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O Exército informou em nota que ontem, por volta das 21 horas, o cabo Vitor Hugo da Silva Veiga, do 15º Regimento de Cavalaria Mecanizada, foi atingido por um disparo acidental da própria arma no interior do alojamento de cabos e soldados da Força de Pacificação, no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro.

O militar está internado em estado grave no Hospital Central do Exército, onde foi operado. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar as circunstâncias do ocorrido. Em janeiro, o soldado Irving Vianna Martins dos Santos morreu após um disparo acidental quando patrulhava uma das favelas do Complexo do Alemão.

FONTE: Agência Estado

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Exército e a Marinha apresentaram a representantes da indústria de defesa o perfil de equipamentos e serviços que pretendem adquirir até meados deste século. Os oficiais das duas Forças Armadas falaram durante a abertura da Conferência Anual de Defesa que começou hoje (17).

A lista inclui mais de 20 submarinos – seis deles, nucleares – navios de diversos tipos e aeronaves. Só de aeronaves de interceptação e ataque serão 48, até 2047. Três tipos de navios patrulha também estão na lista. Ao todo serão 62 compras desse tipo de embarcação até 2030. Há ainda helicópteros, serviços e tecnologias das mais diversas áreas e outros equipamentos.

“Nosso plano é bastante ambicioso. Não se pode almejar a aquisição de tudo, mas priorizaremos o grupo de navios previsto no pacote do Programa de Obtenção de Meios de Superfície [ProSuper]”, disse o coordenador do Programa de Reaparelhamento e diretor geral de Material da Marinha Brasileira, contra-almirate Rodolfo Henrique de Saboia.

O representante da Marinha falou sobre a Estratégia de Defesa Nacional até 2030, que pretende reorganizar as Forças Armadas e a indústria nacional de material de defesa, além de melhor compor o efetivo militar, com profissionais familiarizados a tecnologias de ponta.

“Já temos propostas comerciais da Itália, Alemanha, Espanha, Holanda, Coreia do Sul e do Reino Unido”, adiantou Saboia. “Claro que todas as compras pretendidas têm como premissa a transferência de tecnologia”, acrescentou. “Só com o programa de submarino temos a expectativa de gerar cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos”.

O oficial citou também alguns objetivos pretendidos pelo Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, destinado a monitorar e controlar o espaço aéreo e marítimo brasileiro. “É uma oportunidade de recuperarmos e incentivarmos o crescimento da base industrial instalada, e de elevar o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação em nosso país, por meio da ampliação do fornecimento às forças Armadas”, concluiu o militar. A exportação desse tipo de material, disse o militar, também poderá ser beneficiada.

O general de brigada Walmir Almada Schneider , da 7ª subchefia do Estado Maior do Exército apontou as aquisições pretendidas pelo Exército. “Temos de estar na fronteira dos conhecimentos relativos a quatro áreas: nanotecnologia, robótica, inteligência artificial e fusão de dados. Essa é uma realidade desafiadora vivida por todos os exércitos do mundo”.

Para Schneider, o aspecto humano é fundamental para o melhor proveito das tecnologias, principalmente do setor cibernético. “Queremos jovens com consciência situacional, capazes de assimilar com maior facilidade as tecnologias, porque a revisão do perfil dos nossos militares é contínua”, disse ao reforçar o peso que a informação terá para o “soldado do futuro” e para as suas condicionantes, em meio a fatores como a possibilidade de guerras cibernéticas. A Conferência Anual de Defesa termina na quarta-feira (19). (Edição: Rivadavia Severo)

FONTE: Agência Brasil

O ministro da Defesa, Celso Amorim, visitou nesta terça-feira o Centro de Avaliações do Exército, em Restinga de Marambaia (RJ). Ele conheceu uma viatura blindada, radar e fuzis que serão usados pela Forças Armadas do País. Os equipamentos são a viatura de transporte de pessoal Guarani, o radar Saber 60 e a família de fuzis Imbel. Segundo o Ministério da Defesa, o blindado atraiu o interesse da Argentina, que enviou um grupo de oficiais para assistir a demonstração.

