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Trechos da entrevista de Juan Luis Cebrián, Presidente do Grupo Pisa (El País) e seu cofundador, à Folha de SP (11).


1. A pergunta mais importante é “um jornal pode migrar para a rede?”. Até agora a resposta tem sido negativa. Não houve veículo que foi capaz de fazer essa migração. O problema está no fato de que um jornal na internet não é um jornal, é uma outra coisa. Sou radical nesse sentido, inclusive quando falamos da credibilidade das marcas. Até agora nenhuma das marcas tradicionais da imprensa escrita foi capaz de migrar para as operações virtuais com sucesso.

2. A rede é algo que se constrói a partir da experiência dos usuários. O Twitter, por exemplo. Jack Dorsey nunca imaginou que ele se tornaria um sistema de transmissão de notícias ou para convocar grandes manifestações. Dorsey inventou o Twitter porque gostava de fazer mapas e não sabia como colocar as pessoas nos mapas que fazia. O Facebook não nasceu para ser uma rede social. Provavelmente Mark Zuckerberg não teorizou a ideia de uma rede social. Enquanto o Google nasceu com a intenção de ser um buscador mais potente, nada mais.

3. O que determinou a transformação desses sites foi o uso que as pessoas fizeram deles. Não foi a decisão dos que desenharam os programas que determinou seu destino, mas sim a experiência dos usuários que construíram essa força na internet.

4. Os diários já não dão notícias. Todo mundo já sabe as notícias quando vai ler os jornais. Os jornais explicam, fazem análises, debatem. O competidor da Folha não é o “Estado de S. Paulo”, é o Google, o Facebook, estes são nossos competidores reais. E não queremos admitir porque não sabemos como competir com eles.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

 

WASHINGTON — O novo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, prometeu nesta sexta-feira manter o Exército americano como o “mais forte” do mundo, apesar das restrições orçamentárias, depois de prestar juramento no cargo.

“Como seu líder, garantirei que nosso país continue tendo o exército mais bem treinado, mais bem equipado e mais forte do mundo – uma força preparada para enfrentar os desafios que nos apresentam”, escreveu Panetta em sua primeira mensagem às tropas depois de jurar por seu cargo no Pentágono.
“Em um momento no qual os Estados Unidos enfrentam problemas de ordem orçamentária, nosso exército não será fraco enquanto eu estiver neste posto”, completou.

Panetta, 73 anos, diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), chegou ao Pentágono às 08h38 locais (09h38 de Brasília) – com oito minutos de atraso – a seu primeiro dia como secretário de Defesa.

O tenente John Kelly, que de agora em diante será um de seus colaboradores mais próximos, o aguardava nas escadarias do edifício.

“Bem-vindo a bordo, senhor”, disse Kelly enquanto o cumprimentava.
Panetta assume o posto de secretário de Defesa em um momento em que diversas vozes se elevam para reduzir os gastos públicos, incluindo aqueles gerados através do enorme orçamento para a Defesa.

Reconhecendo que haverá de tomar “decisões orçamentárias difíceis”, Panetta disse querer “preservar a excelência e a superioridade de nossas forças armadas” e buscar paralelamente formas de economizar dinheiro.

O orçamento americano para a Defesa de 2012 é de 671 bilhões – o que representa mais de 40% dos gastos militares mundiais – dos quais 118 bilhões financiam o conflito no Iraque e Afeganistão.

O porta-voz do Pentágono, Douglas Wilson, disse que o orçamento será “um tema importante na agenda” de Panetta, mas que o próximo secretário da Defesa “acredita que não há uma verdadeira opção entre responsabilidade fiscal e segurança nacional”.

“Ele tomará isso muito seriamente. Ele sabe que há decisões muito difíceis que terão de ser tomadas”, disse Wilson na quinta-feira.

Em sua declaração, Panetta falou sobre a guerra no Afeganistão que se prolongou por quase 10 anos e sobre a retirada das tropas americanas este ano.

“Nossa nação está em guerra. Devemos prevalever contra nossos inimigos”, disse Panetta.

Panetta disse que os Estados Unidos “devem manter-se comprometidos a trabalhar estreitamente com nossos aliados afegãos e interrogá-los para nos assegurar que nunca mais (o Afeganistão) se torne um refúgio para a Al-Qaeda e seus aliados”.

