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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu hoje aos países-membros da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba) que rechacem a “barbárie” promovida na Líbia, que, segundo ele, já causou a morte de mais de três mil pessoas.

“Temos que fazer um contra-ataque mais coordenado” afirmou o mandatário ao canal estatal Venezoelana de Televisión (VTV), acrescentando que “não se pode ficar calado diante de tanta barbárie”.

Chávez disse contar com o apoio de Cuba, da Nicarágua, do Equador, da Bolívia e da União Africana (UA) nesta causa e que economias emergentes como do Brasil, da Índia, da China e da África do Sul “se mantém firmes” em sua postura contrária às agressões promovidas na região.

Ele ainda questionou um recente discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quando o norte-americano declarou que o “método Líbia poderia ser usado em qualquer outro país na luta contra o terrorismo”.

“Não venham inventando que temos armas químicas, que estamos massacrando nossa população, que apoiamos ao terrorismo. Não venham com sua frota incendiar nosso continente”, disse Chávez.

O venezuelano declarou na última semana que é “uma loucura o que está acontecendo na Líbia” após defender uma comissão de paz que visa a promover a resolução do conflito no país norte-africano por meio do diálogo.

A medida, apresentada por ele em fevereiro, pretende formar uma comissão para atuar como mediadora e encontrar uma solução não violenta à crise política na Líbia.

FONTE: ANSA Latina

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“Se aqui e no exterior todos perceberem que estamos prontos para a guerra a qualquer momento, com todas as unidades das nossas forças na linha de frente prontas para entrar em combate e ferir o inimigo no ventre, pisoteando-o quando estiver no chão, para ferver seus prisioneiros em azeite e torturar suas mulheres e filhos, então ninguém se atreverá no nosso caminho”. John Arbuthnot Fisher, primeiro Lord do Almirantado da Marinha Real Britânica, (cit. in Norman Angell, A Grande Ilusão, Editora UNB, 2002, p: 275)

É preciso ser muito ingênuo ou mal informado para seguir pensando que a “Guerra da Líbia”, foi feita em nome dos “direitos humanos” e da “democracia”. E ainda por cima acreditar que o governo de Muamar Gadafi foi derrotado pelos “rebeldes” que aparecem nos jornais em poses publicitárias. Tudo isso enquanto a aviação inglesa comanda o ataque final das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à cidade de Sirta, depois de ter conquistado a cidade de Trípoli. Até o momento, a “primavera árabe” não produziu nenhuma mudança de regime na região, mesmo na Tunísia e no Egito, e não há nenhuma garantia de que os novos governos sejam mais democráticos, liberais ou humanitários que seus antecessores. Até porque, quase todos os seus líderes ocuparam posições de destaque nos governos que ajudaram a derrubar, com o apoio de uma multidão heterogênea e desorganizada. Sendo que, no caso da Líbia, não se pode nem mesmo falar de algo parecido a uma “mobilização massiva e democrática” da oposição, porque se trata de fato de uma guerra selvagem e sem quartel, entre regiões e tribos inimigas, que foram mobilizadas e “pacificadas” transitoriamente, pelas forças militares da Otan.

Na Líbia haverá um período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal e instável

Segundo Lord Ismay, que foi o primeiro secretário-geral da Otan, o objetivo da aliança militar criada pelo Tratado do Atlântico Norte, assinado em 1949, era “manter os russos fora, os americanos dentro e os alemães para baixo”. E esse objetivo foi cumprido plenamente, durante todo o período da Guerra Fria. Mas depois de 1991, a Otan passou por um período de “crise de identidade” e redefinição do seu papel dentro do sistema internacional. Num primeiro momento, a organização militar se voltou para o Leste e para a ocupação/incorporação de alguns países da Europa Central que haviam pertencido ao Pacto de Varsóvia.

Além disso decidiu participar diretamente das Guerras do Kosovo e da Sérvia. E ao mesmo tampo, lançou, em 1994, um projeto de intercâmbio militar e de segurança, com os países árabes do norte da África, o chamado “Diálogo Mediterrâneo”. Dez anos depois, na sua reunião de cúpula de 2004, em Istambul, os dirigentes da Otan decidiram expandir o seu projeto de segurança e criaram a “Iniciativa de Cooperação de Istambul” (ICI), voltada para os países do Oriente Médio. Além disso, nesse mesmo período, a Otan, que não havia apoiado as guerras do Afeganistão e do Iraque, decidiu aderir e colocar-se ao lado das tropas anglo-americanas, instalando suas forças também na Ásia Central.

