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(Estado de SP, 05) A demissão de Jobim do Ministério da Defesa, foi comemorada por militares de alta patente. Além da falta de prestígio, Jobim, por protagonizar polêmicas, expôs a pasta a uma agenda negativa. “Ele perdeu o apreço dos militares por suas atitudes”, comentou um -quatro estrelas-, oficial general de posto mais elevado, ao comentar as declarações recentes de Jobim.

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Tânia Monteiro

A indicação do ex-chanceler Celso Amorim para o Ministério da Defesa já está provocando reações contrárias em Brasília. Militares dos altos comandos das Forças Armadas consultados pela reportagem consideraram esta “a pior escolha possível” que a presidente poderia ter feito.

Segundo esses interlocutores, Amorim contrariou “princípios e valores” dos militares nos últimos anos quando esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores e até ex-ministro Nelson Jobim contornava as polêmicas causadas por decisões “completamente ideologizadas” de Amorim. Essas fontes questionam por que o governo decidiu colocar de novo um diplomata sobre os militares. Eles lembram que isso não deu certo com José Viegas e “não vai dar de novo”. Para esses militares, a decisão da presidente foi precipitada, mas vão ter que engolir.

FONTE: estadao.com.br

COLABOROU: Baschera

 

Acabou de ser informado pela Rede Globo que o Ministro da Defesa Nelson Jobim, que estava no cargo desde 2007, entregou o cargo a presidenta Dilma e que o novo Ministro da Defesa será o ex-ministro da Relações Exteriores do governo Lula, o santista, Celso Amorim.

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Visivelmente irritada, a presidente Dilma Rousseff se reuniu na manhã quinta-feira (4) com os ministros Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Helena Chagas (Comunicação Social) para discutir novas declarações dadas pelo titular da Defesa, Nelson Jobim, que pode perder o cargo nas próximas horas. A nova polêmica que o envolve são críticas ao núcleo do governo em declarações à revista “Piauí”.

Ataque de Jobim ‘é desnecessário’, diz Ideli. A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) afirmou hoje ao programa “Poder e Política – Entrevista” que o ministro Nelson Jobim (Defesa) tem dado declarações “desnecessárias” e deveria se “conter um pouquinho”.

À publicação, Jobim chamou de “atrapalhada” a política do governo para divulgação de dados sigilosos e chamou a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de “fraquinha”. Ele disse ainda que a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “nem sequer conhece Brasília”. O ministro da Defesa se reuniu com Dilma na quarta-feira (3) e não entregou o cargo depois de outras declarações polêmicas.

A um assessor próximo da presidente – e que se diz “cauteloso” sobre as chances de demissão do ministro ainda hoje – Dilma afirmou que se pudesse “arrumaria um cargo para o Jobim na Amazônia e deixaria ele por lá”. O ministro da Defesa viajou ao Estado para assinar um plano de Defesa Nacional. Ele está acompanhado do vice-presidente, Michel Temer, e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Jobim deve retornar à noite.

Na semana passada, o peemedebista afirmou ao programa “Poder e Política – Entrevista”, uma parceria da Folha de S.Paulo, Folha.com e UOL, que votou em seu amigo José Serra nas eleições presidenciais de 2010 e que o tucano teria tomado as mesmas medidas de Dilma para afastar suspeitos de corrupção do Ministério dos Transportes.

Palacianos apelidaram Jobim de “ministro da Surpresa”. Depois de ser chamado por Dilma para explicar declarações que deu no aniversário de FHC, o peemedebista disse ao UOL e à Folha de S.Paulo que votou em Serra. Na quarta-feira, novamente chamado a se explicar, não avisou sobre a entrevista que deu à revista Piauí.

Série de polêmicas

Jobim já tinha se explicado a Dilma há pouco mais de um mês, quando foi ao aniversário de 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ele sugeriu que a atual ocupante do Palácio do Planalto tem um estilo autoritário. Em outras declarações, o ministro elogiou a presidente e disse que sua relação com ela é “ótima”.