FONTE: AFP

BRASÍLIA – Depois de receber o aval do Itamaraty para acabar com o sigilo eterno de informações oficiais, a presidente Dilma Rousseff foi informada pelo Ministério da Defesa que os militares não têm mais qualquer restrição à proposta, já aprovada pela Câmara, que libera para consulta pública os documentos classificados como ultrassecretos, após 50 anos. Com o aval dos dois setores que até então se opunham à divulgação, Dilma bateu o martelo e, mesmo com resistências de setores da base aliada, o governo vai apoiar o texto aprovado pelos deputados.

Na última segunda-feira, a presidente almoçou com os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e de Relações Exteriores, Antonio Patriota, e pediu uma avaliação do impacto da proposta da Câmara nas informações oficiais. Antes do feriado de Corpus Christi, os dois ministros voltaram a se encontrar com a presidente e entregaram os pareceres indicando que a liberação dos papéis ultrassecretos não traria problemas para o país.

A proposta da Câmara – contestada pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) , e pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) , relator na Comissão de Relações Exteriores – classifica como ultrassecretos os documentos relativos a fronteiras, soberania nacional e relações externas. Esses papéis oficiais são protegidos por 25 anos, renováveis por mais 25 anos, segundo o texto aprovado pelos deputados. No projeto original, não havia limite para a renovação.

Na época em que o projeto de lei foi elaborado, a presidente era ministra da Casa Civil e coordenou o debate no governo. Dilma foi voto vencido. A proposta do governo seguiu para o Congresso em 2009, com classificação dos documentos e prazos de sigilo conforme a categoria: reservado (cinco anos), secretos (15 anos) e ultrassecretos (25 anos, sem limite para renovação). A presidente defende a liberação da consulta às informações públicas.

O Itamaraty na época apresentou restrições à liberação de documentos ultrassecretos, por causa das negociações para definição das fronteiras brasileiras, especialmente devido aos entendimentos relativos à compra do Acre do governo boliviano, em 1903. A Defesa também levantou questões de segurança nacional envolvendo planos militares e tecnologias desenvolvidas no país.

Pela proposta do governo, a classificação dos documentos será feita por uma comissão do governo e da sociedade. As regras valerão para o Executivo, Legislativo e Judiciário. A Controladoria-Geral da União será responsável pela análise dos pedidos negados pelos órgãos de origem.

O projeto estabelece ainda regras de acesso a informações públicas atuais. Ou seja, os órgãos públicos serão obrigados a fornecer dados solicitados por qualquer cidadão desde que o documento não esteja sob sigilo. O cidadão não precisará justificar para qual fim se destina a consulta. Essa norma implicará uma mudança cultural nos órgãos públicos, que muitas vezes dificultam o acesso a documentos oficiais.

Esta semana, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ao falar sobre a possibilidade de veto ao sigilo eterno, disse que Dilma respeitaria a decisão do Congresso. Mas ressalvou que a presidente não aceitaria restrições de acesso às informações relativas a direitos humanos.

Atualmente um decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, editado em 2002, regula a divulgação de documentos públicos. Os papéis passam por uma quarentena de no mínimo cinco anos, antes de serem liberados para consulta. Eles são classificados em: reservado (cinco anos), confidencial (dez anos), secreto (20 anos) e ultrassecreto (30 anos). A proteção dos ultrassecretos pode ser renovada para sempre. (Luiza Damé)

FONTE: O Globo

Colômbia e Brasil negociam um acordo de segurança para evitar o uso da fronteira entre os países como refúgio para traficantes de drogas e grupos armados, além da exploração irregular de recursos naturais, disseram nesta sexta-feira os ministros da Defesa de ambos os governos.

Os dois vizinhos compartilham uma fronteira de 1.645 quilômetros na floresta amazônica, em uma região onde existe presença de guerrilheiros, traficantes de cocaína e exploração ilegal de minas de ouro.

“A fronteira tem que ser a divisão no término territorial de dois países, mas não pode continuar sendo um instrumento de proteção da criminalidade”, disse o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, que se reuniu em Bogotá com o ministro colombiano Rodrigo Rivera.

