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Presidente não quer que resolução contra o Irã por seu programa nuclear se arraste ‘durante meses’

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vinheta-clipping-forteWASHINGTON- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pressionou nesta terça-feira, 13, os líderes mundiais para que aprovem de maneira ‘audaz e veloz’ sanções contra o Irã por seu programa nuclear.

“Meu interesse é não haver um processo que se arraste durante meses”, disse Obama, ao pedir que o tema “avance com audácia e rapidez”.

O presidente se disse preocupado que o Irã seja o maior exportador de petróleo e tenha relações econômicas com outros países, mas que Teerã ignorou avisos da comunidade internacional sobre seu programa nuclear e por isso, terá consequências. Segundo Obama, a China já está considerando sinceramente a possibilidade de aplicar novas sanções ao governo iraniano por seu programa atômico.

Sobre a China, país com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, o qual os Estados Unidos tem tentado convencer a apoiar uma nova rodada de restrições ao Irã, Obama afirmou que ainda tem discordâncias com Pequim, mas que a relação entre os EUA e a China é muito produtiva.

Já a respeito da Coreia do Norte, que assim como o Irã, também não foi convidada para a cúpula, Obama disse acreditar que sanções contra Pyongyang poderiam eventualmente funcionar e que a Coreia pode retornar às conversações sobre seu programa nuclear.

“Eu acho que é justo dizer que a Coreia do Norte escolheu um caminho de severa isolação que foi extremamente prejudicial para seu povo”, considerou o governante.

Obama também declarou que quer ajudar a diminuir as tensões nucleares entre a Índia e o Paquistão, e que tem visto progressos nos últimos anos na segurança nuclear deste último país.

Compromisso

Os governantes de todo o mundo se comprometeram a entregar material nuclear aos Estados Unidos e a fechar alguns reatores nucleares, e os EUA, de acordo com Obama, fortalecerão a segurança em suas próprias zonas nucleares e permitirão inspeções internacionais.

Antes da cerimônia de encerramento, os Estados Unidos declararam que o governo Obama havia apresentado ao Congresso uma proposta de legislação para que as leis de seu país se adaptem às disposições de dois tratados: um para prevenir um possível ataque terrorista com armas nucleares e outro para proteger fisicamente os materiais nucleares.

Obama convocou a cúpula de segurança nuclear para focar a atenção mundial na missão de impedir que algum material atômico caia em mãos terroristas, uma possibilidade que, segundo o governantes representa a maior ameaça para todas as nações.

Ao falar durante a conferência, Obama considerou uma “ironia cruel da história” que o perigo nuclear esteja crescendo apesar do final da Guerra Fria e de décadas de corrida armamentista entre os Estados Unidos e a Rússia.

Os países representados na cúpula disseram que irão cooperar mais estreitamente com a ONU e seu órgão supervisor nuclear, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e que também irão compartilhar informações sobre a detenção de elementos nucleares e as formas de prevenir o tráfico destes materiais.

O líder reconheceu, no entanto, que a aplicação das medidas de redução de materiais nucleares, assim como manter arsenais atômicos longe das mãos de terroristas, não será tarefa fácil.

Segundo Obama, os passos tomados na Cúpula Nuclear de Washington fazem com que os americanos e o resto do mundo fiquem mais seguros. Graças às medidas que tomamos”, disse em coletiva de imprensa, “o povo americano estará mais a salvo e o mundo será mais seguro”.

O discurso de Obama encerra a conferência de 47 países, a maior assembleia de líderes mundiais sediadas pelos Estados Unidos desde 1945.

FONTE: Estadão, Reuters, Efe e Associated Press.

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Ato assinado pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pelo Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates.
Washington, 12 de abril de 2010.