Os produtos são de tecnologia nacional, desenvolvidos com apoio do Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação.

O ministro parabenizou o Exército, dono da patente do projeto do blindado. “O Guarani foi desenvolvido com tecnologia brasileira. Representa a retomada da trajetória positiva de produção industrial nacional de blindados”, afirmou. O veículo de seis rodas pode realizar ações de reconhecimento e apoio de fogo, além de ser transportado por aviões Lockheed-Martin C-130 Hercules ou Embraer KC-390. O Guarani, desenvolvido pelo CTEx e pelo consórcio Fiat-Iveco, realizou tiros contra alvos móveis e fixos, com 100% de acertos. Está prevista uma encomenda de 2.044 unidades para o Exército.

No início de setembro, Celso Amorim visitou a Argentina. Na ocasião, analisou com o ministro da Defesa do país vizinho, Arturo Puricelli, alguns projetos que poderiam ser realizados em conjunto. Uma das possibilidades estudadas no encontro foi o Guarani.

Radares e fuzis

Durante a visita, a empresa Orbisat entregou as duas primeiras unidades de série do radar Saber M-60. Com capacidade de detectar alvos aéreos a baixa altitude, com alcance máximo de 75 km, o novo sistema será empregado pelos cinco grupos de artilharia antiaérea do Exército. “É o primeiro desse nível, com alta tecnologia, desenvolvido e produzido no Brasil. Será importante para proteção de nossas fronteiras e para segurança de grandes eventos”, disse o ministro.

As unidades serão entregues à Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea, sediada na Vila Militar (RJ) e ao 2º Grupo de Artilharia Antiaérea, em Praia Grande (SP). Elas integram um lote de nove equipamentos adquiridos pelo Exército.

Por último, o ministro Amorim conheceu os modelos de fuzis desenvolvidos pela Imbel, que serão fabricados nos calibres 7,62 mm e 5,56 mm. Segundo o minitro, o fuzil “tem também uma característica relevante para a Defesa porque deverá ser padronizado e utilizado pelas três Forças”.

FONTE: Terra

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O ex-presidente do Uruguai Tabaré Vázquez revelou ontem que chegou a pedir ajuda aos EUA por temor de um eventual conflito armado com a Argentina. A raiz da disputa era a implantação de uma fábrica de celulose no lado uruguaio do Rio Uruguai, na fronteira entre os dois países.

Presidente entre 2005 e 2010, Vázquez foi obrigado a encarar uma forte resistência dos argentinos, preocupados com a possível contaminação do rio. Como pressão, manifestantes argentinos fecharam por três anos a principal ponte que une os dois países.

Sob o argumento de que, como presidente, precisava pensar em todos os cenários possíveis, Vázquez afirmou que inicialmente foi aos Estados Unidos para uma viagem de negócios, mas se viu forçado a pedir apoio ao governo de George W. Bush. O conflito acabou quando a Corte Internacional de Haia decidiu em favor do Uruguai.

FONTE: Zero Hora

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Bombeiros, Forças Armadas e polícia são as três únicas instituições que cresceram na confiança dos brasileiros nos últimos 12 meses. É o que mostra a pesquisa do Ibope Inteligência, cujo levantamento anual aponta as oscilações na relação de confiança da população com as instituições. Entre os grupos sociais, a família, como em todos os outros anos, liderou como mais confiável.

Os brasileiros estão menos confiantes na Presidência da República e em governos federais e municipais do que estavam no ano passado.

Considerados os três últimos anos, a pesquisa mostra que a instituição presidente da República teve uma queda de nove pontos em comparação a 2010. Em 2009, o índice registrado foi de 66 pontos. Subiu para 69 em 2010 e em 2011 recuou para 60 pontos. Para Malu Giani, gerente de planejamento do Ibope Inteligência, a queda se explica pela troca de presidente, uma vez que Luiz Inácio Lula da Silva gozava de grande empatia com a população.