Os ministros negociam as bases de um acordo de segurança que aperfeiçoa e amplia tratados anteriores e que deve ser firmado nos próximos meses.
Jobim disse que Colômbia e Brasil têm a possibilidade de dar um exemplo de integração para defender os recursos da floresta amazônica e disse que a criminalidade não pode ser combatida de forma isolada.

O ministro colombiano Rivera afirmou que os governos de Brasil e Colômbia querem que as Forças Armadas de ambos os países possam compartilhar informações de inteligência, recursos e inclusive operações para proteger a Amazônia.

“São recursos que pertencem a nós, que temos a obrigação de preservar e defender para nossos países, e também para toda a humanidade”, disse o ministro da Defesa da Colômbia.

“A cooperação é decisiva para que os delinquentes não encontrem uma retaguarda ilimitada no território dos países vizinhos, nem no caso do Brasil nem no caso da Colômbia, e possamos enfrentá-los com muito maior eficiência”, acrescentou.

Os ministros também falaram sobre a possibilidade de integrar suas indústrias militares com outros países da América do Sul para desenvolver projetos como a fabricação de aviões de transporte de tropas.
“O projeto busca que a América do Sul possa ter uma base industrial de defesa, que a integração seja do subcontinente e não exclusivamente de um país”, disse Jobim. (Reportagem de Luis Jaime Acosta)

FONTE: Terra/Reuters

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O grupo Lulz Security, após se unir ao coletivo de “hackativismo” Anonymous, abriu uma filial brasileira, a Lulz Security Brazil. A nova ofensiva hacker forçou a invasão de sites da Presidência da República (www.presidencia.gov.br), da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br) e do Portal Brasil (www.brasil.gov.br), mas não conseguiu acessar bancos de dados, segundo informações do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados).

O grupo promete ainda uma nova rodada na tarde desta quarta-feira. No Twitter, o perfil brasileiro @LulzSecBrazil diz que os ataques são em protesto contra a corrupção e prometem dar dor de cabeça aos representantes do governo.

“Por longos anos o nosso governo corrupto vem nos roubando. Chegou a hora do contra-ataque”, diz o post que traz também a hashtag #AntiSec utilizada para marcar os tuítes sobre as ofensivas hackers do grupo.

Às “13:00h / Preparem-se…”, afirmou o @LulzSecBrazil, prometendo um dia agitado. “O governo está caindo. Esperem por mais ataques ainda hoje…”, escreveu.

FONTE: Da Agência O Globo

Este ano, dezenove países do continente americano participam das competições militares “Fuerzas Comando 2011”, que tiveram início no dia 15 de junho. Uma equipe de militares da Brigada de Operações Especiais, representa o Exército Brasileiro no evento.

Cerca de 138 militares chegaram ao solo salvadorenho com o objetivo de vencer essa competição de tropas de operações especiais, que inclui provas físicas, tiro de fuzil e pistola, pista de obstáculos, marcha forçada de 17 quilômetros com 14 quilos de peso, salto de paraquedas, entre outras atividades.

Participam da disputa os seguintes países: Bahamas, Belize, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai, Jamaica, República Dominicana e Trinidad e Tobago, além de observadores de Antígua, Haiti, Guiana, Canadá e México.

O primeiro evento foi realizado em 2004 e no ano de 2009 a equipe do Exército Brasileiro sagrou-se campeã.

FONTE: EB

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Quase mil militares tiveram os seus dados cadastrais expostos

Hackers brasileiros vazaram neste sábado (18) informações de quase 1 mil membros do Exército Brasileiro. O ataque foi feito pelo Fatal Error Crew – mesmo grupo que atacou o site da presidência da República no início deste ano. Eles próprios fizeram a divulgação para a imprensa, enviando por e-mail um link com vários dados de funcionários da Força Armada.

As informações vazadas pelo Fatal Error Crew contêm o nome, número de CPF, função e um número que, supostamente, tem relação com o cadastro militar de funcionários da corporação. Os dados foram adquiridos por meio de um ataque à base de dados do “Gestor de Controle de Distribuição da Água”.

Consultado sobre a divulgação de informações nesta segunda-feira (20), o Centro de Comunicação Social do Exército informou que o Centro de Coordenação para Tratamento de Incidentes de Rede do Exército já está trabalhando no caso e que os dados não comprometeram a página principal da Força Armada.