Antes da reunião, também em entrevista ao “Poder e Política – Entrevista”, Ideli afirmou que Jobim tem dado declarações “desnecessárias” e deveria se “conter um pouquinho”. O peemedebista foi mantido no cargo no início do atual governo por conta da insistência do antecessor de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva.

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Jobim diz que suas declarações foram tiradas do contexto

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Sob risco de deixar o governo, o ministro Nelson Jobim (Defesa) negou na tarde desta quinta-feira que tenha se referido de forma pejorativa ao trabalho das ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil).

“Isso faz parte do jogo da intriga, da tentativa de desestabilizações. Ou seja, daquilo que passa pela cabeça de quem não percebe as necessidades do país”, afirmou Jobim após cerimônia de assinatura de acordo entre Brasil e Colômbia para aumento da fiscalização na fronteira entre os dois países.

De acordo com o ministro, suas declarações se referiam exclusivamente à discussão sobre a Lei de Acesso à Informações, em discussão no Senado, e foram tiradas do contexto.

Segundo reportagem da revista “Piauí”, cujos trechos foram antecipados pela

colunista Mônica Bergamo na edição de hoje da Folha, Jobim afirmou que a Ideli “é muito fraquinha” e que Gleisi “sequer conhece Brasília”. A edição da revista começa a circular amanhã.

“Absolutamente [fez as críticas]. Os comentários a que nos referíamos eram em relação ao projeto de lei sobre informações sigilosas. Em momento nenhum fiz referências dessa natureza. Aliás, reconheço em Ideli a capacidade e uma tenacidade importantíssimas na condução dos assuntos do governo”, afirmou Jobim, também negando ter dito que o governo faz trapalhada.

O vice-presidente Michel Temer, também presente à solenidade, defendeu o ministro, que integra o seu partido, o PMDB.

“O ministro Jobim declarou que o contexto era a lei de informações públicas. A ministra Ideli e a ministra Gleisi têm um apreço pelo ministro Jobim, que se apoia em incentivo e práticas de elogio”, disse o vice-presidente, completando: “Não haverá problema de nenhuma natureza. Reitero que o ministro Jobim não fez referência à pessoa ou à atuação da ministra A ou B, só em relação à aprovação do projeto de lei”.

O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), outro dos que foram a Tabatinga, comentou os rumores de que poderia substituir Jobim. “Há muita especulação. Meu trabalho é muito integrado ao do ministro Jobim. Qualquer coisa que se diga nesse momento é absolutamente especulação”.

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Dilma espera que Jobim peça demissão

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Nesta manhã, o Planalto avaliou que o melhor para o governo é que Jobim formalize um pedido de exoneração. Avalia que a demissão do ministro pela presidente poderia transformá-lo em vítima.

Dilma discutiu o assunto com ministros do Planalto. E esperava conversar com Jobim ainda hoje. Segundo a Folha apurou, ministros que haviam defendido sua permanência no ministério agora apoiam sua saída.

Dilma já leu a íntegra da entrevista e agora espera Jobim retornar de viagem para conversar com ele. Apesar de estar disposta a ouvir suas explicações, a presidente disse a interlocutores que, com mais esssa polêmica, fica muito difícil mantê-lo no cargo. Avalia, ainda, que a manutenção dele na pasta significa, no limite, concordar com a avaliação publicada na revista sobre as duas ministras.

A situação do ministro já havia ficado insustentável nos últimos dias após a declaração de voto. A revelação foi feita no programa “Poder e Política – Entrevista”, conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues no estúdio do Grupo Folha em Brasília. O projeto é uma parceria do UOL e da Folha.

Apesar disso, Dilma preferiu não tomar nenhuma atitude em meio a uma semana politicamente conturbada.

Jobim também causou constrangimento ao Planalto recentemente, na solenidade de homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, disse ser preciso tolerar a convivência com “idiotas”, que “escrevem para o esquecimento”. Ele explicou ter se referido a jornalistas, mas petistas entenderam como recado ao governo.

