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MINUSTAH: Militares voltam para casa

A Base Aérea do Recife (BARF), na última quarta-feira, dia 24 de junho, foi palco do início do desembarque dos militares do Exército Brasileiro destacados no Haiti, em missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU).

O C-130 Hércules da Força Aérea Brasileira pousou em Recife às 21h20, trazendo de volta para casa 52 militares pernambucanos que já estavam há mais de seis meses naquele país, trabalhando em prol de sua estabilização política.

Os familiares, que horas antes já estavam na BARF aguardando a volta dos seus entes queridos, não puderam conter a emoção ao revê-los. Contudo, antes de efetivamente voltarem para o seio de suas famílias, os militares serão submetidos a quatro dias de exames médicos e psicológicos, para que o estado de saúde de cada um deles seja avaliado.

Até o dia 8 de julho, todos os militares pernambucanos que estão no Haiti devem retornar para o Brasil, e a substituição deles ficará sob a responsabilidade do Comando Militar do Sudeste.

A BARF sente-se honrada em receber esses filhos ilustres da nossa Pátria, que, durante mais de seis meses, abdicaram do convívio de suas famílias, com a importante missão de ajudar a nação amiga.

Fonte: BARF

 

O Exército dos Estados Unidos travava combates violentos nesta sexta-feira contra os talibãs na província afegã de Helmand, sul do Afeganistão, onde na quinta-feira foi iniciada uma grande ofensiva contra a insurgência islamita.
O batalhão de infantaria 2/8 dos marines enfrentou uma dura resistência talibã, declarou à AFP o general-de-brigada Larry Nicholson, comandante da operação. “O 2/8 tem combates infernais na zona sul da região”, completou.

No entanto, outros batalhões avançaram sem grandes dificuldades para o sul e já conseguiram entrar em contato com a população e os líderes locais, segundo Nicholson.
Os helicópteros transportaram na quinta-feira os marines para os distritos de Garmsir e Nawa, na província de Helmand, e ajudaram as forças afegãs a tomar Janishin, perto da fronteira com o Paquistão.

“Hoje os marines seguem avançando rumo aos objetivos e vão trabalhar para estabilizar a segurança nestas zonas”, afirmou o porta-voz da operação, o tenente Kurt Stahl.
Quase 4.000 marines encabeçam o novo plano do presidente Barack Obama para combater a insurgência afegã, com o objetivo de proteger a população para as eleições presidenciais de 20 de agosto.

“Quando os marines saem às cidades, sempre buscam oportunidades para falar com a população e explicar por quê estão ali”, disse Stahl.
Na quinta-feira, as tropas tomaram o controle do distrito de Khanistan, onde os talibãs instauraram um governo próprio, na maior operação dos marines desde a de Fallujah, Iraque, em novembro de 2004.

Mas o Exército americano também sofreu a primeira baixa na operação, com a morte de um marine, informou a Brigada Expedicionária Marine (MEB). Além disso, na quinta-feira, o comando talibã Haqqani reivindicou o sequestro de um soldado americano no dia 30 de junho, antes do início da ofensiva.
Até o momento não foi anunciada nenhuma vítima civil ou danos materiais. As tropas americanas informaram que evitam utilizar armamento pesado.

A operação “Janjar” (“Punhalada” em dari e pashtun, mas que os marines traduziram como “Strike of the Sword” (“Golpe de Espada”) também conta com a participação de 600 policiais e soldados afegãos.
“O que diferencia a operação Janjar das anteriores é o tamanho das forças e sua velocidade”, afirmou Nicholson.

O general afegão Shair Mohamad Zazi destacou que a a operação estabelecerá segurança para as eleições. As autoridades do país temiam que a violência e as intimidações dos talibãs afetassem a votação na segunda eleição presidencial do país.
Em outra frente, 20 talibãs e um soldado afegão morreram na quinta-feira em confrontos em Zabul, outra província instável do sul do país.

FONTE: AFP

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Com a finalidade de verificar o material usado pela Aviação do Exército (AvEx), esteve em 04.06.09 no Comando de Aviação do Exército(CAvEx) em Taubaté/SP, o Gen Ex Jarbas Bueno da Costa, Comandante Logístico do EB.

Por ocasião da visita, foi realizada a Inspeção de Pronto Emprego do CAvEx, onde o Gen. Jarbas, acompanhado do Gen. Peternelli, Comandante da AvEx, dos Comandantes do 1°, 2° e 3° BAvEx’s, do Btl. de Mnt. e Sup. de AvEx e do CIAvEx, inspecionaram todos os meios disponíveis pela AvEx, comprovando o alto grau de preparação desta singular unidade do Exército Brasileiro.

O Gen. Jarbas é a autoridade responsável por toda a parte logística do Exército Brasileiro, do material pessoal usado pelo combatente isolado, ao material coletivo, aeronaves e outros meios do nosso Exército.

Clique aqui e veja a página com a galeria de fotos feitas pelo Blog ForTe.

Nota do Blog: Agradecemos ao Maj. Navarrete, do E5 do CAvEx, por nos proporcionar a oportunidade de cobrir a apresentação, ao Cap. Mueller (RP do 1° BAvEx), que além de nos convidar, nos acompanhou durante toda a visita, prestando os esclarecimentos necessários e aos demais tripulantes do 1° BAvEx, que sempre nos recebe com muita atenção.

 

Os preparativos e dissimulações dos Aliados na organização do maior ataque anfíbio da história: o início da Operação Overlord

A invasão aliada da Normandia, partindo da Inglaterra, a 6 de junho de 1944, foi a maior operação anfíbia de todos os tempos. O comandante naval da operação, Almirante Sir Bertram Ramsay, que tinha uma aversão britânica à linguagem exagerada, disse a alguns dos seus comandantes, a 3 de junho, que lamentava os superlativos, mas daquela vez eram todos cabíveis.

“Overlord” o nome em código da invasão, tinha que ser diferente, tanto em proporções como em características, de qualquer ataque anfíbio anterior. Os alemães tinham então 59 divisões na França. Muitas, é verdade, estavam abaixo de sua força ou eram de um valor militar duvidoso. Por outro lado, a rapidez com que os Aliados podiam desembarcar tropas era limitada.

