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Indicado por Obama, sua aprovação acentua rixa entre democratas e republicanos

 

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vinheta-clipping-forte1 Chuck Hagel foi confirmado ontem, pelo Senado dos EUA, como o próximo secretário de Defesa do país, após uma turbulenta disputa entre parlamentares democratas e republicanos.

A casa confirmou sua indicação por 58 votos a 41, sendo que quatro senadores republicanos se uniram à base de apoio democrata.

Os republicanos se opuseram a Hagel, indicado ao cargo pelo presidente dos EUA, Barack Obama, sobretudo por ele ter sido contra a Guerra do Iraque e por ter criticado a influência do lobby de Israel em Washington.

Os republicanos chegaram a barrar a votação, no último dia 15, adiando saída de Leon Panetta do posto.

“Seu histórico de serviço a este país é impecável. Os senadores republicanos atrasaram por quase duas semanas [sua confirmação] por uma razão: partidarismo”, criticou o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, antes da votação que coloca Hagel no cargo a partir de hoje.

Já os republicanos advertem que o novo secretário de Defesa assumirá o posto com o maior número de votos contrários de qualquer outro escolhido. A bancada alega que a disputa deixa seu nome politicamente mais fraco.

AMIGOS E RIVAIS

Apesar da oposição sofrida, Hagel, um veterano da guerra do Vietnã, é ex-senador republicano. Foi como colega de Obama quando ambos eram senadores que eles se tornaram próximos. Os dois chegaram a integrar juntos a Comissão de Relações Exteriores da casa.

FONTE: Folha de São Paulo

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Vantagens de uma guerra

Há uma verdade profunda e desconfortável: o ambiente devido à Guerra do Iraque foi benéfico para o Brasil

 

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Matias Spektor

A Guerra do Iraque completa dez anos, deixando mais de meio milhão de mortos e um país devastado.

É impossível contar essa história sem ser tomado por um sentimento de revolta.

Afinal, as forças de ocupação, atuando sem autorização clara das Nações Unidas, foram campeãs de incompetência.

Destituíram as Forças Armadas do país, empurrando seus homens para a resistência. Privatizaram de modo ineficiente os serviços públicos, dificultando o processo de reconstrução no pós-guerra. Impuseram um regime que aos olhos de muitos é ilegítimo.

De quebra, mentiram, enganaram e torturaram, repugnâncias que não impedem a George W. Bush e Tony Blair viver hoje em liberdade.

Qual o impacto da guerra sobre a política externa brasileira?

Com a perspectiva de dez anos, agora é possível evitar a resposta mais superficial, segundo a qual o conflito teria sido nefasto para o Brasil porque esgarçou o direito internacional e, a um custo de quase US$ 3 trilhões, contribuiu para o desequilíbrio econômico do planeta.

Há uma verdade mais profunda e menos confortável: o ambiente internacional criado pela Guerra do Iraque foi benéfico ao Brasil.

Três dinâmicas merecem destaque. Primeiro, a guerra provocou uma avalanche de protestos em todo o planeta, legitimando a mensagem central da diplomacia brasileira -como o mundo ainda apresenta resquícios do velho sistema imperial, é urgente democratizar a gestão das relações internacionais. Essa demanda por alternativas foi precondição para que Lula se transformasse em ícone global.

Segundo, a guerra criou um forte incentivo para que os Estados Unidos promovessem o ativismo brasileiro na América do Sul.

O vasto leque de iniciativas brasileiras de integração regional não apenas recebeu o beneplácito de Washington, mas também seu apoio explícito. Para a Casa Branca de Bush, um Brasil ativista poderia reduzir custos, liberando recursos escassos para o trabalho no Oriente Médio.

Terceiro, a guerra pôs Índia e Turquia no mapa. Embora não tivesse o mesmo valor geopolítico, o Brasil beneficiou-se por tabela depois que Bush criou novos procedimentos diplomáticos para se relacionar com as “novas potências emergentes”. Obteve fôlego a crença em que países como o Brasil mereciam deferências especiais e doses crescentes de atenção.

O Brasil ganhou porque foi pragmático. Junto ao resto do mundo, ouviu de Bush que “toda nação tem uma escolha para fazer neste conflito [...] não há território neutro”.

Lula fez a sua. “Presidente, entendo sua posição”, disse ao colega na Casa Branca. “Mas minha guerra é outra.”

Em vez de ficar contrariado, o presidente americano ficou admirado. “Gosto desse cara”, comentou com assessores depois do encontro. “Ele vai fazer negócio comigo”. E fez.

Em política internacional termina-se sempre com o estômago embrulhado. Aqui não é diferente. Horrorosa como foi, a Guerra do Iraque moldou o contexto da ascensão brasileira, com tudo o que nela há de real e de imaginário.

FONTE:
folha.com

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Retorno na surdina

Chávez anuncia ter voltado a Caracas após dez semanas internado em Cuba, mas não aparece

 

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Janaína Figueiredo

vinheta-clipping-forte1A comparação causou furor entre os internautas venezuelanos ontem: “Chávez é como Papai Noel: se veste de vermelho, chega de noite, ninguém o vê e somente os inocentes acreditam nele”. Por volta das 6h de ontem, o presidente da Venezuela informou por meio de sua conta no Twitter que estava novamente em seu país, após dez semanas de ausência. Não foram divulgadas imagens de sua chegada e as únicas fontes que confirmaram o retorno foram funcionários do governo e membros do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

“Chegamos novamente à Pátria venezuelana. Obrigado meu Deus! Obrigado Povo amado!! Aqui continuaremos o tratamento”, tuitou o presidente.

Muitos chavistas comemoraram a volta de seu comandante na porta do hospital militar de Caracas, para onde Chávez foi levado, de acordo com o Palácio de Miraflores, e em outros pontos da cidade. Já opositores manifestaram suas suspeitas sobre as informações oficiais nas redes sociais, e dirigentes da Mesa de Unidade Democrática (MUD) exigiram transparência ao governo chavista. Estudantes que passaram quatro dias acorrentados em frente à Embaixada de Cuba em Caracas para protestar contra a suposta ingerência de Havana no governo venezuelano suspenderam a manifestação com o retorno de Chávez.