Foram os ingleses que cunharam o termo “Oriente Médio”, para referir-se aos territórios situados no meio do seu caminho, entre a Inglaterra e a Índia, e que pertenciam ou estavam sob a tutela do Império Otomano. Incluindo os territórios que foram retalhados e divididos depois do fim da 1ª Guerra Mundial, sendo transformados em “protetorados” da Inglaterra e da França, que já eram, naquele momento, as duas maiores potências imperiais da Europa, tendo submetido e colonizado a maior parte da África Subsaariana e todos os países árabes do norte do continente, hoje incluídos no “Diálogo Mediterrâneo” da Otan.

Mas foi o presidente dos Estados Unidos, George Bush, quem cunhou o termo “Grande Médio Oriente”, apresentado pela primeira vez na reunião do G-8, realizada em Sea Islands, nos Estados Unidos, em junho de 2004. A ideia era definir e unificar um novo espaço de intervenção geopolítica, que iria do Marrocos até o Paquistão, e deveria ser objeto da preocupação prioritária das grandes potências, na sua guerra contra o “terrorismo islâmico”, e a favor da “democracia” e dos “direitos humanos”. Dessa perspectiva se pode compreender melhor o significado geo-estratégico da “primavera árabe”, e da Guerra da Líbia.

Assim mesmo, o que se deve esperar que ocorra depois da guerra? Na Líbia, haverá um longo período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal, instável e autoritário, sob o patrocínio e a tutela militar da Otan. Ao mesmo tempo, terá sido dado um passo decisivo na construção de uma força de intervenção “ocidental”, capaz de projetar seu poder militar sobre todo o território islâmico do Grande Médio Oriente. E de passagem, estará criado o primeiro “protetorado colonial” da Otan na África. Triste sina da África!

José Luís Fiori é professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da UFRJ, e autor do livro “O Poder Global”, da Editora Boitempo, 2007. Escreve mensalmente às quartas-feiras.

FONTE: Valor Econômico

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Novo ministro pensa em estratégia para a retirada dos militares brasileiros que estão no país caribenho desde 2004

O ministro da Defesa, Celso Amorim, pensa em uma forma de programar a saída das tropas brasileiras do Haiti. O ex-chanceler já tem em mãos o relatório sobre os custos da manutenção da Força de Paz nos últimos seis anos. Desde 2004, quando a ocupação teve início, pouco mais de R$ 1 bilhão saiu dos cofres brasileiros para bancar as despesas dos militares que participam da missão. São gastos que incluem compra de material para os alojamentos, treinamento de pessoal, viagens, palestras e manutenção de equipamentos. Uma conta considerável, segundo especialistas, principalmente no momento em que a pasta reclama dos constantes contingenciamentos orçamentários e da falta de recursos.

No ano passado, a manutenção das tropas no Haiti custou R$ 426 milhões aos cofres públicos. A conta inclui os R$ 140 milhões das despesas anuais previstas e outros R$ 286 milhões gastos com a ajuda humanitária enviada pelo Brasil depois que um terremoto devastou o país caribenho.

Na matemática dos gastos entram reembolsos feitos pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao Brasil. Segundo relatório do Ministério da Defesa enviado à Câmara dos Deputados, nos últimos anos esses ressarcimentos somaram cerca de R$ 168 milhões: 16,45% do que foi executado pelo governo brasileiro. O percentual, considerado baixo, vinha gerando sucessivas reclamações do antigo comandante da pasta Nelson Jobim, demitido na semana passada.

Divergências

Segundo o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Pio Penna Filho, não é apenas pelas despesas criadas para manter suas tropas na missão no Haiti que o Brasil precisa pensar em deixar Porto Príncipe. “O custo não é o grande problema. Está no momento de sair, mas não se sabe como sair. É necessário haver um processo de transição. O que não se pode é deixar o tempo passar de forma que a permanência das tropas se torne eterna. Há questões políticas envolvidas nesse processo e até os haitianos já declararam que não querem uma intervenção eterna”, pondera o especialista.

O fim da participação brasileira na Força de Paz do Haiti deve ser uma das primeiras medidas adotadas pelo novo ministro. Em reunião com os comandantes das Forças Armadas no último sábado, Amorim disse que é hora de pensar em estratégias de retirada das tropas, que estão no país desde junho de 2004. Atualmente, 2.160 homens trabalham pela segurança interna do Haiti, abalada depois da queda do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide. Por ano, os salários desses militares consomem pouco mais de R$ 41 milhões — valores não incluídos nas cifras sobre os gastos com a missão, pois, se estivessem no Brasil, também iriam receber os soldos.

