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Polícia foi acionada após tiroteio entre traficantes no Morro dos Macacos. Piloto foi baleado e três oficiais sofreram queimaduras após explosão

Um helicóptero da Polícia Militar explodiu após pouso forçado durante operação no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, neste sábado (17). O piloto foi baleado e teve problemas na aterrissagem. A aeronave explodiu na sequência, mas ele e os outros três oficiais conseguiram sair com queimaduras. A polícia foi acionada após moradores relatarem intenso tiroteio no local por volta da 1h30, após uma facção rival, do Morro São João, tentar invadir a favela. Três corpos foram encontrados, segundo a PM. Policiais do 6º BPM (Tijuca) estão no local, com o apoio do veículo blindado da Polícia Militar.

Seis feridos em Benfica

Seis pessoas ficaram feridas num confronto com criminosos na noite de sexta-feira (16), na Favela Parque Arará, em Benfica, no subúrbio. As informações são do Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), também no subúrbio, para onde as vítimas foram levadas. Entre as vítimas há dois adolescentes e uma criança. O tiroteio teria começado por volta das 19h30. De acordo com o comandante, policiais militares do 22º BPM faziam patrulhamento de rotina na Avenida Dom Hélder Câmara, próximo a Avenida Leopoldo Bulhões, quando desconfiaram de cerca de dez homens que deixavam a favela. Ao perceberem a presença dos policiais, os traficantes atiraram e iniciaram o tiroteio. Segundo a Polícia Militar, três criminosos foram mortos, entre eles um homem apontado pela polícia como o chefe do tráfico de drogas da comunidade.

Criminosos lançam granada

Ainda de acordo com o comandante do 22º BPM, após o confronto, os criminosos retornaram ao local e lançaram uma granada para dentro da Favela Parque do Arará. O artefato explodiu e feriu um policial militar, uma menina de 6 anos e um adolescente, de 16. Os três também foram socorridos no Hospital Geral de Bonsucesso. Um homem e um outro adolescente ficaram feridos por estilhaços de granada e foram levados para o Hospital Central do Exército, em Benfica. Em seguida, de acordo com a polícia, eles foram encaminhados para o Hospital Geral de Bonsucesso. Ainda não há informações sobre o estado de saúde das vítimas.

Espingarda e granadas apreendidas

De acordo com o tenente-coronel Amaury Simões, os criminosos pretendiam praticar uma série de roubos na região de Manguinhos, também no subúrbio. Com os mortos, a polícia apreendeu três pistolas, uma espingarda calibre 12, quatro granadas e drogas. Policiais do 22º BPM reforçaram a segurança nas avenidas Dom Helder Câmara, Leopoldo Bulhões e Brasil. O policiamento nos principais acessos à favela também foi reforçado.

Policiais morrem em queda de helicóptero

A secretaria de segurança acaba de confirmar que dois policiais morreram e três ficaram feridos na queda de um helicóptero, durante sobrevoo no Morro do São João, no Engenho Novo. A aeronave fazia uma incursão no local, já que bandidos do Morro do São João invadiram o Morro dos Macacos, em Vila Isabel. FONTE: G1/Extra / FOTO: Fabiano Rocha-Jornal Extra

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A Assembleia Nacional (Congresso) da Venezuela aprovou ontem uma reforma para a Lei Orgânica da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), que permite a incorporação das milícias às entidades de defesa do país.

A nova lei modifica o nome das instituições militares, agregando o termo “bolivariano” à milícia e às Forças Armadas.

Assim, a Milícia Bolivariana será composta pela Guarda Territorial e os Corpos Combatentes e estará sob o comando do presidente da República, segundo informou o deputado governista Juan Mendoza.

“Por meio deste instrumento [legal] surge a Milícia Bolivariana, corpo especial que será treinado e integrado em todas as áreas em que for necessária sua atuação”, destacou o parlamentar.

Mendonza disse ainda que a lei baseia-se no princípio da co-responsabilidade da sociedade na defesa da nação e torna real a fusão cívico-militar, reiterada diversas vezes pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O deputado de oposição Ismael García, no entanto, denunciou que a reforma viola a Constituição e torna “uniforme” a militância do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). “A Constituição não autoriza este ou qualquer outro governo a uniformizar a militância de seu partido para ser chamada de milícia. Esse é o cenário do que aconteceu”, disse García.

