suas maiores fontes de receita, o agronegócio, responsável pelos superavit na balança comercial do país e por um terço dos empregos.

Nem sequer conhecem o tema que abordam. Basta ver o que dizem a respeito para constatar que nem leram o projeto que será votado no Senado. O Código Florestal não anistia ninguém nem estimula o desmatamento, muito pelo contrário.

Impõe a recomposição de áreas degradadas e pune quem novamente as degradar. É inútil argumentar. São somente massa de manobra de interesses bem maiores que eles próprios desconhecem.
KÁTIA ABREU, 49, senadora (PSD-TO) e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, escreve aos sábados, a cada 14 dias, neste espaço.

FONTE: Folha de São Paulo

Jamal Khokhar
Embaixador do Canadá no Brasil

Hoje é um dia significativo para o Brasil e o Canadá, assim como para os outros países junto aos quais continuamos a lutar para defender a paz e a liberdade. No Canadá, o Dia da Lembrança surgiu como forma de comemorar o fim das duas guerras mundiais e de batalhas travadas desde então. É um dia para prestar homenagem a todos aqueles que lutaram para defender nossos ideais e, ao fazê-lo, pagaram com a própria vida. Valorizar os sacrifícios feitos por dezenas de milhares de cidadãos corajosos nos faz lembrar o custo da democracia.

Ambos os países participaram da Segunda Guerra Mundial — em que o Brasil foi o único país da América Latina a se juntar às forças aliadas na Europa. Tropas brasileiras e canadenses desempenharam papel vital na campanha de 20 meses das tropas aliadas no Mediterrâneo que levou à libertação da Itália, em 1944. Dos 25.334 soldados que deixaram o Brasil para lutar na Europa, ao lado dos aliados, 467 não voltaram. Centenas desses pracinhas foram sepultados na Europa, marcando presença na Segunda Guerra, um dos mais sangrentos conflitos da humanidade. O Canadá perdeu 44.893 soldados nessa guerra.

O sacrifício de tantas vidas canadenses e brasileiras reflete os valores da paz, da liberdade e da justiça, que são tão caros para nossas sociedades. Segundo o escritor Rubem Braga, correspondente de guerra na Itália, o soldado inglês é um tommy, o francês é um poilu, e o brasileiro é um pracinha. Diz-se que, na guerra, a ação de um único soldado expressa a determinação de toda a sociedade.

Na Itália, o Brasil — como o Canadá e os outros aliados — pagou um tributo elevado para que a liberdade e a democracia viessem a prevalecer. Em memória desses heróis nacionais, nossos dois países possuem cemitérios na Itália — que servem para preservação da memória dos nossos patrícios. O cemitério brasileiro, próximo à cidade toscana de Pistoia, deixou de guardar os restos mortais dos soldados da Força Expedicionária Brasileira ainda na década de 1950. Esses pracinhas foram transladados para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Mais de 5.900 canadenses mortos na Itália foram enterrados em 17 cemitérios — o principal deles é o Cemitério Agira, no centro da Ilha da Sicília.

Cabe a nós garantir que seu sacrifício e sua bravura não sejam esquecidos e que o legado de lutar por valores tão importantes continue hoje no empenho por um mundo mais democrático — com cidadãos corajosos que arriscam as vidas para ajudar.

Lembramos também os 22 funcionários das Nações Unidas que morreram no atentado com um caminhão-bomba em Bagdá, em 2003, incluindo o representante especial da Organização das Nações Unidas no Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello. Sua morte foi uma perda para toda a comunidade internacional. Nossos pensamentos estão igualmente com as famílias dos 17 militares brasileiros e de outros mortos no Haiti, incluindo o diplomata Luiz Carlos da Costa, o segundo no comando, igualmente morto a serviço da ONU.

Trabalhando juntos para enfrentar as transformações do século 21, com a nossa forte e crescente cooperação, continuamos a lutar pela paz, pela segurança e pelo desenvolvimento. Por isso, quando a presidente Dilma e o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, se encontraram em Brasília, em agosto deste ano, concordaram em incentivar parcerias nas quais o Canadá e o Brasil cooperem para promover a paz no âmbito da ONU — como no Haiti.

O Brasil e o Canadá estão discutindo a possibilidade de estabelecer tropas canadenses sob o comando brasileiro na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah). O Canadá já tem oficiais destacados no Haiti sob o comando brasileiro do general Luiz Eduardo Ramos.

Para homenagear esses sacrifícios, o Canadá, a cada ano, realiza um evento especial com os pracinhas, em Brasília. Este ano, mais uma vez trouxemos um tocador de gaita de foles do Canadá para se unir aos gaitistas do Batalhão da Guarda Presidencial. Na Embaixada do Canadá há um monumento único — um cenotáfio consagrado — que existe para lembrar nossos soldados mortos, nossos colegas e nossos veteranos. Esquecer, jamais! É a força da nossa luta comum para defender e promover a paz no mundo inteiro que irá assegurar nossos países, nossos povos e nossos valores compartilhados.