O governo federal, que havia melhorado seis pontos de 2009 para 2010 – de 53 pontos para 59 -, perdeu agora sete pontos na confiança da população e foi a 52 pontos. Já os governos municipais mantiveram a tendência de queda que vem desde 2009, quando obtiveram 53 pontos. Em 2010, registrou-se diminuição de três pontos (50) e este ano mais três (47 pontos).

O Congresso Nacional e os partidos políticos, que já tinham os menores índices de confiança junto aos entrevistados desde que a pesquisa começou a ser feita no Brasil, em 2009, caíram ainda mais, para 35 e 28 pontos, respectivamente. O Judiciário perdeu quatro pontos percentuais.

A instituição sistema público de saúde foi a que apresentou maior queda. Tinha 49 pontos em 2009, passou para 47 em 2010 e desabou para 41 pontos em 2011. Foi seguida por escolas públicas, que perderam sete pontos de popularidade de 2009 para cá, e meios de comunicação, que perderam seis pontos.

A pesquisa do Ibope Inteligência foi realizada também em Porto Rico, Argentina e Chile, este último pela primeira vez. No Brasil, foram realizadas 2.002 entrevistas. A composição do índice é feita utilizando-se uma escala de quatro pontos, em que é possível medir muita confiança, alguma, quase nenhuma ou nenhuma confiança.

FONTE: Valor Econômico

Maurício Savarese

Por 12 dias, concluídos na sexta-feira (30), os fuzileiros navais fizeram em Formosa, no Estado de Goiás, seus principais treinamentos na área da capital federal, com veículos e armamentos variados à disposição de 2.100 militares. Ao todo, a operação custou cerca de R$ 5 milhões, a maior parte deles em mísseis com alcance de, no máximo, 17 km.

A simulação serve para o pronto-emprego de soldados em missões como a retomada do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, ou ações de segurança no Líbano –para onde um grupo de 15 fuzileiros navais partirá em 6 de outubro para auxiliar na fiscalização a embarcações suspeitas.

Os militares consideram o custo barato porque algumas das despesas seriam feitas de qualquer maneira com a tropa, com exceção do material empregado no transporte –a maioria dos participantes veio do Rio de Janeiro.

Entre os equipamentos usados, estavam helicópteros, carros de combate, blindados, veículos anfíbios, mísseis, artilharia e os recém-criados VANTs (Veículos Aéreos Não-Tripulados). Também foram realizados treinamentos para neutralização de ataques nucleares, químicos e biológicos.
Armas reais

Toda a munição utilizada pelos fuzileiros no período é real e representou o maior custo da operação: aproximadamente R$ 3,5 milhões. Formosa fica a 80 km de Brasília e a área rural onde os treinamentos são feitos tem 52 km de extensão.

FONTE: UOL

Para outras fotos acesse: UOL Notícias fotos

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Medida institui regras para compra de produtos de defesa para o país, cria regime especial de tributação e promove meios para o desenvolvimento tecnológico nacional

Brasília, 29/09/2011 – A presidenta da República, Dilma Rousseff, assinou hoje, em cerimônia no Palácio do Planalto, medida provisória que estabelece mecanismos de fomento à indústria brasileira de defesa.

Preparada em conjunto pelos ministérios da Defesa; Ciência, Tecnologia e Inovação; Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Planejamento e Fazenda, a MP é um desdobramento do Plano Brasil Maior, lançado em agosto para aumentar a competitividade da indústria nacional, a partir do incentivo à inovação tecnológica e à agregação de valor.

Segundo a presidenta, a indústria de defesa incentiva todas as cadeias industriais de alta tecnologia, além de ter função estratégica para o país. “Em função da extensão de nosso território e do tamanho de nossas riquezas, o setor de defesa é imprescindível para a manutenção de nossas soberanias.”