A saída das tropas, no entanto, está longe de ser unanimidade entre especialistas. Alguns deles defendem o tratamento da questão não apenas pelo aspecto de gastos, mas também pelo fator político que a decisão pode ter no momento em que o Brasil pleiteia uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Para Geraldo Cavagnari, integrante do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade de Campinas (Unicamp), não há qualquer prejuízo em deixar os efetivos em Porto Príncipe, principalmente o Exército. “Acho que as tropas devem permanecer, pois não está implicando nenhum risco e há muitos aspectos diferentes em jogo”, observa.

FONTE: Correio Braziliense

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1. Um relatório do Departamento de Estado reflete o resfriamento das relações com a Argentina após o chamado “incidente do avião”, através do qual o governo argentino decidiu confiscar material militar norte americano que chegou no aeroporto de Ezeiza em fevereiro passado para treinamento de agentes da Polícia Federal .

2. Sugestivamente, uma das áreas onde esse resfriamento se expressa é na referida Defesa. Lá, ao contrário do que era o padrão, a Argentina não figura mais com seu status de “aliado estratégico” fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), deferência especial que ganhou há mais de dez anos.

3. A nova descrição feita pela diplomacia norte americana em relação aas relações com a Argentina está expressa no chamado “Background note”, um relatório de rotina do Departamento de Estado que é elaborado periodicamente sobre os países com os quais mantém relações.

4. O mesmo ocorreu com aquele que descrevia o apoio das relações bilaterais em relação aos interesses “comuns e estratégico”. Agora só fala de interesses “comuns”, com a omissão da consideração anterior de “estratégicos”. O relatório abrange o período de setembro do ano passado até o mês atual. Atinge desta forma um dos momentos mais difíceis na relação entre a Casa Rosada a Casa Branca.

5. Foi o período em que a Casa Rosada não escondeu seu descontentamento com o fato de que o país não estava na agenda da primeira viagem à região do presidente Obama, que sobrevoou o país para ir do Brasil ao Chile. O relatório reitera, assim como no ano passado, as dúvidas sobre o valor das estatísticas oficiais do país em relação com a intervenção do INDEC (IBGE da Argentina), ocorrida em 2007.

FONTE: La Nación

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Israel impediu cerca de 200 ativistas europeus pró-palestinos de embarcar em voos para o país em uma missão de solidariedade aos palestinos. Tudo por causa do Facebook. Autoridades de Israel haviam monitorado suas atividades bem de perto na rede social e fizeram uma lista negra com cerca de 300 nomes. A relação de nomes foi enviada para as embaixadas. Muitos ativistas nem chegaram a ir até o aeroporto porque as empresas aéreas ligaram para suas casas avisando que Israel não permitiria a sua entrada no país.

Recentes protestos anti-Israel, incluindo confrontos ao longo das fronteiras com o Líbano e a Síria, foram organizados pelo Facebook e outras redes sociais. Agora, as autoridades de defesa dizem que Israel segue de perto as atividades organizadas online.

É, minha gente. Cuidado com o que vocês postam nas redes sociais se forem viajar por aí.

FONTE: Super Interessante / Via Gawker

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O cargo máximo militar chinês, Chen Bingde, criticou nesta segunda-feira a despesa militar de Washington em plena recuperação econômica durante um encontro com seu colega americano, o chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA Mike Mullen.

“Sei que os EUA estão se recuperando da crise financeira. Sob estas circunstâncias, não é muita pressão para seus contribuintes gastarem tanto dinheiro em seu Exército?”, assinalou o militar chinês, em declarações publicadas pela agência de notícias “Xinhua”.

O chefe do Estado-Maior do Exército de Libertação Popular (ELP) da segunda potência econômica, principal detentor da dívida dos EUA com US$ 1,15 trilhão em bônus do Tesouro, recomendou seu colega que seu Governo reduza sua despesa militar.

Em seu encontro desta segunda-feira, o militar chinês qualificou também de “inapropriadas” as manobras que os EUA realizam no mar da China Meridional, depois dos conflitos protagonizados por navios chineses, filipinos e vietnamitas em zonas próximas aos arquipélagos Spratly e Paracel, ricas em recursos petroleiros.
“Quanto às disputas sobre estas ilhas e suas águas territoriais no mar da China Meridional, podemos solucioná-las mediante o diálogo e a via diplomática. O momento para as manobras dos EUA é inadequado”, assegurou Chen Bingde, chefe do Estado-Maior do Exército de Libertação Popular da China, durante um encontro com seu colega americano, Mike Mullen.