Rumores ininterruptos

A famosa frase de Bertolt Brecht – “De todas as coisas seguras, a mais segura é a dúvida” – reflete, em grande medida, o clima de ontem na Venezuela. Três dias depois da publicação das primeiras fotos de Chávez no Centro de Investigações Médico-Cirúrgicas de Havana, onde foi internado em 10 de dezembro para submeter-se à quarta cirurgia após o diagnóstico de câncer em junho de 2011, o presidente anunciou sua volta à Venezuela, mas não conseguiu conter os rumores sobre seu estado de saúde e o futuro político do país. Informações extraoficiais divulgadas pela imprensa local indicaram que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) estaria a postos para realizar a cerimônia de posse do quarto mandato do presidente – a data original do juramento era 10 de janeiro passado, mas a corte permitiu que o trâmite fosse adiado. A diretoria do PSUV assegurou que nada acontecerá enquanto o mandatário estiver sob tratamento médico.

- (Chávez) prestará juramento quando estiver bem e são – disse o governador do estado de Anzoátegui e dirigente do PSUV, Aristóbulo Istúriz.

Para Ignácio Ávalos, professor da Universidade Central da Venezuela (UCV), o retorno de Chávez não resolve a crise política local. Segundo Ávalos, “a sensação de desconfiança está instalada”:

- As pessoas se perguntam: para que veio Chávez? Ele está melhor? Vai governar? E até mesmo se continua vivo.

Versões contraditórias sobre a chegada do presidente foram constantes. Uma enfermeira do hospital militar afirmou ter visto o chefe de Estado “chegar caminhando”. Para o jornalista Nelson Bocaranda, que revelou a doença de Chávez, “a enfermeira se enganou de paciente”.

Adversário de Chávez nas eleições de outubro passado, o governador do estado de Miranda, Henrique Capriles, deu as boas-vindas ao presidente e pediu que sua presença ajude o governo a atuar “com sensatez” a partir de agora. A oposição acusa o Palácio de Miraflores de aplicar um “pacotaço” econômico, que incluiu uma nova desvalorização do bolívar e provocou uma aceleração do processo inflacionário.

- Acho que Chávez veio acalmar os ânimos. A situação econômica está cada vez mais complicada – disse o jornalista Hernán Lugo, do “El Nacional”.

Com as mesmas incertezas que existiam quando o presidente estava em Cuba, a oposição continua apostando na convocação de futuras eleições presidenciais, e Maduro, segundo o professor da UCV, “fortalece sua postura de candidato à sucessão de Chávez”. Capriles seria, novamente, o candidato único dos opositores.

- Não se muda de estratégia aos 45 do segundo tempo – afirmou Ávalos.

FONTE: O Globo, via resenha do EB

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Pegou mal

Declaração de Dilma sobre ação militar no Mali irrita governo francês

 

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Murillo Camarotto

vinheta-clipping-forte1Não pegou bem em Paris a declaração da presidente Dilma Rousseff sobre a intervenção do exército francês no Mali. Após uma reunião com líderes europeus, há três semanas, Dilma afirmou que o combate ao terrorismo não deveria “reavivar antigas tentações coloniais”.

Fontes do governo francês informaram ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, que a observação de Dilma foi muito mal recebida em Paris. “Um comentário como esse revela, acima de tudo, desconhecimento”, disse uma pessoa com trânsito na diplomacia francesa.

De acordo com a fonte, a operação militar está amparada nos requisitos necessários, como pedido oficial de ajuda pelo governo do Mali e aval da Organização das Nações Unidas (ONU). “A intervenção também conta com apoio dos países vizinhos ao Mali, que temem a proliferação do terrorismo na região”, reforça a mesma fonte.

Colônia da França até 1960, o Mali passa por uma onda de violência após o envolvimento de grupos terroristas de origem muçulmana e ocidental em disputas políticas locais. As forças francesas entraram em ação no dia 11 de janeiro, no momento em que rebeldes ameaçavam derrubar o governo local.

No último dia 24, Dilma se reuniu em Brasília com os presidentes da União Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman van Rompuy. Na ocasião, a presidente cobrou solução para os conflitos no Mali, na Síria, em Israel e na Guiné-Bissau.

Dilma defendeu a submissão das ações militares às decisões do Conselho de Segurança da ONU e mencionou eventuais tentações coloniais. “O combate ao terrorismo também não pode ele mesmo violar os direitos humanos nem reavivar nenhuma das tentações, inclusive as antigas tentações coloniais”, disse a presidente.

Na avaliação dos franceses, a declaração revela também o “desinteresse” do governo Dilma pela política externa. Os europeus reclamam de dificuldades em conseguir agendar reuniões e coletar informações junto aos ministérios e demais órgãos do governo. Os empecilhos, segundo os franceses, teriam aumentado após Dilma assumir a Presidência da República.

Em um primeiro momento, os diplomatas franceses avaliaram a declaração como um arroubo presidencial e esperaram, em vão, por um esclarecimento do Ministério das Relações Exteriores. “Um país que tem a sexta economia do mundo e quer um assento no Conselho de Segurança da ONU não pode falar em colonialismo em pleno século 21”, arrematou a fonte no governo francês.

FONTE: Valor

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Em comunicado conjunto divulgado noa última sexta (14) em Moscou, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, manifestaram o interesse em reforçar a parceria entre os dois países na área de defesa. No encontro, ficou acertado que uma delegação brasileira, composta por militares e empresários da indústria de defesa, visitará a capital da Rússia já no início de 2013 para tratar de temas referentes à cooperação bilateral.

“Os dois presidentes congratularam-se pela assinatura do Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da Federação da Rússia de Cooperação em Defesa. Nesse contexto, concordaram em aprofundar a cooperação no marco desse acordo, dedicando particular prioridade à área de desenvolvimento tecnológico. Nesse sentido, reiteraram a importância de desenvolver cooperação de longo prazo, com base no princípio da transferência de tecnologia, no estabelecimento de parcerias industriais e em programas de formação de pessoal. Nesse contexto, as Partes destacaram a potencialidade da cooperação no setor de defesa antiaérea. Missão brasileira do Ministério da Defesa, com participação empresarial, visitará a Rússia muito proximamente, com esse objetivo”, diz a declaração conjunta. Ao todo sete acordos bilateriais nas áreas de defesa e comércio foram assinados, além da venda para o Brasil de 14 helicópteros da empresa Russian Helicopters no valor de quase 200 milhões de dólares. Todos os compromissos vigoram no período entre 2013 e 2015.