Para Dilma Rousseff, esse segmento industrial proporciona ganhos que vão além da área de defesa, e abre a possibilidade para o desenvolvimento de tecnologias de domínio nacional. “Nosso satélite geoestacionário, que terá uso dual, militar e civil, é um bom exemplo de como funciona esse modelo. O primeiro, a ser lançado em 2014, será seguido por outro em 2019, que terá expressivo conteúdo brasileiro”, exemplificou.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, disse que a nova medida provisória irá permitir que o Estado brasileiro influa positivamente na geração de tecnologia e na produção industrial, “não como investidor, excluindo a iniciativa privada, mas como regulador”, ressaltou. Para Amorim, o mundo vive um momento complexo, “onde não sabemos de onde vêm as ameaças externas, mas sabemos o que temos a proteger.”

Isenção tributária

A nova MP institui regras especiais para compra e contratação de produtos e sistemas de defesa para o país. Além de criar um regime especial de tributação, desonerando empresas do setor de encargos como o IPI, PIS/PASEP e Cofins, a MP diminui o custo de produção de companhias legalmente classificadas como estratégicas e estabelece incentivos ao desenvolvimento de tecnologias indispensáveis ao Brasil.

Atualmente, segundo a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC), órgão subordinado ao Comando do Exército Brasileiro, 186 empresas estão capacitadas para se beneficiar do novo regime. Incluem-se nesse espectro tanto companhias de menor porte quanto grandes fornecedoras das Forças Armadas, a exemplo da Avibras, Embraer, Helibras, Inbra e Odebrecht Defesa.

O conjunto de medidas constitui passo importante para viabilizar a Estratégia Nacional de Defesa (END), que tem como um de seus eixos norteadores a reestruturação da indústria brasileira de material de defesa. De acordo com a END, o atendimento das necessidades de equipamento das Forças Armadas deve estar atrelado ao desenvolvimento de tecnologias sob domínio nacional. Para tanto, menciona o documento, é necessário capacitar a indústria brasileira para que ela conquiste autonomia e tecno logias indispensáveis à defesa do país.

As isenções tributárias serão concedidas por cinco anos aos projetos submetidos e aprovados pelo Ministério da Defesa. Para candidatar-se ao regime tributário especial, as empresas deverão preencher requisitos previstos na norma, tais como terem sua sede ou unidade industrial no Brasil. Além disso, precisam comprovar ter conhecimento científico ou tecnológico próprio ou complementar por meio de parceria com instituição brasileira desse segmento. Os benefícios expressos na MP se estendem às compras de insumos necessários à produção e pesquisa, inclusive importados.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Defesa e Segurança (Abimde), o setor possui hoje 25 mil empregados e oferece 100 mil empregos indiretos. Com as novas medidas, espera-se uma duplicação desses valores num prazo relativamente curto, de apenas dez anos.

O presidente da Associação, Orlando José Ferreira Neto, chamou atenção para a importância da nova MP e para o impacto benéfico da medida nas exportações do país. “A indústria aeronáutica brasileira, onde entram setores equivalentes como o aeroespacial e o de defesa, é a única no campo de alta tecnologia a apresentar saldo positivo na balança comercial brasileira”, ressaltou. “A base industrial de defesa é uma alternativa real e imediata para ajudar o país a reverter esse quadro.”

Mercado especial

O mercado de defesa tem características próprias que o distingue dos demais setores industriais. A demanda por produtos de defesa é definida basicamente pelas compras governamentais, uma vez que o Estado é o único cliente. Essa peculiaridade é, inclusive, reconhecida em fóruns internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), que aceita o estabelecimento de regimes especiais para o setor.

É estreita a relação entre desenvolvimento científico-tecnológico nacional e indústria de defesa. Hoje, grande parte dos produtos eletrônicos no mercado possui insumos originários de pesquisas militares, que resultaram em equipamentos e sistemas de uso dual (militar-civil).
A necessidade de se eliminar a assimetria tributária em produtos de defesa foi reconhecida como requisito para o desenvolvimento da indústria de defesa tanto na Política Nacional da Indústria de Defesa (PNID, 2005) como na Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP, 2008), sendo seu programa incorporado à Estratégia Nacional de Defesa (END, 2008).

TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE A MP DE FOMENTO À INDÚSTRIA DE DEFESA

1) Em que o consiste a nova Medida Provisória?
Trata-se de norma que institui regras especiais para compra e contratação de produtos e sistemas de defesa para o país. Ela cria um regime especial de tributação (denominado Retid), desonerando empresas que produzem equipamentos de defesa de encargos como o IPI, PIS/Pasep e Cofins. Além de diminuir o custo de produção de companhias legalmente classificadas como estratégicas, a MP estabelece incentivos ao desenvolvimento de tecnologias indispensáveis ao país.  A medida preenche uma lacuna existente na legislação, passando a ser o marco legal para as obtenções de produtos de defesa e, consequentemente, para a reorganização da base industrial de defesa brasileira.

2) O que o Brasil ganha com o advento da nova lei?
A relação entre desenvolvimento científico-tecnológico nacional e indústria de defesa é estreita. A Estratégia Nacional de Defesa preconiza que essa indústria seja reorganizada tendo como objetivo maior o desenvolvimento tecnológico independente do país. Produtos de defesa impulsionam a economia como um todo, diferentemente do que se costuma imaginar.  Seu desenvolvimento tem impacto direto sobre tecnologias que são utilizadas de maneira dual, ou seja, em benefício das áreas militar e civil. Em síntese, todos ganham com a publicação da nova lei: as empresas, porque terão melhores condições para contratar e produzir para os mercados interno e externo; os trabalhadores, porque terão mais empregos, sobretudo os de alta especialização; e a Defesa nacional, porque terá melhores condições de adquirir bens e serviços de interesse do país, dotando suas Forças Armadas de meios adequados para o exercício de suas atribuições constitucionais e legais.

3) Quais empresas de defesa poderão ser beneficiadas pelo regime especial de tributação?
O Regime Especial Tributário para a Indústria de Defesa (Retid) terá como beneficiárias as empresas que obtiverem o registro do Ministério da Defesa. Poderão obter os benefícios as empresas estratégicas de defesa e também as que participem da cadeia produtiva dos chamados produtos estratégicos de defesa. A isenção contempla o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

4) O que são produtos estratégicos de defesa?

A MP fixa o conceito desse tipo de produto. São considerados estratégicos os bens, serviços, obras ou informações utilizados em atividades de defesa, com exceção das de uso administrativo, que por seu conteúdo tecnológico, dificuldade de obtenção ou imprescindibilidade sejam de interesse estratégico para a defesa nacional. O conceito engloba equipamentos eletrônicos, munições, armas, embarcações, aviões, satélites, foguetes, veículos, fardas, rações, softwares e outros utilizados nas atividades finalísticas de defesa.

5) O que são empresas estratégicas de defesa?

De acordo com a MP, são estratégicas todas as empresas que receberem registro do Ministério da Defesa. Para obtenção desse registro, essas companhias terão que preencher requisitos previstos na norma, tais como terem sua sede ou unidade industrial no Brasil. Além disso, precisam comprovar ter conhecimento científico ou tecnológico próprio ou complementar por meio de parceria com instituição brasileira desse segmento. Os benefícios expressos na MP se estendem às compras de insumos necessários à produção e pesquisa, inclusive importados.

6) A partir de quando as novas medidas passam a valer?
A partir da promulgação da MP com sua respectiva publicação no Diário Oficial da União.

7) Quantos empregos serão gerados com a nova MP?
A Associação Brasileira das Indústrias de Defesa e Segurança (Abimde), entidade que congrega 144 empresas do setor, estima que as novas regras deverão possibilitar a geração de 23 mil empregos diretos e 90 mil indiretos.

Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa
(61) 3312-4070

 

Sergio Leo

Nos últimos oito anos, seria inconcebível a participação brasileira na Assembleia-Geral das Nações Unidas sem Celso Amorim. O ex-ministro de Relações Exteriores, desta vez, não acompanhou nem os preparativos. Desde que foi convidado para comandar a pasta da Defesa, há quase cinquenta dias, segue a orientação da presidente Dilma Rousseff de evitar ações que possam ser interpretadas como competição com o Itamaraty, sua casa de origem. Mas foi na área externa a maior surpresa levada por ele às Forças Armadas, ao anunciar que o Brasil quer retirar as tropas estacionadas no Haiti.

“Não é minha primeira experiência fora do Itamaraty”, reagiu Amorim, ao admitir ao Valor que Dilma “tinha essa preocupação” em que ele levasse diplomatas para ajudá-lo no novo posto. Impressionou o Ministério da Defesa o fato de não ter levado para lá nenhum auxiliar, e de mostrar que pretende manter os nomeados pelo antecessor, Nelson Jobim, até no gabinete. “Quanto fui para a Embrafilme, levei só o Samuel Pinheiro Guimarães, que me ajudou muito, e uma secretária”, argumenta.

Em agosto, militares, na grande maioria da reserva, manifestaram irritação na imprensa, ao ser anunciada a escolha de um diplomata, e de esquerda, para ministério. Se há irritação nas tropas, está escondida. Dilma teve o cuidado de reunir Amorim com os comandantes das três forças, logo após a posse, para assegurar que não haveria mudanças bruscas. Além de ações simbólicas, como participar, no dia 4, pela primeira vez, da cerimônia mensal de troca da bandeira, ao lado do ministro, Dilma emitiu sinais muito concretos do prestígio de Amorim: verbas para a Defesa.

Na semana seguinte à posse, em agosto, Amorim almoçou com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Dias depois, o ministério do Planejamento liberava crédito suplementar de R$ 45 milhões para o programa Astros 2020, de lançamento de foguetes do Exército. Bem abaixo dos R$ 200 milhões (de um contrato de R$ 1,1 bilhão, no total) esperados pela empresa, mas o suficiente para recontratar funcionários e reativar as instalações paradas por falta de recursos.

A verba para a Avibrás – saudada pelos especialistas no setor como sinal para atrair potenciais clientes estrangeiros – foi motivo de intensas e frustradas pressões de Jobim sobre o ministério da Fazenda. Dilma também recompôs o orçamento da Pasta, como noticiou o Valor, aliviando o contigenciamento de verbas para Amorim, liberando em setembro R$ 900 milhões, com a promessa de liberar mais R$ 1,7 bilhão em outubro, dos R$ 4,3 bilhões congelados do orçamento de 201. A retenção desses recursos foi uma das razões para a saída de Jobim.

Desde que assumiu o novo posto, Amorim, quando não está viajando, realiza reuniões diárias para aprofundar-se nas tarefas de cada setor do ministério. Ele próprio calcula que as negociações para criação da Comissão da Verdade, que investigará violação de direitos humanos na ditadura, ocuparam um quinto de seu tempo, desde então, com telefonemas e encontros com líderes partidários. Enfrentou resistências na oposição, como a do líder do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto, que o acusou de “ideologizado”. Mas contou com a ajuda do ex-deputado José Genoíno, levado ao ministério por Jobim, a quem Amorim confiou boa parte dos contatos políticos.

O novo ministro tem feito viagens para conhecer instalações espalhadas pelo Exército, pela Marinha e pela Aeronáutica em todo o país. Na última, em Dourados (MS), ao acompanhar a operação Ágata 2, de controle militar e policial na fronteira, comoveu-se com estudantes do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Grande Dourados. “Nosso centro acadêmico se chama Celso Amorim”, informou uma das universitárias.

As viagens internacionais reduziram-se drasticamente, mas não foram extintas da agenda de Amorim, que, na segunda semana de setembro, viajou aos três países do Mercosul, a começar pela Argentina, onde assinou declaração conjunta com o ministro da Defesa do país vizinho, Arturo Puricelli, defendendo manutenção do Atlântico Sul como zona de paz. “Na América do Sul, o resumo de nossa política é: para dentro cooperação, para fora dissuasão”, repete o ministro, embora ressalve que não exclui cooperação com militares de outras regiões.