O parlamentar indicou que os quatro componentes das Forças Armadas são o Exército, a Aeronáutica, a Marinha e a Guarda Nacional, e nem o Congresso, nem qualquer outro organismo tem a faculdade constitucional para agregar outro elemento às entidades militares.

García denunciou ainda que esta reforma já foi rejeitada pelos venezuelanos, quando houve um referendo sobre uma reforma constitucional de proposta por Chávez.

A primeira rejeição popular à proposta de reforma, que previa também a criação da milícia, foi proposta por Chávez em dezembro de 2007. Em julho de 2008, o presidente pôs em vigor, por meio de decreto, a lei que renomeou as Forças Armadas do país e institucionalizou a milícia bolivariana.

FONTE: ANSA

 

O Estado Maior de Defesa do Brasil recebeu ordem para preparar um plano de contingência para o caso de a crise em Honduras recrudescer. Se houver necessidade de resgatar brasileiros que estejam em solo hondurenho, uma operação logística já está sendo montada.

O governo não vai divulgar detalhes desse plano de contingência, mas a ordem já foi dada no Ministério da Defesa. Aeronaves, pessoal e recursos terão de ficar à disposição para agir de maneira rápida e eficiente em algum momento que seja necessário.

A preparação desse plano é quase uma rotina em situações de crise como a atual. Não significa que o Brasil pense em usar força ou tenha alguma intenção de agir em território hondurenho. Trata-se apenas de uma precaução e de um sinal de que não há perspectivas claras sobre um desfecho pacífico no curto prazo.

Por ironia, o plano de contingência do Estado Maior das Forças Armadas está sendo montado no exato momento em que uma missão de deputados se prepara para embarcar para Tegucigalpa, capital de Honduras. Cinco congressistas embarcam amanhã (30.set.2009) em um avião da FAB com destino a San Salvador, capital de El Salvador, já que aeronaves brasileiras não podem no momento pousar em Honduras –o Brasil não reconhece o governo daquele país. A partir de San Salvador, os deputados pretendem tomar um voo comercial para Tegucigalpa.

Fazem parte dessa comissão de deputados Raul Jungmann (PPS-PE), Maurício Rands (PT-PE), Cláudio Cajado (DEM-BA), Ivan Valente (PSOL-SP) e Bruno Araújo (PSDB-PE). Um sexto deputado nomeado é Marcondes Gadelha (PSB-PB), mas ele não poderá viajar. Deve eventualmente ser indicada para o seu lugar a deputada Janete Pietá (PT-SP).

FONTE: UOL

Presidente em exercício diz que isso serviria como ‘fator de dissuasão’ e para ‘dar mais respeitabilidade’

Tânia Monteiro

Em uma declaração polêmica, o presidente em exercício José Alencar defendeu nesta quinta-feira que o Brasil tenha armas nucleares como importante “fator de dissuasão” e para “dar mais respeitabilidade” ao País. “A arma nuclear utilizada como instrumento dissuasório é de grande importância para um país que tem 15 mil quilômetros de fronteiras a oeste e tem um mar territorial e, agora, esse mar do pré-sal de 4 milhões de quilômetros quadrados de área”, declarou Alencar.

Na conversa com jornalistas, em seu gabinete, em Brasília, Alencar, ao ressaltar a necessidade de o Brasil ter meios para proteger seu patrimônio, citou o caso do Paquistão, que, segundo o vice, embora seja um país pobre, tem assento em vários organismos internacionais, justamente por ter a bomba atômica. “Eles sentam à mesa porque eles têm arma nuclear. É vantagem? É, até do ponto de vista de dissuasão é. É importante”, observou.