As palavras do militar chinês se produzem um dia depois que Mullen assegurasse, em seu primeiro dia de visita em Pequim, que os EUA não tinham previsto abandonar a zona marítima disputada, que pode ser cenário de um conflito com graves consequências, segundo suas palavras.

O militar americano assegurou que se tratava de exercícios em grande escala que tinham sido preparados com adiantamento, ao que Chen contestou que poderiam ser programados de novo.

Esta é a primeira visita de um alto militar dos EUA à China depois que os dois exércitos congelassem seus intercâmbios em 2010 devido à venda de armamento de Washington a Taiwan, uma ilha escondida do país asiático desde 1949 à qual Pequim segue considerando parte de seu território.

A visita de Mullen se produz em reciprocidade à realizada por Chen em maio aos Estados Unidos a fim de estreitar seus laços bilaterais, devido à necessidade mútua das duas principais potências econômicas.
O Pentágono e seus aliados na Ásia Pacífico criticaram nos últimos anos o aumento da despesa militar chinesa, e alertado sobre os riscos que poderia desencadear na região.

O orçamento de defesa da China se tornou neste ano no segundo, com US$ 95 bilhões, embora ainda muito longe do primeiro, o dos EUA, com US$ 650 bilhões.

FONTE: Terra/EFE

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou a suspensão de US$ 800 milhões em auxílio aos militares do Paquistão. Segundo o chefe de gabinete da Casa Branca, William Daley, a relação entre EUA e Paquistão é “difícil” e deve melhorar com o tempo, mas enquanto esse momento não chega “vamos reter parte do dinheiro que os contribuintes americanos estão dispostos a oferecer aos paquistaneses”.

A suspensão do auxílio, divulgada inicialmente pelo jornal New York Times, ocorre depois de o almirante Mike Mullen, principal assessor militar de Obama, ter afirmado que os serviços de segurança do Paquistão podem ter sancionado o assassinato de um jornalista do país que escreveu sobre a infiltração de extremistas religiosos no Exército paquistanês.

A alegação foi negada pelos militares do Paquistão e também pelo serviço de espionagem paquistanês, que possui laços históricos com o Taleban e outras milícias e é considerado por muitos analistas ocidentais como um país dentro de outro país.

Em entrevista ao programa “This Week”, da ABC, Daley sugeriu que a decisão de suspender o auxílio ao Paquistão era resultado da crescente tensão entre o país e os EUA, especialmente depois da operação norte-americana que resultou na morte de Osama bin Laden, em maio, numa região muito próxima à principal escola militar do Paquistão. “Obviamente ainda há muita mágoa que o sistema político do Paquistão está sentindo por causa da operação que fizemos para pegar Osama bin Laden”, disse Daley.

Outra autoridade norte-americana disse que a suspensão do auxílio foi motivada pela decisão do Exército do Paquistão de reduzir o número de vistos para militares dos EUA que viajariam ao país para fins de treinamento. “Continuamos comprometidos em ajudar o Paquistão a melhorar sua capacidade, mas comunicamos às autoridades paquistanesas sobre diversas ocasiões em que precisamos de certa ajuda para oferecer assistência”, disse a autoridade, que falou sob condição de anonimato porque não pode discutir o assunto publicamente.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse recentemente aos senadores norte-americanos que “não estamos preparados para continuar oferecendo (o auxílio militar) exceto se virmos algumas medidas sendo tomadas”.

O porta-voz do exército do Paquistão, major-general Athar Abbas, recusou-se a comentar a suspensão do auxílio.

FONTE: Agência Estado

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O chefe de Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, Mike Mullen, em visita na China, se reuniu nesta segunda-feira (11) com diversos dirigentes chineses. Ambas as partes trocaram opiniões acerca de desenvolvimento dos laços militares, questão de Taiwan e planos de intercâmbio, e alcançaram vários consensos.

No encontro, o vice-presidente chinês, Xi Jinping, declarou esperar que os departamentos de defesa e exércitos dos dois países possam eliminar os obstáculos na evolução dos laços militares, além de promover respeito mútuo e cooperação de benefício recíproco.

Segundo o vice-presidente da Comissão Militar Central da China, Guo Boxiong, a questão de Taiwan envolve os principais interesses da China. Ele exigiu que os norte-americanos observem os comunicados conjuntos China-EUA, que proíbem a venda de armas avançadas para Taiwan, o que prejudicaria novamente a relação militar.