Dilma e Putin também reiteraram que a “cooperação econômica e comercial é parte importante da parceria estratégica bilateral” e, nesse sentido, “destacaram o compromisso de trabalhar para, no curto prazo, elevar o intercâmbio comercial bilateral à cifra de US$ 10 bilhões anuais”.

O documento informa que “os dois governos tomarão as medidas necessárias para identificar e incentivar o desenvolvimento de novas áreas de cooperação comercial em benefício mútuo; para garantir perfil mais equilibrado e dinâmico ao comércio; para diversificar e aperfeiçoar a pauta comercial, por meio do aumento da participação de artigos de maior valor agregado, especialmente os relacionados a setores de alta tecnologia; para intensificar contatos entre grupos empresariais brasileiros e russos, de modo a explorar eventuais complementaridades produtivas e a possibilidade de atuar conjuntamente em terceiros países”.

Durante sua passagem pela Rússia, a presidente falou sobre a posição do Brasil em relação ao conflito na Síria, afirmando que “o Brasil é extremamente pessimista no que se refere a soluções militares para conflitos militares”. Segundo Dilma, essas tentativas estão fadadas ao fracasso, como observado no Iraque e Afeganistão.

“Nós, brasileiros, somos pacíficos e vivemos em paz com nossos vizinhos. Portanto, defendemos que o conflito sírio seja resolvido pelos sírios. A solução deve ser diplomática  através do diálogo e nós apoiamos o alto representante da ONU nessa questão”, finalizou a presidente.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, integrou a comitiva da presidente Dilma durante a visita à França e à Rússia nesta semana. A previsão é que a delegação brasileira chegue à capital federal neste fim de semana.

FONTE: Ministério da Defesa e Gazeta Russa (edição e adaptação do Forças Terrestres)

 

Brasil moderniza estruturas de defesa da Guiana e do Suriname

País vai fornecer equipamento militar aos vizinhos da fronteira norte; Ministro Amorim foi ontem a Georgetown

 

Roberto Godoy

A estrutura da Defesa da Guiana e do Suriname, os dois menores países da fronteira norte do Brasil, será modernizada com o suporte da indústria e das organizações militares do País. Ontem, o ministro da Defesa, Celso Amorim, esteve em Georgetown, a capital da Guiana, com o presidente, Donald Ramotar, e o secretário de Defesa, Roger Luncheon. Na pauta, a necessidade de aumentar a vigilância da fronteira. Mais tarde, com a ministra de Relações Exteriores, Carolyn Rodrigues-Birkett, foi discutida a preocupação de ambos os governos com o crescente número de garimpeiros clandestinos, “cerca de 35 mil na região”, conforme o porta-voz, Edmond Blond.

Há mais que isso. As Forças de Defesa da Guiana têm 1.100 militares – 900 homens e mulheres no Exército, 100 na Aeronáutica e 100 na Marinha; Guarda Costeira e Patrulha Fluvial, basicamente. A população total é estimada em 800 mil pessoas.

A tropa já usa equipamento do Brasil. São 6 velhos Cascavel armados com canhão de 90 mm, e 11 blindados Urutu, de transporte anfíbi0. Para melhorar a segurança da divisa com o Brasil, será necessário criar ao menos um esquadrão aéreo de ataque leve, dotado dos turboélices Super Tucano, da Embraer.

Além disso, o intercâmbio de oficiais nos centros militares de formação e especialização brasileiros está em negociação.

A Guiana tem uma certa preocupação com a Venezuela, que mantém em aberto uma pendência territorial na tríplice fronteira com o Brasil. A FAB construiu uma pista a 6,5 quilômetros dos territórios dos dois vizinhos.

Amorim chega hoje de manhã a Paramaribo, capital do Suriname. Há sete meses, o ministro da Defesa surinamês, Lamouré Latour, esteve com o colega brasileiro na fábrica da Embraer, em São José dos Campos (SP). Na agenda, a aquisição de dois a quatro Super Tucanos. navios-patrulha leves, de 500 toneladas, e a revitalização da frota de blindados fornecidos pelo Brasil em 1983. “De quebra, gostaria de ter acesso aos dados captados pelo Sistema de Proteção da Amazônia”, disse o presidente Dési Bouterse. Aí, acreditam especialistas, há um problema. O DEA, principal agência americana de repressão ao narcotráfico, qualifica o país de 487 mil habitantes e 1.840 soldados como importante conexão das rotas internacionais de circulação de cocaína.

FONTE: O Estado de São Paulo

 

Israel preparado para guerra de 30 dias

Israel está preparada para uma guerra de 30 dias em múltiplas frentes contra o Irão e está “mais pronto do que nunca” para o conflito, disse hoje o ministro da Defesa Interna israelita, futuro embaixador em Pequim.

 

Numa entrevista ao jornal Maariv, Matan Vilnai disse que Israel está pronto para enfrentar as consequências de um conflito com o Irão, que poderá acontecer se o Estado judaico decidir atacar o programa nuclear iraniano.

Mas avisou que qualquer intervenção militar deve ser avaliada cautelosamente e alertou que Israel deve “sempre coordenar-se” com os Estados Unidos.

“As avaliações são para uma guerra que durará 30 dias numa série de frentes”, disse o ainda ministro, repetindo as previsões de outros altos dirigentes israelitas de que Israel sofreria cerca de 500 mortes num conflito daquele tipo.

“Pode ser que haja menos mortes, mas também pode haver mais, é esse o cenário para que estamos a preparar-nos, segundo os melhores especialistas”.

Nas últimas semanas tem sido aventada a possibilidade de Israel atacar o programa nuclear iraniano, que tanto Israel como grande parte da comunidade internacional acredita esconder um programa militar.

Teerão tem insistentemente negado essas acusações, garantindo que o programa tem finalidades pacíficas, como a energia e a medicina.

À medida que aumenta a especulação, observadores em Israel têm levantado questões sobre o estado de preparação do país para a guerra, mas Vilnai afastou as preocupações, afirmando não haver “ração para histeria”.

“Posso dizer, da forma mais autorizada, que a frente nacional está pronta que nunca na história do país”, disse.

Vilnai escusou-se a opinar sobre se Israel deve ou não atacar o Irão, mas avisou que qualquer decisão nesse sentido requer uma séria avaliação.