FONTES: UOL e Folha de São Paulo

NOTA DO EDITOR: abaixo, a agenda de hoje do Ministro Jobim, segundo o site do Ministério da Defesa:

Agenda do ministro da Defesa, Nelson Jobim, quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O ministro da Defesa encontra-se em viagem à Amazônia, onde pernoitou em São Gabriel da Cachoeira.

  • 09h00 – Decola para Tabatinga
  • 11h00 – Assinatura do Plano Binacional (8º BIS)
  • 13h30 – Deslocamento aéreo para 2º pef/8º BIS – Ypiranga
  • 14h00 – Visita ao 2º PEF/8º BIS – Ypiranga
  • 15h00 – Segue para Tabatinga
  • 16h00 – Decola para Cachimbo
  • 20h30 – Decola para Brasília

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 ATUALIZAÇÃO (17h30) – UOL

Planalto apressa volta de Jobim para Dilma demiti-lo

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A presidente Dilma Rousseff pediu ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que retorne a Brasília o quanto antes de sua missão oficial em Tabatinga, no Amazonas. O Ministério da Defesa estima que ele chegará por volta das 19h30 desta quinta-feira (4) – originalmente a volta estava prevista para as 22h.

Mais cedo, Dilma e seus principais ministros decidiram pela demissão do peemedebista por conta das mais recentes críticas dele à gestão da petista, desta vez à revista “Piauí”. Jobim está no Amazonas acompanhado do vice-presidente, Michel Temer, e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A presidente já busca nomes para substituí-lo.

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A presidente Dilma Rousseff deve demitir o ministro da Defesa, Nelson Jobim, nesta quinta-feira, segundo informou o colunista do GLOBO, Jorge Bastos Moreno, pelo Twitter . “Dilma, que havia adiado a saída de Jobim, não vai esperar mais ministro pedir demissão. Deve demití-lo até o fim do dia”, postou ele no microblog.

Nelson Jobim teria dito à revista “Piauí” que a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, é “muito fraquinha” e que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “nem sequer conhece Brasília”. A revista chega às bancas na sexta-feira e, segundo a “Folha de S. Paulo” , traz outra crítica de Jobim ao governo Dilma. Sobre a discussão do “sigilo eterno” de documentos, o ministro da Defesa ataca os governistas: “É muito trapalhada”.

Na semana passada, o ministro da defesa também provocou polêmica após dizer, em entrevista a Folha de S. Paulo , que tinha votado em Serra em 2010. A declaração provocou reação dos petistas e desconforto com a presidente Dilma. O ex-presidente Lula ainda defendeu Jobim , mas as novas declarações dadas à revista Piauí complicam ainda mais a situação do ministro.

FONTE: O Globo

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Temer é opção para a Defesa

Após desgaste por ter declarado voto em Serra, ministro Nelson Jobim faz juras de amor ao Palácio do Planalto e à presidente, mas Dilma estuda indicar seu vice para assumir a pasta

Denise Rothenburg e Ullisses Campbell

Nos últimos dias, a presidente Dilma Rousseff vem cogitando adotar no Ministério da Defesa a mesma saída à qual recorreu seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, quando perdeu seu ministro José Viegas, no fim de 2004: substituir o titular da pasta pelo vice-presidente da República. Na ocasião da demissão de Viegas, José Alencar assumiu o posto que Dilma agora pensa em dar a Michel Temer.

Ontem à noite, a presidente se reuniu com Temer por mais de uma hora. O peemedebista, entretanto, resiste à ideia. Seus fiéis colaboradores no partido têm dito a ele que, no papel de vice-presidente, está mais solto para cuidar da política. Como ministro, não teria tanto tempo assim. Além disso, Nelson Jobim não deseja deixar o cargo. Depois de ter irritado Dilma ao dizer que havia votado no adversário dela, José Serra, na eleição presidencial do ano passado, Jobim aproveitou uma entrevista dada ontem ao programa Roda viva, da TV Cultura, em São Paulo, para tentar reconstruir os laços com a presidente. Ele justificou a revelação de que votou no tucano alegando que “todo mundo sabia” das suas relações com o ex-governador paulista. “Não sou dissimulado. Sempre disse o que pensava e o que fazia”, destacou.