Eles conseguiram as informações de um banco de dados do Exército a partir de um ataque conhecido como injeção de SQL. Esse tipo de ação consiste, basicamente, na exploração de falhas que levam usuários avançados de programação a acessar o que quiserem dentro de um banco de dados.

Apesar da divulgação das informações, o grupo, consultado pela reportagem, afirmou que não usará os dados para o mal. “Nós só queríamos expor a falta de segurança dos servidores do Exército Brasileiro.” Além disso, um dos membros do grupo, afirmou que essa não foi a primeira vez em que eles conseguiram acessar dados do órgão e que vários outros sites do Governo do Brasil são vulneráveis.

FONTE: UOL Tecnologia

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Blindados do CFN marcaram presença no local

Sem tiros e sem baixas, o morro da Mangueira, no Rio de Janeiro, foi tomado este final de semana, numa operação que durou cerca de cinco horas, por 750 homens das polícias Civil e Militar, além de fuzileiros navais.

Parte deles subiu a favela protegida em 14 veículos blindados, seis deles da Marinha e não houve reação do tráfico.

A favela, berço da Estação Primeira de Mangueira, é a 18ª a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora no Estado (UPP) e foi classificada pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, como um “local complexo, histórico”.

“Dificilmente as instituições policiais entravam numa área dessas sem haver troca de tiros.

Hoje se conseguiu isso sem disparar um tiro, sem ferir ninguém. A polícia chega mais uma vez para ficar”, afirmou Beltrame.

O secretário defendeu a estratégia de “guerra anunciada”, em que a ocupação tem hora marcada para começar.

“Hoje foi devolvido um território para 20 mil pessoas. Essa é indiscutivelmente uma vitória. A saída dessas pessoas (traficantes) as deixa vulneráveis, porque o espaço de actuação diminui e elas saem das áreas onde tinham domínio. E a polícia, atenta, vai atrás”, afirmou o secretário, que citou a prisão de Luiz Carlos Santino da Rocha, o Playboy, na semana passada, suspeito de ter derrubado um helicóptero da PM, em 2009.

A ocupação começou às 6 horas, antes de o dia amanhecer. Quatro helicópteros, dois deles blindados, sobrevoaram o morro e transmitiram imagens da favela para um centro de comando do Exército. Em seguida, os blindados subiram por diferentes acessos da Mangueira. Na entrada do Buraco Quente, onde funcionava a principal boca de fumo, moradores estenderam um pano branco com a palavra “paz”.

FONTE: Angolapress

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Com a regra, não será possível saber se as obras estouraram ou não o orçamento; governo diz que é “flexibilização”

Brasília. O plenário da Câmara aprovou, por 272 votos a 76, a Medida Provisória (MP) 527/11, que cria mecanismo para manter em sigilo os gastos com obras para a Copa das Confederações de 2013, Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

A MP foi aprovada na forma do projeto de lei de conversão do deputado cearense José Guimarães (PT), mas os deputados analisarão cinco destaques da oposição na última terça-feira (28) do mês. Assim, o texto-base ainda pode ser modificado.

A decisão foi incluída de última hora no novo texto da MP 527, que cria o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), específico para os eventos. Segundo o Ministério das Relações Institucionais, a intenção já estava “implícita” no texto anterior e a mudança apenas deixou “mais clara”. Com a MP, não será possível afirmar, por exemplo, se a Copa de 2014 estourou ou não o orçamento. Ou seja, não haverá limite para o aumento de custos além do valor original. Atualmente, o mecanismo é aplicado em gastos dos cartões corporativos da Presidência da República e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Dos 14 deputados cearenses presentes na sessão, apenas Raimundo Gomes de Matos (PSDB) votou contra a proposta. De acordo com o governo, o regime foi inspirado na legislação britânica – os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2012 serão em Londres, na Inglaterra. A Lei de Licitações (8.666/93) continua em vigor e será usada subsidiariamente ao RDC.

Segundo Guimarães, o novo regime dará oportunidade ao Brasil para realizar melhor as obras desses eventos esportivos. “Ao incluir esse regime na MP, estou certo de que faço um grande serviço ao Brasil”, afirmou Guimarães.