O plano original, elaborado pelo General Sir Frederick Morgan, previa um desembarque no primeiro dia de três divisões. Posteriormente o General Eisenhower, comandante supremo, e o General Montgomery, comandante de campo, decidiram que uma frente de apenas três divisões seria muito pouco. Os planos teriam que ser modificados a fim de que cinco divisões pudessem ser desembarcadas no primeiro dia. Isso exigia a concentração de um número maior de barcaças de desembarque, o que provocou o adiamento de um mês dos desembarques na Normandia e tornou impossível o plano original de um desembarque simultâneo no sul da França.

Eisenhower e Montgomery queriam que mais homens fossem desembarcados no primeiro dia porque, teoricamente, os alemães poderiam enviar reforços à área atacada, rapidamente, mantendo ali tropas que, pelo menos inicialmente, seriam superiores às dos Aliados. Assim, por melhor que as tropas aliadas conquistassem e consolidassem a sua cabeça-de-ponte, poderiam ser contidas antes de avançarem o suficiente para dar espaço ao desembarque dos seus próprios reforços.

Para impedir tal possibilidade, os estrategistas aliados primeiro organizaram e desfecharam intensos e prolongados ataques aéreos ao sistema francês de comunicações. Providenciaram também a construção de portos móveis que pudessem ser levados até as praias da Normandia, a fim de garantir que os suprimentos não fossem prejudicados pelo mau tempo. Imaginaram até um meio de instalar oleodutos sob o Canal da Mancha, a fim de acelerarem o fornecimento de combustível.

Os preparativos foram amplos e meticulosos. Embora algumas coisas falhassem – um dos portos artificiais, por exemplo, ficou completamente avariado -, o esquema de um modo geral funcionou perfeitamente. No momento decisivo, os Aliados puderam reforçar as suas tropas na Normandia muito mais depressa pelo mar do que os alemães conseguiram reforçar as suas por terra. E essa era a primeira das condições essenciais ao sucesso da invasão dos Aliados.

A segunda era manter o inimigo na incerteza. Os alemães estavam defendendo toda a costa da França. Mas era fundamental que eles não vissem qualquer razão para concentrar mais tropas na Normandia do que em outro setor qualquer. Em parte por causa das medidas de segurança rigorosas, em parte graças a subterfúgios, em parte, porque tiveram muita sorte, os Aliados mantiveram os alemães em dúvida até o fim.

Era impossível, é claro, esconder dos alemães que a invasão seria desfechada em algum momento do ano de 1944, na costa francesa. A invasão já fora, de certa forma, revelada publicamente e não se podia esconder que havia um grande exército concentrado no sul da Inglaterra. Mas, recorrendo à censura mais rigorosa, estendendo-a inclusive aos telegramas diplomáticos, os Aliados conseguiram ocultar completamente o verdadeiro destino dessas tropas.

A esta altura da guerra, a superioridade aérea aliada tornara impossível que a Luftwaffe realizasse qualquer reconhecimento aéreo sistemático sobre a Inglaterra. A oeste do Kent então, não havia absolutamente qualquer reconhecimento aéreo. As previsões alemãs de que os desembarques ocorreriam num ponto ou em outro eram baseadas quase que exclusivamente em meros pressentimentos. Von Rundstedt, o comandante supremo alemão na frente ocidental e a esta altura já promovido a marechal-de-campo, achava que os Aliados iriam efetuar a invasão através do estreito de Dover, porque ali a distância a ser percorrida era a menor que havia. Por conseguinte, ele fortificou o Passo de Calais mais do que qualquer outro setor. Se fosse por ele apenas, nenhum outro setor seria fortificado.

Mas só que ele não estava sozinho. Em janeiro de 1944, Hitler designara Rommel, agora também marechal-de-campo, para assumir o comando do Grupo de Exércitos B, responsável pela defesa da costa norte da França, com ordens expressas para repelir a invasão. Rommel previu, corretamente, que os alemães não poderiam reforçar o setor invadido da costa, qualquer que fosse, com a rapidez e a facilidade necessárias. Ele compreendia, ao contrário provavelmente de Von Rundstedt, que a superioridade aérea aliada sobre a França privara o Exército alemão de sua mobilidade. As ferrovias estavam sendo bombardeadas. As rodovias só podiam ser transitadas durante a noite. Rommel concluiu que Von Rundstedt estava vivendo no passado e começou então a fortificar aceleradamente todas as praias. Rommel achava que o período em que os alemães teriam mais probabilidades de derrotar uma invasão era o das 48 horas seguintes ao primeiro desembarque. Mas ele ainda não sabia onde seria o primeiro desembarque.

Os Aliados esforçaram-se ao máximo para garantir que a sua ignorância continuasse. Durante a primavera de 1944, o serviço secreto inglês lançou diversas iscas para os alemães, iscas que foram mordidas por diversas vezes. O quartel-general de Montgomery era em Portsmouth, mas seu centro transmissor de rádio ficava a 150 quilômetros a leste, no coração do Kent. Este subterfúgio simples visava a confirmar a opinião errada de Von Rundstedt de que o desembarque aliado seria mesmo no Passo de Calais. Falsos planadores foram colocados em aeródromos no sudeste da Inglaterra, a única região do país que os aviões de reconhecimento da Luftwaffe ainda conseguiam fotografar. Falsas barcaças de desembarque foram ancoradas em portos do sudeste; insinuaram-se pistas, em lugares onde os alemães poderiam ouvi-las, de um “Grupo de Exércitos de Patton” que estaria prestes a atravessar o Estreito de Dover (ou Passo de Calais, como é chamado do lado francês).

Assim despistados, os comandantes alemães elaboraram uma série de teorias, todas elas erradas. Hitler acreditava que a invasão principal seria ao norte, no Passo de Calais, mas que haveria antes uma manobra diversionista na Normandia. Von Rundstedt apegava-se à sua teoria de que o ataque seria no Passo de Calais e tão-somente no Passo de Calais. Rommel concordava com Hitler quanto à manobra diversionista na Normandia, mas só que achava que seria também um ataque de grande envergadura. Em nenhum momento, contudo, os alemães deixaram de acreditar que o ataque principal seria no Passo de Calais ou em algum ponto ao norte do Somme. Até o final eles mantiveram todo o seu XV Exército no Passo de Calais, inativo, mas alerta, até muito depois de a invasão ter sido iniciada.