ACORDO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA SOBRE COOPERAÇÃO EM MATÉRIA DE DEFESA

O Governo da República Federativa do Brasil
(doravante “Brasil”)

e

O Governo dos Estados Unidos da América
(doravante “Estados Unidos”)
(doravante denominados coletivamente “as Partes” e “Parte”, individualmente),

Imbuídos do interesse comum na paz e segurança internacionais, assim como na resolução pacífica de conflitos internacionais;

Desejando fortalecer suas boas e cordiais relações;

Reafirmando o princípio da soberania; e

Desejando fortalecer a cooperação em matéria de Defesa,

Acordam o seguinte:

Artigo 1 – Escopo

O presente Acordo, regido pelos princípios de igualdade, reciprocidade e interesse mútuo, em conformidade com as respectivas leis e regulamentos nacionais e as obrigações internacionais das Partes, tem como objetivo promover:

a) a cooperação entre as Partes em assuntos relativos à Defesa, particularmente nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, apoio logístico, segurança tecnológica e aquisição de produtos e serviços de Defesa;

b) a troca de informações e experiências adquiridas no campo de operações e na utilização de equipamento militar de origem nacional e estrangeira, bem como as relacionadas a operações internacionais de manutenção de paz;

c) a troca de experiências na área de tecnologia de defesa;

d) a participação em treinamento e instrução militar combinados, exercícios militares conjuntos e o intercâmbio de informações relacionado a esses temas;

e) a colaboração em assuntos relacionados a sistemas e equipamentos militares; e
f) a cooperação em quaisquer outras áreas militares que possa ser de interesse mútuo das Partes.

Artigo 2 – Cooperação

A cooperação entre as Partes pode incluir:

a) visitas recíprocas de delegações de alto nível a entidades civis e militares;

b) conversações entre funcionários e reuniões técnicas;

c) reuniões entre as instituições de Defesa equivalentes;

d) intercâmbio de instrutores e pessoal de treinamento, assim como de estudantes de instituições militares;

e) participação em cursos teóricos e práticos de treinamento, orientações, seminários, conferências, mesas-redondas e simpósios organizados em entidades militares e civis com interesse na Defesa, de comum acordo entre as Partes;

f) visitas de navios militares;

g) eventos culturais e desportivos;

h) facilitação de iniciativas comerciais relacionadas à área de Defesa; e

i) implementação e desenvolvimento de programas e projetos de aplicação de tecnologia de defesa, considerando a participação de entidades militares e civis estratégicas de cada Parte.

Artigo 3 – Garantias

Na execução das atividades de cooperação realizadas no âmbito deste Acordo, as Partes comprometem-se a respeitar os princípios e propósitos relevantes da Carta das Nações Unidas e da Carta da Organização dos Estados Americanos, incluindo os de igualdade soberana dos Estados, integridade e inviolabilidade territoriais e não-intervenção em assuntos internos de outros Estados.

Artigo 4 – Disposições Financeiras

1. Salvo se mutuamente acordado em contrário, cada Parte será responsável por suas despesas, incluindo, mas não limitado a:

a) gastos de transporte de e para o ponto de entrada no Estado anfitrião;

b) gastos relativos a pessoal, incluindo os de hospedagem e alimentação;

c) gastos relativos a tratamento médico e dentário, bem como de remoção ou evacuação do seu pessoal doente, ferido ou falecido.

2. Todas as atividades desenvolvidas no âmbito deste Acordo estarão sujeitas à disponibilidade dos recursos e fundos apropriados para estes fins.

Artigo 5 – Implementação, Protocolos Complementares e Emendas

1. Os Agentes Executivos das Partes deverão facilitar a implementação do presente Acordo. O Agente Executivo do Brasil será o Ministério da Defesa; o Agente Executivo dos Estados Unidos será o Departamento de Defesa.

2. Protocolos Complementares a este Acordo poderão ser celebrados com o consentimento das Partes, por escrito, pelos canais diplomáticos, e constituirão partes integrantes do presente Acordo.

3. Os Arranjos de Implementação no âmbito deste Acordo e programas e atividades específicas empreendidos para a consecução dos objetivos do presente Acordo e de seus Protocolos Complementares serão desenvolvidos e implementados pelos Agentes Executivos das Partes, serão restritos às matérias previstas neste Acordo e estarão em conformidade com as respectivas legislações das Partes.

4. Este Acordo poderá ser emendado por acordo escrito com consentimento das Partes. As emendas entrarão em vigor na data da última notificação entre as Partes, por meio dos canais diplomáticos, que indique o cumprimento dos respectivos requisitos internos para a vigência das emendas.

Artigo 6 – Solução de Controvérsias

Qualquer controvérsia relativa à interpretação ou aplicação deste Acordo será resolvida por meio de consultas e negociações entre as Partes, por via diplomática.