FONTE: Correio Braziliense

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O Ministério da Defesa vai promover em dezembro uma reunião com representantes das Forças Armadas para identificar as prioridades de investimento no Exército, Marinha e Aeronáutica. O anúncio foi feito pelo ministro Celso Amorim em audiência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional para discutir o estágio atual do reequipamento das Forças Armadas, a situação do Centro de Lançamento de Alcântara (MA) e a licitação (que vem sendo adiada desde os governos FHC) para a aquisição de caças pela Força Aérea Brasileira.

Ele admite que um dos principais problemas tem sido a descontinuidade na aplicação dos recursos, o que provoca prejuízos na execução de ações e programas. Ele citou, como exemplo, os projetos de construção do submarino nuclear e do lançador de foguetes da base de Alcântara.

O ministro explicou que os profissionais que atuam nesses projetos são especializados e atrasos ou descontinuidade de orçamento acabam desfazendo as equipes. Apesar dos problemas orçamentários, Celso Amorim prevê que o projeto do lançador de foguetes dever estar concluído em 2015 e o do submarino, em 2025 .
Ele defendeu também uma revisão urgente dos salários nas Forças Armadas. Ele lembrou que um segundo-tenente hoje ganha cerca de R$ 6 mil – valor menor do que o pago a várias carreiras de estado.

Contrainteligência
Amorim também informou, durante a audiência, que determinou a revisão dos manuais de contrainteligência do Exército e da Marinha para adequação da linguagem utilizada nos textos. Ele considera os serviços de contrainteligência ‘absolutamente necessários”, mas defende a separação entre as ações internas e externas nessas área.

FONTE: Agência Câmara de Notícias

As comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; e de Direitos Humanos e Minorias ouvirão o ministro da Defesa, Celso Amorim, sobre a elaboração do “Manual de Campanha – Contra-Inteligência”, do Exército. A audiência está marcada para o próximo dia 9, às 10 horas, no Plenário 3.

Os deputados Ivan Valente (Psol-SP) e Chico Alencar (Psol-RJ), que solicitaram o debate, afirmam que o documento fere a ordem democrática. O manual, divulgado em reportagem da revista Carta Capital, orienta uma política de infiltração de agentes de inteligência militar em organizações civis, principalmente movimentos sociais e sindicatos.

Alencar afirma que o documento causa perplexidade. “O manual propõe ações como se ainda estivéssemos na época da ditadura, algo inaceitável. Trata-se de uma ideologia retrógrada”, afirmou.

Na opinião de Ivan Valente, o manual do Exército oficializa a espionagem à margem da Constituição. “Acredito que o ministro tem interesse em esclarecer este documento, já que ele próprio quer saber se existem manuais semelhantes na Marinha e na Aeronáutica”, disse.

Valente também encaminhou ao Ministério da Defesa um pedido de informações, com várias questões sobre o conteúdo e a utilização do manual. O ministério tem 30 dias para respondê-lo.

FONTE: Câmara dos Deputados

BNDES oferece crédito para negócio, que pode chegar a US$ 200 milhões

FLÁVIA MARREIRO

O ministro da Defesa, Celso Amorim, reforçou na Bolívia a campanha para que o país de Evo Morales adquira radares de fabricação brasileira, um negócio que poder chegar a US$ 200 milhões.
Amorim levou a La Paz anteontem carta do BNDES na qual o banco se compromete a oferecer financiamento ao governo boliviano para a compra de equipamentos da brasileira Orbisat.

A divisão de radares da Orbisat passou ao controle da Embraer Defesa e Segurança, subsidiária da companhia de aviação, em março deste ano. O BNDES também é acionista da empresa.

O governo Morales deve decidir nas próximas semanas o fornecedor dos radares. Empresas da Espanha, do Canadá, da Argentina e da China pleiteiam o negócio.
O governo brasileiro diz que, além da operação comercial, é de interesse estratégico que La Paz eleja o equipamento nacional.

A Orbisat desenvolveu com o Exército brasileiro o radar Saber, que será usado no SisFron (Sistema de Vigilância de Fronteiras).
Apesar da campanha, Amorim disse a jornalistas ontem em La Paz que a decisão boliviana, qualquer que seja ela, não afetará a intenção de intensificar e tornar mais efetivo o controle aéreo e terrestre da fronteira.

Se La Paz escolher a proposta brasileira, não será a primeira vez que a Orbisat terá contrato com a Bolívia.
Em 2005, a empresa fechou contrato para o mapeamento por radar de 90 mil km² na fronteira, com valor de US$ 23 milhões.
O governo Morales, que assumiu em 2006, questionou o negócio na Justiça, mas no ano passado as partes chegaram a um acordo para colocar um fim ao processo.

FONTE: Folha de São Paulo

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