Enquanto o XV Exército se preparava para defender o Passo de Calais até a morte e enquanto a Luftwaffe conseguia, de vez em quando, fotografar os aeroportos de Kent, as verdadeiras forças de invasão estavam sendo concentradas no sudoeste da Inglaterra, ao sul de Gales, na área de Southampton-Portsmouth, onde a Luftwaffe não conseguia penetrar.

Enquanto Rommel fortificava as praias, com obstáculos destinados a deter as barcaças de desembarque, a explodir os tanques e a conter a infantaria, Montgomery e Eisenhower estavam alterando seus planos, a fim de superarem os novos riscos. Os obstáculos submarinos de Rommel tinham sido colocados entre as marcas da maré alta e da maré baixa. Se o desembarque fosse efetuado durante a maré alta, um grande número de barcaças poderia ser destruído. Se, por outro lado, os desembarques fossem efetuados durante a maré baixa, quando os sapadores teriam condições de abrir um caminho seguro por entre os obstáculos que estariam então visíveis, a infantaria teria que atravessar um trecho bem maior de praia a descoberto, quase certamente sob o fogo cerrado dos defensores. Para superar esse risco, Montgomery decidiu que a vanguarda do ataque seria formada por tanques. Mas para isso ele precisava de um novo tipo de tanque – um tanque que pudesse nadar.

O homem que tornou isso possível foi o Major-General Hobart, um dos mais inventivos soldados ingleses, cujo gênio e alegria era ensinar novos truques a velhas máquinas. O seu tanque DD podia mover-se tanto na água como em terra. Seu tanque de mangual carregava uma estrutura monstruosa à frente das lagartas, que detonava as minas antes que o próprio tanque passasse sobre elas. Hobart também inventou e produziu um tanque de lagarta mais larga, que podia andar perfeitamente sobre areia macia ou sobre barro. Eram máquinas novas e estranhas, que desmantelaram as defesas de Rommel no dia 6 de junho.

O local escolhido para o desembarque foi a baía do Sena. Se Rommel, Von Rundstedt e Hitler tivessem dirimido as suas diferenças e eliminado seus preconceitos, teriam compreendido que era aquele o único local da costa da França onde os Aliados poderiam desembarcar cinco divisões simultaneamente. A entrada da baía, do Cabo d’Antifer à Ponta de Barfleur, tem 58 milhas náuticas de largura. Não existem obstáculos naturais na baía, exceto as ilhas de Saint Marcouf, perto da praia ocidental. As marés não são violentas. Embora a praia ao leste, entre o Cabo d’Antifer e a embocadura do Sena, seja dominada por colinas, a maior parte da terra por trás das praias ao fundo da baía, onde os desembarques ocorreriam, é relativamente plana.

Na primavera de 1944, a Marinha Real começou a preparar a baía para o desembarque: com uma atenção quase terna pelo terreno em que as tropas iriam lutar. Tripulantes de submarinos-de-bolso e comandos ali desembarcaram durante a noite, sem qualquer dificuldade, a fim de examinar as defesas e colher amostras da areia e do barro da região, para que o General Hobart pudesse preparar convenientemente os seus tanques. Durante a segunda metade do mês de maio, lanchas torpedeiras (MTB), partindo de Portsmouth, colocaram diversos campos de minas em torno do Cabo d’Antifer e da embocadura do Sena, de um lado, e ao redor da Ponta de Barfleur, do outro, a fim de evitar que a Marinha alemã pudesse atacar a frota de invasão, partindo do Havre, Cherbourg ou qualquer outro porto ao sul e ao norte do canal da Mancha. As minas foram ajustadas para entrarem em funcionamento a 5 de junho, data marcada para a invasão. Desde 1941 que as MTB estavam colocando minas nas águas dominadas pelo inimigo sem serem descobertas. E desta vez o inimigo nunca soube da existência, ali, das minas.

A tarefa final era abrir uma passagem no campo de minas alemão que se estendia pelo meio do Canal da Mancha, do sul da ilha de Wight até o meridiano de Calais. Quase todas as seções desse campo de minas já ali estavam há dois anos. Cada seção representava uma noite de trabalho das flotilhas de colocação de minas dos alemães. Havia intervalos entre as seções, porque os alemães não confiavam em sua própria navegação para retomarem o trabalho da noite anterior exatamente no ponto em que o haviam deixado. As flotilhas costeiras inglesas, que operavam no lado continental do Canal da Mancha, haviam descoberto essas brechas e usavam-nas desde 1942. Mas eram brechas não marcadas e que não tinham mais do que uma milha de largura, o que é o suficiente para uma flotilha de lanchas, mas não para uma frota de invasão de cinco mil navios. A Marinha teria que alargar tais passagens. Era uma operação de grande envergadura, que não poderia ser realizada sem o conhecimento do inimigo. Ou, pelo menos, sem o risco de o inimigo descobrir que se estava efetuando uma operação de remoção de minas e prontamente tirasse as conclusões certas. As minas ancoradas tinham que ser removidas à luz do dia, pois assim que os cabos eram cortados elas vinham à tona, tendo que ser imediatamente destruídas a tiros de rifle, para que não se transformassem numa ameaça à deriva ao invés de uma ameaça estacionária. Assim, os encarregados pela remoção das minas tiveram que começar a trabalhar na tarde do dia anterior ao fixado para a invasão. Abriram dez largos canais ao largo da ilha de Wight, chegando perto da costa da França antes do escurecer. Ninguém parece tê-los notado. Ou, se foram vistos, ninguém tirou as conclusões corretas. Esse foi o primeiro golpe de sorte dos Aliados.

Ramsay podia preparar o terreno para a invasão, mas não podia preparar devidamente o tempo. As condições principais para o desembarque eram que a maré chegasse ao ponto médio quarenta minutos depois do amanhecer, que as nuvens não fossem espessas demais a ponto do impedir os bombardeiros e que os ventos de superfície não excedessem a velocidade de 22-29 quilômetros por hora, a fim de que o mar estivesse relativamente calmo. As limitações eram de fato muito grandes. As condições da maré, por exemplo, só aconteciam durante três dias em cada mês lunar. O tempo, portanto, é que era a verdadeira incógnita.