Na opinião do presidente em exercício, “nós, brasileiros, às vezes somos muito tranquilos. Nós dominamos a tecnologia da energia nuclear, mas ninguém aqui tem uma iniciativa para avançar nisso. Temos que avançar nisso aí”. Em seguida, Alencar passou a pregar também a necessidade de aumento do orçamento das Forças Armadas e da vinculação deste orçamento ao PIB. “Precisa ter uma percentualidade do PIB entre 3% e 5%, que daria muita força para o sistema de defesa, que precisa de cuidado e está abandonado há muito tempo”, comentou Alencar, que já foi ministro da Defesa.

O presidente em exercício disse que este avanço nas pesquisas tem de ser para fins pacíficos, mas o fato de ter o artefato, “reforça” o poder do país. “Não estou dizendo que o Brasil vai fazer isso ou não e nem quero dizer se quero ou se não quero. Estou fazendo uma análise como brasileiro. Se nós estivéssemos nessas condições, imagina o que seria o Brasil? A respeitabilidade do país cresceria muito. Tem aquela frase `a força é o direito e a justiça é o poder do mais forte’”, emendou.

As declarações de José Alencar foram dadas no mesmo dia que o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas aprovou uma resolução com o fim de conter a disseminação das armas nucleares no mundo. O Conselho, com cinco membros permanentes e dez rotativos, passou a medida por unanimidade. O Brasil reivindica um assento no Conselho. Anteontem, Lula se reuniu por mais de uma hora, com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e fez uma enfática defesa do colega iraniano, apoiando, inclusive, o direito de Teerã enriquecer urânio, material das bombas nucleares.

Questionado se esta declaração de defesa de armas nucleares não precisaria de mudanças na Constituição, Alencar lembrou que somos signatários do Tratado de Não proliferação de Armadas nucleares, mas, em seguida, emendou: “eu acho que isso é tudo negociado, é tudo conversado”.

Alencar retornou de São Paulo na noite de quarta-feira, depois de mais uma sessão de quimioterapia. Na semana que vem, Alencar reassume a presidência, com a ida de Lula para a Europa.

FONTE: Estadão

FOTO (Dia do Soldado, em 2007): Agência Brasil

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Governo causa ciúme no Exército com verba maior para Marinha e Aeronáutica

Orçamento muito menor que o das outras Forças é considerado ‘vergonhoso’

Bernardo Mello Franco

BRASÍLIA. O anúncio de gastos bilionários com a compra de 36 aviões de combate para a Aeronáutica e a construção de um submarino nuclear para a Marinha gerou desequilíbrio e desconforto velado nas Forças Armadas. Sem grandes pretensões no mercado armamentista internacional, o Exército ficou para trás na partilha de verbas para 2010, último ano do governo Lula. No projeto de Orçamento enviado ao Congresso, o valor destinado ao reaparelhamento da Força é de R$361 milhões, cifra chamada de insuficiente e vergonhosa nos corredores do Quartel-General em Brasília.

Num cálculo que só leva em conta investimentos diretos em 2010, as verbas para reaparelhamento serão mais de sete vezes maiores na Marinha (R$2,7 bilhões), e três vezes e meia superiores na Aeronáutica (R$1,3 bilhão). A longo prazo, a diferença ficará maior, já que o governo se comprometeu a gastar R$19 bilhões com os submarinos, e pelo menos R$7 bilhões com os novos caças da Força Aérea.

Apesar da discrição militar, a disparidade tem gerado protestos no Exército, onde são antigas as queixas pelo sucateamento de instalações e veículos. Para um coronel próximo ao comandante da Força, general Enzo Peri, a opção pelas compras bilionárias deixou na gaveta projetos mais baratos do Exército, a maioria ligada à preservação da Amazônia e às fronteiras.

- A diferença chega a ser vergonhosa. Marinha e Aeronáutica conseguiram emplacar dois projetos caríssimos, com muito apelo de marketing. Talvez o Exército tenha pecado por não vender algo tão grandioso. O fato é que o nosso orçamento está à míngua – afirmou o coronel.

Um general ouvido pelo GLOBO disse que os projetos das outras Forças são elogiáveis, mas não justificam o abandono das demandas do Exército. E citou três prioridades que não foram contempladas no Orçamento de 2010: a renovação da frota de blindados, já licitada e estimada em R$5 bilhões para a fabricação de mil veículos; a montagem de um sistema de defesa antiaérea, sem previsão de gastos; e a promessa de dobrar a presença militar nas fronteiras da Amazônia, que anda a passos lentos.