“A única questão é se é necessário um conflito. A guerra é algo que é melhor adiar e pesar cuidadosamente”, afirmou.

Matan Vilnai, um próximo do ministro da defesa Ehud Barak, foi nomeado embaixador de Israel na China e será substituído por um antigo responsável do Shin Beth, o serviço israelita de segurança interna, Avi Dichter.

FONTE: RTP

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Em encontro do setor, ministro aponta ‘insegurança’ no mundo e urgência de proteger o patrimônio do País

 

ROLDÃO ARRUDA

O fim da bipolaridade entre os regimes comunista e capitalista não fez do planeta um lugar mais estável nem mais seguro, segundo o ministro da Defesa, Celso Amorim. Na avaliação dele, existe hoje um “forte sentimento de insegurança no sistema internacional”, causado pelas “ações unilaterais de grandes potências e alianças militares” e pela incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de controlar esses movimentos.

Diante desse cenário e do aumento dos interesses do Brasil ao redor do mundo, é mais do que justificável, segundo o ministro, a elevação dos gastos no aprimoramento do setor de defesa: “A nova estatura internacional do Brasil no século 21 requer as Forças Armadas continuamente preparadas e modernizadas para a proteção de nosso patrimônio e de nossos interesses”.

Amorim fez essas afirmações na conferência de abertura do 6.º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos da Defesa, ontem à noite, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Ele disse que não vê riscos imediatos na América do Sul, onde existe um clima de cooperação, um “cinturão de paz”. Não se deve desconsiderar, no entanto, ameaças extrarregionais.

“Temos um patrimônio que nos transforma num dos territórios mais ricos do planeta”, afirmou. “O Brasil deve construir capacidade dissuasória crível, que torne extremamente custosa a perspectiva de agressão externa ao nosso País.”

Amorim, que foi ministro de Relações Exteriores no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou em diferentes momentos a importância da diplomacia na solução de conflitos e a necessidade de se articularem as políticas de defesa e externa. A sua principal ênfase, porém, recaiu sobre o risco da instabilidade internacional e a necessidade de aprimoramento da defesa. O encontro, organizado pela Associação Brasileira de Estudos de Defesa, com apoio da Unesp, prossegue até quinta-feira.

FONTE: Estadão

Sem rumo

João Augusto de Castro Neves

Instituições regionais são uma característica saliente do cenário político da América do Sul. Em um continente com doze países, existem mais de dois parlamentos regionais, duas uniões aduaneiras e uma união intergovernamental mais abrangente. Apesar de todas essas iniciativas, boa parte dessas instituições é fraca ou inacabada, ou ambas. Parafraseando um observador, a habilidade de líderes locais de transformar miligramas de fatos em toneladas de palavras – ou, nesse caso, instituições regionais ineficazes – é impressionante.

A recente reunião de cúpula do Mercosul foi um reflexo da ineficácia em lidar com os problemas mais graves da região. Em meio à preocupação crescente com os rumos da economia global, os líderes reunidos na Argentina tiveram de administrar crises, a começar pela queda abrupta de Fernando Lugo da presidência do Paraguai. Sob a alegação não tão cristalina de ruptura institucional, o episódio acabou por motivar a suspensão de Assunção do bloco sul-americano. Não bastasse, os lideres regionais aproveitaram a suspensão do país guarani para aprovar, “por unanimidade”, a admissão da Venezuela como membro pleno do Mercosul – o Paraguai, afinal, se opunha à entrada de Caracas no bloco.

O saldo foi negativo para o Mercosul. Além dos questionamentos sobre a legalidade da “troca” do Paraguai pela Venezuela e dos sinais confusos em relação ao comprometimento regional com normas democráticas, as decisões tomadas na última reunião de cúpula agravarão ainda mais a já frágil dinâmica econômico-comercial do Mercosul.

Quando o Paraguai voltar ao bloco depois das eleições presidenciais do ano que vem, como é esperado, o fará provavelmente sem ter ratificado o documento de adesão da Venezuela. Isso significa que o Paraguai não terá internalizado as normas necessárias para reconhecer Caracas como integrante pleno do bloco, o que na prática permitiria ao Paraguai ignorar a decisão e provavelmente criar restrições a produtos venezuelanos.

Para uma instituição já eivada de exceções e improvisos, a entrada de uma economia díspar como a da Venezuela, sujeita aos rompantes de Hugo Chávez e dependente de apenas um produto – petróleo -, reduzirá ainda mais a capacidade de coordenação de dentro do Mercosul. É notório o fato que as disputas entre Brasil e Argentina têm enfraquecido a capacidade negociadora do Mercosul, como foi o caso das negociações com a União Europeia. Nos últimos anos, enquanto outros países latino-americanos assinaram acordos de livre comércio com as principais economias do mundo (EUA, UE e China), o Mercosul assinou apenas três: Israel, Egito e Autoridade Palestina.

Para se ter uma ideia do impacto do emaranhado de exceções e do improviso no comércio, o ritmo das exportações brasileiras para a Argentina tem desacelerado consistentemente, devido principalmente a salvaguardas impostas por Buenos Aires. Nos primeiros cinco meses de 2012, a Argentina recebeu menos de 8% do total das exportações brasileiras, bem menos do que os 13% alcançados em 1998. Ademais, o Brasil sinalizou recentemente que pode reduzir voluntariamente em 30% (para US$ 2 bilhões) o superávit com a Argentina para ajudar o pais vizinho a cumprir com suas obrigações financeiras.

Ao revelar as fragilidades do Mercosul, a cúpula do mês passado apontou não apenas para menos livre comércio na região, mas também para a ausência de uma agenda factível de negociação com terceiros países. Já em relação ao Paraguai, é provável que os problemas políticos se dissipem antes de terem algum impacto substantivo na região, exceto se o país decidir abandonar o Mercosul em definitivo para negociar acordos de livre comércio por conta própria – ou criar mais uma instituição regional.

JOÃO AUGUSTO DE CASTRO NEVES é cientista político.