Os preparativos de Ramsay ao longo do mês de maio foram favorecidos por pressão alta estável nos Açores, fazendo com que o tempo no Canal da Mancha se mantivesse firme. Eisenhower escolhera a segunda-feira, 5 de junho, como a data para a invasão, um dos três dias do mês em que as condições da maré seriam favoráveis. Mas, nos dias 2 e 3 de junho, a pressão alta nos Açores começou a desintegrar-se. O meteorologista de Eisenhower, Capitão Stagg, da RAF, aconselhou o adiamento.

O resultado de uma das mais formidáveis operações dos Aliados durante a guerra dependia do julgamento do Capitão Stagg.

Deve ter sido para ele um momento de tensão terrível, especialmente porque o tempo em Portsmouth continuava maravilhoso. As mudanças de tempo que ele estava prevendo ainda estavam ocorrendo a centenas de milhas de distância, quase no meio do Atlântico, Mas Stagg estava certo. Na tarde de domingo, 4 de junho, começou a ventar forte em Portsmouth. As forças de invasão, que já haviam zarpado de suas bases na Escócia, em Gales e no oeste da Inglaterra, tiveram que voltar, para se porem ao abrigo do vento oeste. Naquela mesma noite de domingo, a frente de tempestade já estava passando além de Portsmouth. Stagg informou então a Eisenhower que previa, na noite de segunda para terça-feira, nuvens não muito espessas e um vento amainado. Acrescentou que, em sua opinião, seria esse o melhor tempo que haveria no decorrer da semana. De qualquer modo, a maré da quarta-feira não seria absolutamente favorável. Eisenhower teria que escolher entre a terça-feira ou esperar mais três semanas para a invasão. Ele optou pela terça-feira. Durante a noite de 5 para 6 de junho, lançou uma primeira onda de ataque de 60 mil homens nas praias, duas divisões inteiras de pára-quedistas, numa das maiores operações aéreas da guerra. E fez também uma tentativa final e bem sucedida de enganar o inimigo, levando-o a esperar que as forças de invasão se estivessem dirigindo para o norte do Somme.

Agora que o momento chegara, que a invasão se achava a caminho: era impossível aos Aliados ocultar o fato de que cinco mil navios estavam no mar. Durante toda a noite uma força considerável de aviões deixou cair ao norte do Cabo d’Antifer, uma “cortina” (N.T. “Window”), pequenas tiras de papel prateado que eram captadas pelo radar do inimigo. A “cortina” tinha por objetivo fazer com que o inimigo pensasse que uma grande frota invasora estava seguindo, com cobertura aérea, para o leste do Cabo d’Antifer, onde seria efetuada a invasão, enquanto os aviões procuravam evitar que fosse localizada pelo radar. No mar, na mesma área sobrevoada pelos aviões, trinta pequenos navios de guerra rebocavam imensos balões, para simular os ecos de radar produzidos por grandes navios, transmitindo também um fluxo intenso e constante de sinais de rádio e até mesmo emitindo uma “operação militar sônica”, através de alto-falantes. Manobras semelhantes foram executadas mais ao norte, ao largo de Boulogne. E houve bombardeios intensos ao sistema de comunicações entre Dieppe e Calais.

Todas essas manobras ajudaram a manter o inimigo em dúvida, mas provavelmente o fator mais importante foi a previsão do tempo feita por Stagg. O seu equivalente alemão em Paris, Major Lettau, também verificara a mudança de pressão nos Açores. Previra também, corretamente, que o tempo seria péssimo na noite de domingo, 4 para 5 de junho. Confiando em sua informação, Rommel deixou o seu quartel-general em Paris para passar o fim-de-semana com a família, em sua casa nas proximidades de Ulm. Lettau não previu, contudo, ao contrário de Stagg, que o tempo estaria melhor na terça-feira. Na segunda-feira, muito embora a força invasora já se estivesse pondo a caminho, o estado-maior de Rommel não informou haver qualquer indício de uma invasão iminente, embora admitisse que não houvera reconhecimento aéreo sobre qualquer porto britânico, à exceção de Dover. As manobras de ilusão efetuadas ao norte do Cabo d’Antifer também deram resultados positivos. Os responsáveis pelos radares alemães acharam que seus aparelhos estavam com defeito. Ao final do dia 5 de junho, segunda-feira, quando os navios e aviões começaram as suas manobras diversionistas ao largo do Cabo d’Antifer, o estado-maior de Rommel determinou que o XV Exército ficasse de prontidão para repelir o invasor. Mas o XV Exército estava estacionado no norte da França, no Passo de Calais. Os invasores estavam realmente a caminho, mas se dirigiam a outro lugar. O alerta não foi transmitido ao VII Exército alemão, que iria defrontar-se com os invasores, quando desembarcassem nas praias da baía do Sena, pela manhã.

FONTE: Grandes Guerras / Mundo em Guerra – Mark Arnold-Foster – Record FOTOS: Wikipedia

 

EB em exercício no estado de SP

O Exército Brasileiro está na região do Vale do Paraíba e Litoral Norte de SP, para participar de um treinamento em área urbana.

O objetivo da simulação é que os militares estejam prontos para agir em uma situação real e parte dessa ação está sendo realizada em Caraguatatuba.

Na base operacional de Caraguatatuba, o primeiro dia foi para planejar as ações que serão realizadas ao longo de dez dias em área urbana. Cerca de 3.300 homens do Exército se instalaram em três pontos na cidade e trouxeram todo o equipamento necessário para simular atividades em que a intervenção militar é solicitada.

A proposta é praticar mais de seiscentos tipos de ocorrência. “Controle de bloqueios, controle de rodovias, controle de distúrbios em presídios, segurança de autoridades, e tudo o que envolve a garantia da lei e da ordem em uma operação deste tipo”, enumera o Major Heringer, chefe de Comunicação Social do Exército.

Esse treinamento acontece, simultaneamente, em mais dez cidades do estado de São Paulo. Na região do Vale do Paraíba, nove cidades devem receber as tropas para o exercício. O Major Heringer explica como se dá a ação: “A tropa vem fardada normalmente, como nós, e a Forop (Força Oponente) usa um gorro azul. A população, quando vê os militares com gorro azul, é para entender que se trata de uma simulação. E essa simulação é para treinar uma operação de garantia da lei e da ordem, que está prevista na missão constitucional das Forças Armadas”.