Deputado acusa governo de se render a lobby da França

Para 2010, o Orçamento do Exército prevê o uso de 2,6% das verbas para investimentos. Outros 7% irão para custeio, e 90,4% serão gastos com pessoal ativo e pensionistas.

O desequilíbrio entre os gastos bilionários e a falta de verbas para o cotidiano das Forças Armadas tem sido alvo de críticas na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara. O deputado Julio Delgado (PSB-MG) acusa o governo de ter se rendido ao lobby da França, com a suposta cumplicidade de colegas que viajaram a Paris em julho com as contas pagas pela Dassault, que deve vender os 36 caças à FAB.

- As compras vão gerar desequilíbrio nas Forças Armadas, porque o Orçamento do Exército ficará mais descoberto. Parece que algumas autoridades estão sofrendo de francofilia.

Favorável à compra dos caças e submarinos, o presidente da Associação Brasileira de Estudos da Defesa, Eurico de Lima Figueiredo, diz que o Exército também precisa ser ouvido:

- Mas é impossível agradar a todos ao mesmo tempo.

Defesa nega desequilíbrio no orçamento

BRASÍLIA. O Ministério da Defesa admite que os projetos de maior porte do Exército ficaram fora dos planos para o último ano do governo Lula, mas contesta as queixas sobre o desequilíbrio nos orçamentos das Forças Armadas. Em nota, a assessoria do ministro Nelson Jobim disse que as verbas previstas para o reaparelhamento de Marinha, Exército e Aeronáutica não podem ser comparadas: “Não existe relação entre os gastos de uma Força e os de outra. Cada Força tem sua realidade e projetos com cronogramas específicos”.

Perguntada sobre os principais projetos do Exército, a Defesa citou o Amazônia Protegida, que prevê a construção de 28 Pelotões Especiais de Fronteira até 2018, ao custo estimado de R$1 bilhão. “Mas ainda não há um detalhamento do cronograma”, diz a nota. O projeto não aparece no Orçamento enviado ao Congresso.

As diretrizes para o reaparelhamento decididas ano passado, no lançamento da Estratégia Nacional de Defesa, são de médio e longo prazo. “As Forças fizeram propostas de aparelhamento e de articulação até 2030, mas o Ministério da Defesa ainda vai fazer a análise e a consolidação pra corrigir omissões, superposições, etc. A partir daí é que serão dimensionadas as necessidades e elaborados os programas”, diz a nota.

FONTE: O Globo

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Aperto financeiro no Exército

Estoques estratégicos praticamente se esgotaram

Depois das promessas de a Marinha receber novos submarinos e a Força aérea Brasileira (FAB) caças supersônicos, o Exército entrou na fila do reaparelhamento com um plano de gastos orçado em R$ 20 bilhões em dez anos. O Exército, de acordo com militares, enfrenta problemas de falta de munição e até diminuiu o expediente como forma de economizar recursos.

O pacote de reaparelhamento, que prevê gastos de pelo menos R$ 2 bilhões por ano será encomendado a empresas brasileiras. Mas, para vingar, o plano não poderá ser atingido pela tesoura do Ministério do Planejamento, responsável pelo contingenciamento do Orçamento da União.

A modernização do Exército passa pela troca dos 150 mil fuzis FAL, que estão com mais de 40 anos de uso, uma nova família de 400 blindados, modernização e repotencialização dos cerca de 1,5 mil carros de combate, compra de radares de baixo e de longo alcance, construção de 28 novos pelotões de fronteira – dentro do projeto Amazônia Protegida – e aquisição do sistema integrado de vigilância e monitoramento de fronteiras. O sistema integrado está incluído no acordo militar com a França e custará cerca de US$ 2,7 bilhões.

A situação orçamentária do Exército é considerada grave pelos militares. Do orçamento aprovado para este ano, de R$ 2,4 bilhões, R$ 580 milhões estão contingenciados trazendo complicações para as operações rotineiras.