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), afirmou que “na verdade, o que há é uma flexibilização do sistema de licitação”. Segundo ele, sem prejuízo de fiscalização.

´Caixa-preta´

Para os deputados oposicionistas, a MP “abre brecha” para a corrupção”. “Na prática, esse artigo vai criar uma caixa-preta dos gastos públicos e colocará o Brasil na contramão da tendência mundial de busca pela transparência. Ampla publicidade dos gastos públicos é um dever do Executivo previsto no artigo 37 da Constituição”, afirmou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), que apresentou destaque para retirar da MP todos os textos referentes ao RDC.

VIOLAÇÃO DE LEI

Procurador-geral afirma que projeto é ´absurdo´

Brasília. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou, ontem, que a mudança no projeto que criou o Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para obras da Copa e das Olimpíadas é absurdo.

“É pouco dizer que seria uma coisa absurda, escandalosamente absurda. Você não pode ter despesa pública protegida por sigilo”, destacou Gurgel.

Segundo o procurador-geral, os interessados na aprovação do projeto estão buscando meios de contornar as exigências legais, uma vez que as obras estão muito atrasadas.

Gurgel também defendeu que o argumento de que os eventos são grandiosos e que por isso merecem flexibilizações é inválido. “Na verdade eu acho que um evento grande impõe que cuidados sejam redobrados”, disse.

Segundo o procurador, essa é uma oportunidade para que o Congresso aprove a lei de acordo com o que permite a legislação brasileira. Ele acredita que as mudanças foram tantas que acabaram inviabilizando a licitação, que é uma exigência legal.

Em maio, um parecer do Ministério Público Federal classificou de “inconstitucional” o texto da medida provisória. De acordo com o parecer, a proposta violava os princípios da “competitividade, isonomia e da impessoalidade”.

FONTE: Diário do Nordeste

O vice-presidente Michel Temer defendeu nesta quinta-feira (16), em Recife (PE), a manutenção do sigilo eterno de documentos oficiais classificados como ultrassecretos e a liberação dos atos secretos, confidenciais e reservados após um prazo determinado.

“A discussão que está se pondo é a seguinte: nos casos dos atos ultrassecretos, dos pontos mais graves para o país apenas três hipóteses seriam passíveis de prorrogações em função do sigilo”, afirmou Temer, referindo-se aos assuntos de fronteira, de segurança nacional e relações internacionais.

“E não significa sigilo eterno, porque daqui a 25 anos pode-se entender que nem essas três hipóteses devam ser mantidas em sigilo. Então, é preciso colocar as discussões nos seus parâmetros corretos. Não é o sigilo de todo e qualquer documento, só dos atos ultrassecretos e, dentre eles, alguns pontos”, disse o vice-presidente.

“Em relação aos atos em geral, eu sou a favor do sigilo por um prazo determinado, e não mais do que isso.”

A posição do líder peemedebista é a mesma da presidente Dilma Rousseff e contrária à bancada do PT no Senado, que defende o fim do sigilo eterno dos documentos ultrassecretos.

Projeto enviado há dois anos pelo governo Lula ao Congresso reduz de 30 para 25 o prazo do sigilo dos papéis ultrassecretos, mas permite a renovação por igual período, indefinidamente.

Emenda aprovada em 2010 na Câmara estabelece, porém, que a renovação do sigilo só pode ocorrer uma vez, o que limita ao máximo de 50 anos o prazo para a liberação das informações.

O governo quer derrubar a emenda no Senado, mas o PT é contra. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, considera o sigilo eterno inconstitucional.

GASTOS COM A COPA

Em Recife, onde participou da abertura de um seminário sobre a reforma política, Temer negou que o sigilo imposto pelo governo às informações sobre os orçamentos para as obras da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos no Brasil, noticiado hoje pela Folha, dificulte a fiscalização dos gastos.

“Na verdade, o que há é uma flexibilização do sistema de licitação, mas com ampla fiscalização”, afirmou ele. “Não significa que não vá haver fiscalização em função dessa flexibilização.”

A decisão de manter em segredo os orçamentos foi incluída na medida provisória 527. Com a mudança, o público não saberá se os valores contratados estão acima ou abaixo do previsto. Apenas órgãos de controle receberão os dados, e quando o governo quiser.

FONTE: Folha Online

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