Artigo 7 – Validade e Denúncia

1. Este Acordo poderá ser denunciado por qualquer das Partes após 90 dias da notificação escrita à outra Parte, pelos canais diplomáticos.

2. A denúncia deste Acordo não afetará os programas e atividades em curso no âmbito do presente Acordo, salvo se acordado em contrário pelas Partes.

Artigo 8 – Entrada em Vigor

O presente Acordo entrará em vigor na data da última notificação trocada entre as Partes, por via diplomática, que indique o cumprimento dos respectivos requisitos internos para a vigência deste Acordo.

Feito em Washington D.C., em 12 de abril de 2010, nos idiomas português e inglês, sendo ambos os textos igualmente autênticos.

FONTE: MRE

Nelson Jobim e Robert Gates assinam acordo às margens da Conferência de Segurança Nuclear

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Plano prevê troca de tecnologia, cooperação e treinamento entre as Forças Armadas dos países

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Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo

vinheta-clipping-forteWASHINGTON- O ministro da Defesa, Nelson Jobim, assinou nesta segunda-feira, 12, um acordo de cooperação militar com o ministro da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates. O acordo facilita a venda de 100 a 200 Super Tucanos da Embraer para os Estados Unidos, um contrato que pode chegar até a US$ 3 bilhões. Além disso, prevê troca de tecnologia, cooperação e treinamento entre as forças Armadas dos dois países.

O encontro se deu às margens da Conferência de Segurança Nuclear, que terá participação de 47 países, sendo 40 chefes de Estado. O principal tema da cúpula é o terrorismo nuclear e como evitar que materiais nucleares caiam nas mãos de terroristas. Em seu discurso histórico feito em Praga há um ano, o presidente americano, Barack Obama, propôs que todos os materiais nucleares vulneráveis sejam postos em locais seguros em um prazo de 4 anos. E na Revisão da Estratégia Nuclear divulgada na semana passada, o terrorismo nuclear – possibilidade de terroristas roubarem urânio ou plutônio para fazer uma bomba – é descrito como “a maior ameaça contra os EUA”.

Nesta segunda, a Ucrânia anunciou que está abrindo mão de todo seu urânio altamente enriquecido até 2012 e converter suas usinas para operarem com urânio com baixo nível de enriquecimento.A Ucrânia é um dos maiores produtores de urânio enriquecido do mundo.

O presidente Luís Inácio Lula da Silva se reuniu no início da tarde com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi e assinou um acordo de cooperação entre os dois países. Depois, reuniu-se com o primeiro-ministro Yukio Hatoyama, do Japão. Na pauta, discussões sobre investimentos japoneses em fábricas de semi-condutores no Brasil – que seriam a contrapartida pela escolha do padrão japonês de TV digital. Também vão discutir a participação na concorrência para o trem bala que vai ligar São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro.

FONTE: Estadão / FOTO: EFE

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O Brasil não quer apenas se tornar uma das maiores economias do mundo, quer também incrementar o seu arsenal e deixar de ser visto como um “anão político-militar”, segundo o diário espanhol El Mundo na sua edição desta quinta-feira.

“O Brasil tem todos os ingredientes para ultrapassar todos os membros da União Europeia e se converter em uma das cinco maiores economias do mundo no segundo quarto do século 21″, afirma o jornal.

“Mas o gigante sul-americano não quer limitar sua imensidão a uma questão de dinheiro, e para evitar ser visto como um anão político-militar, embarcou em uma estratégia de rearmamento destinada a ‘reduzir sua vulnerabilidade’ diante das novas e velhas potências.”

O jornal comenta uma entrevista coletiva dada pelo ministro para Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, para a imprensa estrangeira no Rio de Janeiro.

Segundo o jornal, o ministro explicou o plano de rearmamento das Forças Armadas “com uma inequívoca declaração de intenções: ‘Um país não é verdadeiramente soberano se não pode se defender. Como disse o presidente, só é respeitado quem se faz respeitar.’”.

O El Mundo diz que “para o governo Lula, minimizar esta suposta debilidade diante do exterior inclui defender uma posição própria em crises internacionais – como ocorreu em Honduras e no Irã -, materializar a velha aspiração brasileira de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, reabilitar a indústria de defesa nacional e aumentar o arsenal”.