HAITI

A tropa que substituirá os 1,3 mil militares que estão no Haiti, em fevereiro do próximo ano, poderá não estar suficientemente adestrada. De acordo com o Exército, são necessários R$ 90 milhões para treinar esse contingente, mas só R$ 58 milhões chegaram à Força até agora.

Uma das consequências disso é que os militares que embarcarão para o país caribenho, como integrantes da Força de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), deveriam haver disparado em exercícios militares pelo menos 200 tiros reais, mas só conseguiram efetuar até agora 50 disparos. O motivo é a falta munição.

Diante do constante aperto que o Exército vem enfrentando nos últimos anos, os estoques estratégicos foram sendo usados para treinamento e praticamente se esgotaram, o que é considerado uma temeridade pelos próprios militares. A Força está com problemas também em seu estoque de munição pesada.

Para segurar as despesas, o Exército já suspendeu o expediente nas manhãs de segunda-feira e tardes de sexta, e novas medidas ainda poderão ser anunciadas.

FONTE: Jornal de Penambuco, via Notimp

 

Presidente venezuelano diz que ‘foguetinhos’ têm alcance de 300 Km e serão usados para defesa.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta sexta-feira (11) que o país vai receber em breve mísseis de fabricação russa com alcance de 300 km. “Em breve alguns foguetinhos estarão chegando. E eles não falham”, disse Chávez na capital venezuelana, Caracas, após voltar de uma viagem de dez dias por países da África, Ásia e Europa, entre eles a Rússia.

Chávez disse que os mísseis são apenas para uso defensivo. “Não vamos atacar ninguém. Estes são apenas instrumentos de defesa, porque nós vamos defender nosso país de qualquer ameaça, venha de onde vier”, afirmou.

FONTE: G1/BBC

 

Cada vez mais relevante no cenário internacional, o Brasil precisa melhorar de forma realista a sua capacidade de defesa

AS MOVIMENTAÇÕES do governo federal para a compra de equipamen­tos militares trazem uma questão subjacente, à qual é preciso responder de maneira clara: o Brasil deve reforçar sua capacidade de defesa? A resposta inequívoca é sim. O país, que ga­nha projeção e candidata-se a as­sumir mais responsabilidades, precisa reunir condições de en­frentar os desafios inerentes a este papel, num século que já nasceu sob o signo de novos con­flitos e riscos geopolíticos.

A palavra-chave a nortear as ações nesse setor é dissuasão. No mundo pós-Guerra Fria, sem su­perpotências a servir de guarda-chuvas, um país com as dimensões e o poten­cial econômico do Brasil deve deixar claro que tem capacidade de se defender de determina­dos tipos de ameaça.

É preciso, de forma planejada e serena, dotar as Forças Arma­das de recursos para o exercício de sua missão constitucional. Um país que possui 64% da Amazônia, ex­tensa faixa marí­tima e uma área equivalente à da Europa ociden­tal não pode prescindir de meios de proteção costeira, de rotas comer­ciais, fronteiras e campos petrolíferos – agora mais valiosos com as reservas do pré-sal. Não se trata de postular uma política de defesa extensiva, pe­sada e custosa, mas de fornecer às Forças Armadas acesso a equi­pamentos modernos, de modo que possam treinar efetivos e multiplicar sua capacidade de atuar com eficiência e agilidade quando requisitadas.

Não é tarefa fácil estimar os gastos militares mundiais. A interpretação dos diferentes orçamentos de cada país faz com que os números variem muito, mesmo entre os institutos mais respeitados que trabalham com o tema, como o sueco Sipri (Instituto Internacional de Pesquisa) e o britâni­co IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos). Há países, como a China e a Rússia, em que a falta de transparência torna difícil um cálculo preciso.

O Brasil tem gastos militares à altura de sua participação na economia mundial. Segundo o anuário do instituto sueco, ocu­pamos o 12° lugar, pouco atrás da Coréia do Sul e não muito à fren­te de países como Canadá, Espa­nha e Austrália.