Fonte: VNews

 

Professor da PUC-Rio diz que participação do Brasil na Minustah não garante lugar do país no Conselho de Segurança

Estudioso de operações de paz, o professor alemão Kai Michael Kenkel, da PUC-RJ, avalia que a atuação do Brasil à frente da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) é um sucesso, mas que isso não significa nada para a aspiração brasileira de conseguir um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU. Kenkel afirma que, do ponto de vista da segurança, os objetivos da ação, que completa cinco anos amanhã, foram cumpridos com a retomada por tropas regulares de áreas antes dominadas por criminosos.

Ele destaca, porém, que a participação em iniciativas do gênero não é suficiente para dar aos países que as protagonizam perfil de membro do Conselho de Segurança, principal objetivo do Brasil quando aceitou a tarefa. Vivendo há dois anos no Brasil, Kenkel lembra que, no Haiti, pela primeira vez, o País integra, como líder e com o maior contingente, uma operação sob o Capítulo VII da Carta da ONU, que prevê a imposição da paz e não apenas sua manutenção.

Agora, acredita o professor, a tropa brasileira pode pensar em voltar para casa definitivamente, apesar dos problemas que ainda assolam o Haiti, entre eles o uso de seu território pelo tráfico colombiano como entreposto para enviar cocaína para os EUA – questão que está fora do mandato da missão. A seguir, os principais trechos da entrevista que Kenkel concedeu ao Estado.

Do ponto de vista do Brasil, qual é o balanço da operação no Haiti?

A atuação brasileira na Minustah colocou o Brasil no radar, como um país contribuinte, e também provocou uma grande mudança. Claro que foi uma situação muito complicada, muito quente, do início de 2004 até 2006. Agora a missão conseguiu pacificar o ambiente e a atuação dos brasileiros teve muito sucesso.

Podemos dizer que a situação melhorou?

Do ponto de vista da segurança, primeiro componente da resolução de base da Minustah, nitidamente melhorou.

Há paralelo entre essa e outras missões do Brasil pela ONU?

É uma missão bem diferente. O Brasil tem um histórico de participação constante nas operações de paz, mas com contribuições pequenas. Além da Minustah, foram outras três missões mais importantes. Em Suez, de 1956 a 1967, uma participação em Angola e em Moçambique. O padrão de participação do Brasil sempre foi o de participar de missões que se enquadrassem no Capítulo VI da Carta da ONU, que tivessem o consentimento do país anfitrião e envolvesse uma situação em que houvesse um cessar-fogo em vigor. A Minustah tem regras de engajamento muito diferentes, ela se baseia no Capítulo VII.

Seria uma missão de imposição de paz, não de manutenção de paz?

Sim. Não existia, na época da chegada da Minustah, uma paz para manter. A missão teve de impor a paz. O Capítulo VII representa uma ruptura com a política brasileira anterior de participação em missões de paz. Então, a Minustah é uma missão bem diferente. É a primeira vez que o Brasil lidera uma missão desse tamanho.

O Brasil fez papel de polícia dos EUA no Haiti?

Essa pergunta tem dois componentes. O primeiro seria todo esse assunto de militar exercer o cargo ou tarefa policial. O outro seria o grau até onde a Minustah representa uma continuação daquele golpe apoiado pelos EUA em 2004. O primeiro é verdade: tem de ter uma separação muito nítida entre tarefa militar e policial. O problema é que o Exército haitiano foi abolido. O que tem de tarefa militar no Haiti se faz com a Polícia Nacional e com a Minustah, principalmente. A segunda parte da pergunta depende muito de com quem você fala. O entendimento geral é o de que a Minustah é bem diferente da força EUA-Canadá-França-Chile, a Multinational Interim Force (MIF). A Minustah é baseada em uma resolução do Conselho de Segurança e a ideia é que ela tenha esse limite. Estive no Haiti em fevereiro e março e falei com a porta-voz de (Jean-Bertrand) Aristide (presidente deposto em 2004) no Haiti. Ela me disse: ?Não, agora é ONU, uma coisa bem diferente.? Mas é claro que tem uma certa continuidade por ser também uma força estrangeira no país.

O Brasil vendeu a ideia de que só enfrentou criminosos lá. Isso é verdade?

No início, esses grupos armados tinham ligação com vários atores políticos. Mas, muito rapidamente, sobretudo por causa do efeito da presença da Minustah, é possível dizer que esses grupos menos organizados não têm mais ligação política. São de fato grupos que vivem do crime organizado, do controle de um bairro ou do tráfico de drogas. O Haiti é um Estado fraco, com pouca capacidade de fiscalização.

O tráfico se fortaleceu?

Sim, mas a droga não fica no Haiti.

Virou um entreposto?

Sim, 70% a 80% da população vive com até US$ 1 por dia. A droga vai da Colômbia para os EUA e passa pelo Haiti. O combate a isso, formalmente, não faz parte do mandato da Minustah.

Como foi a atuação das Forças Armadas brasileiras no Haiti?

Bom, o que houve de acusações contra as Forças Armadas brasileiras está documentado em vários lugares. Acho que as Forças Armadas fazem um grande esforço justamente para evitar isso. Cada soldado que vai para a missão de paz tem um treinamento. São seis meses treinando, seis meses no Haiti e seis meses de briefing, quando os militares contam o que viram para os outros que vão para lá. As regras de uso da força no Haiti são diferentes do que são tradicionalmente. Em missões do Capítulo VI é estritamente de autodefesa. Agora, no Haiti, é capturar esses espaços onde não tem presença estatal e facilitar a volta do Estado . Às vezes, tem de usar a força.

O Brasil tinha alguns objetivos ao assumir a missão. Foram atingidos?