A reportagem ainda comenta recentes investimentos feitos pelo governo para reforçar a defesa do Brasil, entre eles a compra de armamentos e as encomendas feitas à França “potência que nos últimos anos se converteu em sócio prioritário para o Brasil neste campo”.

FONTE: O Globo, com informações da BBC

NOTA DO EDITOR: É difícil compatibilizar o discurso do Governo com os cortes no orçamento da área militar. Enquanto persistirem os cortes, o Brasil continuará sendo um gigante emasculado.

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Mi-28N

O primeiro ministro russo, Vladimir Putin, que no final da semana passada realizou uma visita oficial à Venezuela, anunciou durante uma reunião com representantes da indústria armamentista da Rússia que os acordos de venda de material bélico para o governo de Caracas poderá alcançar a cifra de US$ 5 bilhões. Putin explicou na ocasião que os contratos serão distribuídos entre as treze principais empresas fornecedoras de equipamentos militares de seu país sem, no entanto, especificar quais são elas.

Putin assegurou que as fontes fundamentais de financiamento para a realização dos negócios já estão determinadas e foram escolhidas em comum acordo entre as duas partes, demonstrando um claro fortalecimento dos laços estratégicos com o governo liderado por Hugo Chávez, tanto em termos econômicos quanto militares. Do total do dinheiro a ser gasto, US$ 2,2 milhões correspondem ao crédito concedido pelo governo de Moscou. Estima-se que nos últimos quatro anos o valor das compras de armas russas por parte da Venezuela aproximou-se dos US$ 4,5 bilhões.

A imprensa russa vem noticiando frequentemente remessa de armas para a Venezuela em períodos relativamente curtos. Fazem parte da lista de compras agora divulgada, 20 sistemas de mísseis anti-aéreos Tor-1 e Tor-M2E, três submarinos convencionais da classe Varshavianka Projeto 636 (classe Kilo, segundo a denominação OTAN), 12 aviões de transporte Ilyushin IL-76 e IL-78, um possível segundo lote aviões de combate Sukhoi (Su-30MKV ou Su-35), blindados BMP-3 e carros de combate T-72.

As futuras pretensões venezuelanas estariam envolvendo também o recebimento de helicópteros de ataque Mi-28N (foto), lançadores costeiros de mísseis anti-navio com 130 km de alcance, aviões de patrulhamento Ilyushin IL-114, foguetes superfície-superfície Smerch, corvetas guarda-costeira Mirazh (equipadas com seis mísseis de cruzeiro superfície-superfície P-120/SS-N-9 Malakhit/Siren SSM) e uma bateria de mísseis superfície-ar Osa-M (20 mísseis 9M-33/SA-N-4 Gecko SAM).

FONTE: Tecnodefesa

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explosao_nuclear

Fernando Eichenberg

Opresidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu mais um passo, ontem, em seu projeto de tornar obsoleta a imagem da mala com o código secreto que permite acionar o botão detonador de um ataque nuclear a uma nação inimiga, propagada em romances e filmes de espionagem. Pelo menos, no papel. A nova política de estratégia nuclear anunciada por seus secretários de Estado, Hillary Clinton, e de Defesa, Robert Gates, no Pentágono, limita o arsenal americano e restringe as possibilidades de seu uso em conflitos. As medidas do pacote definido como Revisão da Postura Nuclear (Nuclear Posture Review), de 72 páginas, estabelecem novos critérios estratégicos desde a Guerra Fria e divergem da doutrina dos precedentes governos de George W. Bush, pós-atentados de 11 de Setembro. As últimas alterações nas regras haviam sido feitas em 1994 e 2001.

Pela primeira vez, os EUA se comprometem a não usar suas ogivas contra países não dotados de armamento nuclear e signatários do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), mesmo em caso de ataques com armas químicas e biológicas. Washington, no entanto, abre uma exceção para eventuais ataques a países que violarem as regras internacionais do TNP. No caso, estão na linha de mira as potenciais ameaças representadas por Irã e Coreia do Norte, dois países que têm se recusado a acatar os princípios do tratado e a vigilância da comunidade internacional em seus programas nucleares.

Anúncio decepciona os dois extremos

A nova política nuclear americana indica a mudança de foco em sua lista de principais possíveis inimigos, definida desde os tempos da Guerra Fria pela dissuasão nuclear entre EUA e União Soviética. Saem as potências nucleares tradicionais, como Rússia e China, e entram os grupos terroristas e os chamados “Estados fora da lei”, suspeitos de patrocinar e acobertar o terrorismo.