O problema é que o país gasta mal. Os aviadores, soldados e marinheiros coreanos, canaden­ses, espanhóis e australianos contam com equipamentos em geral bem mais modernos do que seus colegas brasileiros. A título de exemplo, esses países pos­suem caças superiores aos da FAB, que desde o governo ante­rior tenta adquirir novas aerona­ves de combate. E os aviões de caça são a “ponta de lança” de qualquer aviação militar.

Da mesma forma, parece claro que a Marinha brasileira carece de uma verdadeira frota de sub­marinos e que o Exército precisa renovar seus veículos blindados. Os outros países do chamado grupo Bric —Rússia, índia e China, além do Brasil—, têm todos recursos mais podero­sos. A Rússia passou anos sucateada após o final da União Soviética, mas recupera forças. A China tor­nou-se a segun­da potência mi­litar do planeta. A Índia, receosa do vizinho Pa­quistão, deverá produzir seu próprio subma­rino à propul­são nuclear an­tes que o brasi­leiro saia da prancheta.

O Brasil, feliz­mente, inscre­ve-se numa si­tuação regional bem mais tran­quila do que a enfrentada pé pe­las nações acima citadas-todas elas, aliás, detentoras de armas nucleares. As relações brasileiras com seus vizinhos podem passar por eventuais divergências, mas têm sido harmoniosas há pelo menos cem anos.

Reconhecer a necessidade de reforçar o poder defensivo do país não significa um convite a aventuras. O Brasil não precisa e não deve estimular corridas armamentistas regionais ou des­pertar inquietações quanto ao uso de sua energia nuclear.

O Estado brasileiro já tem uma sólida, louvável e reconhecida tradição diplomática voltada pa­ra o entendimento e a solução pacífica de conflitos. É justa­mente para preservar este patrimônio que a defesa nacional, submetida aos devidos controles políticos e constitucionais, ad­quire papel mais relevante.

OS 15 MAIORES GASTOS MILITARES EM 2008

País

Gastos em bilhões de dólares

Gasto per capita em US$

%

doPIB

EUA

607

1967

4,0

China

84,9

63

2,0

França

65,7

1061

2,3

Reino Unido

65,3

1070

2,4

Rússia

58,6

41,3

3,5

Alemanha

46,8

568

4,3

Japão

46,3

361

0,9

Itália

40,6

689

1,8

Arábia Saudita

38,2

1511

9,3

Índia

30,0

25

2,5

Coréia do Sul

24,2

501

2,7

Brasil

23,3

120

1,5

Canadá

19,3

581

1,2

Espanha

19,2

430

1,2

Austrália

18,4

876

1,9

FONTE: Folha de S. Paulo – 9/08/09 / COLABOROU: Paulo Cesar Gomes de Souza

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Projeto cria órgão para coordenar ações do Exército, Marinha e aeronáutica; comandanteseria escolhido pelo presidente Ministério da Defesa teria secretaria para centralizar compra de armas; proposta ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou ontem a reformulação da área de Defesa, inclusive com a criação de um Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, a ser comandado por um oficial de quatro estrelas (o mais alto da hierarquia militar), com a função de articular a doutrina, exercícios e as operações comuns a Exército, Marinha e Aeronáutica.

Trata-se, de certa forma, de uma reconstituição do antigo EMFA (Estado Maior das Forças Armadas), que existiu durante os governos militares e foi extinto pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, quando foi criado o Ministério da Defesa, que coordena as três Forças, e que irá coordenar também o novo órgão. A diferença é que o EMFA era essencialmente burocrático e o seu sucessor será operativo.

A tendência é que o primeiro comandante do novo órgão, responsável por sua implantação e transição, seja o almirante de esquadra João Afonso Prado Maia de Faria (quatro estrelas), que atualmente ocupa a chefia do Estado Maior da Defesa.

Não há norma sobre o processo de escolha do comandante do órgão, mas a tradição, desde o EMFA, é que haja rodízio entre almirantes, generais e brigadeiros, sempre de quatro estrelas, por escolha direta do presidente da República.

O projeto de reformulação está em gestação há pelo menos um ano e meio, mas precisou de intensas negociações dentro das Forças até ser acatado pelos respectivos comandantes. O novo chefe terá o mesmo status hierárquico que eles.