Como sou estrangeiro, acho que não me cabe fazer certas avaliações dos fatores que motivam a política externa brasileira. Fala-se muito que um dos objetivos era ganhar pontos para a campanha por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Outro seria o Brasil ganhar um perfil de líder na América Latina. Acho que esse esforço de começar a aprender a trabalhar bem com os outros está indo bem. Mas, para o objetivo do Conselho de Segurança, a participação em missões de paz não é a melhor maneira de ganhar espaço. Quem contribui com tropas senta à mesa de negociações com mais seriedade quando se discute a missão em questão. Mas só isso. Não é um modo particularmente eficiente de ganhar um perfil para integrar o Conselho de Segurança. Por exemplo, 45% das tropas em missões da ONU hoje são do subcontinente indiano: Bangladesh, Paquistão, Índia e Nepal. Exceto a Índia, esses países não têm perfil para integrar o Conselho de Segurança.

O que falta para o Brasil sair do Haiti?

Acho que já chegou o momento de pensar em uma estratégia de retirada para os brasileiros. A ideia de toda operação de paz é ser pontual, limitada no tempo, pelo menos uma operação baseada no Capítulo VII. A ONU, em relatório recente, estabeleceu o que chamou de critérios anuais a serem cumpridos em cada setor da missão. E o planejamento deles acaba em 2011. Para o Brasil, chegou o momento de pensar em uma estratégia de saída. Sobretudo porque no Haiti já há uma muito forte presença da ONU fora da Minustah. Além disso, para a missão deixar um marco positivo, a transição para uma equipe de haitianos tem de ser preparada já.

FONTE: O Estado de São Paulo, via Notimp

 

minustah

A Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti), que é comandada militarmente pelo Brasil, completa hoje cinco anos a um custo para os cofres do país de pelo menos R$ 577 milhões.
De acordo com o Ministério da Defesa, essa verba corresponde aos gastos entre junho de 2004 e dezembro de 2008. A estimativa de despesas para o ano todo de 2009 é de R$ 128,4 milhões. O ministério não divulgou balanço sobre o primeiro semestre deste ano.

Aproximadamente 40% de tudo o que o Brasil gasta no Caribe é reembolsado pelas Nações Unidas ao Brasil, segundo o Ministério da Defesa. Até o fim do ano passado, a cifra devolvida alcançava R$ 253 milhões (44% da verba gasta).

Quase 58% desse valor corresponde aos salários dos militares. O valor reembolsado por gastos com transportes corresponde a 8% da verba.

O restante do reembolso (34%) é uma espécie de aluguel pago pela ONU pelo uso de equipamentos brasileiros, como veículos blindados de transporte de tropas, jipes e maquinário em geral.

A verba de R$ 577 milhões se restringe ao gasto militar brasileiro no Haiti. Mas a Minustah possui também ampla estrutura civil destinada a reconstruir o Haiti financiada por 192 países-membros da ONU.
O orçamento até outubro deste ano é de US$ 3,05 bilhões, dos quais US$ 96 milhões ainda não estão disponíveis.

Essa verba se destina a manter a segurança -desde 2007 não há confrontos entre rebeldes e militares- e reconstruir as instituições do Haiti, que hoje ocupa a 146ª posição entre 177 países no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

A ONU acredita que em 2011 a conjuntura do Haiti permitirá uma retirada gradual de tropas.

Treinamento

Um dos maiores argumentos do governo para investir na missão é treinar militares e testar equipamentos bélicos em situação instável e real. O Brasil mantém no Haiti um contingente de aproximadamente 1.200 militares (trocados a cada seis meses) do Exército e do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha. Até hoje já passaram pelo Haiti cerca de 12.100 militares.

O Ministério da Defesa também afirmou que a missão de paz é uma das prioridades da atual Política de Defesa Nacional, que preconiza a maior inserção do país no âmbito das Nações Unidas e nos processos decisórios internacionais.

Além disso, a missão também está inserida no esforço brasileiro de obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. O Ministério das Relações Exteriores afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que a missão não se restringe ao pleito pela vaga no conselho, mas sim a um objetivo maior de estabilidade e manutenção da paz regional.

FONTE: Folha de São Paulo / FOTO: EB

 

‘Operação Solon Ribeiro’ no Pantanal

FORPAN

No período de 14 a 22 de maio, a Brigada Guaicurus realizou a “Operação Solon Ribeiro”, exercício de adestramento para a FORPAN – Força Pantanal. A tropa participante foi constituída de um Estado-Maior nível Unidade, quatro subunidades de Cavalaria e elementos de apoio ao combate, todos orgânicos das OM que integram aquela GU. O Comandante Militar do Oeste, General Ferrarezi, realizou uma visita ao local das atividades.

FORPAN

FONTE: EB

 

Na sequência (clicar na imagem para ampliar), o efeito devastador da detonação de mina anti-carro num veículo BTR-60 no Afeganistão (erroneamente divulgado como tendo ocorrido na Chechênia). Segundo uma fonte, as imagens foram obtidas por uma equipe de reportagem européia em 1996/97.

 

1. INTRODUÇÃO

Desde que o Governo Brasileiro decidiu contribuir com a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), nossos soldados têm convivido com situações pouco convencionais. A complexidade do quadro psicossocial haitiano tem apresentado desafios constantes à nossa tropa, desde os níveis de comando até os escalões de execução.

O escopo deste artigo é o de repassar aos leitores a experiência de um comandante de subunidade blindada em operações de manutenção da paz no Haiti. Dessa forma, abordaremos o ambiente operacional, com suas principais ameaças contra a tropa. Discorreremos, ainda, sobre a organização da subunidade e as principais missões cumpridas por ela, descrevendo a forma de atuação das frações elementares.

2. AMBIENTE OPERACIONAL

A cidade de Porto Príncipe, capital do Haiti, caracteriza-se pela grande quantidade de favelas e bolsões de miséria, possuindo cerca de 2,5 milhões de habitantes.

Predomina, conseqüentemente, o ambiente urbano. As favelas apresentam construções de forma desordenada, com inúmeros becos, que por sua vez também ramificam-se irregularmente, sem qualquer padrão definido.

As duas principais favelas em que a tropa brasileira operava eram Bel Air e Cité Soleil. A primeira localiza-se próximo ao Palácio Presidencial, em uma área com predominância de morros, cujas construções são em sua maioria de alvenaria e dispondo de apenas alguns andares (de 5 a 7 metros de altura).