O anúncio decepcionou os dois grupos extremos: os que defendem a manutenção e reforço da opção bélica nuclear e, do outro lado, os que esperavam uma atitude mais radical de renúncia ao seu uso e seu arsenal. Alguns analistas colocam a iniciativa de Obama mais no campo da retórica do que da prática. Outros acreditam que aponta para uma real mudança de rota.

Segundo o professor Matthew Bunn, especialista em armamento nuclear da Universidade de Harvard e ex-conselheiro do Departamento de Estado para Política de Ciência e Tecnologia, Obama poderia ter “ido mais longe”. Mas, ele vê como positiva a sua Revisão da Postura Nuclear.

- É um primeiro passo para que os mísseis nucleares sejam colocados em um plano secundário na política internacional. Eles estão se tornando cada vez menos importantes. Hoje, nas conversas entre EUA e China se ouve muito mais a palavra “moeda” do que “mísseis nucleares”, o que há 40 anos era impensável – disse ele ao GLOBO.

Medida precede reunião de cúpula

O pacote nuclear americano determina ainda a suspensão do desenvolvimento de novas armas nucleares – uma prioridade dos anos George W. Bush -, e prevê novos investimentos (cerca de US$5 bilhões) para a extensão da vida útil do arsenal existente.

Depois de passar pela prova de fogo da aprovação da reforma da saúde, um dos pilares de sua campanha eleitoral, Obama mostra estar disposto a dar um novo impulso ao seu governo em seu segundo ano de mandato. O anúncio da Revisão da Postura Nuclear antecede em dois dias a assinatura, em Praga, do novo Tratado Estratégico de Redução de Armas (Start, na sigla em inglês), entre Estados Unidos e Rússia, e em uma semana a cúpula sobre não proliferação de armas nucleares (nos dias 12 e 13) , que reunirá em Washington mais de 40 chefes de Estado – entre eles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

FONTE: O Globo, via resenha CCOMEx

 

Viviane Monteiro

vinheta-clipping-forteO contingenciamento no Orçamento deste ano atingiu R$ 11,16 bilhões da verba de custeio, o equivalente a 51,1% dos R$ 21,8 bilhões anunciados. Já nos investimentos, o corte foi de R$ 10,3 bilhões, correspondentes a 48,2% do total, segundo o Ministério do Planejamento, com base no decreto 7.094, publicado na semana passada. Apesar do corte nos investimentos, a verba destinada ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi preservada.

Conforme os anexos do decreto, o orçamento dos investimentos para este ano foi limitado em R$ 43,19 bilhões, ante os R$ 61,15 bilhões previstos inicialmente, o que representa bloqueio de R$ 17,9 bilhões.

O contingenciamento será menor porém, quando forem computados os créditos especiais previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que, segundo o Ministério, ainda não estão incluídos nos dados do anexo. Distribuídos entre os orçamentos de investimento e de custeio, esses créditos especiais aprovados totalizam R$ 10 bilhões.

Apesar de praticamente todos os Ministérios terem sido atingidos pelo contingenciamento, o Ministério da Defesa foi o mais afetado pelo bloqueio de verbas. O orçamento inicial, que era de R$ 15,9 bilhões, foi limitado em R$ 10 bilhões. O Ministério informou não poder fornecer detalhes sobre os cortes, por não ter analisado o decreto de contingenciamento. No ano passado, o Ministério da Defesa foi um dos órgãos que mais perderam verbas na distribuição de recursos no início do ano.

Caso semelhante acontece com o Ministério do Turismo, onde o corte atingiu R$ 3,56 bilhões do orçamento para este ano. A verba inicial, que era de R$ 4,2 bilhões, caiu para R$ 623,6 milhões. Segundo o anexo do decreto, o bloqueio de verba do Ministério das Cidades também foi expressivo, de R$ 2,87 bilhões, o que limitou o orçamento a R$ 11,925 bilhões.

No Ministério da Educação, o orçamento deste ano foi limitado a R$ 21,1 bilhões – a verba inicial era de de R$ 22,2 bilhões. Os recursos previstos para o Ministério da Saúde também não escaparam do corte, ainda que em menor proporção. Foram limitados a pouco menos de R$ 53,1 bilhões, ante R$ 54 bilhões previstos originalmente.