A questão foi levada ontem a Lula pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, cujo projeto prevê também mudanças no próprio ministério, com a criação de uma secretaria exclusiva, vinculada ao ministro, para centralizar os projetos de compras das Forças Armadas.

Hoje, a Marinha planeja e executa compras de submarinos. A Aeronáutica é responsável pela aquisição de aviões de caça, e o Exército, de tanques.

A secretaria segue um modelo aproximado ao da DGA (Delegação Geral de Armamento), da França, que Jobim visitou no início de 2008, e que tem um orçamento anual de cerca de 10 bilhões, para todas as compras militares do país.

Outro ponto considerado fundamental no projeto aprovado por Lula ontem é uma mudança operacional: a Aeronáutica e a Marinha vão passar a ter poder de polícia nas áreas de fronteira terrestre e marinha. Hoje, só o Exército tem.

Todas as mudanças dependem de votação no Congresso, porque alteram a lei complementar 97/117, de 1999, que criou o Ministério da Defesa.

FONTE: Folha

FOTO: (lançamento da Estratégia Nacional de Defesa em 2008) – Agência Brasil

General diz que Brasil está “vigilante na fronteira” por acordo Colômbia-EUA

Brasileiro, porém, reconhece que parceria com Forças Armadas americanas é de grande ajuda para Bogotá no combate à narcoguerrilha

O novo chefe do CMA (Comando Militar da Amazônia), general Luis Carlos Gomes Mattos, disse que “é motivo de preocupação” o acordo entre EUA e Colômbia para o aumento da presença militar americana em uma área estratégica de segurança na Amazônia, próxima da fronteira do Brasil.

O Exército brasileiro tem 26.300 homens na região. “Qualquer coisa que aconteça próxima às nossas fronteiras é motivo de preocupação, e a recíproca é verdadeira”, disse.

“Qualquer coisa que nós fazemos próxima das nossas fronteiras causa uma certa preocupação naquele país fronteiriço, mesmo que tenhamos excelente relacionamento.”

Segundo o acordo militar entre os EUA e a Colômbia, 1 das 3 bases aéreas que os aviões americanos poderão usar ficará na região colombiana de Apiay, a cerca de 50 km (em linha reta) da divisa com a chamada Cabeça de Cachorro, no noroeste do Amazonas. O governo brasileiro respeita o acordo, mas quer garantias de que a atuação militar americana se restrinja ao território colombiano.

Luis Carlos Gomes Mattos, 62, assumiu o comando do CMA em abril, no lugar do general Augusto Heleno. Foi chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia e vice-chefe do Estado-Maior do Exército.

Ele disse que há nas unidades militares na fronteira brasileira dispositivos que podem impedir um eventual transbordamento do conflito na Colômbia, caso a “soberania” brasileira seja afetada. “O que significaria afetar a nossa soberania? Adentrar o nosso território, ações no nosso território. Aí nós teríamos outra providência”, afirmou o general.

“Enquanto isso não acontecer, nós estamos vigilantes na fronteira. E esse é o motivo de estarmos aqui. E esse é o motivo pelo qual a estratégia nacional de defesa prevê a vinda de mais tropas para a Amazônia.”

Sobre a justificativa da Colômbia para o acordo com os EUA -combater o narcotráfico e a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)-, o general Mattos disse que nos últimos anos houve vitórias significativas do Exército colombiano. Ele atribui as vitórias ao apoio da tecnologia americana.

“Se esse grupo está encurralado hoje, ele pode crescer. O tipo de combate que esse grupo trava com as tropas do governo é um combate irregular, então isso pode evoluir rapidamente, a não ser que ela seja completamente eliminada, e ela não está completamente eliminada. Acredito que [esse aspecto justificaria a presença dos EUA] sim”, afirmou o general.

Encontro nos EUA

O Departamento de Estado americano anunciou ontem que a secretária Hillary Clinton receberá hoje o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, para discutir a questão das bases. Os dois países chegaram a um acordo na sexta, mas ele ainda passará por revisão técnica antes da assinatura.

FONTE: Agência Folha, Manaus – KÁTIA BRASIL / COLABOROU: Germano Grinfelder

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