Na segunda o terreno apresenta-se plano, as construções são mais rudimentares, algumas de madeira e zinco. As ruas são mais permeáveis aos blindados, embora existam terrenos restritos devido à falta de consistência, criando verdadeiros atoleiros para as viaturas.

Em ambas, encontramos canais que dissociam e atrapalham o movimento das tropas, definindo compartimentos no terreno. Ainda como característica comum, citamos a imensa quantidade de lixo espalhada pela zona de ação, dificultando, sobremaneira, os deslocamentos de nossas frações, tanto embarcado quanto desembarcado.

Neste ambiente operacional, as principais ameaças sobre nossas frações eram o emprego de pequenos efetivos de forças adversas infiltrados nos becos e que, por vezes, executavam disparos de lajes no interior de vielas, pouco acessíveis, ou pela retaguarda das viaturas, evadindo-se depois pelos inúmeros becos da região. Tais disparos visavam, geralmente, a torre, o motorista e os pneus da VBTP.

Destaque-se, também, o emprego de pedras e coquetéis molotov contra nossas viaturas, causando efeito psicológico negativo na tropa, apesar de seu baixo índice de letalidade.

3. PRINCIPAIS MISSÕES CUMPRIDAS PELA CIA

Antes de abordar as missões cumpridas pelo Esqd Fuz Mec no Haiti, é importante frisar que o escalão superior esperava que nossa fração se constituísse em uma força de ação rápida, devendo apresentar-se pronta para qualquer eventualidade, em um intervalo de 20 a 30 minutos depois de acionada, em qualquer lugar da capital do Haiti. Além disso, contava com o poder dissuasório dos blindados.

Dentre a gama de missões atribuídas ao esquadrão, podemos citar as seguintes: patrulhamento em áreas de risco, ocupação de pontos fortes, reconhecimentos, desaferramento de frações engajadas, ocupação de posições de bloqueio, vigilância de zonas de ação, monitoramento de manifestações, desobstrução de vias públicas , escoltas de comboios e autoridades , apoio às ações da Polícia Nacional do Haiti, dentre outras.

O efetivo total do Esqd Fuz Mec era o de 150 militares, sendo composto por 4 pelotões de Fuz Mec e uma seção de comando. Contávamos, ainda, com 16 VBTP Urutu, dois caminhões de 5 Ton, uma Vtr Land Rover 90 e outra 120, além de uma ambulância bem equipada. Como elementos de saúde, dispúnhamos de um médico, um sargento enfermeiro e quatro atendentes.

4. FORMA DE ATUAÇÃO

De uma maneira geral, a forma de atuação do EsqdFuz Mec, na missão de paz do Haiti, seguia o padrão descrito a seguir.

4.1 CONCEPÇÃO DA MISSÃO

No início, tínhamos que concentrar nossos esforços no reconhecimento da área de operações, além da obtenção de informes valiosos para a montagem de um banco de dados fidedigno acerca da zona de ação. Entre os elementos essenciais de informação destacamos: levantamento de lideranças locais, identificação de necessidades da população, áreas de homizio de elementos de forças adversas, locais de reunião, principais vias de acesso utilizadas para deslocamentos de gangues, bem como limites territoriais entre elas.

4.2 PLANEJAMENTO

Cada pelotão recebia um determinado setor de patrulhamento e um horário a ser seguido.

O Cmt Pel distribuía uma zona de ação para cada GC blindado, realizando rodízios periódicos entre as frações. No respectivo setor de responsabilidade de cada Pel, eram informados os locais onde estes deveriam mobiliar pontos fortes temporários e onde deveriam concentrar seus esforços, a fim de obter informações de acordo com os elementos essenciais de informação recebidos . Para tanto, os GC eram reunidos e, então, eram lançados no patrulhamento a pé com a finalidade de reconhecer os becos e vielas da área de operações, além de levar a presença da tropa em locais inacessíveis aos blindados. Tais patrulhas contavam, algumas das vezes, com intérpretes locais, fundamentais para a coleta de informes.

A ocupação de postos de observação era imprescindível para a segurança dos deslocamentos, uma vez que, desta forma, poderíamos obter comandamento sobre as lajes da área de operações.

Quanto ao tempo de duração das patrulhas, a prática mostrou que o melhor rendimento era obtido quando estas duravam de 2, 5 a 3 horas.

4.3 EXECUÇÃO – PATRULHAS MECANIZADAS

Quando embarcados, os fuzileiros recebiam um setor de observação, incluindo as lajes acima da viatura. Nas escotilhas procurávamos manter apenas um militar, para evitar que dois combatentes entalassem nos casos em que se fazia necessário entrar rapidamente para dentro da VBTP. Outra vantagem desse sistema, era o de proporcionar rodízio entre os homens, de forma que cada esquadra permanecia cerca de 30 minutos atenta ao patrulhamento e 30 minutos em situação um pouco mais aliviada dentro da viatura.

Uma das maiores dificuldades para o comandante de GC blindado era o de controlar o motorista, haja vista o fato do sistema de intercomunicação ou apresentar defeitos, ou, mesmo quando funcionava a contento, o capacete não ter qualquer proteção balística. Como solução, os Cmt GC posicionavam um soldado no banco próximo à porta lateral da viatura para retransmitir ao motorista as ordens emitidas.

Outro problema grave era quando o motorista precisava “escotilhar” e tinha que conduzir a VBTP dessa forma. A visibilidade proporcionada pelos blocos de visão do Urutu é muito pobre, tornando esta tarefa muito difícil.

No aspecto blindagem, em geral a viatura suportava bem os impactos até mesmo de 7,62mm, desde que estes não fossem disparados a distâncias muito próximas (cerca de 20 a 50 metros). Nestas ocasiões houve casos em que projetis perfuraram a blindagem, colocando em risco a guarnição embarcada.

O reparo da metralhadora MAG apresentava o inconveniente de obstruir o curso da alavanca de manejo desta, por ocasião dos disparos, ocasionando interrupções indesejáveis na cadência de tiro. A solução adotada foi a adaptação de uma pequena barra de aço soldada no reparo a fim de fazer com que a alavanca de manejo pudesse se posicionar em plano mais elevado ao do berço do reparo. Outro problema era a incapacidade de executar disparos com a metralhadora de dentro da viatura.