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Para ministro da Defesa, base americana resultaria em isolamento do país em relação aos seus vizinhos do Mercosul

 

Marcelo Gomes, da Agência Estado – Agência Estado

RIO DE JANEIRO – O ministro da Defesa, Celso Amorim, classificou de “esdrúxula” a possibilidade de instalação de uma base militar dos Estados Unidos no Paraguai. Segundo ele, isso resultaria num isolamento ainda maior do país em relação aos seus vizinhos do Mercosul. As declarações foram feitas no Rio nesta segunda-feira, 9.

“Eu não sou ministro das Relações Exteriores, mas seria uma coisa tão esdrúxula que resultaria no isolamento a tão longo prazo do Paraguai que acho que não vale a pena. Não creio que ocorrerá”, afirmou Amorim, que participou hoje da solenidade de transmissão do controle do Exército para a Polícia Militar estadual do policiamento dos complexos pacificados do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio.

A possibilidade de construção de uma base dos EUA no Chaco, na região de fronteira próxima à Bolívia, foi anunciada na última sexta-feira, pelo deputado José López Chávez, presidente da Comissão de Defesa da Câmara dos Deputados do Paraguai. López Chávez afirmou que negociou a instalação da base com generais das forças armadas americanas, que visitaram o Paraguai dias após a destituição de Fernando Lugo da presidência.

FONTE: Estadão / FOTO: Wilton Junior

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Mário César Flores, almirante-de-esquadra (reformado)

A questão existencial das Forças Armadas – o quê, para o quê, por quê e com quais prioridades – vem exigindo revisão no mundo do pós-guerra fria. Que papéis são hoje presumíveis para elas nos diversos cenários nacionais e internacionais, qual a organização, quais as configurações e dimensões que lhes são adequadas? No equacionamento desse quadro de dúvidas influi o como a sociedade e o mundo político veem a defesa nacional – tema referenciado ao Brasil no artigo A Defesa no sentimento nacional, em O Estado de S. Paulo de 2/8/2011, cuja continuidade do descaso sugere ser conveniente nele insistir. O descompasso entre o País político/econômico e seu sistema militar tem sido irrelevante para a sociedade e a política brasileiras – uma fissura nacional incubadora de insegurança, na projeção do tempo.

Há 140 anos (guerra com o Paraguai) sem ameaças externas percebidas como graves, é compreensível o desinteresse da sociedade pela defesa, compartilhado pelo mundo político e setores da intelligentsia (universidade, mídia, etc.) que cultivam um curioso paradoxo: vociferam soberania, numa época de revisão restritiva desse conceito, mas são insensíveis às injunções estratégicas na soberania nacional e no status do País na ordem internacional!

A razão de ser básica das Forças Armadas é menoscabada, e tendemos a ensá-las principalmente no desempenho de suas atribuições subsidiárias (segurança da navegação aérea e marítima, atuação em crises de defesa civil, etc.), como milícia em apoio à polícia no controle do paroxismo de desordem e violência vigente no País e na vigilância policial das fronteiras, áreas de atuação permanente ou eventual importantes, mas não substitutas da defesa nacional como justificativa do sistema militar.

Demonstração clara desse “clima”: a defesa nacional não tem merecido dedicação atenta no Congresso Nacional. O desapreço se explica: no Brasil político muito pautado pela eleição/reeleição, para que a atenção política vá além das próximas eleições – condição intrínseca às grandes questões da defesa -, é preciso que o interesse da sociedade e o apelo eleitoral decorrente se estendam mais adiante do curto prazo, e isso não acontece com a defesa.

Além de não render votos, a defesa nacional não é propícia ao atendimento de nossa cultura política patrimonial-clientelista e do condicionamento viciado. Esse cenário se reflete no trato do Orçamento: no “mundo que conta”, nosso orçamento militar é pequeno em porcentual do PIB. Tal participação é compreensível diante das demandas sociais e econômicas e da ausência de problemas de defesa entendidos como críticos. Mas é errado que os efeitos da constrição no preparo militar coerente com o País sejam “sumariamente ignorados”, embora na democracia o Congresso seja ator relevante na defesa nacional e na inserção da dimensão estratégica do País no cenário internacional.

O tema é complicado, mais ainda em época, como a atual, em que a tecnologia, complexa e naturalmente cara, não permite improvisação sob pressão da necessidade imediata, como ocorria no século 19, quando nossa política era apoiada em capacidade militar improvisada, viável com a tecnologia de então (na 2.ª Guerra Mundial a atuação brasileira ainda foi improvisada, com apoio tutelar norte-americano).

A Estratégia Nacional de Defesa (END), aprovada em dezembro de 2008, foi (é) um passo positivo, mas qual tem sido sua repercussão (apoio, contribuições, restrições?) na sociedade, na mídia e na política? Praticamente nula. Foi avaliada e avalizada pelo Congresso (atuação que lhe propiciaria amparo político) e analisada por instituições de estudo supostamente dedicadas ao tema? Se o foi, não houve interesse e repercussão na mídia e na sociedade.

A emersão da defesa nacional do descaso é condição (ao menos uma das condições) para que o Brasil se faça presente, com a estatura que lhe cabe, na arquitetura do século 21. Há que identificar e hierarquizar nossas vulnerabilidades e preocupações, formular concepções estratégicas com a definição de prioridades realistas e a configuração e organização das Forças que lhes correspondam – um processo exigente de visão política e competência estratégica à altura da difusa realidade atual e do Brasil nela.

Sem ufanismo ilusório e tampouco sem sujeição à ideia de que a segurança é garantida pelo jurisdicismo e pacifismo utópicos, a presença brasileira no mundo requer atenção para o fato de que vivemos num mundo imperfeito, sujeito ao realismo do poder e aos conflitos inerentes ao planeta economicamente, ambientalmente e com acesso aos recursos naturais praticamente integrado, mas politicamente fragmentado.

Em paralelo com a construção de um país socialmente feliz e economicamente forte, é preciso construir uma afirmação político-estratégica apoiada em capacidade militar comedida, mas convincente e credível; coerente com o Brasil no contexto regional; dissuasória, por sinalizar risco e alto custo para qualquer agressor, hoje improvável, mas não impossível no correr do tempo; além de útil à cooperação em missões internacionais legitimadas por organização adequada. E isso não é fácil, na ausência de interesse político e societário. Insere-se nessa equação o assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, ilógico sem razoável capacidade militar que o respalde.