Jobim afirmou que gostaria de permanecer no governo e negou que a sua relação com a presidente tenha “azedado” depois de declarar abertamente que votou em Serra. O ministro também negou que exista pressão para que ele deixe o cargo. Em determinado momento da entrevista, fez algo raro: elogiou de forma exagerada a figura da chefe, até mesmo em momentos nos quais não havia contexto para tanto: “A presidente é extraordinária e minha relação com ela é ótima, não tem problemas”, disse, em tom enfático. O ministro afirmou ainda: “Estou no governo porque me dá prazer” e deixou claro que, se depender dele, não entrega o cargo. A entrevista foi veiculada na noite de ontem.

Jobim não trabalha com a hipótese de deixar o governo, tanto que falou de planos para a pasta, como a formulação de um texto legal que dê garantias para projetos de longo prazo do ministério que comanda. Segundo ele, são projetos considerados estratégicos por Dilma e que não devem ser interrompidos caso sejam alvo de contingenciamento orçamentário. O objetivo da medida, segundo o ministro, é assegurar o investimento do setor privado a projetos de longa maturação. “São projetos estratégicos que possam assegurar que o setor privado possa investir num prazo de 20 anos para o cumprimento de um determinado projeto que tenha maturação de 10 ou 20 anos”, explicou.

Sobre os escândalos no Ministério dos Transportes, Jobim disse que se trata de “ajustes” e que não enxerga uma crise. “Nós podemos pensar que o processo democrático é um processo tranquilo”, justificou. Segundo ele, não há problemas no fato de o governo examinar os contratos de obras em rodovias firmados por meio de convênio entre o exército Brasileiro e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A Procuradoria-Geral da Justiça Militar investiga suspeitas de fraudes nos empreendimentos, que envolveriam oito oficiais, num desvio de recursos públicos que teria chegado a R$ 11 milhões.

IRRITAÇÃO - A irritação de Dilma com Jobim não vem de hoje. Na China, ela chegou a conversar sobre os caças russos com o primeiro-ministro Vladimir Putin, sem falar com seu ministro. Quanto à homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em Brasília, há um mês, Jobim ressaltou no discurso que FHC “nunca levantou a voz para ninguém”. O comentário soou provocativo, porque Dilma tem fama de se alterar com os subordinados.

Ainda naquele pronunciamento, Jobim citou Nelson Rodrigues de uma maneira dúbia, que desagradou não só à presidente, como a todo o PT. “Ele (Nelson Rodrigues) dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento.” Na época, o ministro disse que havia se referido à imprensa.

FONTE: Estado de Minas

Por Jorge Bastos Moreno – BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff ainda não engoliu a recente declaração do ministro da Defesa , Nelson Jobim, e estava inclinada a demiti-lo. Esta semana, Jobim deu entrevista assumindo publicamente ter votado, nas eleições presidenciais do ano passado, no adversário da petista, o tucano José Serra. Alguns ministros e até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentam demover a presidente da ideia.

Nesta sexta-feira à noite, Dilma e Lula jantariam em Brasília. O assunto indigesto seria levado para a mesa. Neste sábado, a presidente terá uma conversa particular com Jobim no Rio, depois da solenidade de sorteio das chaves para a Copa de 2014.

Em evento no Rio nesta sexta-feira, Lula saiu em defesa de Jobim e tentou minimizar o assunto.

- Nunca me preocupei em perguntar aos meus amigos em quem votam. Voto é uma coisa sagrada, é secreto, e cada pessoa vota em quem quer. Jobim não foi convidado para o meu governo por causa do voto dele. Foi convidado para o meu governo pelo que poderia fazer no Ministério da Defesa. Um homem da qualidade do Jobim, da competência do Jobim, é o único que vi em condições de construir um Ministério da Defesa, de aprovar o plano estratégico da Defesa, e acho que isso foi feito – disse Lula.