Os maiores obstáculos à movimentação dos blindados eram os fossos escavados nas ruas, com o propósito de restringir a mobilidade das forças de segurança. Além disso, as verdadeiras montanhas de lixo e as carcaças de veículos carbonizados, também ofereciam sérias restrições ao movimento, além de provocar constantes avarias nos pneus, tornando-se sério problema logístico para nossa tropa.

4.4 EXECUÇÃO – PATRULHAMENTO A PÉ

Quando desembarcados, os fuzileiros realizavam o patrulhamento a pé, sempre apoiados pela sua respectiva VBTP dotada de metralhadora 7,62mm MAG. O itinerário destas patrulhas era curto e englobava, prioritariamente, os becos e vielas inacessíveis aos blindados. Ainda com o intuito de apoiar as frações que se deslocavam no interior da zona de ação, ocupávamos postos de observação ao longo de tais itinerários. Dessa forma, conseguíamos ampliar nosso campo de visão, bem como obter comandamento, evitando disparos vindos do alto das lajes adjacentes.

No interior da favela, a maior dificuldade era manter a comunicação visual entre as frações. Tal situação era agravada pelo fato da descentralização chegar, algumas vezes, ao escalão esquadra.

Isto se devia à escassez de espaço dentro da zona de ação, tornando ineficiente, e até perigoso, o emprego de efetivos maiores que o GC em uma mesma via de acesso.

O armamento também não se mostrava muito funcional, uma vez que apesar de estarmos armados de PÁRA-FAL, este, ainda assim, era longo demais, enroscando nas paredes e muros e exigindo o emprego de ambas as mãos para a execução do tiro. Ressalte-se que as distâncias de engajamento neste ambiente operacional variavam de 6 a 15 metros.

Embora houvesse dificuldades e riscos, o patrulhamento a pé se constituía em excelente
complemento ao patrulhamento mecanizado, pois projetava a tropa no interior da zona de ação, dificultando o homizio de forças adversas e restringindo-lhes o movimento.

Em suma, pode-se afirmar que os blindados transportavam a tropa com segurança e ampliava-lhe a capacidade de concentração e dispersão em curto espaço de tempo. Favoreciam o seu emprego no local e na hora em que fosse mais adequado ao cumprimento da missão; enquanto o deslocamento a pé aumentava a visibilidade de nossos soldados, contribuindo para o aumento da sensação de segurança na população haitiana.

5. ENGAJAMENTO COM FORÇAS ADVERSAS

Na esmagadora maioria das vezes, o engajamento com as forças adversas ocorria em situações inopinadas. Nestas ocasiões, era muito difícil precisar de onde os disparos partiam e levava-se algum tempo até conseguir definir esta suposta direção. Uma vez localizada a ameaça, adotávamos Técnicas de Ação Imediata (TAI) ofensivas. Definíamos uma área de vasculhamento e enquanto uma fração cercava os acessos a esta área, outra realizava o investimento. Os efetivos empregados variavam de acordo com a disponibilidade de tropa no local (tais situações passavam-se de forma muito rápida), com o tamanho da área e o efetivo aproximado das forças adversas. Como referência, geralmente, utilizávamos um ou dois pelotões no cerco, um pelotão no investimento e outro como reserva móvel, prosseguindo no patrulhamento e vigilância de outras áreas que poderiam ser utilizadas como azimute de fuga pelos meliantes.

A maior dificuldade do comandante de subunidade era a de filtrar as diversas informações enviadas pelos pelotões, entender a situação, montar um quadro mental do que estava o correndo, definir sua intenção e traduzí-la em um comando simples, objetivo e exeqüível. As ordens eram transmitidas pelo rádio, através de ordens fragmentárias, pelo modelo preconizado pelo Centro de Instrução de Blindados. A correta emissão destes comandos era de vital importância para o êxito da operação.

Outra séria dificuldade, era a de controlar o regime de fogos das frações. A tendência do soldado é a de atirar para se proteger, mesmo não tendo identificado alvos compensadores. Na tentativa de resolver este problema, os comandantes de pelotão e GC trabalhavam o psicológico de seus homens, tentando incutir-lhes confiança e a preocupação com a economia de munição, bem como a importância de se evitar efeitos colaterais indesejáveis para o êxito da missão de paz. Além disso, os Cmt GC designavam, através de comandos verbais, os elementos que deveriam engajar os alvos, utilizando- se da técnica prevista no manual de instrução individual básica: “observe meu tiro !”.

A instrução individual básica tem apresentado oportunidades de melhoria, principalmente no tocante à designação de alvos e objetivos, bem como no excesso de exposição de oficiais e sargentos durante os engajamentos.

Um aspecto de suma importância era a evacuação de feridos. A maior parte de nossos ferimentos foi oriunda de estilhaços de projetis dirigidos contra a torre dos Urutus, vindo a atingir nossos militares nos braços e região da face próxima dos olhos. Nestas oportunidades, os primeiros socorros eram prestados pelos companheiros ou atendentes dos pelotões. Em seguida, os feridos eram evacuados pelo médico, ou nas próprias VBTP, para o hospital de campanha da ONU (Argentino). Esta instalação de saúde possuía capacidade para operar apenas um militar por vez.

O ideal seria que os atendentes de pelotão tivessem conhecimentos de pára-médicos.

6. CONCLUSÃO

A missão de estabilização das Nações Unidas para o Haiti tem sido uma excelente oportunidade de ades tramento para nossas frações blindadas. Verdadeira escola de comando das pequenas frações, onde os tenentes e sargentos estão podendo exercitar sua liderança e conhecimento tático.

No Haiti, a tropa blindada vem mostrando seu valor e demonstrando a importância do judicioso emprego de blindados, mesmo em ambiente operacional urbano ou em missão de paz. Seria extremamente desejável que as preciosas lições colhidas em solo haitiano não se apaguem e possam servir para melhorar os padrões operacionais das pequenas frações blindadas e mecanizadas do Exército Brasileiro.

NOTA DO BLOG: Artigo publicado na Revista Ação de Choque do Centro de Instrução de Blindados General Walter Pires, com o título original de “O EMPREGO DO ESQUADRÃO DE FUZILEIROS MECANIZADO EM OPERAÇÕES DE MANUTENÇÃO DA PAZ NO HAITI”.

 
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