Vale repetir aqui fato citado no artigo anterior: há cerca de 15 anos, no intervalo em seminário sobre o Ministério da Defesa, no qual emergira inoportunamente o tema salarial, ouviu-se esta frase: “Os militares ganham mal, mas por que lhes pagar mais, se não precisamos deles?”. É necessário que esse final psicótico seja revertido. Se a defesa nacional continuar em plano de irrelevância autista, correremos o risco de comprometer decisivamente a lógica existencial das Forças Armadas: seu papel na garantia da vida nacional protegida e na inserção correta do Brasil na ordem regional e global.

FONTE: O Estado de São Paulo

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Os 12 países sul-americanos revelaram uns aos outros quanto gastam na área de defesa, medida com a qual pretendem fortalecer a confiança mútua e evitar conflitos na região, informou nesta quarta-feira à Agência Efe a Secretaria-Geral da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

“É a primeira vez que conseguimos reunir os países da América do Sul e colocar sobre a mesa quanto são nossos investimentos em defesa, quais são nossos orçamentos”, disse o ministro de Defesa equatoriano, Miguel Carvajal, em cerimônia em Quito junto com seu colega argentino, Arturo Puricelli. “Isso é fundamental para consolidar as condições de transparência, de confiança mútua na região”, acrescentou.

Até janeiro, seis países já haviam compartilhado seus dados e, desde então, os demais membros da Unasul o fizeram, segundo a Secretaria-Geral. Alfredo Forti, diretor do Centro de Estudos Estratégicos (CEED), que funciona desde o ano passado em Buenos Aires e que recebeu a informação, apresentará nesta quinta-feira um registro preliminar das despesas. Segundo uma fonte da Unasul, a apresentação terá a participação de Carvajal, Puricelli e dos vice-ministros de Defesa do Brasil e da Colômbia. A Venezuela ainda não confirmou se enviará o ministro ou o vice-ministro.

O relatório final será entregue em um encontro em Assunção na primeira semana de junho, segundo a Secretaria-Geral da Unasul. O compartilhamento dos dados é resultado do trabalho de três anos de um grupo de trabalho composto pelo Chile, Equador e Peru, que estabeleceu uma metodologia comum para a medição da despesa militar.

A informação entregue corresponde ao período 2006-2010 e os ministros deverão decidir se a divulgam também ao público. No ato desta quarta-feira, Puricelli destacou a importância de aprofundar as relações militares na região. “Estamos trabalhando por uma defesa integrada, por uma cooperação em defesa para nossa América do Sul”, declarou o ministro, que entregou ao Equador uma usina potabilizadora das Forças Armadas argentinas, capaz de limpar água altamente poluída.

FONTE: EFE, via R7

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Jaime Aparicio, Diplomata boliviano, hoje professor e consultor em Washington. Reunião UPLA-FLC/DEM-FHS/AL.

1. Os temas básicos da Cúpula das Américas -1994- em Miami, foram Democracia e Livre-Comércio. Agora na Cúpula das Américas-2012 em Cartagena-Colômbia, os temas básicos foram Cuba e Drogas, prova de que –nessa conjuntura- não há possibilidade de entendimento. EUA perdeu poder específico em geral e sua influência na América Latina se erosionou.

2. A política externa de Lula foi ganhar prestígio e, para isso, se opor aos EUA e se acercar a governos populistas dentro e fora da América Latina. Agenda da AL –com exceções- passa a ser ideológica. Com isso, Obama se aproxima da Índia e a destaca como prioridade para o Conselho de Segurança da ONU. Brasil é um parceiro difícil. Casos de Irã e Cuba (morte de dissidente e declarações de Lula) irritaram EUA.

3. Com Dilma há sinais de moderação, mas se percebe que Dilma só olha para dentro, despriorizando a política externa. Brasil não tem estratégia em relação aos EUA ou a Obama. Há uma subordinação (e até adesão) do Itamaraty à ideologização da política externa brasileira. Silêncio do Brasil aos reiterados ataques de governos à liberdade de expressão na AL sublinham esta situação.

4. Relações Brasil-EUA terão que ser recosturadas, discutindo princípios e interesses, como acesso a mercados nos EUA e neo-protecionismo brasileiro. Apesar da importância do Brasil, os centros de estudo dedicam mais tempo a América Central e Cuba que ao Brasil.

5. Governo dos EUA sinaliza designando um diretor específico para o Brasil no Departamento de Estado e no Conselho de Segurança. Há que pensar entendimento semelhante ao da Índia com EUA. Assessores de Obama vazaram que houve uma boa empatia com Dilma e que essa pode ser uma chance se reeleito.

 

Para senadores soberania é a palavra-chave

Durante o debate na CRE, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) observou que, além de investimentos reduzidos, as Forças Armadas têm que lidar com os baixos vencimentos de seus oficiais em relação a funcionários de nível semelhante no próprio Executivo e nos outros Poderes. Roberto Requião (PMDB-PR) sugeriu a realização de audiência pública para tratar desse assunto.

O presidente da comissão, Fernando Collor (PTB-AL), assinalou que as necessidades de defesa do Brasil aumentam ao mesmo tempo em que cresce o peso internacional do país.

— Soberania é uma palavra-chave. E a soberania está diretamente relacionada à capacidade operacional das Forças Armadas. Nossa diplomacia é competente, mas estamos em um estágio em que precisamos ter uma força de dissuasão que seja visível para o resto do mundo — salientou.

Respondendo a Luiz Henrique (PMDB-SC) sobre o satélite geoestacionário brasileiro — que será usado pelas Forças Armadas e para a ampliação da oferta de internet banda larga no país —, o ministro Celso Amorim disse que o lançamento está previsto para 2014.

A respeito da utilização de veículos aéreos não tripulados (vant) para a segurança nas fronteiras, ele disse para ­Sérgio Souza (PMDB-PR) que os veículos são “uma prioridade do governo brasileiro”.

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) defendeu o fortalecimento da atuação das Forças Armadas na Amazônia e Anibal Diniz (PT-AC) ressaltou a “necessidade premente” de novas bases militares na região, onde o tráfico de drogas tem se convertido, de acordo com o senador, em uma “ameaça permanente a índios isolados”.

Os possíveis desdobramentos da crise entre Israel e o Irã, onde há ameaças de ação militar contra armas nucleares, foram mencionados por Eduardo Suplicy (PT-SP).