FONTE: Valor Econômico, via Notimp

NOTA DO BLOG: o título original da matéria do Valor Econômico era “Corte no Orçamento atinge 51% da verba de custeio”, referindo-se ao total do orçamento. Trocamos pelo que está agora no alto da matéria para ressaltar, a partir do conteúdo original, o que é mais importante para o campo de discussão da Trilogia Blog.

NOTA 2 - Após a análise dos comentários já realizados até as 18h30 desta segunda-feira, sugerimos que os leitores interessados em comentar a respeito dos reflexos do contingenciamento, para programas da Força Aérea Brasileira e da Marinha do Brasil, fazerem esses comentários nos tópicos similares a este que estão nos outros dois blogs da trilogia. Deixe este espaço para os comentar sobre os reflexos para as Forças Terrestres e para a Defesa de maneira geral.

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vinheta-clipping-forteA estratégia do Brasil de poupar regimes autoritários e criar condições de diálogo com países que promovem graves violações de direitos humanos sofreu ontem um duro revés e mostrou todas as suas limitações. Pyongyang se recusou até mesmo a afirmar se aceitava ou não as propostas e só indicou que “tomava nota” das ideias. A confusão deve servir de lição para o Brasil, que já admite mudar de posição pelo menos em relação à Coreia do Norte. O Itamaraty, em 2009, absteve-se numa resolução apresentada na ONU que condenava as violações aos direitos humanos pelo regime da Coreia do Norte e estabelecia um relator especial para investigar o país.

FONTE
: O Estado de São Paulo

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Lula é recebido por israelenses e palestinos e defende pressa na negociação entre os povos

Viviane Vaz

vinheta-clipping-forteEm sua passagem pelo Oriente Médio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está vendo de perto como é difícil agradar a israelenses e palestinos. Ontem, em seu último dia de visita a Jerusalém, foi abertamente criticado pelo chanceler israelense, Avigdor Lieberman, por não ter visitado o túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl. Do lado palestino, Lula foi cobrado pelo grupo islâmico Hamas por não incluir a Faixa de Gaza na viagem presidencial, enquanto a ONG Stop the Wall (Detenha o Muro) pediu que o brasileiro rompa as relações comerciais com Israel. “O Brasil deverá decidir entre negociar com Israel e suas armas ou posicionar-se ao lado dos palestinos, dos direitos humanos e da democracia e cortar as relações militares com Israel”, afirmou o ativista Jamal Juma.

Lieberman — apesar da crítica e do boicote à reunião no Parlamento e ao jantar oferecido a Lula — elogiou a viagem do presidente a Israel. “A visita foi um sucesso, com encontros bem-sucedidos e frutíferos”, disse o chanceler, ressaltando “que existem regras do Ministério do Exterior que devem ser respeitadas”. “(As autoridades brasileiras) recusaram-se a visitar o túmulo de Herzl desde o começo. E um homem que se nega a visitar o túmulo de Herzl e vai depositar flores no túmulo do (líder palestino Yasser) Arafat é coisa que não posso aceitar”, completou.

Lula visitaria o túmulo de Herzl, mas o compromisso, segundo o Itamaraty, não foi incluído na agenda por falta de tempo. Durante o dia, o presidente foi ao Museu do Holocausto (Yad Vashem), criado para lembrar o genocídio de 6 milhões de judeus pelo regime nazista de Adolf Hitler na Segunda Guerra, entre 1939 e 1945. “A humanidade deve repetir todos os dias, quantas vezes for necessário, ‘nunca mais, nunca mais, nunca mais’”, destacou Lula, depois de depositar uma coroa de flores em memória das vítimas. “Eu acredito que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória a todo ser humano que quer governar uma nação”, completou, ao lado da mulher, Marisa Letícia, e do presidente de Israel, Shimon Peres.

O rabino Israel Lau, diretor do museu e sobrevivente dos campos de concentração, pediu a Lula para conseguir-lhe um encontro com o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad. “Na condição de criança de Buchenwald, quero me reunir com ele para que ouça meu testemunho e para que eu possa provar que ele está errado em negar a existência da Shoah (Holocausto)”, afirmou Lau.