Na Argentina, como no Uruguai e no Paraguai, Amorim foi recebido pelos presidentes, mas procurou manter as conversas no terreno do Conselho de Defesa da Unasul, sua nova prioridade, ao lado do reforço do orçamento e da cooperação em matéria de equipamentos militares – tema que levantou interesse dos vizinhos; a Argentina, que já se associou ao projeto do cargueiro da Embraer, KC-390, quer desenvolver com o Brasil um jipe militar. Com o presidente paraguaio Fernando Lugo, teve o cuidado de antecipar as ações do Ágata 3 que também combateu contrabando de gado de região paraguaia com surto de aftosa.

Pelo menos um militar de alta patente comenta que houve incômodo no Exército com a decisão do governo de manter tropas no Complexo do Alemão. Mas, na semana passada, um oficial do alto comando do Exército fez questão de dizer ao ministro que os dirigentes das Forças Armadas preferem ver soldados nas “atividades subsidiárias” a vê-los o tempo todo nos quartéis.

Amorim recebeu do governador Sérgio Cabral a informação de que já havia autorização de Dilma para a permanência das tropas. Já sabendo disso, insistiu e obteve do governador, porém, um cronograma para troca progressiva dos soldados por policiais, até junho de 2012.

Com o novo ministro, o ritmo do ministério perdeu o tom frenético que havia sob Jobim: Amorim chega ao trabalho por volta das oito e meia da manhã e sai raramente depois das oito da noite. Já avisou que não pretende usar uniformes de campanha, no máximo um casaco e botas, se as condições do local exigirem. E, ao contrário do antecessor, está longe de ser um aficcionado em aparelhos eletrônicos. Não costuma ler notícias em computador, e ligações para seu celular são atendidas por um ajudante de ordens.

FONTE: Valor Econômico

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Mesmo sob crise em suas finanças, os EUA mantêm 1 mil bases no exterior

Toda a turbulência vivida pela economia mundial tem origem nos Estados Unidos, que ainda não se refez da crise iniciada em setembro de 2008 e que contaminou mercados das potências europeias e de muitos países emergentes, inclusive o Brasil, embora em grau de intensidade menor aqui. Mas ao mesmo tempo em que sua dívida atinge um montante equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB), de US$ 14 trilhões, os EUA insistem em manter cerca de 1 mil bases militares mundo afora, das quais 268 na Alemanha e 124 no Japão, depois de 66 anos do término da Segunda Guerra (2/9/1945). Outros países que abrigam a ostensiva presença norte-americana são Cuba, Paraguai, Colômbia, Iraque (mais de 100 bases), Afeganistão (80), Coreia do Sul, Austrália, Egito, Barein, Grécia e Romênia, entre cerca de 70 nações.

O custo militar dos EUA em 2010 passou dos US$ 800 bilhões, acrescidos de despesas extraordinárias inseridas no orçamento daquele ano pelo presidente Barack Obama no valor de US$ 1 trilhão, o que no total equivale a aproximadamente 13% do PIB do país. Os gastos militares norte-americanos representaram cerca de 45% das despesas globais em 2010. Seus aliados despenderam aproximadamente 28% dos aportes em defesa. Washington e eles, que são normalmente Estados clientes, muitos deles hoje vivendo grave momento econômico (Grécia, Itália e outros), responderam por 73% dos dispêndios militares globais em 2010.

Quando a crise foi tida como séria, no fim de 2008, os EUA mantinham aproximadamente 550 mil soldados no exterior, excluídos os serviços prestados por contratados em alguns países, como no Iraque. Esse número é 10% superior ao de 1985, no auge da chamada Guerra Fria, o que demonstra que o complexo industrial militar norte-americano encontrou justificativas para a manutenção e mesmo expansão do poderio bélico do país, ainda que em fase de distensão do quadro político internacional. Hoje, as Forças Armadas dos EUA contemplam comandos do Pacífico (de olho na China), da Europa (foco na Rússia e na África), central (monitorar e intervir no Oriente Médio) e do Sul (criado em julho de 2008, logo depois do anúncio das grandes descobertas do pré-sal no Brasil).