O chefe-geral de Estado-Maior da China, Chen Bingde, também se reuniu hoje com Mullen. Na ocasião, ambos prometem que vão elaborar o princípio que beneficia o desenvolvimento das relações militares bilaterais, a fim de promover os progressos das relações cooperativas de parceria de respeito mútuo e benefício recíproco. Os dois concordam em que as forças militares da China e dos EUA devem reforçar as cooperações para o enfrentamento dos desafios de segurança regional e global.

Por sua vez, Mullen afirmou que a parte norte-americana dá grande importância ao desenvolvimento das relações bilaterais e quer reforçar, junto com a China, diálogos e intercâmbios para aumentar constantemente a confiança mútua.

FONTE: CRI Online

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Os formuladores da política externa brasileira ganharam uma importante referência para o futuro das relações com os Estados Unidos. Relatório do influente “think tank” americano Council on Foreign Relations (CFR), a que O GLOBO teve acesso, recomenda que o governo Barack Obama “apoie totalmente” a reivindicação brasileira de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, como forma de aproximar os dois países e “contribuir para superar a suspeita remanescente dentro do governo brasileiro de que o compromisso dos EUA com uma relação madura entre iguais é, em grande parte, retórica”.

Os autores são ocupantes recentes de influentes gabinetes em Washington e renomados especialistas de outros centros de estudo americanos, sintonizados com o pensamento dominante no centro do poder dos EUA. O trabalho analisa as linhas gerais da política externa do Brasil nos governos Lula e neste início de mandato de Dilma Rousseff. Trinta especialistas foram mobilizados. Nove deles, porém, deixaram explícita sua discordância em relação às conclusões do grupo. Reconhecem o mérito da demanda de Brasília, mas defendem uma abordagem mais gradual, temendo repercussões negativas para os EUA na América Latina. Ao invés do endosso formal à reivindicação brasileira, preferem o tom menos assertivo adotado por Obama em sua visita ao país, em março.

O relatório saúda o compromisso de Dilma na defesa dos direitos humanos, destacando “a condenação das atrocidades na Líbia e o voto (na ONU) para aprovar um relator especial de direitos humanos para o Irã”, reconhecendo uma mudança em relação “à abordagem estritamente não intervencionista de Lula”. Mas registra a abstenção brasileira no voto para autorizar a intervenção na Líbia; e se mostra na expectativa da posição brasileira na iminente votação na ONU da criação do Estado palestino. Brasília já declarou apoio aos palestinos.

O texto do CFR faz uma análise do padrão brasileiro de se abster em fóruns como a ONU, o que irrita o governo americano. Chama a atenção para o fato de que isso não reflete, necessariamente, discordância em relação à proposta, mas a frustração brasileira diante de posições contraditórias da comunidade internacional.

A defesa geral da democracia feita pelo Brasil merece elogios no documento, mas, ao mesmo tempo, o país é criticado por “não se aliar aos EUA na promoção dos direitos humanos e da democracia em Venezuela, Cuba, Colômbia ou Nicarágua”.

O CFR constata que ainda não foi digerida em Washington a decisão do Brasil de se contrapor aos EUA e negociar diretamente com o Irã, em 2010, a questão do programa nuclear. E entende que o envolvimento do Brasil no Oriente Médio “pode enfraquecer as credenciais do país para negociar em outras questões em que sua participação não só é mais lógica, como mais necessária”. O documento do CFR contribui para o maior entendimento mútuo de aspectos das políticas externas dos EUA e do Brasil, balizando ações que ajudem a reduzir as desconfianças e aumentar a eficácia da ação diplomática dos dois países. Segundo o texto, existe uma “fundação positiva” e agora é “o momento de construir” sobre ela. Deveria ser levado a sério em Brasília.

FONTE: O GLOBO

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Na segunda década do século XX, sob as os escombros do Império Otomano, nasceu a república Turca. Uma figura que destaca nesse cenário é Mustafá Kemal Ataturk, considerado o pai da Turquia moderna. Ataturk deu início à guerra de independência, que culminou em 1923 com a proclamação da república. Na busca por um estado democrático secular ele aboliu o califado e a poligamia. Também substituiu o fez (banete usado pelos povos do oriente) pelo chapéu e o alfabeto árabe pelo latino. Países islâmicos como o Egito de Nasser e o Irã do Xá Reza Pahlevi também tentaram se adequar ao novo mundo instaurando um estado secular. O Egito nacionalizou a economia, tomou posse da imprensa e aboliu o parlamento. No Irã o Xá sonhou transformar o país numa potência militar e industrial do dia para a noite. As conseqüências foram catastróficas. Muitos árabes espalhados pelos países muçulmanos, perdidos nesse processo de fragmentação, viram nas suas escrituras sagradas a única solução para restabelecer a ordem: a instauração da Shari’a, a lei islâmica. Eis alguns nomes que destacaram na construção da ideologia religiosa anti-ocidental.