Depois de visitar o museu, Lula foi ao Bosque de Jerusalém plantar uma árvore, como fazem todos os chefes de Estado que passam por Israel. “Pode ficar certo que muito feijão que vocês comerão fui eu quem plantei”, brincou Lula com os jornalistas presentes. Em discurso oficial, após a cerimônia de plantio, Lula comparou os 360 milhões de hectares da Amazônia aos 27 milhões de hectares de Israel e defendeu o compromisso brasileiro acertado na Conferência do Clima, em dezembro, em Copenhague. “Até 2020, nós vamos diminuir o desmatamento na Amazônia em 80%, o que é um feito muito arrojado e é um compromisso do meu país”, disse.

No início da tarde, Lula foi recebido pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, na cidade de Belém, território palestino da Cisjordânia. “É indispensável a necessidade de coexistência entre os estados de Israel e da Palestina. E o mundo tem pressa”, discursou Lula a empresários brasileiros e palestinos. “Eu converso com palestinos e eles dizem que as negociações estão boas. Eu converso com os israelenses e eles dizem a mesma coisa. Mas, claramente, há algo errado”, disse. O presidente foi aplaudido ao defender um acordo entre o Mercosul e a Autoridade Palestina. Hoje, Lula vai a Ramallah, violenta capital administrativa palestina. Ele inaugurará uma rua chamada Brasil e vai visitar o túmulo de Arafat —líder palestino criticado e elogiado por mais de quatro décadas ao defender um acordo com os israelenses.
É indispensável a necessidade de coexistência entre os estados de Israel e da Palestina. E o mundo tem pressa”

Garcia chama boicote de “descortesia”

Para o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, o boicote do ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, a eventos dos quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou em Israel foi “uma descortesia”. A atitude do chanceler israelense foi uma reação ao fato de a comitiva brasileira ter recusado o convite para visitar o túmulo do húngaro Theodor Herzl, o fundador do movimento sionista.

Em Jerusalém, Garcia lembrou que quando o ministro israelense veio ao Brasil no ano passado, “o presidente Lula o recebeu com a maior cortesia, e chegou a abrir uma exceção, porque normalmente presidente recebe presidente e seria de praxe que o chanceler tivesse sido recebido pelo nosso chanceler”. “Portanto, podemos classificar a atitude de Lieberman como um ato de descortesia”, disse Garcia. No entanto, o assessor especial avaliou que a questão não comprometeu “o sucesso da visita a Israel” e a viagem oficial conseguiu, apesar da divergência, aproximar os dois países. O assessor também explicou que a visita não estava prevista na agenda previamente acordada.

Este ano, o governo israelense comemora o aniversário de 150 anos do nascimento de Herzl, que fundou o movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado judaico. Em 1975, o Brasil votou a favor da Resolução 3.379 da Assembleia Geral da ONU, que aprovou considerar o sionismo uma forma de “racismo e discriminação racial”. A decisão foi anulada em 1991, com a aprovação da Resolução 4.686 da assembleia, que recebeu apoio do Brasil.

FONTE: Correio Braziliense

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vinheta-clipping-fortePara o embaixador dos EUA em Israel, Michael Oren, os novos assentamentos em Jerusalém Oriental desataram a pior crise nas relações bilaterais em 35 anos. A questão é se os EUA passarão da crítica à ação dessa vez.

Israel é o país que mais recebe ajuda dos EUA – são US$ 2,4 bilhões anuais, principalmente na área militar. O presidente George H. Bush foi o último a tentar impor condições para essa ajuda – em 1991 ele pressionou pelo congelamento da expansão dos assentamentos quando Israel pediu um crédito de US$ 10 bilhões.

Segundo Oren, que também é historiador, a última grande crise entre os dois países ocorreu em 1975, quando o então chanceler americano Henry Kissinger teve de convencer o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin a desistir da ocupação do Sinai, no Egito. Na época, os Estados Unidos se recusaram a firmar novos acordos militares com Israel por seis meses. Com a pressão, o governo israelense cedeu, o que acabou abrindo o caminho para a iniciativa de Anwar Sadat, em 1977, que culminaria nos acordos de Camp David, impulsionados por Jimmy Carter, e no tratado de paz de 1979.

FONTE: O Estado de São Paulo

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