FONTE: Jornal do Senado

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O Ministério da Defesa deslocou uma tropa para o município de Capixaba (AC), a 70 quilômetros de Rio Branco, após o Exército da Bolívia ter retomado o processo de expulsão de brasileiros que vivem em seu território.

Na semana passada, antes de expulsarem um colono brasileiro, os militares bolivianos circularam por Capixaba portando pistolas e armas de grosso calibre, fizeram compras no comércio local e até abasteceram seus veículos num posto da cidade.

A tropa do Exército Brasileiro, que conta com apoio da Polícia Federal, tem a missão de guardar a fronteira e impedir novas entradas não autorizadas de militares bolivianos em território nacional.

O Ministério da Defesa movimentou o Exército e a Polícia Federal após o governador do Acre, Tião Viana (PT), ter informado ao Gabinete de Segurança Institucional que colonos brasileiros estão sendo expulsos de suas casas e suas terras estão sendo ocupadas por soldados bolivianos.

Existem mais de 500 colonos brasileiros na região do Alto Acre, que abrange os municípios de Capixaba, Acrelândia, Plácido de Castro, Epicilância, Brasiléia e Assis Brasil. Além dos colonos, existem 50 produtores rurais com pequenas fazendas, que variam de 100 a 300 hectares de pastagens.

O colono José Carlos Caldas, expulso pelos bolivianos, perdeu a plantação e a pequena criação de gado, além de outros bens. Parte do gado teria sido abatida pelos militares para alimentar a tropa boliviana.

O colono registrou o caso na delegacia da Polícia Federal de Epitaciolândia e pediu ajuda do governo brasileiro. A propriedade que ele ocupava na Bolívia pertencia ao pai dele há mais de 40 anos.

- O grave é que a Bolívia não parece empenhada em manter boas relações diplomáticas. Qualquer ação militar que envolva os exércitos dos dois países na fronteira deve ser comunicada, mas nem o Exército Brasileiro, nem o Itamaraty e nem o Governo do Acre foram informados da operação. A situação exige por parte da diplomacia brasileira um protesto forte junto aos diplomatas bolivianos – disse ao Blog da Amazônia o secretário Nilson Mourão, de Justiça e Direitos Humanos do Acre, após participar de uma reunião em Capixaba com a presença do ministro Eduardo Paes Sabóia, da Embaixada do Brasil na Bolívia.

Mourão adiantou que ele e o ministro estão elaborando um relatório em que sugerem que a Bolívia seja tolerante com a presença dos colonos brasileiros até o final do ano. Até lá, o os colonos serão assentados pelo Incra em território brasileiro.

- No povoado boliviano de Vila Bella, com cerca de 60 casas, não existe energia elétrica. Estamos dispostos, como sinal de boa vontade, a oferecer energia do Luz para Todos que passa no lado brasileiro da rua que divide os dois países. Estamos sugerindo, ainda, que haja um entendimento envolvendo a diplomacia dos dois países em relação aos 50 proprietários que possuem fazendas de 100 a 300 hectares na Bolívia, na região do município de Capixaba – acrescentou Mourão.

FONTE: Portal Terra

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Por Sergio Leo
De Brasília

O Brasil tem apoio dos Estados Unidos para ampliar sua força militar, garantiu o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, após encontro com o ministro da Defesa, Celso Amorim, ontem, em Brasília. “O Brasil é um poder global, uma força positiva para a estabilidade não só nas Américas, mas no mundo”, disse o secretário. Enquanto, no passado, os EUA desencorajavam a expansão das Forças Armadas de outros países do continente, a nova estratégia de Defesa americana busca “parcerias inovadoras” para garantir a segurança global, comentou.

Com as restrições orçamentárias atuais, a melhor forma de lidar com desafios do futuro é “desenvolver parcerias, alianças, dividir informações”, disse o secretário americano, que aproveitou para defender a proposta feita pela Boeing ao governo, para venda do caça F-18 Super Hornet à Força Aérea Brasileira.

Ele informou a Amorim que a Boeing está disposta a dar acesso a inovações técnicas incorporadas nos últimos anos ao caça. Amorim prometeu levar a promessa em conta, mas disse não haver data para a decisão da compra. Amorim pediu ao americano que o diálogo entre os dois países, criado a partir da visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA, inclua discussão para liberar “tecnologia sensível” hoje negada às Forças Armadas brasileiras.

Segundo uma autoridade que participou do encontro, o Brasil pede aos EUA menos burocracia para, por exemplo, a venda de equipamento eletrônico a programas da Marinha, hoje condicionada a compromissos de que não serão usados no programa nuclear. Os equipamentos podem ter outros fornecedores, mas o Brasil prefere adquirir dos EUA, segundo argumentou Amorim a Panetta, que prometeu levar o tema ao governo americano.

“Salientei a importância que tem, para o Brasil, na área de defesa, a transferência de tecnologia”, relatou o ministro Amorim ao falar do encontro com o secretário americano, que é parte do “Acordo de Cooperação em Defesa” assinado há dois anos pelos dois governos. Amorim lembrou que, no governo Bill Clinton, nos anos 90, ao receber, como ministro de Relações Exteriores, o secretário de Defesa William Perry, os EUA se consideravam o aliado poderoso, único encarregado da defesa nas Américas enquanto os outros países da região se concentrariam no combate a drogas e criminalidade. “O que o secretário Panetta acaba de dizer é muito importante para uma nova relação entre Brasil e Estados Unidos na área da Defesa”, afirmou.

Panetta prometeu aumentar a cooperação e transferência de tecnologia em defesa ao Brasil, especialmente em áreas como segurança contra ameaças eletrônicas e de internet. Os EUA, em 2010 e 2011, deram 4 mil licenças de exportação de equipamentos controlados e continuarão apoiando o “bom aliado e bom amigo”, disse.

“Meu objetivo como secretário de Defesa é fazer o que puder para ampliar o comércio com o Brasil”, garantiu Panetta. Amorim enfatizou que a relação entre os dois países “não pode ser só relação de venda e também de compra e venda”, lembrando o interesse do Brasil em vender aviões da Embraer à Força Aérea americana. A convite de Panetta, o Brasil deve participar de simulações de guerra dos EUA envolvendo o continente africano.