Isso eu não admito

- Está cheio de gente que votou no Serra e gosta de mim hoje. Pode ter gente que votou em mim e gosta do Serra… A gente não pode fazer política achando que quem não votou na gente é pior do que quem votou.

Novas declarações de Jobim podem determinar sua saída

Na segunda-feira, o ministro da Defesa participa de um programa de entrevista na TV. Um auxiliar de Dilma admitiu que ela estava muito irritada e que novas declarações de Jobim sobre o tema podem levar a presidente a tornar oficial o que era ainda apenas um desejo.

Esta semana, em entrevista para o site da “Folha de S. Paulo”, Jobim admitiu que não votou em Dilma nem participou de sua campanha. Ficou afastado. Disse que, numa reunião da coordenação política, ainda no governo Lula, tocou no assunto. Alegou que não poderia gravar mensagem de apoio à candidatura de Dilma por ser amigo de Serra. Por ser ministro do governo petista, também estava impedido de fazer campanha para o tucano. Lula, segundo Jobim, teria concordado em não o envolver na campanha presidencial.

Os petistas não gostaram. O secretário de comunicação do partido, André Vargas (PR), vem criticando Jobim no Twitter. Outros fizeram coro.

Dilma acha que Jobim está reiteradamente desafiando a sua autoridade de presidente.

- E isso eu não admito – teria dito ela.

Oficialmente, o Planalto sustenta que a saída de Jobim não está em discussão. O vice-presidente Michel Temer também diz que não é caso para tanto. Segundo um amigo, Dilma poderá superar o episódio se Jobim tiver a modéstia de procurá-la para pedir desculpas.

- Ela pode se derreter. A raiva dela passa logo – comentou esse amigo.

Fonte: O Globo

 

 

Ministro da Defesa desde 2007, nos governos petistas de Lula e Dilma, Nelson Jobim votou no tucano José Serra na eleição presidencial do ano passado. A afirmação é do próprio Jobim, que garantiu no entanto que Dilma sabia de sua escolha.

A declaração foi feita em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo. O jornal publica a entrevista nesta quarta-feira (27). Ao comentar seu afastamento da campanha eleitoral em 2010, Nelson Jobim falou sobre uma reunião de articulação política do governo, na qual externou sua impossibilidade de fazer campanha para Dilma Rousseff.

“Em uma reunião de articulação do governo, da qual eu participava, eu levantei o seguinte problema. Eu disse: ‘Olha presidente (Lula), eu estou com um problema. De um lado, por razões pessoais eu não tenho condições de fazer campanha para a ministra Dilma, uma vez que sou amigo íntimo do Serra. (…) Por outro lado eu tenho também um impedimento de natureza institucional de fazer campanha para o Serra”. (…) Aí o Lula disse: “Olha Jobim, fique fora disso. Eu sei claramente das suas relações com o Serra. Sei que você tem uma amizade íntima com o Serra de muitos anos”. E avisou ao Padilha: “Olha, não envolvam o Jobim na campanha”. E eu votei no Serra”, contou o ministro da Defesa.

Nelson Jobim garantiu, ainda, que Dilma tinha ciência da escolha do ministro. “Ela sabia”, disse Jobim. “O problema é quando você esconde, fica fazendo dissimulações. Daí dá problema. Eu não costumo fazer dissimulações, então não tenho dificuldades”, completou.

Sobre a permanência ou não no governo federal, Jobim citou o sambista Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar”. “Se a gente fica tentando marcar prazos e tempos só cria problemas e você não cria soluções. Então deixa as coisas correrem. As coisas vão andando. No momento em que as coisas resolverem sair, sai”, afirmou.

Na entrevista, Jobim também voltou a afirmar que a maioria dos documentos sobre a ditadura militar foram queimados, e que não seria possível mais apurar as responsabilidades pela destruição dos arquivos.

“Internamente não. Não tem como. Como você não tem formalização do processo de incineração, você não tem como identificar de quem partiu o ato”, disse o ministro da Defesa.