O historiador inglês Paul Kennedy, em The rise and fall of the great powers (1986), afirma que o grande teste da longevidade do poderio hegemônico no mundo seria no futuro igualmente aplicável aos EUA. Dez anos depois dos atentados de 11 de setembro, com a capacidade de endividamento esgotada e obrigados a emitir moeda para comprar os títulos de sua própria emissão, os EUA hoje dependem financeiramente de países como a China, Brasil e Rússia, fora do G-7. Até quando tais países aceitarão financiar a manutenção de um complexo militar tão oneroso, mantido por um país cuja economia estando, como está, em situação vulnerável, ameaça levar consigo muitas outras ao redor do planeta? Tomara que os EUA, com 46,2 milhões de pobres, consigam se livrar desse imbróglio com as próprias pernas.

FONTE: Estado de Minas

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É o primeiro passo rumo à independência política, econômica e administrativa

Carlos Newton

Demorou, mas acabou acontecendo, como era mais do que previsível. As tribos indígenas da chamada Amazônia Legal, que detêm cerca de 25% do território brasileiro de reserva ambiental onde é proibida atividade econômica, estão mobilizados para defender a mineração nessas áreas de preservação. E não se trata de um movimento brasileiro, mas de caráter internacional.

Representantes de etnias do Brasil, da Colômbia, do Canadá e do Alasca preparam uma “carta declaratória” aos governos brasileiro e colombiano, reivindicando os direitos indígenas à terra e o apoio à mineração.

“Solicitamos ao Estado brasileiro a aprovação da regulamentação sobre mineração em territórios indígenas, porque entendemos que a atividade legalmente constituída contribui com a erradicação da pobreza”, diz o documento ao qual a Folha de S. Paulo teve acesso.

A mineração em terras indígenas é debatida desde a Constituição de 1988, que permitiu a atividade nessas áreas, caso regulamentadas. O projeto de lei nº 1.610, que trata dessa regulamentação, está em tramitação no Congresso desde 1996.

Mas este é apenas o primeiro passo. Quando se fala em tribos indígenas, na verdade está se tratando de um movimento internacional muito poderoso, integrado pelas mais de 100 mil ONGs nacionais e estrangeiras que atuam na Amazônia. A reivindicação da extração mineral é apenas a ponta do iceberg. Os índios querem mais, muito mais.

Com a progressiva ocupação da Amazônia, a partir do período colonial as tribos foram se afastando, subindo os afluentes do Rio Amazonas, para ficarem o mais longe possível dos colonizadores. Resultado: por questões geológicas, as terras mais altas que hoje as tribos ocupam são justamente onde estão localizadas as mais ricas jazidas minerais da região.

As tribos na verdade estão exigindo que o Brasil reconheça e obedeça os termos da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas. O Brasil em 2007 assinou esse tratado da ONU, que reconhece a independência administrativa, política, econômica e cultural das chamadas nações indígenas, mas depois se arrependeu e não quer cumprir as determinações do documento.

Se o governo brasileiro já estivesse cumprindo os termos do tratado, as tribos nem precisariam estar reivindicando o direito de mineração em suas respectivas reservas, porque seriam países independentes, onde nem mesmo as Forças Armadas brasileiras teriam o direito de entrar, segundo os incisivos termos da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, que está disponível a todos na internet, mas poucos se interessam em ler.

O tratado foi assinado pelo Brasil no governo Lula, quando Celso Amorim era ministro das Relações Exteriores. O fato de o Brasil ter aceitado sem ressalvas o acordo internacional, que foi rejeitado por vários países, como Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália, Rússia e Argentina, é um dos motivos do baixo prestígio de Celso Amorim junto à cúpula das Forças Armadas.

FONTE: www.tribunadaimprensa.com.br

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