FONTE: Valor Econômico

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1. O ciclo econômico na América Latina nos últimos anos tem sido positivo. Uma oportunidade que está sendo perdida e atropelada pela crise política quase generalizada e pela insegurança jurídica crescente. Na Venezuela, a imprevisibilidade é total em função do câncer terminal do presidente Chávez, cujos prazos se encurtam. A semana passada começou com a denúncia de juízes de manipulação dos tribunais e terminou com o assassinato de um general muito próximo a Chávez, sugerindo a “antecipação” da sucessão em seu grupo.

2. Na Bolívia, Evo Morales, que era líder do sindicato dos cocaleiros e, que por sua imagem, iludiu os que o pensavam como líder indígena, enfrenta, sistematicamente, há um ano, protesto crescente dos quechuas e aymaras (60% da população) em relação a suas terras. No Equador, Rafael Correa reprime a imprensa e vai tornando seu governo cada vez mais autoritário. Enfrenta as denúncias de seu próprio irmão.

3. Na Nicarágua, a eleição que reelegeu Daniel Ortega foi considerada fraudulenta pelos observadores da União Europeia. No Panamá, o presidente e magnata Martinelli, um populista de direita, enfrenta ações por atropelar as leis e desconhecer o judiciário. Na Guatemala, o novo presidente, General (R) Perez Molina, disse que não há como combater o tráfico de drogas e que é melhor liberar o tráfico das 300 toneladas anuais que passam por seu país. Em Honduras, as ocupações de terra crescem, o tráfico de drogas se expande e a oposição avança sobre a debilidade do presidente Pepe Lobo. O presidente Fulnes, de El Salvador, credenciou emissário no presídio de segurança máxima e propôs aos chefes das gangues um acordo para reduzir os homicídios.

4. Na Argentina, o vice-presidente é acusado, de forma documentada, de corrupção por tráfico de influência. A presidente Cristina Kirchner desapropriou a Repsol da Espanha e inventou um conflito com o Reino Unido pelas Ilhas Malvinas. Enquanto isso, a economia desaba. No Brasil, após o afastamento de oito ministros por denúncias da imprensa, o Congresso é estilhaçado com grampos de denúncias de corrupção no esquema conhecido como Cachoeira-Delta, abre CPI e promete sangrar na carne. No México, os cartéis de drogas tornam-se operativos armados paralelos e seus sicários matam os que criam problemas.

5. No Paraguai, o senado decidiu destituir 7 ministros da Suprema Corte, apoiados em legislação existente. Os ministros vão recorrer à OEA e o presidente Lugo aguarda o desfecho.

6. Restam Uruguai, Colômbia, Chile e Peru. No Peru, o presidente Humala -mesmo enfrentando os problemas familiares- até aqui mostra-se sensato, e seu passado chavista ainda não deu sinais de aflorar. Enfrenta problemas com os indígenas por uma lei populista que fez no início do governo, dando poder de decisão a eles em investimentos em suas regiões, o que tem bloqueado bilhões de investimentos em mineração.

7. No Chile, com suas instituições estáveis, a crise é de popularidade do presidente Peneira que se enfrenta a constantes e massivos protestos dos estudantes. No Uruguai, o presidente Mujica (ex-dirigente Tupamaro) surpreendeu pela moderação. Recentemente despertou preocupação em relação à revisão da lei de anistia e ao apoio a Cristina Kirchner. Apenas a Colômbia de Eduardo Santos é um mar de tranquilidade, com seu presidente firme contra as FARC e de popularidade crescente.

8. A recente reunião da Cúpula das Américas na Colômbia mostrou o marasmo político continental. E faltou Cuba, mas nem precisava lembrar a natureza desse regime.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

 

A 6ª Cúpula das Américas terminou neste domingo, em Cartagena das Índias, sem resultados substanciais e nem mesmo uma declaração final, tão grande foram as divergências entre os países participantes.

Em vez disso foram divulgados apenas três comunicados sobre os principais pontos da reunião. Para o anfitrião, o presidente colombiano Juan Manuel Santos, a reunião não foi um fracasso. “O fato de não haver uma declaração final não significa um fracasso da cúpula. Ao contrário: o fato de termos debatido os temas é um sucesso”, comentou o colombiano.

De fato, os 31 chefes de estado debateram temas controversos com uma sinceridade raramente vista. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ouviu pacientemente as numerosas críticas vindas dos países latino-americanos, por exemplo sobre o tema Cuba. Apenas o Canadá apoiou os EUA; todos os demais países se manifestaram contra a política de embargo à Cuba.

EUA exigem reformas em Cuba

“Pela primeira vez a maioria dos países expressou sua posição, afirmando ‘nós queremos que Cuba participe das futuras cúpulas’. Isso tem um peso político importante. Isso nunca aconteceu antes e deve iniciar uma série de aproximações que, oxalá, vão permitir que teremos Cuba na próxima cúpula. Mas isso é um processo”, argumentou Santos.

Obama já havia deixado claro antes do início da cúpula que os EUA são contra a futura participação de Cuba no encontro. Para o presidente, primeiramente o país comunista precisa criar estruturas e processos democráticos, como eleições livres. Essa atitude impediu uma declaração final conjunta, já que muitos países, como a Bolívia, condicionaram sua assinatura a uma posição pró-Cuba.

O presidente boliviano, Evo Morales, disse ter dúvidas de que uma nova Cúpula das Américas venha a ocorrer. Para ele, não é possível que um país seja contra a participação de Cuba. “Isso obriga os países latino-americanos e do Caribe a se unirem, como uma outra OEA, sem os Estados Unidos. Estou convencido de que há uma rebelião contra as imposições do governo dos Estados Unidos”.

Tema drogas segue na agenda

A legalização e descriminalização das drogas, tema exigido por alguns países da América Central, também foi um tema discutido abertamente na reunião. Mas também nesse ponto não se chegou a uma conclusão. Segundo o presidente colombiano, o tema permanecerá na agenda.
“Encarregamos a OEA de verificar se a atual política contra drogas está funcionando, que resultados está obtendo, se há alternativas mais eficazes e menos caras. Nós iniciamos a discussão, o que é um passo importantíssimo”, comentou o presidente colombiano.
A próxima Cúpula das Américas está marcada para ocorrer daqui a três anos, no Panamá. Diante da grande divergência de opiniões, ainda não se sabe se ela de fato vai acontecer.

FONTE: Terra

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