FONTE: Jornal Sul 21

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Batalhões de Engenharia do Exército que tocam projetos em rodovias federais são o novo foco de desvio de dinheiro público. Justiça Militar e MP apuram denúncias

Procuradoria de Justiça Militar, Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União apuram o envolvimento de militares em fraudes nas obras do PAC

Investigações revelam um novo braço de fraudes e irregularidades nas obras do Programa de Aceleração de Crescimento, o PAC: os Batalhões de Engenharia do Exército. A Procuradoria de Justiça Militar, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União apuram o envolvimento de militares no roubo de materiais de construção, favorecimento de empresas, direcionamento de licitações e atrasos. O Exército brasileiro tornou-se uma das grandes empreiteiras do PAC com participação em obras de relevância nacional, como rodovias, aeroportos e o Projeto da Transposição do Rio São Francisco. O orçamento verde-oliva é superior a R$ 2 bilhões e pelo menos 2,7 mil homens atuam nos canteiros.

Uma das principais obras do PAC, a duplicação da BR 101, no Nordeste do país, foi dividida em seis lotes. Cinco estão nas mãos de empreiteiras, com fortes indícios de fraude, má execução e pagamento de propina, como aponta a Polícia Federal. O último lote é executado pelo 2º Batalhão de Engenharia do Exército. A Procuradoria de Justiça Militar em Recife já denunciou militares envolvidos com o furto de material de construção em alguns trechos da obra. O delito torna-se mais grave em obras públicas e que se arrastam há anos. A previsão era de que a obra ficasse pronta no fim de 2011, mas os próprios órgãos do governo federal atestam que o cronograma está comprometido. Entre as justificativas, a devolução de um lote, antes sob responsabilidade do Exército, para a iniciativa privada.

A BR 163, na divisa do Mato Grosso e Santarém, no Pará, também é feita no modelo que mescla lotes militares e privados. O 8º Batalhão de Engenharia de Construção controla cerca de 1.000km, entre Santarém e Rurópolis, também no Pará. Cinco convênios foram firmados entre o Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) e Exército para a construção da rodovia, somando mais de R$ 300 milhões. O último relatório do TCU aponta sobrepreço de serviços — num total de R$ 5,6 milhões — e deficiência por parte do Dnit na prestação de contas. O tribunal também já identificou irregularidades na atuação dos militares nas obras da Transposição do São Francisco.

Laranjas

A organização criminosa — denunciada pelo Ministério Público Militar no mês passado pelo desvio de R$ 11 milhões do Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro — manteve o “bem-sucedido” modus operandi para abocanhar também contratos do PAC. Relatórios do Ministério Público mostram que um coronel e um major do Exército, denunciados como cabeças do grupo, ficaram responsáveis por convênios entre o Departamento de Engenharia e Construção e o Dnit.

O grupo atuava em conluio com uma rede de empresários e laranjas. Segundo a denúncia da Procuradoria Militar, o coronel, que serviu ao IME de 1991 a 2005, tinha contato direto com dirigentes do Dnit e precisava de alguém de confiança e que tivesse conhecimento administrativo. Conseguiu, então, autorização para a liberação do capitão. Os dois aproveitaram a relação com dois empresários, que criaram seis empresas, para atender aos convênios.

“Isso obviamente não foi por acaso, eis que Marcelo e Edson (os empresários) eram sócios de empresas que forneciam bens e serviços no IME, principalmente no período em que o major Washington era chefe do setor de materiais (almoxarifado), considerando-se ainda que este oficial é concunhado de Edson”, aponta denúncia do Ministério Público, completando que o relacionamento deles não era estritamente pessoal. As empresas por eles constituídas eram formada por pessoas humildes, de baixo nível de escolaridade e com pequena renda familiar, inclusive moradores de áreas carentes e de risco. A denúncia foi recebida pela Justiça Militar, que autorizou o sequestro de bens de 10 dos 15 denunciados. A evolução patrimonial do grupo era incompatível com a renda.