Hassan El Banna (1906-49) – Fundou a Irmandade muçulmana em 1928 durante o período colonial. Tinha como meta o restabelecimento da ordem desfeita pelo fim do califado otomano de Istambul. O grupo chamava para si a responsabilidade pela dimensão política do Islã. Os irmãos muçulmanos tinham um slogam bem conhecido na órbita islâmica: “O corão é nossa constituição” e “o islã é um sistema completo e total”. Defendia que a solução para os muçulmanos está na implantação de um Estado islâmico, que aplique a chari’a (lei baseada nas Escrituras Sagradas do Islã), como teria feito o califa do antigo império otomano. O movimento teve aceitação entre a pequena burguesia urbana de origem modesta imbuída de uma visão religiosa do mundo. O grupo soube politizar essa religiosidade. A irmandade foi desmantelada em 1954 pelo recém-criado Estado de Nasser. A irmandade faz parte do reformismo dentro das escolas sunitas.

Sayyid Qutb (1906-1966) – Filósofo enforcado em 29 de agosto de 1966 no Egito de Nasser. Foi influenciado pelos irmãos muçulmanos, e tinha como pano de fundo o seguinte cenário: a Turquia não era mais o Império Otomano e os estados árabes não eram mais colônias européias. Pregava uma ruptura radical com a ordem estabelecida, defendendo a substituição do ideal nacionalista, nascido na luta contra o colonialismo, pelo Estado islâmico. Teve relativa aceitação entre os jovens, mas afastou a maior parte dos intelectuais religiosos e da classe média. Criou um estilo de escrita simples e despojado, distante da complexa retórica dos ulemás (doutores da lei islâmica) e foi autor de duas grandes obras: “À sombra do Corão”, seu comentário corânico, e “Marcos do Caminho”, um “manual prático” do movimento islâmico. Elaborou o conceito de jahiliyyah, a barbárie anterior ao islã. Ela precisava ser destruída assim como fez o Profeta, defendia Qutb, dando lugar ao Estado muçulmano. Influência sob o universo sunita.

Abul Ala Mawdudi (1903-79) – Suas teorias e conceitos serviram para adaptar a ideologia islâmica às novas condições políticas criadas com o advento dos estados independentes não-religiosos. No final dos anos 20 publicou seu primeiro livro em urdu, língua derivada do sânscrito consagrada como língua oficial do Paquistão: “A Jihad no Islã”. Mawdudi declarava que a política era parte integrante da fé islâmica e do Estado islâmico. Fundou um partido chamado “Jama’at-e islami”, que tinha muitos pontos comuns com o modelo lenilista. Não conseguiu atingir as camadas mais pobres, pouco conhecedoras da língua urdu. Influência sob o universo sunita.

Huholla Khomeini (1902 – 1989) – Popularmente conhecido como Aiatolá Khomeini, fez oposição ao Xá do Irã, Mohammed Reza Pahlavi, com base em conceitos antimodernistas. A reforma agrária iniciada pelo Xá prejudicava o clero, grande proprietário de terras, previa o voto para as mulheres e o juramento solene sobre um livro sagrado que não fosse necessariamente o Corão. Khomeini fez forte oposição a essas medidas. Em seu exílio na cidade santa xiita de Nadjaf, no Iraque, escreveu um livro que reunia uma série de conferências que continham a essência das futuras decisões a serem tomadas pela República islâmica a partir de 79. A obra recebeu o título de “Por um governo islâmico”. Khomeini conseguiu mobilizar verdadeiras redes de adeptos e discípulos, obtendo um sucesso sem precedentes no universo árabe. Seu principal objetivo era destruir a monarquia para instituir um governo islâmico sob a liderança do sábio xiita.

Referências bibliográficas:

  • KEPEL, Gilles. Jihad: expansão e declínio do islamismo. Rio de Janeiro: Bibliex, 2003, 572 páginas.
  • LIBERO. Chiara. Turquia. São Paulo: Manole, 1998.

Por Jones F. Mendonça

FONTEhttp://numinosumteologia.blogspot.com/

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