Pelos ares

No Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, as obras estão sendo realizadas pelo 1º Batalhão em convênio com a Infraero. Já foram investidos R$ 250 milhões em projetos de terraplanagem, pista de pouso, taxiway e pátio de aeronaves. O TCU apontou problemas nos preços dos materiais e nos contratos. A Infraero afirma que as readequações de preços já foram feitas. Desde o ano passado, inquéritos estão em andamento para apurar as irregularidades. No estado, o Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar a formação de caixa 2, o uso pessoal das máquinas e até mesmo o aluguel do maquinário em outras operações do Exército.

Exército nega

De acordo com o Centro de Comunicação Social do Exército, não há indícios de prática de irregularidades por parte de militares nas obras do PAC a cargo do Exército. Entretanto, segundo a assessoria de imprensa militar, o Tribunal de Contas da União (TCU) e os órgãos de controle interno da Força identificaram problemas de execução em algumas obras. Entre elas, a BR 319, no Amazonas, em que há necessidade de revisão do projeto e de retrabalho de pavimentação de alguns trechos; e a BR 101, no Rio Grande do Norte e na Paraíba, onde foi constatado o atraso nas obras em razão de desapropriações, além da necessidade de revisão do projeto.

Inteligência

O Centro de Inteligência do Ministério Público Militar em Brasília prepara um reforço para a atuação de controle e prevenção de crimes militares. O grupo, sob o comando da procuradora Ione de Souza Cruz, fornece informações para as unidades da Procuradoria em todo o país, especialmente na análise de patrimônio e sociedades empresariais.
A partir de agosto, o centro terá programas de computador para facilitar cruzamento de dados e ampliar ações na área de inteligência.

FONTE: Correio Braziliense

As queixas de Lula

Rubem Azevedo Lima

Com cada vez mais rancor, o ex-presidente Lula reclama da imprensa, que o critica até hoje, passados quase sete meses do fim de seu mandato.

A rigor, Lula age como se ainda governasse o país. Segundo alguns áulicos, ele telefona, com frequência, para a presidente Dilma ou procura encontrar-se com ela, coisa que nunca um ex-presidente fez com o sucessor, como diria o próprio Lula, em seus autoelogios freudianos.

Para ajudar Dilma, Lula faria melhor se ficasse na obscuridade. Disso, porém, ele gosta até menos do que dos críticos que o azucrinam, pois estes, ao citarem-no, ainda lhe dão oportunidade de aparecer.

Dia a dia, Dilma, sua herdeira política, tropeça nos malfeitos de Lula, que a perturbam, ou nos não feitos por ele, ao bajular os movimentos sociais, em geral cooptados com favores abusivos.

Agravaram-se, por isso, nossas mazelas políticas, parlamentares, sindicais, ambientais, culturais, rodoviárias, aeroviárias, a segurança pública, a saúde e a educação. Destas duas desviaram-se 70% de seus recursos! Dilma gastará muito tempo, corrigindo o que Lula fez de errado. A sujeira que ele deixou no Dnit exige dela que mande fazer o mesmo em todas as outras áreas da administração pública para limpar o Brasil o mais completamente possível.

Tudo isso, mais a gastança do antecessor e a indicação de ministros corruptos para o ministério de Dilma — três já foram demitidos — constitui a pesada herança do ex-presidente. Ele, além do alto custo com que manteve suas alianças no parlamento, aplicou dinheiro em empréstimos favorecidos ou doações a países pobres, pensando em obter deles apoio para ganharmos uma cadeira cativa na cúpula da ONU.

Nesse particular, Lula não hesitou em fazer acordos até com ditadores, desmoralizando as melhores tradições de nossa política de relações internacionais e o espírito da Constituição cidadã de 1988, no tocante aos regimes de exceção.

Pesados o positivo e o negativo dos dois mandatos de Lula, Dilma sabe: hoje, logrado pela propaganda oficial de obras e conquistas não feitas, o Brasil está no vermelho moral frente ao seu povo. Essa é a sua dívida.

FONTE: Correio Braziliense

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